quarta-feira, 4 de março de 2026

Tesouros perdidos ( Agitation Free - Alemanha - 1972/1973)

 

Agitation Free - Alemanha - 1972/1973

Em termos musicais, o movimento hippie e a psicodelia, aliados à luta por uma sociedade mais igual e libertária, especialmente na reta final dos anos 60, na América, teve impactos diferentes em cada canto do globo. Numa Alemanha que ainda vivia a ressaca do pós guerra (afinal a reconstrução de um país devastado por uma guerra leva muito mais tempo do que podemos imaginar), a falta de identidade cultural era tremenda. Artistas de todas as áreas se exilaram ou desapareceram no período pré e durante a 2ª Guerra . Com isso, a cultura local foi infestada pelo estrangeirismo. O krautrock foi uma reação espontânea. Ao absorver valores e elementos do que acontecia no mundo, a nova geração de músicos criou uma identidade própria, à base de muito experimentalismo. O grupo Agitation Free é um dos principais frutos desse panorama.

Assim como outros pioneiros, como Kraftwerk, Guru Guru, Neu e Tangerine Dream, o Agitation Free fazia uso da eletrônica para criar colagens interessantes com instrumentos “normais” de uma banda de rock, especialmente a guitarra, que conduz a sonoridade inspirada do quinteto. Até a gravação do primeiro disco, transitaram no conjunto músicos que depois se estabeleceriam no Guru Guru e no Tangerine Dream, ou seja, o Agitation foi uma usina dentro do krautrock. Com dois guitarristas, Lutz Ulrich e


Surgido no final dos anos 60, o nome foi tirado aleatoriamente do dicionário. Mas após algumas apresentações, descobriram que já existia um grupo com o mesmo nome. Adicionaram, então, a palavra free, que daria a conotação de concerto livre, algo muito comum naqueles tempos, aliado ao fato de que o som do grupo tinha como base livres improvisações. O primeiro disco foi lançado em 1972 e recebeu o nome de Malesh, inspirado na turnê que  haviam acabado de fazer por Egito, Grécia e Chipre.

No ano seguinte lançam 2nd, um álbum mais conciso e melódico. Disco climático e muito prazeroso de se ouvir. Repleto de experimentações e sons estranhos, está longe de ser entediante por ser muito equilibrado e melódico. Destaque total para as guitarras, que deixam o som rico e estimulante, algo como viríamos muito depois em bandas como Radiohead. Em Laila partes I e II temos o grande momento do álbum, com todos os instrumentos se entrecortando com brilho, valorizados pelos belos e longos solos de guitarra.


O Agitation Free recebeu muito mais atenção na França do que em seu país de origem. Com menos sucesso comercial do que seus conterrâneos, o grupo encerrou as atividades em 1974. O lançamento do terceiro álbum, devidamente intitulado como Last, aconteceu com a banda já inexistente. O reconhecimento aconteceu posteriormente e vários álbuns foram lançados por gravadoras independentes, a maioria com apresentações ao vivo e outtakes. Em 1998, voltaram a se reunir para uma tour europeia e o lançamento de um novo disco. River of Return saiu em 1999 sem qualquer repercussão. Quem se interessa pela riqueza e história do krautrock não deve deixar de conhecer esse interessante conjunto, especialmente seus dois primeiros discos.




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