sexta-feira, 7 de novembro de 2025

15 anos do álbum ‘Casa Ocupada’, dos Linda Martini, lançado a 1 de novembro de 2010

15 anos do álbum ‘Casa Ocupada’, dos Linda Martini, lançado a 1 de novembro de 2010
15 anos, a 1 de novembro de 2010, os Linda Martini lançavam ‘Casa Ocupada’, o seu segundo álbum de estúdio. Entre ‘Olhos de Mongol’ (2006) — o primeiro disco — e este, o grupo editara ainda os EPs ‘Marsupial’ e ‘Intervalo’, este último gravado ao vivo.
Gravado quase todo com os quatro membros a tocarem em simultâneo no estúdio, o álbum procurava capturar a energia bruta e a imperfeição viva dos concertos. Apenas o guitarrista Pedro Geraldes teve liberdade para acrescentar camadas à matéria-base, gravada em apenas dois dias. “Queríamos que soasse ao vivo”, explicava o baterista Hélio Morais ao Diário de Notícias, sublinhando a vontade de manter a “sujidade” e o instinto que sempre definiram a banda.
A herança punk já estava presente em ‘Olhos de Mongol’, mas mais diluída em longas passagens instrumentais. ‘Casa Ocupada’ trouxe essa energia à superfície. André Henriques, Cláudia Guerreiro, Hélio Morais e Pedro Geraldes surgiam já sem Sérgio Lemos, que entretanto deixara a banda — com menos uma guitarra, mas com a voz mais presente. As letras, assinadas por André Henriques, privilegiavam a concisão: frases curtas, diretas, algumas a várias vozes. “Não dizemos muitas coisas, mas o que dizemos é forte e tem impacto”, recordava Hélio Morais.
O título ‘Casa Ocupada’ evocava a Kasa Enkantada, como era conhecida a casa abandonada da Praça de Espanha, em Lisboa — espaço mítico da cena punk e hardcore lisboeta entre 1997 e 2002, onde todos os membros da banda tocaram em projetos anteriores e onde se formou uma geração inteira de músicos.
Com temas como ‘Mulher a Dias’, ‘Juventude Sónica’ ou ‘Cem Metros Sereia’ — ainda hoje um hino entoado nos concertos —, o álbum consolidou a identidade dos Linda Martini e elevou a banda a um novo patamar.
“Não acho que sejamos grandes músicos; somos músicos com amor àquilo que fazemos. O que fazemos é com gozo e vem de dentro — não há cá subterfúgios, e por isso continuamos a ser uma banda muito punk”, dizia Hélio Morais.



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