quinta-feira, 2 de março de 2023

BIOGRAFIA DE Luiza Possi

 

Luiza Possi

Luiza Possi Gadelha (Rio de Janeiro26 de junho de 1984) é uma cantoracompositora e apresentadora brasileira.

Biografia

Filha da também cantora Zizi Possi e do produtor musical e diretor artístico Líber Gadelha.[1] Em 1999, Luiza foi convidada para subir ao palco e cantar uma música com a banda que estava abrindo o show do Skank no Credicard Hall, em São Paulo. O público consistia de 12 mil pessoas, e a cantora interpretou a música “O Vento”, do Jota Quest, apenas ao som do piano e de sua voz.

Carreira

2002–05: Eu Sou Assim e Pro Mundo Levar

Em 2001 participou do Programa do Jô, exibido na TV Globo, ao lado de sua mãe, Zizi Possi, e interpretou a música "Angel", tema do filme Cidade dos Anjos. Na ocasião, Zizi divulga o disco Bossa, que possui o dueto "Haja o que Houver", primeira canção que Luiza gravou na vida. No dia seguinte recebeu convites para gravar e assinar contratos, mas Luiza decidiu assinar com a gravadora de seu pai, a Indie Records. Luiza ficou com seu pai, que na época era presidente da Indie Records; seu primeiro disco foi gravado em 2001, sob a produção de Rick Bonadio. O trabalho levou o nome de "Eu Sou Assim", e contou com o sucesso da faixa-título, tema da novela Mulheres Apaixonadas, da mesma Globo, e com "Dias Iguais", que entraram para as principais paradas musicais do país. No mesmo ano faz sua primeira turnê nacional. O álbum vendeu 200 mil cópias.[2] Entre 2002 e 2003, Luiza apresentou o programa dominical Jovens Tardes da TV Globo, juntamente com Wanessa e outros apresentadores. Em 2004, Possi lançou o segundo álbum, intitulado Pro Mundo Levar, através da Indie Records. Este disco produziu dois hits, "Over the Rainbow" e "Tudo Que Há de Bom".

2006–11: Escuta e Bons Ventos sempre Chegam

Luiza se apresenta no Rio de Janeiro em 2009.

Em 2006 Luiza decidiu mudar os rumos de sua carreira e deixar a música pop para focar na MPB, assinando contrato com a LGK Music, com distribuição da gravadora Som Livre. No mesmo ano, Luiza lançou o CD Escuta, centrado no tema do amor e aclamado pela crítica, e considerado seu melhor trabalho lançado. Teve os hits "Escuta" e "Seu Nome", este último sendo a música mais tocada de 2006 e 2007 nas rádios de MPB do país. No mesmo ano Luiza iniciou a terceira turnê, Escuta Tour, com cem shows durante um ano. Em 2007 Luiza lançou o DVD baseado na turnê, gravado no Rio de Janeiro; para divulgar o DVD sua gravadora lançou um CD com quinze faixas, incluindo treze inéditas, e ajudou o DVD a se tornar um sucesso de vendas. O álbum lhe rendeu suas primeiras indicações ao Grammy Latino, o prêmio mais importante do meio musical, em três categorias: Melhor Artista Revelação, Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro e Melhor Álbum de Música Popular Brasileira por Escuta.[3]

Após a divulgação do seu disco bem sucedido de 2006, voltou com seu quinto disco, mais autoral, dedicado a canções inéditas do pop e MPBBons Ventos Sempre Chegam. Em 2007, Luiza participou da primeira edição do reality showCirco do Faustão do programa Domingão do Faustão, ficando em 5º lugar. Em 2009, em entrevista para a MTV Brasil Luiza anunciou um DVD da atual turnê, Bons Ventos Sempre Chegam.[4] Em 2010, Luiza fez duas participações especiais na bancada do programa Ídolos; primeiro nas audições em Florianópolis e depois na semana do Top 4 da quinta temporada. Em 2011, Luiza foi anunciada pela Rede Record, durante a coletiva de lançamento da temporada de 2011 do Ídolos, como jurada fixa na sexta temporada ao todo do programa, substituindo Paula Lima.[5] Porém, Luiza ficou apenas nesta temporada, pois declarou que não concordava com alguns aspectos em relação ao investimento dado ao vencedor.[6]

2012–15: Televisão e Sobre Amor e o Tempo

Luiza se apresentando em 2014.

Em 2012 e 2013 , a cantora foi escalada para a primeira e segunda edição do reality show The Voice Brasil, como assistente do cantor Daniel; sua função foi ensaiar os competidores.[7] Em 2013, a cantora lançou o disco Sobre Amor e o Tempo. Produzido por Dadi, o sétimo disco da carreira de Luiza chegou às lojas com músicas de Lulu Santos, Marisa Monte, Adriana Calcanhoto, Erasmo Carlos e também de sua própria autoria, entre outros. No dia 15 de março de 2014 a cantora lançou a "Turnê Sobre Amor e o Tempo" no HSBC Brasil em São Paulo.[8] No dia 26 de setembro de 2014 Luiza entrou para o elenco do programa televisivo Encontro com Fátima Bernardes da TV Globo como parceira. Participando dos debates dando sua opinião sobre os temas, a cada duas semanas, sempre às sextas-feiras.[9]

Luiza também continua como mentora na 3ª temporada do reality show The Voice Brasil.[10] Em outubro de 2014, Luiza lança o LABLP (Laboratório Luiza Possi), um canal no YouTube com vídeos inéditos todas as semanas, onde aproveita para fazer versões de diferentes estilos musicais, com músicas de outros artistas. Em 2015, a cantora é escalada para ser assistente de Michel Teló na quarta edição do reality show The Voice Brasil.

2016–presente: LP e novo álbum


Possi ao vivo em Pelotas (2017)

Em 2016, além de lançar seu sexto disco de estúdio, LP, Luiza fez sua estreia no teatro musical, atuando em Divas. Em 2018 a música "Lembra" fez parte da trilha sonora da novela da TV Globo Orgulho e Paixão.

Em 2019, Luiza estreou (grávida) ao lado da mãe a turnê "Zizi e Luiza - O Show", 18 anos depois da gravação de "Haja o que Houver". O espetáculo, o primeiro dividido inteiramente por elas, contém canções do repertório de ambas e clássicos da MPB e continua em circulação por várias cidades brasileiras.

No mesmo ano, Luiza assinou com a Midas Music e voltou a trabalhar com Rick Bonadio, produtor do seu primeiro disco. Em agosto ela lançou o EP "Você Sorriu pra Mim", cuja canção-título, composta e interpretada com Roberta Campos, é dedicada ao seu filho.

Todas as canções do EP estão no disco ao vivo acústico ""Microfonado", lançado em março de 2020, com participações de Sérgio Britto e Vitor Kley.

No dia 13 de novembro de 2020, Luiza lançou o disco "Submersos", com 10 canções inéditas compostas e gravadas com De Maria durante a pandemia do novo coronavírus.

Vida pessoal

Em 1999, Luiza começou a namorar o publicitário Nelson Botega, filho do apresentador Nelson Rubens.[11] Os dois chegaram a terminar durante alguns meses em 2003, porém retornaram e seguiram juntos até a metade de 2005.[12][13] Ainda em 2005 iniciou um relacionamento com o ator Pedro Neschling, com quem se casou apenas no civil em 2007 e permaneceu junto até fevereiro de 2009, quando o casamento chegou ao fim.[14][15] Em 2009 Luiza teve breves relacionamentos com o cantor Jay Vaquer e o humorista Marco Luque.[16][17] Em 2015 começou a namorar o diretor Thiago Teitelroit, ficando juntos apenas seis meses.[18] Em 2016 assumiu ser bissexual.[19][20]

No dia 29 de setembro de 2018, Luiza se casou com o diretor de televisão Cris Gomes, com quem começou a se relacionar em maio de 2017 quando participou do quadro Show dos Famosos, do Domingão do Faustão, dirigido por ele.[21] No dia 29 de junho de 2019, nasceu em São Paulo, fruto do relacionamento, o primeiro filho de Luiza, Lucca.

Em 19 abril de 2021, Luiza Possi anunciou a segunda gravidez através das redes sociais. [22] Em outubro, nasceu seu segundo filho, Matteo.[23]

Discografia

Ver artigo principal: Discografia de Luiza Possi
Luiza Possi ao vivo em Angra dos Reis (2023)
Álbuns de estúdio
Álbuns ao vivo

Filmografia

Televisão

AnoTítiuloPersonagemEpisódio/TemporadaNota
2003–04Jovens TardesApresentadora
2007Som BrasilEla mesmaEpisódio: "Djavan"
Circo do FaustãoParticipanteTemporada 1
2010ÍdolosJurada especialEpisódio: "9 de setembro"
2011JuradaTemporada 6
2012–15The Voice BrasilMentora assistenteTemporadas 14
2014–15Encontro com Fátima BernardesColunista
2017Show dos FamososParticipanteTemporada 13º Lugar
PopstarJurada especialEpisódio: "23 de julho"
2018Episódio: "14 de outubro"
2020Dança dos FamososParticipanteTemporada 17

Turnês

Possi ao vivo em Caçapava (2017)
Oficiais
  • Turnê Eu Sou Assim (2002–04)
  • Turnê Tudo Que Há de Bom Tour (2004–05)
  • Turnê Escuta (2006–07)
  • Turnê A Vida é Mesmo Agora (2008)
  • Turnê Bons Ventos Sempre Chegam (2009–11)
  • Seguir Cantando Tour (2011–13)
  • Sobre Amor e o Tempo Tour (2014–15)
  • LP Tour (2016–presente)
Promocionais
  • Who's Bad: Um Tributo a Michael Jackson (2017)

Prêmios e indicações

AnoPrêmioCategoriaIndicaçãoResultado
2003Prêmio Multishow de Música BrasileiraCantora revelaçãoLuiza PossiVenceu
Troféu Leão LoboCantora revelaçãoLuiza PossiVenceu
Melhores do AnoRevelação musicalLuiza PossiIndicado
Capricho AwardsCantora revelaçãoLuiza PossiVenceu
Capricho AwardsMelhor música"Dias Iguais"Indicado
2004Capricho AwardsMelhor cantoraLuiza PossiIndicado
2005IV Prêmio Jovem BrasileiroMelhor intérpreteLuiza PossiVenceu
Capricho AwardsMelhor cantoraLuiza PossiIndicado
Capricho AwardsMelhor música"Tudo Que Há de Bom"Indicado
2006Prêmio TIM de MúsicaMelhor cantora - voto popularLuiza PossiVenceu
Prêmio TIM de MúsicaMelhor cantoraLuiza PossiVenceu





LUÍS TRIGACHEIRO - MULHER CONTIGO É PARA CASAR (𝗹𝗲𝘁𝗿𝗮 da música)

 

MIA ROSE feat. CHYNA - SER TUA (𝗹𝗲𝘁𝗿𝗮 da música)


Cave Story - Sing Something For Us Now

 

MAFALDA VEIGA - ESTA CANÇÃO (𝗹𝗲𝘁𝗿𝗮 da música)

 

GOMO - YOU WILL GROW (𝗹𝗲𝘁𝗿𝗮 da música)


Resenha Tour De France Soundtracks Álbum de Kraftwerk 2003

 

Resenha

Tour De France Soundtracks

Álbum de Kraftwerk

2003

CD/LP

O Kraftwerk gastou a década inteira de 1990 fazendo o que já vinha fazendo nos anos 1980: reformando o estúdio constantemente com novas tecnologias e praticamente não compondo música nenhuma, somente atualizando o catálogo existente. Então, de forma repentina, saiu no final de 1999 a música "Expo 2000", um jingle comercial para promover a feira mundial realizada em Hanover. A canção, que na sua versão original tem um clima futurista-retrô ao ponto da autocaricatura e emprega uma batida suave e relaxada, foi sensação na mídia: o gigante finalmente acordou! Que outras boas notícias viriam de Düsseldorf dali em diante?

A resposta foi este álbum, até agora o último de composições originais da banda alemã, lançado em 2003. Para variar, saiu atrasado em relação à competição ciclística que lhe dera o nome. A música "Tour de France" original, de 1983, também tinha sido lançada atrasada em relação ao evento daquele ano. Para compensar, uma versão regravada dela foi incluída como faixa de encerramento do álbum, e a capa do antigo single foi reutilizada neste LP.

O material novo, porém, não "conversa" muito com a famosa música original. Conceitual e estilisticamente, ele tem mais a ver com "Trans Europe Express" do que com o restante do repertório do grupo. Para não sair do costume, há uma longa suíte que descreve em formato aural uma corrida de bicicleta de longa distância, com um resultado bem convincente para os meus ouvidos de ciclista. Impressiona bem a maneira como o arranjo é esparso, econômico e minimalista, com muito "respiro" e uma batida bem descomplicada, no ritmo perfeito para pedalar ou correr. A letra, inteiramente em francês, não é a mais genial da biografia da banda, mas contém todas as palavras-chave relacionadas à competição.

Tenho que confessar que, dentre as músicas novas, meu entusiasmo com a suíte só é partilhada pela brilhante "Aero Dynamik / Titanium", que aliás saiu como single com várias versões remixadas em estilo club techno, uma mais interessante que a outra. É talvez a última obra-prima indiscutível da carreira da banda. As demais músicas, "Vitamin", "Elektro Kardiogramm", "La Forme" e "Régéneration", são todas bem compostas (somente um ciclista de verdade poderia escrever tais versos!) e bem realizadas, mas parecem se arrastar muito, cansam meus ouvidos e pedem pelo fast-forward. É uma pena para uma banda que produz tão pouco.

Voltemos, então, a "Aéro Dynamik". Assim como o título, a letra inteira é formada por uma palavra em francês e outra em alemão, e cada verso descreve um aspecto crucial da prova ciclística: é um poema de considerável mérito por conta própria. Melhor ainda, a música, construída com somente dois acordes penetrantes e um baixo borbulhante, soa como algo nada que ninguém mais no planeta seria capaz de criar, o que no contexto contemporâneo de música pop inteiramente feita com auxílio de máquinas, é um grande elogio. O Kraftwerk não precisava ter passado tanto medo na década anterior de ser confundido com um milhão de grupos pop com arranjos semelhantes.

Florian Schneider aposentou-se da banda em 2008 e acabou falecendo em 2020, o que deixa o outro membro fundador, Ralf Hütter, como compositor único do grupo, já que os outros três que completam o line-up possuem apenas funções auxiliares. Se for para esperarmos um álbum (final?) de música original do Kraftwerk para algum momento, a bola está unicamente com Ralf, e ele não demonstra ter nenhuma pressa.

Resenha Pale Communion Álbum de Opeth 2014

 

Resenha

Pale Communion

Álbum de Opeth

2014

CD/LP

Dentro da nova abordagem que a banda decidiu seguir a partir de Heritage, sem dúvida alguma, é onde eles mostraram seu maior potencial

Dentro da nova proposta musical do Opeth, Pale Communion certamente foi um longo passo adiante. Se alguma coisa mudou desde 2011, é que o Opeth se tornou confiante o suficiente neste novo estilo para finalmente abrir suas asas e escrever composições encorpadas sobre as ideias individualmente atraentes que pontilhavam Heritage. O que isso quer dizer? Que a banda estava soando com uma melhor capacidade para agradar aqueles que se desapontaram com a música entregue em seu disco anterior. De certa forma, Pale Communion mostra que a antipatia por Heritage tinha menos a ver com o estilo em si e mais com uma espécie de falta de coerência e convicção em relação ao que a banda estava fazendo. Obviamente, falo isso em caráter pessoal e baseado em muitos comentários de quem não gostou de Heritage – o que não foi o meu caso.  

Se tem algo que eu considero uma das maiores virtudes de Heritage, é o seu senso no geral de surpresa e estranheza, sendo que a banda conseguiu consolidar isso em Pale Communion, enrijecendo-a com as virtudes e formas sólidas com que as composições são entregues. É possível perceber uma grande quantidade de atmosferas de rock progressivo clássico que vão desde o King Crimson, passando pelo Jethro Tull ainda que em menor escala e chegam até o rock progressivo italiano, porém, dentro de uma energia única que por vezes acaba superando o que podemos associar com a cena progressiva retrógada.  

Produzido por MIkael e mixado por Steven Wilson, acaba não sendo nada surpreendente que o disco entregue uma sonoridade fina, detalhada e visceral que combina perfeitamente com a música abordada pela banda. A classe da musicalidade é excelente e as performances instrumentais são orgânicas e compactas, enquanto o vocal de Mikael são distintos e entregues com convicção. Um outro ótimo recurso encontrado na música de Pale Communion são os vocais de apoio e as suas harmonias.  

“Eternal Rains Will Come” começa o disco por meio de uma sonoridade bastante complexa executada em uma excelente união entre teclado, bateria e guitarra. Então que a peça se acalma por alguns instantes antes de regressar ao ritmo mais intrincado. Os vocais são ótimos, sendo bastante cativantes e bem-organizados. Em sua melodia principal, também há um uso massivo de mellotron - algo que é muito bom. Na sua parte final a banda entrega uma instrumental bastante intensa. “Cusp Of Eternity” foi o single do álbum, então temos aqui uma música fácil de digerir. Possui um ritmo constante e inquieto, soando como um heavy metal mais clássico e direto, apesar, por exemplo, da influência fusion da guitarra em alguns pontos – solo principalmente. A seção rítmica é brilhante e novamente o uso de mellotron soa esplendoroso.  

“Moon Above, Sun Below”, com quase 11 minutos é a faixa mais longa e diversa do disco – incluindo os vocais de Mikael que soam bem diversificado durante toda a peça. Logo nos seus primeiros segundos é possível perceber um grande aceno ao som do Riverside. É cheia de voltas e reviravoltas silenciosas como é de se esperar de uma peça desse tamanho. O solo de guitarra por volta de 4:20 mostra o quanto Fredrik Akesson é um músico excelente e que apesar de ser considerado um guitarrista de metal, possui uma grande influência no jazz fusion, como, por exemplo, em Allan Holdsworth. Seção rítmica sólida, guitarras muito bem desenvolvidas e até alguns ataques mais densos de um teclado sinfônico, tudo sempre muito bem equilibrado e coeso. Belíssima peça.  

“Elysian Woes”, logo no começo é possível perceber uma vibe bastante forte da música encontrada em Damnation. A riqueza dos violões é de uma elegância tão grande que é possível lembrar do Genesis – tanto com Phillips quanto com Hackett. A seção rítmica é melodiosa e o uso de mellotron é muito refinado. Os vocais de Mikael transmitem melancolia e dor, completando a construção de uma música de beleza ímpar. “Goblin” não possui esse nome por acaso, pois é uma homenagem a banda italiana de rock progressivo. Inclusive, nem parece ser uma peça do Opeth, soando muito mais como uma banda de jazz fusion dos anos 70. Uma jam instrumental que ressalta os talentos musicais de todos da banda, mas eu destaco principalmente o trabalho das teclas, como o piano elétrico e órgão. Sem dúvida a música de maior essência progressiva do disco.  

“River”, lembro quando ouvi essa música pela primeira vez, ela me fez associar algo que jamais imaginaria, a The Allman Brothers Band em uma peça do Opeth, mas sim, a sua veia country faz com que a banda dos irmãos Allman venha em mente. Porém, também lembra algo que o Steven Wilson criaria. Positiva e otimista, soa muito diferente do que esperamos de uma música do Opeth. Excelentes órgãos e mellotron, belos licks de guitarra, linhas sólidas de baixo e uma bateria que embora não brilhe, entrega exatamente o que a música pede. Em determinado momento, a música entrega uma atmosfera mais obscura, talvez unicamente para não esquecermos que estamos diante de uma peça do Opeth.  

“Voice Of Treason” possui uma agressividade já conhecida da banda, porém, sem o uso dos vocais de death metal – o que acaba não soando muito bem. Mas mesmo assim, ainda há bons atrativos, como, por exemplo, uma seção rítmica que é bastante dinâmica, principalmente a bateria que consegue soar simples mesmo dentro de uma sonoridade complexa. Os vocais por vezes dolorosos de Mikael, também merecem elogios. Mas no geral, se for pra escolher a peça menos interessante do disco, fico com essa. “Faith In Others” é a última peça do disco e que o finaliza de maneira grandiosa. Mellotron espacial, vocais dolorosamente lindos e uma batida quase fúnebre, esses são apenas alguns dos ingredientes que fazem com que “Epitaph” do King Crimson – pra mim, uma das músicas mais belas existentes - venha em mente. Muito emocional, soa bastante diferente do que podemos esperar de uma composição do Opeth. O arranjo sinfônico que permeia basicamente toda a música e tocado pelo convidado Dave Stewart é simplesmente brilhante e sinistro em certos pontos. O disco não poderia chegar ao fim de maneira melhor.  

Tudo bem que Pale Communion jamais alcançará a aclamação de discos como Blackwater Park ou Still Life, mas dentro da nova abordagem que a banda decidiu seguir a partir de Heritage, sem dúvida algum é onde eles mostraram seu maior potencial. Enquanto Pale Communion certamente se aprofunda na cena do rock progressivo, hard rock e até no jazz fusion dos anos 70 em busca de inspiração e apresenta um som retrô, eles fazem isso de uma forma mais natural e bem-acabada do que em seu antecessor.  

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