terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Review: Arch Enemy – Deceivers (2022)

 


Referência na cena metal há duas décadas, o Arch Enemy soube se reinventar como poucas bandas de sua geração. As idas e vindas de Christopher Amott, motivadas pelas brigas com seu irmão Michael – líder da banda -, chegaram ao fim com a entrada de Jeff Loomis, um dos maiores guitarristas do seu tempo e com passagem brilhante pelo Nevermore. E para o lugar de Angela Gossow, que hoje exerce a função de manager do quinteto, a força da natureza conhecida como Alissa White-Gluz tomou conta. Completam o time o já citado Michael Amott, o espetacular baixista Sharlee D’Angelo e o fenomenal baterista Daniel Erlandsson. Um verdadeiro dream team do metal, convenhamos.

Deceivers, lançado em 12 de agosto, é o terceiro álbum com essa formação e o melhor desde que a banda foi reformulada – a nova fase conta ainda com War Eternal (2014) e Will to Power (2017). Produzido por Jacob Hansen, o disco traz onze faixas e mostra o quanto o Arch Enemy conseguiu se descolar do seu gênero inicial, o death metal melódico, e hoje faz simplesmente um metal agressivo, pesado, técnico e repleto de melodia. Os caras conseguiram desenvolver um estilo próprio, característica que diferencia as grandes bandas.

Há uma surpresa inicial em “Handshake with Hell”, onde Alissa varia o vocal gutural com sua voz natural, alcançando um resultado ótimo e que aponta para um caminho que a banda pode seguir nos próximos anos. O trabalho de composição, como sempre, é primoroso, equilibrando violência sonora com acessibilidade, resultando em um som absolutamente contagiante. As guitarras de Amott e Loomis se revezam em riffs e solos, erguendo muralhas que são solidificadas com o trabalho brilhante de Erlandsson, um dos melhores bateristas do planeta e que é criminosamente menosprezado quando se elencam as referências do instrumento. Alissa merece elogios à parte, pois ela é a cara da banda e o principal ingrediente que renovou o som do Arch Enemy, e segue brilhando de maneira intensa no álbum.

O tracklist é fortíssimo e traz momentos sublimes como a já mencionada “Handshake with Hell”, “Deceiver, Deceiver”, “The Watcher”, “Sunset Over the Empire”, “House of Mirrors”, “Spreading Black Wings” e o fechamento em alto estilo com “Exiled from Earth”.

Deceivers é o documento definitivo da força monolítica do atual Arch Enemy, uma reunião de músicos experientes e talentosos trabalhando juntos para fazer história no heavy metal. Ao final da audição do álbum, fica claro que eles estão conseguindo alcançar seus objetivos.


DISCOGRAFIA - ABSTRACCIÓN Psychedelic/Space Rock • Spain

 

ABSTRACCIÓN

Psychedelic/Space Rock • Spain

Abstracción biografia
ABSTRACCIÓN é uma banda de prog psicodélico com sete membros de diferentes localidades como Madri, Málaga e Mallorca. Catalina Requena (vocal), Luis Monge e José Gálvez (guitarras), Pablo Bermejo (teclados), Pablo Abarca (flauta), Rafa Paredes (baixo) assim como o baterista Paco García constituem este promissor grupo espanhol.

Lançados em 2020, gravaram seu álbum de estreia homônimo em Montilla (Córdoba). É composto por sete canções elaboradas com um toque de art rock e folk, também enriquecidas com órgão de destaque.


ABSTRACCIÓN discography



ABSTRACCIÓN top albums (CD, LP, )

3.80 | 5 ratings
Abstracción
2020

DISCOGRAFIA - ABSORBED Tech/Extreme Prog Metal • Spain


ABSORBED

Tech/Extreme Prog Metal • Spain

Biografia do Absorbed
ABSORBED é uma banda de death metal técnico/progressivo formada em 1991 em Pontevedra, Galícia, Espanha. A banda passou por inúmeras mudanças de formação em sua existência e o único membro original consistente é o baixista Javier Zarco. ABSORBED lançou três demos de 1991 a 1992, mas apenas as duas primeiras foram lançadas. A demo "The Abstract Absurdity (1993)" nunca foi lançada. Em 1994, o ABSORBED lançou um álbum dividido chamado "Avowals" com DISMAL e UNNATURAL. Todos os três atos vêm da Galícia, no noroeste da Espanha. O ABSORBED gravou seu álbum de estreia "Reverie" em 1999, mas ainda não foi lançado oficialmente. O ABSORBED se separou logo depois disso. Todos os lançamentos da ABSORBED estão disponíveis para download gratuito em sua página no myspace.

ABSORBED toca um estilo de death metal técnico/progressivo na veia de ATHEIST, CYNIC, PESTILENCE e SADIST e deve agradar aos fãs desse estilo.

ABSORBED discografia



ABSORBED top albums (CD, LP, )

2.66 | 4 ratings
Reverie
1999

ABSORBED Live Albums (CD, LP, )

ABSORBED Videos (DVD, Blu-ray, VHS etc)

ABSORBED Boxset & Compilations (CD, LP, )

ABSORBED Official Singles, EPs, Fan Club & Promo (CD, EP/LP, )

0.00 | 0 ratings
Promo Tape 91
1991
0.00 | 0 ratings
Unreal Overflows
1992
3.00 | 2 ratings
Avowals

DISCOS DE ÊXITOS

 

                            Mike Oldfield - The Best Of Mike Oldfield - Elements (1993)



Tracklist:

01. 01 Tubular Bells (Opening Theme)
02. Family Man
03. Moonlight Shadow
04. Heaven's Open
05. Five Miles Out
06. To France
07. Foreign Affair
08. In Dulci Jubilo
09. Shadow On The Wall
10. Islands
11. Etude
12. Sentinel
13. Ommadawn (Excerpt)
14. Incantations - Part Four (Excerpt)
15. Amarok  (Excerpt)
16. Portsmouth 


                                                   UB40 - The Very Best Of (1980-2000)





Tracklist:

01. One In Ten    
02. Red Red Wine    
03. Kingston Town    
04. Higher Ground    
05. King    
06. Cherry Oh Baby    
07. I Got You Babe (With Chrissie Hynde)    
08. Come Back Darling    
09. The Earth Dies Screaming    
10. If It Happens Again    
11. Don't Break My Heart    
12. Can't Help Falling In Love    
13. Watchdogs    
14. Tell Me Is It True    
15. Rat In Mi Kitchen   
16. Homely Girl    
17. Light My Fire   
18. Bring Me Your Cup    
19. Food For Thought    
20. Sing Our Own Song


                                             Tião Carreiro & Pardinho – Dose Dupla - Vol.01




Tracklist:

01: Rei do gado 
02: Boi soberano 
03: Pagode em Bras!lia 
04: Morte do carreiro 
05: Saudade do Araraquara 
06: Irmão do ferreirinha 
07: Três cuiabanas 
08: Sucuri 
09: Triste desengano 
10: Teu nome tem sete letras 
11: Violeiro solteiro 
12: Preto fugido 
13: Alma de boêmio 
14: Borboleta de asfalto 
15: Punhal da falsidade (Mulher sem nome) 
16: Amigo sincero 
17: Teus beijos 
18: Despedida 
19: Nove e nove 
20: Urut? Cruzeiro 
21: Minas Gerais 
22: Carteiro 



FADOS do FADO ... letras de fado...

 


Jardim perdido

António Calém / José António Sabrosa
Repertório de Miguel Sanches 

Nunca mais será assim
Foi fechado o meu jardim
Aos teus olhos que o abriram
Rosas morreram em mim
Cravos, lírios e um jasmim
Que por tuas mãos floriram

Tudo morreu ao sol pôr
O fruto do teu amor / Nas minhas mãos desunidas
Afastou-se o arvoredo
E descobriu-se o enredo / Enredando as nossas vidas

Fechado o jardim da infância
Em que agora é já distância / O calor dos teus abraços
Agora não sou ninguém
Talvez a sombra de quem / Deixou luz entre os teus passos


Já sem voz

António Calém / Pedro Rodrigues
Repertório de Carlos Barra


Já sem voz p’ra te cantar
Lágrimas p’ra te chorar
Como é triste a realidade
E lembrar-me a primavera
O sonho da tua espera
E a negrura da saudade

Hoje és minha e eu sou teu
Mas quanto em nós se perdeu / Quando então éramos dois
Quanto mais longe mais perto
E o nosso amor encoberto / Deixou-nos assim depois

Não me peças mais canções
É que os nossos corações / Deixaram já de bater
Todo o amor é amizade
E o sonho apenas saudade / Saudade doutro viver

Saudade de ninguém

António Calém / Helena Maria Viana *fado lenitivo*
Repertório de João Braga


O voar duma gaivota
Traçou pelo ar a rota
Que o mar teve ao te deixar
Ficaram rochas perdidas
Algas na praia esquecidas
E ondas p’ra te cantar

Duas asas e um adeus
Longe da terra ou dos céus / São sinais de despedida
Eu sonhei ser mais além
Sonhei azul, não sei bem / Se era sonho ou era vida

Mas a gaivota partiu
E o meu olhar que a seguiu / Partiu com ela também
Ficou esta praia nua
A noite negra sem lua / E a saudade de ninguém


Banda de metal israelense Illegal Mind lança novo single “Turning Back”

 

Banda de metal israelense Illegal Mind lança novo single “Turning Back”

Illegal Mind é uma banda de metal alternativo de Tel Aviv, Israel, fundada em 2018. A banda lançou seu primeiro EP “Forbidden Content” em 2020 e atualmente está finalizando seu novo EP. Saiu o primeiro single do novo EP, “Turning Back” que se disponível em todas as plataformas de streaming e também disponível para download no BandCamp.

 “Achamos que “Turning Back” é mais pesado que os lançamentos anteriores, inspirado musicalmente por Refused, Limp Bizkit e Linkin Park(?). A música foi inspirada na ex-namorada de Maxx, quando ele percebeu que ela basicamente voltava aos pensamentos e ações anteriores, que costumava fazer. Sempre voltamos ao que era antes, não importa quantas vezes tentemos mudar, mesmo que não seja bom para nós. Mas geralmente não precisamos, para ninguém, especialmente se isso nos faz sentir péssimos. Estamos voltando ao que costumávamos fazer, também é a decisão de gravar o álbum como costumávamos fazer, faça você mesmo, no conforto do nosso próprio estúdio!” – diz a banda.

A banda começou a ensaiar em um dos estúdios de Tel Aviv em fevereiro de 2018. Depois de várias jams com vários músicos, nasceu uma banda de 4 pessoas. A ideia do nome nasceu acidentalmente após a leitura de alguns textos do vocalista Max Datskovsky por outros integrantes da banda. Os textos falam sobre um futuro distópico e um fim mitológico do mundo como o conhecemos. Inspirado em livros, jogos de computador e filmes do século passado. A banda canta sobre para onde a humanidade está indo e como evitá-la.


10 discos essenciais: Punk rock brasileiro

 


Após consolidar-se nos Estados Unidos e Inglaterra em meados dos anos 1970, o punkrock espalhou-se pelo mundo. No Brasil, a imprensa musical já sabia da revolução que o punk estava causando no cenário roqueiro britânico. Revistas brasileiras publicavam matérias a respeito daquele movimento radical criado por aquela gente esquisita de cabelos espetados e vestida em trajes rasgados e cheios de alfinetes.

Quando “aterrissou” no Brasil, o punk encontrou um “terreno fértil”: um país governado por uma ditadura militar, censura aos meios de comunicação e às artes, desigualdade social, inflação em ascensão, dívida externa galopante... Havia muita coisa contra o que o punk deveria protestar em terras brasileiras. Por causa disso, muito mais do que nos Estados Unidos ou na Inglaterra, o movimento punk no Brasil ganharia um posicionamento mais politizado e aguerrido.

Em 1977, pouco meses após os Sex Pistols lançarem no Reino Unido o seu Never MindThe Bollocks, aqui no Brasil, a gravadora Philips e a revista Pop, da Editora Abril, lançaram juntas o disco A Revista Pop Apresenta O Punk Rock, uma coletânea com músicas dos Sex Pistols, Ramones, The Jam, Eddie and The Hot Rods, Ultravox, The Runaways e Stink Toys. A coletânea serviu como uma “porta de entrada” para a milhares de jovens brasileiros conhecerem o punk rock, principalmente aqueles que não tinham condições de comprar discos importados de bandas punks estrangeiras.

No final da década de 1970, o punk se espalhava aos poucos nas principais metrópoles brasileiras. Por volta de 1977, surgiram os primeiros punks da cidade de São Paulo, integrando gangues na periferia. A maioria desses punks eram jovens pobres na faixa de 18 a 27 anos, boa parte trabalhava como office-boy, comerciário, balconista, feirante ou operário. Das gangues punks se formaram a partir de 1979 as primeiras bandas punks paulistas como a Condutores de Cadáver, Restos de Nada e AI-5. O primeiro disco do punk rock brasileiro veio em abril de 1982, Grito Suburbano, uma coletânea lançada pelo selo independente Punk Rock Discos com músicas das bandas paulistas Inocentes, Cólera e Olho Seco.

Entre os dias 27 e 28 de novembro de 1982, foi realizado no SESC-Pompeia, em São Paulo, o I Festival Punk de São Paulo, mas que ficou conhecido como O Começo do Fim do Mundo. O evento promoveu exposição de fotos, exibição de vídeos, lançamento do livro O Que É Punk, de Antônio Bivar (1939-2020), e shows de 20 bandas punks dentre elas Cólera, Ratos de Porão, Olho Seco, Lixomania e Inocentes. Cerca de três mil pessoas compareceram ao festival. O festival terminou com o confronto envolvendo punks e a tropa de choque da Polícia Militar, que invadiu o local após a vizinhança denunciar assustada, a presença de punks armados com canivetes. A saldo foi de 25 jovens presos. Apesar dos pesares, a cena punk paulista havia se consolidado.

O ensolarado Rio de Janeiro também teve a sua cena punk, que começou a se formar por volta de 1981, em Campo Grande, subúrbio da capital fluminense, e teve na Coquetel Molotov a banda pioneira do punk rock carioca. No seu rastro vieram a Eutanásia, Desespero e Descarga Suburbana.

Em Brasília, centro do poder brasileiro, o punk rock começou a germinar naquela cidade em 1977, quando os primeiros punks começaram a circular por lá. A primeira banda punk brasiliense foi a Aborto Elétrico, que sacudiu o movimento em Brasília, abrindo espaço para o surgimento de outras bandas como a Metralhaz, e Dado & O Reino Animal. Essas e outras bandas punks dariam origem a bandas que mais tarde ganhariam projeção nacional e marcariam seus nomes na história do rock brasileiro: Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude.

Em Salvador, a banda Camisa de Vênus, formada em 1980, incendiava os palcos alternativos com seu rock desbocado e provocador, pondo a capital baiana no mapa do punk rock brasileiro. Outras bandas como a Gonorreia, 14º Andar e Trem Fantasma também contribuíram para o punk rock soteropolitano.

Curitiba já tinha punk rock desde meados dos anos 1970 através da banda Carne Podre, mas a cena local ganhou força a partir de 1979 com a Contrabanda. De Porto Alegre despontavam as bandas Os Replicantes e Pupilas Delatadas.

No avançar dos anos 1980, as bandas punks brasileiras foram lançando seus discos através de selos independentes, enquanto as bandas de apelo comercial maior, eram as preferidas das grandes gravadoras. Com a popularidade do rock brasileiro em alta, graças ao sucesso das bandas new waves, as grandes gravadoras se arriscaram a apostar nas bandas punks a partir de meados da década de 1980. A Warner contratou os Inocentes, enquanto que a RCA investiu nos gaúchos dos Replicantes. Porém, o retorno financeiro não foi bem o que elas esperavam. No final dos anos 1980, a cena punk brasileira perdeu fôlego.

Em meados dos anos 1990, o rock brasileiro começa a se reerguer através de uma nova geração de bandas apostando na diversidade musical. Dessa nova geração que surgia, destacou-se o quarteto brasiliense Raimundos, trazendo uma inusitada mistura do punk rock dos Ramones com o forró de duplo sentido de Zenilton. Na virada dos anos 1990 para os anos 2000, despontavam bandas de hardcore melódico como CPM 22, Dead Fish e Garage Fuzz, que difundiram o estilo no Brasil e que tinham como referências bandas americanas como Bad Religion, NOFX e Pennywise. 

Abaixo, confira 10 discos essenciais para entender o punk rock brasileiro.


Grito Suburbano (Punk Rock Discos, 1982), vários. Gravado num estúdio de oito canais em São Paulo frequentado na época apenas por duplas de música sertaneja, Grito Suburbano foi o primeiro disco do punk rock brasileiro, uma compilação com 12 faixas com as bandas paulistas Inocentes, Cólera e Olho Seco. As gravações ocorreram ao vivo no estúdio num espaço de oito horas. Apesar da precariedade da produção, o disco mostra a garra e o empenho das três bandas. Em 2016, Grito Suburbano foi eleito o 4º melhor disco do punk rock brasileiro pela edição brasileira da revista Rolling Stone.


Camisa de Vênus (Som Livre, 1983), Camisa de Vênus. Em seu álbum de estreia, o Camisa de Vênus já mostrava todo o sarcasmo que se tornaria uma das principais marcas da banda baiana. O álbum traz clássicos do quinteto como “Beth Morreu”, “O Adventista”, “Meu Primo Zé” e “Passatempo”. Após o disco ser lançado, a Som Livre bem que tentou “domesticar” o quinteto ao propor a mudança de nome da banda por achar “indecente” e difícil de divulgar nas rádios, TV’s e jornais. Mostrando personalidade, os baianos recusaram a mudança. A gravadora não pensou duas vezes: cancelou o contrato com a banda e recolheu das lojas todas as cópias do álbum. Em 1984, o Camisa foi contratado pela gravadora RGE, que ao lançar o álbum Batalhões de Estranhos, em 1985, relançou na mesma época o álbum Camisa de Vênus.

Crucificados Pelo Sistema (Punk Rock Discos, 1984), Ratos de Porão. Este não é apenas o primeiro álbum da carreira dos Ratos de Porão, mas também o primeiro álbum lançado por uma banda de punk rock da América Latina. O álbum Crucificados Pelo Sistema traz elementos que caracterizariam o som dos Ratos de Porão ao longo da carreira da banda: crueza, peso, velocidade e agressividade. Neste disco, os Ratos já exploravam com maestria o hardcore. O álbum traz temas como violência policial (“Agressão e Repressão”), poluição (“Poluição Atômica”), dívida externa brasileira (“FMI”) e a violência nas comunidades pobres (“Periferia”). Em 2016, Crucificados Pelo Sistema foi eleito o melhor disco do punk rock brasileiro pela edição brasileira da revista Rolling Stone.

MaisPodres do que Nunca (Rocker, 1985), Garotos Podres. Ninguém se iluda com a imagem do bebê lindo e fofo da capa. O conteúdo de Mais Podres do que Nunca é nitroglicerina pura, podre e tosca. Produzido pelo guitarrista e líder da banda Cólera, Redson Pozzi (1962-2011), Mais Podres do que Nunca foi gravado às pressas e com muitas limitações técnicas. No entanto, o disco compensa as deficiências técnicas com punk rocks  de versos ácidos, arranjos simples e crus como “Johnny”, “Maldita Preguiça” e “Vou Fazer Cocô” (uma crítica aos políticos que fazem mil promessas nas eleições). Mas a faixa mais famosa é sem dúvidas a hilária “Papai Noel Velho Batuta”, uma “canção natalina” sobre a diferença abissal entre ricos e pobres no Natal.

Pela Paz Em Todo Mundo (Ataque Frontal, 1986), Cólera. Desde o início de sua carreira, o Cólera se mostrou uma das bandas mais articuladas e politizadas do punk rock brasileiro. Liderada pelo seu fundador, o vocalista e guitarrista Redson Pozzi (1962-2011), a banda paulista desde o início mantinha uma narrativa crítica, mas sem abrir mão da esperança, diferente da maioria das bandas punks que enxergava o futuro da humanidade com muito pessimismo. Esse fio de esperança do grupo se revela no punk rock pacifista “Pela Paz”. O Cólera ainda traça críticas à política belicista em tempos de Guerra Fria em “Guerrear” e ao alto custo de vida no Brasil em “Não Fome”. Pela Paz Em Todo Mundo vendeu na época 85 mil cópias, uma marca surpreendente para um disco de punk rock brasileiro lançado por um selo independente.

Cadê As Armas? (WEA/Baratos Afins, 1986), As Mercenárias. Formada apenas por mulheres, As Mercenárias tiveram um papel fundamental ao se inserir num universo dominado pelos homens que é o rock’n’roll. Além de mostrar a capacidade de tocar, a banda paulista mostrou que as mulheres também têm senso crítico apurado tanto quanto os homens no campo do punk rock. Em Cadê As Armas? as Mercenárias trafegam musicalmente entre o punk rock convencional e o pós-punk. O álbum traz críticas à segurança pública (“Polícia”), ao Catolicismo (“Santa Igreja”), e mostram sensibilidade ao abordar os conflitos nos relacionamentos conjugais (“Amor Inimigo” e “Loucos Sentimentos”).   


Pânico em SP (WEA, 1986), Inocentes. Produzido por Pena Schimidt e Branco Mello (um dos vocalistas dos Titãs), Pânico em SP marca a estreia dos Inocentes numa grande gravadora. O álbum foi bem recebido pela crítica, mas execrado pelos punks mais “ortodoxos” que acusaram a banda de ter se “vendido”. Embora muito bem produzido, a essência punk dos Inocentes foi preservada. Os destaques ficam para as faixas “(Salvem) El Salvador”, “Rotina”, “Não Acordem A Cidade” e a faixa-título.



O Concreto Já Rachou (EMI, 1986), Plebe Rude. O álbum de estreia da Plebe Rude foi lançado como “mini-LP”, um formato de 12 polegadas trazendo sete faixas. Produzido por Herbert Vianna (guitarrista e vocalista dos Paralamas do Sucesso, e responsável por indicar a Plebe Rude para a EMI), O Concreto Já Rachou apresenta canções com letras muito bem construídas e arranjos que aliam simplicidade e sofisticação. O violoncelista Jaques Morelenbaum faz uma participação especial tocando violoncelo na abertura de “Até Quando Esperar”, uma das introduções mais marcantes numa canção do rock brasileiro. Além de “Até Quando Esperar”, as faixas “Proteção” e “Johnny Vai À Guerra (Outra Vez)” viraram sucessos radiofônicos, uma prova de que punk rock também pode ser popular. 


O Futuro É Vortex (RCA, 1986), Os Replicantes. A partir de meados dos anos 1980, o rock gaúcho invadiu as paradas radiofônicas de todo o Brasil, através de bandas como Engenheiros do Hawaii, De Falla, Garotos da Rua, TNT e Nenhum de Nós. A banda Os Replicantes também fez parte dessa interessante geração do rock gaúcho com seu punk rock veloz, furioso e juvenil. Diferente das bandas punks paulistas, oriundas das camadas sociais mais baixas e que tinham um discurso político-social afiado nas canções, Os Replicantes vieram da classe média porto-alegrense. O Futuro É Vortex traz algumas faixas que se tornaram clássicos do punk rock brasileiro como “Surfista Calhorda”, “A Verdadeira Corrida Espacial” e “Boy Subterrâneo”.

Raimundos (Banguela Records, 1994), Raimundos. Quem poderia imaginar que a mistura improvável do punk rock dos Ramones com o forró de duplo sentido de Zenilton poderia dar certo? Até o surgimento do primeiro e homônimo álbum dos Raimundos, muita gente duvidaria. O álbum de estreia dos Raimundos provou que isso era possível. Som pesado e veloz, as letras toscas de uma profundidade pornográfica imensa, fizeram com que o álbum chegasse causando impacto e dando um novo sopro de vida ao rock brasileiro. “Puteiro em João Pessoa”, “Selim”, “Nega Jurema”, “Palhas do Coqueiro” e “Rapante” conquistaram o público, que comprou as 200 mil cópias do álbum.


Destaque

Hackensack - Up The Hardway (1974)

  Ano:  março de 1974 (CD 2002) Gravadora:  Red Fox Records (Europa), RF 616 Estilo:  Blues Rock, Hard Rock País:  Reino Unido Duração:  45:...