domingo, 31 de agosto de 2025

Tarkus - Tarkus (1972)

 


Fim do ano de 1971 e início de 1972. O peruano Walo Carrillo estava preso, em cana. O cara era baterista de uma banda do Peru chamada Telegraph Avenue, que fundia o rock psicodélico com ritmos latinos. 

Era uma banda relativamente conhecida no seu país e na época estava fazendo alguns shows pelo Peru. Os colegas de banda de Walo, preocupados que o mesmo não retornasse à banda após a sua saída da prisão, decidiu colocar outro baterista no seu lugar, sem consulta-lo. 

O vocalista e guitarrista, o também peruano Alex Natanson, puto com essa decisão, não concordou com o substituto, decidiu sair da banda e quando Walo chegou para reassumir seu posto de baterista e viu outro cara no seu lugar decidiu sair da banda. 

Decidiu também empreender outro projeto, isso já em 1972. Ele conheceu um hippie argentino de nome Guillermo Van Lacke no Plaza San Martín e o convidou para fazer parte desse tal projeto. Esse projeto viria a ser chamado de “TARKUS”, considerada uma das primeiras bandas de hard rock do Peru e da América Latina.

Tarkus

Não se enganem amigos leitores, o nome "Tarkus" não têm rigorosamente nada a ver com o icônico álbum do Emerson, Lake & Palmer, a começar pelo aspecto sonoro. O Tarkus era uma banda que tinha no hard rock o seu mote, talvez, em alguns momentos, escassos, tinha lampejos de rock progressivo.

Mas o nome “Tarkus” foi em homenagem a um ser mitológico que vive no fundo da alma de todos e tem a função de proteger a moralidade do indivíduo contra o mundo externo. Interessante, não? power trio começou a fazer muito sucesso nos shows, a banda tinha muita força e energia no palco, mas faltava um elemento melódico. 

Então o argentino da banda, Van Lacke, voltou para o seu país para se encontrar com um amigo, também argentino, chamado Dario Ginella, um guitarrista competente e ávido fã do Led Zeppelin e que também foi, como Van Lacke, um prolífico compositor. 

Certamente os argentinos, apesar de a banda ser baseada no Peru, tiveram grande influência na estrutura sonora do Tarkus, tanto que, no seu primeiro álbum, lançado em 1972, a banda tinha uma forte influência de bandas como Black Sabbath, Deep Purple e, claro, Led Zeppelin. 


A propósito, esse seminal clássico obscuro será alvo do meu texto de hoje. Agora com quatro integrantes a banda conseguiu fechar contrato com a MAG, uma gravadora peruana para gravar o seu álbum em 1972. 

“Tarkus”, nome do seu debut, foi gravado entre 3 de abril e 16 de maio de 1972. O estúdio deu a banda total liberdade para gravar as suas músicas da maneira que quisessem. A gravação, sob a direção técnica de Carlos Guerrero, foi feita com esmero e dedicação, mas apenas 50 cópias foram distribuídas no Peru, pareciam prensagens de teste com o rótulo “MAG padrão”, para serem distribuídas como material promocional e algumas cópias foram vendidas em algumas lojas especializadas naquele país. 

E parece que só ficou nisso em terras peruanas. A gravadora não decidiu lançar no Peru com a alegação da baixa demanda, mas o álbum se tornou muito procurado em outros cantos da América Latina e, reza a lenda de que teria vendido muito nos Estados Unidos. O encarte, contendo as letras de todas as músicas, nunca foi incluído nas cópias promocionais.


Com o seu álbum finalmente lançado faltava a estreia oficial. E o local escolhido para a festa, a celebração, foi o cinema El Pacifico, mas pouco antes desse momento Darío decidiu sair da banda. Nem tudo foi festa, mais um problema surgiu. 

Mas apesar dos problemas, o primeiro álbum do Tarkus é simplesmente um petardo sonoro, agressivo, um volumoso álbum de hard rock. Um hard rock competente, consistente e muito avançado para a sua época. Percebem-se, em alguns momentos, pitadas de um rock psych, um acid rock bem pesado e lisérgico. 


As letras, cantadas em espanhol, tem guitarras pesadas, com solos elaborados e riffs pegajosos e igualmente pesados, bateria nervosa, baixo pulsante e um vocal agressivo e de grande alcance. Tudo o que um bom e genuíno hard rock pode oferecer! 

O álbum já começa avassalador com a excelente faixa “El Pirata” com um furacão de riffs e solos crus e diretos de guitarra, uma bateria marcada e batida impiedosamente com um baixo pulsante. Uma música que parece que foi produzida em tempos atuais, lembrando muito que essas novas bandas de stoner rock fazem hoje. “El Pirata” é extremamente atemporal, soa vivaz e fresco.

"El Pirata" live at Jammin (2007)

“Martha Ya Está” começa sombria, arrastada, lembrando algumas bandas de occult rock, com uma atmosfera densa, com dedilhado de guitarras que dá todo o tempero necessário para esse clima que logo se confirma com o vocal quase que murmurado. Mas logo fica mais intenso, de forma gradativa, com riffs de guitarra mais pesado e volta para o clima mais sombrio. Uma excelente música para os apaixonados pelo occult rock.

"Martha Ya Esta" live at Jammin (2007)

“Cambiemos Ya” segue, mais ou menos, com a mesma proposta da faixa anterior, o violão ditando o clima de psicodelia, com o vocal em tom dramático, seguindo uma linha mais introspectiva, mas que logo fica mais gritado seguido por riffs de guitarra mais pesado e assim, também vai alternando entre a leveza e o peso.

"Cambiemos Ya"

“Tempestad” traz a tona de novo o lado mais pesado do álbum, um som mais agressivo e imponente, mas que, ao mesmo tempo soa um pouco arrastado, lembrando um pouco rock de garagem, um som mais despretensioso com riffs lembrando Black Sabbath, sujo e pesado.

 "Tempestad" (Live 2008)

“Tema para Lilus” tem uma introdução bem Sabbathica também, um som que lembra muito o doom metal que viria a se tornar um pouco conhecido nos anos 1980. Uma faixa suja, perigosa, ameaçadora, pesada, arrastada, os riffs de guitarra são excelentes e a “cozinha” mostra muita sinergia, bateria pesada e cheia de viradas com um baixo que pulsa de forma avassaladora. Uma das melhores do álbum.

"Tema para Lilus", live at Jammin (2007)

“Tranquila Reflexión” como contraponto a faixa anterior começa suave, com delicados dedilhados de guitarra e uma bateria meio jazzy e um vocal sussurrado, melódico segue o clima da faixa, uma poderosa balada que, conforme segue seu curso, vai encorpando, ficando mais viva, com solos de guitarra e baterias com fortes tendências ao jazz rock. Uma faixa bem elaborada e complexa.

"Tranquila Reflexíon", live at Jammin (2007)

“Río Tonto” entrega mais hard rock, um senhor petardo que tem uma importante presença instrumental, todos mandam muito bem nessa faixa. Bateria quebra tudo, guitarra com solos de tirar o fôlego, baixo potente e vocal gritado faz dessa música uma ode ao peso, um verdadeiro proto metal.

"Rio Tonto"

E fecha com “Tiempo en el Sol” com dedilhados de violão que lembra até um folk rock e que logo surge um vocal ao estilo psicodélico, em um ritmo viajante e introspectivo, fugindo totalmente da proposta pesada de todo o trabalho, mas que não é de tão ruim.

"Tiempo en el Sol"

Após o lançamento do álbum e da súbita e inesperada saída do guitarrista Dario Gianella antes da sua apresentação oficial, para divulgar seu até então novo trabalho, o Tarkus se dissolve cerca de 7 meses depois, mas ainda deu tempo da banda se apresentar em alguns lugares no Peru, sendo que o mais famoso deles em La Plaza de Cho.

No final de 1972 os membros da banda decidiram seguir seus próprios caminhos. Alex Natanson e Walo Carillo retornaram com a Telegraph Avenue gravando o segundo álbum da banda em 1975, Guillermo Van Locke voltou para a Argentina para seguir a carreira de produtor musical de sucesso e Dario Gianella viajou para Miami, na Flórida, para lá se estabelecer, onde trabalha em estúdio. 

Depois de décadas, mais precisamente em 2007, o Tarkus se reuniu novamente e o cargo de Dario Gianella foi ocupado por Christian Van Lacke, filho de Guillermo, e Alex Natanson ocupou a posição de baixista. 

Fizeram alguns shows e se apresentou em canais de televisão A banda começou os ensaios para gravar um novo álbum de estúdio, até porque eles tinham algumas letras antigas e que ocuparia um segundo álbum que não foi lançado. 

Mas Alex deixou o país para continuar fazendo música, e largou o projeto de gravar com o Tarkus. Walo e Christian decidiram continuar e incluir parte desse material no álbum de estreia de seu novo projeto, uma banda chamada “Tlön” e, com esta banda lançariam três álbuns na Alemanha. Mas em 2008, com o selo de Alex Natanson, o "Natanson Music Productions", finalmente o Tarkus lançaria o seu segundo álbum chamado simplesmente de “Tarkus 2”. 

"Tarkus 2" (2008)

“Tarkus”, o debut, teve algumas reedições, sendo relançado vinte anos depois, em 1992 em LP pela "Background", depois em 1997 pela "Lazarus Audio Products", também em LP, depois em 2006, no formato CD, pela peruana "Repsychled", depois em 2007 pela "Get Back", da Itália, no formato CD e LP e a mais recente, em 2014, pela "Vinilissimo", da Espanha no formato LP. 

Um clássico obscuro da música pesada latina que mostra que o rock não é e nem pode ser restrito a países como Estados Unidos ou Inglaterra, por exemplo. Um pioneiro da música pesada em terras peruanas e que merece reverências pelo feito, pelo protagonismo.




A banda:

Alex Nathanson no vocal
Dario Gianella na guitarra
Guillermo Van Lacke no baixo
Walo Carrillo na bateria


Faixas:

1 - El Pirata
2 - Martha Ya Esta
3 - Cambiemos Ya
4 - Tempestad
5 - Tema Para Lilus
6 - Tranquila Perflexion
7 - Rio Tonto
8 - Tiempo En El Sol


"Tarkus" (1972)


AMAURI FALABELLA

 


O jeito de tocar e cantar, tão familiar e tão autêntico, coloca quem ouve Amauri Falabella frente a um enigma: simplesmente não é possível acreditar que ele não tenha nascido e vivido no interior mais profundo do país. No entanto, conforme sugere o titulo de seu segundo CD, “Violeiro Urbano”, Amauri é inteiramente urbano. Nasceu e vive em Guarulhos, onde trabalha e exerce intensa atividade educacional e cultural. Cantor, compositor, trovador, violeiro, ele tem dentro de si uma verdadeira Legião, onde se misturam, condensam, amalgamam, os inúmeros estilos que o influenciaram desde sempre: de Vital Farias à Elomar; de Vidal França à Dércio Marques, passando pelos mestres da arte popular e o requinte de letras e arranjos sofisticados. Amauri é um servo fiel da arte musical.

Sua especial ligação com a viola caipira, um instrumento de origem européia, mas que encontrou no Brasil o seu jeito definitivo de ser, é dessas coisas misteriosas, inexplicáveis, “Sou um violeiro diferente Não nasci no interior Eu jamais toquei boiada Não conheço quase nada Das coisas do sertão Mas quando pego a viola Sinto uma coisa esquisita Minha alma se agita ai ai ai Não consigo largar dela ai ai ai” (...) Os versos acima abrem a musica título de “Violeiro Urbano” e são nítida, reconhecidamente autobiográficos. O que seria isso, se não a memória ancestral, viajante dos tempos que ao encontrar guarida, ali se instala? E que instrumento mais adequado e receptivo poderia encontrar a Musa Música que o coração, os dedos e a mente prodigiosa do criador de “Ciranda Lunar”, um viajante das estrelas? (Ele não é apenas violeiro, é músico completo, compõe versos e arranjos, e sobre qualquer um desses aspectos de sua arte, poderíamos aqui discorrer. Fiquemos, por ora, com o violeiro, dado o espaço reduzido do blogue). Amauri Falabella dedilha a viola com técnica e sentimento, autenticidade, pois para ele, é meio de expressão. Um intérprete do sentimento da condição do homem moderno que vive o drama da separação da natureza. Quando empunha a viola ou o violão, o faz como o escritor empunha a caneta, o lavrador empunha a enxada ou o motorista profissional que segura o volante do carro ou caminhão. Um menos avisado poderia alegar tratar-se de técnica apurada, tal como se dá em muitos casos de músicos brilhantes, virtuoses. Mas com ele, é algo além da técnica.Amauri é Alma: alma sertaneja e alma caipira. 

CAIPIRA E SERTANEJO 

Alma sertaneja e alma caipira. Existem sutis diferenças, sendo a mais evidente e mais importante a referência imaginária de lugar. O caipira comum característico é do interior paulista, e no seu toque facilmente reconhecemos a melancolia fruto de sua vida dura e da labuta na roça, ao contrário, por exemplo, do violeiro do litoral, mais gregário e festeiro. Variantes caipira se estendem entre São Paulo, Minas, partes de Goiás, o território aqui considerado não coincide com o mapa geográfico. Já de Minas pra riba vamos encontrar a viola sertaneja, e seu timbre característico nos lembra as sagas medievalescas, os romances – talvez o termo mais adequado, nesse caso, seja rimance, do português arcáico. Para a execução dessas peças, a viola sertaneja de Adelmo Arcoverde é o exemplo mais evidente (naturalmente que quando falo da alma sertaneja de Amauri Falabella, não me refiro ao estilo de tocar, mas sim a evocação nostálgica imagética a que sua arte nos induz). Caipira, Sertanejo: as figuras simbólicas mais conhecidas no imaginário são o Jeca Tatu e o Vaqueiro Encourado, mesmo com todos os riscos que traz ao entendimento a recorrência a tais estereótipos. Praticamente todas as regiões rurais do país tem o jeito peculiar de tocar viola, seu timbre peculiar: ao se ouvir o violeiro, pode-se com relativa facilidade reconhecer o estado ou região de origem de acordo com o estilo. Isso não se dá com Amauri, é ponto fora da curva, pois, como sugere o título de seu segundo CD, é um Violeiro Urbano: não se lhe reconhece a origem: é Todos e Um, é coisa de alma, e as duas – caipira e a sertaneja -, convivem harmoniosamente no mesmo ser. Ao dedilhar e trinar sua viola, Amauri se transmuda e se alterna, é caipira, é sertanejo, sem deixar de ser o poeta trovador, sendo igualmente o Aedo: ouvir Amauri é ter a impressão de estar ouvindo um andarilho, desses que andam por toda parte e dotado de invejável memória, nos conta histórias de lugares distantes, figura muito comum na Idade Média quando andavam pelas vilas e burgos literalmente cantando novidades que de outro modo demoravam meses para chegar.Tais personagens eram comuns no Brasil dos séculos XVII e XVIII, causando indignação ao viajante Auguste Saint-Hilaire que num determinado trecho do seu livro “Viagem Às Nascentes do São Francisco”, diz que “...nesta terra basta ter uma viola às costas para divertir às pessoas e assim garantir pouso e comida!”  Amauri, assim como Dércio, Perequê, Adelmo, Wilson Dias, Levi Ramiro, Paulo Freire, Zé Côco do Riachão, "seu" Manoel de Oliveira e muitos outros são herdeiros diretos dessa estirpe de poetas e músicos solitários que percorriam léguas e léguas a pé, depois em lombo de mula, mais tarde de trem, hoje de jeep, ônibus, carro ou avião. Não importa o meio de transporte, importa a função!

velocidade da internetAmauri é poeta do ar - voa com os pássaros; é poeta das flores – faz de pétalas floridas pouso e morada; é poeta das águas, é poeta dos amore; é poeta das amizades. E assim viaja pelos mundos, reais ou imaginários, como uma ave benfazeja e encantatória: Vai pela vida, Poeta, avoa, avoa nas varandas entoando modas e cirandas, com tambores, violas, violões. Enternecendo poentes bordando versos e canções herança de um país convidando à contradança! Sua música evoca Minas e o interior de São Paulo. É música florida, se ouve junto o marulhar de águas, cantos de pássaros, sente-se no ar um clima de arreuniões festeiras.

THE BEATLES – MAXWELL’S SILVER HAMMER - 1969

 


“Maxwell’s Silver Hammer” é a 3º faixa do álbum Abbey Road, dos Beatles, lançado em 26 de setembro de 1969. Foi composta por Paul McCartney, creditada a Lennon-McCartney, claro, que fala sobre um maníaco homicida chamado Maxwell que usava um martelo prateado para acabar com suas vítimas, chegou a ser considerada por seu autor como um potencial single dos Beatles, mas acabou sendo apenas mais uma faixa do álbum. McCartney escreveu a música em outubro de 1968, tarde demais para entrar no Álbum Branco. Os Beatles também a ensaiaram no Twickenham Film Studios em janeiro de 1969. O filme Let It Be mostra McCartney ensinando a música aos outros Beatles, claramente menos entusiasmados. “Maxwell’s Silver Hammer” foi particularmente ridicularizada por John Lennon, que não tocou nela. Foi gravada ao longo de três dias, enquanto Lennon e Yoko Ono estavam se recuperando de um acidente de carro sofrido na Escócia.

O comentário de Lennon, no entanto, é enganoso e injusto; “Hammer” foi gravada em apenas três sessões, além de um overdub de Moog feito sozinho por Paul alguns dias depois. Além disso, não houveram os caros overdubs de orquestra que aparecem em várias outras músicas do álbum. O desgosto de Lennon com a música era compartilhado por George Harrison, que geralmente não gostava das músicas caprichosas de McCartney, e em uma entrevista à Rolling Stone em 2008, Ringo Starr apoiou a avaliação de Lennon“A pior sessão de todas foi a de Maxwell Silver Hammer. Foi a pior faixa que já tivemos para gravar. Aquilo durou por semanas”.

As gravações começaram em 9 de julho de 1969. McCartney, Harrison e Ringo gravaram 21 tomadas da faixa básica (embora não houvesse tomadas de 6 a 10), e passaram mais de duas horas gravando guitarras. Em 10 de julho, McCartney adicionou mais piano, George Martin tocou órgão HammondRingo bateu uma bigorna e Harrison gravou uma parte de guitarra, alimentada por um alto-falante de Leslie rotativo. Paul também gravou mais vocais, e George e Ringo se juntaram a ele nos backing vocals. Mais guitarra e vocais foram adicionados em 11 de julho. “Maxwell’s Silver Hammer” foi finalmente concluída em 6 de agosto, quando McCartney gravou seu solo de sintetizador Moog.

"Maxwell’s Silver Hammer" foi criada para o álbum The Beatles (Álbum Branco) em outubro de 1968, mas não estava pronta. Ensaiada em janeiro de 1969, sua gravação teve início no dia 9 de julho de 1969. No dia 14 de agosto foi mixada para estereo e no dia 25 de agosto de 1969, editada para a fita master. Participaram da gravação final: Paul McCartney - vocal principal, vocalização, overdub de guitarra e piano; George Harrison - vocalização, baixo, guitarra e sintetizador MoogRingo Starr - vocalização, bateria e bigorna (o som do martelo prata de Maxwell) e George Martin tocou um órgão HammondJohn Lennon não participou.


THE BEATLES - DIG A PONY - 1969

 


Let It Be foi o décimo terceiro e último álbum de estúdio lançado pelos Beatles. Gravado entre janeiro de 1969 e março/abril de 1970, o álbum foi somente lançado em 8 de maio de 1970, após o disco Abbey Road (último gravado) e juntamente com o filme de mesmo nome. O projeto (filme e disco), inicialmente estava previsto para chamar-se Get Back.

"Dig A Pony" é a segunda faixa do álbum, antecedida por "Two Of Us" e seguida por "Across The Universe". Foi composta por John Lennon e é creditada a Lennon-McCartney, claro. Os Beatles gravaram "Dig A Pony" em 30 de janeiro de 1969, durante o show no terraço do prédio da Apple Corps em Savile Row, no centro de Londres. Foi a primeira música a ser gravada durante as sessões da Apple Studios no final de janeiro de 1969. Também foi a penúltima música tocada no concerto no telhado da Apple em Savile Row, em 30 de janeiro de 1969 e foi essa a versão entrou no álbum Let It Be. Foi a grande (e significativa) contribuição de John Lennon para o álbum Let It Be ("Across The Universe" já havia sido gravada anteriormente).


Em 1980, John Lennon disse que "Dig A Pony" era "mais outro monte de lixo", embora tenha expressado desprezo semelhante por muuuitas de suas músicas. Foi escrita para Yoko Ono e apresenta uma infinidade de frases estranhas e aparentemente sem sentido encadeadas no que Lennon se referiu como um estilo de letra de Bob Dylan. Autoindulgência pura, a faixa chegou a se chamar “I Con A Lowry” (possivel­mente uma referência a um tipo de órgão usado no estúdio), mas Lennon mudou o título “porque ‘I con a Lowry’ não era boa para cantar...”. Então passou a se chamar "All I Want Is You". A lista original de músicas do álbum usava esse título em vez de"Dig A Pony" que apareceu no Let It Be, no Anthology 3 e em Let It Be... Naked. Da gravação, participaram os quatro Beatles em seus instrumentos usuais, além de Billy Preston que tocou um piano elétrico. Foi produzida por George Martin e teve Glyn Johns como engenheiro. As primeiras prensagens americanas de Let It Be intitularam a música como "I Dig a Pony".

THE BEATLES - THE LONG AND WINDING ROAD - 1969

 


Paul McCartney escreveu “The Long and Winding Road” enquanto observava os Beatles perderem o controle. No início de 1969, questões criativas e financeiras estavam fragmentando a banda. Lennon já havia contado aos outros que estava desistindo, Starr entrou em um hiato e Harrison e McCartney desapareceram por semanas. “É uma música triste porque é tudo sobre o inatingível”disse McCartney. “Eu estava um tanto louco e perturbado na época”Meses depois de gravar a comovente balada ao piano, McCartney teve uma surpresa desagradável: o produtor Phil Spectorque havia recebido as fitas de Lennonreformulou sua versão, adicionando uma camada de cordas e um coro. “Foi um insulto para Paul”lembrou o engenheiro Geoff Emerick“Era a gravação dele. E alguém tira da lata e acrescenta coisas sem sua permissão”Logo depois, a aspereza tornou-se excessiva: em abril de 1970, McCartney lançou seu primeiro álbum solo e emitiu um comunicado anunciando o fim dos BeatlesRolling Stone - As 100 Melhores Canções dos Beatles


THE BEATLES - IF YOU LOVE ME, BABY - 1961

 


"Take Out Some Insurance" é uma canção de blues lançada em 1959 por Jimmy Reed escrita por Charles Singleton Waldenese Hall, mas originalmente creditada a Jesse Stone. O registro de direitos autorais lista seu título como "Take Out Some Insurance on Me, Baby". Tony Sheridan a gravou com letras diferentes em 1961, com os Beatles. Identificada erroneamente, foi lançada na Alemanha em 1964 como "If You Love Me, Baby (Take Out Some Insurance on Me, Baby)", mas posteriormente como "Take Out Some Insurance on Me, Baby (If You Love Me, Baby)".

A música foi registrada com o nome errado - "If You Love Me, Baby" - por Tony Sheridan e The Beatles em Hamburgo enquanto tocavam no Top Ten Club, em 22 de junho de 1961. Bert Kaempfert produziu a sessão para a Polydor, da qual um single com as canções "My Bonnie" e "The Saints" foi lançado em 1961. As demais gravações não foram lançadas imediatamente. Depois que os Beatles se tornaram populares, a Polydor preparou mais três singles de material inédito, um dos quais continha a gravação de "If You Love Me, Baby", lançado em meados de abril de 1964. Essas músicas também foram compiladas no álbum The Beatles' First! naquele mesmo mês. E desde então, quase todas as coletâneas lançadas com as músicas de Tony Sheridan e The Beatles em Hamburgo são relançadas com o título trocado. A versão feita por Sheridan era para se chamar "If You LEAVE Me, Baby" , que daria muito mais sentido à letra. Inclusive, não aparece "If You Love Me, Baby" em nenhum momento da letra. Tony Sheridan: vocais; John Lennon: guitarra; George Harrison: guitarra solo; Paul McCartney: baixo; e Pete Best: bateria.

If you leave me, baby
I don't know what I'd do
I guess I would die, sweetheart
If I don't get a kiss from you
Take out some insurance on me, baby
Take out some insurance on me, baby
Well, if you ever, ever say goodbye
I'm gonna go right home and die
Oh if you want me, baby
You got to come to me
I'm just like a stump in a field
You just can't move me
Take out some insurance on me, baby
Ooh, some insurance on me, baby
Well, if you ever, ever say goodbye
I'm gonna go right home and die
Well, if you want me, baby
Mm, you gotta come to me
I'm just like a stump in a field
You just can't move me
Take out some insurance on me, baby
Mm, some insurance on me, baby
Well, if you ever, ever say goodbye
I'm gonna go right home and die
Well, if you leave me, baby
I don't know what I'd do
I guess I would die, sweetheart
If I don't get a kiss from you
Take out some insurance on me, baby
Ooh, some goddamn insurance on me, baby
If you ever, ever say goodbye
I'm gonna go right home and die

PAUL McCARTNEY - JUNK - 1970

 


"Junk" foi composta e gravada por Paul McCartney e lançada em seu primeiro álbum McCartney (1970). Ele escreveu escreveu "Junk", junto com outra faixa também de McCartney "Teddy Boy", em 1968 enquanto os Beatles estavam na Índia. Após o retorno, Paul gravou a música como uma demo em Esher, a casa de George Harrison, antes das sessões do Álbum Branco. "Junk" acabou ficando de fora. Também não teve lugar em Abbey Road. Com o fim dos Beatles, Paul finalmente gravou a música, junto com "Teddy Boy", em fevereiro de 1970 para McCartney. Uma versão instrumental um pouco mais longa, intitulada "Singalong Junk", também aparece no álbum. A demo de Esher foi finalmente lançada no Anthology 3 em 1996 e na edição Super Deluxe do Álbum Branco em 2018.

A letra de descreve vários conteúdos de uma loja de sucata, incluindo pára-quedas, botas militares e sacos de dormir para dois. O refrão (Compre, compre, diz a placa na vitrine / por que, por que, diz o lixo no quintal) ilustra como são esses itens. Além da exclusão dos vocais, "Singalong Junk" apresenta cordas de mellotron e a melodia é tocada em um piano. Essa versão também apresenta bateria mais proeminente. Diz-se que "Singalong Junk" foi o acompanhamento instrumental original sobre o qual McCartney planejava cantar, mas ele optou por um arranjo mais simples para a versão vocal. Em "Junk"Paul faz o vocal e toca violões, baixo, xilofone e bateria. Em "Singalong Junk", toca guitarra acústica e elétrica, baixo, piano, mellotron e bateria.


"Junk" apareceu no álbum de McCartney de 1991, Unplugged (The Official Bootleg), mas é tocada sem vocais, tornando-a "Singalong Junk", mas não está listada como tal. Paul McCartney cantou "Junk" pela primeira vez ao vivo, na Ghost Suite do Royal Albert Hall, em 3 de novembro de 2006.

Knut Reiersrud & Iver Kleive "Blå Koral" (1991)

 

Os opostos, como sabemos, se atraem. E aqui está um exemplo clássico. Iver Kleive (n. 1949) vem de uma família culta, formou-se na Academia Norueguesa de Música e é mestre em tocar órgão de igreja. Knut Reierschrud (n. 1961) é um guitarrista elétrico que se entrega completamente aos elementos do blues. Parece que o que o refinado intelectual Kleive e o jovem de sangue quente Knut, acostumado a transformar apresentações de concerto em uma farsa alegre, têm em comum? Acabou sendo o amor pela tradição. E não apenas nórdica. Apesar da diferença de idade, os dois sentem igualmente a magia da melodia. Seu encontro no início dos anos 90 é, sem dúvida, um grande sucesso. A aliança do terreno com o celestial (e é assim que ambos interpretam o resultado de sua cooperação mutuamente benéfica) é sempre interessante. A paixão inerente de Reierschrud + o jeito concentrado do estudante do conservatório Iver se complementam perfeitamente. E o programa de abertura do dueto "Blå Koral" ilustra isso perfeitamente. O lançamento é incomum por uma série de razões. Primeiramente, o som. A escolha dos instrumentos é extremamente ascética: violão e órgão. No entanto, o resultado alcançado pode ser considerado inovador com segurança. Mais tarde, um método semelhante será usado pelo brilhante Terje Rupdal , mas os pioneiros, não importa como se olhe, são Reierschrud e Kleive. As condições acústicas da catedral na cidade dinamarquesa de Odense, onde o álbum foi gravado, determinaram a originalidade da textura sonora: ela tem um efeito binaural pronunciado. Ponto nº 2 - conteúdo. Das 10 faixas apresentadas no disco, apenas duas pertencem à pena de Knut. As demais são arranjos de motivos folclóricos, salmos medievais e obras acadêmicas do século XIX. A combinação é surpreendente e estranha. Mesmo assim, funciona perfeitamente. O início é o estudo original de Reierschrud "Blåmann og koralreven". Arpejos de cordas leves sulcam as abóbadas sombrias do templo como raios de sol empoeirados, fluindo lentamente através dos vitrais coloridos, aquecendo o enorme salão de pedra com ecos do calor do verão. Tons de blues são ouvidos na execução do guitarrista, um sorriso enrugado típico do folk nórdico pode ser percebido e, ao mesmo tempo, uma atmosfera despretensiosa é indicada. Pessoalmente, Knut me lembra Dan Ar Braz aqui : a mesma capacidade de tecer uma história volumosa do nada com alguns traços pitorescos. O papel de Iver nesta fase se reduz à iluminação de fundo, mas ela também é necessária para a percepção completa da imagem. Na peça "Overmåde full av nåde", os artistas trocam de lugar: agora o espaço sonoro se curva sob a força ondulante das ondas do órgão, enquanto Reierschrud é responsável pelo ritmo. O blues barroco "Velt alle dine veie" - uma espécie de homenagem à memória do compositor alemão Hans Leo Hassler.

(1564-1612). A melodia original norueguesa "Som den gyldne sol frembryder", na versão em tandem, adquire características de paisagem sonora, e então a canção "Aint`t no grave can hold my body down", nascida no Delta do Mississippi, se encaixa. No réquiem "Min død er meg til gode", há uma construção gradual da tragédia apropriada, e então somos novamente mergulhados em uma atmosfera de êxtase religioso crescente. O alegre esquete "Vår Gud han er så fast en borg" serve como uma pausa dos hinos solenes, seguido pela missa "O, bli hos meg" sobre um tema criado pelo britânico William Henry Monk em 1861. E o final feliz "Luftslåtten" brilha com todos os tons de cordas, graças ao talento do maestro Reierschrud.
Resumindo: um experimento musical dos mais curiosos, pensado para mentes curiosas e amantes da soul music. Recomendo não perder.




Destaque

Tarantàs - La possibilità che ha il coniglio di salvarsi la pelle (2007)

  TRACKLIST: 01. E riprese a volare 02. Festa nazionale 03. La frontiera 04. Fontana di aga 05. Me piase sta piova 06. Intro 07. Terra 08. L...