quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Dream Theater: crítica de Dream Theater (2013)

 



Desde a saída de Mike Portnoy, em 2010, nota-se uma mudança na sonoridade do Dream Theater. Isso fica ainda mais claro no décimo-segundo  álbum da banda norte-americana, batizado apenas com o nome do grupo. A ausência do fundador e baterista mudou o eixo do Dream Theater, fazendo com que a liderança e o direcionamento musical passassem a ser ditados pelas visões do guitarrista John Petrucci e do tecladista Jordan Rudess.

Na prática, o que isso significa? Uma sonoridade mais agressiva, com a agradável predominância e contraste entre os  instrumentos de Petrucci e Rudess. Isso já havia ficado perceptível no primeiro single, a ótima “The Enemy Inside”, e se repete durante todo o trabalho. A produção, a cargo do próprio Petrucci, realça esse aspecto, o que fez surgir comparações apressadas, e ao meu ver equivocadas, com o pesadíssimo e sombrio Train of Thought (2003). Aquele disco era escuro, soturno, características que não são percebidas aqui.

Em relação ao trabalho anterior, o bom A Dramatic Turn of Events (2011), Dream Theater, o álbum, me soou mais homogêneo e forte. Talvez isso seja fruto de dois fatores. Um é a participação do baterista Mike Mangini, competentíssimo substituto de Portnoy, em todo o processo de composição e troca de ideias do que viria a ser o disco desde o início, ao contrário do  CD anterior, quando ele foi inserido com as coisas praticamente já definidas. E o outro, mais decisivo no meu ponto de vista, é o fato de a banda estar mais relaxada com a boa recepção que A Dramatic Turn of Events recebeu, tanto do público quanto da imprensa, mostrando que é perfeitamente possível seguir em alto nível sem um de seus fundadores. Sem tanto peso nas costas para provar algo, o Dream Theater acabou gravando um disco que funciona muito bem do início ao fim.

Uma das marcas do quinteto, o passeio e o flerte por diferentes sonoridades mantém-se ativo no novo trabalho. Há o prog clássico e épico da longa “Illumination Theory”, que fecha o álbum de maneira sublime com seus mais de 22 minutos, e há, claro, o caminho oposto, como a direta “The Looking Glass”, construída a partir de um riff que é puro hard rock - um hard padrão Dream Theater, é claro, e com um tempero que lembra o Rush.

É preciso ressaltar também “Enigma Machine” e a própria “False Awakening Suite”, que abre o disco, que retomam a tradição das faixas instrumentais da banda, ausentes nos últimos álbuns. “Enigma Machine”, em especial, é um desbunde para quem curte a técnica singular dos músicos que formam o Dream Theater, com a vantagem de apresentar esse requinte sem soar desnecessária.

“The Bigger Picture”, “Behind the Veil”, “Surrender to Reason” e “Along for the Ride” completam o tracklist de um dos trabalhos mais dinâmicos e consistentes da carreira do Dream Theater. O disco é merecedor de grandes elogios, e, com exceção de “Along the Ride”, uma balada mediana e que passa a sensação de já ter sido gravada inúmeras vezes durante toda a carreira do grupo, soa forte e na medida certa.

Se seguir nesse nível, aos poucos os (poucos) que ainda choram a saída de Mike Portnoy mudarão de ideia rapidinho.


Faixas:
1 False Awakening Suite
2 The Enemy Inside
3 The Looking Glass
4 Enigma Machine
5 The Bigger Picture
6 Behind the Veil
7 Surrender to Reason
8 Along for the Ride
9 Illumination Theory








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