
Formado em 1966, o Ten Years After foi um grupo de bastante sucesso e muito solicitado entre o fim dos anos 60 e início dos anos 70. Frequentou as esteiras da febre de blues na Inglaterra, mas conseguiu logo progredir e se mostrar como um grupo multifacetado. Com a guitarra nervosa de Alvin Lee e os teclados elegantes de Chick Churchill, unidos com a cozinha gordurosa de Ric Lee e Leo Lyons, o Ten Years After manteve firme um séquito de fãs ao longo das décadas, em um trajetória cheia de boas energias musicais. Esta série, em duas partes, desconsiderará alguns discos ao vivo da banda, especialmente aqueles relacionados com períodos em que estiveram pouco ativos.
Ten Years After (1967)

Undead (1968)
Para atender pressões do selo Deram, que exigia um novo lançamento antes da primeira tour do grupo pelos EUA, o Ten Years After surge com Undead, um disco ao vivo. Nele, a habilidade de Alvin Lee é latente, contudo, o repertório não favorece a demonstração dessa habilidade por diferentes ângulos. Sendo assim, o que impressiona logo aos primeiros segundos do disco, pode tornar-se enfadonho pouco tempo depois, ou soa como malabarismo. O disco é uma coleção de canções agitadas, que se equilibram entre um swing jazz acelerado, com fortes influências de Jimmy Smith e outros batutas do organ jazz, ou em possantes canções rockabilly, que rezavam “amém” a cada sequência de 12 compassos do blues que era executada. Em outras palavras, o disco é bom, contudo muito previsível e monocromático. Undead leva crédito pois é nele que aparece a primeira versão de “I’m Going Home”, canção que tornaria o Ten Years After mundialmente conhecido, por conta da participação no filme oficial do festival de Woodstock, exibido em 1970.
Stonedhenge (1969)

Ssssh (1969)
Paralelamente ao sucesso em Woodstock, o Ten Years After lança este fabuloso álbum, com sua icônica capa, uma energia e um peso que até então o grupo só presenteava quem os via ao vivo. O disco abre com a poderosa “Bad Scene”, um rock arrasador e com alternâncias blues. O disco é todo embebido em blues, mas assim como no Jeff Beck Group e no Led Zeppelin, o estilo não é exatamente reverenciado, e sim usado como base para um novo som, para a consolidação de um novo estilo. Ssssh tem muito de blues mas não é blues puramente, e sim um rock bravio, um ataque de pugilista nos ouvidos (o que era perfeito para o rock em 1969) e só fez alçar a banda ainda mais ao topo daquela nova cena de rock, da qual os Beatles e sua geração estavam entregando os bastões. A própria guitarra de Alvin Lee busca fugir das piruetas frequentemente usadas nos trabalhos anteriores, como que na ânsia de se mostrar capaz de algo a mais. Apesar de que em “Good Morning Little School” seu maravilhoso solo de guitarra é a mais pura síntese de seu estilo agitado de tocar, cujo resultado é amplificado pelo esplendoroso trabalho de contrabaixo de Leo Lyons. “If you Should Love Me” mostra o Ten Years After se arriscando bem em uma baladinha conduzida ao violão; “The Stomp” é safadeza pura e “I Woke Up this Morning” é um blues nervoso que arremata este ótimo disco.
Cricklewood Green (1970)

Watt (1970)
Watt vem em uma contínua descarga de energia, mas soa automatizado em muitos momentos. Na época de seu lançamento, a banda estava a mil por hora, excursionando insanamente e sem tempo para se dedicar em um processo de composição mais apurado. O disco deveria se chamar “What?” e não “Watt”, com a banda questionando o ritmo frenético em que as coisas estavam acontecendo. As fórmulas de Ssssh e Cricklewood Green são postas novamente na mesa e, apesar da premissa de entreter público e cumprir contratos, tudo funciona bem no disco, apesar de não trazer nada em que o Ten Years After já não tinha se saído melhor em registros anteriores. “I’m Coming On” é pesada e pegajosa, com um dos melhores solos de guitarra de Alvin Lee. “I Said Yeah” é divertida e traz belos timbres de guitarra e vocoder; “The Band with No Nome” é uma cinematográfica vinheta instrumental e “She Lies in the Morning” tem interessantes variações de ritmo e bons solos individuais.
A Space in Time (1971)




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