O nono álbum da banda, "Expect No Mercy" (de nov/77), manteve em grande parte os elementos tradicionais da banda, embora faixas como "Shot Me Down" tenham dado ao Nazareth uma chance de explorar o mercado AOR dominado por The Eagles e Fleetwood Mac. Mas a censura atacou mais uma vez, determinando que o desenho de Frank Frazetta (autor de várias capas famosas de álbuns do Dust, Molly Hatchet etc.) de dois demônios lutando com espadas deveria ser cortado para evitar a exibição de muita anatomia masculina. Mesmo assim, no todo, tratava-se de um retorno ao som Hard Rock que a banda havia negligenciado desde o sucesso com "Hair Of The Dog". Era potente, impulsivo e agradou em cheio os fãs. E o tom frenético já vinha logo de cara na faixa-título, um Rock escaldante que trazia o cantor Dan McCafferty cuspindo um vocal afiado sobre a crueldade da vida sobre uma série de riffs de guitarra rápidos e implacáveis. Na sequência, o disco engatava faixas similarmente brutais com destaque para "Revenge Is Sweet" (um hino à vingança) e "Gimme What's Mine" (uma declaração feroz de domínio), esta bem no estilo Southern Rock com uma linha de baixo agitada. Apesar da preponderância do Hard Rock, havia espaço para Country-Rock (um excelente cover de "Busted"), para o Honky-Tonk (na faixa "Place In Your Heart") e até mesmo para a fusão Hard Funk Rock (em "New York Broken Toy"). O álbum nunca assumia ousadias estilíticas dentro da fórmula Hard Rock (como em "Razamanaz" ou "Hair Of The Dog"), mas isso é apenas uma pequena reclamação à luz dos altos níveis de consistência e qualidade do disco. Em suma, "Expect No Mercy" era um deleite para os fãs da banda e uma audição sólida para qualquer fã de Hard Rock em busca de uma dica.
Por sugestão do guitarrista Manny Charlton, um velho amigo do grupo, Zal Cleminson, da Sensational Alex Harvey Band, foi convidado a se juntar ao que é indiscutivelmente o disco mais pesado de todos do Nazareth, "No Mean City", de jan/79. O som de guitarras gêmeas funcionou maravilhas em "May The Sunshine" e em "Star", que se tornaram singles de sucesso, até mesmo no Reino Unido. Nesse álbum, a combinação de Hard Rock despojado com sonzeiras bem básicas, aliada à notável adição de Zal Cleminson, ajudou a criar um ataque corajoso de guitarras, que demonstrava autoridade por todas as faixas. Talvez, o principal exemplo deste poder de fogo estava em "Just To Get Into It", faixa de abertura numa velocidade ofuscante, que posicionava a intenção adequadamente. "Simple Solution", uma pedrada Boogie Rock de letras cínicas tinha um riff portentoso e hipnótico. Outro destaque era a citada "May The Sunshine", que começava com uma melodia acústica de influências celtas, mas logo adicionava guitarras e baixo estrondosos migranod para uma pauleira tipo Led Zeppelin. É, mas a jóia secreta do disco, na minha opinião, era "Star", uma power ballad sobre um caso de amor rompido que era conduzida por um riff harmonizado quase tão emocionante quanto a letra. O problema com "No Mean City" é que, embora todos seus Rocks fossem robustos, alguns deles empalideciam perante os destaques. Um exemplo é "Claim To Fame", uma faixa que dependia da repetição infinita de seu riff central, mas era salva pelo vocal feroz de Dan McCafferty. Além disso, a ênfase colocada nas twin guitars significou menos experimentação. Dito isso, "No Mean City" continua sendo um set estimulante e elétrico de Hard Rock que vale muito a pena tanto para fãs do Naz, quanto para aficcionados do Hardão setentista.
Cleminson também desempenhou um papel altamente significativo no álbum seguinte, "Malice In Wonderland", de jan/80 , e então decepcionou seus companheiros de banda ao pedir para sair quando, pelo menos na Grã-Bretanha, o álbum não foi a lugar nenhum. Com a gravadora Mountain Records falindo inesperadamente, Zal ficou ainda mais ansioso para sumir com a necessidade do grupo de garantir outro (novo) contrato de gravação. "Malice In Wonderland" significou um retorno às experiências AOR e daí a contratação pela banda de Jeff "Skunk" Baxter (guitarrista do The Doobie Brothers/Steely Dan) para produzir o álbum. Eles até conseguiram manter sua identidade Hard Rock, temperando o lado Pop com as guitarras duplas. O resultado misturava a energia e o poder de fogo das melhores gravações da banda com uma paisagem sonora elegante e amigável às rádios. Um bom exemplo disso estava na faixa de abertura, "Holiday", e suas camadas de refrão para se cantar junto, o estilo Calipso simulado, as harmonias elegantes sobre a batida Boogie e os acordes poderosos. "Big Boy" era um Rock de andamento médio com um refrão Reggae e "Ship Of Dreams" era um Rock acústico com melodia flamenca de inspiração espanhola. Os fãs ficariam satisfeitos com faixas como "Talkin' To One Of The Boys", uma roqueira na velocidade relâmpago e com um riff de guitarras duplas ofuscante ou "Showdown At The Border", vitrine para guitarras insistentes com riffs e solos de sobra. Havia ainda o hit "Heart's Grown Cold", uma balada de despedida que começava delicada e se transformava ao ganhar guitarras bombásticas. Manny Charlton admitiu mais tarde que preferia que eles tivessem contratado outra pessoa diferente de Jeff "Skunk" Baxter para a produção. Baxter certamente empregou técnicas de motivação incomuns: "A faixa Talkin' 'Bout Love tinha uma batida Disco, e eu disse a Jeff: 'Não vou tocar nessa merda'. A resposta dele foi que eu não conseguiria tocar de qualquer maneira mesmo e que talvez ele chamasse David Hungate (do Toto) para fazer aquilo. Foi brutal, mas nos fez reexaminar a maneira como trabalhávamos". É mole? Por outro lado, Agnew contou: "Zal Cleminson é o melhor guitarrista que já pisou na Terra. Ele estava dirigindo táxi, o que era ridículo, quando pedimos para ele se juntar à banda. Às vezes, eu quase parava de tocar para aplaudi-lo. Em uma boa noite, ele era inacreditável e se ele não estivesse em forma, ele simplesmente ia para o fundo e não fazia nada". "Zal era tão bom sim", McCafferty concorda, "mas ele não estava comprometido o suficiente. Ele é um daqueles caras que está sempre procurando por algo novo".






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