quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

The Strypes: crítica de Snapshot (2013)

 



O primeiro disco do quarteto irlandês The Strypes está longe de ser uma obra-prima ou algo que irá mudar a história do rock. Porém, isso não o torna menos impressionante. Formado por quatro garotos com idades entre 16 e 17 anos, o grupo entrega em Snapshot um rock turbinado com doses generosas de blues, na linha do que era feito pelas bandas inglesas na primeira metade da década de 1960.

O The Strypes causou burburinho quando surgiu, em 2011, trazendo de volta uma sonoridade que parecia perdida. Mas não só isso: além de viajar no tempo, o quarteto apresentava inequívocos sinais de talento. E, após uma série de singles onde regravaram canções de outros artistas, a banda lançou no início de setembro o seu primeiro álbum autoral - nove das doze faixas são de autoria da banda, enquanto as outras três são versões para composições de Willie Dixon, Nick Lowe e Hambone Willie Newbern.

Ouvir Snapshot, guardadas as devidas proporções, é como ouvir o primeiro álbum dos Stones. Ou do The Who. Ou dos Kinks. Ou de qualquer outra banda britânica que tenha iniciado a sua carreira no início da década de 1960 e investia em um som mais sujo e malvado que os conterrâneos Beatles, jogando fartas doses de blues e rhythm & blues na jogada.

Produzido por Chris Thomas (não por acaso um cara com uma longa folha corrida, incluindo trabalhos para ícones como Beatles, Paul McCartney, Pete Townshend, Pink Floyd, Sex Pistols, Badfinger, Elton John e dezenas de outros), Snapshot conseguiu manter a característica esfumaçada dos primeiros singles dos Strypes. A sensação, ao ouvir o disco, é que estamos em um apertado clube londrino assistindo a banda.

Ross Farrely (vocais), Josh McClorey (guitarra), Pete O’Hanlon (baixo) e Evan Walsh (bateria) entregam uma performance convincente em sua estreia. Farrely não é Mick Jagger, mas nada impede que possa voar alto no futuro. McClorey tem muito bom gosto, tanto nos riffs quanto nos solos e texturas. O’Hanlon faz tudo pulsar de maneira constante e ininterrupta, enquanto Walsh soa como o filho perdido de Keith Moon. E, costurando tudo, há a gaita de boca marota de Ross dando o toque final.

Repetindo aqui uma frase dos já citados Rolling Stones: “it’s only rock and roll, but I like it”. Snapshot e o The Strypes são isso mesmo: apenas uma banda de rock and roll sem compromisso, formada por moleques que ainda ostentam espinhas na cara e estão começando a viver as suas vidas. Há ainda um longo caminho pela frente, mas, a julgar pelo primeiro passo, essa banda vai muito longe.

Faixas:
1 Mystery Man
2 Blue Collar Jane
3 What the People Don’t See
4 She’s So Fine
5 I Can Tell
6 Angel Eyes
7 Perfesct Storm
8 You Can’t Judge a Book by the Cover
9 What a Shame
10 Hometown Girls
11 Heart of the City
12 Rollin’ and Tumblin






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