sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

FADOS do FADO... letras de fados...

 


Minha mãe

Fernando Farinha / Armandinho *Fado Alice*
Repertório de Fernando Farinha

Minha mãe, quando te vejo
Sinto a vida que me déste
Renascer num terno beijo
Teus cabelos tão branquinhos
Ficam ainda mais belos
Ao sabor dos meus carinhos

Nos olhos teus
Que me falam de distância
Vejo as duas sentinelas
Que guardaram minha infância
E nos teus lábios
Sinto o calor que existia
Nos beijos que tu me davas
Quando em teu colo dormia


Minha mãe, o teu leve andar
Continua a ser a força
Que me obriga a caminhar
O teu rosto d´oiro fino
É qual espelho em que me vejo
E onde sou sempre menino

Darei amor
A quem meu amor merece
E desse amor eu farei
Uma chama que me aquece
Mas minha vida
Minha vida é bem diferente
Não a dou a mais ninguém
Será tua eternamente


Contraste

Carlos Conde / Joaquim Campos da Silva *fado estela*
Repertório de Frutuoso França


É longo e triste o calvário
De quem com arte e preceito
Gasta a vida a trabalhar
Olha p`raquele operário
Que tantas casas tem feito
E sem ter onde morar

E tantos no ano inteiro / Muitas vezes sem ter pão
Nem o calor de uma brasa
Repara nesse mineiro / Que enche o mundo de carvão
E mal tem carvão em casa

Esta sonha a paz fagueira / Numa vida calma e leda
Por ser pobre e ser bonita
Eis aqui a costureira / Que faz vestidos de seda
E veste saia de chita

Ele há quem ande engatado / Entre varais, feito lixo
Lamentando a sorte sua
Ele há tanto desgraçado / A morder o pó do lixo
Que os outros lançam à rua

Neste contraste profundo / Que se vê a cada passo
Onde a crença anda perdida
É que as riquezas do mundo / Caminham de par e passo
Com as misérias da vida


A voz do meu silêncio

António Calém / Miguel Ramos *fado margarida*
Repertório de João Braga


E um dia a tua ausência há-de ficar
Mistério do que te amei ou não amei
Será apenas réstia dum luar
Na noite que jamais esquecerei

Talvez que seja o nada já distante
O prémio desses dias que perdi
Talvez que eu viva ainda nesse instante
Do dia em que me viste e eu te vi

E dessa hora é todo o mundo feito
Do nada que era apenas um olhar
O resto é tudo sombra no meu peito
Silêncio desta voz p’ra te cantar


“Do Cóccix Até O Pescoço” (2002), Elza Soares

 


As gerações mais recentes tomaram conhecimento de Elza Soares através do seu aclamadíssimo álbum A Mulher Do Fim Do Mundo, lançado em 2015, um trabalho inovador e instigante. O álbum apresentou uma cantora que mesmo após ter passado os 80 anos de idade, estava completamente em sintonia com as novas tendências da música pop contemporânea, bem como mostrou uma artista completamente envolvida com temas, infelizmente tão atuais e ainda necessários como racismo, homofobia e violência doméstica.

Contudo, para Elza chegar ao inovador A Mulher Do Fim Do Mundo, não foi algo que veio do nada. É preciso voltar no tempo, até o começo 2002, quando ela havia lançado o seu trigésimo álbum, Do Cóccix Até O Pescoço, no qual a veterana cantora já fazia experimentações musicais, mesclando samba, soul, funk, rap e pop eletrônico.

Até a década de 1970, Elza Soares costumava lançar regularmente um novo álbum anualmente, o que permitia uma presença constante da cantora na grande mídia. Porém, a partir da década seguinte, a carreira de Elza Soares sofre um declínio vertiginoso. Sua vida pessoal atravessava por momentos difíceis: seu casamento conturbado com o ex-jogador de futebol, Garrincha, chegava ao fim em 1982. Um ano depois, Garrinha morre vítima de cirrose hepática. Em 1986, Elza e seu filho Manoel Francisco, fruto da relação da cantora com Garrincha, sofrem um grave acidente de carro numa estrada de Magé para o Rio de Janeiro. A cantora não teve ferimentos graves, mas seu filho não teve a mesma sorte: morreu no acidente aos nove anos de idade. Elza passou por um profundo processo de depressão, fez tratamento, e decidiu morar fora do Brasil por um tempo para só retornar quando se sentisse recuperada emocionalmente. Durante o período que viveu no exterior, morou em alguns países da Europa e nos Estados.

Garrincha e Elza Soares: casamento turbulento.

Tais fatores ajudam entender a discografia de Elza Soares tão escassa nos anos 1980, quando lançou apenas dois álbuns, Somos Todos Iguais (1985) e Voltei (1988), que tiveram pouca repercussão. O único momento em que Elza esteve com um pouco mais em evidência nessa época, foi quando ela recebeu um convite de Caetano Veloso para uma participação especial na canção “Língua”, presente no álbum Velô, lançado pelo cantor baiano em 1984.

Em 1994, após oito anos morando no exterior, Elza votou de vez para o Brasil. Depois de nove sem lançar álbuns, a cantora lançou em 1997 Trajetória, álbum voltado para o samba tradicional, cujo repertório reuniu composições de Chico Buarque, Aldir Blanc, Arlindo Cruz, Nei Lopes, Guinga, João Roberto Kelly, entre outros. Elza foi contemplada com o Prêmio Sharp na categoria "Melhor Cantora de Samba". Lança em 1999, o álbum independente gravado ao vivo Carioca da Gema. Os dois álbuns, no entanto, não chamam a atenção do grande público. No final de 1999, se apresenta ao lado de Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Virgínia Rodrigues no show Desde Que O Samba É Samba, no Royal Albert Hall, em Londres.

Na virada dos anos 1990 para os anos 2000, inicia-se um processo de redescoberta de Elza Soares. Em janeiro de 2000, estreia no Teatro 2 do Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, o musical Crioula - A Dama do Suingue, espetáculo sobre a vida de Elza Soares, e que trouxe no seu elenco Zezé Polessa, Elisa Lucinda, Tuca Andrade entre outros atores.
Ainda em 2000, Elza Soares estreou o show Dura Na Queda, no Teatro Glória do Rio de Janeiro, e que se desdobou numa turnê pelas principais cidades brasileiras. O título do show foi baseado numa canção homônima composta por Chico Buarque, inspirado numa queda que Elza em 1999, quando caiu do palco, de uma altura de 2 metros, na as de shows Metropolitan, no Rio de Janeiro, e que quase custou a vida cantora. A canção foi incluída no musical Crioula - A Dama do Suingue. O show Dura Na Queda contou uma superprodução que teve a direção de José Miguel Wisnik, produção cenográfica de Gringo Cardia, iluminação de Maneco Quinderé e figurino de Cao Albuquerque. No show, Elza dividiu o palco coma banda carioca Afroreggae. A turnê Dura Na Queda chegou a circular no exterior: Elza se apresentou no Shepherd’s Bush Empire, em Londres, em dezembro de 2000.
Cena do musical Crioula - A Dama do Suingue, estrelada por Zezé Polessa e
baseada na vida de Elza Soares.

Mesmo com os elogios da crítica pela turnê Dura Na Queda e até pelo título que recebeu da rádio e TV BBC, de Londres como “A Cantora do Milênio”, Elza Soares continuava sem gravadora. Se as grandes gravadoras - com algumas das quais Elza já havia trabalhado como a EMI e a Universal – não tinham interesse em Elza Soares, um pequeno selo baiano, a Maianga Discos, abraçou a ideia de lançar um novo álbum da veterana cantora. A produção do álbum ficou a cargo de Alê Siqueira e a direção artística com José Miguel Wisnik, o mesmo que dirigiu a turnê Dura Na Queda.
Lançado em meados de 2002, Do Cóccix Até O Pescoço difere do antecessor álbum de estúdio de Elza, Trajetória, mais voltado ao samba tradicional. Do Cóccix Até O Pescoço era o reflexo do novo momento em que Elza estava vivendo e que ela já vinha apresentando nos shows. Elza se aproximava do samba soul, do funk e até do rap, mostrando-se uma artista aberta a novos experimentos musicais. O fato de estar trabalhando com gente nova, talvez tenha contribuído no processo de renovação da música de Elza.
O álbum contém regravações e canções até então inéditas, como “Dor de Cotovelo” (de Caetano Veloso) e “Hoje é Dia de Festa” (de Jorge Ben Jor) e uma de autoria da própria Elza, em parceria com a atriz Letícia Sabatella, “A Cigarra”.
“Dura Na Queda”, composta por Chico Buarque especialmente para Elza, e presente na turnê que levou o nome da música, é quem abre o Do Cóccix Até O Pescoço. Nas entrelinhas, a letra da canção diz respeito a Elza Soares. Apesar da vida da cantora ter sido muito sofrida desde a infância, a música é alegre. “Vagueia / Devaneia / Já apanhou à beça / Mas para quem sabe olhar / A flor também é / Ferida aberta / E não se vê chora”. Wisnik é quem toca o piano e o percussionista é Marcos Suzano.
“Hoje É dia De Festa”, de Jorge Ben Jor, é um samba funk alegre e festivo, cheio de scratches de hip hop, naipe de metais de funk e uma percussão bem acentuada. A voz de Jorge Ben Jor que aparece inserida em “Hoje É dia De Festa” foi sampleada de uma antiga canção do cantor, “O Namorado Da Viúva”.
Em “Haiti”, regravação de música Caetano Veloso e Gil originalmente gravada por eles para o álbum dupla, Tropicália 2 (1993), Elza manteve a orientação rap da versão original.  No entanto, na versão de Elza, foi inserido uma percussão afro-baiana inspirada na Timbalada. Há também um naipe de metais e scratches.
“Dor De Cotovelo” foi composta por Caetano Veloso especialmente para Elza Soares. É um samba-canção com letra um tanto quanto melancólica, mas a interpretação de Elza não deixa a canção cair no fosso da tristeza. A letra trata dos males do ciúme, capaz de causar dores físicas: “Dói da flor da pele ao pó do osso / Rói do cóccix até o pescoço”. O verso revela de onde foi extraído o título que dá nome ao álbum.
A faixa seguinte, “Bambino”, é um antigo choro composto pelo pianista brasileiro Ernesto Nazareth (1863-1934) no começo do século XX como uma música instrumental. Só veio ganhar letra décadas mais tarde através de José Miguel Wisnik, e gravada desta maneira com Ná Ozzetti em 1999 para o seu álbum Estopim. Elza gravou a sua versão carrega nos seus arranjos um clima nostálgico.
Mais uma regravação presente no álbum é “A Carne”, de Seu Jorge, Marcelo Yuka e Ulisses Cappelleti. Apesar de ter sido gravada pela primeira vez pela banda Favela Carioca (banda da qual Seu Jorge fazia parte), em 1998 para o primeiro disco do grupo, Moro No Brasil, “A Carne” ficou mais famosa na voz de Elza, que começa com o verso forte “A Carne mais barata do mercado / É a carne negra”. Enquanto a versão original era um reggae, a de Elza virou um rap, na qual a cantora empregou uma forte carga dramática na interpretação, fazendo desta canção uma das mais impactantes sobre racismo já gravadas na música popular brasileira.  
Elza Soares em cena do videoclipe de "A Carne".

“Eu Vou Ficar Aqui”, de Arnaldo Antunes, é uma deliciosa mistura de samba e funk, cujo ritmo dançante faz jus aos versos: “Por isto toquem a música bem alto / Toquem e me façam dançar / (Façam meu corpo dançar) ”.  O ritmo dançante prossegue na faixa seguinte, “Etnocopop”, de Carlinhos Brown, um samba funk com uma percussão pesada que remete ao som da Timbalada, e uma letra de versos estranhos que parecem sobre a perseguição da polícia às ditas minorias: negros, índios e prostitutas.
Outra canção antiga, já gravada e que ganhou um novo formato com Elza soares foi “Fadas”. Composta por Luíz Melodia, “Fadas” foi gravada pela primeira vez pelo próprio Luíz em 1978 num ritmo de choro para o seu álbum Mico De Circo. Com Elza, “Fadas” virou um tango onde a cantora mostra toda a sua versatilidade artística.
“Flores Horizontais” é um poema de Oswald Andrade (1890-1954), e musicado por José Miguel Wisnik. Elza canta acompanhada de um contrabaixo acústico e de um piano.
Uma das melhores músicas do álbum é “A Cigana”, composta por Elza Soares em parceria com a atriz Letícia Sabatella. “A Cigana” é uma música que é um misto de oração com canto de roda de capoeira. Sabatella não só é coautora da música, como também faz uma participação especial cantando na gravação, e de maneira bastante graciosa e agradável. O berimbau pontua a música do início ao fim, levando o ouvinte a imaginar que está em alguma roda de capoeira em Salvador.
A atriz Letícia Sabatella:  parceria autoral e dueto com Elza Soares em "A Cigarra", 

“Quebra Lá Que Eu Quebro Cá”, traz Elza Soares cantando cheia de animação acompanhada apenas do pandeiro do percussionista Marcos Suzano. A faixa é um samba com voz e pandeiro que reúne me forma de pout-pourri várias canções famosas da música popular brasileira como “Salve Mocidade”, “Garota De Ipanema”, “Juventude Transviada”, entre outras.
“Todo Dia” é uma faixa que mistura samba rock e rap, e que traz Elza Soares cantando com a participação especial do rapper ABM Aguiar, autor da música que trata sobre racismo, violência e desigualdade social. No refrão, Elza canta dando ênfase na impostação rouca e cheia de suingue, demonstrando que está bem à vontade e íntima da fusão samba, funk e rap.  
“Façamos” é uma versão em português escrita por Carlos Rennó para “Let’s Do It”, de Cole Porter (1891-1964). Elza canta em dueto com o amigo Chico Buarque, e conta com um arranjo belíssimo e elegante, que mistura um reggae sutil e estilizado com jazz. “Façamos” serviu de tema de abertura da telenovela Desejos de Mulher, de Euclydes Marinho, produzida pela TV Globo em 2002.
Chico Buarque faz dueto com Elza Soares em "Façamos (Vamos Amar)", e teve uma canção sua,
 "Dura Na Queda", gravada pela cantora no disco.

Do Cóccix Até O Pescoço recebeu os melhores elogios da crítica e do público. “A Carne” fez muito sucesso assim como o seu videoclipe. Com a boa receptividade, Elza fez uma turnê pelas principais cidades brasileiras e uma excursão no exterior. Em 2003, o álbum recebeu uma indicação ao Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum de MPB”.
Ainda em 2003, Elza lançou um novo álbum de estúdio, Vivo Feliz, pela gravadora Tratore. O álbum é praticamente uma extensão de Do Cóccix Até O Pescoço, só que indo mais à fundo no experimentalismo, fazendo mais uso das batidas eletrônicas, chegando até a flertar com o drum’n’bass e o dub de maneira surpreendente. Quatro anos depois, através do selo Biscoito Fino, Elza lançou o álbum e DVD gravado ao vivo Beba Me, que traz os sucessos antigos e os mais contemporâneos da carreira de Elza Soares.
Todo o experimentalismo empregado em Do Cóccix Até O Pescoço, e radicalizado em Vivo Feliz, desembocou no consagrador A Mulher Do Fim Do Mundo, álbum de 2015, que deu a Elza o Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum de Música Popular Brasileira, em 2016.
Faixas
01-“Dura Na Queda” (Chico Buarque)
02-“Hoje Dia De Festa” (Jorge Benjor)
03-“Haiti” (Caetano Veloso - Gilberto Gil)
04-“Dor De Cotovelo” (Caetano Veloso)
05-“Bambino” (Ernesto Nazareth - José Miguel Wisnik)
06-“A Carne” (Seu Jorge - Marcelo Yuka - Wilson Cappellette)
07-“Eu Vou Ficar Aqui” (Arnaldo Antunes)
08-“Etnocopop” (Carlinhos Brown)
09-“Fadas” (Luiz Melodia)
10-“Flores Horizontais” (Oswald De Andrade - José Miguel Wisnik)
11-“A Cigarra” (Elza Soares - Letícia Sabatella)
12- “Quebra Lá Que Eu Quebro Cá” – pout-pourri:
“Não Volto Atrás” (Oswaldo Nunes)
“Samba Crioula” (Elza Soares)
“Salve A Mocidade” (Luiz Reis)
“Garota De Ipanema” (Tom Jobim - Vinícius De Moraes)
“Samba É Bom Assim” (Norival Reis - Hélio Nascimento)
“Fechei A Porta’ (Sebastião Motta - Ferreira Santos)
“O Amanhã” (João Sérgio)
“Juventude Transviada” (Luiz Melodia)
“Cadê O Pandeiro” (Roberto Martins - Walfrido Silva)
13-“Todo Dia” (ABM De Aguiar)
14- “Façamos’ (Vamos Amar) ” (Cole Porter - versão: Carlos Rennó)


Ouça na íntegra o álbum 
Do Cóccix Até O Pescoço


"A Carne" (videoclipe original)


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

“ATTACK”… TSUNAMIZ FALA SOBRE ATACAR A VIDA


 Tsunamiz fala sobre atacar a vida como se de uma dança se tratasse, em “Attack“, single de apresentação para o novo disco com data de lançamento agendada para 23 de Setembro de 2023.

O alter-ego de Bruno Sobral, artista independente, compositor e produtor musical seixalense, abre assim caminho para o seu sexto álbum de originais, numa faixa repleta de intensidade e garra, carimbando a mensagem e a ânsia de seguir em frente, aprender com os erros e “atacar” a vida como se de uma dança se tratasse, porque no fundo, e segundo o artista, a vida é mesmo uma dança!

Seguindo a ética DIY (do it yourself), Tsunamiz – Bruno Sobral, compõe, grava e produz a sua própria música, tendo lançado de forma independente os seguintes álbuns: “Evil Live” (2015), “Whoreporate Censorshit” (2017), “New Birth Guerrilla” (2019), “Afterbirth Afterparty” (2020) e “Looney Tunez” (2022).

A faixa “Attack” foi inteiramente composta, gravada, produzida e masterizada pelo autor, reforçando a sua marca bastante vincada em toda a sua obra discográfica, onde se destacam uma série de referências pessoais, sociais e culturais, abordando temas como a condição humana, a alienação e o bullying.

O videoclipe que acompanha “Attack” foi editado pela Real’ Ish Films e encarna o espírito e a atmosfera retro, synthwave e 80’s muito à imagem da canção

TARA PERDIDA PARTILHAM NOVO VÍDEO… “ZOMBIES”

 

“HIPERSENSÍVEL” É O NOME ESCOLHIDO PARA O PRIMEIRO ÁLBUM DE RITA ONOFRE

 

“LÉS” É O NOVO SINGLE DE DAVIDE LOBÃO

 

Neil Young: o espetacular “Harvest”

 

Neil Young nunca seguiu a agenda de ninguém, mas a sua própria. Ele começou como sideman em Buffalo Springfield, antes de colocar seus talentos em Crosby, Stills & Nash, primeiro como tecladista, depois como parceiro igual. Tendo a oportunidade de gravar um álbum solo, Young se distanciou do material mais voltado para o rock que se acumulava em seu prato, para um trabalho mais sombrio e intelectual.

Não que o compositor canadense tenha se esforçado para planejar isso, mas que surgiu de seu ambiente imediato. “Gravei a maior parte do Harvest na chave”, lembrou ele. “Essa é a razão pela qual é um álbum tão suave. Eu não poderia tocar fisicamente uma guitarra elétrica.

O colega de banda Graham Nash ouviu o álbum da santidade de um curral. “Ele disse: ‘Entre no barco a remo. Eu disse, ‘Entrar no barco a remo?’ Ele disse, ‘Sim, vamos sair para o meio do lago.’” Nash esperava ouvir uma fita da gravação. “Ah, não”, continuou Nash. “Ele tem toda a sua casa como canal esquerdo e todo o seu celeiro como canal direito. E ouvi Harvest saindo desses dois alto-falantes incrivelmente grandes – mais alto que o inferno. Foi inacreditável.

E então veio o suporte técnico: “Elliot Mazer, que produziu Neil, produziu Harvest, desceu até a margem do lago e gritou para Neil: ‘Como foi isso, Neil?’ Juro por Deus, Neil Young gritou de volta , ‘Mais celeiro!’

A estranheza que alimenta a história de fundo muda para o disco e, embora o trabalho finalizado seja sem dúvida comercial, também é profundamente não convencional em sua visão de mundo. Até mesmo a alegre ‘Heart of Gold‘ termina com o amargo, “E estou ficando velho“.

O álbum está encharcado de cansaço, muito dele voltado para si mesmo, mas a maior parte para o mundo ao seu redor. ‘The Needle and The Damage Done‘, gravada em um show ao vivo, adverte os ouvintes sobre a natureza sedutora da heroína e como ela trata mal as pessoas. O compositor de fala mansa opinou: “Desde que deixei o Canadá há cerca de cinco anos e me mudei para o sul, descobri muitas coisas que não sabia quando saí. Algumas delas são boas, e algumas são ruins. Pude ver muitos grandes músicos antes de eles acontecerem, antes de se tornarem famosos, você sabe, quando eles estavam apenas se apresentando, cinco ou seis sets por noite, coisas assim. E eu pude ver muitos grandes músicos que ninguém nunca viu por um motivo ou outro. Mas, estranhamente, os realmente bons que você nunca conseguiu ver foram por causa da heroína.

Não é totalmente desamparado, como evidenciado pelo anseio de ‘A Man Needs A Maid‘ (o guitarrista David Gilmour ficou impressionado com a melodia), uma música marcante que mostrou que o compositor cerebral realmente tinha um coração batendo. Se você conseguir fazer o vocal sem cair no choro, então há um tenner aqui com o seu nome!

Os momentos mais fortes do álbum são os mais ternos, o que pode explicar por que ‘Old Man‘ ajudou suas credenciais no campo do rock voltado para o rádio. Melhor ainda, o álbum apresenta ‘Out on the Weekend‘, uma melodia comovente e buscadora que encontrou uma fã improvável em Lady Gaga. Young estava se inspirando em suas viagens e até dedicou alguns dos números às pessoas que conheceu ao longo do caminho. “E havia um casal morando nela que eram os zeladores, um velho senhor chamado Louis Avila e sua esposa Clara. E havia um velho jipe azul lá, e Louis me levou para um passeio neste jipe azul. Ele me leva até o topo do lugar, e há um lago lá em cima que alimenta todos os pastos, e ele diz: ‘Bem, diga-me, como um jovem como você tem dinheiro suficiente para comprar um lugar como este?’ E eu disse, ‘Bem, sorte, Louis, muita sorte.’ E ele disse, ‘Bem, essa é a coisa mais incrível que já ouvi.’ E eu escrevi essa música para ele.

Nash contribuiu com vocais de harmonia, assim como David Crosby, ambos adequadamente impressionados com o material e a direção que estava tomando. Crosby forneceu uma contra-melodia escaldante para ‘Alabama‘, um roqueiro de nome arrumado que lhe rendeu notoriedade quando foi chamado na mal-humorada ‘Sweet Home Alabama‘. Para seu crédito, Young mais tarde descartou o sentimento da música, mas estava de acordo com o ambiente rebelde e onírico que o álbum havia capturado. E, sem querer, Young havia escrito um álbum de sucesso genuíno, mas ao invés de capitalizar o trabalho, ele foi em uma direção diferente no profundamente introspectivo “On the Beach“. Sua abordagem rústica de gravação impressionou o grupo de rock progressivo Genesis; Phil Collins comparou “The Lamb Lies Down on Broadway” a um álbum de Young.

Young havia se tornado maior do que Buffalo Springfield ou Crosby, Stills & Nash, então ele sabiamente viajou em seu próprio caminho. Sua jornada musical foi uma das encruzilhadas, fade-outs, nomes impróprios e brilho cósmico. Mas ele sempre precisava se aventurar, mesmo que isso significasse pular a rota mais fácil e lucrativa. “Acabaram de me oferecer milhões de dólares para uma turnê para tocar o Harvest”, revelou o cantor à AARP. “Todo mundo que tocou em Harvest está morto. Eu não quero fazer isso. Que tal plantar ao invés de colher? Se eu decidir pegar a estrada, gostaria de fazer uma turnê pela democracia no ano que vem com pessoas diferentes que estão sempre mudando. Nem direita nem esquerda. Democracia não é você desse lado e eu do outro só pra ver quem ganha.



ESQUINA PROGRESSIVA

 

Van der Graaf Generator - H to He Who Am the Only One (1970)



O ano de 1970 foi decisivo para a o rock progressivo. Aquela música recém-nascida na forma de bandas como Genesis, Yes, e Gentle Giant, ganha força e convicção, explorando e explodindo conscientemente os “limites” do rock, com um espirito puro e experimentação sem restrição.

H To He Who Am The Only One é um disco com fortes influências no jazz em grande parte expresso pelo saxofone dinâmico de David Jackson. O disco é um exemplo clássico de álbum “difícil”, que pode ser em primeira análise algo desafiador e complicada assimilação, mas que depois tende a ser uma gratificante experiência auditiva. Eu mesmo, confesso que após ouvi-lo pela primeira vez, no relativamente longínquo ano de 1999 (acho), demorou até que não apenas esse disco, mas a banda de fato me tocasse. Mas hoje, posso dizer que é uma das minhas preferidas do rock progressivo, sendo Peter Hammill, de longe, o meu letrista favorito do gênero.

A morte, amor, dor interior, auto aversão, arrependimento e a necessidade de solidão são temas recorrentes no disco e que o tornam catártico e também perturbador. Peter Hammill muitas vezes tem a sua capacidade vocal questionada, mas é inegável o quanto ele consegue ser enérgico e emotivo. Às vezes ele quase sussurra, outras vezes ele quase grita “cuspindo” suas linhas vocais e outras vezes ele afeta um falsete que pode ser visto como algo que ajudou a moldar acrobacias vocais até em bandas tecnicamente superiores nessa área (como o Gentle Giant, por exemplo)

O álbum começa de maneira fantástica através da faixa “Killer”, uma faixa que lembra "21st Century Schizoid Man”, mesmo que não haja uma semelhança real, provavelmente David Jackson no seu sax poderoso é a chave para esse meu pensamento. Mas isso não é tudo, Peter Hammill soa mais ou menos como David Bowie no seu tempo de Ziggy Stardust misturado a uma sonoridade tipo jazzy psicodélico de grande complexidade. Faixa de melodia forte e que é agradável do seu começo ao fim.

"House with no Door" começa com um piano e Peter no vocal de uma maneira que parece David Bowie cantando uma música do Elton John. Essa cadencia segue até a entrada uma bela flauta. Não é uma música muito complexa, mas é extremamente bonita e com grande sentido melódico.

The Emperor in his War Room" é simplesmente brilhante trazendo todos os elementos pra ser considerada um ícone do rock progressivo (inclusive Robert Fripp como convidado). A interação entre órgão e flauta é impressionante, as mudanças radicais são surpreendentes, mas sempre respeitando a melodia. O desempenho de Fripp é bom como de costume. Uma música única em tudo e uma das melhores da discografia da banda.

“Lost” é uma música meio estranha, um tipo de hard rock misturado a piscodelia e dramatismo, mantendo o ouvinte em um constante suspense perguntando o que vem depois, mas o bom disso é que ela nunca decepciona.

“Pioneers Over C.” igualmente a faixa anterior também apresenta muitos temas juntos. Começa com uma atmosfera espacial. Possui algumas seções mais rápidas e de groove pra agitar o fluxo. Peter Hammill tira todos os seus truques vocais (seja para o bem ou para o mal) em harmonias bem assustadoras, mas em falsetes que deixam um pouco a desejar. Bastante experimental e variável, a banda caminha por várias direções até terminar o álbum de maneira espacial também.


Track Listing 

1.Killer - 8:07
2.House With No Door - 6:03
3.The Emperor In His War-Room - 9:04
4.Lost - 11:13
5.Pioneers Over C. - 12:05




BIOGRAFIA DOS Celeste

 

                                                     Celeste

Celeste é um grupo de rock progressivo, fundado em Sanremo, Itália no ano de 1972. 

O Celeste, assim como o Museo Rosenbach, se formou em Sanremo, em setembro de 1972 a partir da dissolução do grupo Il Sistema, sob iniciativa de Ciro Perrino, percussão, flauta e mellotron, e Leonardo Lagorio, flauta, sax e teclados, para endereçar a sua música a ambientes mais clássicos e acústicos no que diz respeito à experiência anterior. Para compor o grupo foi chamado Mariano Schiavolini que, estudante de violino, clarinetista e guitarrista, compôs as melodias do primeiro álbum do grupo a partir de letras de Perrino. Para completar a formação foram chamados Giorgio Battaglia, ao baixo, Marco Tudini, flauta, sax e percussões, e Riccardo Novero, no violoncelo, além da cantora inglesa Nikki Berenice Burton. 

Em 1973, foi completada a composição do primeiro álbum e foram iniciadas as provas em estúdio, mas a cantora decidiu voltar para o Reino Unido para prosseguir sua carreira solista, sendo substituída por Perrino. Novero deixou o grupo para se dedicar à carreira de concertista e Marco Tudini deixou a Itália para procurar sorte também no Reino Unido. Os quatro músicos, Battaglia, Lagorio, Perrino e Schiavolini completaram as gravações do disco nos primeiros meses de 1974, mas inexplicavelmente, o disco só foi lançado em janeiro de 1976 com o título Principe di un giorno pela etiqueta Grog. 

Após a saída do primeiro disco houve algumas mudanças na formação do grupo graças ao ingresso de Francesco Di Masi, na bateria, com Perrino como cantor, tecladista e flautista. A banda começou a fazer gravações de novas músicas caracterizadas por uma impostação mais jazz-rock em relação ao primeiro álbum, mas em 1977, a banda se desfez por conta de dissabores artísticos e o segundo disco só foi lançado em 1991 pela Mellow com o título de Celeste II. 

Um terceiro álbum, produzido como trilha sonora, incluiu também duas músicas de Principe di un giorno, foi publicado em 1992 com o título I suoni di una sfera. 

Após a dissolução do Celeste, Ciro Perrino tocou em alguns grupos e, em 1980, realizou o seu álbum de solista intitulado Solare. Funda com Mauro Moroni, em 1991, a etiqueta discográfica Mellow, que se distinguiu na recuperação e reedição em CD dos principais álbuns do rock progressivo italiano. 

Em 2017 a banda retornou com uma nova formação contando somente com um integrante da formação original, Ciro Perrino 

Integrantes.

Atuais.

Ciro Perrino (Mellotron, Solina, Eminent, Elka Rhapsody, Farfisa, Órgão Hammond, Minimoog, ARP 2600, ARP Odyssey, Piano, Percussão, Vocais)
Francesco Bertone (Baixo)
Enzo Cioffi (Bateria)
Sergio Caputo (Violino)
Marco Moro (Flautas, , Saxofones Tenor e Barítono)
Mauro Vero (Guitarras Acústicas e Elétricas) 

Adicionais em Celeste em Il Principe Del Regno Perduto (2021).

Marco Canepa (Plano)
Paolo Maffi (Saxofones Soprano, Alto e Tenor)
Anna Marra (Voсals (1,2,4,6)
Edmondo Romano (Saxofone Soprano, Clarinete, Chalumeau, Duduk, Apito)
Alessandro Serri (Vocais (2), Guitarra Elétrica (6)
Ciro Carlo Antonio Perrino (Voz Recitando (6) 

Ex - Integrantes.

Leonardo Lagorio (Teclados, Flauta, Sax)
Mariano Schiavolini (Guitarra, Violino, Clarinete)
Giorgio Battaglia (Baixo)




Celeste (1976)

(Principe Di Giorno)
01. Principe Di Giorno (6:12)
02. Favole Antiche (8:18)
03. Eftus (4:17)
04. Giochi Nella Notte (8:11)
05. La Grande Isola (5:04)
06. La Danza Del Fato (3:56)
07. L'imbroglio (1:06)


Destaque

Malefic Oath – The Land Where Evil Dwells (Demo 1992)

  Country: Netherlands   Tracklist   1. Intro 01:04 2. Prediction Of The Unborn Son 04:34 3. The Endless Way To The Unknown 03:11 4. Garde...