Com o álbum Jazz, de 1978, o Queen dava adeus à sua sonoridade glamurosa e grandiloquente dos anos 1970, e abria os braços para a nova década que estava chegando através do som mais acessível, “enxuto” e direto do álbum The Game, de 1980. The Game mostra um Queen renovado musicalmente e visualmente, conectado com as transformações pelas quais o rock e a música pop passavam na virada dos anos 1970 para os anos 1980. Em The Game, o Queen se mostra mais radiofônico, mais pop, flertando com a disco music e a new wave. A grande novidade mesmo foi o fato do Queen usar pela primeira vez um sintetizador, instrumento que a banda se orgulhava em informar nos créditos de seus discos anteriores que não utilizava. Se a inclinação do Queen para uma sonoridade mais pop, desagradou os antigos fãs, por outro lado, acabou atraindo uma nova geração de fãs.
Para escapar dos altos tributos do Reino Unido, a banda decide se mudar para Munique, na então Alemanha Ocidental, emendar gravação de disco com turnê, e só retornar para terra natal para apresentações ou breves visitas. O esquema acabou afetando positivamente nas finanças do quarteto inglês. The Game começou a ser concebido em junho de 1979, quando a banda lançou o seu primeiro álbum gravado ao vido, Live Killers, álbum duplo que registra a turnê do álbum Jazz.
A partir de meados de 1979, o Queen entrou num ritmo inacreditável e intenso de trabalho que se estenderia num espaço de dois anos. O quarteto se desdobrou em gravação de disco, gravação de uma trilha sonora para um film e turnês, uma delas bastante extensa, incluindo a América do Sul, lugar que a banda inglesa ainda não havia se apresentado.
No final de 1979, o Queen comprou o Mountain Studios, em Montreaux, na Suíça. Contudo, a banda só passaria a gravar os seus discos naqueles estúdios só a partir do álbum Hot Space, em 1982. The Game foi gravado no Musicland Studios, em Munique, na Alemanha, em duas etapas: a primeira etapa, entre junho e julho de 1979, e a segunda entre fevereiro e maio de 1980.
Paralelo às gravações de The Game, o Queen gravava no mesmo período a trilha sonora para o filme Flash Gordon, do diretor Mike Hodges, que estreou nos cinemas em dezembro de 1980. Apesar da trilha sonora do Queen, o filme é de uma cafonice terrível.
Em outubro de 1979, foi lançado o single de “Crazy Little Thing Called Love”, primeiro fruto da primeira etapa de gravações de The Game. Inspirada no rockabilly dos anos 1950, a música ganhou um videoclipe em que os membros do Queen aparecem vestido de jaqueta de couro e cabelos curtos, um visual que espantou os fãs acostumados com a estética glam rock que a banda tinha. O single fez um enorme sucesso, que diga-se de passagem, a banda nem esperava. Alcançou o 2º lugar no Reino Unido, e o 1º lugar na Billboard 200, nos Estados Unidos, no começo de 1980.
Freddie Mercury, Brian May e Roger Taylor em cena do videoclipe de "Crazy Little Thing Called Love".
Por causa do sucesso do single, o Queen teve uma ideia um tanto quanto inusitada para o status que a banda havia chegado àquela altura da carreira: fazer shows em pequenos espaços. Entre os meses de novembro e dezembro de 1979, o Queen fez a Crazy Tour, uma turnê que percorreu o Reino Unido fazendo 18 apresentações em pequenos espaços, com capacidade para pouco mais de 1.500 pessoas. Acostumada a tocar em grandes estádios e arenas lotadas após conquistar a fama, a banda tinha como objetivo nessa turnê se aproximar mais do seu público. Como a ideia parecia uma loucura para uma banda como o Queen, a turnê foi batizada de “Crazy” (louco). Mas ao mesmo tempo, fazia alusão a “Crazy Little Thing Called Love”, cujo single, só nos Estados Unidos, havia vendido pouco mais de 1 milhão de cópias.
Em janeiro de 1980, foi lançado o single de “Save Me”, 11º lugar na parada de singles no Reino Unido. A segunda etapa de gravação de The Game prossegue entre fevereiro e maio de 1980. O Queen lança em maio o single de “Play The Game”, o terceiro single antecede o lançamento de The Game, que alcança o 14º lugar no Reino Unido e 42º lugar na para da Billboard, nos Estados Unidos.
Finalmente, em 30 de junho de 1980, The Game foi lançado. Oitavo álbum de estúdio do Queen, The Game foi melhor recebido pela imprensa musical do que Jazz, que teve opiniões bastante divididas. Um som de jato supersônico ou de alguma espécie de nave espacial, simulado por sintetizador (um Oberheim OB-X), anuncia início de “Play The Game”, faixa que abre o álbum The Game. É a confirmação da adesão do Queen ao instrumento eletrônico que por anos rejeitara. O som espacial logo dá lugar à voz de Freddie Mercury ao piano, seguido por baixo, guitarra e bateria. No meio da canção, o sintetizador retorna fazendo mais efeitos sonoros. Composta por Freddie Mercury, “Play The Game” é uma canção que fala sobre o jogo do amor, de se manter aberto a uma paixão e de não ter medo de se entregar a ela. O videoclipe de “Play The Game” mostra pela primeira vez Freddie Mercury usando de bigode, imagem que a partir de então se tornaria uma marca registrada do vocalista do Queen.
Queen em estúdio na gravação do videoclipe de "Play The Game".
“Dragon Attack” é a faixa do álbum que mais lembra o Queen do passado. A diversidade rítmica da música impressiona o ouvinte, e permite que cada membro da banda mostre as suas habilidades nos seus respectivos instrumentos. John Deacon faz uma linha de baixo que revela a influência da música negra americana na sua formação musical. Roger Taylor faz solos pesados e incríveis na sua bateria. Brian May criou camadas sobrepostas de guitarras que dão ao ouvinte a impressão de que o Queen ter dois guitarristas.
A faixa seguinte, “Another One Bites The Dust”, é um dos maiores sucessos da carreira do Queen. Composta por John Deacon, a música possui uma linha de baixo completamente inspirada na de “Good Times”, megahit do Chic. “Another One Bites The Dust” gerou uma grande tensão entre Deacon e o baterista Roger Taylor, que discordava da presença de uma canção disco music num álbum de rock. Deacon, um admirador confesso de soul music e R&B, venceu o duelo e a música acabou entrando no álbum. Quem primeiro percebeu o potencial de “Another One Bites The Dust” foi ninguém menos que Michael Jackson, que ao visitar o camarim do Queen num show da banda em Los Angeles, elogiou a música e sugeriu que fosse lançado um single para ela. Para desespero de Taylor, “Another One Bites The Dust” fez um enorme sucesso em escala mundial, não só em execuções em rádio como nas pistas das discotecas. “Another One Bites The Dust” chegou a figurar entre as músicas mais tocadas nas paradas de música negra nos Estados Unidos. O single de “Another One Bites The Dust” foi lançado e confirmou o faro de sucesso de Michael Jackson: o single alcançou o 1º lugar nos Estados Unidos, onde vendeu 3 milhões de cópias, e foi 7º lugar no Reino Unido.
A linha de baixo de "Good Times", sucesso da band Chic (foto), serviu de referência para "Another One Bites The Dust".
Uma curiosidade que pouca gente sabe sobre “Another One Bites The Dust”, é que um ator pediu ao Queen a permissão para usar a música como tema de uma sequência de um filme que ele estava escrevendo o roteiro e iria estrelar. No entanto, o Queen negou o pedido. O tal ator recorreu a uma banda até então pouco conhecida para compor a música tema para o filme. O ator era Sylvester Stallone, o filme em questão era Rocky 3, que estreou nos cinemas em 1982, e a música composta para o filme foi "Eye Of The Tiger", que elevou a banda Survivor do semianonimato para a fama internacional.
“Need Your Loving Tonight”, outra composição de John Deacon presente no álbum, é um típico pop rock feito na medida certa para tocar no rádio. A letra refere-se a um rapaz que foi abandonado pela garota que ama, mas que não consegue esquecê-la e sonha um dia reconquistá-la.
Lançada em formato single oito meses antes do álbum, “Crazy Little Thing Called Love” é um rockabilly com um espírito bem anos 1950, em que o Queen presta uma homenagem a Elvis Presley. Freddie Mercury canta completamente inspirado no “Rei do Rock”. “Crazy Little Thing Called Love” foi a primeira música do Queen atingir o 1º lugar nas paradas de sucesso dos Estados Unidos, no final de 1979, quando havia sido recém lançada em single. Os versos da música fazem referência a um jovem garotão que deseja viver a vida sem rumo, livre, pilotando a sua moto, sem se prender ao amor. Na versão LP de The Game, “Crazy Little Thing Called Love” é a faixa que encerra o lado A.
Dica de "rei" para "rainha": foi Michael Jackson quem sugeriu ao Queen que lançasse um single de "Another One Bites The Dust".
O lado B da versão LP de The Game começa com “Rock It (Prime Jive)”, de autoria do baterista Roger Taylor. A música começa como uma balada cantada por Freddie Mercury declarando o seu amor ao rock’n’roll: “When I hear that rock and roll / It gets down to my soul / When it's real rock and roll” (“Quando ouço esse rock and roll / Ele fica na minha alma / Quando é verdadeiro rock and roll”). Após os três primeiros versos, a música ganha ritmo através de um rock básico e veloz, com clara influência da new wave. Dessa parte em diante, quem canta é Roger Taylor. Há a presença do sintetizador, que é tocado pelo produtor Reinhold Mack.
“Don’t Try Suicide”, de Freddie Mercury, possui um riff de guitarra na introdução que curiosamente lembra muito o riff de “Walking On The Moon”, do The Police. Ao mesmo tempo, a linha de baixo remete ao jazz. Embora seja uma música com um ritmo descontraído, a letra aborda um tema muito delicado que é o suicídio. A canção trata sobre alguém que tenta convencer uma garota a desistir do suicídio. O tema tão delicado, contrasta com o ritmo descontraído da canção, o que levou o Queen a ser criticado na época por acreditarem que a banda estaria debochando de um assunto tão sério.
A próxima faixa, a bela balada “Sail Away Sweet Sister (To The Sister I Never Had)”, de Brian May, que também canta a canção. No entanto, Freddie Mercury canta em um trecho da música, pouco depois da pausa instrumental: “Hot child, don't you know, you're Young / You've got your whole life ahead of you / You can throw it away too soon / Way too soon” (“Ardente criança, você não sabe, você é jovem / Você tem a vida toda à sua frente / Você pode jogá-la fora muito cedo / Cedo demais”). O conteúdo da letra um é tanto dúbio: parece se referir a uma irmã do guitarrista, mas pode também se referir a alguma mulher por quem ele foi apaixonado.
Brian May no Mountain Studios: voz principal em "Sail Away Sweet Sister".
Composta por Roger Taylor, “Coming Soon” é um pop rock radiofônico, bem ao estilo da banda Electric Light Orchestra, que por coincidência ou não, já havia trabalhado com Reinhold Mack, produtor de The Game. Para alguns críticos musicais, é a faixa mais fraca do álbum. Roger Taylor queria que a música fosse lançada como single, mas os outros membros do Queen vetaram.
Fechando o álbum com chave de ouro, “Save Me”, canção que mostra que Brian May além de um guitarrista talentosíssimo, tem uma grande capacidade em compor belas baladas. “Save Me” teria sido composta por May depois que soube que um amigo seu havia passado por um final de casamento difícil. A letra descreve a dor profunda de um homem amargurado pelo final da vida conjugal com a mulher que tanto amava, mas que apesar do amor que ainda sente por ela, procura se livrar desse sentimento e dar um novo rumo à sua vida.
No mesmo dia de lançamento de The Game, o Queen deu início a uma longa turnê mundial do álbum de quase um ano e meio, que além da América do Norte, Europa e Ásia, incluiu no seu roteiro uma novidade: a América do Sul. Pela primeira vez o Queen passaria pela América do Sul, numa época em que pouquíssimas grandes estrelas da música internacional costumavam excursionar por esse continente. Na etapa sul-americana da turnê, o Queen tocou no Brasil, Argentina e Venezuela.
Quando passou a turnê passou pelo Brasil, a banda fez duas apresentações, 20 e 21 de março de 1981, no Estádio do Morumbi. Haviam mais três shows da turnê agendados para o Brasil, mas que foram cancelados: Porto Alegre, no Estádio Olímpico, dia 13 de março, e Rio de Janeiro, no Estádio do Maracanã, 27 de março. Este último foi cancelado e remarcado para 3 de outubro, no Maracanã, mas foi novamente cancelado.
Queen posando na arquibancada do estádio do Morumbi, em São Paulo, em março de 1981.
Foi a partir da turnê de The Game que Freddie Mercury se apresentou pela primeira vez shows com o seu espesso bigode. Inicialmente, a reação do público não foi das mais amistosas. Em alguns shows, os fãs chegaram a atirar ao palco aparelhos descartáveis de barbear. Os escritórios do Queen passaram a receber vários pacotes de lâminas de barbear enviados pelos fãs. Mas com passar do tempo, o público se acostumou com o bigode de Freddie.
Comercialmente, The Game teve um bom desempenho. O álbum chegou ao 1º lugar nas paradas de álbuns dos Estados Unidos, onde vendeu 4 milhões de cópias. Na Alemanha e Noruega, ficou em 2º lugar. Porém, na terral natal do Queen, o Reino Unido, The Game ficou em 11º lugar na parada de álbuns.
O sucesso de “Another One Bites The Dust”, motivou o Queen a direcionar a sua linha musical para o pop, funk, disco music e R&B, bem como uma exploração ainda maior do sintetizador. Essa nova orientação se refletiu no álbum seguinte, Hot Space, de 1982. Porém, a inclinação da banda para o dance-pop gerou críticas muito duras tanto por parte do público quanto da imprensa musical. Provavelmente, o Queen talvez tivesse exagerado na dose do emprego dos sintetizadores em detrimento da guitarra elétrica, o que só foi corrigido no álbum The Works, de 1984, quando a banda conseguiu estabelecer o equilíbrio entre a sonoridade eletrônica dos sintetizadores e o peso do hard rock da guitarra, baixo e bateria.
Faixas
Lado A
"Play The Game" (Freddie Mercury)
"Dragon Attack" (Brian May)
"Another One Bites The Dust" (John Deacon)
"Need Your Loving Tonight" (John Deacon)
"Crazy Little Thing Called Love" (Freddie Mercury)
Lado B
"Rock It (Prime Jive)" (Roger Taylor)
"Don't Try Suicide" (Freddie Mercury)
"Sail Away Sweet Sister" (Brian May)
"Coming Soon" (Roger Taylor)
"Save Me" (Brian May)
Queen: Freddie Mercury (vocais, piano, violão e sintetizador), Brian May vocais, guitarra, violão, piano e sintetizador), John Deacon (baixo, guitarra, piano, violão e percussão) e Roger Taylor (vocais, bateria, percussão, guitarra e sintetizador).
É sempre um bom dia quando nos debruçamos sobre um belo disco desta bela banda. Acompanhem-me então por este I Am Not Afraid Of You And I Will Beat Your Ass adentro.
Comecemos então, pelo início – o início do décimo primeiro disco da banda de Hoboken, Nova Jérsia, é simplesmente arrasador. A linha de baixo de “Pass the Hatchet, I Think I’m Goodkind”, repetida até à exaustão, carrega os devaneios de Ira Kaplan durante 11 minutos infernais. Nenhuma banda colocaria um autentica trip psicadélica destas como arranque de álbum – já os Yo La Tengo fazem-no com orgulho, com o mesmo orgulho que a colocam em versão extendida (16/17 minutos) no alinhamento de sets de festival, onde só dispõem normalmente de 50 minutos. Convenhamos que não são, de todo, uma banda convencional. E isto tudo para logo a seguir fazerem uma viragem de 180 graus e nos atirarem “Beanbag Chair”, melódica e doce na voz, mas frenética na batida do bombo e no piano que lhe dá estrutura. Se a estas acrescentarmos “I Feel Like Going Home”, tranquilidade pura na voz de Georgia Hubley, violino e piano clássico a acompanhar, temos perante nós, definitivamente, uma banda cujo nome do meio é versatilidade, em todo o seu esplendor. Nunca foi tão bem demonstrado aquele sentimento de fim de viagem, de só querermos mesmo um duche na nossa casa de banho e dormir na nossa cama como aqui. E que saudades temos, nos tempos que correm, de ter esse sentimento…
Ao vivo os Yo La Tengo mostram-se sempre (ainda mais) inventivos.
Summer Sun (2003), álbum anterior a este, tinha sido uma desilusão entre os fãs. Carregava o pesado fardo de em dez anos a banda ter editado quatro discos inatacáveis (Painful (1993), Electr-O-Pura (1995), I Can Hear the Heart Beating as One (1997) e And Then Nothing Turned Itself Inside-Out (2000)) e ficou aquém das expectactivas criadas pelos mesmos, principalmente por ser calmo demais. Talvez daí tenha vindo a decisão de colocar logo “Pass the Hatchet…” a começar este disco – querem barulho, cá vai disto!
Como facilmente concluem, a banda é também ultra inventiva na escolha de nomes para os seus discos, sendo que I Am Not Afraid Of You And I Will Beat Your Ass, foi baseado numa troca de galhardetes, com estas mesmas palavras apanhadas pelos microfones, entre dois jogadores de basquetebol dos Knicks, durante um jogo. Com colegas assim…
I Am Not Afraid Of You And I Will Beat Your Ass forma como que uma espécie de bumerangue, no sentido em que arranca com o devaneio já acima mencionado e no final volta a esse registo, encerrando com outra trip de 11 minutos de “The Story of Yo La Tango” (e é mesmo Tango com a, não é gralha, ficou assim por muitas vezes a banda ser anunciada com esse nome, errado). Pelo meio, nos restantes 60 minutos, deambula pelo amplo espectro do que pode ser considerado o rock, jogando como mais ninguém com a sua sensibilidade melódica e seu lado noise, experimentando resquícios de British Invasion (“I Should Have Known Better”, “Watch Out for me Ronnie”), rock alternativo (“The Room Got Heavy”) e ainda um lado mais introspectivo e delicado (“Sometimes I Don’t Get You” e “Song for Mahila”). Os instrumentos também vão mudando de mão, até a voz é partilhada pelos três membros Ira, Georgia e James em diferentes canções. E mesmo a meio do disco existe uma espécie de alien – “Daphnia”, puramente instrumental, nove minutos, boa para nos desligarmos de tudo e deixarmo-nos simplesmente ir.
Se chegaram aqui e estão a pensar que sou um exagerado do cacete, é possível que sim, mas entrar no universo dos Yo La Tengo é para mim entrar num campo para o qual fui sugado e no qual o sentimento dominante é o deslumbramento, perante a versatilidade única deste trio. Eles continuam por aí, a fazer música nova, a dar concertos incríveis, e já levam 36 anos de carreira. Panteão com eles, já!
Bom, quando falamos de bandas psicodélicas na América do Norte dos anos 60, o primeiro nome que vem em mente certamente é o da California, mas sendo ainda mais específico, a cena de São Francisco era de longe o solo mais fértil na produção de músicas do gênero. Porém, outros estados e cidades estadunidenses também tinham suas bandas que acabaram sendo importantes para o movimento. Mas e quando falamos do Canadá? Certamente citar até mesmo um nome que seja nem sempre é fácil - exceto para quem realmente acompanhou e acompanha a psicodelia pelo mundo. Eu confesso que não sou um desses especialistas, por isso, ao ouvir o disco autointitulado da banda canadense, The Collectors, fiquei maravilhado com um álbum tão desconhecido, mas que soa de forma surpreendente e exala um humor psicodélico típico da época.
Embora claramente inspirado por álbuns como Sgt Pepper's... dos Beatles e os primeiros álbuns do The Doors, entre muitos outros, a banda conseguiu manter vários graus de separação de suas influências e criou uma interessante variedade de abordagens estilísticas provocadas em sua própria entrega. O tipo de música que a banda gerou não era distante da mesma dinâmica de bandas de rock psicodélico muito bem alimentada por guitarra fuzz, porém, a utilização de órgão deixava o seu som mais dramático, além de flertar com gêneros como o folk e até mesmo o jazz devido ao uso de instrumentos extras incomuns em bandas de rock do gênero como violoncelo, saxofone, vibrafone e violino.
“What Is Love” inicia o disco por meio de um teclado de sonoridade misteriosa antes de se estabelecer em uma peça cheia de serenidade – instrumental e vocal - em que os vocais principais e o coro de apoio ponderam sobre a definição do amor. De grande sensibilidade, serve como um prelúdio para a longa suíte que vai encerrar o álbum. “She (Will-O-The-Wind)” é uma música muito mais animada do que a anterior. Um bonito folk-rock com vocais múltiplos. O uso de flauta é bem adequado e a bateria é simples e esparsa.
“Howard Christman's Older” é uma peça psicodélica bastante dramática que traz uma história fascinante com um tema de ficção científica sobrenatural. A sensação assombrosa e de suspense da música certamente é o seu principal trunfo. Guitarra fuzz, guitarra elétrica de som mais limpo e órgão formam o tripé de destaque da peça, enquanto a bateria é sutil e as linhas de baixo são simples. “Lydia Purple”, com pouco menos de 3 minutos é a música mais curta do disco. É a única que não foi escrita pela banda, mas foi o single do álbum, porém, eles a modificaram bastante, tirando um pouco da sua simplicidade e apelo comercial, trabalhando em ótimas harmonias vocais, além do uso de cravo e violoncelo junto dos instrumentos tradicionais, bateria, baixo, guitarra e teclado. O resultado foi uma música belíssima.
“One Act Play” é mais uma bela música, incrível em som, composição e performance. Lenta e fácil, inclusive, acho que esta que deveria ser o single do álbum. As harmonias vocais ao fundo funcionam muito bem para mais uma poderosa entrega do vocal. “What Love (Suite)”, até o ano de 1968, muitas bandas faziam improvisações que passavam facilmente dos 20 minutos em seus shows. Mas quantas gravaram uma música de estúdio com pouco mais de 19 minutos? Confesso não lembrar de nenhuma no momento. A música nos leva a um rock psicodélico de guitarra lisérgica, solos de flauta com sonoridade oriental, um solo de saxofone, uma guitarra elétrica louca e dramática e, como sempre, os vocais dramáticos. Em alguns pontos, é claro que a peça carece da mesma suavidade e grandiosidade dos épicos que as bandas de rock progressivo iriam fazer posteriormente, mas convenhamos, estamos falando do ano de 1968, onde a noção de compor algo do tipo ainda era basicamente nova. Independentemente de ser adorada ou odiada, esse tipo de som tem que ser respeitado pelo esforço da banda em entregar algo além do que basicamente 100% das bandas até aquele ano ousaram fazer.
No fim das contas, se trata de uma banda que mostra total domínio da proposta musical que oferece. Apesar de um tanto desconhecido, tenho certeza de que esse disco serviu como influência para muitas bandas de rock progressivo que surgiram nos anos 60, porém, ainda com uma sonoridade mais psicodélica. Se você é um colecionador de música psicodélica produzida nos anos 60 e ainda não conhece esse álbum, está na hora de se redimir desse pecado.
Guthrie Govan, apesar de só ter lançado até hoje um disco em sua carreira solo no já longínquo ano de 2006, não é um nome desconhecido, muito pelo contrário, sua contribuição com nomes como Steven Wilson, Asia, GPS, Young Punx, The Aristocrats, Hans Zimmer Live, Michael Angelo Batio, Nick Johnston e G3 o coloca na posição de um dos grandes de sua geração. Sendo um disco de rock instrumental, é lógico que Govan é o centro das atenções, entregando um material que passeia por vários estilos que inclui o hard rock, blues, mas principalmente um jazz fusion da melhor qualidade. Guthrie Govan consegue controlar muito bem o disco, produzindo um álbum de sonoridade clara, limpa e adequada a todas as direções que a música se desenrola, confeccionando a todo instante melodias e temas sedutores em sua execução.
Algo que é sempre bom ser dito quando falamos de guitarristas fenomenais, é que nem sempre seus discos é garantia de qualidade, sendo a lista grande de exemplos de músicos tecnicamente brilhantes, mas que fazem um disco chato, porém, não é o caso de Govan, afinal, o guitarrista faz um uso extremamente inteligente das melodias e atmosferas em cada uma das composições do álbum. O guitarrista impressiona sem esforço com suas improvisações lindamente fluidas, onde cada música dá a sensação definitiva de que está indo a algum lugar, e que o ouvinte não está apenas sentado enquanto Guthrie entrega seu toque de músico virtuoso.
Apesar de obviamente Govan ser o grande astro de Erotic Cakes, há muito o que aproveitar em relação aos outros músicos. O baixista Seth Govan, que eu imagino ser irmão de Guthrie, afinal, uma simples olhada no Google e vemos a semelhança dos dois, faz ótimas linhas de baixo e que preenchem muito bem cada música, dando ao ouvinte mais opção no que se concentrar. Apesar do baterista, Pete Riley, ser um músico da escola jazzística, consegue se adaptar muito bem em qualquer estilo proposto por Govan. E o disco ainda oferece Richie Kotzen e Bumblefoot, cada um como convidado nas guitarras solo de uma peça do álbum.
“Waves” começa com o riff principal ao fundo de alguns sons que parece de uma beira mar, então que a música começa de fato. O primeiro solo não demora para chegar, acontecendo de maneira curta e eficaz. Govan não demora para mostrar a sua habilidade em ser melódico e ao mesmo tempo muito rápido. No núcleo da peça, é possível notar algumas boas ideias influenciadas pela música latina, com algumas mudanças de tom agradáveis e um solo de som bastante limpo. Um início de disco muito poderoso e que já diz muito o do que virá pela frente. “Erotic Cakes” é uma peça muito mais pesada e de riffs bastante intrincados na sua introdução. Na sua parte central há uma quebra para uma experimentação rítmica que nem mesmo grandes nomes da velha guarda do jazz pensaram em fazer.
“Wonderful Slippery Thing” possui uma curta, mas insana introdução de baixo que dá lugar a uma boa progressão de jazz/funk e novamente um solo de notas claras e limpas. Mais à frente, um riff melódico de Govan entra e a música segue com a sua atmosfera funk. Enquanto a música vai se alternando entre jazz e funk, Govan desfila com suas habilidades inegáveis por toda a peça. “Ner Ner” começa por meio de um violão antes que Govan entre com sua guitarra melódica. O solo que entra em seguida é excelente, então que o riff inicial retorna à peça e outro solo vem em seguida. O violão pouco antes do fim do primeiro terço da música é belíssimo, assim como da parte mais intermediária da música e que divide espaço com o solo de guitarra. Esse é a música em que Richie Kotzen faz participação, porém, ambos solam na música e eu não sei exatamente onde é que cada um se encontra na peça, de qualquer forma, os dois foram brilhantes.
“Fives” possui uma excelente introdução e um riff principal muito melódico. Após mais um solo avassalador, tem uma seção que remete muito a um teclado, porém, o disco não tem tecladista, então não sei exatamente o que é - ou pode ser um teclado mesmo, mas que não é creditado -, um solo de baixo acompanha a peça. Então que o tema principal regressa à música, sendo seguido por um ótimo solo antes de chegar ao fim. “Uncle Skunk” começa por meio de um riff de sonoridade bastante otimista e feliz sobre uma batida sincopada. A maneira como Govan parece brincar com o instrumento nessa música mostra uma influência em Steve Vai.
“Sevens”, possui um belo riff lento com alguns solos emotivos por cima. Em sua seção central há um solo de baixo, sendo seguido por uma seção instrumental mais agressiva e frenética, onde Govan realmente se solta antes da música voltar para a sua melodia principal. Se na peça anterior eu citei Vai como influência, aqui temos uma música em que fãs de Satriani tem tudo para achá-la muito atraente. “Eric” é uma balada muito adorável em que Govan apresenta uma técnica de palhetada bastante interessante. A melodia é belíssima e a execução de muito bom gosto. A faixa tem uma atmosfera imaginativa na execução de cada uma de suas notas e o seu clima melancólico é extremamente bem realizado.
“Slidey Boy” é um dos momentos em que aquela sensação boa que o jazz fusion traz bate com mais força e intensidade. Há excelentes solos acústicos sendo entregues novamente pelo baixo de Seth Govan. Sem dúvida alguma um dos melhores momentos do disco, um casamento perfeito entre o acessível e o resplandecente. “Rhode Island Shred”, com pouco mais de dois minutos, considero essa uma peça meio deslocada em relação ao resto do material do disco. Tem Bumblefoot como convidado. Uma espécie de música country frenética. É divertida, apenas acho que não combina no álbum. “Hangover” é a música que finaliza o disco. É a outra balada, possui mais um ótimo riff melódico e algumas notas que deslizam lindamente pela guitarra de Govan. Mais uma vez, há um bom solo de baixo. O guitarrista encerra o disco entregando alguns dos seus momentos mais inspirados de todo o disco.
A incrível habilidade de Guthrie Govan em tocar e o bom gosto na hora de compor, fazem de Erotic Cakes uma audição essencial para seu estilo. Suas músicas, não necessariamente complementam uma à outra em uma escala de álbum, mas cada uma delas é consistente e mantém o disco em uma qualidade elevadíssima do começo ao fim – pois “Rhode Island Shred” não é ruim, apenas não combinou com o restante do álbum.
Sejamos diretos: o Uriah Heep não precisa provar mais nada para ninguém. E ver que esses senhores continuam na estrada e gravando álbuns com a qualidade que temos aqui, é simplesmente louvável. Digno de aplausos e agradecimentos.
"Chaos & Colour" começou a tomar forma ainda na pandemia, com diversos relatos interessantes de Mick Box em suas redes sociais sobre o processo de criação. Quando enfim foi lançado, um sorriso veio ao rosto, principalmente pela energia do material e também pela certeza de que, após muitas tentativas - principalmente na década de oitenta - o Uriah Heep encontrou seu som com Bernie Shaw. Já está consolidada uma sequência de ótimos álbuns focados no hard rock setentista, com uma boa dose de peso, recheado de bons riffs de guitarras, órgão hammond e leves pitadas progressivas que garantem uma elaboração maior de cada canção. Uma fórmula que, mesmo sendo reutilizada, garante momentos interessantíssimos.
Temos onze faixas onde a diversão é garantida. Se "Save Me Tonight" abre o disco e garante a captura do ouvinte, são em momentos como os que temos em "Age of Changes" e "One Nation, One Sun" do qual me emociono. Melodias belíssimas, músicos precisos e a perfeição da produção resultam em um bolo de cobertura perfeita. "Golden Light", "Freedom to Be Free" - que traz a faceta mais prog da banda dentro do contexto atual - e "Hail the Sunrise" também são as minhas favoritas. Mas, o disco todo flui bem e se garante na audição completa.
Com bom entrosamento, formação estável e músicos de qualidade, "Chaos & Colour" retrata bem o grande momento em que o Uriah Heep está. Agradeço demais por tudo o que a banda já fez e por nos ter entregue mais um grande álbum. Mas, é demais pedir por mais um? Sei que a banda um dia se aposentará e certamente não demorará muito, mas, quem sabe...
Uriah Heep é bom demais. E "Chaos & Colour" diz o porquê. Ouça, curta e admire.
Songs / Tracks Listing
1. Save Me Tonight (3:31)
2. Silver Sunlight (4:32)
3. Hail the Sunrise (4:24)
4*. Age of Changes (5:50)
5. Hurricane (4:50)
6. One Nation, One Sun (7:36)
7. Golden Light (5:09)
8. You'll Never Be Alone (7:58)
9. Fly Like an Eagle (3:49)
10. Freedom to Be Free (8:12)
11*. Closer to Your Dreams (3:38)
Total Time 59:29
Line-up / Musicians
- Bernie Shaw / lead vocals
- Mick Box / lead guitar, vocals
- Phil Lanzon / keyboards, vocals
- Dave Rimmer / bass, vocals
- Russel Gilbrook / drums & percussion
* - omitted on LP
Em Carnage, Nick Cave pega no discurso musical dos seus discos anteriores, mas recupera um pouco do perigoso selvagem do qual já tínhamos saudades.
Aos 30 segundos de “Hand of God”, que abre o disco, aquilo que parecia ser uma linear melodia bonita dá uma volta completa sobre si própria e mostra-nos algo twisted que acabou de acontecer, e que só sabemos que irá piorar e que será certamente interessante. Bem-vindos a Carnage, o novo disco de Nick Cave com umas valentes pitadas do universo de David Lynch.
Tal como todas as nossas vidas, também a de Nick Cave se encontra num limbo. Não apenas por esta interminável pandemia, mas porque o próprio músico assumiu que, com Ghosteen, de 2019, havia fechado um capítulo, neste caso o terceiro capítulo de uma trilogia temática iniciada com Push the sky away, de 2013, e continuada em Skeleton tree, de 2016.
E é nesse campo aberto, após esse capítulo encerrado, que tem de ser lido Carnage, o disco nascido um pouco do nada, pela primeira vez em parceria assumida de Nick Cave e Warren Ellis, o produtor e multi-instrumentista que tem vindo a conquistar um papel cada vez mais importante na vida e no trabalho dos Bad Seeds. Os dois são companheiros de longa data e têm trabalhado em todo o tipo de projectos, com destaque para várias bandas sonoras nos últimos anos. A química está lá, a pandemia fez parar tudo. A criação, entre os dois homens, aconteceu.
Na verdade, este não parece ser o início do tal novo capítulo, mas sim talvez algo entre essa trilogia de lenta devastação e o que virá a seguir. Encontramos vários pontos em comum: pouco interesse em perseguir uma estrutura convencional de canção (a excepção é a faixa-título e o encerramento, com “Balcony man”), em favor de temas menos estruturados e que se vão desenrolando ao som dos versos de Cave; a presença de sintetizadores e de instrumentações menos assentes no clássico piano/guitarra/baixo/bateria; e um geral ambiente de perda e de desespero.
A diferença aqui é que Cave soa menos derrotado e mais selvagem, voltando a encarnar, aqui e ali, a voz de personagens perigosas e alucinadas do passado, sobretudo na primeira metade do disco, o mais selvagem, menos cordeiro de Deus e mais lobo mau. As letras habitam o universo típico de Cave, histórias de perda, desespero, medo, amor e busca pela redenção. Não se encontrando necessariamente um fio narrativo forte, as canções são mais exercícios de estilo com narrativas individuais, permitindo ao cantor tanto encarnar num homem apaixonado como num delinquente sanguinário no tema a seguir.
Poderia pensar-se que, em registo de duo, o disco soasse eventualmente mais despido, mas não é isso que acontece. Ellis é um mago nos arranjos e nos vários instrumentos que domina. Carnage tem um som impecável e está carregado de pormenores, coros femininos – desde ao doce ao estilo do trágico coro grego – , electrónicas que vão do subtil ao namoro com o industrial, sintetizadores etéreos, jactos de guitarra distorcida, enfim, todo um arsenal de elementos que dão sempre algo a descobrir em cada nova audição.
E está aqui talvez o problema, a audição. Carnage é uma obra arrojada e muito bem feita. Mas não é um disco que, realmente, dê vontade de ouvir uma e outra vez.
Nos últimos largos anos, os fãs de Cave têm caminhado emocionados ao seu lado no luto que este tem feito nos seus discos, aplaudindo cada novo trabalho como mais uma obra-prima de profundidade e honestidade de um homem que escolheu não apenas abrir a sua ferida ao mundo, mas escarafunchar nela perante os nossos ávidos e mórbidos olhos. Este percurso, que terá terminado no magnífico Ghosteen – o segundo melhor disco de 2019, para a redação do Altamont,- com a sua progressão lenta e arrastada, percorre uma fina linha entre o brilhante e o aborrecido, entre o profundo e o hermético, entre o genial e o pretensioso.
Carnage não é, como dissemos há uns parágrafos, uma verdadeira partida desse universo. Vai buscar lá atrás algo do Cave perigoso e selvagem de que temos saudades, mas não se afasta musicalmente assim tanto do que o precedeu.
Os fãs da trilogia do desespero dirão, como sempre, que é uma obra-prima. Nós não iremos tão longe. É um disco muito curioso e bem construído de uma figura mítica, mas não temos a certeza se temos vontade, uma e outra vez, de passar mais 40 minutos a ouvir um louco torturado a falar da sua dor e da esperança na redenção do amor e de Deus.
Tenho certeza que a Suécia tem mais bandas progressivas boas per capita do que qualquer outro país. Carptree definitivamente pertence a essa lista. Eles fazem um excelente neo-prog.
Seu álbum autointitulado é o primeiro, e mostra. Eles passaram mais de dois anos e meio gravando, mixando e masterizando isso, e pelas notas muito curtas do encarte parece que provavelmente foi gravado em uma garagem ou estúdio caseiro. Eu gostaria que o encarte incluísse as letras.
Dadas essas limitações, é de admirar que este primeiro álbum seja tão bom quanto é. O som deles é um pouco mais básico aqui do que nos álbuns posteriores, mas muito dele tem um senso de urgência que é encontrado em alguns dos melhores neo-prog. Peter Gabriel provavelmente foi uma influência, mas também ouço indícios da carreira solo de Fish. Os vocais de Flinck são bons e definitivamente soam como vocais neo-prog, a música é relativamente simples, mas ainda agradável. É quase tão progressivo quanto o trabalho solo de Peter Gabriel.
Se você é novo no Carptree, não comece aqui. Seus álbuns posteriores são melhores. Ainda assim, este é um bom trabalho inicial, e é uma boa audição relaxante depois de um longo dia. 3,5 estrelas.
Biografia do Act of Entropy O Act of Entropy é uma banda experimental de metal avant-garde do Reino Unido composta por dois membros, Pan Inentropy e Eri Nthentropy. Este projeto teve início em 2017 e a música é uma mistura ímpar de jazz de vanguarda, black metal e noise psicadélico com outros elementos experimentais.
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