Em Tone Keepers, Rachel Beetz toca flauta de maneiras que sugerem a ação de entidades sobrenaturais. Em cada faixa, ela se concentra em explorar uma única técnica para produzir som com o instrumento, juntamente com uma forma "discreta" de processamento eletrônico. Em "Gate", a flauta passa por um noise gate, permitindo-nos ouvir rajadas de ar, notas graves, guinchos ocasionais e pouco mais. O instrumento se transforma em uma bateria espectral, o silenciamento de sua musicalidade reduzindo a flauta a uma máquina ofegante, ativada pelo vento, que se move como rajadas de ar possuído por uma casa mal-assombrada. Em "Delay", ouvimos uma música de flauta mais convencional; Beetz explora a história mais folclórica do instrumento, criando loops de frases melódicas como se o instrumento tivesse se tornado uma assombração…
…recipiente para um retorno eterno implacável. No outro lado, a flauta se torna um poltergeist, afetando o som mesmo que raramente o ouçamos diretamente.
Tanto "Feedback" quanto "Reverb" empregam técnicas diferentes para fazer a flauta transcender os limites de seu corpo físico e tornar as mãos e a boca que a ativam quase invisíveis, banhando-nos em redemoinhos de timbre diáfano, exalações de graves puros e texturas vítreas e vibrantes. Ambas as peças são simultaneamente belíssimas e desarmantemente arrepiantes, com a extensa execução de flauta de Beetz evocando todo o potencial misterioso do som.
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