Mais suave e com um toque mais psicodélico quando comparado às coisas mais recentes, mais voltadas para o hard rock (o cover de "Cymbaline" do Pink Floyd como faixa bônus dá uma ideia de pelo menos uma fonte de inspiração), o que é legal até você lembrar que esses caras nunca foram os melhores compositores, então a energia e as texturas sonoras dessas coisas mais recentes são, na verdade, preferíveis a essas, que são honestamente bem sem graça.
Olá, sou profundamente grato por este e todos os álbuns que você publicou. Muito obrigado!
Nerkon
Crônicas do Motor Cósmico: Hawkwind Ano Zero
Em 1970, em meio aos escombros fumegantes do hippie e ao crescente zumbido da tecnologia, algo se acendeu no oeste de Londres: uma faísca radioativa, um experimento sonoro sem bússola chamado Hawkwind. Seu primeiro álbum não chegou rotulado como uma revolução, mas sim como o eco de uma profecia. Não há hinos de estádio ou estruturas complacentes aqui; esta é uma criatura em gestação, um álbum que respira pelos poros da improvisação, onde as arestas do blues, do free jazz e da psicodelia se curvam em direção a uma nova dimensão: um prelúdio lisérgico para o Space Rock. Essas faixas são movidas mais pela intuição do que pela técnica, mais pela urgência do que pelo virtuosismo, como se os instrumentos fossem antenas captando sinais interplanetários ainda a serem decodificados. Este álbum de estreia, lançado pela United Artists, ainda não definia sua direção final, mas deixava claro que a banda tinha os pés na imundície do underground e a cabeça orbitando fora do sistema solar. Era 1970, mas Hawkwind já estava escrevendo sobre um futuro que ainda não existia.
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| Arte interna em acetato |
Ouvir este álbum hoje é como descobrir um mapa incompleto de uma galáxia futura: há rotas marcadas com tinta invisível, planetas em construção, atmosferas ainda em formação. O álbum é cru, irregular, às vezes desajeitado, mas repleto de uma eletricidade visionária que o torna fascinante. Em suas passagens mais densas, sente-se essa intenção de romper com o estabelecido e encontrar uma nova mitologia sonora, onde efeitos, delays e sintetizadores rudimentares substituem o solo de guitarra tradicional e onde a sensação importa mais do que a forma. Ainda não é um voo completo; é a decolagem. A nave ainda não cruzou o cinturão de asteroides, mas seu design, seu pulso, sua fome de infinito já são visíveis. Hawkwind, neste primeiro ato, não busca a perfeição: busca a abertura do portal. E a alcança. A partir daqui começa a história de uma das bandas mais influentes do rock espacial, uma história que se concretizará de fato nos álbuns subsequentes, mas que já deixa sua marca nesta estreia como um grafite psicodélico esculpido nos anéis de um satélite em fuga. Até logo.
01. Hurry On Sundown
02. The Reason Is?
03. Be Yourself
04. Paranoia Part 1
05. Paranoia Part 2
06. Seeing It As You Really Are
07. Mirror Of Illusion
Bonus
08. Bring It On Home
09. Hurry On Sundown
10. Kiss Of The Velvet Whip
11. Cymbaline
CÓDIGO: @


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