Zé Ibarra é claramente um estudioso da música brasileira. O último álbum do cantor, compositor e multi-instrumentista presta homenagem a acordes da MPB, do funk e do jazz de seu país com uma precisão que, por vezes, o faz parecer uma joia perdida, descoberta em cofres.
Essa sensação é reforçada pelo estilo vintage do retrato de Ibarra, de cabelos longos e quase um deus do rock, que adorna a capa do álbum.
Felizmente, é uma audição muito mais envolvente do que sua gama de influências um tanto retrógrada pode sugerir.
Em primeiro lugar, há a voz de Ibarra, um instrumento flexível e expressivo que às vezes lembra Caetano Veloso, às vezes Jeff Buckley. Do soco que lembra Lincoln Olivetti aos instrumentos de sopro...
...de 'Infinito Em Nós' ao funk caloroso e com influência de Rhodes de 'Segredo', as músicas também são brilhantemente elaboradas, misturando musicalidade de primeira com melodias finamente elaboradas, enquanto a faixa de destaque 'Transe' acrescenta cordas arrebatadoras e percussão inventiva, relembrando as suntuosas sinfonias de samba soul de Arthur Verocai.
Adicionando a dose certa de saudade à mistura, é um dos melhores álbuns pop brasileiros dos últimos anos.
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