terça-feira, 3 de janeiro de 2023

“Só No Forévis” (Warner, 1999), Raimundos

 


Depois de ganharem projeção no cenário do rock brasileiro dos anos 1990 com um som que misturava o punk rock dos Ramones com o forró sacana de Zenilton, letras sexistas e toscas, carregadas de muito humor pornográfico, os Raimundos decidiram fazer algo diferente no seu quarto disco, o Lapadas do Povo, de 1997. O quarteto brasiliense trocou o humor escrachado e o punk rock misturado com sonoridade nordestina por temas mais sérios, e adotaram um som mais pesado do que já tocavam, mas com elementos de heavy metal alternativo.

Apesar de toda a pompa que cercou a produção de Lapadas do Povo, gravado em Los Angeles, nos Estados Unidos, contado com o renomado produtor americano Mark Dearnley (que já havia trabalhado com Black Sabbath, AC/DC, e com os próprios Raimundos em Lavô Tá Novo, mas gravado no Brasil), o álbum não agradou o público, acostumado com o forrocore (forró mais hardcore), o punk rock agreste e com o humor juvenil dos Raimundos. O som puxado para o metal alternativo agradou a crítica musical, mas causou estranheza nos fãs. Embora tenha alcançado uma vendagem razoável - cerca de 200 mil cópias vendidas - Lapadas do Povo não teve o mesmo grau de popularidade de Raimundos (1994) ou de Lavô Tá Novo (1995). Lapadas do Povo talvez seja aquele tipo de trabalho que poderia figurar na galeria dos “álbuns injustiçados”.

Como se já não bastasse o desprestígio de Lapadas do Povo, um fato abalou os membros dos Raimundos um mês após o lançamento do álbum. Em novembro de 1997, durante um show da banda no ginásio do Clube de Regatas Santista, em Santos, o corrimão de uma escada de saída do local cedeu, provocando a queda de dezenas de pessoas, e esmagando outras que estavam embaixo. Oito pessoas morreram e outras sessenta e sete ficaram feridas. A tragédia chocou integrantes dos Raimundos que classificaram o ocorrido como uma “eterna ferida”. Os membros da banda ficaram tão abalados que dois meses de shows da turnê foram cancelados.

Para o próximo trabalho, a banda optou em retomar a fórmula que a consagrou. O humor pornográfico, as letras toscas, o forrocore e o punk rock “ramonesco” estavam de volta. Rodolfo, Digão, Canisso e Fred, pareciam dispostos a fazer um trabalho popular para recuperar o tempo perdido.

E foi dessa necessidade que nasceu Só No Forévis, o álbum mais vendido da carreira do quarteto. Produzido por Carlos Miranda, Tom Capone, Mauro Manzoli e Dzcuts, Só No Forévis já deixa claro a sua vocação popular no título e na imagem da capa. O título é inspirado no bordão do inesquecível humorista Mussum (1941-1994), que integrou o grupo humorístico Os Trapalhões. Mussum costumava a usar a expressão “forévis” para se referir à bunda, às nádegas.

Título do álbum foi inspirado no famoso bordão de Mussum (foto), "forévis",
expressão criada pelo humorista para se referir às nádegas.

A foto da capa é uma sátira aos grupos de pagode, que na época, faziam um enorme sucesso. Os Raimundos aparecem vestidos com figurino de pagodeiros. Para deixar a capa mais engraçada, o departamento gráfico da gravadora fez um tratamento digital na foto, fazendo alterações nos corpos dos integrantes dos Raimundos. Segundo Rodolfo, em entrevista para a revista Bizz, em junho de 1999, a ideia de se vestirem como uma banda de pagode para a capa era um “pedido” para que eles fossem aceitos por quem os chamavam de machistas. Para Rodolfo, os Raimundos não faziam nada de diferente do que os artistas populares faziam, mas a banda era quem levava a fama de sexista, enquanto os pagodeiros eram bem aceitos, segundo o vocalista do quarteto brasiliense. O cabelo de descolorido de Rodolfo foi inspirado no de Belo, na época, líder da banda de pagode Soweto.  

Em Só No Forévis, os Raimundos contaram com participações especiais de Marcelo D2 (Planet Hemp), Bi Ribeiro (Paralamas do Sucesso), Érika Martins (Penélope), Alexandre Carlo (Nativus, mais tarde mudou o nome para Natiruts) e Black Alien (Planet Hemp).

O álbum começa com a faixa-título, duração curta, praticamente uma vinheta, um pagode maluco, tosco, cheio de arrotos, e que traz uma linha melódica baseada em “Selim”, música do álbum Raimundos. Em seguida vem “Mata Véio”, um punk rock sobre um sujeito que foi à loucura ao ser seduzido pelas nádegas irresistíveis de uma garota, capazes de fazer o “zé-sem-osso” dele estourar. Sexo em ritmo de hardcore dá o tom em “Carrão de Dois”, música sobre uma rapaz que nunca mais foi o mesmo após uma transa inesquecível com uma garota no banco de trás do carro. Misto de rock, rap e embolada, “Fome do Cão” faz alusão à larica, que na gíria dos viciados em drogas, é a fome excessiva que ocorre após o consumo de maconha.

“Mulher de Fases” é a faixa de maior sucesso do disco, e um dos maiores da carreira dos Raimundos. Com uma base instrumental interessante que mistura punk e country music, “Mulher de Fases” fala da vida sexual de um casal e as oscilações do humor feminino durante a tensão pré-menstrual, daí a expressão “mulher de fases”. A frase “meu namoro é na folhinha” faz referência o calendário, em o sujeito procurar a namorada apenas nos dias férteis dela. Na sequência, os Raimundos vêm com o hardcore “Alegria” e seus versos absurdos: “Pois para poupar camisinha, mandei encapar meu pau / E se tudo fosse doce não existiria sal / Pra achar alguma coisa, alguém a teve de perder”.

A faixa seguinte, é outra música que se tornou uma das mais populares da carreira dos Raimundos, “A Mais Pedida”, que conta os percalços que uma banda passa antes de chegar à fama, mas também é uma crítica à busca a qualquer custo pelo sucesso. Ao mesmo tempo, “A Mais Pedida” satiriza os grupos de pagode que dominavam as paradas de sucesso da época, e cita no refrão o cantor Salgadinho, vocalista da Katinguelê, uma das bandas de grande destaque do estilo naquele momento: “Meu cabelo é ruim, mas meu terno é de lin / Vou ser seu Salgadin, cê vai gostar de mim / Se eu tocar no seu radin / Chora até o fim, só pra rimar com im / Pois se eu ganhar din din cê vai gostar de mim / Se eu tocar no seu radin”.

O cabelo descolorido do cantor Belo da banda Soweto, inspirou o Rodolfo
a descolorir o próprio para a capa de Só No Forevis. Salgadinho (à direita),
vocalista da Katinguelê, é citado na letra de "A Mais Pedida".

Com participação especial do DJ Gonzalez, do Planet Hemp, “Boca de Lata” é um rap rock bem ao estilo dos Beastie Boys, e trata sobre as aventuras sexuais de uma garota que usa aparelho ortodôntico. O ska “Me Lambe” tem uma letra polêmica ao abordar as investidas sexuais de um homem mais velho a uma garota adolescente menor de idade. Bi Ribeiro faz uma participação especial em “Me Lambe” tocando baixo. A malícia e o duplo sentido pornográfico ao estilo “raimundista” prosseguem em “Pompem”, cuja letra é sobre uma garota que deixa a cidade grande para ir morar no campo, onde ela adorou ver a variedade de “cobras”.

Em “Deixa Eu Falar”, os Raimundos deixam o humor de lado para tratar sobre coisa séria que é liberdade de expressão. A música cairia bem em Lapadas do Povo, disco em que os Raimundos abordaram temas de cunho social. Com um som pesado, lento e agressivo, “Deixa Eu Falar” conta com as participações especiais de Alexandre Carlo (vocalista da banda Nativus) e do rapper Black Alien (do Planet Hemp).

Para Só no Forévis, os Raimundos regravaram “Aquela”, música da Little Quail and The Mad Birds, banda que surgiu na mesma época que os Raimundos em Brasília, no final dos anos 1980. Rock de apelo popular, “Aquela” é sobre um sujeito que tocou sem querer no corpo de uma garota e por ela foi repreendido. Porém, dias depois, ele foi surpreendido pela mesma garota que tentou seduzi-lo a todo custo.

“Língua Presa” é um hardcore ultra veloz e de letra amalucada sobre uma bruxa má que transformou um lindo príncipe num sapo cururu que fala com a língua presa. E o mais engraçado, é que Rodolfo canta como alguém que tem a língua presa. O álbum termina com “Mulher de Fases (A Linda)”, uma versão acústica de “Mulher de Fases”, que mantem o ritmo veloz da versão original, porém com muitos violões e violinos.

Embora “Mulher de Fases (A Linda)” seja a última faixa, o álbum traz uma faixa “escondida”. Assim que a última faixa termina, o ouvinte é surpreendido por um som suave de piano fazendo acompanhamento para uma sucessão de arrotos bizarros. A “performance” grotesca foi de Bruno Abrantes, irmão de Rodolfo, na época, um jovem estudante de direito de 24 anos. Fred e Digão estavam escalados para fazer essa performance final, mas perderam o posto diante do “potencial” imbatível do irmão de Rodolfo.

Raimundos disfarçados de banda de pagode. 

Lançado em 27 de maio de 1999, Só No Forévis teve um desempenho comercial brilhante e recuperou a popularidade dos Raimundos. O single de “Mulher de Fases”, lançado um mês antes do álbum chegar às lojas, alimentou a expectativa dos fãs para o álbum. E não era para menos. Para se ter uma ideia, o lançamento do álbum estava previsto para 17 de maio, mas teve que ser adiado porque na véspera, cerca de 100 mil cópias de Só No Forévis foram roubadas de um depósito da gravadora Warner, no Rio de Janeiro.

O videoclipe de “Mulher de Fases”, se tornou um fenômeno de exibição na MTV Brasil, se tornando um dos videoclipes mais pedidos pelo público na história da emissora. Além do single de “Mulher de Fases”, outros quatro singles foram extraídos de Só No Forévis: “A Mais Pedida”, “Me Lambe”, “Pompem” e “Aquela”.

Através de Só No Forévis, os Raimundos atingiram o auge da popularidade na sua carreira, chegando se tornarem a maior banda de rock do Brasil na virada do século XX para o século XXI. Porém, toda aquela exposição midiática dos Raimundos incomodou os fãs mais antigos que acusaram a banda de ter se tornado comercial. Só No Forévis vendeu mais de 700 mil cópias, mas estima-se que tenha chegado à marca de 1,8 milhão de cópias vendidas. Por causa do sucesso de Só No Forévis, os Raimundos conquistaram vários prêmios como o MTV Video Music Brasil, em 1999, nas categorias “Escolha da Audiência” e “Melhor Videoclipe de Rock”, ambos pelo videoclipe de “Mulher de Fases”.

Para consagrar um período tão vitorioso na carreira, os Raimundos lançaram em parceria com a MTV Brasil, o MTV ao Vivo – Raimundos, em formatos de álbum duplo gravado ao vivo com 40 faixas e o DVD. O material foi gravado a partir dos shows dos Raimundos em Curitiba e São Paulo. MTV ao Vivo – Raimundos vendeu mais de 750 mil cópias.

Mas,em pleno auge da carreira, quando se imaginava um novo álbum de estúdio dos Raimundos, o vocalista Rodolfo anuncia em 2001 que estava deixando a banda, após se converter ao evangelho. Sua saída foi traumática, e durante mais de vinte anos os ex-colegas de banda e Rodolfo não se falavam. Digão assumiu os vocais, e desde então, os Raimundos lançaram novos discos, passaram por novas mudanças de integrantes. Porém, o fato é que desde a saída de Rodolfo, algo mágico na banda se perdeu lá no passado, e os Raimundos nunca mais foram os mesmos.

Faixas

  1. "Só no Forevis (Selim)" (Cristiano Telles – Raimundos)      
  2. "Mato Véio" (Rodolfo – Fred)           
  3. "Carrão de Dois" (Rodolfo)   
  4. "Fome do Cão" (Rumbora – Rodolfo – Digão)         
  5. "Mulher de Fases" (Rodolfo – Digão)           
  6. "Alegria" (Martin Luthero – Danilo) 
  7. "A Mais Pedida" (Rodolfo – Digão – Canisso – Fred)           
  8. "Boca de Lata" (Rodolfo - Rodrigo Nuts - Zé Gonzales)
  9. "Me Lambe" ( Rodolfo - Digão - Fred)         
  10. "Pompem" (Rodolfo – Digão)
  11. "Deixa Eu Falar" (Alexandre Carlo - Black Alien – Rodolfo – Digão – Fred)
  12. "Aquela" (Gabriel Tomás)    
  13. "Língua Presa" (Martin Luthero - Rodolfo – Digão) 
  14. "Mulher de Fases (A Linda)" (Rodolfo – Digão)

 

Raimundos:

Rodolfo Abrantes - voz, percussão (em "Só no Forévis") e palmas (em "Pompem")

Digão - guitarra, violão (em "A Mais Pedida" e 'Aquela"), viola (em "A Mais Pedida") vocal (1, 2, 4, 6—13), feira (em "Fome do Cão")

Canisso - baixo (menos em "Me Lambe" e "Boca de Lata") e vocal (todas menos 3, 5, 7, 9 e 14)

Fred Castro - bateria, percussão e vocal (em "Só no Forevis"), triângulo (em "Fome do Cão) e palmas (em "Pompem")


                    

"Só No Forevius (Selim)"

"Mato Véio"

"Carrão de Dois"

"Fome do Cão"

"Mulher de Fases"

"Alegria"

"A Mais Pedida"

"Boca de Lata"

"Me Lambe"

"Popem"

"Deixa Eu Falar"

"Aquela"

"Língua Presa"

"Mulher de Fases (A Linda)"

"Mulher de Fases"
(videoclipe oficial)

"A Mais Pedida"
(videoclipe oficial)

"Me Lambe"
(videoclipe oficial)

“De Volta Ao Planeta” (Sony Music/Chaos, 1998), Jota Quest

 


Formada em Belo Horizonte em 1993, a banda Jota Quest fez parte de uma nova geração de bandas de pop rock de Minas Gerais que ganhou projeção nacional a partir da segunda metade dos anos 1990, como Pato Fu, Tianastácia, Virna Lisi e, é claro, Skank, a mais bem sucedida de todas.

Mas no início da carreira, o Jota Quest chamava-se J. Quest (“djeiquest”, a pronúncia em inglês), e tinha uma orientação musical influenciada pela soul music e pelo funk dos anos 1970, mais o acid jazz e pelo som do Jamiroquai. Em 1996, a banda mineira assina contrato com a gravadora Sony Music e, através da subsidiária dela, o selo Chaos, o quinteto lança o primeiro álbum, J.Quest, que traz como primeiro sucesso da banda, a regravação de “As Dores do Mundo”, uma antiga canção do cantor Hyldon.

Quando estavam gravando o segundo álbum, os integrantes da J. Quest receberam uma notificação da Hanna-Barbera por uso indevido do nome Jonny Quest, título do desenho animado da produtora americana. Para evitar confusões, o quinteto decidiu fazer a mudança, alterando nome da banda para Jota Quest, que era assim como Tim Maia (1942-1998) se referiu ao grupo mineiro pouco antes de sua morte. O álbum de estreia foi relançado com o nome alterado para Jota Quest, enquanto o segundo álbum, De Volta Ao Planeta foi lançado em 6 de janeiro de 1998, já com o novo nome da banda.

Jonny Quest, desenho animado da Hanna-Barbera dos anos 1960,
inspirou o nome da banda Jota Quest.

De Volta Ao Planeta contou durante as suas gravações com o apoio de dois produtores, Dudu Marote e Marcelo Sussekind. Enquanto Marote trabalhou nas faixas que exigiam um maior apelo de apoio eletrônico, Sussekind produziu nas faixas mais convencionais.

Em De Volta Ao Planeta, o Jota Quest mudou a sua orientação musical. Se o álbum de estreia é marcado pela influência da soul music e do funk dos anos 1970, naipe de metais e ênfase nas linhas baixo e nos vocais de apoio inspirados na música negra americana, De Volta Ao Planeta traz o som do Jota Quest com as suas referências de música negra “diluídas” e mais direcionado para um pop acessível, radiofônico.

O álbum começa com a faixa-título, um funk pop bastante dançante e festivo, cuja letra, inspirada no filme e no antigo seriado de TV dos anos 1970 Planeta dos Macacos, traça uma crítica ao desemprego no Brasil. O cantor Wilson Sideral, irmão de Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest, participa dos vocais de apoio na música.

“Sempre Assim” é pop dançante com letra que fala de otimismo e superação. “Tudo É Você é uma versão de “Hanging In The Hood”, de Hidden Faces. Originalmente, a música é instrumental, mas a versão do Jota Quest ganhou letra em português que conta a história de alguém que após anos de busca, reencontrou a garota que marcou sua vida e nunca saiu dos seus pensamentos.

“Fácil” é a principal faixa de De Volta Ao Planeta, e provavelmente, o maior sucesso da carreira do Jota Quest. É uma balada pop de refrão grudento, linha melódica agradável e é um tipo de canção que parece ter sido feita para tocar no rádio.

“35” é um pop dançante feito para as pistas. Possui uma letra simplória e um refrão “chiclete”. O ritmo é marcado pela batida eletrônica programada, que acompanha uma linha de baixo robusta e riffs de guitarra cheios de efeitos.

O conceito de De Volta Ao Planeta teve como inspiração o filme original
e a série de TV dos anos 1970 de O Planeta dos Macacos (foto). 

O Jota Quest pegou uma antiga balada gravada por Marvin Gaye (1939-1984) em 1963, “One These Days”, e fez uma versão em português num ritmo pop que virou “Qualquer Dia Desses”. Na letra, o Jota Quest retrata uma crise conjugal em que um jovem ameaça ir embora se sua amada não mudar de comportamento e passar a trata-lo com mais carinho.

Em seguida, outra releitura de um sucesso do passado, “Tão Bem”, de Lulu Santos, gravada originalmente pelo cantor em 1984 para o álbum Tudo Azul. Nas mãos do Jota Quest, a canção de Lulu ganhou uma batida eletrônica programada, mas acrescida de baixo, guitarra e teclados. O funk pop “Nêga da Hora” é sobre uma garota negra, bonita e sexy, que vai ao baile para dançar, se divertir e é o centro das atenções.

O ritmo do álbum desacelera completamente com o romantismo de “O Vento”, uma canção embalada apenas por teclados e por um naipe de cordas que acompanham a voz de Rogério Flausino que canta sobre versos que pedem ao vento para ele lhe traga de volta o amor de sua vida.

Embora seja uma música de ritmo alegre, “Loucas Tardes de Domingo” é sobre o fim de relacionamento conjugal, marcado pelas brigas de casal nas tardes de domingo. O álbum termina com uma versão remix de “De Volta Ao Planeta”. 

De Volta Ao Planeta teve uma recepção modesta por parte da crítica. No entanto, o crítico musical da revista Bizz, Celson Masson, emitiu opiniões muito ácidas a respeito do álbum e do próprio Jota Quest. Irônico, Masson disse que a banda “perdeu muito tempo vendo TV”, fazendo alusão ao antigo nome do grupo e ao título do álbum, inspirados respectivamente ao desenho animado Jonny Quest e ao seriado O Planeta dos Macacos. Masson ainda chamou o vocalista de “afobado” e que os músicos da banda, “quando querem fazer som de festa, soam como banda de baile”.

Jota Quest em 1997 durante turnê do primeiro álbum, da esquerda para 
a direita: PJ, Paulinho Fonseca, Márcio Buzelin, Marco Túlio e Rogério Flausino.

Mas a recepção do público foi a melhor possível. As faixas “De Volta Ao Planeta”, “Sempre Assim”, “O vento” e, principalmente, “Fácil”, viraram os grandes sucessos no rádio. “Fácil” foi uma das músicas mais executadas do ano de 1998 no Brasil. O videoclipe de “De Volta Ao Planeta”, com um visual de macacos inspirados no seriado Planeta dos Macacos, esteve entre os mais exibidos da MTV Brasil. O álbum rapidamente alcançou a marca de 500 mil cópias, o que permitiu ao Jota Quest ser contemplado com um disco duplo de platina.

O sucesso do álbum fez lotar a agenda de shows do Jota Quest. A turnê de De Volta Ao Planeta foi extensa e cansativa. Começou em junho de 1998 e terminou em dezembro de 1999. Foram pouco mais de 370 shows em todo o Brasil. A turnê foi desgastante a tal ponto de afetar a saúde do quinteto mineiro. O vocalista Rogério Flausino teve inflamação na laringe e na faringe. Marco Túlio Lara, o guitarrista, teve problemas de coluna. O baixista PJ e o baterista Paulinho Fonseca tiveram tendinite nos dedos das mãos, enquanto que o tecladista Márcio Buzelin teve desidratação causada por estresse. Apesar dos problemas de saúde, a turnê foi bem sucedida do ponto de vista profissional.  

O sucesso de De Volta Ao Planeta deu grande projeção ao Jota Quest e colocou o quinteto mineiro entre as grandes bandas do cenário pop rock do Brasil na época. Embora nos trabalhos posteriores o Jota Quest tendesse ora para rock, ora para o pop, De Volta Ao Planeta continuou servindo como a referência musical da banda, através da qual ela orientou a sua maneira de fazer música.

Faixas

  1. "De Volta ao Planeta" (Rogério Flausino - Marco Túlio Lara - PJ)
  2. "Sempre Assim" (Rogério Flausino - Marco Túlio Lara)
  3. "Tudo é Você" (Marco Túlio Lara - Paulinho Fonseca)
  4. "Fácil" (Rogério Flausino - Wilson Sideral)
  5. "35" (Heleno Loyola)
  6. "Qualquer Dia Desses" (Willian, Stevenson; Versão: Dudu Marote - Rogério Flausino - Marco Túlio Lara – PJ -Wilson Sideral)
  7. "Tão Bem" (Lulu Santos)
  8. "Nêga da Hora" (Márcio Buzelin - PJ)
  9. "O Vento" (Márcio Buzelin)
  10. "Loucas Tardes de Domingo" (Rogério Flausino)
  11. "De Volta ao Planeta (Freak Funk Mix)" (Rogério Flausino - Marco Túlio Lara - PJ)

Jota Quest: Rogério Flausino (voz), Marco Túlio (guitarra, violão e vocal), Márcio Buzelin (teclados), PJ (baixo) e Paulinho Fonseca (bateria).
 


"De Volta ao Planeta" 

"Sempre Assim"

"Tudo é Você" 

"Fácil"

"35"

"Qualquer Dia Desses"

"Tão Bem"

"Nêga da Hora"

"O Vento"

"Loucas Tardes de Domingo"

"De Volta ao Planeta (Freak Funk Mix)"

Review: Slipknot – The End, So Far (2022)

 


The End, So Far 
prova duas coisas. A primeira é que o Slipknot quer e precisa dar passos para fora da fórmula musical que consagrou a banda, e isso fica claro em diversos momentos do álbum. E a segunda é que, não importa se estamos falando de uma banda veterana nascida nos anos 1970 ou 1980 ou de um nome mais contemporâneo como o noneto norte-americano, a reação é sempre a mesma: saia do convencional e uma parcela considerável dos fãs não esconderão sua decepção.

Produzido pela banda ao lado de Joe Barresi (Kyuss, Queens of the Stone Age, Soundgarden), The End, So Far é apenas o sétimo disco do Slipknot em quase trinta anos de carreira – o grupo foi formado em 1995 em Des Moines, no Iowa. Sucessor de um de seus melhores trabalhos, o ótimo We Are Not Your Kind (2019), o álbum traz doze canções e pouco menos de uma hora de duração. O disco foi lançado no Brasil em CD jewel case pela Warner Music.

O que chama a atenção, de cara e sem muito esforço, é como o som do Slipknot está mais acessível em The End, So Far. Além disso, é um trabalho bastante climático, com passagens mais dramáticas em comparação aos anteriores. Porém, é também um disco bem irregular, com faixas legais se alternando entre canções que parecem estar no tracklist apenas para preencher espaço. Os grandes momentos do álbum estão na linda abertura com “Adderall” (uma das músicas mais contemplativas já gravadas pela banda e totalmente fora da caixa do que se espera do grupo), “The Dying Song (Time to Sing)”, o single “The Chapeltown Rag“, Yen” e “Medicine for the Dead”, as duas últimas se enquadrando na característica mais dramática que citei antes. Entre as faixas dispensáveis temos “Warranty” (que só repete a receita do que a própria banda já fez melhor em inúmeras vezes no passado), a anêmica “Acidic” e “Heirloom” (outro exemplo de voltas ao redor do próprio rabo). Em sua parte final o disco cresce novamente com a sequência “H377”, “De Sade” (a melhor das três) e climático encerramento com “Finale”.

The End, So Far mostra o Slipknot experimentando novos caminhos e não tendo medo de sair da caixa, o que não apenas é louvável mas essencial para que a banda se mantenha relevante. É curioso também perceber que os momentos mais baixos do álbum acontecem justamente quando os caras não saem da sua zona de conforto e apenas repetem, de forma pior, o que já entregaram com maestria em trabalhos anteriores. O público do Slipknot talvez não esteja preparado para ver a banda evoluindo cada vez mais e colocando a cara para bater em uma nova abordagem musical, que é o que acontece em grande parte do novo disco. No entanto, essa é uma resposta que só o tempo dirá.



Review: Gustavo Telles & Os Escolhidos – Hoje, aos 43 (2022)

 


Compositor, cantor e multi-instrumentista, por mais de uma década Gustavo Telles integrou a Pata de Elefante (2002 a 2013 | 2016/17), período em que circulou de norte a sul do país e ajudou o trio a se tornar uma das expressões do rock instrumental brasileiro. Sua digital está impressa em quatro discos, com trabalhos laureados por importantes premiações, entre elas o VMB da MTV — Melhor Banda Instrumental (2009), e o Açorianos de Música (em duas categorias e edições) — Revelação (2005) e Melhor Disco Instrumental (2011).  

Gustavo Telles deixou a Pata de Elefante em 2017, mas bem antes de sua saída, iniciou uma carreira solo com Os Escolhidos, uma banda de apoio de formação flutuante, mas sempre associada a importantes realizadores da cena do Rio Grande do Sul. Depois da estreia com o álbum Do Seu Amor, Primeiro É Você Quem Precisa (2010), ele reafirmou sua incursão por gêneros como country, rock, blues e soul em Eu Perdi o Medo de Errar (2013). Na sequência veio Ao Vivo no Theatro São Pedro (2017), testemunho de um repertório coerente e genuíno. E, sob a égide de uma linha evolutiva, o álbum homônimo Gustavo Telles & Os Escolhidos (2017) resultou num conjunto de canções elogiado pela crítica especializada em diversos sites e publicações, trabalho que ainda teve lançamento em vinil.

Em seu novo álbum, Hoje, aos 43, lançado nesta terça-feira (25) nas plataformas de streaming, o compositor traz a passagem do tempo como um dos temas que permeiam boa parte das canções de um álbum com o símbolo da maturidade. Usualmente autobiográfico, Telles revela em primeira pessoa seus anseios e frustrações, dilemas comuns a todos nós. Ele fala de sua travessia nos últimos anos, conforta-se na imparável renovação da existência, nos alerta dos extremismos políticos, exalta a capacidade de restauro em nossas vidas, mas sempre pelejando nas vicissitudes dessa trajetória. A narrativa passa pelo retorno à cidade natal do músico, relembra o exílio durante a pandemia, evoca medos e desejos, mas emerge com um fio de esperança no amor, um raio de sol que ilumina as consequentes reconstruções deflagradas por todo e qualquer imprevisto. 

Gravado no Estúdio Cegonha, em Porto Alegre, entre maio de 2021 e julho de 2022, a produção musical de Hoje, aos 43 é assinada pelo ex-Cascavelletes Luciano Albo (baixo, guitarra, violão, percussão, vozes e arranjos), com coprodução de Gustavo Telles (bateria, baixo e voz) e Murilo Moura (teclados e voz de apoio). O álbum ainda conta com participações especiais de King Jim (saxofone e voz), Maurício Nader (guitarra, percussão e voz de apoio), Rica Sabadini (violão) e Márcio Grings (harmônica). Todas as canções são de Telles, parte delas compostas em parceria com Luciano Albo, Luís Armando Guedes, Murilo Moura, Rica Sabadini e King Jim. A foto da capa é de Rodrigo Marroni.

Indo ao cerne de cada canção, a obra apresenta suas credenciais em temas encapsulados com o mais puro DNA das composições de Telles. A capacidade de nos identificarmos com suas narrativas é uma das grandes virtudes de grande parte do conteúdo, assim como as camadas de vozes combinadas entregam ao ouvinte a pura gema dos Escolhidos. Bem no início, já na faixa-título, o compositor traz à tona as alegrias e refuta as dúvidas do retorno ao lar. A busca pelo caminho certo está em "O Farol" e, sardônico, ele nos induz à necessária cartilha do recomeço em "Cambaleando Foi que Reagi": "Enfrentar o que for / Muita força surge é mesmo da dor / Cambaleando foi que reagi / Até firmar meus passos pelo chão / Buscando uma direção / Já não posso parar / Na certeza de que vou me encontrar”. A vibração rock'n'soul na cozinha, as guitarras se complementando, afora os fraseados do Hammond como base melódica, são marcas e afirmações do disco. 

“Na Simplicidade da Vida” daria um belo samba, mas não fala de amor ou de temas amenos, pois nos relembra dos radicalismos e extremismos vigentes nos dias de hoje. Por outro lado, pode ser vista como uma balada sessentista — num disfarce jovemguardista, eu diria — arranjo de vozes a lá Beach Boys, com destaque para o solo de guitarra encharcado de filter (por Luciano Albo). E ainda no quesito arranjo de vozes, “Estou no Meu Lugar” apresenta seu magnus opus no minuto final, nessa música escrita em 2005 durante um banho de mar na Guarda do Embaú (SC), e que só ganhou luz agora. A canção de protesto “Presidente Fascistão” — primeiro single do álbum — joga seu arpão na instabilidade da atual ingerência presidencial. Ao final, a guitarra de Maurício Nader se debate como se fosse uma Moby Dick lutando contra esse ferrolho.

“Feito as Águas de um Rio” está entre as grandes canções de Hoje, aos 43, e utiliza a metáfora da água corrente como mantra de apaziguamento e aceitação, visto que voltar para casa muitas vezes é a coisa certa a ser feita: Deixo o vento tocar meu rosto / Não me importo em sentir frio / Em minhas veias o sangue corre feito as águas de um rio / Quanto tempo eu estive longe / Como posso ajudar? / Foi um chamado/  Eu disse sim, e assim voltei pra lutar”.     

Atente para o classicismo do solo bluesy no início da balada “Mesmo Assim Estamos Juntos” (uma das minhas preferidas) — outra guitarra capitaneada por Nader —, assim como o segundo solo, stoneano, feito por Albo, uma amostra da divisão de forças nas seis cordas. A letra proclama o afastamento involuntário imposto pelas circunstâncias e evoca a lembrança de amores incompletos, assim como “Sobre o Tempo” reflete sobre semelhantes complexidades. O violão de Rica Sabadini (Conjunto Bluegrass Porto-Alegrense e Alemão Ronaldo) e as vozes de "Lembre-se de Mim” flertam com  country e os ares pastorais do folk, e, por fim, o alto-astral de “Já Te Disse que Te Amo Hoje?” traz a irreverência de King Jim (Garotos da Rua, Los 3 Plantados) que não apenas divide os vocais com Telles (que gravou o baixo neste tema), mas principalmente traz um toque de picardia e da mais pura diversão ao quinto álbum de Gustavo Telles & Os Escolhidos.  

Hoje, aos 43 ganhará lançamento em formato físico em 2023.



Review: Blind Guardian – The God Machine (2022)

 


O Blind Guardian é mais um caso de uma banda que ficou presa à sua própria fórmula. Explico: os alemães alcançaram o topo do mundo e se transformaram em uma das maiores bandas de metal do planeta com os clássicos Imaginations From the Other Side (1995) e Nightfall in Middle-Earth (1998), álbuns brilhantes que apresentaram um som intrincado, épico e grandioso, banhado por doses generosas de melodia e agressividade e adornado por letras inspiradas no universo fantástico de J.R.R. Tolkien, o genial escritor inglês autor da trilogia O Senhor dos Anéis.

No entanto, é preciso admitir que, após esses dois discos, o Blind Guardian caminhou em direção a um som que ficou mais grandiloquente a cada disco, indo do excelente A Night at the Opera (2002) até Beyond the Red Mirror (2015), período onde, ainda que a banda continuasse lançando bons álbuns, a fórmula musical dos alemães foi se mostrando cada vez mais desgastada e, em certos aspectos, até mesmo esgotada. A cereja do bolo, pelo menos para uma parcela considerável dos fãs, foi o belíssimo Legacy of the Dark Lands (2019), álbum totalmente orquestrado e que não tem nada a ver não só com o som tradicional do quarteto alemão mas também com o próprio heavy metal, tanto que foi creditado para a Blind Guardian Twilight Orchestra.

Dentro de todo esse contexto, The God Machine funciona como uma espécie de reset. Décimo segundo disco do grupo, na prática é o primeiro com material “metálico” inédito em sete anos, desde Beyond the Black Mirror. A banda limou diversos aspectos da fórmula seguida a partir de Imaginations e Nightfall, e o resultado é um som mais direto e que remete aos primeiros álbuns. Isso se traduz não apenas em peso e agressividade, mas também em frescor e vitalidade, algo que os álbuns recentes do Blind Guardian não estavam conseguindo entregar.

Produzido pelo veterano Charlie Bauerfeind (Angra, Helloween, HammerFall), The God Machine vem com nove faixas em pouco mais de cinquenta minutos. No álbum, o quarteto formado por Hansi Kürsch (vocal), André Olbrich (guitarra), Marcus Siepen (guitarra) e Frederik Ehmke (bateria) – além dos músicos convidados Barend Courbois (baixo) e Thomas Geiger (teclado) – mostra porque esteve na liderança do power metal por longos anos e retoma a sua majestade em um trabalho como há anos os fãs estavam esperando ouvir.

O tracklist é sólido e traz composições ótimas como “Deliver Us From Evil”, “Violent Shadows”, “Life Beyond the Spheres”, “Secrets of the American Gods” e “Blood of the Elves”, todas com as características que tornam o som do Blind Guardian único: peso, agressividade e melodia em doses certeiras, com coros encorpando os refrãos e as interpretações magistrais de Hansi Kürsch.

Tem horas que tudo que uma banda precisa é retornar às suas raízes. O Blind Guardian fez isso e o resultado foi ótimo.



RARIDADES


Morse Code - Procréation (1976)

Um ano depois de lançar o clássico álbum “La Marche Des Hommes”, o canadense MORSE CODE lançou outro álbum conceitual magistral intitulado “Procreation”. Seguindo de perto sua fórmula patenteada de rock progressivo, este álbum simplesmente fará todos os fãs de progressivo babarem. Imagine uma mistura de golpes de guitarra HACKETT'esque com muitos belos mellotron / órgão, baixo criativo e interação de bateria e composição de músicas altamente imaginativa e você tem "Procreation". CÓDIGO MORSE é realmente um casamento perfeito do clássico ANGE com GENESIS! Os vocais são cantados em francês e me lembram muito a presença teatral de Christian Decamps (vocalista do ANGE). Este álbum apresenta a épica peça-título épica de mais de 26 minutos, que combina um personagem prog altamente britânico dos anos 70 com seu sabor único de Québécois. No geral, outro álbum matador que todos precisam ter em sua coleção... álbum absolutamente essencial! perdedor

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Città Frontale - El tor (1975)

Ainda outra banda de Nápoles, e também ligada ao Osanna, formada por Lino Vairetti e Massimo Guarino quando essa banda se separou em 1974. Mas Città Frontale eram na verdade duas bandas diferentes, a primeira sendo ativa em 1970 antes de Osanna ser formado com quatro de os membros posteriores da banda e Gianni Leone, que saiu para se juntar ao Balletto di Bronzo.

O novo Città Frontale manteve alguns dos principais elementos que caracterizaram fortemente o som de Osanna, como o forte uso de sax e flauta e a mistura de sons prog e folk mediterrâneo, mas com uma abordagem mais melódica e algo comercial. Comparado aos álbuns de Osanna, El Tor soa muito mais leve.

Com um belo design de capa do baterista Massimo Guarino (ele também produziu a bela pintura da capa do quarto álbum de Osanna), o LP começa com o longo Alba di una città /Solo uniti, que poderia facilmente encontrar seu lugar na Paisagem da vida de Osanna, mas o resto não é particularmente original, com até mesmo algumas influências de Zappa ou jazz-rock. Em suma, um álbum positivo, mas Osanna era uma coisa diferente


The Young Gods – TV Sky (30 years Anniversary) (2022)

 

os jovens deusesLançado em 1992, 'TV Sky' foi indiscutivelmente o álbum que definiu The Young Gods. Citado como uma obra-prima influente de Tool, Nine Inch Nails e Faith No More, entre muitos outros, este álbum incrível é remasterizado para seu 30º aniversário e complementado com remixes e faixas ao vivo.
Em uma mudança consciente de estética, os próprios deuses europeus voltaram seus olhos para a América com o quarto álbum da banda, produzindo seu disco mais 'rock' até hoje, um sucesso consistentemente forte. Abrindo com “Our House”, tudo parece (poderoso) como sempre – loops sonoros estranhos, padrões rítmicos explodindo repentinamente em combinações de bateria/riffs em massa. Mas a diferença aqui está nas letras – descontando covers anteriores, Treichler pela primeira vez canta em inglês aqui e por toda parte,…

MUSICA&SOM

…um público-alvo consciente ao qual ele se dirigiu em entrevistas contemporâneas. “Gasoline Man” acaba sendo a grande mudança, renovando o que soa como um velho riff do ZZ Top em um clássico do rock americano como qualquer outro – estrutura lírica de blues, amando a estrada e o motor – ainda com a assinatura sonora única dos Deuses presente, renovando e recompondo o passado em uma forma mais limpa e nova que evita soar como outra banda de bar.

O single de sucesso underground “Skinflowers” ​​combina um pulso poderoso e golpes de feedback nítidos com uma letra perversamente cativante; outras faixas como “TV Sky” e a perversa citação do Guns n' Roses “The Night Dance” se acumulam no som e no espaço em uma medida igualmente emocionante. “Summer Eyes”, um tributo intencional aos Doors feito após inúmeras comparações de Jim Morrison/Treichler no passado, ainda tem uma quebra de órgão no estilo Manzarek no meio da música, mas termina o álbum com uma nota perturbadora, samples de riffs lentos desaparecendo sob o som de Treichler. visão sombria e astuta da América. Em suma, um álbum maravilhoso que nunca teve o devido valor. 


Phantom Planet – The Guest [20th Anniversary Edition] (2022)


planeta fantasmaEnquanto um número cada vez maior de artistas promissores está fazendo seu nome confundindo as linhas entre rock, metal, rap, soul, dance, country e qualquer outro estilo musical que você possa imaginar, o Phantom Planet continua com rock & roll. Pop/rock, se você quiser dividir os cabelos, mas isso não é basicamente redundante? Ironicamente, com a deserção de tantos artistas para gêneros híbridos, The Guest soa incrivelmente novo. É difícil pensar em muitas bandas contemporâneas que estão fazendo um rock & roll tão ensolarado e pop. Tire o punk do Weezer, o kitsch do Fountains of Wayne, ou os Strokes da garagem, e você chega bem perto. O álbum abre forte com quatro faixas contagiantemente otimistas que são cantadas…

MUSICA&SOM

… esperando para acontecer. As músicas são bem elaboradas e impressionantemente maduras para uma banda cujos membros mal têm idade legal para beber. O único passo em falso é o schmaltzy “Anthem”, no qual o vocalista Alex Greenwald pensa em escrever uma música pela qual todo o planeta se apaixona.

O resto do álbum flerta com alguns toques eletrônicos, mas nunca se desvia muito do rumo original. Os vocais de Greenwald permanecem sinceros e confiantes o tempo todo, embora ele pareça estar canalizando Thom Yorke em seus momentos mais calmos, como “Turn Smile Shift Repeat”. O Phantom Planet se distingue por não ter medo de fazer um álbum exuberante e texturizado que evite soar brilhante ou superproduzido. O uso de cordas e teclados é sutil, mas eficaz. De fato, o primeiro single e faixa de abertura “California” emprega um gancho de piano vital para manter a música unida. O que mantém todo o recorde unido, no entanto, é o talento do Phantom Planet para melodias alegres com melodias que saltam em sua cabeça e ficam lá

1. California (Tchad Blake Mix) [03:11]
2. Always On My Mind [03:25]
3. Lonely Day [03:38]
4. One Ray of Sunlight [04:41]
5. Anthem [04:18]
6. In Our Darkest Hour [02:59]
7. Turn Smile Shift Repeat [05:20]
8. Hey Now Girl [02:41]
9. Nobody’s Fault [02:33]
10. All Over Again [03:21]
11. Wishing Well [04:17]
12. Something Is Wrong [02:03]
13. This Is What You Get (Demo) [04:06]
14. The Living Dead [03:24]
15. Shadows (Live at The Troubador, West Hollywood, CA – 2001) [03:36]
16. The Guest (Live at the House Of Blues, Chicago, IL – Dec 2001) [03:45]
17. Do The Panic (Live at the House Of Blues, Chicago, IL – Dec, 2001) [03:02]
18. Stiffs (Demo) [02:34]
19. Always On My Mind (London Version) [03:14]
20. Lonely Day (Demo) [03:37]
21. Nobody’s Fault (Live at The Troubador, West Hollywood, CA – 2001) [02:33]
22. California (Jack Joseph Puig Mix) [03:10]


Nação Progressiva: Bandas do Mexico


 

Hoje nos mudamos para as terras dos astecas, maias e tequilas, para mostrar uma lista de 5 bandas progressivas mexicanas, com diferentes propostas de estilos progressivos. Vamos la.

np méxico

ekos

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Ekos é uma banda de Rock Progressivo que mistura sons dos anos 70 e dos grupos mais modernos, alcançando uma grande mistura de resultados altamente originais que o farão viajar por passagens melodiosas, ecléticas e virtuosas. Influenciado por Fates Warning, Dream Theater, Pink Floyd, Steven Wilson, Anathema.

 

Glass Mind

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Glass Mind é sinônimo de virtuosismo muito bem executado, eles não deixam nada ao acaso, se não cada integrante expõe seu talento e mostra, Além do Prog Metal, eles tem muita potência, um pouco de Jazz, Funk por aí e trilhas sonoras de filmes, Eles são qualidade garantida para seus ouvidos. Eles são influenciados por Animals As Leaders, Dream Theater, Liquid Tension Experiment e The Aristocrats.

 

Anima Tempo

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Banda Chingona com todas as suas letras, eles fazem Death metal progressivo completo, mas com conotações Experimentais, Djent e passagens polimétricas, usando vozes guturais e vozes melodiosas. Não perca tempo e ouça agora mesmo. Influências de Dragonforce, Animals As Leaders, Periphery, Between The Buried And Me, Born Of Osiris. É também uma banda que já sabe tocar em festivais europeus.

 

Tangerine Circus

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Banda de Rock e Metal Progressivo, com uma infinidade de sonoridades e estilos em uma banda, são virtuosos, têm sentimento, são experimentais, têm seus momentos sinfônicos. Um deleite para o ouvinte, totalmente influenciado por Dream Theater, Porcupine Tree, Symphony X, Iron Maiden, King Crimson. Eles são uma gama de sons juntos, você tem que ouvi-los.

 

Alpha Lightim System

Banda de Rock Progressivo/Jazz Fusion, com alta qualidade de performance musical, vocais, produção. Eles lembram as velhas glórias do prog dos anos 70 e 80 com claras influências de King Crimson dos anos 80, alguns Yes, Asia e ElP. Não é à toa que seu último álbum é produzido pelo próprio Billy Sherwood do Yes.

 

Bonus Tracks

Parazit

Um Trio de Guadalajara com muita energia, talento e potência, tem um Metal Progressivo com toques de Math Rock e passagens Avant Garde e Djent. Influências de Animals As Leaders, King Crimson, Primus. Seus sons são carregados de acelerações e desacelerações espontâneas que fluem naturalmente das composições inspiradas.


Destaque

Blackfeather - At the Mountains of Madness (1971)

  Ano:  Abril de 1971 (CD 2002) Gravadora:  Akarma Records (Itália), AK 223 Estilo:  Rock Progressivo, Rock Psicodélico, Hard Rock País:  Sy...