segunda-feira, 20 de junho de 2022

Biografia de Clara Nunes

Clara Nunes
 Clara Nunes, nome artístico de Clara Francisca Gonçalves Pinheiro (Paraopeba, 12 de agosto de 1942[2][1]  Rio de Janeiro, 2 de abril de 1983), foi uma cantora e compositora brasileira, considerada uma das maiores e melhores intérpretes do país.

Pesquisadora da música popular brasileira, de seus ritmos e de seu folclore, também viajou para muitos países representando a cultura do Brasil. Conhecedora das músicas, danças e das tradições africanas, ela se converteu à umbanda e levou a cultura afro-brasileira para suas canções e vestimentas. Foi uma das cantoras que mais gravaram canções dos compositores da Portela, sua escola de samba de preferência. Também foi a primeira cantora brasileira a vender mais de cem mil discos, derrubando um tabu segundo o qual mulheres não vendiam discos. Durante toda a sua carreira, vendeu quatro milhões e quatrocentos mil discos.

Foi considerada pela revista Rolling Stone como a nona maior voz brasileira e, pela mesma revista, quinquagésima primeira maior artista brasileira de todos os tempos.

Biografia

Mais jovem dos sete filhos (José, Maria, Ana Filomena, Vicentina, Branca e Joaquim) do casal Manuel Pereira de Araújo e Amélia Gonçalves Nunes, nasceu em uma família muito humilde do interior de Minas Gerais, no distrito de Cedro, à época pertencente ao município de Paraopeba, e que depois emancipou-se com o nome de Caetanópolis. Ali viveu até os quinze anos.

Marceneiro na fábrica de tecidos Cedro & Cachoeira, o pai de Clara era conhecido como "Mané Serrador" e também era violeiro e participante das festas de Folia de Reis. Manuel faleceu vítima de atropelamento em 1944, e sua esposa entrou em depressão e faleceu de câncer em 1948. Aos seis anos, Clara, já órfã de pais, foi criada por sua irmã Maria, apelidada de Dindinha, e por seu irmão José, conhecido como Zé Chilau. Nessa época Clara participava de aulas de catecismo na matriz da Cruzada Eucarística, e cantava ladainhas em latim no coro da igreja.

Segundo as suas próprias palavras, cresceu ouvindo Carmem CostaÂngela Maria e, principalmente, Elizeth Cardoso e Dalva de Oliveira, das quais sempre teve muita influência, mantendo, no entanto, estilo próprio. Em 1952, ainda menina, venceu seu primeiro concurso de canto organizado em sua cidade, interpretando "Recuerdos de Ypacaraí". Como prêmio, ganhou um vestido azul. Aos 14 anos, para ajudar no sustento do lar, Clara ingressou como tecelã na fábrica Cedro & Cachoeira, a mesma para a qual seu pai trabalhara.

Em 1957 teve que se mudar às pressas para Belo Horizonte. Foi morar com sua irmã Vicentina e seu irmão Joaquim, que viviam na casa de uma tia paterna, por causa do assassinato de seu primeiro namorado, cometido no mesmo ano por seu irmão, Zé Chilau, que queria defender a honra da irmã, que estava sendo difamada por este rapaz, pois não aceitou o término do relacionamento, e estava sendo alvo de comentários maldosos na sua pequena cidade natal. Após o crime seu irmão ficou muitos anos foragido, reaparecendo quando Clara já era famosa, e então ela pôde ajudá-lo a não ser condenado pela justiça. Na capital mineira, trabalhava como tecelã em uma fábrica de tecidos durante o dia inteiro, e a noite estudava o curso normal de formação de professoras. Aos finais de semana, participava dos ensaios do coral da igreja, no bairro Renascença, onde vivia com os irmãos, primos e tios. Acabou se afastando do catolicismo, e junto de sua amiga de infância Lalita, começou a frequentar centros espíritas de mesa branca, e converteu-se ao kardecismo, onde conseguiu algumas cartas psicografadas dos pais. Naquela época, conheceu o violonista Jadir Ambrósio, conhecido por ter composto o hino do Cruzeiro. Admirado com a voz da adolescente, Jadir levou Clara a vários programas de rádio, como "Degraus da Fama", no qual ela se apresentou com seu nome de batismo, Clara Francisca.

Surge Clara Nunes

No início da década de 1960, conheceu também Aurino Araújo (irmão de Eduardo Araújo), que a levou para conhecer muitos artistas. Aurino também foi seu namorado durante dez anos. Por influência do produtor musical Cid Carvalho, adotou o nome artístico de Clara Nunes, usando o sobrenome da mãe. Quando solteira se chamava Clara Francisca Gonçalves, depois de casada adotou o sobrenome Pinheiro.

Em 1960, já com o nome de Clara Nunes e ainda trabalhando como tecelã, ela venceu a etapa mineira do concurso "A Voz de Ouro ABC", com a música "Serenata do Adeus", composta por Vinicius de Moraes e gravada anteriormente por Elizeth Cardoso. Na final nacional do concurso realizado em São Paulo, obteve o terceiro lugar com a canção "Só Adeus" (de Jair Amorim e Evaldo Gouveia).

A partir daí, começou a cantar na Rádio Inconfidência de Belo Horizonte. Por conta dos compromissos profissionais na área musical e as constantes viagens, teve de deixar o emprego na fábrica de tecidos e também o colégio. Durante três anos seguidos foi considerada a melhor cantora de Minas Gerais. Ela também passou a se apresentar como crooner em clubes e boates da capital mineira e chegou a trabalhar com o então baixista Milton Nascimento — àquela altura conhecido como Bituca.

Naquela época, fez sua primeira apresentação na televisão, no programa de Hebe Camargo em Belo Horizonte. Em 1963, ganhou um programa exclusivo na TV Itacolomi, chamado "Clara Nunes Apresenta" e exibido por um ano e meio. No programa se apresentavam artistas de reconhecimento nacional, entre os quais Altemar Dutra e Ângela Maria.[nota 1]

Viveu em Belo Horizonte até 1965, quando seu namorado Aurino a orientou, informando que ela teria mais chances de ser famosa se morasse em São Paulo ou no Rio. Como ele tinha família no Rio e conhecia tudo na cidade, Clara sentiu-se mais segura, e decidiu mudar-se para o Rio de Janeiro, vindo de carro com o namorado. Ela alugou um quarto e passou a viver no bairro de Copacabana, onde viu o mar pela primeira vez, ficando encantada, o que lhe deu mais inspiração musical.

Os primeiros discos

Já no Rio, passou a apresentar-se em vários programas de televisão, tais como José MessiasChacrinhaAlmoço com as Estrelas e Programa de Jair do Taumaturgo. Antes de aderir ao samba, cantava especialmente boleros. Além de emissoras de rádio e televisão, ela também se apresentava em escolas de samba, clubes e casas noturnas do subúrbio carioca, onde acabou conhecendo terreiros de religião de matriz africana, optando por deixar o kardecismo e converter-se ao candomblé.

Ainda em 1965, ela passou num teste como cantora na gravadora Odeon e registrou pela primeira vez a sua voz em um LP. O disco foi lançado pela Rádio Inconfidência (onde trabalhou quando morava em Belo Horizonte) e contava com a participação de outros artistas, todos da Odeon.

No ano seguinte, foi contratada por esta gravadora, a primeira e a única em toda a sua vida. Naquele mesmo ano, foi lançado o primeiro LP oficial da cantora, "A Voz Adorável de Clara Nunes". Por insistência da gravadora para que ela interpretasse músicas românticas, Clara apresentou neste álbum um repertório de boleros e sambas-canção, mas o LP foi um fracasso comercial. Em 1968, gravou "Você Passa e Eu Acho Graça", seu segundo disco na carreira e o primeiro onde cantaria sambas. A faixa-título (de Ataulfo Alves e Carlos Imperial) foi seu primeiro grande sucesso radiofônico.

No ano seguinte, a Odeon lançou "A Beleza Que Canta", LP no qual a cantora interpretou "Casinha Pequena", uma canção de domínio público. Ainda em 1969, ganhou o primeiro lugar no "I Festival da Canção Jovem de Três Rios" com a música "Pra Que Obedecer" (de Paulinho da Viola e Luís Sérgio Bilheri) e ainda classificou a canção "Encontro" (de Elton Medeiros e Luís Sérgio Bilheri) na terceira colocação. Ficou em oitavo lugar no "IV Festival Internacional da Canção Popular" com a música "Ave Maria do Retirante" (de Alcyvando Luz e Carlos Coqueijo), que foi lançada naquele mesmo ano em disco homônimo.

Afirmação no samba

Em 1970, se apresentou em Luanda, capital angolana, em convite de Ivon Curi. Nesse mesmo ano, rompeu seu noivado, e desmarcou seu casamento, que ocorreria dentro de poucos meses com Aurino Araújo, após dez anos de namoro, ao flagrar uma traição dele em uma boate. No ano seguinte, a cantora gravou seu quarto LP, no qual interpretou "Ê Baiana" (de Fabrício da Silva, Baianinho, Ênio Santos Ribeiro e Miguel Pancrácio), música que obteve considerável sucesso no carnaval de 1971, e "Ilu Ayê"samba-enredo da Portela (de autoria de Norival Reis e Silvestre Davi da Silva). Na capa do álbum, a cantora mineira fez um permanente nos cabelos pintados de vermelho e passou a partir daí a se vestir com turbante e vestes brancas, roupas que remetem-se às religiões afro-brasileiras. Neste mesmo ano de 1971, deixou o candomblé e se ligou definitivamente a umbanda, frequentando um terreiro do bairro de Madureira, no Morro da Serrinha. Esta foi a religião a qual dedicou-se publicamente com muita  e amor, até o fim de sua vida.

Em 1972, firmou-se como cantora de samba com o lançamento do álbum "Clara Clarice Clara". Com arranjos e orquestrações do maestro Lindolfo Gaya e com músicos como o violonista Jorge da Portela e Carlinhos do Cavaco, o disco teve como grandes destaques as canções "Seca do Nordeste" (um samba-enredo da escola de samba Tupi de Brás de Pina), "Morena do Mar" (de Dorival Caymmi), "Vendedor de Caranguejo" (de Gordurinha), "Tributo aos Orixás" (de Mauro Duarte, Noca e Rubem Tavares) e a faixa-título "Clara Clarice Clara" (de Caetano Veloso e Capinam). Ainda naquele ano, Clara Nunes se apresentou no "Festival de Música de Juiz de Fora" e gravou um compacto simples da música "Tristeza, Pé no Chão" (de Armando Fernandes), que vendeu mais de 100 mil cópias.

A Odeon lançou em 1973 o disco "Clara Nunes". Naquele mesmo ano, a cantora estreou com Vinicius de Moraes e Toquinho o show "O poeta, a moça e o violão" no Teatro Castro Alves, em Salvador. Também em 1973, foi convidada pela Radiotelevisão Portuguesa para fazer uma temporada em Lisboa. Depois, percorreu alguns outros países da Europa, como a Suécia, onde gravou um especial ao lado da Orquestra Sinfônica de Estocolmo para a TV local.

Sucesso comercial

Integrou a comissão que representou o Brasil no "Festival do Midem", em Cannes, em 1974. Por lá, a Odeon lançou somente para o público europeu o disco "Brasília", que foi base para o LP "Alvorecer". Este álbum emplacou grandes sucessos como "Conto de Areia" (de Romildo S. Bastos e Toninho Nascimento), "Menino Deus" (de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro) e "Meu Sapato Já Furou" (de Mauro Duarte e Elton Medeiros).[nota 2] O LP bateu recorde de vendagem para cantoras brasileiras, com mais de 300 mil cópias vendidas, um feito nunca antes registrado no Brasil. Ainda em 1974, a cantora atuou (ao lado de Paulo Gracindo), em "Brasileiro Profissão Esperança", espetáculo de Paulo Pontes, referente à vida da cantora e compositora Dolores Duran e do compositor e jornalista Antônio Maria. O show ficou em cartaz no Canecão até 1975 e gerou o disco homônimo.

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Trecho de "O Mar Serenou" (1975)

Também em 1975, a Odeon lançaria ainda o LP "Claridade". Com grandes sucessos como "O Mar Serenou" (de Candeia) e "Juízo Final" (de autoria de Nelson Cavaquinho e Élcio Soares), este álbum se tornou o maior sucesso da carreira da cantora, batendo o recorde de vendagem feminina e alavancando o samba-enredo da Portela na avenida, "Macunaíma, Herói da Nossa Gente" (de autoria de Norival Reis e Davi Antônio Correia), com o qual a escola classificou-se em 5º lugar no Grupo 1. Ainda naquele ano de 1975, casou-se com seu noivo, com quem estava junto desde 1971, o poetacompositor e produtor Paulo César Pinheiro. Após a união, percorreu diversos países da Europa em turnê e em lua-de-mel.

Clara Nunes gravou o LP "Canto das Três Raças" em 1976. Além da faixa-título (de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro), grande sucesso na carreira da cantora, o disco contava ainda com "Lama" (de Mauro Duarte), "Tenha Paciência" (de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), "Riso e Lágrimas" (de Nelson Cavaquinho, Rubens Brandão e José Ribeiro), "Fuzuê" (de Romildo e Toninho) e "Retrato Falado" (de Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro).

Em 1977, a Odeon lançou o disco "As Forças da Natureza", um álbum mais dedicado ao partido alto. O LP teve como principais destaques a faixa-título (de João Nogueira e Paulo César Pinheiro), "Coração Leviano" (de Paulinho da Viola) e "Coisa da Antiga" (de Wilson Moreira e Nei Lopes). O disco ainda contou com a participação de Clementina de Jesus na faixa "PCJ-Partido da Clementina de Jesus" (de Candeia) e lançou "À Flor da Pele", primeira composição de Clara (feita em parceria com Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro).

Em 1978, foram lançados os álbuns "Guerreira", no qual interpretou vários ritmos brasileiros além do samba — sua marca registrada —, e "Esperança", com destaque para a faixa "Feira de Mangaio" (de Sivuca e Glorinha Gadelha). Ainda naquele ano, participou do LP "Vida boêmia", de João Nogueira, no qual interpretou "Bela Cigana" (de João Nogueira e Ivor Lancellotti), e esteve — ao lado de Chico BuarqueMaria Bethânia e outros artistas — no show do Riocentro, que marcaria a história política brasileira devido à explosão de uma bomba.

Em 1979, participou do LP "Clementina", de Clementina de Jesus. Naquele mesmo ano, a cantora se submeteu a uma histerectomia, após sofrer seu terceiro aborto espontâneo, por causa dos miomas que possuía no útero, que estavam comprometendo muito a sua saúde. Ela tentou diversos tratamentos, tanto médicos quanto espirituais, para tornar-se mãe, mas não obteve respostas satisfatórias. Por nutrir obsessão pela maternidade, a impossibilidade definitiva de engravidar a fez sofrer muito. Nessa época, doou para um orfanato toda a coleção de bonecas que tinha guardado desde a infância, pois sonhava em ter uma filha para presenteá-la com as bonecas que um dia foram suas. O fato de não ter conseguido gerar um filho, causou fortes abalos emocionais, superados pela entrega absoluta à carreira artística, fazendo-a interpretar com muita inspiração músicas belíssimas e de intensa carga emocional.[3]

Últimos anos de vida

Em 1980, gravou o álbum "Brasil Mestiço", que fez sucesso nas emissoras de rádio de todo o país com "Morena de Angola" (composta por Chico Buarque), "Brasil Mestiço, Santuário da Fé" (de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro), "Peixe com Coco" (de Alberto Lonato, Josias e Maceió do Cavaco), "Última Morada" (de Noca da Portela e Natal) e "Viola de Penedo" (de Luiz Bandeira). Ainda naquele ano, a cantora participou dos LPs "Cabelo de Milho" (de Sivuca) e "Fala Meu Povo" (de Roberto Ribeiro), e viajou para Angola representando o Brasil ao lado de Elba RamalhoDjavanDorival Caymmi e Chico Buarque, entre outros.

Gravou em 1981 o LP "Clara", com grande sucesso para a música "Portela na Avenida" (de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro), com a participação especial da Velha Guarda da Portela nesta faixa, e estreou o show "Clara Mestiça" (dirigido por Bibi Ferreira). Ainda naquele ano, a Odeon lançou uma coletânea intitulada "Sucesso de Ouro".

Em 1982, a Odeon lançaria "Nação", o último álbum de estúdio da cantora. O LP teve como destaques a faixa-título (de João BoscoAldir Blanc e Paulo Emílio), "Menino Velho" (de Romildo e Toninho), "Ijexá" (de Edil Pacheco), "Serrinha" (de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro) — uma homenagem dos compositores à escola de samba Império Serrano e ao Morro da Serrinha, reduto do jongo, situadas em Madureira, subúrbio carioca. Ainda naquele ano, apresentou-se na Alemanha ao lado de Sivuca e Elba Ramalho e participou do LP "Kasshoku", lançado no Japão pela gravadora Toshiba/EMI, gravando um especial para a emissora de TV NHK.

Morte

Ver artigo principal: Morte de Clara Nunes

Em 5 de março de 1983, submeteu-se a uma aparentemente simples cirurgia de varizes, mas acabou tendo uma reação alérgica a um componente do anestésico. Clara sofreu uma parada cardíaca e permaneceu durante 28 dias internada na UTI da Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro. Neste ínterim, a cantora foi vítima de uma série de especulações que circulavam nos meios de comunicação sobre sua internação, entre elas: Inseminação artificialaborto, tentativa de suicídio, uso de drogas e violência doméstica, todas comprovadamente falsas.

Na madrugada do sábado de Aleluia de 2 de abril de 1983, a quatro meses de seu 41º aniversário, foi declarada morta em razão de um choque anafilático. A sindicância aberta pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro na época foi arquivada, o que geraria por muitos anos suspeitas sobre as causas da morte da cantora. O corpo da cantora foi velado por mais de 50 mil pessoas na quadra da escola de samba Portela. O sepultamento no Cemitério São João Batista foi acompanhado por uma multidão de fãs e amigos. Em sua homenagem, a rua em Oswaldo Cruz onde fica a sede da Portela, sua escola de coração, recebeu seu nome (antiga Rua Arruda Câmara).

Após a morte

Em 1984, com o enredo "Contos de Areia", a Portela faz uma homenagem à Clara Nunes, sendo campeã naquele ano, juntamente com a Estação Primeira de Mangueira.

Em 1986, a Velha Guarda da Portela interpretou "Flor do Interior" (de Manacéa), uma das muitas músicas feitas em homenagem à Clara Nunes, no disco "Doce Recordação" — produzido por Katsunori Tanaka e lançado no Japão. Outro compositor, Aluísio Machado (da Império Serrano), também compôs a música "Clara" em homenagem à cantora. Em 1988, Maria Gonçalves (irmã mais velha de Clara Nunes, que passou a criar a cantora quando esta tinha apenas quatro anos) reuniu várias peças do vestuário, adereços e objetos pessoais da cantora, e criou uma sala que abriga o acervo de sua obra em um espaço físico com cerca de 120 metros, anexado à creche que leva o seu nome em Caetanópolis.

Em 1989, a gravadora EMI-Odeon produziu a coletânea "Clara Nunes, O Canto da Guerreira".[nota 3] Também naquele ano, o selo WEA lançou para o mercado estadunidense o álbum "O Samba: Brazil Classics 2", com vários artistas e incluindo Clara Nunes.

Três anos depois, a EMI-Odeon lançou "Série 2 em 1", compilação em CD de dois LPs"Brasil Mestiço" e "Nação", e a gravadora norte-americana World Pacific lançou "Best of Clara Nunes" no mercado dos Estados Unidos. Em 1993, o selo Som Livre lançou "Clara Nunes - 10 anos" — em lembrança ao décimo aniversário de morte da cantora — e a EMI-Odeon lançou pela "Série 2 em 1" os discos "Adoniran Barbosa" e "Adoniram Barbosa e Convidados", este último também contou com a participação de Clara Nunes. Esta mesma gravadora lançaria em 1994 as coletâneas "O Canto da Guerreira""O Canto da Guerreira Volume 2" e "Meus Momentos". Também naquele ano, a gravadora Saci lançou o álbum "Homenagem a Mauro Duarte", que contou com a voz de Clara Nunes, uma de suas maiores amigas e a sua principal intérprete.

Em 1995, a Odeon lançou "Clara Nunes com Vida", álbum produzido por Paulo César Pinheiro e José Milton, no qual foram acrescidas as vozes de outros artistas — Emílio SantiagoMartinho da Vila, Chico Buarque, Nana CaymmiRoberto RibeiroJoão BoscoElba RamalhoGilberto GilMilton NascimentoAlcioneMarisa Gata MansaPaulinho da Viola, Ângela Maria e João Nogueira - fazendo duetos com Clara Nunes, e "O Talento de Clara Nunes", outra coletânea.

No ano seguinte, a EMI-Odeon reeditou a obra completa de Clara Nunes, que incluíam 16 discos com as capas reproduzidas do original, remasterizados no Estúdio Abbey Road, em Londres, considerado o melhor do mundo. Três anos depois, a cantora Alcione gravou "Claridade", uma álbum com os maiores sucessos da carreira da amiga. Em 2001, foi apresentado no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, o musical "Clara Nunes Brasil Mestiço", e no ano seguinte foi lançado o livro "Velhas Histórias, Memórias Futuras" de Eduardo Granja Coutinho, no qual o autor faz várias referências à cantora.

Em comemoração aos seus 60 anos, que seriam completados em 2003, a gravadora DeckDisc lançou "Um Ser de Luz — Saudação à Clara Nunes", álbum produzido por Paulão Sete Cordas e que contou a participação de diversos artistas interpretando parte de seu repertório, como Mônica Salmaso ("Alvorecer"), Élton Medeiros ("Lama"), Rita Ribeiro ("Morena de Angola"), Mart'nália ("Ijexá"), Fafá de Belém ("Sem Compromisso"), Renato Braz ("Menino Deus" e "Nação"), Falamansa ("Feira de Mangaio"), Monarco e Velha Guarda da Portela ("Peixe com Coco"), Cristina Buarque ("Derramando Lágrimas"), Dona Ivone Lara ("Juízo Final"), Nilze Carvalho ("A Deusa dos Orixás"), Teresa Cristina ("As Forças da Natureza"), Pedro Miranda ("Candongueiro"), Alfredo Del Penho ("Coisa da antiga"), Wilson Moreira ("O Mar Serenou"), Helen Calaça ("Basta um Dia") e ainda participações de Seu JorgeWalter Alfaiate e Elza Soares, entre outros.[nota 4]

No ano seguinte, a mesma gravadora lançou "Clara Nunes canta Tom e Chico", coletânea na qual compilou algumas gravações de discos anteriores da cantora, entre elas "Apesar de Você""Umas e Outras""Desencontro""Morena de Angola" e "Novo Amor" (todas de Chico Buarque), "Insensatez" e "A Felicidade" (de Tom Jobim e Vinícius de Moraes), além de "Sabiá" (da dupla Tom e Chico).

Em 2006 foi encontrada mais uma interpretação inédita de Clara Nunes. A composição "Quem Me Dera" (de Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho) foi incluída no álbum póstumo de Maurício Tapajós"Sobras Repletas", que também trouxe uma outra composição, também em sua homenagem, desta vez feita em sua homenagem, "Surdina" (de Maurício Tapajós e Cacaso). Em 2007, o jornalista Vagner Fernandes lançou a biografia "Clara Nunes - Guerreira da Utopia", que trouxe entrevistas com vários compositores e intérpretes, entre os quais Chico Buarque, Paulinho da Viola, Alcione, Hermínio Bello de CarvalhoHélio Delmiro, Milton Nascimento, Monarco e Paulo César Pinheiro, além de familiares e amigos.[3][4][5]

Em agosto de 2006, a Prefeitura de Caetanópolis lançou o 1º Festival Cultural Clara Nunes, com o objetivo de desenvolver a cultura no município e região, e também resgatar a obra da cantora. O Festival Cultural Clara Nunes faz parte dos eventos culturais da cidade e todo ano é realizado no mês de agosto, mês de nascimento de Clara Nunes. Em 4 de agosto de 2007, na abertura do 2º Festival, a Prefeitura Municipal de Caetanópolis inaugurou a Casa de Cultura Clara Nunes, onde havia sido o cinema da cidade e onde a Clara se apresentou pela primeira vez. A Casa de Cultura Clara Nunes, administrada pela Secretaria Municipal de Cultura, é local onde se realizam oficinas de dança, música, pintura e teatro, oferecidas gratuitamente à população.

O Instituto Clara Nunes foi fundado em 19 de maio de 2005 pela irmã de Clara, Maria Gonçalves (a Dindinha), conhecida na cidade como Mariquita, e está instalado no mesmo prédio onde funciona a Creche Clara Nunes e o Artesanato Ponto de Luz, que produz tapetes cuja venda ajuda na manutenção da Creche. O Instituto foi criado para administrar e zelar pelo acervo da cantora. Em agosto de 2012 foi inaugurado o Memorial Clara Nunes, com a exposição do acervo.

No dia 23 de maio de 2018, a Portela, escola de samba de coração de Clara, anunciou o enredo em homenagem à cantora para o carnaval de 2019: "Na Madureira Moderníssima, hei sempre de ouvir cantar um sabiá", assinado pela carnavalesca Rosa Magalhães.[6]

Ditadura militar

Documento confidencial do Centro de Informações do Exército, datado de 1971, menciona Clara Nunes em uma lista de artistas que colaboravam com a ditadura militar de 1964 (mais precisamente, segundo o documento, artistas que "se uniram à Revolução de 1964 no combate à subversão" ou "estão sempre dispostos a uma efetiva cooperação com o Governo"). O documento tratava de suposta campanha difamatória realizada por veículos da imprensa contra esses artistas.[7] A informação foi considerada surpreendente por Vagner Fernandes, biógrafo da cantora; segundo ele, Clara não era muito envolvida com política.[8] Ela chegara a gravar versão de "Apesar de você", canção de Chico Buarque com letra crítica ao regime, mas — também segundo seu biógrafo — o fizera sem dar-se conta dessa temática implícita.[9]

Discografia

Ver artigo principal: Discografia de Clara Nunes




Between The Buried and Me - Colors II (2021) - Vale a pena ouvir

Entre O Enterrado e Eu - Cores II (2021)

Em tempos em que renovação e ressignificação se tornaram obrigatórias no cenário musical e artístico diante do cenário de crise mundial vigente,  Between The Buried and Men traz para você um álbum que parece ser o ponto de encontro de toda a experiência e trabalho que a banda conseguiu obter ao longo do tempo; e não uma busca ansiosa para vender um produto em tempos de crise e deixar a porta aberta para passeios futuros (o que é compreensível e válido). A referida obra também é concebida conceitualmente sob seu precedente, “ Colors ” lançado em 2007 e que se tornou um trabalho inédito da banda. Diante disso , o que você estava procurando ao conceber Colors II? Fazbater o primeiro? Pois bem, esta foi a incógnita que finalmente se revelou e a verdade é que conseguiram superar em muito as expectativas geradas desde o seu anúncio, fazendo uma obra cuja "substância" ou componente intangível, mas que colore toda a experiência do álbum, é de natureza magistral e que certamente ficará na história da música progressiva atual. 

ENTRE THE BURIED E ME'S CORES INOVADORAS PARA REEDIÇÃO DE VINIL |  Concórdia

Começamos pelos pianos suaves e nostálgicos em F#m de   Monochrom,  que vai da calma transmitida por Tommy à escalada instrumental cheia de força que a banda nos dá, traçando os primeiros planos dessa majestosa arquitetura musical. “Eu não sou o escritor / É você / Pois estou encharcado de erros e silhuetas / Já estivemos nesta mesma página antes / Juntos / Para sempre / Juntos como um só” é a letra que dá o prelúdio a alguns guturais que não demoram a aparecer, que irradiam enorme poder, intensidade e habilidade. Como de costume na banda, eles mantêm ritmos e polirritmos constantes com bateria extremamente versátil e adaptada às linhas melódicas que são apresentadas por guitarras elétricas muito dinâmicas e linhas de baixo perfeitamente executadas. É preciso destacar a maestria que Dan Briggs tem em relação ao seu som, já que ele não exige distorções excessivas ou agudos volumosos para soar espetacular, como é atualmente a tendência do gênero.

Imediatamente passamos para o segundo tema que se torna a continuação do anterior:  A Dupla Hélice da Extinção . A porta de entrada para a versão mais pesada e agressiva da banda, que se configura pelas diferentes estruturas geradas de tal forma que o ouvinte se insere nessa experiência e se conecta com aquela repugnância e raiva que manifestam  : pele / Queime, deixe queimar / O anúncio – “Diminua sua existência” / Nossa cidade destruiu seu vale / Nossa cidade desprezou seu criador”. A intensidade continua à medida que se entrelaça com os refrões bem cantados; até que os alto-falantes que são tradicionalmente associados como complemento sonoro em músicas de reggaeton soam drasticamente. Sim. enquanto você lê Que maneira altiva de sucumbir ao purismo que reina entre os fãs progressistas, porque esse recurso funcionou maravilhosamente. Depois disso, retomam com um ritmo tribal ou associado a tribos indígenas, para que Dan faça então um solo de baixo muito bem conseguido que transmite essa dissonância inerente à estrutura geral da música. Desta forma, o desenvolvimento deste tema continua; com algumas pausas, momentos com menos tensão em que sintetizadores e acordes de guitarra descem, eles nos dão um pouco de “ pausa” ou repouso perceptivo; baixando a cortina sobre este segundo tema, mas com uma ligação imediata ao próximo:  Revolução no Limbo. Aqui, eles retomam mais uma vez as faixas poderosas, pesadas e complexas que já conhecemos na banda, onde também trazem à tona suas influências diretas do metalcore. O tema é estruturalmente complexo, pois nos  riffs  rítmicos são adicionados que geram a sensação de estar em um vórtice que faz sua cabeça girar. Sem perceber você está no limbo entre a loucura e a sanidade. Com os rosnados ao fundo e os tambores mais intensos do que nunca, você percebe um desconforto reconfortante e vicioso. Como se você estivesse ansioso por isso, Tommy vem em seu socorro com um refrão limpo. Se você me perguntar, um dos melhores que já ouvi:

De novo e de novo / Dia sim, dia não / Seca monótona / Não vivíamos / Só existíamos

Na camada pesada, progressiva e dinâmica há momentos de mais serenidade e calma; dentro do qual temos um interlúdio do próprio Olimpo: Aquele que tem uma aparência majestosa do  mellotron como Windowplane,  que junto com o arpejo de um violão, acaba irradiando aquele mistério e temperamento melancólico do  Opeth. Uma referência gloriosa que colore a experiência deste tema e a eleva a algo que beira o perfeito. Se isso não bastasse, o refrão soa novamente:

De novo e de novo / Dia sim, dia não / Seca monótona / Não vivíamos / Só existíamos

O tema continua com partes pesadas, carregadas de múltiplos jogos, rufos e quebras da bateria com dedilhar das guitarras definindo as notas fundamentais, dando lugar novamente à melancolia opethiana. No entanto, para os últimos minutos da música temos a passagem para um ritmo e estrutura totalmente diferentes: eles caminham para uma mistura entre bolero e balada em  Sim   muito colorido mas ao mesmo tempo suave, com o complemento de um conjunto de acordes em sintetizador e violão mais ligados à música folclórica; terminando com o refrão:

De novo e de novo / Dia sim, dia não / Seca monótona / Não vivíamos / Só existíamos

Um tema multivariado, multissensorial e multiemocional; onde o sentido que querem dar ao álbum se expressa de forma mais concreta nas cores que se podem obter de uma composição tão magistral e criativa como a que acabamos de ouvir.

Fix The Error  é a continuação imediata do tema anterior, onde a bateria rola na caixa, um sintetizador de fundo definindo as linhas melódicas e um solo de baixo com o efeito “wah-wah” incluído. Não demoramos muito para testemunhar a intensidade e o poder da banda, com os guturais; só que dessa vez a música é mais "divertida" ou experimental, no estilo do Mr. Bungle. Este tema apresenta um tema no estilo dos "desenhos animados", onde a história da queda de um rei é contada do ponto de vista de um trabalhador deste; caindo progressivamente da obediência à insurreição.

Este parágrafo é escrito separadamente porque excede epicidade e genialidade. O interlúdio onde a bateria soa conta com a participação de três bateristas:  Mike Portnoy, Navene Koperweis, Kenneth Schalk e, por fim,  Blake Richardson . Este espaço de antologias consiste em os bateristas serem protagonistas absolutos e que, mantendo a pulsação constante com o chocalho, passam a executar um pequeno solo cada um consecutivamente; enfeitando a música com a marca de cada um.

 A música continua com ritmos constantes, mas variando nas linhas melódicas dadas pelas guitarras, passando por momentos mais emocionais e outros onde os sons pesados ​​são retomados. Um tema divertido e é necessário ouvi-lo na companhia do videoclipe oficial da banda.

Com um dedilhado estrondoso em D das guitarras, dá-se o ponto de partida de  Never Seen/Future Shock,  onde desenvolvem uma estrutura rítmica e melódica semelhante às do  Opeth , em que fazem pequenos embelezamentos em cima do riff dominante; com os fechos ou rolos clássicos que dão a seguinte estrutura. O sintetizador ocupa o centro do palco com notas brilhantes e luminosas. Essa estrutura continua firme, com diferentes mudanças rítmicas de  Blake Richardson,  que tem uma importante bagagem de recursos técnicos que permitem que a música passe de uma atmosfera para outra de forma fluida e orgânica, como se não percebêssemos. . Desta forma, passamos para uma parte mais “pop/rock” onde  Tommy canta: “Seus medos e esperanças, eu tomo / Multiplicamos / Abraçamos nossa própria decadência / A tempestade está chegando / Nunca estaremos em paz conosco mesmos / Até que nos separemos”

Abruptamente, como se estivéssemos acordando de um transe tingido de vermelho e laranja crepuscular, nos encontramos frente a frente com a dureza e agressividade da banda, de onde saem riffs poderosos e pastosos que geram uma sinergia espetacular com a bateria; Eles fazem um show do que mais death metal a banda tem. Mais tarde, o ritmo fica mais firme e um tanto “pegajoso”, daqueles que fazem você mexer a cabeça, gerando uma polirritmia primorosa que combina muito bem com todos os instrumentos. Diante da necessidade de equilibrar a música, a banda gera outro espaço mais “calmo”, onde se combinam as cordas acústicas, que depois são acompanhadas por uma instrumentação mais “doom” e nostálgica; terminando com o poder e a serenidade do primeiro interlúdio. Desta forma,

En el mismo espíritu de serenidad que irradia el término del tema anterior, nos dirigimos a  Stare Into The Abyys,  que comienza en un Si mayor muy profundo e introspectivo, a partir del sintetizador tipo choir sobre el cual se inserta unas melodías en sintetizador que complejizan a composição; passando de sons mais saturados para sons de piano mais limpos. Não demora muito para o resto da banda aparecer, sob a direção do baterista que, por meio de uma pausa, faz a música retomar o uso das guitarras como parte da (poli)rítmica, como se elas não conseguiam se desprender dos tambores e caixas. A letra fala sobre a importância de valorizar a vida e o amor que temos: “ Nunca é o suficiente»

Nunca é o bastante / Você vai se arrepender do desejo / Deixe ir e recolha sua vida antes de morrer / Abrace essas memórias / Nós nunca nos arrependemos”. 

Assim, a música segue uma estrutura mais ou menos constante em pouco mais de três minutos, fechando com força e agressividade como estamos acostumados.

Continuamos com a  Pré-história,  tema que dá continuidade à conceituação mais experimental e aos "desenhos" de  Fix The Error , através de sons caricaturais típicos da cultura popular da televisão. Além disso, conta com a participação de um instrumento de cordas, aparentemente o alaúde, que agrega um aspecto exótico e antigo à música. Mais tarde, há um solo de Dan Briggs no baixo, para finalizar pesado e poderoso para a próxima música:  Bad Habits, que mantém a linha melódica no sintetizador que depois é acompanhada pela guitarra para dar lugar ao arsenal instrumental e multivariado que a banda imprime em cada composição. Da mesma forma, os sons acústicos retornam e dão um aspecto mais "próximo" e intimista à música. A presença de diferentes mudanças rítmicas, momentos em que há maior predominância de guitarras e momentos em que os guturais se transformam em fraseados limpos, fazem com que essa música seja composta por diferentes "camadas de som", pois simultaneamente sons de sintetizadores poderiam sobreviver. , eletrônicos e aqueles que eram acústicos como tal; mesmo terminando com sons mais ligados ao  folk metal.  Sem dúvida, ao nível da composição, a banda fez um excelente e exorbitante trabalho.

Continuamos imediatamente com  The Future Is Behind Us, segundo tema do álbum que tem um videoclipe da banda. Nele, uma carta comovente é apresentada e conceitualmente ligada a uma mente que vagueia entre a dor e o desespero. Da mesma forma, o vídeo mostra todos os membros em uma sala branca e tocando seus instrumentos de forma concentrada e em uníssono; com um protagonista Tommy que aparece em diferentes tomadas do vídeo, expressando o conteúdo das letras com seu humor mais de apatia e frieza. Estruturalmente, a música contém diferentes partes, começando com uma parte marcadamente rítmica, onde todos os instrumentos são combinados com um sintetizador um pouco mais dinâmico, com aparições de momentos mais experimentais onde eles tocam com diferentes timbres tanto do sintetizador de Tommy quanto de Dan. Após esta parte, a música fica mais dinâmica e com texturas e cores mais tradicionais da banda; garantindo assim um momento de clímax tanto da música quanto do próprio álbum. Que potência e entrega da banda. Eles elevaram ao máximo suas características identitárias, através de um ritmo vigoroso e nutrido por diferentes riffs, rolls, bumbos e linhas de baixo espetaculares que, com os guturais e gritos ao fundo, recriam um cenário terrível e maravilhoso, ao mesmo tempo .

Como se nada disso fosse real, passamos para um Synth/pop com notas baixas e melodias brilhantes que iniciam  Turbulent. Aqui, a atmosfera é mais calma e nos move para facetas mais rock da banda, com guitarras sutilmente adornando a base rítmica sólida e precisa da bateria e do baixo, enquanto Tommy transita de vocais limpos para seus distintos guturais. A estrutura predominante em F#m é constantemente adornada por diferentes arranjos que cada um faz; o que nos permite vislumbrar que a banda atingiu um nível de  sentimento  e confiança que supera cada membro separadamente. Como se fosse um suspiro efêmero que se dissipa no ar, a música termina com o início imediato de  Sfumato:uma bela peça instrumental atmosférica e muito calmante, que o leva a paisagens com notas e cores frias (graças ao Mi menor predominante), como se você estivesse viajando no meio de um oceano azul coberto de neblina, procurando a entrada para o última parte desta viagem inefável.

Desta forma, chegamos ao tema de longa data do álbum:  Human Is Hell (Another One with Love). Uma suíte que começa de forma enérgica e épica, com os túmulos marcando o ritmo diante dos riffs que as guitarras executam, que estão em sintonia com a agressividade e a potência descritas em alguns momentos líricos: “ The dark water / The horrid incha / Humano é o inferno / Eu tentei superar isso / Suas mãos continuam me arrastando para baixo desta colina”. A música em termos de intensidade não para. Permanece enérgico por cerca de quatro minutos, onde finalmente encontramos um ponto de descanso do maravilhoso refrão que Tommy canta limpo, onde deixa ver uma luz de esperança na humanidade; Admirando a sanidade que / nos mantém humanos / O dia se dissolveu / Com raciocínios sombrios e sorrisos miseráveis”

Alan White, baterista e membro histórico do Yes, faleceu em Maio de 2022

 Alan White, baterista e membro histórico do Yes, faleceu

Uma verdadeira lenda do progressivo e da percussão faleceu em Maio de 2022., Alan White, baterista de longa data das lendas do rock progressivo Yes, morreu aos 72 anos. Que também foi membro da Plastic Ono Band de John Lennon, faleceu hoje após uma "breve doença". De acordo com um post no Facebook de sua família.

Desde 2016, eles restringiram o tempo de Alan no palco com o YES em turnês recentes com Jay Schellen preenchendo e Alan se juntando à banda. O YES dedicará sua turnê de 50 anos Close to the Edge no Reino Unido em junho a White.

White se juntou ao Yes em 1972 e permaneceu seu baterista até sua morte. Ele fez sua estréia com a banda em seu quinto LP, Close to the Edge, de 1972, e tocou em um total de mais de 40 álbuns de estúdio e ao vivo lançados pelo Yes, incluindo mais recentemente, The Quest de 2021 (o 22º álbum). ).White também tinha uma conexão com os ex-beatles. Ele também tocou bateria e piano no single autônomo de Lennon "Instant Karma", e contribuiu com bateria para o álbum All Things Must Pass do colega ex-Beatle George Harrison.

É com profunda tristeza que o YES anuncia que Alan White, seu muito amado baterista e amigo de 50 anos, faleceu, aos 72 anos, após uma curta doença", diz um comunicado publicado no Facebook. “A notícia chocou e surpreendeu toda a família YES. Alan estava ansioso para a próxima turnê no Reino Unido, para comemorar seu 50º aniversário com o YES e seu icônico álbum Close To The Edge, onde a jornada de Alan com o YES começou em julho de 1972. Ele recentemente celebrou o 40º aniversário de seu casamento com sua amada esposa. Gigi. Alan faleceu, pacificamente em casa.

Poemas cantados de Chico Buarque

Chico Buarque

 Os Argonautas

Chico Buarque

O Barco!

Meu coração não aguenta

Tanta tormenta, alegria

Meu coração não contenta

O dia, o marco, meu coração

O porto, não!...


Navegar é preciso

Viver não é preciso...(2x)


O Barco!

Noite no teu, tão bonito

Sorriso solto perdido

Horizonte, madrugada

O riso, o arco da madrugada

O porto, nada!...


Navegar é preciso

Viver não é preciso (2x)


O Barco!

O automóvel brilhante

O trilho solto, o barulho

Do meu dente em tua veia

O sangue, o charco, barulho lento

O porto, silêncio!...


Navegar é preciso

Viver não é preciso...(6x)



Palavra de Mulher

Chico Buarque

Vou voltar

Haja o que houver, eu vou voltar

Já te deixei jurando nunca mais olhar para trás

Palavra de mulher, eu vou voltar

Posso até

Sair de bar em bar, falar besteira

E me enganar

Com qualquer um deitar

A noite inteira

Eu vou te amar


Vou chegar

A qualquer hora ao meu lugar

E se uma outra pretendia um dia te roubar

Dispensa essa vadia

Eu vou voltar

Vou subir

A nossa escada, a escada, a escada, a escada

Meu amor eu, vou partir

De novo e sempre, feito viciada

Eu vou voltar


Pode ser

Que a nossa história

Seja mais uma quimera

E pode o nosso teto, a Lapa, o Rio desabar

Pode ser

Que passe o nosso tempo

Como qualquer primavera

Espera

Me espera

Eu vou voltar



Pedaço de Mim

Chico Buarque

Oh, pedaço de mim

Oh, metade afastada de mim

Leva o teu olhar

Que a saudade é o pior tormento

É pior do que o esquecimento

É pior do que se entrevar


Oh, pedaço de mim

Oh, metade exilada de mim

Leva os teus sinais

Que a saudade dói como um barco

Que aos poucos descreve um arco

E evita atracar no cais


Oh, pedaço de mim

Oh, metade arrancada de mim

Leva o vulto teu

Que a saudade é o revés de um parto

A saudade é arrumar o quarto

Do filho que já morreu


Oh, pedaço de mim

Oh, metade amputada de mim

Leva o que há de ti

Que a saudade dói latejada

É assim como uma fisgada

No membro que já perdi


Oh, pedaço de mim

Oh, metade adorada de mim

Lava os olhos meus

Que a saudade é o pior castigo

E eu não quero levar comigo

A mortalha do amor

Adeus




Muse apresentou ao vivo 'Kill or be Killed', a quarta nova música de seu álbum 'Will of the People'

 

Chama-se 'Kill or be Killed' e é a quarta música nova que o Muse avança de seu álbum 'Will of the People', que será lançado em 26 de agosto.

Oficialmente, eles apresentaram 'Won't Stand Down', 'Compliance' e aquele que dá nome ao álbum, com videoclipes incluídos, mas em seus últimos shows ao vivo na Europa eles mostraram mais um novo.

Oferecemos a você no player localizado nessas linhas, com áudio filtrado, para melhorar a qualidade do som.

Muse tem estado estes dias em festivais da Europa Central como Rock im Park (Nuremberg) ou Rock am Ring (Nürburgring). Em breve passarão pela Áustria, no festival Nova Rock em Nickelsdorf, na Áustria.

Na música 'Kill or be Killed', o Muse mais uma vez nos mostra seu lado mais duro, próximo de ser um metalhead, e com uma sonoridade mais típica de seus primórdios. Coisas que já pudemos ouvir em 'Won't Stand Down', uma música onde por sinal eles até ousaram com as vozes guturais e extremas.

Mais tarde, tanto 'Compliance' quanto 'Will of the People' nos deixaram com um som mais atualizado tanto do Muse quanto das tendências atuais.

Seus 3 temas avançados:

'Vontade do Povo'

'Observância':

'Não vai desistir':

Este novo esforço de estúdio, 'Will of the People', será o nono do Muse e chegará em agosto após 'Simulation Theory' de 2018, um álbum inspirado na cultura e música dos anos 1980.

A Muse ofereceu anteriormente os discutidos 'Drones' (2015) e 'The 2nd Law' (2012). Uma transição de estilo que já era perceptível em 'The Resistance' (2009), embora tenha sido um trabalho que ainda satisfez os fãs clássicos, que elogiaram sua mistura de rock progressivo com novas tendências musicais.

Os sevilhanos Zahorí lançam uma campanha para financiar o seu segundo emprego

Zahorí , banda andaluza de rock progressivo e psicodélico, formada por Jarri García, Paco Cotán e o vocalista recém-incorporado Adrián Simón , iniciou uma campanha de financiamento para a publicação de seu segundo álbum, prevista para outubro deste ano.

Em setembro de 2021, e com fortes influências de Pink Floyd, Triana, Led Zeppelin ou Supertramp , a banda Aljarafe lançou seu primeiro trabalho, 'Preso y Animal', um álbum que apresentava uma proposta iniciante e primitiva, embora elaborada com longos desenvolvimentos e engajados Letra da música.

Neste segundo esforço, conceptual e com 5 canções, sob o curioso título de 'El Doctor Don Worry y los Don Worry Doctor's', a banda constrói definitivamente a sua sonoridade e enriquece-a com essências funk e nuances andaluzas perfeitamente integradas no seu progressivo e música psicodélica.

crowdfunding continuará ativo ao longo deste mês de junho e a intenção é financiar a gravação, o design gráfico (com capa de Candela Folch), a masterização do álbum e as cópias da sua primeira edição. A contribuição dos mecenas irá variar em função, como é habitual, das recompensas que cada um considerar, desde a cópia digital, a cópia física ou a presença em concertos e o mestre musical na sua sala de ensaios.

Você pode acessar seu Verkami pessoal com informações completas sobre este projeto em:

Merece a pena.

Lista de faixas do álbum 'El doctor don Worry y los don Worry's doctor's':

1. Doutor Don Worry e o Don Worry médico
2. Amanhecer
3. O abstractrestre
4. Oração
5. Anoitecer

Tópicos anteriores para você conhecê-los:

Destaque

Alice Cooper Love It To Death (1971)

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