terça-feira, 10 de março de 2026

Cargo – Cargo (1972)

 


Formada em Amsterdam em 1970, inicialmente chamados de “September” os integrantes do grupo já eram bem rodados no cenário musical da cidade tocando com bandas de garagem rock e psicodélico. Depois de varias mudanças na formação e vendo que os trabalhos anteriores não estavam dando o resultado desejado, decidiram mudar o direcionamento musical assim como o nome da banda, passando a se chamar Cargo.
O som é um hard rock cativante, repleto de melodias e longas passagens instrumentais, com destaque para as guitarras gêmeas dos irmãos Ad e Jan de Hont. Entre as influências do Cargo, podemos citar gigantes como Wishbone Ash, Ten Years After e Uriah Heep. A imprensa holandesa acolheu bem o trabalho, mas as vendas foram fracas, o que provavelmente motivou o fim do grupo no mesmo ano de 72.



MUSICA&SOM ☝


“O disco de 1972 é repleto de andamentos maliciosos e riffados selvagens. Bateria e baixo precisamente alinhados fazem a agitação livre que move por puro frenesi majestosos solos de guitarra. O trabalho das guitarras não é algo que beire o surpreendente, mas é explorado ao máximo da amplitude que o redil daqueles talentos lhes permitia alcançar. Em todo o disco há sensatas parcerias harmônicas entre as guitarras, sempre tocadas com garra, musicalidade e senso sonoro. Os trechos com vocais são curtos e bem espaçados, sendo uma presença secundária, porém interessante na trajetória do som.

Em faixas como “Crossfind” e “Summerfair” há o típico groove setentista – wah-wahs, baixo bem marcado e toneladas de cordas de guitarra chacoalhando pulsadamente o ar ao redor com suas vozes ardidas e bárbaras. As reverberações e o fraseado constante em alguns momentos do disco oferecem um poder levemente hipnótico, que induz a vários minutos de extasiamento auditivo, mesclando suavidade e profundidade com muito peso. Contribuem para isso os timbres, que são encantadoramente datados, providos de toda a gordura e fluidez analógica.

De forma geral, não há muito o que destacar individualmente no álbum, que soa como um todo poderoso e original. A impressão que temos no trabalho é que alguém disparou as fitas de rolo e simplesmente deixou a coisa acontecer (o que aconteceu muito bem)!

O relançamento em CD deste disco, realizado em 1993 pelo selo Pseudonym, traz os três singles do September, que também são interessantes, mas possuem uma premissa diferente – ali, a idéia era soar mais como canção e menos como “viagem sonora”, com incursões de teclados e com os vocais capitaneando o som. Há bons momentos, especialmente no single “Chocker/Lydia Purple”, que tem sonoridade bem similar às faixas do disco. “Lydia Purple” é uma balada tocante, memorável. O vinil original da época é uma raridade grande e custará algo que beira o nível do “excêntrico” para ser adquirido.”

01.sail inside
02.cross talking
03.finding out
04.summerfair

Willem de Vries - Vocal e baixo
Ad de Hont - Guitarra
Jan de Hont - Guitarra
Dennis Witbraat - Bateria







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