terça-feira, 10 de março de 2026

The Electric Family - Ice Cream Phoenix (2003)

 



Uma banda formada pelo excelente Dieter Bornschlegel guitarrista e cantor (nascido em 26 de janeiro de 1954 em Dortmund). Tocou com Dannemanns Traumtorte (parte da década de 1960 pré Epitaph), e nos anos 70 com Atlantis, Guru Guru, Ramesh, Touch, TJA, etc. e também os músicos Harry Payuta, Tom Redecker, e Volker Kahrs. Confira!!!


Solid Structure    
Last Phase Of The Moon    
Landmark Visions    
Dancin' Lady    
Airchild    
Wisdom Of Wolves    
Careful With That Axe, Eugene    
Axechild - The End






Damenbart ‎- Impressionen '71 (1989) (Germany, Krautrock, Electronic, Psychedelic, Noise)

 



Damenbart pertence ao panteão das joias perdidas do krautrock. Este trio alemão é formado por Erwin Bauer no sintetizador, órgão e guitarra; Bernd Barth no sintetizador, efeitos e vocais; e Tina S nos vocais principais. Originalmente composta em 1971, mas lançada em 1989 pela DOM Elchklang, a banda apresenta o álbum Impressionen 71, com jams lisérgicas, hiperativas e ruidosas de krautrock, além de algumas experimentações transcendentais de drone psicodélico, que remetem a bandas como Xhol, Ashra Tempel, Amon Düül II e Anima. Uma experiência extremamente alucinante e psicodélica.

- Erwin Bauer / teclados, órgão, guitarra
- Bernd Barth / teclados, vocais
- Tina S / vocais

1. Inovador (13:39)
2. Blummen In Haar (7:02)
3. Bewusstseinserweiterung (7:30)
4. Marihuanabrothers (9:15)
5. Ich Bin Der Wind (3:05)
6. Invocação do espaço (14:36)
7. Ser Uns Den Frieden (7:49)
8. Baum Der Erkenntnis (8:29)









Second Movement - Blind Man's Mirror (1976)

 



- Harald Kesselhack - vocals
- Thomas Möckl - guitar
- Sigmund "Siggi" Zeidler - keyboards
- Manni Bierbach - flute, saxophone
- Manni Greiner - bass
- Matthias Helk - drums
+
- Second Movement - producers


01. Strange Shore (Thomas Möckl/Harald Kesselhack) - 9:30
02. Blind Man's Mirror (Sigmund Zeidler/Harald Kesselhack) - 12:12
03. Shanghai (Thomas Möckl) - 4:35
04. Back In Town (Sigmund Zeidler/Harald Kesselhack) - 9:09
05. Different Autumn (Sigmund Zeidler/Harald Kesselhack) - 10:17










Second Movement - Movements (1981)

 



Composed By – Bernd Wich (tracks: B3), Sigmund Zeidler (tracks: A1 to B2)
Drums [Ludwig], Electronic Drums [Pearl Syndrums], Percussion – Matthias Helk
Electric Guitar [Gibson LP De Luxe, Ibanez Doubleneck 6 + 12], Vocals [Gesang], Acoustic Guitar [Ovation] – Bernd Wich
Engineer [Tontechnik] – Hanns Schmidt-Theißen*
Mastered By – SST (8)
Piano [Yamaha], Organ [Crumar Organizer], Synth [Roland String, Roland Synthesizer], Sequencer, Photography By, Design [Cover] – Sigmund Zeidler
Producer – Second Movement (2)
Vocals [Gesang], Percussion, Acoustic Guitar [Ovation], Lyrics By – Dieter Ungelenk

A1 Don't Shoot Animals 4:35
A2 Musician's Dream 3:30
A3 Musician's Flight 5:40
A4 No Sir     5:40
B1 Movements 5:30
B2 Bird's Destiny 11:20
B3 It's You 3:30





Albert Ayler Trio - Spiritual Unity (1964)



Spiritual Unity foi o álbum que catapultou Albert Ayler para a vanguarda do jazz, e o primeiro álbum de jazz lançado pela seminal gravadora ESP de Bernard Stollman. Foi, de fato, o primeiro registro disponível da música de Ayler que o uniu a um grupo de músicos verdadeiramente afins, e o resultado é uma destilação magnificamente pura de sua estética. As ideias ricas e fluidas do baixista Gary Peacock e os ritmos mutáveis ​​e de fluxo de consciência do baterista Sunny Murray (que dependem fortemente do trabalho brilhante dos pratos) são cruciais para libertar a forma de tocar de Ayler. Contudo, por mais livre e ferozmente primitivo que Ayler soe, o grupo não é uma bagunça descontrolada – todos os membros ouvem as nuances mais sutis na execução uns dos outros, impulsionando e respondendo quando apropriado. A improvisação coletiva deles é notavelmente unificada — e quanto à outra metade do título do álbum, Ayler evoca visões transcendentais do reino espiritual com um fervor derivado do gospel. Títulos como "The Wizard", "Spirits" e "Ghosts" (sua música de assinatura, apresentada aqui em duas versões) deixam claro que o arsenal de efeitos vocais de Ayler — gritos, guinchos, lamentos, sons estridentes e o vibrato mais amplo já ouvido em um disco de jazz — eram expressões sonoras de um anseio intenso e selvagem pela transcendência. Com melodias fáceis de cantar baseadas em canções folclóricas tradicionais e escalas padrão, Ayler pegou as formas musicais mais simples e as imbuíu de um poder visceral chocante — de certa forma, não muito diferente do melhor rock and roll, o que provavelmente explica a controvérsia gerada por sua abordagem. Parafraseando uma das citações mais famosas de Ayler, esta música era sobre sentimentos, não notas, e em Spiritual Unity essa filosofia encontra sua expressão mais concisa e concentrada. Uma gravação marcante, essencial para qualquer compreensão básica do free jazz.


Estilos: Free Jazz
de Vanguarda 

racks:
01 - Ghosts: First Variation (05:16)
02 - The Wizard (07:24)
03 - Spirits (06:50)
04 - Ghosts: Second Variation (10:01)

Line-Up:
Albert Ayler - tenor saxophone
Gary Peacock - bass
Sunny Murray - percussion



Albert Ayler - Goin' Home (1964)



Albert Ayler enfrentou uma ansiedade espiritual que o atormentou e confortou ao longo de sua vida. Isso fica assustadoramente claro ao ouvir o intenso contraste musical presente em 24 de fevereiro de 1964, quando as faixas de "Goin' Home" e "Witches and Devils" foram gravadas. Ayler toca saxofones tenor e soprano em "Swing Low, Sweet Chariot", "Deep River", "Goin' Home", "Down by the Riverside", "When the Saints Go Marchin' In" e "Nobody Knows the Trouble I've Seen". Essas composições tradicionais são tratadas com reverência e sem improvisação, executadas de maneira calma e apaixonada, porém respeitosa. Elas revelam uma sensibilidade que estava obscurecida pelos gritos emocionais do saxofone tenor nas composições originais de Ayler, também gravadas nessa sessão: "Witches and Devils", "Spirits", "Holy, Holy" e "Saints". A Black Lion relançou Goin' Home com versões duplas de "Down by the Riverside", "Ol' Man River" e "Swing Low, Sweet Chariot". A seção rítmica de Goin' Home é sustentada pelo estilo de piano com influência gospel de Call Cobbs. Esta foi a primeira vez que o saxofonista tocou com Cobbs, que, assim como Ayler, era de Cleveland e havia se mudado recentemente para Nova York. Os veteranos do free jazz Henry Grimes no baixo e Sunny Murray na bateria completaram a formação, seguindo a liderança de Ayler e Cobbs, soando mais acessíveis do que em gravações anteriores. Embora Goin' Home e Witches and Devils não tenham sido lançados juntos em um único CD, obter ambos e ouvi-los em sequência proporciona uma comparação incrível em termos de atmosfera e estilo.


Estilos:
Avant-Garde
Free-Jazz

Faixas:
01 - Goin` home (4:26)
02 - Ol' man river (5:25)
03 - Down by the riverside (take 6) (4:39)
04 - Swing low, sweet chariot (4:30)
05 - Deep river (4:15)
06 - When the saints go marchin' in (4:12)
07 - Nobody knows the trouble i've seen (4:44)
08 - Ol' man river (take 1) (4:58)
09 - Swing low, sweet chariot (take 1) (4:49)
10 - Down by the riverside (take 5) (4:28)

Formação:
Albert Ayler - saxofone tenor
Call Cobbs - piano
Sunny Murray - bateria
Henry Grimes - baixo



Scorpion Child: crítica de Scorpion Child (2013)

 



Vem do poeirento e conservador estado norte-americano do Texas uma das bandas mais interessantes do hard rock atual. Nascido em Austin em 2006, o Scorpion Child é formado por Aryn Jonathan Black (vocal), Chris Cowart (guitarra solo), Torn “The Mole” Frank (guitarra base), Shaun Avants (baixo) e Shawn Alvear (bateria) e executa um som que chamou a atenção antes mesmo de estrear em disco, fato que levou a banda a ser contratada e elevada a uma das grandes apostas da gigante Nuclear Blast.

Apresentando influências de nomes acima de qualquer suspeita como Led Zeppelin, Humble Pie, Pentagram, Lucifer’s Friend e Free, o quinteto acaba de lançar o seu disco de estreia, batizado apenas com o nome do grupo e com uma capa que já antecipa o apetitoso recheio. Fazendo um som baseado em riffs, com grande influência de blues e que deixa espaço para improvisações, o Scorpion Child aterrisa com peso em nossas vidas. Há uma grande presença de elementos setentistas na música da banda, o que faz com que aconteça uma sintonia, ocorra uma simpatia, quase simultânea. Percepção essa que fica muito mais forte quando ouvimos o disco e percebemos que o olhar para o passado é apenas um dos ingredientes que formam a música do Scorpion Child, e nunca o seu principal elemento.

Ao contrário das inúmeras bandas que parecem se multiplicar como coelhos ou pragas e infestam uma parcela do hard rock com suas reinvenções estilísticas, pegando elementos setentistas e os reembalando para apresentá-los a uma nova geração de ouvintes, o Scorpion Child se diferencia justamente por não fazer uso desse artifício barato. O grupo apresenta as suas influências de forma clara, mas tem sabedoria para construir uma sonoridade, uma identidade própria, sobre estes elementos. E é isso que o faz tão especial.

A abertura com “Kings Highway” já demonstra que algo diferente está acontecendo, sensação que se torna certeza com o riff arrebatador da ótima “Polygon of Eyes”, primeiro single e uma das melhores músicas do disco. Sem dar trégua, a banda entrega a malandra “The Secret Spot”, onde outra vez temos um riff servindo de base para o desenvolvimento da canção. “Salvation Slave” é uma pérola, despejando peso sobre uma estrutura hard apimentada por elementos funk que leva a um longo trecho atmosférico que é não menos que sublime.

E, reafirmando a qualidade rara de saber pinçar entre as suas influências os elementos para a construção de um som original e com personalidade, a banda dá uma aula prática na excelente “Liquor”, outro destaque. Essa música, sozinha, já derruba a carreira de inúmeros nomes surgidos nos últimos anos e que apresentam uma proposta “semelhante”.

Provavelmente o momento em que a presença do Led Zeppelin se mostra de forma mais perceptível, a balada “Antioch” faz uso de um ensinamento usado com perfeição e exaustão por grandes artesãos como Jimmy Page e Tony Iommi, mas que caiu em desuso nos últimos anos: a luz e sombra, a explosão e a calmaria, o uso de contrastes para levar a música por crescendos que conduzem ao êxtase auditivo.

Não vou fazer um faixa-a-faixa citando todas as músicas, mas este review não ficaria completo se não mencionasse a sensacional composição que fecha o disco, “Keep Goin’”. Com um bem encaixado teclado que serve de cama para o vôo alto dos demais instrumentos, é a rolo compressor que leva o Scorpion Child à toda velocidade, literalmente atropelando quem está pelo caminho.

Individualmente, destaque para o vocalista Aryn Jonathan Black e seu animalesco timbre agudo, e para a dupla de guitarras, que dá um show à parte.

Com a sua estreia, o Scorpion Child prova que é possível fazer um som influenciado pelo passado mas que não soa nada saudosista. Muito pelo contrário: o que temos aqui é um senhor disco de hard rock, contemporâneo e atual.


Grata surpresa, e que promete ótimos frutos nos próximos anos!


Faixas
1 Kings Highway
2 Polygon of Eyes
3 The Secret Spot
4 Salvation Slave
5 Liquor
6 Antioch
7 In the Arms of Ecstasy
8 Paradigm
9 Red Blood (The River Flows)
10 Keep Goin’







Kanye West: crítica de Yeezus (2013)

 



Acredito que quem gosta de música, gosta de música. Parece uma afirmação desnecessária, e até mesmo sem sentido, mas não é. Quem gosta de música mantém não apenas a curiosidade geral sobre o que está acontecendo em relação ao assunto, mas, sobretudo, a capacidade intacta de se emocionar ao reconhecer uma obra, uma canção, um disco, que se sobressai ao imenso bombardeio a que somos submetidos todos os dias.

Eu sou um fã de rock. A minha história na música tem o rock como estrada principal. Dentro dele, o heavy metal me alimenta, constantemente e todos os dias. Porém, nestes 40 anos de vida, sempre mantive os ouvidos e o coração abertos aos mais variados gêneros. Já fui indie, adoro pop, sou apaixonado por jazz, gosto de MPB. Esse ouvido heterogêneo não apenas alimenta a minha necessidade de consumir música, como me torna um ouvinte mais completo ao me expor à diferentes formas de fazer música, às mais variadas abordagens sonoras, aos mais variados pontos de partida. É assim que eu sacio o meu ouvido, e junto com esse processo ainda aprendo ao me aventurar pelos mais variados estilos.

Essa é a minha abordagem, a minha maneira, o meu jeito. Cada um tem o seu. Você pode pensar como eu, ou, o que é mais provável, pode discordar de tudo. A escolha é sua.

Três parágrafos não para justificar, mas para contextualizar o porque de você estar lendo aqui na Collectors Room, um site predominantemente sobre rock, um texto sobre o novo disco do rapper norte-americano Kanye West. Se você nos acompanha há um tempo, sabe e já percebeu que, ainda que o rock seja o prato principal, também gostamos de nos aventurar pelos mais variados gêneros. Já falamos de Michael Jackson, de Lady Gaga, de diversos nomes, a princípio, antagônicos ao cardápio principal. A questão é simples: quando há relevância, quando há qualidade, não há preconceito e visões pré-estabelecidas. Afinal, procuramos ser um site sobre música de modo geral, e não um veículo segmentado em um gênero específico.

Isso entendido, vamos ao que interessa. Yeezus é o sexto disco de Kanye West e foi lançado em 18 de junho passado. A produção conta com a assinatura de vários profissionais, incluindo a dupla do Daft Punk (nas três primeiras faixas e também em “Send It Up”). Ele é o sucessor do multi-platinado My Beautiful Dark Twisted Fantasy (2010). De cara, percebe-se que West voltou mais para o rap, distanciando-se um pouco da sonoridade grandiosa e megalomaníaca do trabalho anterior. Essa abordagem já fica clara na capa do CD, minimalista e com apenas um adesivo vermelho com o título do trabalho.

São dez faixas, em um tracklist forte, muito forte. As três primeiras  músicas impressionam pela força. A abertura com “On Sight” e sua batida que mais parece saída de um jogo de videogame de 8 bits serve de cartão de visitas para um disco que cresce a cada nova composição, com direito a grandes surpresas pelo caminho. West entrega uma das músicas do ano já na faixa 2, a deliciosa “Black Skinhead”, rap com fortíssimo acento pop construído sobre uma batida tribal e pesadíssima. O nível se mantém no topo com a sombria “I Am a God”, excelente composição com letra provocativa, onde Kanye solta, mais uma vez, o seu lado provocador.

Aspecto esse que fica explícito na direta “New Slaves”, que critica de maneira áspera a parcela de negros norte-americanos - formada principalmente por atletas, músicos, artistas de cinema e profissionais bem sucedidos - que deixaram de ser escravos das ruas e do preconceito racial histórico de seu país para se tornarem escravos do consumismo e da imagem. Não deixa de ser irônico perceber que o próprio West se enquadra nesse grupo, desfilando com figurinos extravagantes e jóias de vários quilates penduras no pescoço e enfiadas nos dedos.

Para alguém como eu, formado por anos e anos ouvindo discos de rock, é interessantíssimo parar e perceber como as músicas de Yeezus são construídas. Colagens de sons, efeitos e batidas diversos colados em uma produção excepcional, que sim, não tem nada a ver com o andamento tradicional 4 por 4 do rock and roll, mas que mesmo assim proporciona resultados finais incríveis, pesados em algumas horas, climáticos em outras. Talvez o maior exemplo disso aconteça em “Send It Up”, faixa que é construída sobre uma melodia que parece ser feita em cima de um rugido de elefante processado eletronicamente, evoluindo em camadas hipnotizantes.

A música mais comentada de Yeezus é, de forma disparada e com justiça, “Blood on the Leaves”. Em uma sacada de mestre, Kanye West intercala trechos da histórica “Strange Fruit”, uma das canções mais emblemáticas e famosas do blues, um grito primal contra o rascismo imortalizado por Billie Holiday em 1939. Em “Blood on the Leaves”, West utiliza a versão gravada por Nina Simone em 1965, contrapondo os versos clássicos da canção com a sua própria letra, dando um significado contemporâneo a uma realidade que, infelizmente, ainda não se deu por extinta. Antológico e arrepiante, para dizer o mínimo.

Yeezus é um daqueles discos que extrapolam rótulos, vão além de preferências  musicais. Sua força, seu significado, são universais. Kanye West pode ser apenas um negro nascido nos Estados Unidos elevado ao posto de principal rapper da atualidade, mas as suas letras, os seus dilemas, a sua música, são universais. Seu novo disco é excelente, um trabalho que beira o espetacular.

Que os seus ouvidos sejam como os meus, e que você tenha capacidade de perceber isso.


Faixas:
1 On Sight
2 Black Skinhead
3 I Am a God
4 New Slaves
5 Hold My Liquor
6 I’m in It
7 Blood on the Leaves
8 Guilt Trip
9 Send It Up
10 Bound 2







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