segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

BIOGRAFIA DE Lou Reed

Lou Reed

Lewis Allen "Lou" Reed (BrooklynNova Iorque2 de março de 1942 — Long Island, Nova Iorque, 27 de outubro de 2013) foi um cantorguitarrista e compositor norte-americano. Foi considerado o 81.º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista norte-americana Rolling Stone.[1][2][3]

Juntamente com John Cale, ele fundou a banda produzida por Andy WarholThe Velvet Underground. A banda influenciou Iggy PopNew York DollsDavid Bowie, e posteriormente, toda a cena pós-punk inglesa. Admirador de Edgar Allan Poe e Raymond Chandler, além de James Joyce, a quem faz referências em Blue Mask. The Velvet Underground foi um fracasso comercial no final dos anos 60, mas o grupo influenciou diversas outras bandas nas décadas seguintes, passando a se tornar uma das bandas mais citados e influentes da época. Uma célebre frase de Brian Eno mostra a influência musical da banda: "... toda a gente que comprou uma dessas 30 mil cópias iniciou uma banda".

Após sua saída do grupo, Reed começou uma carreira solo em 1972. Ele teve êxito no ano seguinte com "Walk on the Wild Side", mas depois não emplacou o sucesso comercial que parecia ter potencial. Reed era conhecido por sua voz inexpressiva diferenciada, letras poéticas e de cunho social crítico como pobreza, entorpecentes e desigualdade social. Por seu trabalho nas décadas de 60 e 70, Reed conquistou a reputação de pioneiro nos estilos punknoise rock e industrial.

Na vida pessoal, era abertamente bissexual tendo, na década de 70, um relacionamento com uma mulher trans. Em maio de 2013 passou por um transplante de fígado. Voltou a ser internado em julho com um quadro de desidratação severa, vindo a morrer em 27 de outubro do mesmo ano.[2] Seu corpo foi cremado.[4]

Vida

Infância e juventude

Lou Reed nasceu no Brooklyn em uma família de judeus de sobrenome Rabinowitz (posteriormente modificado para Reed). Ele cresceu em Long Island, em Freeport. Cedo ele descobriu seu interesse por música e durante seus anos escolares interessava-se por Rock n’ roll e Blues. Seu primeiro disco foi lançado sob o selo de Bob Shads, “Time”, e na adolescência foi membro de uma banda Doo Wop chamada “The Jades”.

Reed distanciou-se de seus pais e passou a estudar na universidade de Syracuse, onde, nos anos 60, começou a estudar e formou-se em língua inglesa. Seu professor e mentor intelectual na Universidade era Delmore Schwartz, de quem ele também era amigo pessoal. Uma vez Lou Reed disse que seu objetivo era trazer a sensibilidade e a inteligência do romance para o rock ou transformar os grandes romances americanos em música. Mais tarde Lou Reed escreveu que as canções “My House” e “European Son” como tributos a Schwartz, que teve uma grande influência na parte mais madura da carreira do compositor.

Durante seu período de estudos em Syracuse, Reed desenvolveu também interesse por free-jazz e música experimental como a de La Monte Young, com quem John Cale trabalhou.

Primeiros passos musicais

Reed se mudou para Nova York em 1963, onde trabalhou como compositor para a gravadora Pickwick Records, que produzia “música para dançar” em escala industrial. Em 1964, ele logrou certo êxito com “The Ostrich”, um grupo de paródia de música de dança popular, e os produtores de discos logo se deram conta de seu talento promissor. Mais tarde, no mesmo ano, Reed fundou o grupo “The Primitives”, ao lado de John Cale. Ele conhecera John Cale, que estudava música, ao acaso em Nova York. Cale se surpreendeu com a maneira inovadora como Reed tocava guitarra. Reed se acostumou a afinar as cordas de sua guitarra de uma maneira que criasse um efeito chamado drone, o que harmonizava com a música experimental de Cale. Quando Cale ouviu o repertório das composições de Reed - incluindo uma versão inicial de “Heroin” - eles decidiram colaborar e formar uma banda.

Vida pessoal

O primeiro casamento de Reed com Bettye Kronstadt durou pouco tempo e se dissolveu durante as gravações de Berlim em 1973. De 1976 a 1978, Reed namorou uma mulher trans chamada Rachel Humphreys, considerada sua musa, e uma figura profundamente impactante em sua vida.[5] Rachel é referenciada diretamente na música “Coney Island Baby" (“I’d like to send this one out to Lou and Rachel, and all the kids at P.S. one ninety-two”), e é tida como principal inspiração para o restante das canções do álbum homônimo. Ainda assim, Lou se auto-identificou publicamente como gay ao longo dos anos 70.[6] No “Valentine’s Day” de 1980, Reed casa-se com Sylvia Morales, que havia conhecido em um clube de sadomasoquismo no bairro de Greenwich Village. Ele deixa Morales em 1992, após conhecer a artista Laurie Anderson em Munique. Reed e Anderson se tornam um casal em 1995 e passam a viver juntos no West Village desde então. Os dois se casam efetivamente em 12 de abril de 2008 em Boulder, Colorado.

Reed era um mestre do boxe nas sombras do Tai Chi Chuan.[7] Desde 1980, ele praticava Tai Chi estilo Chen e treinou com o mestre chinês Ren Guang Yi por muitos anos.

Velvet Underground

Reed e Cale apareceram em 1965, juntamente com Sterling Morrison e Maureen Tucker pela primeira vez sob o nome "The Velvet Underground". Essa banda com estilo inovador até hoje está indissoluvelmente ligada ao nome de Reed, apesar de sua carreira solo de sucesso posterior. Reed foi cofundador e idealizador da banda produzida por Andy Warhol ao lado de John Cale e tocou guitarra, cantou e escreveu a maioria das canções. Embora a banda não tenha tido sucesso comercial durante sua existência, The Velvet Underground é considerada uma das bandas alternativas mais influentes de todos os tempos e pioneira na música punk e independente mais tarde. Um sucesso notável foi o álbum de estreia “The Velvet Underground & Nico” (o famoso álbum da banana) com a cantora alemã Nico, com quem Lou Reed esteve emocionalmente envolvido. Uma prévia do trabalho posterior de Reed na década de 1970 foi o LP “White Light/White Heat”, que foi elaborado com feedback atonal.

Carreira solo

Anos 70

Depois de se separar do Velvet Underground, Reed iniciou sua carreira solo em 1972 com um álbum de estreia que carregava seu próprio nome. Ele contém principalmente canções que foram criadas na fase final da Velvet Underground. Apesar das críticas boas, o sucesso comercial não foi atingido. O álbum alcançou apenas o ranking 189 das paradas da Billboard nos EUA e sequer conseguiu uma colocação no Reino Unido. Do álbum, dois singles foram extraídos (Going Down e Wild Child).

Mais tarde naquele ano, Reed lançou o álbum glam rock “Transformer”, produzido por David Bowie e Mick Ronson . Ele trouxe a Lou Reed uma certa popularidade em massa pela primeira vez - a canção intitulada “Walk on the Wild Side” (com o solo de saxofone barítono de Ronnie Ross) é hoje um clássico. Em 1973, seguiu o álbum “Berlin”, que trata de uma história de amor fracassada de dois junkies na cidade que dá nome ao álbum. O álbum é caracterizado por seu humor mordaz e contém canções como “Caroline Says II (sobre violência)”, “The Kids (sobre prostituição e uso de drogas)”, “The Bed (sobre suicídio)” e, não surpreendentemente, “Sad Song”. “Berlin” é visto como uma obra-prima atualmente, mas na época de seu lançamento deparou-se com quase completa falta de entendimento e horror entre a imprensa e o público. Lou Reed ficou tão decepcionado com esse fracasso que disse na época que havia "pendurado as chuteiras". Isso significou, por parte dele, confronto severo ou indiferença desdenhosa com a imprensa do rock, seu público na época e sua própria carreira comercial pelo resto da década. Além disso e não menos importante, as dificuldades das turnês quase intermináveis ​​colaboraram para levá-lo à beira do abismo. Em entrevistas posteriores, ele refletiu com autocrítica sobre seus excessos na época como sendo uma revolta infantil.

Em 1975, ele criou o álbum duplo “Metal Machine Music”, que consiste principalmente em feedback de guitarra, sendo difícil reconhecer melodia ou estrutura das músicas. O álbum é controverso: Enquanto o “Chicago Tribune” classificou o disco como um "gesto barato na indústria fonográfica" ou uma "piada de mau gosto", o jornalista de rock Lester Bangs o chamou de genial. Embora o elenco que apareça no álbum seja fictício, Reed enfatizou que era um trabalho realmente sério. De qualquer forma, foi uma provocação sem precedentes para uma "grande gravadora" por parte de um artista de discos até então bastante comerciais. Mais tarde, o trabalho foi transcrito para instrumentos acústicos clássicos pelo “Ensemble for Contemporary Music Zeitkratzer” de Berlin e estreou na mesma cidade em 2002.

O tempestuoso MMM foi seguido pelo álbum melodicamente suave “Coney Island Baby”, que o trouxe de volta às paradas. As gravações de Lou Reed do final da década de 1970 são vistos pelos críticos como menos bem-sucedidas e bastante desequilibradas. Isso é atribuído a seus problemas crescentes com drogas e ao fato de que as gravadoras limitaram seu espaço para criações.

Anos 80

No início dos anos 80, Reed desistiu da vida autodestrutiva e das turnês sem fim para se dedicar a por coisas mais importantes, como seu aclamado álbum de retorno “The Blue Mask”. Ele se casou com Sylvia Morales, que então tornou-se sua empresária por um longo período. Essa virada em direção a uma atitude mais madura, sóbria e, portanto, a uma vida mais disciplinada se refletiu em seus registros bastante calmos e serenos dessa década. Isso também causou críticas duras da imprensa do rock, pela qual ele era frequentemente considerado o epítome do rebelde impiedoso. No entanto, Reed havia anunciado anteriormente que acreditava na longevidade e no autocontrole e que era muito crítico do papel bastante ambíguo da "vítima do rock and roll".

Anos 90

Com seu bem-sucedido álbum “New York”, de 1989, Reed jogou sua raiva contra os problemas políticos de sua cidade natal, como a poluição, a injustiça social e o racismo. Ele também citou diversos famosos em suas músicas, como Jesse Jackson , o Papa João Paulo II., Kurt Waldheim e Stevie Wonder. A ex-baterista da Velvet Underground, Moe Tucker, tocou bateria em duas faixas.

Quando Andy Warhol, ex-patrono e produtor da Velvet Underground, morreu, Lou Reed trabalhou novamente em colaboração com o segundo cocriador da Velvet Underground, John Cale, após uma pausa de 15 anos.

O resultado foi o álbum “Songs for Drella”, uma biografia de Warhol e um auto-retrato no rock minimalista. As letras desse álbum transmitem um afeto emocionante e confissões dolorosas, sem perder o humor. São mencionadas a tentativa de assassinato de Warhol por Valerie Solanas em 1968, sua ética de trabalho austera, sua solidão inimaginável em meio ao sucesso e ao glamour, suas pequenas fraquezas e a possível negligência por parte dos médicos. Em 1993, houve uma reunião inesperada da Velvet Underground. Essa reunião teve bastante sucesso com o público, mas apenas por um curto período de tempo, até que as velhas tensões e diferenças dentro do grupo rapidamente voltassem a separar seus integrantes.

Reed continuou suas notas sombrias com “Magic and Loss”, um álbum sobre a perda de amigos para o câncer. Em 1997, mais de trinta artistas gravaram em conjunto a música “Perfect Day” para a Fundação da “BBC Children in Need”.

Década de 2000

Juntamente com Robert Wilson, responsável pelo conceito cênico, Reed criou a peça POEtry, que estreou em 2000 no Teatro Thalia, em Hamburgo. Reed escreveu o libreto, as letras e a música para a peça de três horas. O título POEtry é um trocadilho de POE entre Edgar Allan Poe e poetry, a palavra em inglês para poesia. Em 2001, Reed foi vítima de um boato anunciando sua morte como resultado de overdose de heroína. Baseado no trabalho de Edgar Allan Poe, ele publicou em 2003 também o CD duplo “The Raven”, no qual participaram artistas como Laurie Anderson, Ornette Coleman, David Bowie, Julian Schnabel, Willem Dafoe e Antony. Um remix de sua música “Satellite of Love”, (Satellite of Love '04), de Groovefinder, foi lançado em 2004 e alcançou o 10º lugar nas paradas britânicas. Em 2007, ele gravou a canção “Tranquilize” com a banda “The Killers”. A turnê europeia planejada para outubro de 2009 com sua recém-formada banda “Metal Machine Trio” (Krems, Wroclaw, Berna, Leipzig, Hamburgo, Berlim) foi, segundo a agência londrina Primary Talent International, cancelada por "sérios problemas pessoais".

Década de 2010

Depois de aparecer com o Metallica por ocasião de sua inclusão no Hall da Fama do Rock and Roll em 2009, Lou Reed gravou com eles o álbum Lulu. A participação do Metallica no álbum Lulu foi confirmada no site oficial da banda. Lulu possui dez canções e foi lançado no dia 31 de outubro de 2011.[8][9] O disco não foi bem recebido pelo público por não repetir a fórmula que levou os Metallica ao topo do estilo speed metal. Com poucos solos e riffs, e Lou Reed recitando poemas durante todas as músicas, houve um péssimo feedback acerca do álbum, principalmente entre os seguidores do Metallica.

Estilo e repercussão

As temáticas de Lou Reed estavam muito à frente do rock da época. A música popular só conquistou Reed com o surgimento do punk de meados para o final da década de 1970, mas mesmo assim suas músicas eram únicas: sobrepostas ao feedback da guitarra ou delicadamente melódicas; Reed geralmente cantava sobre temáticas que iam do perturbador ao cruel, não apenas na sociedade estabelecida, mas também na contracultura ou no "underground" da época. “Walk on the Wild Side” é uma saudação irônica aos lúmpens, traficantes e travestis que frequentavam a Factory, de Andy Warhol. “Perfect Day” foi incluída mais tarde na trilha sonora do filme “Trainspotting”. Lou Reed registrou e desenvolveu tópicos que tratavam de Allen Ginsberg, William S. Burroughs e Jean Genet.

Reed sempre foi um artista de personalidade forte que raramente se adaptou ao espírito predominante da época. Ele preferia roupas de couro preto e sadomasoquistas durante a era hippie colorida e otimista da década de 1960. Esse traje talvez fosse uma correspondência visual de sua atitude deliberadamente cética e distante da realidade urbana. Característico para ele também é um humor surpreendentemente seco e irônico que permeia seus textos e outras expressões artísticas. O tema principal de suas canções mais lacônicas é frequentemente a "vida quebrada" na selva urbana, mas também no idílio suburbano aparentemente intacto. Seus personagens estão, na maioria das vezes, enredadas em suas contradições insolúveis ou abismos mentais.

O teor de seus textos é pessimista, sem ilusões, ainda que mais compassivo do que cínico. No entanto, sua simpatia não se dirige a jornalistas, aos quais ele repetidamente definiu como “uma espécie altamente ignorante, insincera e invasiva” até sua morte, e que muitas vezes se tornaram o alvo preferido de suas temidas astúcia e franqueza. Como Warhol ou um artista da Fluxus, ele fez que suas entrevistas irritantes se transformassem em pequenas performances artísticas, minando completamente as expectativas do questionador.

Lou Reed foi considerado um artista briguento e imprevisível. Nas últimas décadas, ele sentiu que o rock estava cada vez mais sujeito a conteúdos e limites musicais mais estreitos e procurou trabalhar com colegas ou amigos de outras áreas como Paul Auster, Julian Schnabel, Philip Glass, Jim Jarmusch, Robert Wilson e Wim Wenders para explorar novas oportunidades por si mesmo.

Homenagens

Como membro do The Velvet Underground, Reed foi inserido no Hall da Fama do Rock and Roll em 1996. Na cerimônia, Patti Smith fez o discurso da homenagem. Em 2015, Reed também foi incluído como artista solo no mesmo Hall da Fama.

A influente revista de música Rolling Stone inclui Reed em várias de suas listas de melhores artistas. Enquanto “The Velvet Underground” é classificada como número 19 dos 100 maiores artistas, todos os quatro álbuns que Reed gravou como um membro da banda estão na lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos, estando “The Velvet Underground & Nico” em 13a posição e “White Light / White Heat” em 293a, “The Velvet Underground” ficou em 314a posição e “Loaded” em 110a. Dois álbuns que Reed gravou como artista solo, “Transformer” e “Berlin”, foram classificados na posição 194 e 344 da mesma lista, embora o último álbum houvesse sido chamado de "desastre" trinta anos antes pela mesma revista.

Em 2004, a revista Rolling Stone atribui-lhe o lugar 52 entre os cem maiores guitarristas (o avaliou como 52.º dos 100 maiores guitarristas). Em 2011, conferiu-lhe a posição 81. Na lista dos cem maiores cantores, ele está classificado desde 2005 na posição 62. Em 2015, a mesma revista o colocou no vigésimo primeiro lugar entre os cem melhores compositores de todos os tempos.

No vigésimo aniversário da Revolução de Veludo, em novembro de 2009, Václav Havel convidou Lou Reed, a quem ele apreciava há muito tempo, para visitar Praga juntamente com Joan Baez, Suzanne Vega e Renée Fleming. Havel elogiou-os com as seguintes palavras: "Esses artistas são conhecidos por seu livre pensamento. Eles sempre estiveram do lado da liberdade e muitos deles expressaram sua solidariedade em épocas mais sombrias. " O Metal Machine Music também foi votado como um dos "cem discos que incendiaram o mundo (enquanto ninguém ouvia)” da The Wire.

Em 2012, um gênero de aranha foi designada em sua homenagem (Loureedia) e em 2015 um asteroide ((270 553) Loureed) ganhou seu nome.

Discografia

Dinosaur Jr – Sweep It Into Space (2021)


 

Ao 12º disco de originais, mais um bom álbum de canções noise dos Dinosaur Jr, uma banda que não sabe fazer má música.

Esta já é a segunda ou terceira vida dos Dinosaur Jr, a banda de J Mascis e Lou Barlow (com o baterista Murph). Depois de terem feito parte da melhor banda sonora do rock alternativo dos anos 80 e 90 (juntamente com os Sonic Youth ou os Pixies, entre outros), zangaram-se, fizeram as pazes, juntaram-se novamente e agora lançam o 12º disco de originais, e já o quinto desde que voltaram para esta última encarnação, em 2005.

A origem de Sweep It Into Space não foi necessariamente fácil. Começou a ser gravado ainda em 2019, com o muito recomendável Kurt Vile na cadeira da co-produção, mas o processo foi interrompido pela pandemia. O disco foi sendo terminado aos poucos, o que poderia ter deixado marcas na sua uniformidade. Mas não é isso que acontece.

O universo dos Dinosaur Jr está definido há muitos, muitos anos, e praticamente não mexe. Com mais ou menos intensidade, com mais ou menos conceito aqui e ali, a matriz é a mesma desde que o guitar wizard J Mascis decidiu pegar na guitarra: canções pop encharcadas em electricidade e bendita distorção; a eterna voz de adolescente sensível de Mascis; e os seus solos límpidos e perfurantes, que nos penetram até à alma e são sempre colocados no altar de destaque de qualquer canção da banda de Massachusetts.

Mesmo a guitarra acústica irrequieta “a la Cure dos anos 90” de “And Me”, que traz alguma frescura, é engolida pela sofreguidão noise da guitarra eléctrica. O objecto mais estranho deste disco é “Take it Back”, movida a teclas saltitonas, que foge um pouco do molde. A guitarra acústica faz-se notar em “I ran away” e no fecho, com a bonita “You wonder”, ajudando a fazer de Sweep It Into Space um trabalho dos mais melódicos e acessíveis da banda (que na verdade sempre escondeu mal uma profunda sensibilidade pop por baixo do ruído).Tirando isso, pouco ou nada de inesperado temos por aqui.

A crítica a fazer é simples: mais do mesmo. O elogio também é simples: se o mesmo é bom, obrigado por nos darem mais.

Sweep It Into Space não trará nem mais um fã para os Dinosaur Jr, mas não me parece que eles estejam particularmente preocupados ou empenhados nisso. Para quem é fã, e para quem não esqueceu a emoção e o arrepio de um solo de guitarra a rasgar, estes doze temas são uma renovada razão para acompanhar estes dinossauros do indie.


Histórico da Setlist: The Beatles Rooftop Concert

 

Quando você está falando sobre os Beatles, parece impossível falar sobre qualquer fase de sua carreira sem usar a palavra "icônico". Em apenas 9 anos, a banda se tornou um fenômeno global, alterando a face da música e da cultura pop permanentemente. Eles são considerados por muitos como a maior banda de rock de todos os tempos. Apenas escrever esta introdução é difícil, as palavras parecem redundantes e volumosas, a noção de ter que fornecer informações sobre os Beatles parece totalmente ridícula.

Então é justo que o fim da banda também tenha sido icônico. Em 30 de janeiro de 1969, os Beatles fizeram sua última apresentação pública juntos. O lendário show em Londres foi decidido apenas alguns dias antes, realizado sem anúncio e o local era o telhado do próprio prédio da Apple Corp do Beatle.

Setlist do Beatle – Por Setlist.fm

O setlist foi composto por 12 músicas, incluindo quatro apresentações do hit "Get Back". A quarta foi interrompida pela polícia de Londres, que chegou para interromper o show citando "reclamações de barulho". Paul McCartney, em resposta, improvisou uma mudança em algumas das letras da música: "Você está brincando nos telhados de novo e sabe que sua mãe não gosta disso, ela vai mandar prender você!" pouco antes do show ser oficialmente encerrado.

A performance foi filmada para o documentário Let It Be . Imagens da banda se apresentando ao vento, envoltas em casacos de inverno, são misturadas com fotos de fãs se reunindo para assistir. As pessoas lotaram as calçadas, janelas, saídas de incêndio e seus próprios telhados, sem saber que estavam vendo a banda junta pela última vez. Mas quando a banda se dispersou, John Lennon falou o que se tornou as palavras finais perfeitas, um último momento icônico para a banda que mudou tudo.

Q é para…Queen! ‘Sheer Heart Attack’

 

Diversidade de gêneros, repleta de ideias musicais, repleta de técnicas de produção, repleta de imagens líricas e energia, esta é a obra-prima de longa duração do Queen! Existem dois lados nessa história musical, o lado um sendo muito 'rock' e contendo o material mais familiar, com o lado dois mais eclético e apresentando diferentes aspectos das personalidades da banda.

Há uma economia impressionante no álbum, o tempo total de audição chegando a menos de trinta e nove minutos, algo inédito nos lançamentos de hoje. Claro, a duração dos discos na era do vinil preto era parcialmente limitada pela tecnologia e qualidade da prensagem, mas se você pode dizer o que quer neste período de tempo, como o Queen fez aqui, por que você iria querer qualquer mais tempo? Bandas desde então, agora e no futuro podem aprender com esta masterclass. Com que frequência você vê álbuns de rock com músicas tão curtas quanto um minuto e sete segundos?! 

O Queen foi formado em 1971, quando o estudante de arte Farrokh (Frederick) Bulsara, da ilha de Zanzibar e nascido em uma família de origem persa e estrita fé parse, Brian Harold May, de Twickenham, Middlesex, um estudante de astrofísica que esculpiu sua primeira guitarra de uma lareira de mogno, e Roger Meddows Taylor, um estudante de odontologia de Norfolk, criado em Truro, Cornwall, fez um teste com o quieto e estudioso John Richard Deacon, nascido em Leicester, e o selecionou para completar a formação da banda. May e Taylor estiveram em uma banda anterior, Smile, da qual Mercury se juntou, então esse novo empreendimento tirou o aprendizado disso e também foi uma ruptura com o passado para criar um novo futuro.

Bulsara se tornou Mercúrio, May abandonou a astronomia e Taylor trocou a odontologia pelo rock'n'roll. O tempo de Freddie como dono de uma barraca de mercado satisfez sua paixão pela moda de segunda mão e a nova banda era um veículo perfeito para o artista com reputação de ser exagerado e arrogante antes de se juntar a eles. Com sede na capital da Inglaterra, 'a grande fumaça' de Londres, os quatro iriam incendiar o mundo musical...

Tendo lançado seu álbum de estreia 'Queen' em julho de 1973, depois de muito atraso, e seguido pelo segundo álbum com título imaginativo 'Queen II' em março de 1974, a banda estava ganhando popularidade, embora também atraísse críticas negativas de sua música, que foi uma mistura incomum de estilos. O rock com guitarra 'Keep Yourself Alive' do primeiro álbum e o single mais pop e coral 'Seven Seas Of Rhye' do segundo chamaram a atenção e se tornariam clássicos do Queen. 'Sheer Heart Attack', a ser lançado em uma população desavisada em 8 de novembro de 1974, superaria ambos os músicos de longa data, em termos de ecletismo, composição, produção e poder absoluto.

Devido a problemas de saúde, Brian May só conseguiu comparecer às sessões de gravação do álbum, que aconteceram no Rockfield Studios em Monmouth, País de Gales e no Air and Trident Studios em Londres, Inglaterra, de forma intermitente. Roy Thomas Baker, como produtor extraordinário, certamente merece muito crédito como quinto membro da banda por sua contribuição para este álbum, como faria com futuros lançamentos clássicos do Queen. Com May escrevendo em casa e no hospital, você pode ter pensado que o álbum demoraria mais, mas não pareceu ser o caso, pois todo o processo levou menos de três meses, o mínimo em comparação com muitas outras gravações desde . May é citado como tendo dito, de maneira discreta, “nenhum de nós ficou realmente descontente com o resultado final”. [2.]


Lado Um

A jornada começa na feira, na cidade litorânea britânica de Brighton, para ser exato, o título é um trocadilho com os bastões de açúcar cristalizado que são vendidos em resorts costeiros em todo o Reino Unido. A música de introdução lembra o que você provavelmente já ouviu em fliperamas nos píeres, talvez enquanto espera uma vez no carrossel, decidindo se vai passear na baía, no cinza ou no palomino. Toda a diversão da feira... e então o verdadeiro rock aparece, na forma da guitarra elétrica de Brian May, rapidamente seguida pelo fluxo completo da banda, mais apertada que a bunda de um pato, os impressionantes vocais em falsete de Freddie Mercury por cima, cantando:

“Feliz dia, Jimmy foi embora
Conheceu sua pequena Jenny em um feriado
Um par feliz que eles formaram, tão decorosamente colocados
Sob as alegres iluminações ao longo do passeio” [1.]

A voz de Freddie em falsete se transforma na mais conhecida entrega do rock enquanto ele nos conta como é bom que ainda haja um pouco de “ magia no ar ” e que ele tecerá seu feitiço…

O refrão é o primeiro gostinho daquele som inconfundível do Queen, majestosa harmonia vocal sobre um rock exuberante e completo:

“Oh, Rock of Ages
Não desmorone, o amor ainda está respirando
Oh, Lady Moon, brilhe
Um pouco de magia de pessoas, se você quiser” [1.]

Romântico, esperançoso, poético, persuadindo-nos a estar do lado do amor, para Jimmy e Jenny. A peça segue para uma trilha sonora guiada pela guitarra do dia à beira-mar antes da banda entrar em ação para o último verso e parece que todas as esperanças de um relacionamento de longo prazo são frustradas pelas circunstâncias ...

A agora icônica introdução de 'clicar com os dedos' ao que se tornou clássico 'Killer Queen', citado por May como 'o ponto de virada'para a banda, muda um pouco o ritmo e a sensação, o groove pop e saltitante desmentindo a natureza macabra do tema da música. Embora lançado como um single 'double-A-side' com 'Flick Of The Wrist', também escrito por Mercury, cerca de um mês antes do lançamento do álbum, essa decisão não faz muito sentido em retrospectiva, sendo esta última, embora um música incrível por si só, uma composição muito mais sombria, cheia de letras de violência e privação. 

Roger Taylor realmente se destaca em sua composição de autoria própria 'Tenement Funster', seus vocais corajosos de estrela do rock elevando a música a níveis consideráveis. Seguramente semi-autobiográfica, a música detalha o amor do protagonista por moda, garotas, carros e rock. Quando Taylor escreveu este verso, ele quase certamente estava canalizando a banda da época, mais tarde descrevendo-se como 'sem um tostão' e vivendo em 'babás' em Londres:

“ Eu gosto das coisas boas da vida
Mas a maioria das melhores coisas não são grátis
É a mesma situação corta como uma faca
Quando você é jovem e você é pobre e você é louco
Jovem e você é louco…” [1.]

'Lily Of The Valley' dá um certo alívio do rock completo e é uma bela peça, composta e cantada por Freddie Mercury. Há uma referência a 'Seven Seas Of Rhye', que apareceu no primeiro álbum como instrumental e no segundo álbum como Freddie nos diz, em belos tons melodiosos, que o “mensageiro de Seven Seas voou, para dizer ao rei de Rhye ele perdeu seu trono…” [1.]

Um fechamento perfeito para o primeiro lado, 'Now I'm Here' se tornaria uma das favoritas ao vivo, mas esta gravação é impossível de superar e ainda mais difícil de imitar no palco. A guitarra insistente e abafada na palma da mão em um power acorde D inicia a música, possivelmente a melhor que Brian May escreveria na carreira do Queen. A melodia está cheia de 'orquestras de guitarra', como se referem as notas na capa interna.


Lado Dois

Escrito por Freddie Mercury, 'In The Lap Of The Gods' e sua irmã represália 'In The Lap Of The Gods…Revisited' encerram este lado do LP de maneira dramática. A primeira começa com um drama intenso, uma extravagância vocal aguda e operística, movendo-se para um acompanhamento de piano com os vocais arrastados de Freddie, quase soando bêbado: “I live my life for you…” Isso soa como uma abertura, quebrando no final para seguir em 'Stone Cold Crazy', um rock total com um groove totalmente contagiante, creditado a toda a banda e empacotando muito em seus dois minutos e doze segundos. Com apenas um minuto e sete segundos, 'Dear Friends' de Brian May, cantada por Mercury, acompanhada por seu próprio piano, um coro de banda sendo a única outra instrumentação, é a faixa mais curta do lançamento. 





John Deacon fornece a animada e cativante 'Misfire', introduzida pelo violão percussivo de May, cantada por Mercury de maneira divertida no canal direito, criando dois personagens vocais ao introduzir o falsete, no canal esquerdo, tão proeminente no início da faixa de abertura . Riffs de guitarra elétrica sobrepostos sobre a sincopação de baixo insistente de Deacon conduzem a música à sua conclusão, explodindo direto nos vocais multipista 'Bring back, bring back' de 'Bring Back That Leroy Brown', que tem uma sensação divertida de showtunes, combinado com um western hoedown, alimentado pelo espirituoso toque de banjo de May, e um aceno para o salão musical da década de 1920.

A curiosamente intitulada 'She Makes Me (Stormtrooper In Stilettos)' é outra música escrita por Brian May, que faz o vocal principal nesta peça sonhadora e acústica. Mudando o clima novamente após a sensação de 'showtunes' de 'Leroy Brown', esta é a penúltima faixa perfeita, as últimas respirações do soldado sobre os efeitos sonoros dramáticos e o fundo atmosférico nos levando de volta para revisitar a abertura lateral .

A represália 'Lap Of The Gods' é uma introspecção filosófica, e Freddie parece ter alguém em mente que está tentando manipulá-lo. Como ele demonstraria no posterior 'Bohemian Rhapsody' e em seu estilo de vida, ele era um espírito livre, abraçando a vida em toda a sua incerteza, destino e 'no colo dos deuses' com certeza. No verdadeiro espírito do rock'n'roll, as partes do refrão são apenas 'whoas' e 'las' com um 'ooh', embora, é claro, proferidas por Freddie, acompanhadas por coral teatral, são muito poderosas:
“ Whoa, whoa , la la la, whoa
Whoa, whoa, la la
Whoa, whoa, oooh” [1.]

Seguiram-se 'A Night At The Opera' e 'A Day At The Races', álbuns com nomes de filmes dos irmãos Marx, o primeiro com 'Bohemian Rhapsody', considerada a obra-prima da banda em termos de composição. Na minha opinião, como uma trilogia, 'Sheer Heart Attack' de 1974 e esses dois álbuns majestosos, resplandecentes em seus brasões com libré branca e preta de 'convite falso', lançados nos dois anos consecutivos seguintes, representam uma mancha púrpura real em reinado da banda. 'News Of The World', lançado em 1977 no coração do punk, gerou o clássico single duplo A-side 'We Are The Champions/We Will Rock You', o muito subestimado e atrevido 'Spread Your Wings' e uma versão mais despojada abordagem musical baixa e ousada, incluindo o buzzsaw influenciado pelo zeitgeist da música 'Sheer Heart Attack', um dos últimos álbuns da 'velha escola' Queen, antes de adotarem um som mais eletrônico e baseado em sintetizadores nos anos 80, produzindo uma série de sucessos nas paradas. Para uma banda que tinha orgulho de afirmar'sem sintetizadores' em suas capas de LP nos anos 70, eles certamente estavam entusiasmados em abraçar essa tecnologia em sua carreira posterior! Na época de 'News Of The World', a imagem de Mercury se transformou em uma nova persona de acampamento, bigode, cabelos curtos e expondo a parte superior do corpo, progressões que se tornaram seu 'visual' depois disso. Em 24 de novembro de 1991, Freddie Mercury deu seu último suspiro e o mundo perdeu um de seus grandes ícones do rock. John Deacon se aposentou do Queen e de toda a indústria da música em 1997. Brian May e Roger Taylor ainda são músicos ativos, ocasionalmente como parte de um grupo disfarçado de 'Queen', com vocalista e baixista substitutos.

Pessoal de 'Sheer Heart Attack':
Roger Taylor – BATERIA, vocais, percussão, gritos

Freddie Mercury – VOCALS, piano, jangle piano, extravagâncias vocais
John Deacon – BASS GUITAR, contrabaixo, violão, quase todas as guitarras em 'Misfire'
Brian May – GUITARRAS, vocais, piano, genuíno George Formby ukelele-banjo, orquestrações de guitarra



'sem sintetizadores'

'Sheer Heart Attack'
Originalmente lançado: 8 de novembro de 1974 Gravadora: EMI Gravado em: Rockfield, Air and Trident Studios, Reino Unido Produzido por: Roy Thomas Baker e Queen


Lista de faixas de 'Sheer Heart Attack':

Lado Um

Brighton Rock (maio) 5:08
Killer Queen (Mercury) 3:01
Tenement Funster (Taylor) 2:48
Flick Of The Wrist (Mercury) 3:19
Lily Of The Valley (Mercury) 1:43

Now I'm Here ( maio) 4:10

Lado Dois

In The Lap Of The Gods (Mercury) 3:20 Stone Cold Crazy (Mercury-May-Taylor-Deacon) 2:12 Dear Friends (May) 1:07 Misfire (Deacon) 1:50 Bring Back That Leroy Brown (Mercury) 2:13 She Makes Me (Stormtrooper In Stilettos) (maio) 4:08 In The Lap Of The Gods…Revisited (Mercury) 3:42



STEVE GUNN & DAVID MOORE, REFLEXÕES!

 


Para Steve Gunn e na sua própria confissão, o pianista David Moore aka Bing & Ruth é um do seus músicos favoritos, tendo sido um dos cinco eleitos para reinterpretar um dos originais do seu álbum "Other You" de 2021 e que o ano passado respousaram no EP excelente "Nakama". Coincidêndia, coube a Moore a tarefa de reinventar "Reflection". 

Os dois surgem agora reunidos num projecto mais alargado que recebeu o título de "Reflections Vol. 1: Let the Moon Be a Planet", uma parceria que deu fruto em oito temas instrumentais que serão editados pela RVNG Internacional de Brooklyn no final de Março. Este primeiro volume de colaborações ditas contemporâneas teve a cidade de Nova Iorque e as cercanias do rio Hudson como ponto de encontro presencial e finalizador de múltiplas e anteriores sessões remotas. 

Pelo que se pode ouvir em "Over the Dune", a primeira reflexão sonora a revelar-se, a harmonia obtida entre uma guitarra clássica e um piano alcançam deslumbrante beleza! 



ESQUINA PROGRESSIVA

 

Hatfield and the North - Hatfield and the North (1973)



Essa banda clássica é um bom exemplo de como as bandas da cena Canterbury são inter-relacionadas através de suas histórias, uma cena incestuosa, fazendo com que integrantes de várias bandas sempre estejam interagindo. A banda foi formada quando Richard Sinclair e o tecladista Steve Miller deixaram o Caravan após a gravação do clássico Waterloo, para se juntaram a banda Delivery no qual já tocou o guitarrista Phil Miller e o baterista Pip Pyle. Ainda ocorreram outras mudanças, mas não vejo a necessidade de focar tanto esse detalhe, pois o mais importante é que após consolidarem a Hatfield and the North, o grupo encontrou o seu estilo único, cheio de complexidade desafiadora, humor caloroso e espirituoso, com influências da música clássica ocidental e toques jazzísticos. 

Esse é um daqueles discos onde todas as faixas estão interligadas entre si, fazendo com que o álbum seja visto como uma única peça e de bastante consistência. As quinze músicas do álbum variam no tamanho entre vinte segundos e dez minutos. Um disco que requer múltiplas audiências para que a magia se desenrole. A primeira instância pode deixar o ouvinte atônito caso não esteja acostumado com uma música assim, uma união de músicos aventureiros que combinam perfeitamente o jazz e o rock transformando tudo em um testemunho musical de primeira grandeza, ousado e alheio às tendências contemporâneas.

Um disco que não tem como falar faixa por faixa, uma espécie de música dos deuses e para os deuses executada por um supergrupo de rock progressivo do mais alto nível. Este álbum compreende o melhor e absoluto esforço pra uma obra perfeita da cena de Canterbury, e embora seja mais centrado na intrincada habilidade instrumental, existe uma atmosfera bem humorada criada pela parte lírica.

Volto a enfatizar que esse é um tipo de álbum de gosto adquirido, podendo fazer com que você seja impulsionado mais facilmente a amá-lo se acompanhado de uma boa cerveja, whisky, vinho ou a bebida de sua preferência, pra que sua mente através da descoberta dessa obra-prima ainda desconhecida por muitos, sinta-se maravilhada como quem realiza uma viagem dos sonhos explorando os recantos de algumas das músicas mais sofisticadas feitas por qualquer banda em todos os tempos. 



Track Listing

1.The Stubbs Effect - 0:23
2.Big Jobs (Poo Poo Extract) - 0:36
3.Going Up To People And Tinkling - 2:25
4.Calyx - 2:45
5.Son Of "There's No Place Like Homerton" - 10:10
6.Aigrette - 1:38
7.Rifferama - 2:56
8.Fol De Rol - 3:07
9.Shaving Is Boring - 8:45
10.Licks For The Ladies - 2:37
11.Bossa Nochance - 0:40
12.Big Jobs No 2 (By Poo And The Wee Wees) - 2:14
13.Lobster In Cleavage Probe - 3:57
14. Gigantic Land-Crabs In Earth Takeover Bid - 3:21
15. The Other Stubbs Effect - 0:38



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