
Uma das bandas mais clássicas da New Wave of British Heavy Metal se reuniu e, depois de 30 anos de seu debut, Court in the Act (1983), acaba de nos apresentar um novo álbum, Life Sentence. Muita gente acha que a banda lançou apenas esse disco de 83 e logo depois acabou. Claro que se estivermos falando da parte relevante da história do grupo foi quase isso mesmo, mas o grupo não viveu só de Court in the Act.

Farei a seguir um breve resumo da história do grupo. As constantes mudanças de formação durante esse período acabam deixando tudo muito confuso, mas o grupo teve a dupla de guitarristas Steve Ramsey e Russ Tippins como seu núcleo principal. O vocalista Brian Ross entrou para o Satan apenas para gravar Court in the Act. Ele já tinha um trabalho com o Blitzkrieg e não quis abandoná-lo completamente na época.
Russ Tippins disse que eles tinham o nome Satan desde os tempos da escola. Antes mesmo de terem aprendido a tocar um instrumento. Fãs de Black Sabbath, acharam que seria perfeito chamar o grupo dessa maneira e assim o fizeram quando tiveram oportunidade. Em 1981 tiveram duas de suas músicas em uma coletânea chamada Roxcalibur. Fizeram muito shows, especialmente na Holanda até que “Kiss of Death” saiu em single. Nessa época o vocalista era Trev Robinson. Como Trev não era o vocalista dos sonhos, Louis (Lou) Taylor foi contratado. Porém este ficou pouco mais de seis meses do grupo e saiu dando lugar para Ian Swift, que chegou a gravar a demo Into the Fire. Quando souberam que Brian Ross estava com alguns problemas com o Blitzkrieg não perderam a chance e o chamaram para a banda.



Até então, mesmo com as diversas mudanças de formação e nomes da banda o núcleo Steve Ramsay e Russ Tippins sempre se mostrou forte. Porém em 1990 a dupla se dividiu. Ramsay montou outra banda, o Skyclad, uma das pioneiras do folk metal enquanto Tippins sumiu um pouco do mapa até que em 2009 apareceu com a The Russ Tippins Eletric Band. Ainda reativaram o Pariah no final dos anos 90 com o vocalista Alan Hunter do Tysondog, banda que Tippins chegou a integrar por um tempo, e o baterista Ian McCormack, que já tinha sido da formação da banda no início da sua história chegando a gravar a demo Into the Fire.
Mesmo com essas idas e vindas o nome Satan e o disco Court in the Act sempre eram lembrados. Brian Ross demonstrava orgulho toda vez que era reconhecido pelo seu trabalho no disco e sentia que sua contribuição poderia ter sido maior e mais consistente. Até que em 2004 os organizadores do Wacken Open Air sugeriram uma reunião da formação clássica e eles aceitaram mesmo sem Sean Taylor, que estava com uma contusão no joelho. De lá para cá fizeram alguns shows esporádicos e participaram de outros festivais.
Mas todo mundo só pensava mesmo em um novo lançamento com Brian Ross novamente nos vocais. Demorou, mas aconteceu! E o resultado é talvez melhor do que o esperado. Life Sentence dá a impressão que foi lançado em 1984 tamanha é a afinidade de seu repertório com as músicas de Court in the Act – e de certa forma com Suspended Sentence também. Claro que dessa vez a produção foi anos luz melhor que a do disco de estréia e essa é a maior diferença entre os álbuns.
Brian Ross mostra em Life Sentence o por que de tantos fãs lembrarem dos tempos áureos do Satan com ele nos vocais. Agradável timbre de voz e uma facilidade invejável de alcançar tons mais altos sem nenhum tipo exagero como em “Incantations”, em que o refrão se transforma totalmente pela adição perfeita de seus agudos.
A dupla de guitarras mostra que tantos anos trabalhando junto faz a diferença. Os duelos de guitarras são perfeitos e harmônicos com uma unidade que só quem viveu e foi parte importante dentro do núcleo do movimento oitentista poderia fazer. Na verdade é que os integrantes da banda viveram e vivem cercados do mesmo ambiente que tinham lá no início dos anos 80. Como nenhum deles chegou ao estrelato e não seguiram para diferentes caminhos musicalmente eles conhecem o que os fãs esperam quando procuram uma banda daquela época.
Se pegarmos os três álbuns que foram lançados sob o nome Satan e entregar para alguém que nunca os ouviu certamente essa pessoa não acreditará que estamos falando de 30 anos de história entre os discos. A impressão é de que a banda não envelheceu nenhum ano. O Satan atual trouxe a atmosfera de 1983 para fazer um dos melhores discos de 2013.



Sem comentários:
Enviar um comentário