"Un velero llamado libertad" (Um Veleiro Chamado Liberdade) foi lançado em 1979 no álbum "Tiempo de otoño" (Tempo de Outono), um período na carreira de José Luis Perales em que ele lançava quase um álbum por ano. Foi seu sexto álbum de estúdio, produzido por Danilo Vaona e Rafael Trabucchelli (que dividiram os lados A e B). O álbum contém dez faixas que exploram relacionamentos humanos, amor e liberdade — temas recorrentes magistralmente abordados pelo artista. É um álbum muito melancólico, profundamente emotivo. Sua música, caracterizada por melodias suaves, instrumentação orquestral e, sobretudo, pela profundidade e beleza de suas letras, capturou o espírito de uma época. É um testemunho do talento de Perales para transformar experiências cotidianas em canções, mantendo sua relevância e calor ao longo das décadas. Entre as canções mais marcantes e icônicas do álbum estão "Me llamas" (Você me chama), "El amor" (O amor) e a icônica faixa-título, "Un velero llamado libertad".
Vamos nos concentrar na última mencionada. A história que a canção conta é a de um homem que, cansado da vida, decide deixar tudo para trás: "Ontem ele partiu, pegou suas coisas e zarpou". Com apenas "uma camisa, jeans e uma canção", o protagonista se despede para embarcar em uma aventura no mar, um ato que simboliza a fuga da rotina, das convenções e dos laços emocionais. Seu barco, que ele chama de "Liberdade", é a personificação de seu anseio por um "modo de vida diferente". Mas a história não se baseia em "eventos reais" ou na experiência pessoal do autor; é inteiramente ficcional. Convidado pelo jornal El País em junho de 2006 para responder a perguntas enviadas online por seus fãs, ele relatou o momento em que a canção surgiu: "Na verdade, lembro-me de ter assistido a um filme na televisão; era sobre um jovem que partiu em um barco para nunca mais voltar". Na canção, já que nós, compositores, podemos nos permitir qualquer variação no roteiro, ao contrário do que foi planejado no filme, decidi que o rapaz deveria retornar; Era mais lógico do que a solidão, especialmente porque sereias não existem. Em resposta a outra pergunta sobre a mesma música, Perales acrescentou que "o personagem no veleiro é um homem, e quando ele retorna, os olhos azuis como o mar pertencem à garota que o espera no porto. Que vença a melhor."
A música cria uma atmosfera de nostalgia, saudade e, em última análise, esperança. O uso de cordas no coro evoca a imensidão do mar e a magnitude da sensação de liberdade, enquanto a doçura da melodia vocal mantém um tom intimista. É no coro que a música atinge seu pleno esplendor. A melodia torna-se mais aberta e ascendente, refletindo a ideia de liberdade e a expansão do horizonte. A orquestração se desdobra completamente, com um uso proeminente de cordas ricas e vibrantes que lhe conferem aquele som grandioso e cinematográfico típico das produções de Rafael Trabucchelli.
Sem dúvida, é uma das canções icônicas do compositor e cantor de Cuenca, uma canção que todos nós cantamos abraçados e que gritamos em todas as orquestras que visitaram a cidade nos anos 80.

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