Banda fundada em Stockholm, Suécia, em 1971, que se separou em 1978 e foi se reformar em 2001 (está na ativa até hoje) com uma alteração da grafia, "Kebnekajse". O nome é uma referência à montanha mais alta do país. O guitarrista Kenny Håkansson nasceu em Stockholm, mas cresceu em Solna, uma cidezinha próxima. Sua primeira banda chamou-se "The Agents" e tocava covers de The Shadows. Em 1965, entrou para os "T-Boones", com Göran Malmberg (baixo), Kjell Lagerström (composições, violão e vocais), Pedro Sten Gran e Pelle Ekman (bateria). Os "Baby Grandmothers", em 1967, foram uma continuação dos T-Boones, porém sem Göran, que não pode largar o emprego fixo. Agregaram Bella Ferlin (baixo).
Em 68, tornaram-se "Mecki Mark Men" (junto com Mecki Bodemark, teclados/vocais/violões) e passaram a fazer um Rock psicodélico. Fizeram uma viagem para a Finlândia onde tocaram com a cantora Anki Lindkvist como banda de apoio. Foram presos por porte de substâncias ilegais e foram deportados. Circularam pela então Tchecoslováquia, pela própria Suécia e até uma viagem pelos EUA. Entre 68-70, o Mecki Mark Men gravou três álbuns. No início dos anos 70, Kenny Håkansson virou músico de estúdio, tocou em discos de vários artistas, e pouco depois iniciou o "Kebnekaise" junto com os velhos companheiros do "Baby Grandmothers", Pelle Ekman (bateria) e Bella Ferlin (baixo). O ponto de partida foram algumas canções criadas no final do Mecki Mark Men, mais baseadas em guitarras. Logo agregaram Rolf Scherrer nas guitarras-base.
"Resa Mot Okänt Mål" (trad.: Viagem a um destino desconhecido), de 1971, foi o álbum de estreia (capa feita por Kenny Håkansson e Rolf Scherrer) e se tornou um clássico do Rock sueco (embora seja bem diferente do que viria a seguir). Um Blues Hard Rock baseado em guitarras incendiárias (pense Cream, Mountain), tipicamente britânico, mas com letras esparsas em sueco. Faixas instrumentais e o som único e original de tocar guitarra de Kenny Håkansson (com excelente trabalho de baixo e bateria). Rock simples, pesado e forte. Mas o melhor estava por vir. "Kebnekaise II", de 1973, trouxe uma versão expandida da banda (incorporando membros do grupo "Homo Sapiens", que havia já participado pontualmente na estreia fazendo apenas backing vocals), agora com Mats Glenngård (violino), Ingemar Böcker (violão), Pelle Lindström (violino, gaita e violão), dois baixistas (Göran Lagerberg e Thomas Netzler), dois bateristas (Pelle Ekman e Gunnar "Gurra" Andersson), mais Hassan Bah na percussão e Marit Turid Lundqvist nos vocais. E mais: a música agora era um Prog-Folk tradicional sueco, com uma bela variedade de instrumentos criando climas e atmosferas diferentes a cada canção. Totalmente perceptíveis as raízes Folk suecas, canções longas e com muito espaço para relaxar com interlúdios Prog. Momentos Psych, grande beleza e charme. A gravadora, na época, num comunicado à imprensa, chamou aquela música de "Fiddlers Rock" (Rock de Violinos). Bem, se não fosse pela guitarra característica de Kenny Håkansson, realmente se poderia acreditar tratar-se de uma banda totalmente nova e diferente. Hoje, é reconhecido como um dos melhores álbuns de Folk Rock da Suécia, pioneiro no uso de violinos, uma obra-prima do Prog-Folk da Europa Continental. A presença de nove músicos permitiu muita diversidade. Curiosamente, quase nenhuma faixa era autoral - quase todas eram peças do Folk tradicional adaptadas, desconstruídas e reconstruídas numa versão Prog-Folk moderna. Crescendos, movimentos lentos, busca pelos clímax emocional, instrumentos acústicos e elétricos, tensão e desenvolvimento cadenciado. Melodias Folk, brilho Prog, tons menores, violinos em destaque, musicalidade muito boa, numa experiência auditiva emocionante. Apenas "Comanche Spring" (de mais de 16 minutos) era composição própria (no caso, do violonista Ingemar Böcker), soberba, com longas interações entre violinos, violões, percussões (lembrando, às vezes, um Allman Brothers). Uma mistura única de Folk, Rock, Psych e improvisação, incluindo batidas latinas. Uma joia perdida nos dias de hoje!





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