Super Mamute. Sombrio, agressivo, dirigido por órgãos, forte, progressivo, psicodélico, mamute.
MAMMUT toca com percepção o rock conceitual pesado, com um arco completo esboçado de amplitudes acústicas e líricas a improvisações de drones violentamente oníricas e estranhamente (e)estáticas. Os valores da tangente, que refletem puro psicodelicismo e composição conceitual, manipulação de sons duros ou um pouco de crosta sinfônica, não surpreendem em nada, acrescentando uma complexidade inusitada e uma precisão decisiva de rock trêmulo, dentro da intensa gráfica popular.
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A Miragem do Kraut: Mammut e a Fantasia do Rock Livre
No início da década de 1970, em algum canto enevoado da Alemanha, uma criatura chamada Mamute acordou de seu sono sônico. Não fez muito barulho quando chegou — não era um rugido, era mais um zumbido de teclado Hammond — mas aqueles que conseguiram ouvi-lo na época sentiram que algo estranho estava surgindo: um híbrido de hard rock, psicodelia e progressivo com um toque da Europa Central.
Parte I “Mammut: psicodelia em chave germânica”
O álbum de estreia desta banda homônima é, desde a primeira audição, uma viagem por múltiplas estações. Às vezes parece um trem desgovernado, outras vezes uma caravana de alquimistas do som. Sua fórmula não pretende ser revolucionária, mas tem um aroma de frescor que a torna uma excentricidade adorável. A originalidade não está no que fazem, mas em como fazem. Eles improvisam, saltam entre gêneros, embelezam tudo com um órgão Hammond que não pede permissão, apenas entra e fica. Alguém pode pensar que Mammut é apenas mais um krautrock. Mas não. Ou pelo menos não exatamente. É mais um progressivo eclético com sotaque alemão, se o rótulo é permitido. Uma colagem de ideias onde o sinfônico coexiste com o selvagem, o polido com o grotesco, o mágico com o errático. Nesse equilíbrio instável reside sua força.
É verdade, o álbum nem sempre acerta o alvo. Às vezes, percebem-se costuras, alguns gestos repetidos, um pouco de pretensão mal direcionada. Mas também há momentos em que tudo se encaixa e brilha. Peças como “Mammut Ecstacy” e “ShizoydMammut” são exemplos claros disso: delirantes, lúdicas, cheias de bom barulho. Como se o Can tivesse uma jam session com o Deep Purple em um planeta paralelo.
Parte II “Quando o Hammond Morde”
O que define Mammut , mais do que seus gêneros, é sua atmosfera. Aquele ar de raridade que se respira em cada sulco do vinil. Desde os primeiros segundos, a música parece emergir de um laboratório subterrâneo, como se os músicos tivessem ficado trancados por dias sem dormir, experimentando com cabos, feedback, fitas invertidas e chá de cogumelos. E talvez tenha sido assim.
Há improvisação, sim. Mas também há momentos de controle e forma. Não se trata de caos gratuito. A banda dedica tempo para construir texturas, deixando sons sinfônicos e psicodélicos coexistirem com aqueles ruídos estranhos que evocam o eco de um cérebro superaquecido. No fundo, o que Mammut oferece é uma espécie de espetáculo progressivo com a alma de um show de horrores psicodélico. Parece excessivo, mas também íntimo. A beleza deste álbum não está apenas no som, mas na atitude: ele não tem medo de tocar. Ele não busca ser aceito. Ele só quer existir, e o faz com uma graça desajeitada, mas cativante. É claro que há talento, embora talvez falte direção. Mas às vezes, é na confusão que está a faísca. E aqui, essa faísca acende um fogo estranho, mas sincero.
Aqueles que ousarem ouvi-lo encontrarão um universo em miniatura. Com sinfonias escondidas, ritmos de jazz quebrados, atmosferas ácidas e um Hammond matador que não acaricia: ele morde. Este álbum não quer ser compreendido, ele quer ser sentido. E isso já é uma grande conquista. Até mais.
01. Bird Mammut
02. Mammut Clássico
03. Mammut Ecstacy
04. Foolmachine Mammut
05. Short Mammut
06. Shizoyd Mammut
07. Nähgern Mammut
08. Mammut Opera
CÓDIGO: B.1

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