terça-feira, 3 de junho de 2025

Eloy - Floating

 



Estranhamente, a faixa de abertura me lembra do início de "Santana" (não, não estou bêbado). O som dos teclados é tão furioso quanto o de Gregg Rollie e as percussões não estão longe de "Jingo". Uma boa, mas surpreendente faixa, devo dizer.

Krautrock forte e flutuante com uma pitada de Hawkwind e uma gota de PinkFloyd.

Flutuando: A Primeira Revelação do Viajante Cósmico

Este é um álbum primoroso e soberbo que revela o lado mais selvagem da banda. Sua performance é claramente eclética: aqui, o hard rock se funde com o rock progressivo, adornado com artefatos psicodélicos que transformam a audição em uma experiência intensa e imersiva.

Sem dúvida, é um álbum muito interessante, cheio de nuances, texturas e uma atmosfera psicotrônica que, por vezes, evoca as influências progressivas do Pink Floyd. Composto por cinco músicas cantadas sob a influência da lisergia, o álbum eleva sua sonoridade aos céus. Encontramos arranjos vãos, mudanças de ritmo, atmosferas sombrias e uma sonoridade profundamente ligada à psicodelia. Tudo isso com uma sonoridade densa, até pesada, pontuada por ecos metálicos e um aroma que, por vezes, beira o space rock e o krautrock. A execução instrumental é eficaz e precisa. O conceito que a banda buscou capturar é claramente concretizado. As guitarras são afiadas, repletas de bons riffs, e marcam o ritmo com solidez. A dupla baixo/bateria cumpre seu papel com perfeição: sustenta a estrutura rítmica com facilidade, enquanto os teclados — sejam Mellotron, Hammond ou sintetizador — surgem como presenças sutis, quase espectrais, responsáveis ​​por moldar as atmosferas que envolvem cada passagem. O resultado final é um álbum completo e intenso, sem dúvida um dos ápices do hard prog. O primeiro grande auge artístico da banda.

Impressões Pessoais: Escuridão, Texturas e Fogo Azul

As impressões que esta aventura sonora me deixou foram mais do que positivas. As memórias que eu tinha do álbum não foram fragmentadas ou distorcidas. Pelo contrário: a experiência se expandiu, enriqueceu-se. Cada seção do álbum me trouxe de volta àqueles velhos tempos de psicodelia, de krautrock, de noites banhadas em fumaça azul. Eu temia que um pouco daquele charme tivesse desaparecido com o tempo, mas não: ele permanece intacto. A dose de ácido ainda está presente, amalgamada a elementos da Kosmische Musik, criando uma jornada densa e envolvente. O início é violento, mas logo você mergulha em ondas cósmicas hipnotizantes, apenas para recuperar as forças em uma dança de energia e atmosfera. Músicas titânicas como "The Light from Deep Darkness" mergulham você na lisergia que é "Floating" — o título diz tudo. Ecos de Pink Floyd e Hawkwind mancham os sulcos do vinil e tingem o ambiente de cor. É um álbum profundo, dinâmico, às vezes sombrio e em constante mudança.

Aqui, a banda dá mais um passo em direção à evolução. Sinto-me mais maduro do que em seus trabalhos anteriores. Não há dúvida: estamos em um ponto de virada, o início de uma nova era. Mais tarde, Eloy abandonará seu perfil psicotrônico para se aprofundar nos territórios mais refinados do progressivo, moldando suítes mais elegantes, sóbrias e sofisticadas. Mas essa é outra história. Enquanto isso, aproveitem este álbum cult, uma jornada épica cósmica rumo ao space-prog. Até mais.

01. Floating
02. The Light From Deep Darkness
03. Castle In The Air
04. Plastic Girl
05. Madhouse

CODIGO: B-40

MUSICA&SOM ☝






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