Christopher Russell Edward Squire (mar/48 - jun/2015) foi o grande baixista do Yes, membro fundador e participante de todos os álbuns lançados entre 1969-2014. Ele é reconhecido como um dos maiores baixistas em todos os tempos, tendo influenciado gerações com seu som incisivo e linhas de baixo melódicas e elaboradamente contornadas. Seu nome é totalmente associado com seu instrumento marca-registrada, o Rickenbacker 4001. Chris Squire nasceu em Londres (região noroeste de Kingsbury), cresceu por lá e regiões vizinhas (Queensbury e Wembley). Seu pai era motorista de taxi e sua mãe era secretária. Jovem, desenvolveu gosto pela música e participou do coral da igreja e da escola. Ele não pensava em carreira musical, até o estouro da Beat Music no início dos anos 60 e o surgimento dos Beatles. Foi um colega de escola quem o indicou o baixo como instrumento ideal para ele por conta de seu corpo alto e mãos grandes. Squire, então, comprou seu primeiro baixo, um Futurama, barato, porém bom para aprender a tocar nele. Em 1964, o diretor da escola suspendeu Squire e um amigo por usarem o cabelo comprido demais. Squire foi para casa e nunca mais voltou. Sua mãe o levou à uma agência de empregos, na qual ele pediu trabalho relacionado à música e conseguiu um vendendo isntrumentos na loja Boosey & Hawkes, na Regent Street. Lá, ele usou um desconto para funcionários e comprou um baixo novo, um Rickenbacker 4001, em 1965.
Sua primeira banda se chamou "The Syn", na praia do R&B, tocando covers, mas depois mudando de direção para o Psych Rock. Uma formação contando com Peter Banks nas guitarras conseguiu uma vaga semanal no Marquee Club, no Soho, seguida por um contrato de gravações com a Deram Records. Chegaram a abrir para o Jimi Hendrix Experience no Marquee e lançaram dois singles ("Created By Clive"/"Grounded" e "Flowerman"/"14 Hour Technicolour Dream"), antes de se separarem. Squire gostava de usar LSD e frequentava o UFO Club sextas à noite até que, numa dessas idas lá em 1967, teve uma "bad trip", ficou desorientado, acabou num hospital por vários dias sem saber quem era, o que era e nada mais. Aquilo o marcou muito. Squire passou vários meses no apartamento de sua namorada com medo de sair na rua. Entretanto, enquanto isso, praticava seu instrumento, o que resultou em seu estilo bem próprio (ele já citou em entrevistas John Entwistle, Jack Bruce, Paul McCartney, Larry Graham e Bill Wyman como suas primeiras influências).
Em set/67, Squire ingressou no Mabel Greer's Toyshop, uma banda psicodélica que incluía o guitarrista Peter Banks, o cantor Clive Bayley e o baterista Bob Hagger. Eles tocaram no Marquee Club e, no La Chasse, bar próximo, Squire conheceu Jon Anderson, um funcionário da casa. Anderson havia tentado ser vocalista da banda "The Gun" e artista solo, porém sem sucesso. Os dois descobriram que tinham interesses musicais comuns (incluindo Simon & Grafunkel, The Association e harmonias vocais). Nos dias seguintes, desenvolveram "Sweetness", canção depois incluída no primeiro álbum do Yes. Squire e Anderson trouxeram o baterista Bill Bruford, o tecladista Tony Kaye e o guitarrista Peter Banks para os ensaios. Era o fim do Mabel Greer's Toyshop e o início do Yes, nome dado por Banks.
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| Banks, Kaye, Bruford, Squire e Anderson |
O primeiro show como Yes foi em ago/68. Squire falou: "Eu não conseguia funcionar bem em outras bandas, porque a maioria dos músicos odiava meu estilo. Eles queriam que eu tocasse algo muito mais básico. Começamos o Yes como um veículo para desenvolver os estilos individuais de cada um". Em jul/69, a banda lançou seu álbum de estreia no qual Squire recebeu crédito por ter composto quatro das oito canções.
Depois que Bruford deixou a banda e foi substituído por Alan White em jul/72, Squire alterou sua forma de tocar para se adequar à mudança na seção rítmica da banda. Ele sentiu que estava "tocando notas demais, embora eu nunca tivesse certeza. Com Bill, as coisas que eu fazia pareciam certas... Com Alan, descobri que era capaz de tocar um pouco menos do que antes e ainda assim tocar transversalmente". Chris Squire se tornaria o único membro a tocar em cada um dos vinte e um álbuns de estúdio lançados pelo Yes entre 1969-2014. Ele passou a ser visto como uma das principais forças por trás da banda e talvez seu membro mais enigmático. Enquanto a maioria das letras era escrita por Anderson, Squire co-escreveu a maior parte da música junto com o guitarrista Steve Howe (que entrou em jun/70, quando o segundo álbum, "Time and a Word", já estava gravado - capas posteriores alternativas mostram uma foto de Howe na formação, mas ele não tocou no disco). Ao longo dos anos, Squire concentrou-se totalmente na música do Yes e produziu pouca coisa solo.
Seu primeiro álbum próprio foi "Fish Out Of Water", de nov/75. No início daquele ano, entre as datas nos EUA e no Reino Unido da turnê de promoção do álbum "Relayer" (de nov/74), do Yes, todos os integrantes concordaram em dar uma parada geral para que cada um gravasse um trabalho solo (Alan White gravou "Ramshackled"; Steve Howe gravou "Beginnings"; Patrick Moraz gravou "The Story Of I" e Jon Anderson gravou "Olias of Sunhillow"). Squire procurou Andrew Pryce Jackman, um amigo de infância e ex-parça de The Syn, que também era tecladista e compositor para ajudá-lo na concepção do álbum, composições e orquestrações (sua participação foi tão significativa que Squire ofereceu-lhe a divisão dos créditos, mas Jackman recusou). "Fish Out Of Water" foi gravado na primavera e no verão de 1975, em dois estúdios, o New Pipers (estúdio caseiro em Surrey do próprio Squire) e no Morgan Studios, em Londres. Alguns dos músicos que Squire utilizou para o projeto foram o baterista Bill Bruford, o tecladista Patrick Moraz, o saxofonista Mel Collins e o flautista Jimmy Hastings (da cena Canterbury). O título escolhido para o álbum era uma referência ao apelido de Squire, "Fish", sendo que "out of water" (fora d'água) era uma referência a ele fazer música fora do Yes pela primeira vez. O álbum foi composto de cinco faixas: "Hold Out Your Hand" (4:13), "You By My Side" (4:59), "Silently Falling" (11:26), "Lucky Seven" (6:54) e "Safe (Canon Song)" (14:56). A introdução de "Hold Out Your Hand" era feita num órgão de tubos da Catedral de St. Paul (tocado pelo organista Barry Rose, outro chapa de infância da dupla Squire/Jackman). Aliás, o órgão seguia por toda a faixa refletindo as experiências dos dois juntos como corista de igreja/escola. O título "Lucky Seven" era uma referência ao ritmo 7/8 (mais usado na música erudita). Uma melódica passagem de "Close To The Edge" aparecia no final da faixa "Safe (Canon Song)". Aliás, o final desta canção era tocado no baixo de uma guitarra de dois braços (guitarra + baixo) usando só os captadores. Pense num mítico álbum perdido do Yes: sim, "Fish Out Of Water" foi o melhor álbum solo que qualquer dos membros da banda já produziu (muitos o consideram melhor que os dois primeiros de Rick Wakeman, "The Six Wives of Henry VIII", de 73, e "Journey to the Centre of the Earth", de 74). Embora nele não participem Jon Anderson e Steve Howe, a maneira como Squire lidou com todas as tarefas (inclusive os vocais e guitarras) demonstra quão essencial ele era para toda a estrutura do Yes. Talvez, você possa pensar: ué, se todos os membros do Yes gravaram álbuns solo como uma saída para as suas canções que não se encaixavam na banda, por que Squire fez um álbum "100% Yes"? Bem, o não criar um disco "diferente" provavelmente apenas revele todo o seu aspecto central na sonoridade do Yes. Então, se você nunca ouviu este álbum, prepare-se, pois trata-se de um trabalho de musicalidade excelente totalmente semelhante ao Yes, com canções excelentes, Prog puro, rico, brilhante, melhor do que metade da discografia da própria banda. Arranjos orquestrais, vocais de Squire no melhor estilo Yes, baixo desbundante, um desfile de músicos de alto calibre. Não espere exibições virutuosísticas de baixo, mas sim qualidade de composições primeira classe. Belas faixas, algo majestosas, permitindo que Squire explore possibilidades confortavelmente. Na época, "Fish Out Of Water" foi o mais aclamado entre aqueles esforços solo, mas ao longo das décadas passou a ser visto como uma obra-prima (soando absolutamente ótimo até hoje) e um disco obrigatório para fãs do Yes.
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