No início dos anos 70, quando o Airplane começava a ficar de lado, Kantner gravou "Blows Against The Empire" (nov/70), um álbum conceitual junto com um grupo montado para a ocasião que recebeu o nome de "Jefferson Starship". Por isso, o álbum foi creditado a Paul Kantner/Jefferson Starship, isto quatro anos antes da formação do grupo com esse nome. Kantner veio com uma história de um bando de hippies de esquerda (muito parecidos com seus companheiros da Bay Area) que sequestrava uma nave estelar construída pelo governo e partiam para reiniciar a raça humana em outro planeta. Kantner havia pressagiado essa ideia de colonização pós-apocalíptica em "Wooden Ships" (no álbum "Volunteers") e aqui expandiu tudo com ajuda de seus parças de Airplane, do Grateful Dead, do Quicksilver Messenger Service, do CSN, entre outros, montando um supergrupo em constante mudança (informalmente chamado PERRO - Planet Earth Rock and Roll Orchestra, é mole?). "Blows Against The Empire", na verdade, era um pouco desapegado do conceito, mostrando-se tão preocupado com a partida da tal nave, quanto a chegada do bebê de Kantner com Grace Slick (ele se apaixonou enquanto ela estava envolvida com Spencer Dryden, o baterista do Airplane, e teve que esperar dois anos para ter uma chance com ela em 69 - na época, a revista Rolling Stone os chamou de "the psychedelic John & Yoko"). Ele usou bastante instrumentação densa e arranjos complexos, mas colocou ganchos e harmonias suficientes para manter as coisas interessantes. O álbum foi indicado para o Hugo Award, um prêmio de ficção científica geralmente reservado para livros. A filha do casal, China Wing Kantner, nasceu em jan/71.
Kantner e Slick lançaram dois álbuns na sequência: "Sunfighter" (nov/71) e "Baron von Tollbooth & the Chrome Nun" (mai/73). "Sunfighter" foi lançado logo após "Bark" do Airplane. Na capa, estava o bebê China. No disco tocavam muitos músicos da Bay Area, incluindo toda a então formação do Airplane, membros do Grateful Dead, do CSN, do Tower of Power, etc. Este álbum também apresentou,
pela primeira vez, Craig Chaquico, então com 17 anos (ele se tornaria o guitarrista solo do Starship). Um trabalho tingido pelo ambientalismo e vegetarianismo (Slick havia se tornado vegetariana), celebrando o nascimento do bebê. Uma espécie de álbum de família, num estilo de Acid Rock livremente arranjado e cheio de letras políticas de esquerda radical, semelhante a "Blows Against the Empire" e "Bark". Mas a estridência habitual de Kantner/Slick não era contrabalançada pela substância tanto quanto em esforços anteriores, talvez porque eles estavam fazendo muitos álbuns rápido demais para manter a qualidade de suas composições. "Baron von Tollbooth and the Chrome Nun" tinha esse nome doido baseado nos apelidos que David Crosby havia dado ao casal. Novamente, outro álbum colaborativo com membros do Airplane, mais David Freiberg (espécie de terceiro membro, extensão do casal), e toda uma renca de amigos. Foi lançado junto com "Thirty Seconds Over Winterland", do Airplane. Apesar de tanta gente participando, a força orientadora do álbum foi Grace Slick, que cantou em todas as faixas e escreveu/co-escreveu seis das dez canções. Talvez, devessem ter sido empregadas mais composições externas, já que essas aqui eram de segunda categoria. "Blows Against The Empire" ainda havia alcançado o Top 20, mas este "Baron von Tolbooth" não chegou perto do Top 100. Toda essa trupe ainda tentaria um outro projeto dissidente, o álbum solo de Grace Slick, "Manhole", antes de se organizar como Jefferson Starship, em 74. Entre 74-84, Kantner gravou e se apresentou com o Starship. Em out/80, Kantner foi lavado ao Cedars-Sinai Medical Center com uma hemorragia cerebral. Ele estava com 39 anos e superou o perrengue com uma recuperação completa, sem cirurgia. Ele já havia tido um acidente grave de moto no início dos anos 60 (bateu numa árvore e quase rachou o crânio. Aliás, este acidente anterior foi creditado por ter salvado Kantner da hemorragia, já que o buraco deixado aliviou a pressão craniana - Highlander total). Um ano depois, ele falou: "Se houvesse um cara lá em cima disposto a falar comigo, eu estava à disposição, mas nada aconteceu e foi tudo como pequenas férias". Em jun/84, Kantner deixou o Starship reclamando que a banda havia se tornado muito comercial e fugido demais de suas raízes da Contracultura. Ele acionou a banda na justiça após ela ter decidido seguir em frente usando o nome Jefferson Starship. Em mar/85, o grupo passou a usar o nome "Starship". Neste ano, ele montou a KBC Band (com Martin Balin e Jack Casady), lançou um único álbum dois anos depois, embarcou numa turnê nacional e isso abriu caminho para um reunião do Airplane, que durou pouco. Em 96, a banda entrou para o R'n'R Hall of Fame. Em 92, Kantner resolveu reformar o Jefferson Starship e isto durou até 2016, com sua morte. Durante esse período, vários membros do Airplane, amigos, filhos, passaram pela banda.
Em mar/2015, surgiu a notícia que Kantner havia sofrido um ataque cardíaco. Ele chegou a voltar a tocar no final daquele ano a tempo de comemorar o 50º aniversário do Jefferson Airplane com shows especiais. Mas Kantner morreu em San Francisco aos 74 anos em jan/2016, de falência múltipla de órgãos e choque séptico após sofrer um ataque cardíaco dias antes. Pouco depois da morte de Kantner, o baterista do Grateful Dead, Mickey Hart, chamou Kantner de "espinha dorsal da banda" e disse que Kantner deveria ter recebido o tipo de crédito que Slick, Casady e Kaukonen receberam. Coincidentemente, Kantner morreu no mesmo dia que a cofundadora do Airplane, Signe Toly Anderson. Ele teve três filhos. Foi fumante a vida toda. Declarou numa entrevista: "Não vou desistir das poucas coisas que gosto. É melhor morrer de alguma coisa que eu gosto". Anarquista político, Kantner defendeu o uso de enteógenos como o LSD para expansão da mente e crescimento espiritual, e foi um proeminente defensor da legalização da maconha, que ele consumiu regularmente durante a maior parte de sua vida adulta. Numa entrevista em 86, Kantner falou: "A cocaína, particularmente, é uma chatice. É uma droga nociva que transforma as pessoas em idiotas. E o álcool é provavelmente a pior droga de todas. À medida que você envelhece e realiza mais coisas na vida em geral, você percebe que as drogas não ajudam, especialmente se você abusar delas". Quando Kantner sofreu uma hemorragia cerebral em 1980, o médico do Cedars-Sinai, apontou que não era um problema relacionado às drogas, dizendo: "Não há nenhuma relação entre a doença de Paul e as drogas. Ele não usa drogas".





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