quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Personalidade ilustres: Martin Birch, o mago do rock

 



Os cenário do rock é composto por uma série de personagens que ficam ocultos no processo de lançamento de um álbum, mas mal sabem os ouvintes a importância destas pessoas para o sucesso deste ou daquele lançamento dos nossos artistas favoritos e seus clássicos atemporais. Neste caso é claro que estou falando dos produtores cuja importância é fundamental para pelo menos gravar o disco. Para inaugurar essa série aqui escolhi um dos grandes produtores responsável pela produção de dezenas de clássicos que inundaram as prateleiras nas décadas de 1970 e 1980 e fizeram história conquistando milhões de corações pelo planeta.



Martin Birch começou a sua carreira no meio musical como engenheiro de som e nesta função não menos importante trabalhou com o Fleetwood Mac (que se autoproduziu) e assinou seu nome nos álbuns Then Play On (1969), Kiin House (1970), Bare Trees (1971), Penguin (1973) e Mystery to Me (1973) e destes quatro apenas três foram comercialmente bem sucedidos conquista desde o disco de ouro até o disco de platina, nos EUA.  

Em parelelo o cara também trabalhou com o Deep Purple desde os primórdios do MKII também como engenheiro de som e marcou seu nome no Concert for Group and Orchestra (1969), In Rock (1970), Fireball (1971), Machine Head (1972), Made in Japan (1972), Who do We Think We Are (1973) e também trabalhou com as formações do MKIII e MKIV, mas apesar de continuar como engenheiro de som ai já começava a dar seus passos como co-produtor e nesta nova fase participou do Burn (1974), Stormbringer (1974), Come Taste the Band (1975), Made in Europe (1976) e do Last Concert in Japan (1977), ou seja, trabalhou com o grupo até o fim e nas gravações do dos britânicos especialmente na faixa Hard Lovin Man, do In Rock, que foi dedicada a ele. 





Além de trabalhar com esses dois grandes nomes teve em suas mãos Wishbone Ash e deixando sua marca como engenheiro nos clássicos da banda Wishbone Ash (1970), Pilgrim (1971) e Argus (1972). Ainda na década de 1970, o cidadão ainda teve em mãos o Rainbow e foi ai que começou a mostrar os seus dotes como produtor (mas também foi resposável pela engenharia e mixagem) e ajudou o time de Ritchie Blackmore a parir os seus álbuns Ritchie Blacmore´s Rainbow (1975), o clássico indefctível Rising (1976), On Stage (1977) e o hard n heavy Long Live Rock n Roll (1978). Enfim a década de 1970, para Martin Birch fechava com chave de ouro e deixava um rastro de bandas e artistas para solo para quem trabalhou, pois gente do calibre de Jeff Back, Toad, Faces, John Lord e mais uma galera de pesos pesados haviam desfrutados dos serviços de Martin Birch em seus álbuns ou como engenheiro de som ou como produtor.



A década de 1980 aguarda maiores surpresas para ele e pela primeira vez, ele assina como produtor dois trabalhos do Black Sabbath e a sua contratação para função foi indicação de Dio que já o conhecia dos trabalhos realizados com a sua ex-banda, o Rainbow.  O cara produziu o Heaven and Hell (1980), o maior sucesso do grupo depois da era Ozzy e também foi o responsável pelo renascimento dos britânicos e também assinou a produção do último álbum dessa formação Mob Rules (1981) cujos resultados foram um pouco abaixo do anterior, mas nem assim deixou de ser consagrado juntos aos fãs.

A década de 1980 oferecia uma miríade de oportunidades e junto com o Black Sabbath também produziu os álbuns do Iron Maiden e do Blue Öyster Cult, mas no caso dos americanos ele chegou através do empresário Sandy Pearlman (que também empresariava o Black Sabbath) e no caso dos americanos, o trabalho dele tinha como missão produzir um hit para as rádios e dessa parceria saíram os álbum Cultössaurus Erectos (1980) aclamado pela crítica, mas comercialmente falando os números eram sofriveis e o segundo e último disco foi Fire of Unknown Origin (1981) e aqui aos quarenta e cinco do segundo tempo emplacam a faixa “Burning for You”, que entrou no Top 40, na primeira posição, no topo. 




Os trabalhos como produtor ao lado Whitesnake com quem começou a trabalhar no final da década de 1970 e foi o responsável pela produção de álbuns como Lovehunter (1979), mas na verdade os trabalhos mais importantes do grupo anterior ao estouro com 1987, rolaram com Ready an Willing (1980), o duplo ao vivo Live...in the Heart of the City (1980), Come an´ Get It (1981), Saints and Sinners (1982) e Slide it In (1984). O trabalho mais bem sucedido dessa parceria foi Slide It In, pois através dele a banda estourou e começou a fazer figura em vários lugares mundo a fora emplacando diversos hits que invadiram as FMS norte americanas e as mentes da galera. 

No seu currículo já constavam grandes nomes, álbuns clássicos nos quais trabalhou como engenheiro e principalmente como produtor. O maior êxito de Martin Birch foi o Iron Maiden com quem trabalhou produzindo os álbuns clássicos desde Killers (1981) ao Fear of the Dark (1992), o último álbum de sua bem sucedida carreira. A sua chegada a banda aconteceu após a insatisfação com a produção do primeiro álbum e então com o seu já extenso currículo naquela altura acabou sendo escolhido para assumir o posto. Killers foi o começo do sucesso do grupo e pode-se atribuir isso não só a banda, mas ao trabalho de Martin Birch, pois é só comparar o primeiro e o segundo álbum para verificar as diferenças nos seus detalhes mais ínfimos. Neste último álbum da era Paul D´ianno, a banda, no seu segundo registro emplacou os singles "Twilight Zone" e "Purgatory". Porém os álbum mais emblemáticos "The Number of the Beast" e "Powerslave" são os pontos altos dessa parceria nada mais nada menos do que brilhante. 





Falando apenas clássicos: O que se sente quando se tem em mãos o Rising (1976), Rainbow, rolando na sua vitrola, no último volume? O que pensar de um álbum como The Number of the Beast (1982), do Iron Maiden? Imagine ainda ter mãos e nos ouvidos massageando a sua mente e o seu ego álbuns como Argus (1972), do Wishbone Ash. No outro canto do ring a velha bruxa com seu Heaven and Hell (1980) e aquela pegada de cunho sexual, que mais parece um atentado violento ao pudor como faz o Whitesnake, no seu poderoso Slide It In (1984) e ai o que pensar e o que sentir quando na frente destes clássicos?

Será que o mérito é só dos músicos talvez na hora no calor das emoções em ouvir os vocais, as guitarras, baixo e bateria não lembramos que por trás daquele sucesso existem outros profissionais importantes para o resultado final que escutamos em nossas vitrolas então quando você pegar um disco qualquer destes lembre-se que ali está Martin Birch cuja aposentadoria aconteceu em 1992 marcando o fim da magia de um mago, que apenas sobrevive nos discos para contar a história dos clássicos atrás das cortinas




Álbuns fundamentais: Blue Öyster Cult - Agents of Fortune (1976)

 



O ano de 1976 para o Blue Öyster Cult foi o começo de uma nova fase marcante. Em 1972, a estreia com o álbum autointitulado apesar de tímida deixou suas marcas e ajudou a preparar o terreno para o segundo álbum lançado em 1973, mas havia um problema, a falta de um hit que estourasse nas rádios e levasse o grupo ao olimpo do rock, da fama e tudo mais. Em 1974, o terceiro álbum tornou a banda conhecida tirando-a do limbo, mas ainda era pouco para as pretensões do quinteto. 

A música tocada é o hard rock, ou seja, a base, porém ainda compunham a sonoridade dos americanos, elementos do rock progressivo e psicodélico chegando às beiras do heavy metal. Apesar de ter esse mix cujo resultado era um som forte, ríspido, sombrio e poderoso faltava um algo a mais que estava a caminho. O sucesso comercial já rondava a banda e depois de seu terceiro álbum, os caras lançaram o seu primeiro álbum ao vivo, On Your Feet or on Your Knees lançado em 1975, que seguiu os passos de Secret Treaties (1974) ganhando também o disco ouro.

O grupo ainda em 1975 partiu para as gravações de seu quarto registro de estúdio e de malas prontas rumaram para The Record City, em New York, nos EUA. Essa aventura contou com três produtores e a assinatura desta foi tripartida entre Sandy Pearlman (empresário do grupo), David Lucas e Murray Krugman. Depois de meses e inclusive virada de ano em Maio de 1976 aterrissa nas lojas Agents of Fortune e a recepção ao contrário dos anteriores arrancou suspiros das especializadas e do público, enfim era de fato a virada na mesa e o encontro tão almejado com o sucesso comercial. 


As faixas apresentavam um som mais refinado, ou seja, mais amadurecido em relação ao passado recente cuja bagagem já contava três excelentes álbuns, que infelizmente de alguma forma bizarra não conseguiram catapultar a banda para os maiores degraus do cenário deixando-os numa posição intermediária. A abertura de Agents of Fortune com “This Ain´t The Summer Of Love” é uma prévia do que o ouvinte vai encontrar ao longo da obra, pois aqui os riffs são bem caóticos e rasgados é uma ótima pedida para as noites de sábado. “True Confessions” já vem com um clima mais comercial numa roupagem pop romântica, mas ainda assim fala bem alto o conjunto instrumental e as melodias de piano se destacam junto as guitarras, enfim é para ouvir no volume máximo.

O maior hit, do álbum, da carreira do grupo entra em cena “(Don’t Fear) The Reaper” é uma faixa cujo tema é a morte, porém aqui fica difícil falar quem se destaca já que o trabalho instrumental e vocal são ambos de primeira linha e denotam um esforço de equipe. Bateria, baixo, guitarras e vocais dão de presente para os ouvintes, fãs uma música sombria, pesada e recheada de momentos aparentemente tranquilos beirando um lance psicodélico e hard.Outro grande momento é “E.T.I (Extra Sensorial Intelligence)” uma faixa caótica e melódica digna de mestres onde fala-se sobre extraterrestres, um ótimo tema e para tanto demanda-se uma instrumental pesada e bem marcante cheia de guitarras flamejantes rifando suas tempestades sonoras e aqui é isso mesmo que você encontrar é uma viagem galáctica em busca destes fenômenos misteriosos e por isso sente-se na sua poltrona e aperte bem o cinto porque a nave vai partir. 

Em “The Revenge Of Vera Gemini” (inspirada nos quadrinhos da Marvel) composição do tecladista e guitarrista Albert Bouchard em colaboração com Patti Smith (que nessa época mantinha um Romance com Allen Lanier) e que ainda contou com os vocais dela, esse dueto com Eric Bloom é alucinante e carrega um clima sombrio que capitaneia a faixa inteira. “Sinful Love” é outra que conta com bom trabalho de guitarras e boas melodias vocais. Outro grande hit é “Tattoo Vampire” que conta com riffs rápidos, insanos cujo clima descolado é alucinante contando a história aterrorizante de um vampiro tatuado, enfim uma ótima história para assombrar-te.      


Caminhando para o final da obra, ela tem uma surpresa boa para quem gosta de um som repleto de melodias e pesado, e ao mesmo tempo bem balanceado tem obrigação de conferir “Morning Final” às linhas de vocal explodem nos refrões grudentos que locupletam-se com os solos virtuosos de guitarra é essa a magia deste álbum. Psicodelia não poderia faltar e ela dá às caras em “Tenderloin” ujma faixa impressionante pelo clima nada feliz. Fechando a obra vem a balada "Debbie Dense" com boas linhas de piano e teclados e instrumental acústica e elétrica.   

A capa que embala Agents of Fortune é de autoria de Lynn Curlee, artista que poucos anos mais tarde cederia a pintura  que estampa e embala o álbum Heaven and Hell, do Black Sabbath. O sucesso comercial já estava na mão e isso reflete-se nos singles, pois (Don´t Fear) The Reaper tinha entrado com o pé direito nos charts da Billboard, no Pop chart singles ficando com a 12º posição enquanto o álbum ficara na 29º posição nos charts pop albuns. No quesito vendas ganhou disco de platina e deixando a banda lá nas alturas e os shows, as turnês ficariam cada vez mais frequentes, pois existiam miríades de fãs na expectativa para ouvir as novas músicas. 

A importância do disco para o cenário foi tamanha, ou seja, o impacto foi tão avassalador que garantiu a banda, a imortalidade, ou seja, sobreviveu ao teste do tempo tornando-se um clássico respeitadíssimo e é tão verdadeiro que ao longo de sua história o disco foi listado por revistas especializadas como: NME, Kerrang e Q em suas listas de melhores álbuns de todos os tempos cujas posições iam do honroso sexto lugar ao tímido sextagésimo segundo lugar. Essas premiações mostram a importância e a influência exercida por ele ao longo de sua história e quantas pessoas não viraram de músicos de final de semana a músicos profissionais (com carreiras bem sucedidas) por causa deste disco que além de fazer suspirar, vibrar faz principalmente nós nos lembramos porque os clássicos são para a vida toda, ou seja, são com os diamantes, eternos!     

Lista de músicas:

A1 This Ain´t The Summer Of Love 
A2 True Confessions 
A3 (Don´t Fear) The Reaper 
A4 E.T.I (Extra Territorial Intelligence)
A5 The Revenge Of Vera Gemini 

B1 Sinful Love 
B2 Tattoo Vampire 
B3 Mourning Final 
B4 Tenderloin 
B5 Debbie Tense 




European Sun – When Britain Was Great (2026)

 

O projeto European Sun surgiu quando o músico e compositor Steve Miles conheceu o veterano do indie pop britânico Rob Pursey (do Heavenly, Tender Trap, The Catenary Wires, etc.) por meio de um amigo músico em comum. Com Miles nos vocais e guitarra, e acompanhado por Pursey e seus frequentes companheiros de banda, Amelia Fletcher e o baterista Ian Button, eles lançaram o European Sun com um álbum homônimo em 2020. O disco apresentou as letras faladas e cantadas de Miles, ansiosamente observadoras e com uma mentalidade de azarão, em um cenário indie pop melódico e DIY. Com a participação de Elin Miles, vocalista de talento semelhante, substituindo Fletcher nos vocais de apoio, o segundo álbum da banda, When Britain Was Great , mostra Miles se soltando mais como compositor, com canções confessionais repletas de comentários sociais perspicazes, referências à cultura pop e timidez.

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Em nenhum outro lugar isso fica tão evidente quanto em "School Report", uma música de 17 minutos e meio lançada como single e incluída na edição em CD do álbum. Uma faixa falada acompanhada por um garage pop psicodélico e envolvente, ela percorre uma manhã, começando com "Acordo antes da hora/Como uma ferida que se reabre", e então se deparando com boletins escolares antigos ("Julgamentos que carregamos pela vida"). Ele continua ignorando, de forma autoconsciente, a campainha e os telefonemas, e suportando falhas no café da manhã, manchas na camisa, dor no joelho, fotos borradas no celular e uma sensação geral de sobrecarga, enquanto observa coisas como: "Eu sei que para ser feliz você tem que viver no mundo como ele é, não como você gostaria que fosse". É uma narrativa com clímax e reviravolta. Antes desse desfecho, porém, há canções como "Going Viral", que aborda os múltiplos significados da expressão; A comovente “Dad”, que muda o ritmo com piano e cordas; e a sinistra “In Bedford Falls”, uma recitação que retrata uma cena de inverno na cidade natal com frases como “Da fumaça tóxica que subiu enquanto o grafite quebrado queimava/Como uma fênix em decomposição sobre a mais escura Chernobyl”, antes de fazer um apelo por mais igualdade e bondade no mundo (“Temos que começar estendendo a mão para segurar a mão de alguém”).

Em outras faixas, os títulos das músicas mencionam nomes como Arthur Seaton (personagem do romance e filme de 1960 "Saturday Night and Sunday Morning"), Edward Colston (um comerciante de escravos inglês e membro do Parlamento cuja estátua foi derrubada durante os protestos do movimento Black Lives Matter em 2020) e o ator Ncuti Gatwa. Na irônica "When Britain Was Great", Miles critica a misoginia e o racismo tóxicos do período pós-guerra, idealizado por alguns. Embora os sentimentos aqui sejam profundos, a execução é, em sua maior parte, divertida, com Miles e sua banda dando um toque de música beat dos anos 60 a vinhetas e comentários que, da mesma forma, conectam o passado e o presente

Mustafa Said – Maqam Pilgrims (2025)

 

O compositor e tocador de alaúde Mustafa Said, nascido no Egito , é um dos nomes mais ilustres da música árabe contemporânea. Cego de nascença, aprendeu música através do Braille. Desde 2003, lidera o Asil Ensemble, um grupo de músicos tradicionais que tocam alaúde de diversos tamanhos, qanun (cítara), nai (flauta transversal), tanbur , violino, viola, violoncelo e vários instrumentos de percussão. Said recebeu o Prêmio Aga Khan de Música em 2019.
Este é seu primeiro álbum desde então, embora seja o quinto com o grupo. A abertura apresenta uma breve performance solo de poesia sufi cantada, escrita por Maymunah al-Asheqah, uma poetisa do século XI que, segundo a lenda, era capaz de andar sobre a água. Em seguida, vem uma substancial suíte instrumental para orquestra completa, "Maqam Segah", com andamento e intensidade crescentes.

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…emoção, até que se acalma para um final majestoso. 'Você é Minhas Orações e Meus Rituais' musicou palavras do século XIII de Omar Ibn al-Farid, um dos mais célebres poetas sufistas árabes. Mustafa Said conta que visitou o santuário de Ibn al-Farid no Cairo antes de se mudar para o Líbano, onde viveu por alguns anos. Cantada solo por Said sobre um zumbido de violoncelo, a canção atinge um clímax extático antes do final. Em muitas das músicas, as performances intensas e emotivas de Said sugerem que os poemas têm um significado pessoal profundo para ele. 'É Este Relâmpago?' também apresenta letras de Ibn al-Farid cantadas por várias vozes, precedidas por uma substancial introdução instrumental dominada pela flauta. ' É este um relâmpago, ou vejo o rosto da minha amada à noite? ', questiona o poema. 'Minha Doença' apresenta flauta solo e qanun intercalados com frases marcantes de alaúde e cordas, além de palavras de Ibn Arabi, outro dos mais importantes poetas e filósofos sufistas árabes. Aqui, o poema é cantado em formato de chamada e resposta com os outros cantores.

O álbum contém 11 canções, a maioria delas bastante longas, com sete ou oito minutos de duração, enquanto "My Heart Was In Pieces" ultrapassa os 17 minutos. A canção apresenta alguns momentos dramáticos, com um belo solo de alaúde na metade, antes da entrada da percussão, de outros instrumentos e das vozes. No geral, o tom é sério e espiritual. Obviamente, é necessário conhecer árabe para apreciar o significado da poesia, mas mesmo sem esse conhecimento, há muito o que apreciar, particularmente na execução instrumental. O que distingue Mustafa Said é a sua escolha por evitar um som orquestral excessivamente pesado e o retorno aos grupos de taarab de câmara do início do século XX, que são muito mais intimistas e flexíveis. "My Beloved Sun Shined" começa com um solo de alaúde e, em seguida, vocais solo acompanhados apenas pelo alaúde, embora dê lugar à mais acelerada "God Bless", novamente com letra de Ibn Arabi. Há frases instrumentais muito atraentes entre os vocais. 'I Ran with the Lovers' soa como uma celebração jubilosa ao final desta jornada meditativa, com percussão vibrante e delicados solos de oud e qanun. A voz de Said ocasionalmente alça voo como um foguete em êxtase. E o álbum se encerra com alguns versos de Maymunah al-Asheqah, cantados solo como na abertura. Esta gravação substancial, apoiada pelo Programa de Música Aga Khan, é uma conquista considerável

Asher White – Jessica Pratt (2026)

 

Jessica Pratt canta com uma voz tão suave quanto lã não fiada, mas suas histórias parecem profundamente enraizadas, como se tivessem nascido de um subconsciente coletivo para revelar verdades fundamentais sobre a saudade humana. Asher White aborda ideias igualmente complexas: deixar sua cidade em busca de reinvenção, questionar se seu destino já está predeterminado. Mas enquanto Pratt trabalha principalmente com a tradição folk, a abordagem de White é decididamente contemporânea, inspirando-se em Palberta e na sonoridade experimental e digital de 100 gecs. Sua música tem a agitação estridente e intencionalmente construída de uma artista que sintetiza novos sons para compreender algo essencial sobre o mundo em que vive.
Por mais atemporais que as canções de Pratt sempre tenham sido, ela seguiu uma clara evolução desde…

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…o álbum de estreia homônimo de 2012, que a levou a canções pop brilhantes como “Back Baby” (2015) e à bossa nova melancólica de “By Hook or by Crook” (2024). Faz sentido que uma artista tão dinâmica e espontânea como White se sinta atraída a revisitar os primeiros trabalhos de Pratt, quando essas ideias estavam começando a tomar forma. Em uma análise faixa a faixa de Jessica Pratt , White se entrega à espontaneidade dessa música com a alegria de uma fã fervorosa que vê o projeto como “um álbum de clássicos americanos [no qual] cada música é um verdadeiro clássico”.

White se apaixonou por Jessica Pratt às vésperas de seu aniversário de 21 anos, caminhando pelas ruas de Providence em um frio cortante. Apropriadamente, há uma sensação fluorescente de dinamismo em suas interpretações. "Night Faces", de Pratt, é uma canção de lembrança. O violão cintila como as notas de uma caixinha de música de avós, e Pratt alonga as palavras até que soem como um cântico ou um feitiço. Pratt só incorporou bateria à sua música em seu quarto álbum, mas White já começa com tudo em sua versão de "Night Faces". Uma bateria e um baixo pulsante conduzem a uma linha de guitarra tão colorida e brilhante quanto um punhado de bolinhas de gude capturando a luz do sol nas mãos. Suas harmonias vocais em camadas surgem em ângulos agudos, tão peculiares quanto cativantes. A energia de White impulsiona a canção para o futuro — o refrão, "cry no tears" (não chore lágrimas), se torna um grito de guerra.

Os arranjos de White nem sempre soam tão eufóricos ou perfeitamente resolvidos. "Hollywood" é uma canção sobre o fascínio e a decadência simultâneos de Los Angeles e sobre o amadurecimento da cantora ao perceber que um mundo que antes idolatrava é menos cor-de-rosa do que parecia. Os vocais modulados e melancólicos da versão de White evocam relógios de Dalí derretendo e a psicodelia inquietante de "Strawberry Fields Forever". É o som de uma visão de mundo se dissipando. Mas a propulsão também está presente, na forma como o sintetizador pulsa e brilha. Quando White canta sobre Hollywood desmoronando, ela transmite a sensação de liberdade, de saber que a mudança é inevitável, por mais desconfortável que seja testemunhá-la ou vivenciá-la.

Por vezes, a grandiosidade dos arranjos pode ser um tanto perturbadora. Na versão original de “Casper”, a contenção na interpretação de Pratt parece indissociável da emoção que ela transmite. Acompanhada apenas por um violão dedilhado, ela canta: “Você sabe que eu ando pelas ruas de ouro/E não consigo encontrar os ossos do meu bebê”. Sua voz oscila suavemente, carregando a dor de uma mulher “desabrochando” em sua mais profunda tristeza. Lembro-me do tremor nos lábios de Hannah Horvath na última temporada de Girls, durante uma cena em que ela percebe que o relacionamento com o qual sonhava não corresponde mais à pessoa que deseja se tornar. É um momento de perda tão pungente que um gesto silencioso é a única forma de representá-lo. O violão sinuoso que inicia a versão de White funciona maravilhosamente bem com seu falsete. Mas, na metade da música, ela explode em um vórtice de reverberação e ruídos eletrônicos estridentes. Apresenta a dor de forma explícita demais, sobrepujando a sutil devastação da letra.

White conta a história da criação deste álbum com sua irreverência característica — ela brinca que começou o projeto como uma forma de procrastinar outros trabalhos e depois exagerou seu progresso para os representantes da gravadora. Quando lhe pediram para apresentar as músicas, White passou um mês frenético finalizando-as. O resultado soa caótico e, às vezes, criado de forma desordenada, mas também permite que as melhores qualidades de White brilhem. Sua imaginação fértil, senso de identidade e ambição criativa transformam essas versões em algo cativante. É também uma prova da durabilidade das melodias e ideias de Pratt que elas ressoem tão bem em um ambiente completamente novo. “Estou te chamando/De outro lugar”, ela canta em “Bushel Hyde”. White também canta de outro lugar, e é um lugar que ela fez seu

NRBQ – Grooves in Orbit (2026)

 

O clássico de 1983 do NRBQ, único lançamento pela gravadora Bearsville, está de volta! O álbum foi remasterizado, inclui novas notas de encarte e sete faixas bônus, tornando esta edição a versão definitiva de Grooves in Orbit .
Fundado em 1966 em Louisville, Kentucky, o NRBQ presenteou seus fãs dedicados com décadas de ótimas gravações e shows ao vivo excepcionais em inúmeros festivais, clubes, universidades e casas de shows. Nenhum estilo musical escapa ao NRBQ — seu primeiro álbum pela Columbia, por exemplo, abrange desde Eddie Cochran até Sun Ra, e suas próprias composições diversas foram regravadas por artistas como Bonnie Raitt, Dave Edmunds, She And Him, Steve Earle, Los Lobos e Widespread Panic. Existem pouquíssimas bandas que duraram meio século, e a lista…

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…o número daqueles que ainda estão no auge de sua criatividade é ainda menor.
O álbum apresenta sete faixas bônus, incluindo músicas inéditas, o comercial "Captain Lou Albano Grooves In Orbit" e versões alternativas de "Hit The Hay" e "12 Bar Blues", além de uma versão instrumental da favorita dos shows ao vivo, "Smackaroo". Adicionalmente, inclui contribuições do Whole Wheat Horns, uma versão de "Get Rhythm" de Johnny Cash (sempre um sucesso nos shows ao vivo) e uma motosserra (manuseada por Phil Collison, membro da equipe do NRBQ)!
Remasterizado por Michael Graves do Osiris Studio em Los Angeles, com notas de encarte de John DeAngelis, da revista Q, esta nova edição certamente vai te levar ao Grooves In Orbit!“O final da década de 1970 e o início da década de 1980 foram um dos períodos mais férteis para o NRBQ. Enquanto eletrizavam o público com performances empolgantes e imprevisíveis, como sempre faziam, eles lançaram uma série de álbuns excelentes: All Hopped Up, At Yankee Stadium, Tiddlywinks, She Sings They Play (com Skeeter Davis) e, em 1983, pela Bearsville Records, Grooves In Orbit, ainda hoje um de seus discos mais fortes e com melhor sonoridade.”— trecho das notas de John DeAngelis

01. Smackaroo
02. Rain At The Drive-In
03. How Can I Make You Love Me
04. When Things Was Cheap
05. Daddy-“O”
06. 12 Bar Blues
07. A Girl Like That
08. My Girlfriend's Pretty
09. I Like That Girl
10. Get Rhythm
11. Hit The Hay

Faixas bônus:

12. Some Kind Of Blues
13. Jesus Loves Me
14. Tonight You Belong To Me
15. Hit The Hay (Versão Alternativa)
16. 12 Bar Blues (Versão Alternativa)
17. Smackaroo (Instrumental)
18. Captain Lou Albano Grooves in Orbit Promo

The Beach Boys – We Gotta Groove: The Brother Studio Years (2026)

 

Por alguns minutos em 1976 – o ano do bicentenário dos Estados Unidos e o 15º aniversário dos Beach Boys, embaixadores do sol da Califórnia – a expectativa era justificada: Brian Wilson estava de volta. Em 27 de novembro, o gênio problemático do grupo foi o convidado musical do Saturday Night Live . E ele estava solo, em sua primeira aparição na TV sem os irmãos Dennis e Carl, Mike Love e Al Jardine, desde a lendária apresentação de "Surf's Up" no documentário de 1967, Inside Pop . As três músicas de Brian no SNL incluíram uma enigmática "Good Vibrations" – sozinho e inquieto ao piano em um cenário que simulava uma caixa de areia – e "Back Home", uma animada canção original do mais recente LP dos Beach Boys, 15 Big Ones , com a banda do SNL, mesmo que os Beach Boys estivessem na cidade lotando o Madison Square Garden.
Brian também apresentou "Love Is a Woman", uma nova…

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…uma canção de conselhos românticos simples (“Diga a ela que ela cheira bem esta noite”) em tercinas de piano doo-wop, com um vocal que compensava as arestas e as notas altas instáveis ​​com uma força reconfortante na região média. Cinco meses depois, "Love Is a Woman" foi o final sentimental de " The Beach Boys Love You" , de 1977 , uma sequência esperançosa para a estratégia de marketing em torno do retorno de Brian como produtor em "15 Big Ones", na verdade um copo meio cheio, baseado em covers de clássicos dos anos 50 e 60. "Love You" foi o primeiro álbum dos Beach Boys inteiramente escrito ou coescrito por Brian desde "Wild Honey", de 1967, e efetivamente seu primeiro LP solo. Ele tocou a maioria dos instrumentos, uma verdadeira "Wrecking Crew" de um homem só nos teclados e no baixo Minimoog, e teve uma presença vocal marcante, muitas vezes como vocalista principal. Curiosamente, isso foi mantido em segredo; o encarte não continha créditos.

We Gotta Groove, cujo nome vem de uma empolgante sobra de estúdio de Love You, compensa isso com notas de encarte enciclopédicas e anotações detalhadas de estúdio – até os “plinks” e “miaus” que Brian extrai de seu Minimoog no drama adolescente garageiro de Smile, I'll Bet He's Nice – que confirmam a energia dominante de Brian nessas 73 faixas, a maioria de 1976 e 1977. Mais do que os anos de ostracismo nas paradas de Sunflower (1970), Surf's Up (1971) e Holland (1973) – agora clássicos consagrados –, esta foi uma era difícil para os Beach Boys: comercialmente revitalizados pelas recentes retrospectivas da Capitol dos anos 60, Endless Summer e Spirit Of America, mas sem perspectiva de crescimento, mesmo com Brian novamente no comando. Love You morreu na posição 53 da Billboard (15 Big Ones chegaram ao Top 10), e o frágil comando de Brian sofreu outro golpe quando seu planejado sucessor, Adult/Child – uma mistura de novas baladas, minimalismo lúdico e preciosidades da Tin Pan Alley com orquestração exuberante – foi rejeitado pelo resto da banda, pela gravadora Warner Bros. ou (muito provavelmente) por ambos.

Mas esta coletânea – dedicada a esses álbuns, sessões relacionadas e um notável acervo de demos solo de Brian para o álbum Love You, de outubro de 1976 – surpreende. O melhor de Love You é a velha glória com um toque sutil de modernidade. A seção rítmica de Brian, executada por ele mesmo, e o brilho fluido dos vocais em grupo em Let Us Go On This Way remetem ao retorno triunfal pós-Smile com Wild Honey e Do It Again, com lampejos do synth-pop inicial no zoom do baixo Minimoog. Deixando as harmonias de lado, a inocente e galáctica Solar System é toda de Brian, com sua voz segura em uma textura excêntrica de piano de tachinhas, sinos tubulares e sintetizador ARP String.

Love You teria sido ainda melhor com algumas dessas sobras: o impacto de single de sucesso em We Gotta Groove; a vibe de festa dos Beach Boys em Hey There Mama (com Dean Torrence, do Jan and Dean, que participou do LP de 1965). Sherry She Needs Me era uma pérola inédita da gravação de Summer Days, de 1965, ressuscitada em agosto de 1976 com o vocal quase perfeito de Brian, em uma homenagem aos seus tempos áureos. E embora seja praticamente uma cópia do compacto dos Righteous Brothers, You've Lost That Lovin' Feeling mostra Brian em sua forma mais Phil Spector, sem nenhuma ajuda, um verdadeiro hotel de overdubs com vocais de coro que buscam a majestade de 1964 e quase a alcançam.

Não há como ignorar o tom nostálgico e retrógrado, com toques de colegial reciclado, presente em "Love You" (Mona; a ode ao apresentador de talk show Johnny Carson; e a felizmente breve "Ding Dang"). Brian estava sob os cuidados controladores de Eugene Landy na época (ele voltaria depois), e sentia falta do desafio empático de antigos parceiros de composição como Tony Asher e Van Dyke Parks. Mas o subtítulo de "We Gotta Groove" reflete o refúgio e a confiança que Brian encontrou no estúdio dos Beach Boys em Santa Monica, inaugurado em 1974. Earle Mankey – membro fundador do Sparks e engenheiro de som da Brother, que trabalhou na maioria das sessões desta coletânea – lembrava-se da disciplina diária de Brian para "Love You", chegando de manhã e gravando até a tarde.

Brian manteve o entusiasmo por Adult Child, encomendando orquestrações a Dick Reynolds (veterano do álbum de Natal dos Beach Boys de 1964), mas equilibrando a aposta com uma miscelânea de covers e canções no estilo de Love You para Carl (o encantador pop-gospel Everybody's Got to Live) e Dennis (It's Trying To Say, na verdade sobre beisebol). A falta de direção foi suficiente para condenar o projeto. Mas há momentos de genialidade, em excelsis. It's Over Now é uma despedida humilde na grandiosidade de Pet Sounds, com um vocal profético da esposa de Brian, Marilyn (eles se divorciariam em breve). E embora Brian tenha escrito Still I Dream Of It para Frank Sinatra (que nunca respondeu), o compositor se apropria da música em meio aos arranjos de cordas e na demo intimista de 1976 que encerra este álbum, danificada, mas não derrotada, em uma melodia sinuosa e plangente que sugere Surfer Girl rumo a The Great Gig in the Sky, do Pink Floyd.

O que torna esta análise conjunta dos últimos álbuns de estúdio de Brian com os Beach Boys, com todos os seus altos e baixos, um prazer tão esclarecedor e inesperado, é a oportunidade de ouvir a dedicação sincera e a amplitude da inspiração neste breve período de renovação, há muito obscurecido por propaganda enganosa e pelas constantes provações de Brian. As notas do encarte apontam que o título original de The Beach Boys Love You era Brian Loves You – o que era muito mais próximo da verdade

Slayer - Show No Mercy (1983)

 



Style: Thrash Metal
Origin: USA

Tracklist:
1. - At Dawn They Sleep (6:17)
2. - Crypts Of Eternity (6:40)
3. - Hardening Of The Arteries (3:55)
4. - Hell Awaits (6:16)
5. - Kill Again (4:56)
6. - Necrophiliac (3:46)
7. - Praise Of Death (5:21)









Winter Soul - Reactor (2007)

 



Style: EBM/Industrial
Origin: South Africa

Tracklist:
01. Reactor
02. Black Widow
03. Stargazer
04. Legacy Of Violence
05. KGB
06. Ritual Abuse
07. Ghosts Of Time
08. Battery
09. The Bokor






LAVA - Tears Are Goin´ Home - 1973

 



Lava surgiu durante a cena undrground de Berlin no começo dos anos 70. Formada pelo excelente tecladista Thomas Karrenbach a banda possui um som mais diferenciado dos demais alemães, passagens bem leves de guitarra, piano e flauta criam uma atmosfera melódica contagiante.

Destaque paras as faixas Mad Dog e Piece of Piece, esta última a mais bela do disco, instrumental onde nota-se o nítido entrosamento entre seus membros. 

Lançaram apenas esse disco em 1973 e após a morte do próprio Thomas Karrenbach em 1974 a banda se dissolveu e não se sabe se os outros membros criaram projetos paralelos.

Uma curiosidade interessante sobre esse registro é que o lendário produtor e engenheiro de som alemão Conny Plank (1940 - 1987) foi o responsável pela produção do mesmo. Plank ficou conhecido por produzir excelentes bandas como Guru Guru, Kraan, Cluster, Kluster, Kraftwerk, Liliental dentre outras. 

Trata-se de um disco bem interessante e um pouco diferente do que já escutamos em termos de prog alemão.



TRACKS:

1. Tears Are Goin' Home
2. Crimes Of Love
3. Would Be Better You Run
4. All My Love To You
5. Mad Dog
6. Holy Fool
7. Piece Of Piece  







Destaque

CAPAS DE DISCOS - 1969 Velvett Fogg - Velvett Fogg

   L.P U.K - PYE Records - NSPL 18272.  Contracapa Etiquetas lados 1 y 2.