Em set/71, finalmente foi lançado "Bark", o sexto álbum de estúdio do Jefferson Airplane. Foi o primeiro sem Marty Balin (que havia saído durante o processo de gravação, mas sem participar das sessões), membro fundador e primeiro líder da banda. Foi também o primeiro com o violinista Papa John Creach e o primeiro sem o baterista Spencer Dryden (substituído por Joey Covington). Foram longos quase dois anos entre "Bark" e seu antecessor, "Volunteers" (de nov/69). Foi também o primeiro pelo selo Grunt Records, criado pela própria banda em associação com a RCA (um selo autônomo para lançamentos relacionados ao Jefferson Airplane). O guitarrista Jorma Kaukonen apareceu com créditos de composição em quatro faixas, indicando sua crescente importância na banda. Aliás, nesta época, ele e o baixista Jack Casady já haviam lançado dois álbuns pelo Hot Tuna, um projeto paralelo. O guitarrista Paul Kantner também já havia lançado seu primeiro trabalho solo, "Blows Against The Empire" (de nov/70). Com tantas mudanças e novidades, "Bark" de fato era menos um trabalho de um grupo e mais uma compilação de canções feitas por todos de maneira isolada, mas uns apoiando os outros (pense no "Álbum Branco", dos Beatles). As canções de Kantner eram épicos de ficção científica que lembravam seu disco solo. As faixas de Kaukonen eram indistinguíveis do seu trabalho no Hot Tuna. As duas contribuições de Grace Slick mantinham suas características típicas e idiossincráticas. A surpresa era a faixa "Pretty As You Feel", surgida de uma jam entre o novo baterista Joey Covington, Casady e Kaukonen. Tudo isso para dizer que havia sim algumas canções excelentes no álbum (além de algumas bem medíocres), mesmo que o todo fosse menos que a soma das partes. Alcançou o nº. 11 das paradas (superando a performance de "Volunteers", dos discos do Hot Tuna e de "Blows Against The Empire"). Com a capa retratando um peixe morto embrulhado numa sacola de comprar de papel, este seria o último álbum devido à RCA no contrato então existente.
Apesar do sucesso contínuo da banda, persistiram grandes divisões criativas e pessoais entre as facções Slick-Kantner e Kaukonen-Casady. ("Third Week In The Chelsea" de Kaukonen, em "Bark", por exemplo, narrava os pensamentos que ele estava tendo sobre deixar a banda.) Esses problemas continuaram a ser exacerbados pelo aumento do uso de cocaína na banda e pelo transtorno de uso de álcool de Slick. Conseqüentemente, embora a banda tenha se apresentado em várias datas em ago/71 em promoção ao álbum (incluindo dois shows na área metropolitana de NYC e um show em Detroit e na Filadélfia), nenhuma turnê foi planejada. Após um concerto/festa privada comemorando a formação da Grunt Records no "Friends and Relationships Hall", em SF/CA naquele set/71, a banda não se reuniria novamente até vários compromissos no meio-oeste em jan/72.
O grupo ainda manteve-se unido por tempo suficiente para gravar mais um álbum, "Long John Silver", iniciado em abr/72 e lançado em jul/72. A essa altura, os vários membros estavam completamente envolvidos com seus vários projetos solo. Após o lançamento de "Sunfighter", da dupla Kantner/Slick, em nov/71 e da estreia solo homônima de Creach em dez/71, o Hot Tuna lançou seu terceiro álbum, "Burgers", em fev/72. Enquanto isso, Covington mergulhou em vários projetos da Grunt Records, incluindo seu próprio álbum solo, "Fat Fandango", lançado em 1973, e as sessões do álbum de estreia de Peter Kaukonen, "Black Kangaroo" (irmão mais novo de Jorma). Covington foi demitido da banda ou saiu por vontade própria logo após o início destas sessões. Com o baterista do Hot Tuna, Sammy Piazza, numa faixa, Covington (que já havia gravado duas partes de bateria) foi logo substituído pelo baterista John Barbata (ex-Turtles e CSNY), que tocou na maior parte do álbum. Barbata foi recomendado ao grupo por David Crosby. "Long John Silver" se destacou por sua capa, que se desdobrava e virava um cinzeiro de charutos (ou de cigarros de maconha como sugeria abertamente a foto interna). Apesar das resenhas medianas, o álbum subiu até a 20ª posição nos EUA, uma posição significativamente mais alta do que "Burgers" (n.º 68) e "Sunfighter" (n.º 89). Gravado em três meses em sessões de alta tensão (com várias canções gravadas por cada membro registrando sua parte separadamente), "Long John Silver" seria o último álbum da banda e o segundo seum Marty Balin. As melhores faixas eram de Paul Kantner, "Twilight Double Leader" e "The Son Of Jesus". Ainda mais do que em "Bark", em "Long John Silver" ficava escancarada as duas facções díspares que existiam no outrora unificado Airplane. Eu ainda destacaria o Blues "Milk Train", com o violino de Creach.
Surpreendentemente, a banda iniciou uma turnê nacional para promover o disco, em 1972, a primeira em quase dois anos. Pouco antes do início da turnê, David Freiberg (que recentemente cumprira pena de prisão por porte de maconha, após deixar o Quicksilver Messenger Service) juntou-se como substituto tardio de Balin. A parte da turnê na Costa Leste incluiu um grande concerto gratuito no Central Park, em NYC, que atraiu mais de 50 mil fãs. Eles voltaram para a Costa Oeste em set/72, fazendo shows em San Diego, Hollywood, Phoenix e Albuquerque. A turnê culminou em dois shows no Winterland Ballroom em SF (21-22 de set), ambos gravados. No final do segundo show, o grupo foi acompanhado no palco por Balin, que cantou os vocais principais em "Volunteers" e a música final, "You Wear Your Dresses Too Short".
Estes shows no Winterland seriam as últimas apresentações ao vivo do Jefferson Airplane (até uma reunião em 1989). Um novo álbum ao vivo, "Thirty Seconds Over Winterland", foi retirado da turnê e lançado em abr/73. Mais tarde naquele ano, Kaukonen e Casady decidiram focar no Hot Tuna como um empreendimento de tempo integral, efetivamente deixando a banda; no entanto, nenhum anúncio oficial foi divulgado. Em dez/73, a RCA rescindiu os salários da banda. Após o sucesso comercial de "Baron von Tollbooth & the Chrome Nun" (álbum lançado em mai/73 e creditado a Kantner, Slick e Freiberg) e "Manhole" (primeiro álbum solo de Grace Slick, lançado em 74), o Jefferson Airplane evoluiu para o Jefferson Starship em jan/74. A formação inicial consistiu nos membros restantes do Jefferson Airplane (Kantner, Slick, Freiberg, Barbata, Creach), o baixista Peter Kaukonen (logo substituído pelo multi-instrumentista britânico Pete Sears, que tocara nos álbuns solo de Creach e Slick) e o guitarrista Craig Chaquico (membro da banda Jack Traylor & Steelwind, da Grunt Records, que tocara nos álbuns solo de Kantner/Slick). Eles se apropriaram do nome já indicado em "Blows Against the Empire", convencidos por Bill Thompson de que manter uma conexão com o passado seria prudente do ponto de vista empresarial. A desintegração estava finalizada.
obs.: nas postagens seguintes, iremos analisar as carreiras solo, os projetos paralelos e a história do Jefferson Starship.





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