sábado, 7 de março de 2026

Jay-Z: crítica de Magna Carta ... Holy Grail (2013)

 



Não me importa o que Jay-Z, ou qualquer outro rapper norte-americano, canta em suas letras. Assim como nunca me importou, de modo geral, o que o Led Zeppelin, o Black Sabbath, os Beatles, o Iron Maiden, cantavam em suas músicas. O que me interessa é a melodia, o refrão, os instrumentos, a colagem, o conjunto. Posso estar errado, mas é assim que eu consumo  música. E acredito não ser o único.

Escrevi isso para dizer que, ao ler esse review sobre o novo álbum do marido de Beyoncé, você não irá encontrar uma análise literária sobre o discurso de Jay-Z. A intenção não é essa, e eu nem tenho conhecimento para fazer isso. E, além de tudo, existe uma distância cultural e comportamental que certamente influenciaria esse entendimento. O objetivo é analisar musicalmente o trabalho de Z, a construção que ele entrega em Magna Carta. Aí, a coisa já é outra.

Magna Carta ... Holy Grail é o décimo-segundo álbum de Shawn Corey Carter, provavelmente o mais poderoso - e rico - nome do rap. Como tal, chega cercado de expectativas, e com razão, afinal trata-se do primeiro trabalho solo de Jay-Z em quatro anos, desde The Blueprint 3 (2009) - ele lançou em 2011 o recomendado Watch the Throne ao lado de Kanye West. Produzido por Z ao lado de uma trupe que inclui nomes como Pharrell Williams e Timbaland, Magna Carta é um disco pesado e que transcende o rap. Não se trata de um trabalho exclusivamente do gênero, apesar de poder ser enquadrado como tal. Assim como o último disco do amigo Kanye West, é um trabalho de música eletrônica (menos) contemporânea (mais).

Você, fã de rock como eu, dispa-se de preconceitos. Coloque para rodar “Picasso Baby” e dê de cara com uma base de rachar o chão construída sobre baixo e bateria. Emocione-se com “Holy Grail”, música de abertura, com belíssimas linhas vocais de Justin Timberlake intercaladas com os versos de Carter. Relaxe, coloque o disco para rodar e ouça um trabalho bem feito, com diversos momentos interessantes em suas dezesseis faixas. Sons como “Somewhere in America”, “Versus”, “Jay Z Blue” e “Part II (On the Run)”, essa última com a participação de Beyoncé.

Jay-Z gravou um álbum que tem rap, tem pop, tem jazz, tem funk, tem rock. Em suma, Jay-Z gravou um disco que tem música, porque é exatamente isso que ele faz. Tire as teias de aranha do cérebro, você não vive mais nos anos 1980, quando era comum dizer que um rapper, ou um DJ, não faziam música. Sim, eles fazem, e das boas. Exemplos existem aos montes por aí. Beastie Boys, Chemical Brothers, Moby, Daft Punk, Kanye West, Ice Cube ... a lista não tem fim, e Jay-Z está nela.

Não me importa qual é o discurso de Magna Carta ... Holy Grail. Eu só quero boa música, e isso eu encontro aqui.

Faixas:
1 Holy Grail (Feat. Justin Timberlake)
2 Picasso Baby
3 Tom Ford
4 FuckWithMeYouKnowIGotIt (Feat. Rick Ross)
5 Oceans (Feat. Frank Ocean)
6 F.U.T.W.
7 Somewhere in America
8 Crown
9 Heaven
10 Versus
11 Part II (On the Run) (Feat. Beyoncé)
12 Beach is Better
13 BBC
14 Jay Z Blue
15 La Familia
16 Nickels and Dimes







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