quarta-feira, 1 de março de 2023

“Closer” (Factory, 1980), Joy Division

 


Quando ainda estava na turnê do seu aclamado álbum de estreia, Unknown Pleasure, em 1979, a banda Joy Division já tocava nas suas apresentações algumas músicas que fariam parte do segundo álbum, Closer, que só seria lançado no ano seguinte. As canções eram “Atrocity Exhibition”, “Passover”, “Colony” e “Twenty Four Hours”, as quatro contando muito com a presença da guitarra de Bernard Sumner, refletindo a influência da crueza musical de Unknown Pleasure.

No entanto, essa crueza perderia espaço ou pelo menos o protagonismo na sonoridade do Joy Division, a partir do começo de 1980, quando a banda adotou os sintetizadores. O produtor Martin Hannett - o mesmo que havia produzido o álbum de estreia do quarteto inglês – estimulou o guitarrista Bernard Sumner a usar sintetizadores, como o Transcedent 2000 e o ARP Omni 2. Além disso, incentivou o baterista Stephen Morris a fazer uso dos efeitos eletrônicos da bateria eletrônica. “Isolation”, “Heart And Soul”, “The Eternal” e “Decades”, foram compostas após o Joy Division ter adotado os sintetizadores. Com a adoção dos sintetizadores, o grupo alemão Kraftwerk e o cantor David Bowie (na fase do álbum Low, de1977), se tornaram importantes referências para o Joy Division.

A frieza da sonoridade eletrônica agregada ao som cru e angustiante que a banda já praticava, se tornaram a moldura perfeita para as letras melancólicas e enigmáticas do vocalista e letrista Ian Curtis. Esse casamento sonoro consolidaria o estilo próprio da Joy Division em fazer música, e que se tornaria uma grande influência no cenário pós punk que estava vigente naquele momento, bem como influenciaria gerações de bandas e artistas que viriam futuramente.

O guitarrista e tecladista da Joy Division, Bernnard Sumner, observa o produtor Martin Hannet  manipulando
os sinterizadores Transcendent 2000 e ARP Omni 2 no estúdio de gravação.
Sob produção de Martin Hannett, as gravações de Closer ocorreram entre 18 e 30 março de 1980, no Britannia Row Studios, em Londres, Inglaterra. Na época, o Britannia Row Studios pertencia ao Pink Floyd, os mesmos estúdios onde o grupo gravou os álbuns Animals (1977) e partes de The Wall 1979).

Apesar da boa avaliação do público e da crítica ao álbum de estreia e da projeção que a Joy Division começava a conquistar na mídia, nos bastidores, as coisas não iam nada bem. Os problemas não eram com a banda em si, mas com Ian Curtis. Desde a segunda metade de 1979, a vida de Ian Curtis atravessa por uma verdadeira “montanha russa” de conflitos pessoais que acabaram interferindo na banda. Problemas que iam desde saúde mental à crise conjugal.

Na época da turnê de Unknow Pleasure, Ian Curtis teve as suas primeiras convulsões em pleno palco. Exames médicos detectaram que Ian Curtis era portador de epilepsia, e desde então o artista passou a tomar medicamentos cada vez mais pesados, o que com o tempo, acabou afetando o seu estado emocional, tornando-o uma pessoa mais reservada do que já era, mais deprimida, e em alguns momentos, mais ríspida. O resultado disso, é que Curtis procurava uma fuga através do álcool, do cigarro e de remédios. As convulsões afetaram a confiança de Curtis em subir ao palco como também as finanças da banda: não foram poucos os shows cancelados por causa do agravamento da saúde mental do vocalista.

Ian Curtis, vocalista da Joy Division: portador de epilepsia, sofria
convulsões em pleno palco nos shows da banda.


Ao mesmo tempo, o casamento de Ian Curtis com Deborah Curtis começava a ruir, apesar do nascimento da filha do casal, Natalie. O seu romance extraconjugal com a jornalista belga, Annik Honoré, gerou uma grande crise no casamento do vocalista, que culminou no pedido de divórcio por parte de Deborah. Curtis por sua vez, carregava na alma o peso da culpa por amar outra mulher e trair a esposa com quem tinha uma filha pequena.

Como se isso não bastasse, Ian Curtis ainda vivenciava outro tormento: a possibilidade de sucesso da Joy Division. A primeira turnê americana da Joy Division estava agendada para maio, possibilitando ao quarteto inglês uma grande visibilidade. O que para os seus companheiros foi motivo de comemoração e de sonhar com voos mais altos profissionalmente, para Curtis tornou-se um pesadelo. O vocalista, que já andava angustiado com o seu problema de saúde nos shows pela Europa, temia ter convulsões nos shows da turnê americana e envolver não só a si, mas toda a banda num grande constrangimento, e desta vez, do outro lado do Atlântico. Por causa dos seus problemas pessoais, ele chegou manifestar o desejo de deixar a banda, e mudar-se para a Holanda e lá abrir uma livraria.

Num ato de desespero por não aguentar o sentimento de culpa por trair a esposa, a depressão e a epilepsia, Ian Curtis pôs fim à própria vida ao enforcar-se na cozinha de sua casa com uma corda de varal, no dia 15 de maio de 1980, um domingo, véspera da viagem para os Estados Unidos para a primeira turnê do Joy Division naquele país. Pouco antes de dar fim à própria vida, Ian Curtis havia ouvido o álbum The Idiot, de Iggy Pop.

Joy Division se apresentando na Universidade de Birmingham,
em 2 de maio de 1980.  Foi a última apresentação ao vivo da banda,
duas semanas antes de Ian Curtis suicidar-se. 

Ian Curtis havia tentado o suicídio em abril de 1980, ao ingerir vários comprimidos do medicamento para a sua doença, mas conseguiu escapar. Na segunda tentativa, Curtis conseguiu o que desejava.

Closer foi lançado em 18 de julho de 1980, exatamente dois meses depois da trágica morte de Ian Curtis. Como infeliz coincidência, a capa do álbum é a fotografia da tumba da família Appiani, no Cimitero Monumentale di Staglieno, em Gênova, na Itália. A fotografia para a capa, feita pelo fotógrafo Bernard Pierre Wolff, em 1978, já havia sido aprovada por todos membros da banda, inclusive pelo próprio Ian Curtis. O projeto gráfico é de Martin Atkins e Peter Saville. Originalmente, não havia qualquer referência nas versões LP de qual era o lado A e B. A edição brasileira de Closer incluiu “Love Will Tears Us Apart”, o maior sucesso da banda que fora lançada apenas em single, um mês antes do lançamento de Closer.

Tumba da Família Appiani, no Cimitero Monumentale di Staglieno,
em Gênova, na Itália, serviu de capa para o álbum Closer.

O segundo e último álbum da Joy Division começa ao som de uma bateria em ritmo marcial e repetitivo, acompanhado por ruídos e sons sujos de guitarra, que dão início à faixa “Atrocity Exhibition”, música inspirada num livro homônimo de J.G.Ballard (1930-2009), escritor inglês de quem Ian Curtis era fã. O interessante nesta música é que o baixista Peter Hook é quem toca guitarra e o guitarrista e tecladista Bernard Sumner é quem toca o baixo.

A faixa seguinte, “Isolation”, possui um ritmo mais acelerado e dançante, e é um prenúncio do caminho musical que será tomado pelos membros da banda após o fim da Joy Division. Na letra de “Isolation”, Curtis é bastante confessional em relação ao estado emocional que passava, afirmando que se vergonha das coisas que tem feito, e da pessoa que havia se tornado, provavelmente uma alusão ao sentimento de culpa pelo adultério que cometia. “Isolation” possui uma linha de baixo marcante e pulsante característico de Peter Hook, e teclados produzindo um som estridentes na reta final da música, e uma bateria eletrônica contagiante. Curiosamente, não há guitarra nesta faixa.

“Passover” é mais uma canção confessional de Ian Curtis presente em Closer, e nas suas entrelinhas, parece fazer referência ao do seu casamento com Deborah Curtis: “This is the crises I knew had to come / Destroying the balance / I'd kep”. (“Esta é a crise que eu sabia que viria / Destruindo o equilíbrio / que eu mantinha”).

Assim como “Atrocity Exhibition”, “Colony” é outra canção do álbum que possui referência literária. O título é uma alusão a Na Colônia Penal, novela escrita por Franz Kafka (1883-1924), em 1914, mas publicada em 1919. O riff pesado e agressivo de guitarra e a bateria inquieta embalam o canto agressivo de Ian Curtis, que canta os versos sobre desespero e solidão numa colônia penal, que na canção poderia ser uma metáfora para a vida conjugal de Curtis ou à sua doença.

Franz Kafka, autor de Na Colônia Penal, obra literária que inspirou
a música "Colony", da Joy Division.

Com uma bateria num ritmo robótico executado por Stephen Morris, “A Means To An End” possui musicalmente uma inclinação pop. É “A Means To An End” quem fecha o que pode ser considerado o lado A de Closer. A música parece uma canção de despedida, em que Curtis demonstra ter perdido a confiança em alguém. Os versos dão indícios de que Curtis se refere a um relacionamento que se desgastou, chegou ao fim, nesse caso o seu casamento com Deborah Curtis. Ainda assim, Curtis parece guardar algum sentimento bom que viveu com a esposa: “We fought for good - stood side by side / Our friendship never died”(“Nós lutamos para o bem - ficamos lado a lado / Nossa amizade nunca morreu”). Uma curiosidade é que “Cedo”, da Legião Urbana, poderia ter sido inspirada “A Means To An End”.

“Heart And Soul” dá início ao que pode ser considerado o lado B de Closer. Ian Curtis parece cantar dentro de uma caverna. Em alguns versos, Curtis se mostra enigmático e ao mesmo tempo bastante claro no que diz: “The past is now part of my future / The present is well out of hand” (“O passado é agora parte do meu futuro / O presente está bem fora de controle”).

Em “Twenty Four Hours”, Curtis se mostra desesperançoso com o futuro: “Just for one moment I thought I'd found my way” (“Só por um instante pensei que encontraria meu caminho”). Ao final da canção, demonstra um desespero revelador: “Gotta find my destiny, before it gets too late”(“Tenho que achar meu destino antes que seja tarde demais”).

A faixa seguinte, “The Eternal”, é talvez a canção com o arranjo melhor elaborado do álbum, e é provavelmente a faixa mais triste. Os sintetizadores criam os efeitos de chiado, bem como é responsável por todo o clima etéreo, melancólico e funesto da canção. A morte se faz presente não apenas na base instrumental, mas também sutilmente nos versos: “Procession moves on, the shouting is over / Praise to the glory of loved ones now gone”. (“Procissão continua, a gritaria acabou / Louvar para a glória dos amados que agora já foram”).

O ritmo prossegue lento e melancólico com “Decades”, faixa que provavelmente é a que encerra Closer. Nesta faixa, os sintetizadores executados por Sumner também desempenham um papel importante, criando toda uma atmosfera musical claustrofóbica que casa muito bem com a letra escrita por Curtis, na qual ele enxerga um futuro sem esperança, sem rumo.

Joy Division, da esquerda para a direita: Peter Hook, Ian Curtis,
Stephen Morris e Bernard Sumner. 

Ao ouvir Closer e analisar as letras de algumas de suas canções, chama atenção como os seus companheiros de banda não perceberam as pistas deixadas por Curtis nos versos, o desespero que o vocalista estava sofrendo e as possibilidades de suicídio. Closer é na prática, uma espécie de “carta de despedida” em forma de um disco de canções. Os colegas de banda só vieram perceber as mensagens nas entrelinhas dos versos tempos depois da morte de Ian Curtis.

Embora as canções verbalizassem o desabafo do vocalista, elas eram ao mesmo tempo um grito de socorro. Talvez Curtis se sentisse incapaz emocionalmente de pedir ajuda aos companheiros da maneira convencional, e o fez através de canções. Os companheiros por sua vez, não conseguiram decodificar os versos que expressavam a despedida daquele jovem artista que partiu desta vida apenas 23 anos de idade.

Com a morte de Ian Curtis, a Joy Division chegou ao fim como banda. Dois meses após a morte de Curtis, os membros restantes da antiga banda voltaram a ensaiar juntos para um novo projeto, o New Order. Apesar de ter durado tão pouco tempo e de não ter alcançado o nível de popularidade da banda que a sucederia, a Joy Division influenciou gerações de bandas e artistas que vieram após o seu fim, como Smashing Pumpkins, Radiohead, Interpol, Franz Ferdinand e The Killers. No Brasil, a Legião Urbana teve bastante influência da Joy Division, e o seu vocalista, Renato Russo, o mais fiel discípulo de Ian Curtis no rock brasileiro.

Faixas

Todas as faixas são de autoria de Ian Curtis, Peter Hook, Stephen Morris e Bernard Sumner.

Lado 1
  1. "Atrocity Exhibition"
  2. "Isolation"
  3. "Passover" 
  4. "Colony"
  5. "A Means To An End"            
Lado B           
  1. "Heart And Soul"        
  2. "Twenty Four Hours"              
  3. "The Eternal" 
  4. "Decades" 

Joy Division: Ian Curtis (vocal, guitarra e escaleta), Bernard Sumner (guitarra, baixo e sintetizadores), Peter Hook (baixo, violão e baixo de seis cordas) e Stephen Morris (bateria, bateria eletrônica e percussão)


"Atrocity Exhibition"



"Isolation"


"Passover"


"Colony"



"A Means To An End"



"Heart And Soul"


"Twenty Four Hours"



"The Eternal"



"Decades"



"Love Will Tears Us Apart"
(videoclipe oficial)

BIOGRAFIA DOS Três Tristes Tigres

Três Tristes Tigres

Três Tristes Tigres é uma banda musical portuguesa formada na década de 1990. A banda é mais conhecida pelo tema "O Mundo a Meus Pés".

História

O início

Desde 1987 que a ex-Ban Ana Deus trabalhava e colaborava com a poetisa Regina Guimarães na autoria de canções para teatro e video. A teclista Paula Sousa (ex-Repórter Estrábico) acaba por entrar numa fase mais avançada. Em 1992 está definida a primeira formação do grupo. O nome foi escolhido por ser um trava-línguas e porque achavam graça haver tristes na música ligeira que se associa a divertimento.

Anos 90

O primeiro álbum dos Três Tristes Tigres, "Partes Sensíveis", é editado em 1993. A popularidade do tema "O Mundo A Meus Pés" leva a que as edições posteriores do disco tivessem na capa uma imagem de Ana Deus retirada do teledisco desse tema.

Paula Sousa sai em Dezembro de 1993. O grupo participa no disco de homenagem a António Variações com "Anjinho da Guarda".

Alexandre Soares, que colaborara na gravação de "Anjinho da Guarda", entra para o grupo.

Começam entretanto a preparar o segundo álbum de originais, "Guia Espiritual", que vê a luz do dia no início de 1996. O disco foi bastante aclamado e agraciado com o prémio Blitz para o Melhor Álbum Nacional do Ano e o projecto levou ainda o prémio de Melhor Grupo Nacional. "Zap Canal" é um dos temas mais divulgados nas rádios nacionais.

No final de 1998 é editado o seu terceiro álbum, "Comum". Este incluia o tema "Falta (forma)" com a participação de Manuela Azevedo dos Clã.

A formação ao vivo passa a contar com João Pedro Coimbra (bateria, percussão) e Pedro Moura (programações).

Em Maio de 1999 é apresentado em Lisboa e no Porto o espectáculo "Fera Consentida" baseado num texto de Maria Gabriela Llansol.

Anos 2000

Nos dias 19 e 20 de Fevereiro de 2000 é estreado no Auditório Carlos Alberto o espectáculo "KITCHnet" de Ana Deus com textos de Regina Guimarães.

Em 2001 é editada a compilação "Visita de Estudo" com temas de todos os álbuns, o tema "Anjinho da Guarda" e como novidades o tema "Coisas Azuis", concebido para o espectáculo "Ferida Consentida", uma nova versão de "Subida aos Céus" e uma remistura de J.P. Coimbra para "O Mundo A Meus Pés".

Alexandre Soares é o autor da banda sonora do filme "Ganhar a Vida" de João Canijo. No filme pode ser ouvido o tema "Fome de Femme" dos Três Tristes Tigres.

Em 2006, é editado o livro "As Letras como Poesia", pela Objecto Cardíaco, que inclui uma análise das Letras de Regina Guimarães para os TTT, republicado em 2009 pela Afrontamento.

Elementos

  • Ana Deus (1992-)
  • Regina Guimarães (1992-)
  • Paula Sousa (1992-1993)
  • Alexandre Soares (1992-)

Discografia

  • Partes Sensíveis (CD, EMI, 1993)
  • Guia Espiritual (CD, EMI, 1996)
  • Comum (CD, EMI, 1998)
  • Visita De Estudo (Compila, EMI, 2001)
  • Mínima Luz (CD, 2020)


“SWAMPY” É O NOVO EP DOS DRY CLEANING

 

ALINA LANÇAM NOVO SINGLE “BEM ME QUER”

 

“PASSENGER SIDE” É O NOVO SINGLE DOS BAD BAD MARY

 

Dry Cleaning – New Long Leg (2021)

 

A fornada de 2021 continua a presentear-nos com excelentes discos, e New Long Leg promete ser mais um a ter em conta quando chegarmos ao fim do ano e fizermos o balanço do mesmo

Depois de dois EP’s em 2019 e um belo single lançado no final do ano passado (“Scratchcard Lanyard”, música que abre o disco), eis que os Dry Cleaning, banda do sul de Londres, lança o seu primeiro longa duração. Tal como aconteceu com os Black Country, New Road, a expectativa era elevada e a confirmação foi quase imediata. Há de facto uma vaga de novas bandas a surgirem no Reino Unido que urge ouvir e degustar. Para melhor as descobrir nada como ir à playlist aqui lançada pelo nosso grande Francisco Fidalgo, sempre atento ao que de novo vai aparecendo.

Preoccupations, Protomartyr, Porridge Radio, Shame, IDLES, Fontaines D.C. são alguns dos nomes que têm surgido nos últimos anos revisitando o pós-punk são vários e todos merecem atenção, todos conseguiram adicionar ao existente sem serem meras cópias do que antes havia, indo remexer na herança de Wire, Joy Division, The Fall, Gang of Four, dando-lhes uma roupagem actual e pertinente. Juntemos pois os Dry Cleaning a esta lista, derivado da sua bela capacidade de criar canções que parecem simples e ainda assim estão cheias de conteúdo – de ganchos imprevisíveis no baixo de Lewis Maynard, de riffs em cascata saídos da guitarra de Tom Dowse, de variações de ritmo entre canções e, no que será eventualmente mais diferenciador e ao mesmo tempo divisivo, na opção por spoken word da vocalista Florence Shaw. Enigmática como poucas, a sua presença cria uma experiência de audição no ouvinte totalmente díspar, nunca abandonando o tom de discurso, nunca se enquadrando em métricas a acompanhar a melodia, como que a pairar sobre a camada de som que a sonoriza.

New Long Leg é bastante coeso ao nível de temas, destacando-se talvez o já mencionado single “Scratchcard Lanyard” e “Her Hippo”. Viajar por New Long Leg é passear por cenários como o Museu Sherlock Holmes dos finais de relação, dentistas com jardins nas traseiras desorganizados, peluches de llamas em lojas, maionese no fundo do frigorífico, e bolas saltitantes de Tóquio, Oslo ou ainda Rio de Janeiro. Florence Shaw, como boa estudante de arte, cria uma colagem de frases retiradas de comentários online, conversas agarradas por aí, reflexões próprias, assim criando um cenário confuso mas bem trabalhado para ilustrar as suas ideias.

Tal como aconteceu com os Black Country, New Road, com os black midi, com os Sons of Kemet, The Comet is Coming, também urge dar atenção de ouvido aos Dry Cleaning. Não serão tão inventivos como os acima listados, mas dentro do seu espectro conseguiram criar um disco audaz e pertinente. Nós só temos que agradecer a existência destas bolsas de resistência rock.


Alice in Chains – Facelift (1990)

 

O álbum de estreia dos Alice in Chains, Facelift, foi o primeiro disco de ouro do grunge. O alternative rock à beirinha de varrer o mainstream.

Estamos em ’87, na longínqua cidade de Seattle. Quando uma banda de Sunset Strip ruma em digressão, muitas vezes nem se dá ao trabalho de lá passar: faz frio, está sempre a chover, não há público que justifique. E, contudo, há qualquer coisa a mover-se. Dá-se um pontapé numa pedra e sai de lá uma banda, tocando só porque sim, porque as hipóteses de vingar são remotas. É uma cena pequena e promíscua – bandas tocando para outras bandas em meia dúzia de clubes esconsos – mas a vitalidade rock’n’roll é inegável. O isolamento de Seattle joga a seu favor: não lhes resta outra hipótese senão serem eles próprios.

Jerry Cantrell é um desses miúdos que toca guitarra como se a sua vida dependesse disso. No espaço de algumas semanas perde a avó e a mãe, ficando sem família e sem casa. Dorme agora num sofá de um amigo. Numa festa, conhece Layne Staley, que, sabendo da sua situação, lhe oferece guarida no Music Bank, um antigo armazém reconvertido em salas de ensaio, aberto 24 horas por dia. No rodopio de sexo, drogas e rock’n’roll que é o Music Bank, depressa se forma uma profunda amizade – e cumplicidade estética – entre Staley e Cantrell. Os Alice in Chains, portanto.

E enquanto vão crescendo como banda, toda a cena musical de Seattle vai ganhando notoriedade. A culpa é da editora independente Sub Pop, que inventou um nome para a movida heavy rock da cidade – o grunge – e vendeu-o ao mundo como a “next big thing”. A estratégia foi hábil: conquistar primeiro os fazedores de gosto ingleses. Em ’89, John Peel começa a passar Nirvana, Mudhoney e Soundgarden no seu famigerado programa de rádio. Numa crónica no London Observer, Peel afirma que o grunge é a cena regional mais interessante desde que Detroit nos deu a Motown. No mesmo ano, a convite da Sub Pop, o Melody Maker publica um guia sobre a cena de Seattle.

Os ares do tempo jogam a favor do hype: depois de uma década de escapismo de plástico, ansiava-se por um retorno ao orgânico e verdadeiro. Começa então a corrida para as majors: primeiro, os Soundgarden; a seguir, os Mother Love Bone; por fim, os Alice in Chains. Graças à alta rotação de “Man in the Box” na MTV, foram os AiC que deram ao grunge o seu primeiro disco de ouro, a sua primeira entrada no Top 50 da Billboard e o seu primeiro hit single. O caminho para o terramoto de Nevermind estava agora escancarado.

Facelift é um grande disco – canções memoráveis umas atrás das outras -, apesar de apanhar os Alice in Chains ainda à procura da sua identidade. Os seus salpicos funk (“I Know Somethin About You”) e de hard rock à Guns (“Put You Down”) podem ser encantadores mas distraem a banda do seu desígnio. Só no tomo seguinte – o sepulcral Dirt – é que os Alice in Chains se cumpririam na íntegra, mas tudo o que os define já está presente em Facelift: os riffs pesados e lentos como chumbo a derreter; o misto de imaginação melódica com escuridão sabbathiana; o entrelaçar das vozes de Staley e Cantrell, quais Simon & Garfunkell do doom.

O ponto mais alto de Facelift é “Love, Hate, Love”, que vai crescendo devagar até toda a lava de sentimentos contraditórios se derramar no refrão: amo, odeio, amo outra vez. Não são as palavras que nos comovem (muitas vezes, elas escapavam-nos), é a voz trémula e torturada de Staley, sofrendo cada sílaba que enuncia. Mais do que uma estética A ou B, é esta profundidade emocional que define o grunge, este extravasar intenso de tristeza e raiva e confusão, esta antítese absoluta da superficialidade do hair metal. Para nós, então adolescentes, era maná que nos caía do céu: sentíamo-nos finalmente compreendidos e tínhamos finalmente uma música só nossa, que os nossos irmãos mais velhos não compreendiam. Que sorte foi a nossa, é o que vos digo.


NEO-PROG Um subgênero de rock progressivo

 

Definição Neo-Prog

Rock Neo-Progressivo (mais comumente "Neo-Prog") é um subgênero do Rock Progressivo que originalmente foi usado para descrever artistas fortemente influenciados pelas bandas clássicas de prog sinfônico que floresceram durante a década de 1970. No início do movimento neo-prog, a principal influência foi do início até meados dos anos 70 do Genesis. O debate sobre quando o Neo-Prog realmente surgiu ocorre com frequência, com alguns afirmando que começou com Marillion's Script for a Jester's Tear em 1983. Outros afirmam que começou com Twelfth Night no início dos anos 80, enquanto alguns até sugerem o popular sinfônico A banda progressiva Genesis deu origem ao Neo-Prog com seu álbum de 1976, A Trick of the Tail.

Se alguém analisar o movimento progressivo pouco antes de 1980, então alguns álbuns que influenciaram fortemente o movimento Neo-Prog facilmente vêm à mente: Steve Hackett - Spectral Mornings, Genesis - Wind & Wuthering, Genesis - And Then There Were Three, Genesis - Seconds Out , Saga - Saga, todos os álbuns do Camel entre Breathless e The Single Factor incluídos, e alguns álbuns de Eloy, especialmente Silent Cries And Mighty Echoes.

Esta nova forma de rock progressivo se originou no Reino Unido e é mais fortemente associada a bandas como Marillion, Pendragon e IQ; e embora as travessuras teatrais fizessem parte das apresentações ao vivo de muitos artistas que exploram esse subconjunto do gênero rock progressivo, são os elementos musicais que são fundamentais para o gênero; tipificado pelo uso de guitarra atmosférica e solos de sintetizador com tendências sinfônicas, com uma tendência para camadas flutuantes de sintetizadores e solos sonhadores. Uma característica adicional é o uso de sintetizadores modernos em vez de sintetizadores e teclados analógicos antigos. As principais razões para os artistas Neo-Progressivos serem separados daqueles que exploram o Symphonic Prog em primeiro lugar são as anteriores, bem como uma ênfase mais pesada na forma da música e na melodia do que alguns de seus homólogos sinfônicos anteriores.

Com o passar do tempo surgiram outros artistas que também se desviavam das normas criadas pela onda clássica de artistas do rock progressivo nos anos 70. O final dos anos 70 deu ao mundo a música punk; os anos 80 deram uma nova onda ao mundo; e o grunge dos anos 90. Essas, assim como outras formas, tiveram uma tremenda influência fora do reino do rock progressivo. O advento do sintetizador moderno também inspirou artistas como Tomita, Vangelis e Kitaro a explorar trabalhos musicais mais sonhadores.

Essas e outras formas de gêneros musicais mais ou menos novos influenciaram artistas que também exploravam o rock progressivo. Embora muitos artistas tenham feito isso dentro da estrutura do rock progressivo dos anos 70, mais e mais artistas desenvolveram um som e estilo tão fortemente influenciados por esses desenvolvimentos musicais mais recentes que categorizá-los dentro dos subgêneros existentes do rock progressivo tornou-se cada vez mais difícil.

Enquanto o gênero Neo-Progressivo inicialmente consistia em artistas explorando uma versão modernizada do Symphonic Prog, hoje em dia os artistas cunhados como Neo-Progressive cobrem uma infinidade de expressões musicais, onde o denominador comum é a inclusão - dentro de uma estrutura de rock progressivo - de elementos musicais desenvolvido pouco antes e depois de 1980. O gênero Neo-Progressivo em sua forma refinada cobre um vasto território musical, cobrindo até certo ponto todos os subconjuntos existentes de rock progressivo e também buscando gêneros tão diferentes quanto new age de um lado e punk e metal do outro.

Principais álbuns do Neo-Prog


4.26 | 2335 ratings
MISPLACED CHILDHOOD
Marillion
4.24 | 2167 ratings
SCRIPT FOR A JESTER'S TEAR
Marillion
4.24 | 1367 ratings
THE ROAD OF BONES
IQ
4.18 | 1479 ratings
CLUTCHING AT STRAWS
Marillion
4.17 | 524 ratings
POSTHUMOUS SILENCE
Sylvan
4.17 | 495 ratings
RESISTANCE
IQ
4.14 | 723 ratings
CONTAGION
Arena
4.10 | 1191 ratings
MARBLES
Marillion
4.10 | 987 ratings
FREQUENCY
IQ
4.11 | 471 ratings
EMPIRES NEVER LAST
Galahad
4.06 | 736 ratings
EVER
IQ
4.06 | 748 ratings
THE VISITOR
Arena
4.05 | 1002 ratings
DARK MATTER
IQ
4.05 | 750 ratings
THE MASQUERADE OVERTURE
Pendragon
4.15 | 202 ratings
NIGHT DREAMS & WISHES
Modern-Rock Ensemble
4.04 | 499 ratings
A TOWER OF SILENCE
Anubis
4.06 | 364 ratings
SEVEN
Magenta
4.10 | 242 ratings
SPEAK
I And Thou
4.11 | 229 ratings
THE CLOCKWORK FABLE
Gandalf's Fist
4.05 | 387 ratings
MOONSHINE
Collage

Álbuns de joias obscuras e negligenciadas do Neo-Prog



SONGS FROM PENNSYLVANIA
Ezra
CROWN OF CREATION
Emerald
HUNTING THE FOX
Ines
THE ART OF MADNESS
Psychedelic Ensemble, The

DISCOGRAFIA - ACROSS THE WAVES Post Rock/Math rock • Iran

 

ACROSS THE WAVES

Post Rock/Math rock • Iran

Biografia do Across The Waves
ACROSS THE WAVES é uma banda de pós-rock de Teerã formada por Soheil ERSHADI, Behzad KHADIVI, Erfan BOKAEI e Farzad MAKTABI em 2010. As ideias sobre a banda surgiram de ERSHADI e MAKTABI quando eles se conheceram na escola em 2003 e acabou sendo criado com outros membros em 2010. O grupo pode ser recomendado para fãs de bandas como IF THESE TREES COULD TALK, MOGWAI, MONO, EXPLOSION IN THE SKY e outras.








ACROSS THE WAVES discografia



ACROSS THE WAVES top albums (CD, LP, )

4.00 | 3 ratings
War Ends, Misery Stays
2012

ACROSS THE WAVES Live Albums (CD, LP, )

ACROSS THE WAVES Boxset & Compilations (CD, LP, MC, )

ACROSS THE WAVES Official Singles, EPs, Fan Club & Promo (CD, EP/LP,)

0.00 | 0 ratings
A Gaze Into The Horizon
2001
5.00 | 1 ratings
Down Into The Muck
2015

Destaque

The Cult – Electric [1987]

  Electric  é o terceiro álbum de estúdios da banda britânica The Cult, lançado oficialmente em abril de 1987 pelos selos Beggars Banquet e ...