segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Iron Maiden - Maiden England '88 (2013)

 



O Iron Maiden é uma banda que se especializou em lançar ótimos discos ao vivo, desde Live After Death, de 1985, o clássico supremo, os britânicos apresentam trabalhos que ao contrário de muitos valem cada centavo, ou seja, não são os terríveis caça níquel. Nos anos de 1980, os caras lançaram álbuns que se transformaram em referência logo de imediato, sete discos de estúdio do nível mais alto. É até dispensável fazer qualquer outra consideração a respeito de cada de um deles, pois é... seria redundante discorrer sobre um The Number of the Beast (1982) ou um Powerslave (1984) e os demais para recontar a devida importância. Depois de 1986, em 1988, o Iron Maiden fechou a década de 1980 com Seventh of the Seventh Son, um disco que os deixou de bem com o público que havia a dois anos atrás torcido para o Somewhere in Time, um ótimo disco que acabou entrando para o hall dos álbuns injustiçados


A turnê de promoção do Seventh of the Seventh Son teve sucesso absoluto com apresentações lotadas, na base do sold out, por onde passou. O registro dessa turnê pôde ser conferido no vídeo (VHS) chamado Maiden England que foi lançado em 1989, o show gravado que compõe o material foi gravado nos dias 27 e 28 de novembro de 1988, na casa de shows Birmingham Nec, Inglaterra, cinco anos mais tarde ganhou a primeira versão em cd com apenas 13 faixas menos do que o home vídeo, pois em 1994 um compact disc suportava apenas 74 minutos de gravação, e por isso as faixas Run to The Hills, Running Free e Sanctuary ficaram de fora inclusive do VHS devido a tecnologia da época.


Em 2013, a banda teve a ideia genial de relançar esse material, Maiden England ‘ 88 dessa vez veio ao mercado completo, ou seja, as três faixas foram inclusas nas versões em dvd, lp e cd, os fãs puderam pela primeira vez ter o material completo para ouvir e assistir. Esse material marca a despedida de Adrian Smith que só voltaria a Dama de Ferro junto com Bruce Dickinson em Brave New World, de 2000, como um sexteto, ou seja, passaria a ser um trio de guitarras. O track list do álbum inclui quase todo o Seventh of the Seventh Son, era o auge da banda, as versões que nele constam são definitivas e deixam aquele gostinho de nostalgia no ar.

São 18 faixas de mais puro e convincente Heavy Metal trampado até o último detalhe, os destaques? Nem perca tempo com isso. Apenas ouça e divirta-se e viaje no som e tente imaginar como foram os anos 80, o que é que os caras faziam e como faziam para trazer das profundezas de suas mentes esse som cósmico, brilhante que arrasava corações, as mentes, deixava fora de si o ouvinte, os shows lotados e toda aquela parafernália delirante traduzida em riffs e mais solos, bateria e baixo massacrantes. No fim de tudo o que fica é o gostinho de ter um registro de como eram bem quentes e emocionantes as apresentações do Iron Maiden, um dos gigantes que ainda hoje caminha sobre o globo lançando álbuns espetaculares sejam eles de estúdio ou ao vivo.


Sinta na pele, na mente, arrepie-se ao som The Number of the Beast, a energia punk de Iron Maiden, Running Free, e Sanctuary que ganharam mais emoção na voz carregada de melodia de Bruce Dickinson. É para sentar e sonhar, ou seja, delirar, babar em faixas definitivas que exprimem o alfabeto do que é o heavy metal como é o caso de The Evil That Man Do, a lição da faixa Seventh Son of the Seventh Son com todas as suas variações que te faz parecer estar dentro de um labirinto com clima de filme de suspense, tipo o Iluminado. Faixas como Heaven Can Wait e Wasted Years desmontam o mito de que Somewhere in Time era um disco ruim, as duas se sobressaem e mostram que o Iron Maiden era uma mais do que uma banda, ou seja, uma entidade, que estava muito acima da média e quiça naquele momento estava até a frente do seu tempo.

O defeito do track list é ter deixado de fora faixas do Powerslave, constam as faixas de álbuns como Iron Maiden (1980), Killers (1981), The Number of the Beast (1982), Peace of Mind (1983) do qual foram tomadas “emprestadas” Still Life que conta uma versão belíssima que se desmancha em pura virtuose, e Die With Your Boots On, uma faixa que se destaca pelas melodias e pelos vocais que colocam emoção até naqueles que se encontram em estado de letargia, ou seja, é enlouquecedor, e não para por aí a lista de álbuns se encerra com o antecessor, porém o de 1988 com The Clairvoyant, Infinite Dreams, uma linda balada, Moonchild, uma abertura acertada dado o ritmo acelerado das apresentações, mostra que este funcionou perfeitamente nesse formato, ele foi feito para isto é o que se pensa depois de uma boa audição, lá no final percebe-se que mesmo com as ausências reclamadas não perde o status de clássico.


O que se vê em relação aos lançamentos ao vivo são faixas que aparentemente são pouco lembradas nos set lists do grupo, porém, mesmo assim, apesar de estar um nível abaixo de Live After Death (1985), esse álbum surpreende pela energia destas canções que ganharam essas versões mais do que empolgante que ao mesmo tempo cativam e que deixam-te de frente com esta lição do que é heavy metal. Todos os álbuns do Iron Maiden reforçam e afirmam que Steve Harris é um dos maiores ou talvez o maior de todos os compositores que já surgiram no heavy metal, o cara é genial no ofício. O disco ganhou nova arte gráfica, mas infelizmente a anterior é bem mais bonita e bem mais sombria e reflete mais do que a atual o estado de espírito desta entidade chamada Iron Maiden.

O Iron Maiden ainda embarcou em turnê para promover esse disco levando consigo cenário para cada música corresponde com o disco que estava sendo homenageado. Enfim, um show do Iron Maiden é mais do que um simples show, ele é um espetáculo que mostra não mais uma banda mais um mito que a cada época consegue se reinventar sem estar de pés e mãos atados ao passado e, que, portanto, faz o que bem entende e faz como ninguém, mantem-se de pé com a criatividade em alta e que é refletida em pleno século XXI desde o seu renascimento em Brave New World até o atual The Book of Souls. Enfim este é um álbum obrigatório para qualquer cara e qualquer garota que se digam fãs da Donzela de Ferro, ouçam ele só que não percam tempo comparando, pois assim como o Live After Death é um clássico que ressurge para reclamar o seu devido lugar, ou seja, ele não é injustiçado e, sim, hum, esquecido, mas depois de tudo isto você tem que pega-lo e ouvir e o resto você já sabe. 

Track List: 

CD1 

01 Moonchild
02 The Evil That Man Do
03 The Prisioner
04 Still Life 
05 Die With Your Boots On 
06 Infinite Dreams 
07 Killers 
08 Can I Play With Madness
09 Heaven Can Wait 
10 Wasted Years

CD2 

01 The Clairvoyant 
02 Seventh Son The Seventh Son 
03 The Number Of The Beast 
04 Hallowed Be Thy Name 
05 Iron Maiden
06 Run To The Hills 
07 Running Free
08 Sanctuary  




Judas Priest e os seus cinco melhores e mais importantes discos.

 



Nascido na Inglaterra e contemporâneo e conterrâneo do Black Sabbath, o Judas Priest começou suas atividades em 1969. Novos elementos e mais absorção das lições dos homens de Birmingham deram aos legítimos herdeiros os elementos necessários para trilhar o próprio caminho, ou seja, inovar, testar, desafiar e quebrar barreiras, estabelecer outro nível.



Halford, K.K Downing, Glenn Tipton se especializaram em oferecer outra visão para o público adepto do heavy metal, ou seja, os caras construíram uma carreira sólida toda montada em cima de um som poderoso e bastante diverso, os discos são o exemplo fiel. O que se encontra nos álbuns do Judas Priest é um teste, uma provocação ao ouvinte mesmo "pisando na bola". Outro fato é que o Judas Priest é uma das bases do heavy metal cuja influência é atestada pelo teste do tempo que permite-os até hoje aumentar, renovar a sua legião e fãs pelo mundo.    



01) Judas Priest – Sad Wings of Destiny (1976).
Em meados da década de 1970, o trio formador da santa trindade do rock setentista já havia entrado num processo de franca decadência, o Led Zeppelin amargava com Presence, o Deep Purple já não existia mais e o Black Sabbath ia mal das pernas com Technnical Ecstasy e todos os excessos de Ozzy e companhia. Nesse interim surge o Judas Priest, os caras haviam estreado desapercebidamente com Rocka Rolla (1974), mas no segundo álbum as coisas mudaram de figura. O lançamento de A Wings Of Destiny mostrou evolução no heavy metal. Rob Halford com seus vocais rasgados, a dupla de guitarras formada por K.K Downing e Glenn Tipton formaram uma nova entidade metálica, o som novo e potente de Wings of Change e de Tyrant, Genocide e The Reaper ajudaram moldar as bases do que seria o futuro do heavy metal pelo menos para a década posterior.       


02) Judas Priest – Stained Class (1978)

Neste álbum que sucedeu Sin After Sin (1977), um clássico absoluto, as bases do heavy metal já estavam redefinidas, ou seja, os cacoetes de seus contemporâneos já não existiam mais e assim o heavy metal pode respirar novos ares e seguir adiante, músicas absurdamente pesadas, rápidas e matadoras no pleno sentido palavra ditavam o ritmo. Imagine uma faixa absurdamente veloz como Exciter, ou os riffs sombrios de Beyond The Realms Of Death, os vocais de Saints In Hell, enfim um álbum que marcou época.


03) Judas Priest - British Steel (1980)

Neste vem o sucesso comercial, porém o som sofreu uma leve amansada em relação aos anteriores, mas que conseguiu levar o Judas Priest e outro nível, ou seja, numa época, ano, que Motörhead arregaçava com Ace of Spades, o AC/DC dando voltas quilométricas no planeta com seu Back in Black e o Black Sabbath renascia com Heaven and Hell, com Dio, inaugurando a nova fase com sucesso absoluto, o British Steel assim como os citados e os não citados como, por exemplo, a NWOBHM, o Iron Maiden, faziam um som devastador, o Judas Priest tinha que estar no mesmo nível e realmente estava, as mudanças foram gritantes. Breaking the Law, Grinder, Rapid Fire, The Rage que trazem impressas em letras e melodias o novo Judas Priest que era na verdade mais do que uma simples banda de heavy metal. British Steel é daqueles discos cuja importância é definitiva para a afirmação de um gênero junto ao grande público e o mérito aqui é exatamente esse.


04) Judas Priest – Screaming For Vengeance

Logo na entrada com Hellion e The Electric Eye, o Judas Priest de cara exprime todo o sentido do heavy metal, mas essa expressão não se resume apenas ao começo de Screaming For Vengenace. Faixas como Fever, Bloodstone, Riding on the Wind fazem apagar a má impressão deixada pelo antecessor, Point of Entry (1981). Apesar de haver momentos mais leves como You’ve Got Another Thing Coming, o disco se sobre saí e mantém a força intacta, o auge era bem ali do lado e não faltava mais nada para alcança-lo, os números de venda disseram isso superando o British Steel.


05) Judas Priest – Painkiller (1990)

Com o disco Turbo (1986) o Judas Priest tentou moldar-se ao mercado norte americano, ou seja, o som mais hard, comercial, estilo hair band e uma produção brega não deram certo, a banda tentou melhor em Ram it Dawn (1988), mas também não certo e por isso jeito foi voltar para casa e essa volta deu de presente ao mundo do heavy metal Painkiller, o álbum mais pesado e mais violento do Judas Priest. Um disco completamente EVIL, logo na faixa título os caras colocam tudo para fora, ou seja, entravam com os dois pés no peito direto de quem estivesse pela frente, mas a revolta sonora não ficava por aí e vinha de todos os lados, por exemplo, Metal Meltdown, Rebel Leather, Night Crawler traziam à tona um novo Judas Priest mais violento, devastador na sua caminhada metálica. O disco trouxe o Judas Priest para o Rock in Rio II e também foi o último de Halford e, também, marcou a entrada de Scott Travis, um exímio batera, que acrescentou uma dose de peso no som ajudando a manter a reputação do Priest que naquele momento manteve-se devidamente no auge.   

Bônus



Judas Priest - Defenders of the Faith (1984)

Pegando carona no sucesso do antecessor Defenders of the Faith chega arrasando, o disco traz canções memoráveis como Jawbreaker, Freewheel Burning que traziam novos tempos, as melodias de Love Bites, Sentinel, Eat Me Alive desnudavam o estado de graça em que a banda se encontrava, a continuidade desse tempo dourado se expressam em Night Comes Down e na faixa título que fechava com chave de ouro esse álbum, enfim o Judas Priest estava subindo vários degraus na época de ouro do heavy metal e mostrava que havia potencial e criatividade de sobra para cada vez mais surpreender o público.



Iron Maiden - Seventh Son Of A Seventh Son (1988)

 



O ano de 1988 experimentou grandes mudanças como o fim da guerra fria que na verdade era o preludio para a extinção da ex-U.R.S.S que ruiu de vez três anos depois, porém ainda assim havia a ameaça nuclear não de uma guerra, mas da contaminação que ameaçava a Europa após a castrofe nuclear ocorrida na Usina de Chernobil. Enquanto no Brasil ainda recém saído do seu período mais sombrio agora tentava marchar rumo a democracia ao mesmo tempo em contava seus mortos e procurava os seus desaparecidos denunciando as violações dos direitos humanos praticadas nos porões dos matadouros do DOI-CODI aonde ocorreram vários assassinatos, estupros, torturas até de crianças e de bebes e o que mais se puder imaginar, mas ainda haviam os resquícios que assombrariam o presente, marcado também pelo assassinato de Chico Mendes e também viu o fim da censura e da tortura entre tantas outras coisas.


Nas artes, ou seja, na música, as coisas iam bem o Fates Warning dava o ponta pé inicial no metal  progressivo lançando No Exit só que não estava sozinho e ao seu lado o Queensrÿche lançava Operation Mindcrime, o metal extremo viu surgir o Death delineando o death metal a ser praticado na década seguinte. O Metallica entrava de sola com And Justice For All seu disco mais cerebral carimbando o seu passaporte para o Mainstream, eram os anos do Thrash, e na sequência o Megadeth ia para o seu terceiro álbum. Na Alemanha, o Destruction vinha para cima com Releases From Agony um substituto à altura de Eternal Devastation. Na Suíça, o Celtic Frost incinerava o passado recente de discos poderosos como Morbid Tales (1984) e To Mega Therion (1985), pilares do Death e Black Metal, para se jogar na aventura frustrada de tentar ganhar o mercado norte americano com Cold Lake, uma tentativa pífia de fazer hard glam que custou muito caro a Tom Warrior e seus comparsas. O Judas Priest mais uma vez tropeçava ao tentar se recuperar do fracasso de Turbo (1986) com Ram it Dawn, ou seja, como se pode ver tanto dentro quanto fora da música o mundo passava por mudanças e também marcado por tentativas de renascimento lugar aonde se encaixava o Iron Maiden depois de ter experimentado um desagradável desconforto com as críticas negativas e das interrogações sobre o futuro do grupo já que anterior ao último disco a banda trazia na sua sacola uma penca de discos clássicos, shows memoráveis sold out, então o jeito para se levantar e escapar do fantasmas das críticas, das quedas de vendas de álbuns, era trazer a luz um novo clássico que fizesse o seu público esquecer o último disco. 


O processo de ressureição da donzela de ferro, ou seja, a gravação de Seventh of a Seventh Son, aconteceu na Alemanha, em Munique, no Musicland Studios, cuja produção mais uma vez fora assinada pelo mega produtor Martin Birch. A gravação de Seventh Of A Seventh Son marcou o fim de uma era por ser o último que Adrian Smith até o seu retorno no começo do século posterior. O lançamento do sétimo álbum do quinteto fantástico ocorreu no décimo primeiro dia de abril de 1988, a reação ao álbum foi extremamente positiva por parte de imprensa que afirmava o renascimento, ou seja, a restauração do grupo em relação a Somewhere in Time ao haver eliminado os sintetizadores e mergulhado de novo na sonoridade crua direta e reta que lhes é inerente. As inevitáveis comparações colocaram de imediato o álbum ao lado de clássicos como Powerslave e The Number of the Beast que construíram a reputação do Iron Maiden como uma das maiores bandas de heavy metal de todos os tempos. Por outro lado afirmando a veracidade de que o álbum é fruto de um trabalhado esmerado foi colocado por servir-se de inúmeros elementos do rock progressivo ao lado de obras primas, definitivas, como The Dark Side of the Moon do Pink Floyd e de Tommy do The Who e também de Tubullar Bells de Mike Oldfield. Os álbuns da banda são marcados pela complexidade das composições, fruto das influências diretas que a banda recebeu de inúmeros artistas tanto do hard quanto do progressivo que refletem diretamente na capacidade de construção das composições afirmando Steve Harris como um dos maiores compositores da história do rock.

Seventh Son Of A Seventh ainda tem a vantagem de poder contar com o lado intelectual de Bruce Dickinson nas letras, ou seja, é conceitual cujos temas entram dentro da filosofia do Mago Aleister Crowley abordando a lenda do Sétimo filho portador de poderes sobrenaturais cuja missão, da criança que foi enviada a terra, seria ser um elo entre o bem o e mal. As discussões abordadas nas letras são sobre visões proféticas, misticismo, reencarnação, a luta eterna do bem contra o mal e os dilemas da vida após a morte, ou seja, temas filosóficos que entraram na pauta do grupo e que estão espalhados pelos outros álbuns ainda que não sejam conceituais como este. Entrando na parte que realmente interessa que são as oito faixas que compõe esta pequena pérola, a faixa de abertura Moonchild destaca-se pela sua influência direta de Aleister Crowley cuja letra é baseada no ritual "Liber Samekh" e também pela complexidade instrumental e dos vocais de Dickinson que conclamam o ouvinte a embarcar no ritual do sétimo filho da donzela de ferro. A balada “Infinite Dreams” discute os dilemas da vida após a morte cujo o personagem do tema abordado tem visões aterradoras na vida após a morte entre outros fatos místicos que aparecem no seu sonho que o faz ter medo de nunca acordar outra vez. Tudo isso embalado numa sonoridade que se alterna entre momentos tranquilos e outros mais rápidos, agitados e dão potência a narrativa do tema abordado que fazem desta uma das principais canções deste álbum. 


O heavy metal sem o feeling, ou seja, sem o lado emocional na narrativa vocal quanto instrumental é um objeto morto, mas o Iron Maiden surfa por cima dessas ondas colocando mais do que o coração, ou seja, dão a própria vida atrás de seus instrumentos fazendo suas várias acrobacias e pirotecnias ao testa-los além do limite da virtuose como é o caso de “Can I Play With Madness” que dá vida a um jovem que tenta encontrar um profeta para através de uma bola de cristal saber o futuro. O protagonista pede ajuda ao profeta a dominar as suas visões e pesadelos constantes, mas o personagem ignora os ensinamentos do profeta. Talvez o lado mais emocional e quiça passional do Iron Maiden esteja em “The Evil Man That Men Do” não só pela complexidade e pela paixão com qual o quinteto se integra lançando o ouvinte dentro de uma espécie de inferno de Dante ao contemplar o mar de fogo emanado do instrumental pelo que tenta transpor para estabelecer a sua ponte com o que há de mágico e entender a mensagem da letra construída através de um fragmento retirado de um discurso de Marco Antônio feito aos romanos após a morte de Júlio Cesar (imperador romano) que consta na peça de Sheakspeare chamada Jullius Caeser, porém a mensagem da letra é a seguinte: o mal do homem sobrevive a ele porque ele mesmo através de suas ações ao longo da história, pela incompreensão de seus atos e paixões, faz recair sobre si o mal que o aflige e que contamina a humanidade que vive a se equilibrar nas pontas dos pés numa corda bamba em chamas. 

O lado épico, sombrio e naturalmente não pode ser deixado de lado ainda mais para narrar a faixa título que carrega o tema central do álbum e onde se encaixa, ou seja, é mola mestra que reúne em torno de si todas as outras peças que o compõe. A sonoridade envolve pela sua complexidade e pelo clima místico e também de suspense que carrega a tensão presente em cada nota deste tema que alcança o cume com os duelos de solos de guitarra, pura pancadaria que hipnotiza e eletriza o ouvinte levando-o ao caos sonoro me meio as quebradeiras produzidas e conduzidas pela Adrian Smith e Dave Murray que sabem transformar o drama contido nas linhas da cozinha em uma bela história de horror e esplendor que levam ao delírio e prendem o ouvinte pelo cérebro esperando pelo momento final que salta aos ouvidos deixando a sensação de espanto devido a habilidade em desmanchar as guitarras e tudo mais que puder ser derretido e levado até as portas loucura, a insanidade reina aqui! 


Em “The Prophecy”, o Iron Maiden, mais uma vez recorre ao momento épico só que cadenciado deixando o caminho livre para Bruce Dickinson soltar a sua voz e brilhar interpretando com toda emoção que lhe cabe e é característica para narrar a concretização das profecias que condenam toda à aldeia a sofrer no purgatório por ignorar o verdadeiro sétimo filho dono do poder de curar e uma segunda visão. “The Clairvoyant” uma verdadeira canção de heavy metal digna da genialidade do Iron Maiden, o tema é inspirado na história de Doris Stokes questionando a possibilidade de ela realmente prever o futuro não ter previsto a sua morte. Encerrando com chave de ouro entra em cena “Only Good Die Young” cuja narrativa é um questionamento sério a religião cristã, a moralidade e ao estilo de vida adotado pelos seres humanos durante a sua passagem pela terra que se desdobram nos seus atos e ações praticadas e, portanto, a pergunta, se são apenas os bons que morrem cedo e o mal é quem sobrevive, é de fato um questionamento a tudo o que está imposto e qual é caminho que se deve trilhar já que há em nós tanto bondade quanto maldade, pois são dois fatos que se interligam e são indissociáveis, inerentes a natureza humana que muitas vezes nega a humanidade se escondendo atrás de uma crença que não tem as respostas, as chaves para compreensão da vida e dos seus acontecimentos. Já dá sonoridade é completamente dispensável discorrer algo além de que é uma grande canção de heavy metal aonde aparece o talento, a virtuose e complexidade instrumental marcante reafirmadora da personalidade do grupo.

A verdade é que o Iron Maiden encerrava a sua participação na década de 1980 de bem com a imprensa e com os fãs e partia para uma turnê muito bem sucedida que foi registrada no clássico e histórico álbum ao vivo Maiden England´88 (ler aqui) que foi recentemente relançado tanto em dvd quanto com uma nova embalagem e outro fato que mostra a força desse registro é que o Iron Maiden refez a turnê passando pela América e pela Europa, o Brasil ficou de fora por conta do alto custo que demanda os cenários utilizados para a representação de cada faixa que foi tocada no álbum. Ainda para compreender a força e a importância de Seventh Son Of A Seventh a revista alemã Rock Hard o colocou na lista dos 500 melhores álbuns de heavy metal na 305º posição. A parte triste é que do segundo line-up considerado o clássico a primeira baixa ocorreu com a saída de Adrian Smith que retornaria a banda somente no século posterior. Encerrava-se assim a fase mais brilhante da carreira do Iron Maiden que entraria na década de 1990 sem o mesmo vigor e a mesma consistência e para além disso ainda ocorreria saída de mais um integrante, Bruce Dickinson. Essa história fica para outro dia, pois agora é hora de tirar a poeira desse álbum e sentar ao lado sétimo filho e abraçar o profeta e embarcar nessa visão e tentar não morrer ainda jovem porque os sonhos ainda podem ser infinitos porque a vida não acabou e por isso mesmo pulo no abismo. 

Faixas: 

Lado A

A1 Moonchild 
A2 Infinite Dreams 
A3 Can I Play With Madness

Lado B

B1 Seventh Son Of A Seventh Son 
B2 The Prophecy 
B3 The Clairvoyant 
B4 Only The Good Die Young 




Toad the Wet Sprocket – Rings: The Acoustic Sessions (2026)

 

Ao longo dos anos, o Toad the Wet Sprocket lançou algumas antologias intrigantes, incluindo PS (A Toad Retrospective) e In Light Syrup , mas é inegável que nenhuma seja tão fascinante quanto Rings: The Acoustic Sessions.
Quem se surpreendeu com o lançamento deste álbum nada convencional certamente não acompanhou a banda de perto ao longo dos anos. Surgida no final dos anos 80 e alcançando um sucesso considerável na década seguinte antes de sua dissolução, o quarteto se reuniu frequentemente nos anos subsequentes, tanto em shows quanto em estúdio. Uma reunião formal em 2010 apenas reafirmou as idiossincrasias do "faça você mesmo" que o quarteto trabalhou arduamente para estabelecer desde o início de sua existência, primeiro de forma independente e depois pela Columbia Records.

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O baterista Randy Guss deixou oficialmente o grupo dez anos depois, deixando assim os multi-instrumentistas/vocalistas/compositores Dean Dinning, Todd Nichols e Glen Phillips como criadores de um novo álbum de estúdio,  Starting Now , de 2021 , e, neste momento, os arquitetos do que equivale a um resumo da história do Toad.

Claramente, o trio levou essa produção (com o engenheiro de som Sean McCue) muito a sério. Eles não estão simplesmente oferecendo versões minimalistas de trechos de seu catálogo, mas, como sugere o toque de percussão de Carl Thomson durante o arranjo aberto de “Woodburning” – além da guitarra elétrica e da bateria leve, juntamente com o piano na faixa-título – o TTWS de 2026 está reinventando e redescobrindo esse material simultaneamente, em consonância com sua longa experiência juntos e separadamente (Phillips já fez turnês como artista solo ao longo dos anos).

Curiosamente, Nichols e Dinning não estão fazendo isso sozinhos. As duas contribuições de Sara Watkins, incluindo o violino melancólico em "Nanci", podem ser as mais notáveis, mas em "All I Want" e "Inside", Brian Mann toca um acordeão envolvente, Michelle Beauchesne contribui com uma parte evocativa de violoncelo em "Jam", "Transient Whales" e "Scenes from a Vinyl Recliner", e Steve Hernandez insere o vibrafone nesta última faixa e em "Little Heaven".

Esses recrutas e outros sugerem, sem rodeios, que o trio Toad tem muita confiança em si mesmo e, por extensão, no material original que compõe (em diversas colaborações). Para esse fim, as letras de todas as quatorze composições estão incluídas no pacote (em um pôster, inclusive!), reforçando um convite implícito aos fãs do grupo, bem como aos amantes da música em geral, para que considerem este álbum de quase cinquenta minutos com o mesmo respeito que os artistas lhe dedicam. Quando a quarta faixa começa, “Inside” compele o ouvinte a ler a letra enquanto aprecia as performances impecáveis.

“All I Want” pode ser uma escolha (exageradamente) óbvia para abrir o show, mas a intimidade do vocal principal de Phillips coincide com a clareza das harmonias de contraponto de Nichols e Dinning, usadas com parcimônia em The Acoustic Sessions . Aparentemente com a intenção de (re)conectar a banda com sua comunidade, Toad convida o já mencionado Watkins para tocar um violino que ecoa a entonação persistente da frase “envelhecer lentamente” no final de “Walk On the Ocean”.

Em uma linha igualmente reflexiva, "Fall Down" se torna uma metáfora para o ápice de uma vida bem vivida (?). Mas as notas mais leves e alegres de "California Wasted" compensam qualquer melancolia que possa surgir dessas faixas, de modo que, com outras escolhas como "Something's Always Wrong", que variam de três a quatro minutos e se sucedem rapidamente, a música assume a forma de um diário pessoal.

A mixagem de Robert Stevenson e a masterização de Dave McNair apenas acrescentam clareza sonora, condizente com a autoconsciência dos artistas. No fim , com RINGS: The Acoustic Sessions, o Toad The Wet Sprocket reafirma a veracidade de uma máxima antiga: a prova de uma boa música é a sua capacidade de se adaptar a uma variedade de arranjos. Com nuances artísticas e envolventes, o Toad the Wet Sprocket, ao mesmo tempo que reafirma a validade de sua trajetória, também a transcende.

MOJNA – Mareld (2025)

 

MOJNA combina música de composição própria com fragmentos contrapontísticos e improvisação em sua abordagem inventiva da música folclórica nórdica. Com violão fingerstyle, rabeca Hardanger e clarinete/clarinete baixo, eles criam um som singular que se tornou sua marca registrada.
Há ursos e barcos aqui, rajadas de vento, um cigarro apagando, embora você não precise saber os detalhes: esta é uma música tão bela, tão expressiva, que você pode simplesmente se deixar levar pelas ondas com este excepcional trio sueco-norueguês. Eles foram, com toda a justiça, agraciados com inúmeros prêmios por seu som único, suntuoso e espaçoso, às vezes lúdico, às vezes suave e reflexivo, com um rico clarinete baixo, notas delicadas de rabeca que lembram pássaros e um violão que varia de…

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…desde uma elegância discreta até a profundidade de um órgão de igreja.

O título se refere ao brilho azul luminoso do oceano. "Undulant", com suas suaves nuances de ritmo e harmonia, captura o fluxo e refluxo das ondas. Há uma pitada de polska e um toque de valsa de Brahms. A contagiante "Ishav" (Oceano Ártico) evoca espíritos travessos, antes de se fundir em um sereno convite à hibernação. O álbum reluz com sons nórdicos inconfundíveis, ao mesmo tempo que se conecta a mundos além.

Wishy – Paradise On Planet Popstar (2025)

 

Após o lançamento de seu aclamado álbum de estreia, Triple Seven , de 2024, os barulhentos e românticos estilistas do indie Wishy retornam menos de um ano depois com algo antigo e algo novo. A coletânea Paradise on Planet Popstar reúne seu EP de 2023, Paradise , e seis novas músicas intituladas Planet Popstar . Alerta de spoiler: a faixa-título ultra-distorcida e efusiva ("Love at the speed of light") é um dos destaques aqui.
Mas primeiro, caso você não tenha ouvido, Paradise oferece cinco faixas um pouco mais melancólicas que demonstram que o Wishy surgiu como um conceito praticamente completo em seu segundo EP, com sua intrigante mistura de canções sobre garotos, canções sobre garotas, canções de casais, dream pop nebuloso, shoegaze vibrante, jangle animado e ricas paletas harmônicas…

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…– e apenas um toque de rock progressivo. O novo EP adota uma perspectiva mais otimista em geral, começando com a descontraída e leve “Fly”, uma música liderada por Nina Pitchkites que faz referência ao Ace of Base antes de ela revelar: “Encontrei um jeito/De ser grata todos os dias”. Kevin Krauter assume os vocais principais na já mencionada “Planet Popstar”, bem como na mais reflexiva e intrincada “Over and Over”. As três faixas restantes do conjunto mantêm uma paisagem sonora quente e difusa e um tom contemplativo e afetuoso, com “Portal” abraçando uma batida próxima ao trip-hop, e com a faixa de encerramento “Slide” seguindo um ritmo cadenciado que se desvanece aparentemente no pôr do sol.

Com todos esses lançamentos acontecendo relativamente próximos uns dos outros e adotando uma abordagem de produção e composição tão similar, Paradise on Planet Popstar serve como uma ótima porta de entrada alternativa para a banda.

Yawning Portal – Anywhere (2025)

 

Para dois londrinos do sul, o Yawning Portal tem um fascínio peculiar pelo Meio-Oeste americano. Seu álbum de estreia, Anywhere, foi concebido originalmente em Des Moines, Iowa, e arredores: uma região onde o rock AOR e o country ecoam pelos alto-falantes dos carros em viagens por cidades decadentes do Cinturão da Ferrugem e vastas fazendas do Cinturão do Milho. As origens artísticas e geográficas de Jess Mai Walker e Joseph Ware parecem muito distantes dessa imensidão tipicamente americana. Então, por que viajariam até lá para compor um álbum eletrônico em resposta a, como eles mesmos disseram, “passar dias dirigindo sem rumo… só para sair de casa”? Mas, como um jovem de Ohio, nascido e criado nos arredores de Des Moines, esses sentimentos fazem todo o sentido para mim. Uma odisseia errante…

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…através de ambient e downtempo tranceAnywhere captura o espírito romântico de dirigir como meditação, usando música eletrônica para evocar a libertação afetiva de estar em constante movimento, trazendo nova vida a paisagens sem vida nas estradas secundárias americanas.

Os habitantes do Meio-Oeste americano passam mais tempo ao volante do que qualquer outro grupo de americanos, e grande parte desse tempo é gasto sem ir a lugar nenhum, mas indo a todos os lugares ao mesmo tempo. Trocamos a grave falta de "lugares especiais" do interior do país por uma prática sagrada de derrapagem sobre rodas, um estado meditativo reservado à nossa região. Quando a voz poderosa e delicada de Walker sussurra "vamos sair" no refrão de "My City" — a faixa central do álbum, perfeita para as pistas de dança — ela está aparentemente falando sobre passar em alta velocidade por uma boate abandonada há anos, em vez de realmente sair para dançar, enquanto descreve os estímulos tipicamente do Meio-Oeste de "água sanitária, neve e gasolina" antes de gritar "dirija mais rápido" enquanto a música acelera para o final.

Anywhere evoca essa sensação meditativa em sua ampla mistura de trance, downtempo e ambient. Sua organização como uma mixagem contínua, onde cada faixa flui perfeitamente para a seguinte sem que nenhum gênero se sobreponha, confere-lhe um toque distintamente moderno, semelhante às extensas playlists que nós, jovens do interior dos Estados Unidos, costumávamos usar como trilha sonora para nossas viagens na adolescência. A atmosfera pura de "In Orion", por exemplo, se funde com os grooves fragmentados de "In Iowa" antes de atingir a glória completa do downtempo trance em "My City". Os refrões de sintetizador em loop e a emoção pulsante de faixas trance como "Magical Girl" explodem enquanto aceleramos por estradas secundárias; a percussão metálica e os loops suaves de faixas downtempo como "Silver Plated", com a participação de Oli XL, evocam nossas viagens por cidades pós-industriais decadentes; A atmosfera envolvente de “Meridian Drift” e “Light to Light” reflete o olhar infinito daquelas viagens noturnas na escuridão total, onde só conseguíamos enxergar a estrada à nossa frente.

Independentemente da velocidade ou do gênero musical que nos acompanha, Anywhere permite que a forma das canções e a intensidade dos instrumentos contem a história. A densa produção pop de "Video" se desenrola lentamente em sua segunda metade, transformando o que era uma viagem frenética em uma doce e nebulosa paisagem costeira. Delicados acordes de sintetizador surgem em explosões abstratas em faixas errantes como "Light to Light", e como refrões arpejados distintos em composições mais elaboradas como "Eternity Sunrise". Esse dinamismo evoca o espírito romântico e o propósito por trás de dirigir até mesmo pelas paisagens mais áridas, onde os atos simultâneos de vagar, contemplar e refletir revelam emoções profundas.

Com pouco mais de uma hora, a jornada romântica da dupla encontra alguns obstáculos estruturais. Os primeiros 20 minutos de Anywhere culminam em uma série de faixas downtempo, mas inicialmente se espalham de forma irregular por diversos gêneros. A faixa de abertura, "Concord", com quase oito minutos de duração, poderia ter dispensado os três minutos de regressão ambiente após seu poderoso ápice trance. "Pathfinder", que emoldura essa construção, também começa forte — aqui, com uma explosão furiosa de plucks espirais — mas depois perde o ritmo na metade, com uma série cansativa de leads distorcidos assumindo o controle.

Mas esses momentos de divagação são talvez o preço que todos pagamos quando, como diz a letra sentimental da faixa final cintilante, “escolhemos o caminho mais longo para casa”. Anywhere é um exercício de catarse em movimento, onde as estradas menos percorridas nos levam a uma introspecção desapegada: emoções dinâmicas que exigem trilhas sonoras dinâmicas. Quando uma única faixa transita de um transe furioso para um ambient abstrato, ela captura esses sentimentos surgindo enquanto ainda estamos em movimento, como a bela ressaca de uma percepção meditativa na estrada. É “Midwestern Logic” em sua essência: a jornada será sempre mais importante que o destino.

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