terça-feira, 7 de abril de 2026

Public Enemy - "Apocalypse 91... The Enemy Strikes Back" (1991)

 

"Combata o poder."



Desde moleque eu tinha uma mente meio rebelde; nada muito pesado, mas eu já pensava em fazer coisas diferentes. Jamais pensei que um dia conheceria o PE.
Foi em meados de 1991/1992 eu acho, enquanto o mundo ainda vagava pela Acid-house, ou pelo Grunge , eu misturava o Rap com Hardcore, influenciado por uma música que tinha escutado. Eu pensava em mudar o mundo junto com mais alguns malucos e, ao mesmo tempo que isso acontecia na minha mente, estava acontecendo no mundo uma outra revolução: o Hip-hop. E junto a uma avalanche de artistas um grupo em especial me chamou a atenção: o PUBLIC ENEMY.
O grupo nasceu quando o estudante de design gráfico e fã de hip hop, Chuck D  resolveu criar um projeto musical com cujos objetivos eram basicamente modernizar as bases e batidas do rap e levar para o gênero as discussões políticas e sociais dos EUA. Para isso contou com Terminator X., Professor Griff e Flavor Flav. Em 1987 lançavam seu primeiro álbum, "Yo! Bum Rush the Show" e já o ano seguinte, apareceram com "It Takes A Nation of Millions to Hold Us Back". Com os sucessos "Don't Believe the Hype" e "Rebel without a Pause", alcançaram sucesso de crítica e extrapolaram as fronteiras do hip hop. Com "Fight de Power", presente na trilha de "Faça a Coisa Certa" (89), de Spike Lee, o Public Enemy atacava ídolos brancos, como John Wayne e Elvis Presley (o grupo depois iria amenizar essas críticas). No mesmo ano, Professor Griff era expulso da banda após supostas declarações anti-semitas dadas ao jornal "The Washington Post" mas a banda continuaria a conservar sucesso de crítica e público com "Fear of a Black Planet" (90) e "Apocalypse 91...The Enemy Strikes Black" (91). Em 1992, causaramm polêmica com o clipe "By the Time I Get to Arizona", que protestava contra o Arizona, um dos dois estados dos EUA que não consideravam feriado a data de aniversário do líder negro Martin Luther King (1929-68). A partir daí, a banda entrou em recesso criativo, lançando álbuns irregulares, o melhor deles sendo "He Got Game" de 1998.
Eu os conheci com o álbum "Fear of a Black Planet", e esse álbum me fez rever conceitos, e tenho certeza que de muitas pessoas também. A meu ver, foi o responsável pelo sucesso dos caras para o mundo, com músicas como "Fight the Power" e "911 is a Joke".
Depois comprei o "Apocalypse 91... The Enemy Strikes Back", e é desse álbum que vou falar:
Esse disco foi o que eu precisava ouvir para me sentir uma pessoa melhor, e acreditar finalmente que era possível ser um negro sem precisar empunhar uma arma, ou ter que sofrer com o preconceito.O movimento brasileiro de Hip-Hop, que vem aumentando até hoje e melhorando musicalmente, foi o que resgatou essa auto-estima de vários jovens pelo Brasil
Foi com o "duplão" dos PE que embalei boas sessions de skate pelos parques da capital gaúcha e mais tarde rolei em alguns campeonatos. Cara esse disco faz parte da minha vida até hoje carrego na case por onde vou.
Destaque para "Rebirth", "Shut Em Down" e "Bring The Noise", esta última gravada junto com a banda de metal Anthrax, o que daria início a mais uma revolução... mas isso é assunto pra outro texto.

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FAIXAS:
1. Lost At Birth
2. Rebirth
3. Night train
4. Can’t Truss It
5. I Don’t Wanna Be Called Yo Niga
6. How To Kill A Radio Consultant
7. By the Time I Get To Arizona
8. Move!
9. 1 Million Bottle bags
10. More News At 11
11. Shut Em Down
12. A Letter to the New York Post
13. Get the F— Outta Dodge
14. Bring the Noise





Close Enemies - Close Enemies (2026) USA

 

Quando uma lenda viva como Tom Hamilton decide que ainda não é altura de pendurar o baixo após a reforma (ou pausa) dos Aerosmith, o mundo do rock presta atenção. Mas Close Enemies (2026) não é apenas o projeto a solo de um ícone; é um supergrupo improvável que trocou os grandes estádios pelo calor de um porão para redescobrir a alegria de tocar.

O resultado é um álbum homónimo de 10 faixas que soa a uma "joia perdida" da era de ouro do Rock N' Roll.

O "DNA" do Rock no Porão de Peter

A magia de Close Enemies reside na sua génese orgânica. Gravado no porão de Peter Stroud, o disco foge das produções digitais estéreis de hoje em dia. Tom Hamilton descreve o processo como algo "fácil e instintivo": chegar com uma demo crua e ver músicos veteranos transformarem-na em algo vibrante em apenas um dia. É o som de amplificadores a sério e de uma bateria que respira.

A Seleção Nacional do Classic Rock

O currículo desta banda é, no mínimo, assustador. Vejamos quem compõe este motor de alta cilindrada:

Músico

Histórico / Pedigree

Papel no Álbum

Tom Hamilton

Aerosmith

O pulso melódico e a alma do projeto.

Tony Brock

The Babys, Rod Stewart

O baterista que traz o "groove" clássico de arena.

Peter Stroud

Sheryl Crow, Don Henley

Texturas de guitarra sofisticadas e produção orgânica.

Trace Foster

Tech de AC/DC, Rolling Stones

A sabedoria de quem conhece o "som perfeito" por dentro.

Chasen Hampton

Mickey Mouse Club, The Party

A voz camaleónica e a "cola" que une tudo.

Chasen Hampton: O Camaleão Vocal

A grande surpresa do disco é Chasen Hampton. Vindo de um passado pop e televisivo, Hampton revela-se um "metamorfo" vocal capaz de guiar o ouvinte por uma jornada de 10 faixas. Ele não tenta imitar Steven Tyler ou Rod Stewart; em vez disso, adapta-se às nuances de cada composição, trazendo uma frescura que evita que o álbum caia na armadilha da pura nostalgia.


O Que Esperar do Som?

  • Vibe Anos 70: O álbum exala aquela atmosfera orgânica onde a imperfeição é bem-vinda porque soa humana.

  • Química de Estrada: Sente-se a experiência de décadas de turnés. Não há excessos; cada nota está lá porque serve a canção.

  • Essência Pura: É um disco impulsionado pela empolgação de começar um novo capítulo, despojado do peso das expectativas corporativas.


O Veredito Final

Close Enemies é um álbum refrescante precisamente porque não tenta seguir tendências. É o som de amigos que por acaso são alguns dos melhores músicos do mundo a divertirem-se. Para quem sente falta de guitarras que falam e de uma secção rítmica que te faz bater o pé involuntariamente, este é o disco de 2026.

É Rock N' Roll autêntico, feito por quem sabe que a música é, acima de tudo, uma linguagem de instinto.

Nota: 8.8/10

"Tom Hamilton encontrou nos Close Enemies a fonte da juventude. Este não é o som de alguém a olhar para o passado com saudade, mas sim de alguém a olhar para o futuro com o amplificador no máximo."

Destaques: A química rítmica entre Hamilton e Brock e a versatilidade de Chasen Hampton nas faixas mais mid-tempo.

Recomendado para: Fãs de Aerosmith, The Black Crowes, Faces e de qualquer pessoa que prefira um som de porão bem gravado a um estúdio de milhões.


Temas:

01. Rain 05:26
02. Sound Of A Train 05:06
03. Inside Out 03:08
04. Sweet Baby Jesus 03:58
05. Wink And A Feather 04:05
06. Take A Pill 04:32
07. More Than I Could Ever Need 05:12
08. Mystery Of Love 04:05
09. Battlefield 03:55
10. She's A Light 03:17

Banda:

Chasen Hampton - Vocals
Trace Foster (AC/DC) - Guitars
Peter Stroud (Sheryl Crow) - Guitars
Tom Hamilton (Aerosmith) - Bass
Tony Brock (The Babys) - Drums





Cactus - Temple Of Blues II (2026) Internacional

 

Carmine Appice é uma daquelas forças da natureza que parecem ignorar o conceito de "reforma". Em 2026, ele prova que os Cactus continuam a ser o "Led Zeppelin da classe operária" com o lançamento de Temple Of Blues II (Cleopatra Records).

Se o primeiro volume já era uma celebração, esta sequela é um verdadeiro festival de superestrelas, onde o Hard Rock rústico da banda se funde com os clássicos do Blues num abraço de distorção e groove.

O Poder das Colaborações

Não é todos os dias que vemos um alinhamento que junta Steve Morse, Joe Lynn Turner, Billy Sheehan e Dee Snider no mesmo projeto. O mérito de Appice é conseguir que estes titãs não se sobreponham à alma da banda. A produção é robusta, destacando a bateria lendária de Carmine, que continua a ditar as regras do ritmo com uma autoridade inquestionável.

O Destaque: "Bad Stuff"

Originalmente lançada em 1972 no álbum 'Ot n' Sweaty, "Bad Stuff" recebe aqui uma injeção de adrenalina. A escolha de Joe Lynn Turner para os vocais foi um golpe de mestre; a sua voz tem a textura perfeita para o Rock influenciado pelo Blues. Junte-se a isso o virtuosismo técnico de Steve Morse e a precisão de Derek Sherinian nos teclados, e temos uma versão que não só respeita o original, como o eleva a novos patamares de energia.


Mapeamento das Colaborações

Faixa

Convidados de Destaque

Vibe

"Bad Stuff"

Joe Lynn Turner, Steve Morse, Derek Sherinian

Hard Rock com alma de 1972.

"Spoonful"

Ted Nugent, Bob Daisley

O "Motor City Madman" traz o seu fogo característico.

"The Little Red Rooster"

Dee Snider, Tracii Guns

Uma interpretação suja, crua e cheia de atitude.

"Back Door Man"

Eric Gales, Billy Sheehan

Um duelo de gigantes entre guitarra e baixo.

"Purple Haze"

Melanie

O momento mais emotivo e psicadélico do disco.


O Momento Emotivo: A Despedida de Melanie

Um dos pontos mais altos — e tocantes — do álbum é a versão de "Purple Haze" com os vocais de Melanie, gravados antes do seu falecimento em 2024. A ligação histórica entre Melanie e Carmine (ambos tocaram no Festival da Ilha de Wight em 1970) confere à faixa uma aura de reverência. É um tributo magnífico a uma voz que marcou uma era.

O Veredito Final

Temple Of Blues II é um álbum obrigatório para quem gosta de Rock com "cheiro a válvulas e suor". Apesar da quantidade massiva de convidados, o disco soa coeso. A inclusão de sete clássicos de Dixon/Wolf garante o pedigree de Blues, enquanto a faixa bónus do CD, "Feel So Good" (com Tommy Thayer e Britt Lightning), fecha o pacote com um brilho adicional de Hard Rock clássico.

Nota: 8.5/10

"Carmine Appice não está apenas a tocar Blues; ele está a levar os Cactus a um templo onde o volume está sempre no 11. É um disco vibrante, histórico e, acima de tudo, divertido."


Destaques: "Bad Stuff", "Back Door Man", "Purple Haze".

Recomendado para: Fãs de Cream, Led Zeppelin, Vanilla Fudge e de qualquer pessoa que queira ouvir como se faz Rock 'n' Roll com pedigree.


Temas:

01. Back Door Man Pt. 1 & 2 (feat. Eric Gales & Billy Sheehan)
02. 300 Pounds Of Joy (feat. Ty Tabor)
03. Moanin' At Midnight (feat. Pat Travers)
04. Down In The Bottom (feat. Dug Pinnick)
05. Token Chokin' (feat. Bumblefoot)
06. Bad Stuff (feat. Steve Morse, Joe Lynn Turner, D. Sherinian & Tony Franklin)
07. Tail Dragger (feat. Rudy Sarzo & Alex Skolnick)
08. The Little Red Rooster (feat. Dee Snider, Tracii Guns, Jimmy Haslip)
09. Purple Haze (feat. Melanie)
10. Spoonful (feat. Ted Nugent & Bob Daisley)
11. Feel So Good (feat. Billy Sheehan & Britt Lightning)

Banda:

Jimmy Kunes - vocals, 2006-present
Jim McCarty - guitar, 1970-71, 2006-present
Pete Bremy - bass
Carmine Appice - drums






Destaque

Serge Gainsbourg – L’Homme à Tête de Chou (1976)

  L’Homme à Tête de Chou  é uma estátua de Claude Lalanne, que é igualmente um disco de Serge Gainsbourg, um bailado de Jean-Claude Gallotta...