terça-feira, 14 de março de 2023

Magic Tuber Stringband – Tarantism (2023)

Cordão de Tubérculo Mágico… O tarantismo foi concebido e registrado em uma época de peste. Durante a primavera de 2020, Courtney Werner e Evan Morgan se retiraram para Hayesville, NC (pop. 311). Enquanto a dupla conhecida como Magic Tuber Stringband esperava o confinamento, eles gravaram esse disco. Conscientes da insanidade e confusão do mundo, eles se referiram aos problemas dos tempos anteriores. Até o momento, Werner e Morgan exploraram o veio de minério musical aberto por Henry Flynt, Pelt e seus grupos tributários e associados, sintetizando as sonoridades vibrantes da música de bandas de cordas dos Apalaches e do minimalismo americano.
Isso ainda faz parte da prática do Magic Tuber Stringband, e esses elementos provam ser ferramentas úteis ao abordar o teor de…

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…esses tempos. A abertura do tarantismo , “Trumpet of the Dead”, é uma valsa do Piemonte que desmente a desolação de seu título com um ar alegre, como se aqueles que se livraram de seu invólucro mortal não sentissem nada além de alegria por serem assim chamados. O violoncelo raspado e a bufante caixa shruti de “Ruah”, por outro lado, definem sua bússola para o coração do drone.

Mas desta vez, Werner e Morgan também jogaram um pouco do folk do sul da Itália na mistura, pisando animadamente em “Tarantella”, que por acaso é a dança que deveria curar o tarantismo. Isso posiciona o Magic Tuber Stringband como curadores de nosso tempo, prontos para reviver curas antigas para nos trazer de volta ao nosso melhor eu.


Schiller – Illuminate (2023)

 

vm_166Christopher von Deylen é o cérebro por trás de Schiller e é um dos artistas eletrônicos de maior sucesso da Alemanha. Isso é comprovado por vários álbuns nº 1 e vários prêmios de ouro e platina por sua música eletrônica. Schiller está lançando agora Illuminate , no qual von Deylen está ampliando seu caminho musical, focando em batidas eletrônicas ousadas com melodias cativantes. Além disso, Schiller voltou ao seu electro-pop para criar mundos sonoros eletrônicos e ritmos pulsantes.
“Empire Of Light” se baseia em uma parte de guitarra enquanto várias camadas se acumulam no tema. Os sons dos instrumentos de Schiller são cheios e naturais, aumentando o apelo. O sintetizador traz uma melodia cativante conforme a batida dançante se desenvolve completamente. Partes vocais masculinas leves nadam ao fundo…

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Adi Oasis – Lotus Glow (2023)

 

Adi OasisLotus Glow , o mais recente lançamento do baixista e cantor franco-caribenho Adi Oasis , é tão luxuosamente organizado quanto elegantemente produzido, abrangendo confortavelmente os reinos do jazz, funk e R&B. Seu tríptico de abertura define a cena: “Lé Depart” é uma linda melodia apoiada por um instrumental sonhador, Oasis levando os ouvintes a um vôo acima das nuvens. “Get It Got It” coloca as coisas em marcha total com seu groove suingante e seção de metais edificante. A música é repleta de detalhes ricos - vocais de harmonia desmaiados, trabalho de baixo de bom gosto de Adi Oasis e uma mixagem de áudio dinâmica. “Serena” é um ritmo animado e de ritmo médio que homenageia Serena Williams. Mas a partir daí,os temas líricos de Lotus Glow começam a oscilar entre o pessoal e o político. Em “Red To Violet”, os parceiros do Oasis…

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…com a artista de soul de Chicago, Jamila Woods, para atirar em homens que mentem e drenam a energia emocional das mulheres, derrubando opressores e obstrutores e se colocando em uma posição de poder: “Vou tomar o assento do piloto/ Você nunca me deu nada / Mover. Só estou tentando dizer alguma coisa.

“Dumpalltheguns” abre com um efeito de fita para trás antes de se lançar em um groove forte e musculoso, Oasis estabelece uma linha de baixo staccato antes de pisar no microfone para fazer um comentário apaixonado sobre a difusão da violência e da cultura das armas. “U Make Me Want It” é uma canção de amor em êxtase cheia de paixão e aumentada por uma linha de baixo borbulhante e um la-la no estilo Minnie Riperton.

Lotus Glow é um feito impressionante. As canções ricamente estratificadas e totalmente atualizadas do Oasis oscilam habilmente de ferozes e tópicas a doces e íntimas, todas baseadas em suas experiências como mulher negra e encontrando inspiração em uma variedade de formas fundamentais da música negra.


Review: Dream Theater – A View From the Top of the World (2021)

 


Após a natural quebra de ciclo causada pela saída de Mike Portnoy e a chegada de Mike Mangini, o Dream Theater gradativamente se adaptou à sua nova realidade e voltou a soar inspirado e criativo, retomando elementos marcantes de sua sonoridade que estavam um tanto apagados nos dois últimos trabalhos com Portnoy, Sistematic Chaos (2007) e Black Clouds & Silver Linings (2009).

Todo esse processo já está consolidado, com a formação atual junta desde 2010 e chegando ao seu quinto álbum em A View From the Top of the World. Lançado em 22 de outubro, o décimo-quinto trabalho do gigante prog metal nascido em Boston em 1985 traz sete canções e foi produzido pelo guitarrista John Petrucci, com mixagem de Andy Sneap. A bela capa, mais uma vez, foi desenvolvida pelo artista canadense Hugh Syme, que trabalha com a banda desde Octavarium (2005) e possui no currículo colaborações para nomes como Rush, Whitesnake, Aerosmith, Kiss e Iron Maiden.

O novo álbum mantém a musicalidade e a melodia extremas de Distance Over Time (2019), o ótimo trabalho anterior da banda e que foi um esforço conjunto para apagar a má impressão deixada pelo incompreendido The Astonishing (2016), disco que foi muito mal recebido pelos fãs. De volta à normalidade, o Dream Theater conserva as melhores qualidades de seu último álbum, como a alta dose de acessibilidade (dentro do que esse termo pode ser aplicado à uma banda de prog metal, naturalmente), ao mesmo tempo em que mergulha mais uma vez no gênero musical que ajudou a criar, moldar e popularizar, que é o metal progressivo.

Dito isso, o que ouvimos é um álbum de uma fluidez clara e permanente, cujas canções proporcionam uma das grandes experiências musicais entregues pelo quinteto. Sob a tutela de Petrucci, que assumiu o posto de principal maestro da banda, o Dream Theater equilibra a técnica absurda e reconhecida de seus integrantes com uma capacidade musical igualmente singular, e o resultado é a banda voltando a soar a plenos poderes, como já havia ocorrido em Distance Over Time, mas aqui dando um passo maior para dentro do universo do prog metal mais intricado e que, muitas vezes, assusta alguns ouvintes não habituados a essa sonoridade. Posso afirmar que não há nada a temer em A View From the Top of the World, muito pelo contrário: o que temos é muito o que apreciar, com canções que mostram uma das maiores e mais influentes bandas de todos os tempos em sua melhor forma.

Uma das principais críticas ao Dream Theater atual era a mecanização da sonoridade, principalmente em relação à bateria, com Mangini soando muito engessado e “sem alma”. Esse aspecto foi deixado para trás há alguns anos, e o baterista está totalmente adaptado aos companheiros de banda, explorando ritmos e andamentos de explodir cabeças, algo que sempre se espera do grupo. James LaBrie vive um dos seus melhores momentos como vocalista e intérprete, além de letrista, como mostra em “Invisible Monster”, canção cuja letra fala sobre ansiedade de uma maneira pouco vista antes. John Myung é um dos maiores baixistas da história, enquanto Jordan Rudess entrega a criatividade e o brilhantismo habituais, fazendo valer a experiência de ser o tecladista há mais tempo com a banda – já são 22 anos no line-up. E John Petrucci brilha com riffs intrincados e solos inspirados, escrevendo mais uma página de sua lenda como um dos guitarristas mais incríveis que o mundo já ouviu, agora assumindo também a posição de principal cabeça criativa da banda.

O álbum abre com uma das melhores canções dessa fase do Dream Theater, “The Alien”, onde a banda fala sobre ficção científica e exploração espacial sobre uma estrutura instrumental cheia de quebras de andamento unidas com melodias muito bem desenvolvidas. “Answering the Call” traz a típica união entre teclado e guitarra do Dream Theater, com ótimos solos de Petrucci e Rudess. “Invisible Monster” é uma das melhores do disco e retrata em sua letra o período em que vivemos, trazendo a discussão sobre a ansiedade, um dos grandes males da atualidade, para o primeiro plano. Nela, o equilíbrio entre acessibilidade e técnica é cirúrgico.

“Sleeping Giant” remete ao passado, com riffs pesados de Petrucci e uma atmosfera que faz lembrar os álbuns Awake (1994) e Falling Into Infinity (1997). Bastante climática, vem com belas linhas vocais e solos mais uma vez muito bonitos e com uma musicalidade que impressiona. “Transcending Time” é claramente influenciada pelo Rush dos anos 1980, enquanto “Awaken the Master” explora o lado mais pesado da banda e agradará os fãs mais antigos, com a guitarra de Petrucci à frente mostrando os caminhos para o restante para os demais instrumentistas.

O álbum fecha com a música título, uma suíte dividida em três partes e com mais de vinte minutos. Um presente para quem é fã do grupo e que entra para a lista de canções com musicalidade intensa e intricada que se transformaram em hinos como “A Change of Seasons”, “Octavarium” e “Illumination Theory”, essa última presente no auto-intitulado álbum lançado em 2013. Orquestrações realçam a grandiosidade da composição e dão um ar cinematográfico, que é intensificado pelo andamento predominantemente mais cadenciado. Os trechos instrumentais são muito bons, com direito a um segundo movimento mais calmo e atmosférico na parte central que está entre as mais belas gravações da banda em toda a sua carreira. A parte final traz os músicos explorando a técnica invejável que possuem, e é uma delícia pra quem aprecia aa banda norte-americana.

A View From the Top of The World mantém, sabiamente, a acessibilidade apresentada em Distance Over Time, decisão essa que conserva o poder universal da música do Dream Theater. Mas, ao mesmo tempo, mostra a banda equilibrando com perfeição essa postura com o lado mais técnico e progressivo de sua identidade, algo que só é possível devido à maturidade demonstrada pelos músicos. Um dos melhores trabalhos dessa banda já lendária, e que atesta o quanto o quinteto está não apenas entrosado e afiado, mas, acima de tudo, demonstra que a criatividade e o apetite por seguir criando música de qualidade permanece vivo e intocável no coração de cada um dos músicos.

Menção final para a bela edição nacional lançada pela Hellion Records, com embalagem slipcase e pôster incluído.


Review: Tony Martin – Thorns (2021)

 


A passagem de Tony Martin pelo Black Sabbath até hoje divide os fãs. Há aqueles que odeiam os cinco álbuns gravados pelo vocalista sem nunca ter escutado uma única faixa, enquanto existem aqueles que consideram alguns desses discos como os melhores da banda britânica. Como sempre, a verdade está no meio do caminho: pelos menos dois álbuns com os vocais de Martin, Headless Cross (1989) e Cross Purposes (1994), são muito bons e irão surpreender quem nunca se aventurou por eles, enquanto The Eternal Idol (1987) e Tyr (1990) estão longe de serem trabalhos dispensáveis. O único disco realmente abaixo da média com a voz de Martin é Forbidden (1995), mas isso se deu muito mais por uma decisão equivocada da gravadora da banda na época, a IRS, do que por culpa do vocalista.

Voltando ao presente, Tony Martin acaba de lançar o seu terceiro álbum solo, Thorns, que dá sequência à dupla Back Where I Belong (1992) e Scream (2005). Contando com onze canções, Thorns traz Martin acompanhado do guitarrista Scott McClellan, dos baixistas Greg Smith (Rainbow, Alice Cooper, Blue Öyster Cult) e Magnus Rosen (HammerFall, Shadowside) e do baterista Danny Needham (Venom), além de participações da vocalista Pamela Moore (a Sister Mary do clássico Operation: Mindcrime, do Queensrÿche) e do guitarrista Dario Mollo, parceiro de Martin nos álbuns The Cage (1999), The Cage 2 (2002) e The Third Cage (2012).

Musicalmente, o que se ouve em Thorns é um metal clássico com óbvias influências do Black Sabbath, mas também com alguns respingos de AOR e sonoridades mais pesadas. A produção contribui muito para o resultado final, carregando o disco com timbres atuais. Os vocais de Martin são o destaque em todas as canções, e seu registro agradável e profundo, que no passado foi criticado por alguns pela similaridade com o de Ronnie James Dio, segue soando poderoso e cativante. Predominantemente sombrias, as composições constroem, degrau a degrau, um trabalho coeso e sólido, que irá agradar em cheio quem é fã de sua passagem no Black Sabbath ou curte um heavy metal pesado e cheio de classe.

Entre as músicas destaco o single “As the World Burns”, “Book of Shadows”, o clima acústico e meio folk de “Crying Wolf”, ”No Shame at All” e “Passion Killer”.

Ótimo retorno em um belo disco, que sairá no Brasil em CD pela Hellion Records.



OS QUATRO E MEIA - NA ESCOLA (𝗹𝗲𝘁𝗿𝗮 da música)

 

[Verso 1]
Foi na escola que aprendi
Sobre plantas e animais
Dividi, multipliquei
Com três casas decimais

Hoje sei quais são as rochas
Que se formam nos vulcões
Fiz ditados, li poemas
Pontuei as orações

 

[Pré-Refrão]
E de todas essas coisas
Que na escola eu aprendi
Nem um apontamento houve
Para me preparar para ti

[Refrão]
Se algo existe nesta vida
Que algum saber requer
É a ciência de entender
Como pensa uma mulher

Se algo existе nesta vida
Que algum saber rеquer
É a ciência de entender
Como pensa uma mulher

[Verso 2]
Aprendi a picotar
Fiz centenas de postais
Sei os sólidos e as formas
Bicetrizes, diagonais

Decorei as dinastias
E o nome de cada rei
Ainda lembro as capitais
Dos países que apontei


[Pré-Refrão]
E de todas essas coisas
Que na escola eu aprendi
Nem um apontamento houve
Para me preparar para ti

Se algo existe nesta vida
Que algum saber requer
É a ciência de entender
Como pensa uma mulher

Se algo existe nesta vida
Que de algum saber requer
É a ciência de entender
Como pensa uma mulher

[Bridge]
De mochila presa às costas
Com dez quilos talvez mais
Tantas vezes fui à escola
Aprender coisas banais

[Refrão]
Se algo existe nesta vida
Que algum saber requer
É a ciência de entender
Como pensa uma mulher


[Outro]
Tanto aprendi
Tanto aprendi
Nada sobre ti
Nada sobre ti

 

GNR - EU NÃO SOU ASSIM (𝗹𝗲𝘁𝗿𝗮 da música)

CAROLINA DESLANDES - CONTA-ME (𝗹𝗲𝘁𝗿𝗮 da música)

 

[Verso 1]
Conta-me uma boa mentira
Pra ficar mais um pouco
Diz-me que ela até é gira
Mas que te soube a pouco

[Verso 2]
Diz que ainda me procuras
Em todas as mulheres
E que te perdes em loucuras
Só por já não me teres

 

[Verso 3]
Faz-me uma serenata
Um poema um livro
Conta-me que te faço falta
E canta-me o motivo

[Verso 4]
Diz-me que é rua sem chão
Quando não estou contigo
E que os becos do coração
Voltam sempre ao mesmo sitio

[Refrão]
Mente-me com jeito de amor
Fica comigo a sеguir
Que eu prometo sеr a melhor
Na arte de fingir
Mente-me de novo e inventa
Morremos no fogo em dança lenta
Eu vou sempre acreditar
Pra não sair a perder

[Verso 4]
Diz que não há duas de mim
Jura ser verdadeiro
E que ela até te faz rir
Mas não tem o meu cheiro

[Verso 5]
Chora como um actor de cinema
E eu faço que posso
Pra ser a tua contracena
A fingires os remorsos

[Refrão]
Mente-me com jeito de amor
Fica comigo a seguir
Que eu prometo ser a melhor
Na arte de fingir
Mente-me de novo e inventa
Morremos no fogo em dança lenta
Eu vou sempre acreditar
Pra não sair a perder

 

THE GIFT - 7 VEZES (𝗹𝗲𝘁𝗿𝗮 da música)

 

MARISA LIZ - FOI ASSIM QUE ACONTECEU (𝗹𝗲𝘁𝗿𝗮 da música)

 

Destaque

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