Grandes álbuns do Prog-Rock: Ragnarök - "Ragnarök" (1976)
Banda formada em Kalmer, Suécia, em 1972 (não confundir com outras de mesmo nome: há um grupo da Nova Zelândia e há uma famosa banda de Black Metal barra pesada norueguês). Originalmente, eram adolescentes amigos que se uniram para fazer música e se divertir. Tudo começou a partir de Peter Bryngelsson (violões), Henrik Strindberg (guitarra, flauta, sax soprano) e seu irmão Staffan Strindberg (baixo). Mas muitos outros músicos/amigos passaram nesta fase inicial (só baterista, foram sete; teve a cantora Liselott Larsen, entre tantos) até estabilizarem, além dos três-base, com Peder Nabo (violão, piano e flauta) e Lars Peter Sörensson/Stefan Ohlsson (bateria). O nome "Ragnarök" significa "destino" e na crença nórdica refere-se à uma série de eventos que conduzirão ao fim do mundo. A primeira "turnê" aconteceu entre 26-30/dez/73, ou seja, em pleno Natal, feita num ônibus de turismo e passando por estradas secundárias e não pavimentadas (eles tocaram até na Kumlaanstalten, uma prisão no município de Kumla, para uma platéia de detentos). Nesta primeira época, eles tocavam Rocks autorais elétricos, mas quando o repertório acabava passavam a tocar canções acústicas. Estas viagens misturavam turismo, passeio e a curtição de tocar (deixando naqueles jovens a gostosa sensação de estarem se tornando uma banda de verdade). No versão de 74, novas viagens, agora usando uma van Ford Transit.
Nabo, Idemark, Staffan e Henrik Strindberg, Bryngelsson e Liselott Larsen
Henrik Strindberg havia frequentado escola de artes e influenciava todos. Cada apresentação foi se transformando em performances misturando poesia, Rock, jams etc. Tempos de aventura juvenil fazendo viagens, tocando em barzinhos, passeiando pela costa do mar Báltico, curtindo a natureza e a vida jovem. Assim, tudo foi acontecendo até resolverem se profissionalizar em 1975. A Silence Records era uma gravadora sueca que funcionava na capital Stockholm e investia em artistas locais. Anders Lind, da Silence, ofereceu para gravar um álbum com eles. Com Bryngelsson, os dois Strindberg, Nabo e dois bateristas (Lars Peter Sörensson e Stefan Ohlsson), eles registraram um álbum clássico do Prog-Folk Rock.
Música totalmente instrumental, bem acústica, com muito violão, sopros e teclados, criando sensações de solidão e reflexões sobre a vida. Passagens lentas, calmas, multi camadas, por vezes evocando atmosferas melancólicas e transportando o ouvinte para imaginar o amanhecer com a natureza coberta pelo orvalho, riachos ondulantes vindo das montanhas, um certo sentimento de paz e alegria tranquila. Um álbum suave (por vezes, lembrando o Camel, fase "The Snow Goose"), belas melodias, de audição prá lá de agradável (esqueça qualquer vestígio de aspectos sombrios típicos de bandas escandinavas), relaxante, gerando um prazer enorme na audição. Talvez, a classificação como "Folk" não seja a mais adequada. A música tem elementos acústicos sim (muitos violões e flautas, por exemplo), mas há outros ligados ao Soft Jazz, à New Age/Ambient Music e, claro, ao Prog-Rock, tudo interligado de maneira serena e evocativa. De fato, um álbum delicioso, delicado, repleto de vibrações pastorais/bucólicas e muito bonito.
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