Lançado a 2 de novembro de 2015, 'Lo-Fi Hipster Trip' assinalava o regresso de dB e Logos ao “local do crime” — o estúdio —, um ano depois de 'Lo-Fi Hipster Sheat'. Se o primeiro tinha o impulso do acaso e a euforia da descoberta, o segundo trazia o vício assumido: uma descida lúcida ao delírio, feita com humor, crítica e uma dose de nonsense que só o universo Corona permite.
O produtor dB, cleptomaníaco de samples e alquimista de beats, e o rapper Logos, mestre das múltiplas personas, voltavam a provar que o absurdo é também uma forma de lucidez.
Gravado a partir de um processo tão errático quanto genial — bases trocadas, vozes recicladas, beats deslocados —, 'Lo-Fi Hipster Trip' nasce do “falhanço de planeamento” que dB descreveu com ironia, mas que acabou por definir o ADN do duo: caos com método, loucura com conceito.
O álbum é uma continuação espiritual de 'Sheat', mas mais denso, mais sombrio e, paradoxalmente, mais claro no retrato que faz da cultura tuga e da sua ressaca pós-moderna.
dB inspirou-se no espírito Madchester e no punk pós-industrial da Factory Records — não para o copiar, mas para lhe roubar o feeling: um rap com cheiro a 90s, mais indie, mais sujo, mais livre. Como o próprio explicou ao Rimas e Batidas, “se o álbum anterior era dos cogumelos, este é da heroína.”
A edição física, em forma de caixa de medicamentos, não era um mero artifício gráfico: era conceito em estado sólido. Um prescription pill musical, que tanto podia curar como agravar a viagem. Dentro da embalagem, uma pen em forma de comprimido, limitada a 250 exemplares, com selo da Meifumado Fonogramas.
Com participações de Kron Silva, 4400 OG, Alferes M. (Minus), Skillaz (MGDRV), Frankie Dilúvio (Blasph), Chester (RealPunch) e até Álvaro Costa como o “Jim Morrison da Pasteleira”, Lo-Fi Hipster Trip é um delírio partilhado: um retrato de época filtrado por humor, colagem e psicadelismo hip hop.

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