quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

CRONICA - COLOSSEUM | Valentyne Suite (1969)

 

Após a primeira obra do grupo inglês Colosseum, Aqueles que estão prestes a morrer te saúdam , o rótulo Fontana desapareceu em favor de Vertigo. Em busca do vanguardismo, a Vertigo logicamente dá as boas-vindas ao Colosseum, que se torna o primeiro signatário do rótulo nascente. Depois seguiram Gentle Giant e Black Sabbath.

Para esta nova aventura, Colosseum lançará o segundo LP no final de 1969 Valentyne Suite . Valentyne Suite é mais conhecida pela longa peça homônima que aparece no lado B.

Com quase 17 minutos, esta peça é a primeira a caber em um lado inteiro na Inglaterra (o primeiro grupo sendo o American Love "Revelation" em Da Capo em 1968).

O vinil anterior não era propriamente um álbum de rock progressivo. Com o título homônimo estamos totalmente lá. Peça magistral em três etapas onde os andamentos variam constantemente, começando de forma sensacional com o órgão Hammond e os metais. As incursões do xilofone trazem um toque caleidoscópico. Em alguns lugares o piano e o sax ganham uma certa calma silenciosa que contrasta com o baixo estrondoso e pesado. Como de costume, o sax puxa o combo para o jazz. Mas ouça o órgão e os coros sinfônicos. Curve-se bem. Isso te lembra alguma coisa? De fato, é o "Atom Heart Mother" do Floyd antes do tempo. Este delírio de classicismo-jazz termina com um rufar de tambores cósmico que introduz a última sequência, “The Grass Is Always Greener”. E que sequência! Começa com um sax que suspende tudo, é como se o tempo parasse. Depois torna-se tenso, árabe, o piano sai em voos líricos e a guitarra torna-se ácida com solos de hard rock. É o sax que encerra este instrumental épico retomando o tema do início de "The Grass Is Always Greener".

Mas antes de ouvir este prato principal, o álbum oferece quatro aperitivos com hard rock "The Kettle" com um riff de funk pesado, "Elegy" para um ritmo leve, mas igualmente enérgico '& blues, "Butty's Blues" para um jazz-blues atrevido e “The Machine Demands A Sacrifice” para uma viagem exótica da alma.

Reconhecidamente, o conjunto é datado, mas o organista Dave Greenslade, o saxofonista Dick Heckstall-Smith, o baterista Jon Hiseman, o baixista Tony Reeves e o guitarrista/cantor James Litherland produziram a obra-prima de Colosseum. Com a ajuda de Neil Ardley nos arranjos, a influência de "Valentyne Suite" será certa, abrindo grandes perspectivas para grupos do movimento prog.

Observe que a prensagem americana datada de 1970 é completamente diferente. Retomando a ilustração do LP europeu, chama-se The Grass Is Grenner com diferentes títulos, entre os quais o ilustre “Lost Angeles”. Quanto ao título homônimo, aparece apenas “The Grass Is Always Greener”.

Vários relançamentos em CD permitem que você encontre todas as gravações de Valentyne Suite e The Grass Is Grenner . Recomendo o da gravadora Sanctuary que contém “Lost Angeles”. Boa audição.

Títulos:
1. The Kettle
2. Elegy
3. Butty’s Blues
4. The Machine Demands A Sacrifice
5. The Valentyne Suite : January’s Search / February’s Valentyne / The Grass Is Always Greener

Músicos:
Dave Greenslade: órgão
Dick Heckstall-Smith: saxofone
Jon Hiseman: bateria
Tony Reeves: baixista
James Litherland: guitarra, vocais

Produção: Gerry Bron, Tony Reeves


Resenha Entangled Álbum de Leitmotiv 2007

 

Resenha

Entangled

Álbum de Leitmotiv

2007

CD/LP

Quando me deparo com o nome de uma banda ou álbum de rock progressivo contemporâneo, que faz alusão a algo do rock progressivo clássico - nesse caso, o nome do disco que é o mesmo da faixa 2 do disco A Trick Of The Tail do Genesis -, a primeira ideia que eu tenho em mente é que estarei diante de algo extremamente genérico e esquecível. Foi o que aconteceu aqui? Não completamente, pois apesar de algumas bolas fora e a banda soar genérica sim, há também muito o que aproveitar. Há muito de Genesis, claro, mas de uma forma um pouco diferente, como se a banda inglesa tivesse encontrado alguns nomes da cena 70’s de Quebec – lembrando que a banda é canadense de Quebec. Vale destacar também, que apesar do nome do disco, o som do grupo se comparado exclusivamente a um era do Genesis, certamente a fase mais crua em Trespass seria o período mais correto.  

Algo que lamento em Entangled, é o fato de a banda ter começado o disco com o seu melhor número, um épico de quase 16 minutos, pois isso acabou me fazendo esperar por algo do mesmo nível durante os 45 minutos seguintes do disco, e nada disso acontecer. Sou da ideia – ao menos em discos de rock progressivo – de que a maior faixa sempre tem que encerrar o álbum, pois quase sempre é onde se encontra o que de melhor o registro tem a oferecer. Pode parecer bobagem? Com certeza, mas tenho esse pensamento desde sempre. Mas então, você pode me perguntar, “ah então só a primeira música vale a pena?”, não foi isso que eu disse, apenas falei que a peça de abertura do disco é de longe o seu maior destaque, mas ainda tem muito o que aproveitar depois dela.   

Outro ponto importante a ser mencionado é sobre eu considerar de certa forma uma injustiça colocar a sonoridade do disco como algo completamente influenciado em Genesis, pois por mais que essa de fato seja a maior fatia do bolo, nota-se alguns acenos para os estadunidenses da Happy the Man – mostrando que eles não têm o olhar apenas para a Inglaterra e também olham para o progressivo de seus vizinhos da América do Norte – e até um pouco de Renaissance, além de – acredite se quiser – Gentle Giant.  

A banda possui músicos excelentes e entregam um disco bastante técnico em vários pontos. Um dos instrumentos que mais se destaca certamente é o piano, que em muitas partes do álbum mostra-se até mesmo renascentista e meio dissonante em outros momentos. As linhas de baixo, às vezes se destacam, mas no geral são simples e, junto da bateria sempre muito bem arranjada, criam uma seção rítmica que se desenvolvem bem durante todo o álbum.  O trabalho de guitarra é digno e soa como uma espécie de Steve Hackett ainda amadurecendo. Os vocais, como é de se imaginar, tem uma forte influência em Peter Gabriel, principalmente quando executados de maneira furiosa, mas com um leve sotaque francês - língua nativa da banda. Mas além de Gabriel, nota-se um pouco de Peter Nicholls, nesse caso, nos momentos mais calmos das interpretações.  

Mas e então, Entagled vale a pena? Mas é claro que vale, desde que você vá em direção à ele com a guarda baixa, pois não tem como negar que há muita coisa genérica aqui. Apesar de ser um disco no geral de rock progressivo sinfônico, tem momentos em que ele soa até mesmo um pouco fora dessa esfera – sendo que é nessas partes que a banda mostra uma maior identidade. No fim das contas, apenas não espere muito e deixe a música fluir.  

Resenha Regimental Sgt. Zippo Álbum de Elton John 2021

Resenha

Regimental Sgt. Zippo

Álbum de Elton John

2021

CD/LP

E não é que, depois de mais de cinquenta anos, enfim veio ao mundo o verdadeiro primeiro álbum de Sir. Elton John? Pois é, aqui está o embrião de uma das maiores histórias de sucesso do mundo musical.

O material em questão foi encontrado após um levantamento de dados para compor a "Jewel Box", lançada em 2020 e que conta com 8 CD's em sua versão deluxe. As canções encontradas datavam de sessões registradas no estúdio de Dick James nos anos de 1967 a 1968, um ano antes do lançamento de "Empty Sky", até então considerado o primeiro trabalho de Elton John. Doze músicas foram criadas e gravadas na intenção de compor seu disco de estreia, o que curiosamente não aconteceu. A liderança estava por conta de Steve Brown, produtor e empresário à época, além de ser o cara que, em comum acordo com James, decidiu por dar mais tempo a John e Taupin para que suas composições tivessem uma maturação maior. Ficou combinado então que trabalhariam novamente no próximo pacote de composições, o que veio a se tornar "Empty Sky".

O que temos aqui é de fato um álbum completo e não um pacote de demos. Com o apoio do guitarrista "Caleb Quaye", que também atuou na produção, as sessões tinham mesmo o objetivo de se tornarem algo a ser lançado. Após a descoberta desse material, três das doze faixas apareceram na já mencionada "Jewel Box" para aguçar o ouvinte e o restante foi preparado para enfim ser lançado sob o nome "Regimental Sgt. Zippo", vindo ao mundo em 2021. O nome é um trocadilho com o verdadeiro nome de Elton John (Reginald Kenneth Dwight) e uma menção ao disco que foi maior inspiração para estas composições: "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", dos Beatles. Até a capa, com atmosfera psicodélica, e o visual de John, remetem ao trabalho. E as influências são claras.

Percebe-se que o material não é algo marcante. Em contrapartida, o talento de Elton John é evidente, mesmo com pouco mais de vinte anos à época. É nítido que tenta soar como seus ídolos e maiores influentes, além de trazer um pouco das suas raízes, ou seja, as músicas da década de cinquenta. Mesmo assim, a audição é bem divertida e interessante. "When I Was Tealby Abbey" abre o disco com um tema bem legal, mas a melhor de todas é a faixa título, que traz vocalizações muito similares às de "A Day In The Life", do já mencionado clássico dos Beatles. "Nina", "Tartan Coloured Lady" (claramente influenciada por "Lucy In The Sky With Diamonds") e "Hourglass", uma belíssima faixa folk, também valem a conferência.

Curiosidade: Plastic Penny, banda que contava com o baterista Nigel Olsson e que viria a se tornar membro da banda de Elton John pouco depois, registrou uma cover de "Turn to Me" no ano de 1969.

Apesar de ter enaltecido alguns destaques, o disco funciona bem como um todo e a audição é bastante prazerosa. Acrescido o fato de se tratar de material inédito e com tanto tempo pegando poeira no fundo do baú, poder escutar algo assim é simplesmente maravilhoso. Nós como fãs só temos a agradecer. É um disco para o fã mais curioso e que gosta de se aprofundar, mas extremamente recomendado pela história que traz.

Faixas:

Músicas por Elton John e Bernie Taupin, exceto quando destacado.

Side one

"When I Was Tealby Abbey" – 2:35
"And the Clock Goes Round" – 3:06
"Sitting Doing Nothing" (John, Caleb Quaye) – 2:30
"Turn to Me" – 3:16
"Angel Tree" – 2:04
"Regimental Sgt. Zippo" – 4:44
Side two

"A Dandelion Dies in the Wind" – 3:14
"You'll Be Sorry to See Me Go" (John, Quaye) – 2:34
"Nina" – 3:50
"Tartan Coloured Lady" – 4:09
"Hourglass" – 2:44
"Watching the Planes Go By" – 4:07

Músicos:

Elton John (as Reg Dwight) – piano, electric piano, organ, harpsichord, lead and backing vocals
Caleb Quaye – acoustic and electric guitars, flute, percussion, backing vocals
Dee Murray – bass, backing vocals
Dave Hynes – drums, backing vocals
Paul Fenoulhet Orchestra

Resenha Exotic Creatures and a Stolen Dream Álbum de Sunchild 2023

 

Resenha

Exotic Creatures and a Stolen Dream

Álbum de Sunchild

2023

CD/LP

Sinceramente? Se eu falar que que me considero um dos maiores fãs no mundo do multi-instrumentista ucraniano Antony Kalugin, não acho que estaria sendo exagerado, até porque eu o acho bastante subestimado dentro de tudo aquilo que ele contribui para o rock progressivo contemporâneo e o número de pessoas que o valorizam como de fato merece acaba sendo pequena. Quando penso no nome de Antony Kalugin, estou pensando em um dos músicos mais dedicados de toda a história do rock progressivo. Por não ser um músico de muitas apresentações ao vivo – embora agora, morando na Polônia devido a guerra na Ucrania e, com isso, tendo uma facilidade maior para fazer shows, isso tem mudado -, costuma ficar “apenas” imersivo na sua capacidade de compor para aquecer seu coração musicalmente, algo que ele faz brilhantemente e de forma extremamente prolífica, lançado pelo menos um disco todos os anos, seja carreira solo, com a Karfagen ou com a Sunchild. 

Exotic Creatures and a Stolen Dream é uma experiência e tanto, um álbum que soa coeso do início ao fim por meio dos seus dois épicos. Como é de se esperar, o som é bastante melódico e sinfônico, mas com espaço de sobra para incursões de sonoridade mais pesada. No geral, um ouvido não tão familiarizado com o universo musical do multi-instrumentista pode achar que seus projetos têm a mesma sonoridade ou são ao menos muito parecidos, só mudando o nome, bom, às vezes parecem mesmo e acho até que esse disco poderia ser da Karfagen se pegarmos a música apresentada nos últimos álbuns da banda, porém, aos mais acostumados é possível perceber que, quando ouvimos a Sunchild, ouvimos uma música de paisagem sonora mais sinfônicas e moderna do que a encontrada na Karfagen. 

“Life Lines”, dividido em sete partes e com mais de 26 minutos de duração, é o primeiro épico do disco. Vale ressaltar, que todas as vezes que a banda tentou fazer algo ousado e ambicioso, ultrapassando a barreira dos 20 minutos de música, sempre produziu verdadeiras joias do rock progressivo – Under The Wrap, Sleepwalker e Victory Voyager que o digam - sendo que dessa vez, não foi diferente. Já começa categoricamente sinfônica, causando uma sensação de grandeza no ouvinte. Interessante perceber o quão estão presentes os vocais de Kalugin, não só aqui, mas durante todo o disco. Como já podemos esperar de uma música dessa magnitude, há de tudo um pouco do que um épico tem a oferecer, várias nuances, mudanças de humores e andamentos, variação entre momentos de tempestade e bonança, uma grande pluralidade de teclas, uma guitarra que entrega belos solos, belas linhas e de timbre maravilhoso e uma seção rítmica bastante sólida, seja pelas ideias criativas de bateria ou pelas ótimas linhas de baixo, além de possuir até mesmo uma passagem de acordeão. Os vocais de Kalugin, às vezes é acompanhado pela voz feminina de apoio de Maria Panasenko que também ajuda a engrandecer a faixa. “Life Lines” é daquelas peças que por meio de cada uma de suas brilhantes passagens, atingem o ouvinte de uma maneira tão certeira que é difícil não se arrepiar. Sem dúvida, uma das composições mais formidáveis de Kalugin em toda a sua carreira. Como única “reclamação”, se você já leu o que escrevi sobre a música, “First Contact”, da Karfagen  e que abre o álbum, Messages From Afar - First Contact, vai lembrar que comentei sobre os vocais parecer os de “Learning do Fly” do Pink Floyd, pois bem, aqui novamente Antony em alguns pontos canta de uma maneira que lembra a faixa floydiana. Mas algo tão pequeno dentro de uma música tão grandiosa não pode tirar o seu status de obra-prima.   

“Northern Skies”, com os seus pouco mais de 14 minutos e dividida em 4 partes é o segundo épico do disco. Carrega com ela o clima encontrado na Ucrânia a mais de um ano, logo, espere uma música de clima mais taciturno e tristonho que a anterior. Assim que começa, pensei que fosse ouvir uma versão de “On the Turning Away” do Pink Floyd, mas essa impressão durou menos de 5 segundos. Piano e algumas pinceladas de cordas sob uma interpretação vocal melancólica de Kalugin inicia a peça. Os vocais masculino e feminino dobrados aqui ainda são mais lindos que na faixa anterior. Inclusive, Maria Panasenko também canta de forma solo de forma sublime em momentos pontuais. Novamente, ótimas linhas de guitarra por toda a música e um belíssimo solo na primeira parte – por volta dos 3 minutos -, sintetizadores, além de teclados e piano que trazem uma ambientação sinfônica são os destaques da faixa. Baixo e bateria, ainda que tímidos, são sempre bastante consistentes. Devo elogiar algo pouco lembrado nos discos de qualquer projeto de Antony Kalugin, ou seja, os vocais, pois ele nunca foi de cantar tanto como aqui, parece que mais do que compor suas músicas, ele precisava desabafar, inclusive, conseguiu cumprir seu objetivo muito bem, pois as partes cantadas estão bem expressivas. Os refrãos são lindos e cada vez que aparecem soam com mais sentimento.  

Antes das considerações finais, essa resenha foi feita sem a inclusão das 4 faixas bônus, pois elas acabam não agregando em nada no disco. Exotic Creatures and a Stolen Dream é um disco de rock progressivo que, instrumentalmente apresenta dois épicos do mais alto nível, pois essa é a alma da música produzida por Kalugin, mas que dessa vez vai além, entregando também, um trabalho rico liricamente.  

POEMAS CANTADOS DE LÉO FERRÉ

Adieu

Léo Ferré

L'automne, d?!
- Mais pourquoi regretter un ?rnel soleil, si nous sommes engag??a d?uverte de la clart?ivine, - loin des gens qui meurent sur les saisons.
L'automne. Notre barque ?v?dans les brumes immobiles tourne vers le port de la mis?, la cit?norme au ciel tache de feu et de boue.
Ah! les haillons pourris, le pain tremp?e pluie, l'ivresse, les mille amours qui m'ont crucifi?
Elle ne finira donc point cette goule reine de millions d'?s et de corps morts et qui seront jug?
Je me revois la peau rong?par la boue et la peste, des vers plein les cheveux et les aisselles et encore de plus gros vers dans le cœur, ?ndu parmi des inconnus sans ?, sans sentiment... J'aurais pu y mourir... L'affreuse ?cation! J'ex?e la mis?.
Et je redoute l'hiver parce que c'est la saison du confort!
- Quelquefois je vois au ciel des plages sans fin couvertes de blanches nations en joie.
Un grand vaisseau d'or, au-dessus de moi, agite ses pavillons multicolores sous les brises du matin.
J'ai cr?toutes les f?s, tous les triomphes, tous les drames.
J'ai essay?'inventer de nouvelles fleurs, de nouveaux astres, de nouvelles chairs, de nouvelles langues.
J'ai cru acqu?r des pouvoirs surnaturels. Eh bien! je dois enterrer mon imagination et mes souvenirs!
Une belle gloire d'artiste et de conteur emport?
Moi! moi qui me suis dit mage ou ange, dispens?e toute morale, je suis rendu au sol, avec un devoir ?hercher, et la r?it?ugueuse ?treindre! Paysan!
Suis-je tromp?la charit?erait-elle sœur de la mort, pour moi?
Enfin, je demanderai pardon pour m'?e nourri de mensonge. Et allons.
Mais pas une main amie! et o?iser le secours?

Oui l'heure nouvelle est au moins tr?s?re.
Car je puis dire que la victoire m'est acquise: les grincements de dents, les sifflements de feu, les soupirs empest?se mod?nt.
Tous les souvenirs immondes s'effacent. Mes derniers regrets d?lent, - des jalousies pour les mendiants, les brigands, les amis de la mort, les arri?s de toutes sortes.
- Damn? si je me vengeais! Il faut ?e absolument moderne.
Point de cantiques: tenir le pas gagn?Dure nuit! le sang s??ume sur ma face, et je n'ai rien derri? moi, que cet horrible arbrisseau!...
Le combat spirituel est aussi brutal que la bataille d'hommes; mais la vision de la justice est le plaisir de Dieu seul.
Cependant c'est la veille. Recevons tous les influx de vigueur et de tendresse r?le. Et ?'aurore, arm?d'une ardente patience, nous entrerons aux splendides villes.
Que parlais-je de main amie! Un bel avantage, c'est que je puis rire des vieilles amours mensong?s, et frapper de honte ces couples menteurs, - j'ai vu l'enfer des femmes l?as;


Allende

Léo Ferré

Ne plus écrire enfin attendre le signalCelui qui sonnera doublé de mille octavesQuand passeront au vert les morales suavesQuand le Bien peignera la crinière du MalQuand les bêtes sauront qu'on les met dans des platsQuand les femmes mettront leur sang à la fenêtreEt hissant leur calice à hauteur de leur maîtreQuand elles diront: "Bois en mémoire de moi"Quand les oiseaux septembre iront chasser les consQuand les mecs cravatés respireront quand mêmeEt qu'il se chantera dedans les hachélèmesLa messe du granit sur un autel bétonQuand les voteurs votant se mettront tous d'accordSur une idée sur rien pour que l'horreur se taiseMême si pour la rime on sort la MarseillaiseAvec un foulard rouge et des gants de chez DiorAlors nous irons réveillerAllende Allende Allende AllendeQuand il y aura des mots plus forts que les canonsCeux qui tonnent déjà dans nos mémoires brèvesQuand les tyrans tireurs tireront sur nos rêvesParce que de nos rêves lèvera la moissonQuand les tueurs gagés crèveront dans la soieQu'ils soient Président ci ou Général de çaQuand les voix socialistes chanteront leur partieEn mesure et partant vers d'autres galaxiesQuand les amants cassés se casseront vraimentVers l'ailleurs d'autre part enfin et puis commentQuand la fureur de vivre aura battu son tempsQuand l'hiver de travers se croira au printempsQuand de ce Capital qu'on prend toujours pour MarxOn ne parlera plus que pour l'honneur du titreQuand le Pape prendra ses évêques à la mitreEn leur disant: "Porno latin ou non je taxe"Quand la rumeur du temps cessera pour de bonQuand le bleu relatif de la mer pâliraQuand le temps relatif aussi s'évaderaDe cette équation triste où le tiennent des consQu'ils soient mathématiques avec Nobel ou nonC'est alors c'est alors que nous réveilleronsAllende Allende Allende Allende...


Resenha: Dream Theater – Awake (1994)

Resenha: DouBt – Never Pet A Burning Dog (2010)

 

Pianista e cantor, Luiz Otávio lança “Essa Maré”

 

Tecladista e cavaquinista da banda de Mart’nália, Luiz Otávio vinha se mostrando à vontade nos vocais que fazia de improviso nos shows. “Ele tem uma voz bonitona, fazia uns djubidjubi que não é qualquer músico que faz”, descreve a cantora, com sua irreverência característica. Atenta, ela o chamou para cantarem juntos uma música do roteiro e, não demorou, começou a provocá-lo com a ideia de um disco solo dele, soltando a garganta. Assim nasceu “Essa maré” (Biscoito Fino), que chega às plataformas de streaming com produção da madrinha Mart’nália.


Mergulhado numa sonoridade black suburbana, que remonta à elegância quente de bailes da Zona Norte e da Zona Oeste, “Essa maré” traz sete faixas. Três são releituras de canções de Djavan, Arlindo Cruz e Don Beto – pistas de algumas das filiações do artista. As outras quatro são composições próprias de Luiz Otávio – uma delas em parceria com Tom Karabachian.

Ambrosia Pianista e cantor, Luiz Otávio lança "Essa Maré"
Ambrosia Pianista e cantor, Luiz Otávio lança "Essa Maré" 7

Apesar de “Essa maré” ter sido concebido nos últimos meses, a partir da sugestão de Mart’nália, sua história começa bem antes. Na verdade, ela tem origem ainda na infância do músico, no subúrbio carioca (?) de Campo Grande, na década de 1990. O músico de 33 anos lembra: “Ganhei um tecladinho de brinquedo dos meus pais e, com 4, 5 anos já estava tirando músicas que ouvia no rádio”. Sua família ouvia muito samba e pagode, uma das influências centrais nesse primeiro momento. “Minha lembrança mais antiga sou eu tocando ‘Essa tal liberdade’, do Só Pra Contrariar”, conta.

Outros sons o interessavam. Deficiente visual desde o nascimento, mantinha os ouvidos atentos a tudo: o Raul Seixas que seu tio adorava e que ele passou a adorar também; o jazz do Sexteto Onze e Meia, banda que ele ouvia na TV entre as entrevistas do programa de Jô Soares; a MPB nas trilhas de novelas, em especial a bossa nova que acompanha as tramas de Manoel Carlos. Essas e outras referências entram no caldeirão que une qualidade musical e apelo popular e que Luiz Otávio revela agora em “Essa maré”.

O calor da rua que sua música traz não é um acaso. Luiz Otávio rodou diversos cantos do Rio, de Copacabana a São Gonçalo, para tocar – sem valorizar as dificuldades por ser deficiente visual e por morar num bairro afastado de onde apareciam as chances de trabalhar. “As pessoas falavam: ‘Infelizmente não posso te chamar pra tocar porque não tenho carro pra te buscar’. Eu dizia: ‘Não tem problema, eu vou de ônibus’. E ia, levando teclado, guarda-chuva, bengala…”, recorda.

Oportunidades aumentaram quando Luiz Otávio foi apadrinhado pelo pianista Fernando Merlino, seu professor, e pelo baixista Arthur Maia, com quem tocou por oito anos. Foi Arthur, amigo de Mart’nália, que o apresentou à cantora. Nos últimos anos, tocou com Marcelo D2 e gravou nos discos mais recentes de Martinho da Vila e Elza Soares (esse ainda inédito).

“Essa maré” é o segundo disco de Luiz Otávio, e o primeiro de canções. Sua estreia em álbum foi instrumental, e era esse o caminho que ele parecia que ia trilhar em sua carreira. Mas quando a ideia do disco começou a ganhar força, o músico achou que devia compor. Começou a escrever melodias e, numa noite de insônia, escreveu letra para duas delas. Gostou da brincadeira e fez uma leva, da qual selecionou as quatro autorais do disco.

Em seu método de compor, sempre faz a letra a partir da melodia, buscando as palavras que se encaixam melhor naquelas notas. A parceria com Tom Karabachian, “Custe o que custar”, é exceção – ele fez a música para os versos do parceiro.

Nas letras, Luiz Otávio explora o amor em diversas formas. “Quem disse” é uma cantada desencanada e alegre; “Já tô” faz pedido de desculpas sedutor; “Custe o que custar” destila o lamento e a superação pelo fim do amor; “Essa maré” declara a paixão e convida ‘Vambora, simbora comigo/ Agora não tem mais perigo/ Se deixe envolver/ e deixa acontecer”.

As três regravações, pérolas escondidas do repertório de seus compositores, seguem o mesmo espírito suingado e romântico. São elas “Pensando nela”, de Don Beto; “Não penso em mais nada”, de Arlindo Cruz; e “Meu”, de Djavan. Nesta última, Luiz Otávio tem a participação de Mart’nália, com quem faz um dueto.

A banda de alto nível que acompanha Luiz Otávio (voz, piano e teclados) no disco é formada por amigos com quem já toca há algum tempo – a intimidade e a qualidade transparecem no resultado. A formação tem Thiago Silva (bateria); André Siqueira (percussão); João Rafael e Alexandre Katatau (dividindo-se nos baixos); Julio Raposo (guitarra); Marcelo Martins (sax, flauta e arranjos de sopros); Diogo Gomes (trompete); e Rafael Rocha (trombone).

É o próprio Luiz Otávio que amarra a definição da sonoridade de “Essa maré”, usando o mesmo balanço com que toca e compõe: “É uma mistura muito natural de soul, samba, balada, MPB, pop, uma pitada de funk e rap…  Enfim, é um disco carioca”.

Claudio mergulha no amor tropical com single “Canga Estendida”


O entardecer de um amor vivido numa praia. Este é o ponto de partida de “Canga Estendida”, novo single do cantor, compositor e ator Claudio, que chega às plataformas digitais. 

A canção, composição própria, mergulha em elementos do Neosoul e nos violões da Bossa Nova para materializar o clima tropical em seu apogeu, o verão, nos instrumentos e em vocais já moldados pelas suas referências negras do Gospel. Este é o quarto single da carreira do cantor e inaugura uma série de lançamentos para o seu primeiro EP, “Pra Molhar”, previsto para este trimestre.

– Eu tenho um carinho por esse som porque ele foi construído minimamente, dos violões à percussão. Estou construindo positivamente uma imagem que só agora a mídia entendeu que deve fazer. O amor entre pessoas negras existe e eu quero contar essas histórias – conta.

Ambrosia Claudio mergulha no amor tropical com single “Canga Estendida”
Capa de “Canga Estendida”

A produção musical é de Pedro Guinu, que toca com Baco Exu do Blues e já realizou projetos em parceria com Russo Passapusso, da banda BaianaSystem. As imagens são do fotógrafo Cristian Maciel e a direção de vídeo é de Joyce Prado, premiada pelo WME em 2018 e 2021, com produção da Oxalá Produções, que assina trabalhos como “Bom Mesmo é Estar Debaixo D’Água”, de Luedji Luna.

Sentimentos invisibilizados

Carioca da Taquara, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, Claudio se lançou na música em 2019 e imprime em suas letras e melodias a fusão da música preta cosmopolita com os ritmos brasileiros. As suas composições têm presença marcante da percussão e do violão embalando letras românticas que exploram a subjetividade de um homem negro que fala de amor e criam espaços para refletir sobre a invisibilidade dos sentimentos de um homem negro LGBTQIAP+. Para isso, Claudio escolhe destacar trabalhadores da praia, negros em sua maioria, que têm suas histórias apagadas.

– Tenho feito música com a preocupação de eternizar minhas narrativas, não só seguindo o que é tendência, mas construindo a minha identidade. E isso tem acontecido de forma gradativa. Eu ainda sou um artista em início de carreira e tudo o que tenho disponível para minhas entregas é tempo. Não existe cobrança de lançamentos rápidos. Por isso, aproveito esse tempo para produzir com excelência – revela.

Carreira como ator

Formado pela escola pública de teatro mais antiga da América Latina, a Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Penna, Claudio teve um rico aprendizado integrando as artes dramáticas, canto, música, cenografia, figurino, história da arte, expressão corporal e muitas outras matérias.

A partir daí, estrelou diversas peças e curtas, como “De Jangada, a Maresia”, filme exibido no Festival de Cannes. Na TV, foi um dos integrantes do programa Amor & Sexo, da Rede Globo, onde foi apadrinhado por Gloria Groove. A sua próxima empreitada na atuação será em “A Vida Pela Frente”, série que chega ao Globoplay em 2023.


Gabrielle Aplin lança “Skylight” em dueto com Zeeba

A cantora e compositora inglesa Gabrielle Aplin se une ao brasileiro Zeeba em uma nova versão de seu hit “Skylight”, trilha sonora da novela “Todas as Flores”, do Globoplay e faixa de abertura de seu recém-lançado álbum “Phosphorescent”. O pop alternativo e intimista da versão original ganha novos contornos de cumplicidade e aconchego ao se tornar um dueto. 


“Estou empolgada de voltar ao Brasil neste mês para um show e para lançar essa versão de ‘Skylight’ com Zeeba. Amei o que ele trouxe para a música e espero que as pessoas gostem tanto quanto eu fiz”, conta ela. Ao que ele conclui: “O que mais gostei neste projeto foi de termos ficado livres para escolher qual música seria esse dueto. A partir disso, nossa parceria fluiu demais, acabei escrevendo um verso novo para a ‘Skylight’, que já é uma música romântica, e ficou uma conversa bonita entre eu e a Gabrielle. Estou muito feliz de fazer parte disso”.

Com este lançamento, Gabrielle reforça sua conexão com o público brasileiro – a artista desembarca em São Paulo nesta semana para uma exposição de arte e um show intimista apresentando o universo de “Phosphorescent” para seus fãs.


Destaque

Linda Ronstadt - 1996-07-19 - Homdel, NJ

  Linda Ronstadt 1996-07-19 Garden State Arts Center Holmdel, NJ 01. Orchestra 02. What's New 03. Bewitched, Bothered And Bewildered 04....