terça-feira, 21 de junho de 2022

Biografia de Dionne Warwick

Dionne Warwick

 Marie Dionne Warwick Embaixador(a) da boa vontade da FAO (East Orange, Nova Jérsei, 12 de dezembro de 1940) é uma cantora norte-americana. É prima da cantora Whitney Houston, irmã de Dee Dee Warwick e sobrinha de Cissy Houston.[1] Ganhou fama como a intérprete preferida dos compositores Burt Bacharach e Hal David. Ambos a presentearam com uma série de sucessos. Com mais de 50 anos de carreira, estima-se que tenha vendido mais de 100 milhões de cópias de seus discos.

Biografia

Cresceu ouvindo e cantando gospel, estilo que incorporaria de maneira vibrante em seu modo de cantar. Em 1963 emplacou o clássico soul "Don't Make Me Over", chamando a atenção de David e Bacharach, que estavam procurando a voz ideal para suas sentimentais baladas. Com ela, rapidamente várias músicas que a dupla escreveu se tornaram sucesso com a sua voz, como "Walk On By", "Do You Know The Way To San Jose?", "Alfie" e "I'll Never Fall In Love Again". Entretanto, outras da autoria de David/ Bacharach ficaram consagradas nas vozes de outros artistas, porém, gravadas primeiramente por Dionne durante os anos 60, como "(They Long To Be) Close To You", "Raindrops Keep Fallin' on My Head", "What The World Needs Now", "The Look Of Love", entre outras, além de "I Say A Little Prayer", que apesar de ter feito sucesso na voz de Aretha Franklin, é uma música consagrada por Dionne, e uma das mais requisitadas pelos seus fãs.

Após toda a fama obtida durante os anos 60, o trio se desfez no início dos anos 70 e a carreira de Dionne deu uma pausa,não conseguindo obter êxitos mesmo lançando discos, com exceção do hit "Then Came You". Somente no final da década, precisamente em 1979, que ela voltou com força total lançando o álbum Dionne, produzido por Barry Manilow. Este não trouxe apenas músicas notáveis, mas sim, um dos maiores hits de toda a sua carreira: "I"ll Never Love This Way Again". Outras canções que também tiveram certa popularidade foram "Deja Vu" e, em especial no Brasil, "Feeling Old Feelings".

Todo esse sucesso de 1979 permaneceu logo no primeiro ano da década de 80, graças ao novo hit "No Night So Long", do álbum de mesmo nome. Em 1982, Barry Gibb dos Bee Gees, que já declarou ser grande fã da cantora, decidiu produzir um álbum para Dionne chamado Heartbreaker, contando com várias participações do cantor tocando violão assim como fazendo backing vocal. Esse disco trouxe uma música que foi sucesso em todo o mundo e não pode faltar em seus shows: "Heartbreaker".

Outros êxitos notáveis da cantora durante os anos 80 foram "It’s You", dueto com Stevie Wonder em 1985, da trilha sonora do filme "A Dama de Vermelho" e também "Love Power", dueto com Jeffrey Osborne em 1987. Dionne também participou de duas músicas beneficentes, ambas em 1985: We Are The World, fazendo parte dos USA For Africa ao lado de várias estrelas da música americana e também That's What Friends Are For, ao lado de Stevie WonderElton John e Gladys Knight, escrita pelo seu velho amigo Burt Bacharach em conjunto com Carole Bayer Sager. Em 1990, Dionne lançou um disco que reverencia um grande músico norte-americano: Cole Porter, destacando a música "Begin The Beguine".

É grande admiradora da música brasileira, e além de uma casa de veraneio na Bahia e outra no bairro do Jardim Botânico no Rio de Janeiro Dionne apresenta-se com certa regularidade ao lado de intérpretes de renome, como Ivan LinsSimoneJorge Ben Jor, entre outros e comparecendo muitas vezes ao Programa do Jô e 3 vezes no Domingão do Faustão.[2]

No ano de 1992 fez participação no disco do cantor brasileiro José Augusto, onde cantou com ele uma música inédita chamada "Quase um sonho" tal canção o programa da Rede Globo "Fantástico" fez um clipe para eternizar o encontro.

Problemas financeiros

Em março de 2013 Warwick deu entrada num pedido de falência pessoal junto à Corte de Falências de Nova Jersey, alegando incapacidade de pagar suas dívidas. Warwick deve impostos acumulados desde a década de 90, e declarou que tem um patrimônio total de US$ 25,5 mil para uma dívida de US$ 10,7 milhões, a maioria dela junto ao Serviço Interno de Arrecadação (correspondente à Receita Federal nos Estados Unidos) e com o estado da Califórnia. Seu advogado alegou que as finanças de Warwick foram mal administradas pelo ex-empresário da cantora e as multas provenientes das dívidas nos últimos 15 anos a tornaram impagável.[3]

Discografia

  • 1963 Presenting Dionne Warwick
  • 1964 Anyone Who Had a Heart
  • 1964 Make Way for Dionne Warwick
  • 1965 The Sensitive Sound of Dionne Warwick
  • 1966 Here I Am
  • 1966 Dionne Warwick in Paris
  • 1967 Here, Where There Is Love
  • 1967 Dionne Warwick Onstage and in the Movies
  • 1967 The Windows of the World
  • 1968 Dionne Warwick in Valley of the Dolls
  • 1968 Magic of Believing
  • 1968 Promises Promises
  • 1969 Soulful
  • 1969 Dionne Warwick's Greatest Motion Picture Hits
  • 1970 I'll Never Fall in Love Again
  • 1970 Very Dionne
  • 1971 The Dionne Warwick Story: Live
  • 1972 Dionne
  • 1972 From Within
  • 1973 Just Being Myself
  • 1975 Then Came You
  • 1975 Track of the Cat
  • 1977 A Man and a Woman (w/ Isaac Hayes)
  • 1977 Only Love Can Break a Heart
  • 1977 Love at First Sight
  • 1979 Dionne
  • 1980 No Night So Long
  • 1981 Hot! Live and Otherwise
  • 1982 Friends in Love
  • 1982 Heartbreaker
  • 1983 How Many Times Can We Say Goodbye
  • 1985 Finder of Lost Loves
  • 1985 Friends
  • 1985 Without Your Love
  • 1987 Reservations for Two
  • 1989 Dionne Warwick Sings Cole Porter
  • 1993 Friends Can Be Lovers
  • 1995 Aquarela Do Brasil
  • 1998 Dionne Sings Dionne
  • 2000 Dionne Sings Dionne Vol. II
  • 2004 My Favorite Time of the Year
  • 2006 My Friends & Me
  • 2008 Why We Sing
  • 2011 Only Trust Your Heart
  • 2012 Now - A Celebratory 50Th Anniversary Album
  • 2014 Feels So Good
  • 2019 She's Back
  • 2019 Dionne Warwick & The Voices of Christmas

Singles Número Um

  • 1970: I'll Never Fall in Love Again
  • 1979: Deja Vu
  • 1980: No Night So Long
  • 1982: Heartbreaker
  • 1985: That's What Friends Are For
  • 1987: Love Power

Filmografia

  • 1969: Slaves
  • 1977: The Day the Music Died
  • 1988: Rent-a-Cop
  • 2002: The Making and Meaning of 'We Are Family' (documentário)
  • 2017: Let There Be Light

Prêmios e indicações

A cantora americana volta ao Brasil para o show que comemora cinco décadas de carreira. Única apresentação dia 24 de março, às 21 horas, no Guairão.

Ganhadora de cinco prêmios GRAMMY, Dionne Warwick se tornou um dos pilares da cultura e música pop americana. A carreira que celebra 50 anos de sucessos, a transformou em um dos ícones da música internacional com 100 milhões de discos vendidos.

Ela recebeu o primeiro prêmio GRAMMY em 1968 por You Know The Way To San Jose, e um segundo GRAMMY em 1970, com o álbum mais vendido, I’ll Never Fall In Love Again. Foi a primeira artista solo feminina afro-americana de sua geração a ganhar o prêmio de Best Contemporary Female Vocalist Performanc”. Também foi uma das primeiras a popularizar temas de filmes clássicos como A House is not a Home, Alfie, Valley of the Dolls e The April Fools.






Biografia de Diogo Piçarra

Diogo Piçarra


 Diogo Miguel Ramires Piçarra (Faro, 19 de outubro de 1990),[1] conhecido publicamente como Diogo Piçarra, é um cantor português. Diogo venceu a edição de 2012 do talent show Ídolos,[2] sendo, a par de Fernando Daniel, o vencedor de uma edição de talent shows televisivos portugueses decorridos nas décadas de 2000 e 2010 que maior sucesso alcançou na área musical.

Biografia

Diogo concorreu ao programa da SIC Ídolos, em 2009 (edição em que o cantor chegou à fase de piano), e na Operação Triunfo, em 2010, mas sem resultados significativos.

Desde cedo começou a sua paixão pela música e com 17 anos criou a banda Fora da Bóia juntamente com Tiago Brito, Márcio Marreiros, Diogo Simão, Wilson Pires que durou até 2011[carece de fontes]. O ponto alto dos Fora da Bóia foi durante lançamento do ep "" "49,5 " com temas como "Soma e segue" “O dia a seguir“ “Lado bom e mau" "Jazida" "Doce alivio" “ Marca" entre outros, tendo alguns desses mesmo temas passado em radios nacionais como Antena 3 e Best Rock Fm. A banda durou 4 anos e tocou por todo o país tendo participado e ganho alguns concurso de bandas na época obtendo sucesso significativo dentro e fora da região do Algarve. Diogo teve de deixar a banda para prosseguir com a licenciatura, que terminou numa universidade na República Checa.

Em 2012, venceu a 5.ª edição do concurso Ídolos. Como prémio ganhou um automóvel, uma bolsa de estudo na London Music School e a gravação de um álbum para a editora Universal.

Em 2015, lançou o seu álbum de estreia, Espelho, produzido por Fred Ferreira, responsável por trabalhos de bandas como Orelha Negra, Buraka Som Sistema e Banda do Mar. Foi convidado musical do primeiro episódio da telenovela Poderosas, da SIC, emitido em maio de 2015. Ainda em 2015, protagonizou ainda a campanha comercial de regresso às aulas dos hipermercados Continente, com "Café Curto", um tema de Espelho.

Após a vitória de João Couto na 6.ª edição do Ídolos, o mesmo cantou uma música composta por Diogo Piçarra, com o nome de "Chama Por Mim".

A 17 de fevereiro de 2016, Diogo lançou um livro intitulado "Diogo Piçarra em Pessoa".

Concerto de Diogo Piçarra em Mirandela, agosto de 2016

Em abril de 2017, lança o seu segundo álbum, do=s ("dois"), que contém colaborações com os vocalistas portugueses Valas e April Ivy. Esse seu álbum foi escrito e composto pelo próprio Diogo Piçarra. Um dos singles do álbum, "História", acabou por tornar-se single de ouro.[3] Mais tarde, nesse mesmo ano, reedita do=s com mais sete temas, incluindo "90", "Entre as Estrelas" - um single do rapper português Jimmy P em que Diogo participa -, assim como o single do grupo Karetus a que emprestou a voz, "Wall of Love" e uma cover de "Can't Help Falling In Love", tema de Elvis Presley.

Tanto Espelho como do=s lideraram a tabela de álbuns portuguesa nas respetivas semanas de lançamento.[4][5]

As músicas que, segundo o próprio, lhe fizeram sentir mais sentimentos durante a sua carreira foram "Volta" & "Entre As Estrelas".

Concorreu ao Festival RTP da Canção de 2018, na segunda semifinal, tendo sido o primeiro classificado na mesma e passando à final, com o tema "Canção do Fim". Porém, depois foi acusado de plagiar na mesma canção um tema de 1976 interpretado pelos The Maranatha Singers, "Open Our Eyes"[6] e, mesmo recusando o plágio, Piçarra acabou por anunciar a sua desistência do festival.[7] "Canção do Fim" era tida como a favorita à vitória no Festival RTP da Canção de 2018.[carece de fontes]

Também em 2018 lançou o seu segundo EP, Abrigo, e um álbum ao vivo, Coliseus - Ao Vivo, gravado em outubro de 2017.[8]

Em 2019, trabalhou como produtor no álbum Despedida, da cantora galega Sabela Ramil.[9] Em novembro de 2019, o artista lançou o seu terceiro álbum de originais, South Side Boy. Segundo Diogo Piçarra, o álbum "simboliza os nossos medos, as nossas falhas, as nossas inseguranças e dúvidas".[10]

Em 2021 lança uma "atualização" do seu álbum South Side Boy, com as músicas "Promessas", uma com e sem Infante, "Chama-me" e "Silêncio", esta também em versão acústica. Nesse álbum lança também as versões ao vivo de "Noites", "Coração", "Diferente", "Normal" e "Escuro". A este "álbum atualizado" entitula-o de "South Side Boy Extra".

Em 2021, lança dois novo singles: "Monarquia", que conta com a participação de Bispo, e "Vem Dançar Comigo".

Vida pessoal

Diogo tem um irmão gémeo chamado André Piçarra, a quem dedicou o tema "90" (referência ao ano em que ambos nasceram, 1990), lançado em outubro de 2016.[11]

Os pais de Diogo chamam-se Alda e Fernando.

A sua namorada é Melanie Jordão, estudante de maquilhagem e styling.[12] Em 3 de Março de 2020, Melanie teve a primeira filha do casal, chamada Penélope.[13]

Em 2017, Diogo tatuou a cara do falecido Chester Bennington, dos Linkin Park, para lhe prestar homenagem, mencionando Chester como um dos seus heróis de infância. A 3 de Março de 2020 Diogo foi pai de uma menina chamada Penélope.

Em 2020/2021, faz uma parceria com a revista Men's Health, com o intuito de transformar o seu corpo e a sua mente, tornando-o mais saudável. Demorou 4 meses a atingir o objetivo (de novembro de 2020 a março de 2021).

Discografia

Álbuns e EP de estúdio

  • Sessions (EP, Universal, 2014)
  • Espelho (álbum, Universal, 2015) [Disco de platina]
  • do=s (álbum, Universal, 2017) [Disco de ouro]
  • Abrigo (EP, Universal, 2018)
  • South Side Boy (álbum, Universal, 2019)

Álbuns ao vivo

  • Coliseus - Ao Vivo (Universal, 2018)




segunda-feira, 20 de junho de 2022

CORAÇÃO DO SAMBA

 Coração do Samba. Documentário

Coração do Samba: O Coração do Samba é um documentário musical sobre o ritmo contagiante das baterias das escolas de samba, sua origem, instrumentos, os diferentes naipes e sua evolução.

O documentário começou a ser filmado no ano de 2004 e e foi concluído no carnaval de 2011. O filme tem, como foco, a bateria da Mangueira pois sendo esta a mais tradicional das nossas escolas, é a única que mantém uma característica própria no som de sua bateria — a batida única do surdo (todas as demais têm a batida de segunda e de terceira).

Coração do Samba

Coração do Samba. Documentário
Coração do Samba. Documentário

O documentário revela, pela primeira vez num filme, as entranhas desta orquestra formada por pessoas sem nenhuma formação musical: os diferentes regentes da orquestra, a comunicação entre eles durante as apresentações e ensaios, os diferentes naipes, a manutenção dos instrumentos ensinada de pai para filho, e a importância que esta manifestação cultural tem nas suas vidas.

Partideiros 1978

A bateria é o lugar de maior prestígio na escola. Os mestres de bateria são respeitadíssimos na comunidade. Pertencer à bateria é quase como um instrumento de poder e ascensão social.

Ali também acontecem frustrações e tensões. Na apuração do jurado do desfile das escolas de 2004, a bateria da Mangueira recebeu todas as notas abaixo de 10. Uma grande derrota. Naquele ano, o presidente da bateria foi assassinado pelo tráfico, supostamente porque a rainha da bateria eleita não era a candidata do tráfico.

Com o intuito de revelar as entranhas da orquestra que rege um dos maiores espetáculos do mundo, a bateria da escola de samba, o documentário de Thereza Jessouroun centra suas lentes na bateria do Grêmio Recreativo Estação Primeira de Mangueira e aproveita os depoimentos do filho do fundador da bateria da escola, Elmo dos Santos.

Documentário Fala Mangueira de 1981

Mostrando toda a exuberância da musicalidade e da paixão da escola de samba e sua percussão, a obra explora o passado e o presente dessa tradição que passa de pai para filho, mostrando os ensaios nas ruas, na quadra da escola e no Sambódromo, desde a afinação dos naipes até a manutenção dos instrumentos, responsáveis por um ritmo arrebatador.

BEZERRA DA SILVA CANTA PAI VÉIO

 Bezerra da Silva canta Pai Véio

Bezerra da Silva canta Pai Véio: Bezerra da Silva canta com seu humor característico a música ‘Pai Véio’.

Bezerra da Silva canta Pai Véio

Qué falá com pai véio vem agora
Porque pai véio já qué ir se embora
Qué falá com pai véio vem agora
Porque pai véio já qué ir se embora

Ih mai meu fio tá todo macumbado
As piranhas estão te devorando
Não tem um lugar nem prá dormir
E ainda meu fio mora andando
Escute o que o véio vai falá
E num papé tú vai iscrivinhando

Qué falá com pai véio vem agora
Porque pai véio já qué ir se embora
Qué falá com pai véio vem agora
Porque pai véio já qué ir se embora

Ih, mai me traga oito quilo di feijão
Deis galinha bem gorda e bem pelada
Deis quilo de arroz e macarrão
E deis lata de doce de marmelada
Deis garrafa de vinho do bonzão
Que a tua mironga tá curada

José Bezerra da Silva (Recife, 23 de fevereiro de 1927 — Rio de Janeiro, 17 de janeiro de 2005) foi um cantor, compositor, violonista, percussionista e intérprete brasileiro dos gêneros musical coco e samba, em especial de partido-alto.

Bezerra da Silva canta Pai Véio
Bezerra da Silva – Pai Véio

No princípio, dedicava-se a gêneros nordestinos, principalmente o coco até se transformar em um dos principais expoentes do samba nos anos seguintes. Através do samba, cantou sobre os problemas sociais encontrados dentro das comunidades, se apresentando no limite da marginalidade e da indústria musical. Estudou violão clássico por oito anos e passou outros oito anos tocando na orquestra da Rede Globo, sendo um dos poucos partideiros que lia partituras,

Gravou seu primeiro compacto em 1969 e o primeiro disco em 1975, de um total de 28 álbuns lançados em toda a carreira que, somados, venderam mais de 3 milhões de cópias. Ganhou 11 discos de ouro, 3 de platina e 1 de platina duplo. Apesar de ter sido um dos artistas mais populares do Brasil, foi um artista bastante ignorado pelo “mainstream”.

A partir da série Partido Alto Nota 10 começou a encontrar o público. O repertório dos discos passou a ser abastecido por autores anônimos (alguns usando codinomes para preservar a clandestinidade) e Bezerra. Antes do Hip Hop brasileiro, ele passou a mostrar a sua realidade em músicas como: “Malandragem Dá um Tempo”, “Sequestraram Minha Sogra”, “Defunto Caguete”, “Bicho Feroz”, “Overdose de Cocada”, “Malandro Não Vacila”, “Meu Pirão Primeiro”, “Lugar Macabro”, “Piranha”, “Pai Véio 171”, “Candidato Caô Caô”. Em 1995 gravou pela gravadora CID “Moreira da Silva, Bezerra da Silva e Dicró: Os Três Malandros In Concert”, uma paródia ao show dos três tenores, Luciano Pavarotti, Plácido Domingo e José Carreras.

História do Choro

História do Choro

choro, popularmente chamado de chorinho, é um gênero de música popular e instrumental brasileira surgido no Rio de Janeiro em meados do século XIX. Conheça aqui os principais fatos da História do Choro.

O choro pode ser considerado como a primeira música urbana tipicamente brasileira e ao longo dos anos se transformou em um dos gêneros mais prestigiados da música popular nacional, reconhecido em excelência e requinte.

História do Choro: Introdução

Tem como origens estilísticas o lundu, ritmo de inspiração africana à base de percussão, com gêneros europeus. A composição instrumental dos primeiros grupos de choro era baseada na trinca flauta, violão e cavaquinho – a esse núcleo inicial do choro também se chamava pau e corda, por serem de ébano as flautas usadas, mas com o desenvolvimento do gênero, outros instrumentos de corda e sopro foram incorporados.

História do Choro: Ernesto Nazareth (1863-1934)
Ernesto Nazareth (1863-1934)

O choro é visto como o recurso do qual se utilizou o músico popular para executar, ao seu estilo, a música importada e consumida nos salões e bailes da alta sociedade do Império a partir da metade do século XIX.

Sob o impulso criador e improvisado dos chorões, logo a música resultante perdeu as características dos seus países originários e adquiriu feições genuinamente brasileiras.

A improvisação é condição básica do bom chorão, termo ao qual passou a ser conhecido ao músico integrante do choro, bem como requer uma alta virtuosidade de seus intérpretes, cuja técnica de composição não deve dispensar o uso de modulações imprevistas e armadas com o propósito de desafiar e a capacidade ou o senso polifônico dos acompanhantes. Além disso, admite uma grande variedade na composição instrumental de cada conjunto e comporta a participação de um grande número de participantes, sem prefixar seu número.

História do Choro: Origem

Chiquinha Gonzaga
Chiquinha Gonzaga, em 1877 compôs “atraente”

Os primeiros conjuntos de choro surgiram por volta da década de 1870, nascidos nas biroscas do bairro Cidade Nova e nos quintais dos subúrbios cariocas. O flautista e compositor Joaquim Antônio da Silva Calado, os pianistas Ernesto Nazaré e Chiquinha Gonzaga, e o maestro Anacleto de Medeiros compuseram quadrilhas, polcas, tangos, maxixes, xotes e marchas, estabelecendo os pilares do choro e da música popular carioca da virada do século XIX para o século XX, que com a difusão de bandas de música e do rádio foi ganhando todo o território nacional. Herdeiro de toda essa tradição musical, Pixinguinha consolidou o choro como gênero musical, levando o virtuosismo na flauta e aperfeiçoando a linguagem do contraponto com seu saxofone e organizou inúmeros grupos musicais, tornando-se o maior compositor de choro.

Como ocorre com outros gêneros musicais, existem inúmeras discussões entre os pesquisadores sobre a gênese da palavra “choro”. Dentre as versões conhecidas, uma diz respeito que o termo surgiu de uma fusão entre “choro”, do verbo chorar, e “chorus”, que em latim significa “coro”. Para Lúcio Rangel e José Ramos Tinhorão, a expressão choro pode derivar da maneira chorosa de se tocar as músicas estrangeiras no final do século XIX e os que a apreciavam passaram a chamá-la de música de fazer chorar. Por extensão, próprio conjunto de choro passou a ser denominado pelo termo, por exemplo, “Choro do Calado”. Já Ari Vasconcelos vê a palavra choro seria uma corruptela de choromeleiros, corporações de músicos que tiveram atuação importante no período colonial brasileiro. Os choromeleiros não executavam apenas acharam ela, mas outros instrumentos de sopro. O termo passou a designar, popularmente qualquer conjunto instrumental. Câmara Cascudo arrisca que o termo pode também derivar de “xolo”, um tipo de baile que reunia os escravos das fazendas, expressão que, por confusão com a parônima portuguesa, passou a ser conhecida como “xoro” e finalmente, na cidade, a expressão começou a ser grafada com “ch”.

No princípio, a palavra designava o conjunto musical e as festas onde esses conjuntos se apresentavam, mas já na década de 1910 se usava o termo para denominar um gênero musical consolidado. Atualmente, o termo “choro” tanto pode ser usado nessa acepção como para nomear um repertório de músicas que inclui vários ritmos. A despeito de algumas opiniões depreciativas sobre a palavra “chorinho”, essa também se popularizou como referência ao gênero, designando um tipo de choro em duas partes, ligeiro, brejeiro, muito comunicativo.

História do choro: Jacob do Bandolim
Jacob do Bandolim, um grande virtuoso

Tido como a primeira música popular urbana típica do Brasil, a História do Choro está ligada com a chegada, em 1808, da Família Real portuguesa ao Brasil. Promulgada capital do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves em 1815, o Rio de Janeiro passou, então, por uma reforma urbana e cultural, quando foram criados cargos públicos. Com a corte portuguesa vieram instrumentos de origem européia como o piano, clarinete, violão, flauta, bandolim e cavaquinho, bem como seus instrumentistas. Com esses viajantes, chegou ao Brasil a música de dança de salão européia, como a valsa, a quadrilha, amazurca, a modinha, a schottish e principalmente a polca, que viraram moda nos bailes daquela época.

A reforma urbana, os instrumentos e as músicas estrangeiras, juntamente com a abolição do tráfico de escravos no Brasil em 1850, foram condições históricas para o surgimento do choro, já que possibilitou a emergência de novos ofícios para as camadas populares. Nesse contexto, tendo como origens estilísticas o lundu, ritmo de inspiração africana à base de percussão, com gêneros europeus, nasceu o choro no Rio de Janeiro, por volta de 1870. Esses grupos de instrumentistas populares, a quem se daria mais tarde o nome de chorões, eram oriundos de segmentos da classe média baixa da sociedade carioca, sendo em sua grande maioria modestos funcionários de repartições públicas – como da Alfândega, dos Correios e Telégrafos e da Estrada de Ferro Central do Brasil – cujo trabalho lhes permitiam uma boemia regular, e geralmente moradores da Cidade Nova. Sem muito compromisso e sem precisar tocar por dinheiro, essas pessoas passaram a formar conjuntos para tocar de “ouvido” essas músicas, que juntamente com alguns ritmos africanos já enraizados na cultura brasileira, como o batuque e o lundu, passaram a ser tocadas de maneira abrasileirada pelos músicos que foram então batizados de chorões. Inicialmente, se reuniam aos domingos nos chamados pagodes no fundo dos quintais dos subúrbios cariocas ou nas residências da Cidade Nova. Com isso, se tornaram os principais canais de divulgação do estilo para o povo. Um dos preceitos desses pagodes ou tocatas domingueiras era uma mesa farta em alimentos e bebidas.

As formações pioneiras adotavam como terno de instrumentos a flauta, o violão e o cavaquinho. A flauta como “solista”, o violão na “baixaria” e o cavaquinho como “centro”. Aos poucos, os chorões passaram a se apresentar constantemente em saraus da elite imperial, executando os gêneros europeus mais em voga imprimindo uma genuína cultura afro-carioca, sempre com improvisações e desafios entre os instrumentistas solistas e de acompanhamento, que foram consolidando o estilo.

História do Choro: Calado, o “pai” dos chorões

História do Choro: Joaquim Calado
Joaquim Calado (1848-1880), um dos criadores do Choro.

As mais antigas referências a esses grupos de músicos mencionam o flautista Calado como o iniciador e organizador desses primeiros conjuntos. Como era professor da cadeira de flauta do Conservatório Imperial, Calado teve grande conhecimento musical e reuniu em torno de si os melhores músicos da época, que tocavam por simples prazer e descompromisso de fazer música. O conjunto instrumental “O Choro de Calado” costumava se reunir sem ideia prévia quanto a composição instrumental ou quanto ao número de figurantes de cada grupo. Foi também ele o pioneiro em grafar a palavra choro no local destinado ao gênero em uma de suas partituras – a da polca “Flor Amorosa” -, até então, os compositores se limitavam a indicar, como gênero, os ritmos tradicionais. A polca “Flor Amorosa”, composta por Calado em 1867 é considerada a primeira composição do gênero. Desse conjunto fez parte Viriato Figueira, seu aluno e amigo e também sua amiga, a maestrina Chiquinha Gonzaga, uma pioneira como a primeira chorona, compositora e pianista do gênero.

Em 1877, Chiquinha Gonzaga (mais em História das Marchinhas de Carnaval) compôs “Atraente”, e em 1897, “Gaúcho” ou “Corta-Jaca”, grandes contribuições ao repertório do gênero, entre outras composições, como “Lua Branca”.  O choro era considerado apenas uma maneira mais sincopada (pela influência do lundu e do batuque) de se interpretar aquelas músicas, portanto recebeu fortes influências, porém aos poucos a música gerada sob o improviso dos chorões foi perdendo as características dos seus países de origem e os conjuntos de choro proliferaram na cidade, estendendo-se ao Brasil.

História do Choro: Século XX

A partir dos primeiros anos da República, há menção de outros conjuntos de chorões incorporando outros instrumentos de cordas, bem como a utilização de instrumentos de banda com a função de solistas ou concertante dentro dos grupos. Eram os casos do bandolim, da bandola, da bandurra, do bombardino, do bombardão, da clarineta, do flautim, do oficlide, do pistom, do saxofone e do trombone. Era a participação ocasional ou improvisada desses instrumentos que determinava a função de cada um no conjunto musical, que era determinada de acordo com a capacidade do executante, tanto se incumbindo do solo como do contracanto ou mesmo as duas coisas alternadamente. Constituídos de polcas, xotes, tangos e valsas, o repertório era assinado por autores brasileiros, em sua maioria, os próprios conjuntos. Essas primeiras composições de choro com características próprias foram compostas por Joaquim Calado, Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros e Ernesto Nazareth, dentre outros.

Durante as primeiras décadas do século XX, as havaneiras, as polcas, os tangos, os xotes eram já designadas simplesmente como choros, termo que passou não apenas a denominar um gênero musical genuinamente popular e brasileiro, como também rotular a produção dos músicos chorões. Os conjuntos de choro foram muito requisitados nas gravações fonográficas que, no Brasil, tiveram início em 1902. O compositor Anacleto de Medeiros, regente da banca do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, foi um dos primeiros ao participar das primeiras gravações do gênero. Misturou a xote e a polca com as sonoridades brasileiras. Como grande orquestrador, adaptou a linguagem das rodas de choro para as bandas.

História do choro. Patápio Silva
Patápio (1880-1907)

O virtuoso da flauta Patápio Silva, considerado o sucessor de Joaquim Calado, ficou famoso por ser o primeiro flautista a fazer um registro fonográfico. Autor de “Sons de Carrilhões”, o violonista João Pernambuco trouxe do sertão sua forma típica de canção e enriqueceu o gênero com elementos regionais, colaborando para que o violão deixasse de ser um mero acompanhante na música popular. Músico de trajetória erudita e ligado à escola européia de interpretação, Ernesto Nazareth compôs “Brejeiro” (1893), “Odeon” (1910) e “Apanhei-te Cavaquinho” (1914), que romperam a fronteira entre a música popular e a música erudita, sendo vitais para a formação da linguagem do gênero.

História do Choro
Em 1932, Carmen e Aurora Miranda (sentadas) e segurando a flauta, Pixinguinha.

Um dos maiores compositores da música popular brasileira, Pixinguinha contribuiu diretamente para que o choro encontrasse uma forma musical definitiva. Também tenor, arranjador, saxofonista e flautista, ele formou em 1919 o conjunto Oito Batutas, formado por Pixinguinha na flauta, João Pernambuco e Dongano violão, dentre outros músicos. Fez sucesso entre a elite carioca, tocando maxixes e outros choros. Quando compôs “Carinhoso”, entre 1916 e 1917 e “Lamentos” em 1928, que são considerados dois dos choros mais famosos, Pixinguinha foi criticado e essas composições foram consideradas como tendo uma inaceitável influência do jazz. Outras composições de Pixinguinha, entre centenas, são “Rosa”, “Vou vivendo”, “Lamentos”, “1 a 0”, “Naquele tempo” e “Sofres porque Queres”.

Na década de 1920, o maestro Heitor Villa-Lobos compôs uma série de 16 composições dedicadas ao Choro, mostrando a riqueza musical do gênero e fazendo-o presente na música erudita. A série é composta de 14 choros para diversas formações, um Choro Bis e uma Introdução aos Choros. Se a série tem o título “Choros”, individualmente o nome de cada composição vem sempre no singular. O Choro nº 1 foi composto para violão solo.

Existem também choros para conjuntos de câmara e orquestra. A peça Choro nº 13, de Heitor Villa-Lobos, foi composta para duas orquestras e banda. Já o Choro nº 14 é para orquestra, coro e banda. Uma das composição mais conhecida e executada dentre os choros orquestrais de Villa-Lobos é o Choro nº 10, para coro e orquestra, que inclui o tema “Rasga o Coração” de Catulo da Paixão Cearense. Devido à grande complexidade e à abrangência dos temas regionais utilizados pelo compositor, a série é considerada por muitos como uma das suas obras mais significativas.

Também a partir da década de 1920, impulsionado pelas gravadoras de discos e pelo advento do rádio, o choro fez sucesso nacional com o surgimento de músicos como Luperce Miranda e do pianista Zequinha de Abreu, autor de Tico-Tico no Fubá, além de grupos instrumentais que, por dedicar-se à música regional, foram chamados de regionais, como o Regional de Benedito Lacerda, que tiveram como integrantes Pixinguinha e Altamiro Carrilho, e Regional do Canhoto, que tiveram como integrantes Altamiro e Carlos Poyares.

Ocorreu uma revitalização do gênero na década de 1970. Em 1973, uniram-se o Conjunto Época de Ouro e Paulinho da Viola no show Sarau. Foram criados os Clubes do Choro em Brasília, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte, Goiânia e São Paulo, dentre outras cidades. Surgiram grupos jovens dedicados ao gênero, como Galo Preto e Os Carioquinhas. O novo público e o novo interesse pelo gênero propiciou também a redescoberta de veteranos chorões, como Altamiro Carrilho, Copinha e Abel Ferreira, além de revelar novos talentos, como os bandolinistas Joel Nascimento e Déo Rian e o violonista Rafael Rabello.

história do choro
Grupo de chorinho na Feira do Largo da Ordem, Curitiba. foto: Marcus M. Bezerra

Festivais do gênero ocorreram no ano de 1977. A TV Bandeirantes de São Paulo promoveu duas edições do Festival Nacional do Choro e a Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro promoveu o Concurso de Conjuntos de Choro.

Em 1979 com o LP “Clássicos em Choro”, o flautista Altamiro Carrilho fez sucesso tocando músicas eruditas em ritmo de choro. Também naquele ano, por ocasião do evento intitulado “Tributo a Jacob do Bandolim”, em homenagem aos dez anos do falecimento do bandolinista, é criado o grupo Camerata Carioca, formado por Radamés Gnatalli, Joel Nascimento e Raphael Rabello, dentre outros músicos.

A década de 1980 foi marcada por inúmeras oficinas e seminários de choro. Importantes instrumentistas se reuniram para discutir e ensinar o gênero às novas gerações. Em 1986, realizou-se o primeiro Seminário Brasileiro de Música Instrumental, em Ouro Preto, uma proposta ampla que ocasionou uma redescoberta do choro.

A partir de 1995 o gênero foi reforçado por grupos que se dedicaram à sua divulgação e modernização e pelo lançamento de CDs.

História do Choro: Século XXI

O choro entra no terceiro século da sua existência, com uma bagagem de mais de 130 anos, completamente firmado como um dos principais gêneros musicais do Brasil. São milhares de discos gravados e centenas de chorões que marcaram presença. O choro além de ser um gênero musical rico e complexo, é também um fenômeno artístico, histórico e social.

Em 4 de setembro de 2000, foi sancionada lei que criava o dia nacional do choro, a ser comemorado no dia 23 de abril, em homenagem ao nascimento de Pixinguinha. No Estado de São Paulo, existe o Dia Estadual do choro, comemorado no dia 28 de junho, dia em que nasceu Garoto, um dos principais expoentes paulistas do choro.

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