quarta-feira, 15 de março de 2023

10 discos essenciais: Britpop

 


O Britpop foi um movimento musical surgido no Reino Unido no começo dos anos 1990. Foi uma espécie de resposta ao peso e à crueza do grunge norte-americano que naquele momento, era a grande sensação do rock mundial. Enquanto o Britpop despontava, o grunge comelava a fazer a sua curva descendente, que se assentuou com a morte de Kurt Cobain, líder da banda Nirvana, ícone do grunge, em 1994. Se a primeira metade da década de 1990 foi dominada pelo grunge, a segunda metade pasou a ser do grunge.

O termo “Britpop” é uma abreviação de pop britânico, e foi cunhado pela imprensa musical inglesa para a rotular uma nova geração de banda britâncas que começava a ganhar projeção no cenário roqueiro inglês no começo dos anos 1990, após o declínio do Madchester, um movimento musical originário de Manchester que teve o seu auge no final dos anos 1980 que revelou bandas importantes como Stone Roses, Happy Mondays, Spíral Carpets entre outras. Apesar da vida breve, o Madchester seria uma das influências do Britpop.

Dentre as caracteríticas do Britpop canções supermelódicas muito bem articuladas com as camadas de guitarras, o uso e abuso dos refrões, influência de rock inglês de meados dos anos 1960, especialmente Beatles, The Who e The Kinks, o glam rock de David Bowie e T.Rex, o punk britânico dos anos 1970, e referências mais recentes daquele momento como The Smithes e o já citado movimento Maschester.

O Britpop revelou uma safra de bandas que coquistou as paras de sucesso mundial, dentre as quais Oasis, Blur, The Verve, Pulp, Suede, entre outras tantas bandas. Até mesmo uma rivalidade dentre os dois maiores ícones do Britpop, o Oasis e o Blur, cuja troca de farpas entre os irmãos Liam e Noel Gallagher, do Oasis, o vocalista do Blur, ganharam as capadas de revistas e jornais ingleses e da imprensa mundial. O Britpop não era mais uma tendência alternative, havia ganhado asas e conquistador o mundo.

Como todo movimento ou modismo, o Britpop encontrou o seu cedclío no final dos anos 1990. A partir, uma nova levada de bandas britâncias começava a ganhar expressão e a conquistar público como Coldplay, Travis, Stereophonics, Keane e demais bandas.

The Stone Roses (Silvertone 1989), The Stone Roses. Originários de Manchester, os Stone Roses eram a ponta da lança de um movimento daquela cidade inglesa batizado de "Madchester" e que trazia a reboque outras bandas de lá como Happy Mondays, Inspiral Carpets entre outras. O movimento era calcado numa sonoridade que misturava rock alternativo, dance music, pop eletrônico e o psicodelismo dos anos 1960. O autointitulado álbum de estreia dos Stones Roses alçou a banda inglesa ao estrelato do rock mundial e emplacou como hits “I Wanna Be Adored e “She Bangs The Drums”, e alcançou a marca de 4 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Durante o período 1989/1990, os Stone Roeses foram os “queridinhos” da imprensa musical britânica. Após tanta exposição, saíram de cena e voltaram com o segundo álbum em 1993, mas desta vez a realidade do rock mundial era outra. Mesmo assim, as bases para o que o que viria a ser o britpop já haviam sido lançadas com o álbum de estreia dos Stone Roses. 


Bandwagonesque (Creation Records, 1991), Teenage Funclub. Terceiro álbum da banda escoecesa Teenage Funclub, Bandwagonesque, é considerado um trabalho precursor do britpop. Bandwagonesque trouxe elementos que ajudariam a formatar a musicalidade do britpop como os refrões grudentos, um som sujo e ao mesmo tempo melódico e a valorização do formato canção. O álbum foi eleito pela revista Spin o “Álbum do Ano”, superando o revolucionário Nevermind, do Nirvana. As faixas “The Concept”,”Star Sign” e “Is The Music?” e “Pet Rock” foram os hits de Bandwagonesque.


Suede (Nude Records, 1993), Suede. A banda inglesa Suede já era saudada coo grande sensação antes mesm de lançar este seu homônimo álbumde estreia por causa do primeiro single da banda, “The Drowners”, lançado em 1992.  Suede, o álbum, estreou em primeiro lugar na parade de álbuns do Reino Unido, e trazia em suas faixas, canções com letras carregadas de conotação sexual e de influências do glam rock dos anos 1970, principalmente de David Bowie e T.Rex. Vale destacar os vocais de Brett Anderson se assemelham no estilo de canto de Bowie em sua fase glam. A androginia da banda e bissexualidade de Anderson se mostram presents não só nas letras das canções do álbum, mas também na capa que traz um casal gay se beijando. Destaque para as faixas “Animal Lover”, “Metal Mickey”, “Animal Nitrate” e “So Young”.


Parklife (Food, 1994), Blur. A banda Blur passava por uma crise financeira quando lançou o seu terceiro álbum, Parklife, em 1994. O ótimo desempenho comercial do álbum salvou a carreira da banda liderada pelo vocalista Damon Albarn. A crítica teceu vários eleogios ao trabalho que alcançou o 1° lugar da parade de álbuns do Reino Unido e o 6º lugar da Billboard Top Heatseekers, nos Estados Unidos. Apoiado em sucessos como “Girls 7 Boys”, “End Of A Century”, “To tne End” e “This Is A Low” e a faixa-título, e com mais de 1 milhão de cópias vendidas, Parklife fez do Blur um dos expoentes do britpop.


Elastica (Deceptive, 1995), Elastica. A banda inglesa Elastica foi fundada em 1992 por Justine Frischmann, após deixar a Suede. Na época, a vocalista era namorada de Damon Albarn, vocalist do Blur. O primeiro e homônimo álbum da Elastica foi lançado em 1995 mostra canções rápidas e curtas, e um sonoridade em que se percebe bastante a influência da new wave e do punk dos anos 1970. A recepção do álbum por parte da imprensa foi bastante positiva. No entanto, a banda foi acusada de plagiary a música de outros artitas. “Waking Up” foi considerada um plágio de “No More Heroes”, do The Stranglers, enquanto que “Connection” seria plagiada de “Three Girl Rhumba” do Wire. Apesar das aucsações, o álbum vendeu mais de 1 milhão de cópias e alcançou o posto de número 1 da parade de álbuns do Reino Unido.


I Should Coco (Parlophone,1995), Supergrass. O Supergrass surgiu na onda do Britpop trazendo o humor, a irreverência e o espírito juvenil através das suas canções e na postura dos seus integrantes. Todas essas qualidades estão presentes em I Should Coco, álbum de estreia do quartet inglês. O título refere-se ao Café Coco, um bar de Oxford, onde os membros do Supergrass costumavam se encontrar. A principal faixa do álbum, “Alright”, fez a banda alcançar uma grande popularidade internacional e fez I Should Coco atingir a marca de 1 milhão de cópias em todo um mundo. “Lenny” e “Caught By The Fuzz” foram os outros dois hits de I Should Coco.


The Bends (Parlophone, 1995), Radiohead. Após o álbum de estreia, Pablo Honey, de 1993, muito influenciado pelo grunge, o Radiohead muda de rumo musicalmente em 1995 no seu segundo trabalho, The Bends, no qual a banda se aproxima do britpop que naquele momento, vivia o seu ápice. The Bends é recheado de hits como “Fake Plastic Trees”, “Just”, “Street Spirit (Fade Out)” e “High And Dry”, e fez o Radiohead ganhar grande espressão no rock mundial. Mas o flerte do Radiohead com o Britpop durou pouco: a partir do álbum seguinte, Ok Computer, de 1997, a banda liderada por Thom Yorke mudaria de rumo mais uma vez, agora seguindo em direção ao experimentalismo, adotando inclusive recursos da música eletrônica.


Different Class (Island, 1995), Pulp. A banda Pulp foi fundada em 1978 pelo vocalista Jarvis Cocker que na época tinha apenas 15 anos de idade, na cidade Sheffield, Inglaterra. Durante os anos 1980, o Pulp lançou apenas dois álbuns It (1983) e Freaks (1987). Seguiram-se os álbuns Separations (1991) e His’n’Hers (1994). Mas foi com o quinto álbum, Different Class, de 1995, que o Pulp alcançou a tal desejada fama e firmou-se como uma da principais bandas do britpop. “Common People” e “Something Changed” foram os grande sucessos do álbum, que em 1996, conquistou o prêmio Mercury Music Prize.


(What’s The Story) Morning Glory? (Epic, 1995), Oasis. Com o seu álbum de estreia, Definitely Maybe, o Oasis já havia mostrado ao mundo a que veio. Mas foi com o seu segundo álbum, (What’s The Story) Morning Glory? que a banda liderada pelos irmãos Noel e Liam Gallagher conquistaram o topo do mundo rock. (What’s The Story) Morning Glory? fez um enorme sucesso: foi 1º lugar na para de álbuns do Reino Unido e 1º lugar na Billboard 200, nos Estados Unidos. O álbum emplacou hits como “Don’t Look Back In Anger”, “Roll With It”, “Some Might Say” e “Champagne Supernova”. Mas a grande canção de (What’s The Story) Morning Glory? é “Wonderwall”, que se tornou o maior sucesso da carreira do Oasis e ajudou ao álbum vender mais de 22 milhões de cópias em todo o mundo.  Não seria exagero afirmar que (What’s The Story) Morning Glory?  é o principal álbum do britpop.


Urban Hymns (Hut Records, 1997), The Verve. Após o Segundo álbum, A Nothern Soul, de 1995, o The Verve se separou. Mas logo o seu vocalist, Richard Ashcroft, reformulou a banda, e sob nova formação, lançou em 1997 o seu terceiro álbum, Urban Hymns. Com ele, o The Verve alavancou a sua carreira e conquistou o estrelato, graças ao à faixa “Bitter Sweet Simphony”, que entrou para as principais paradas de sucesso do planeta. A música chegou a ser indicada ao prêmio Grammy na categoria “Melhor Canção de Rock”. Além de “Bitter Sweet Simphony”, outras faixas como “Lucky Man”, “Sonnet” e “The Drugs Don’t Work” fizeram sucesso e ajudaram a Urban Hymns alcançar a marca de 10 milhões de cópias vendidas. 

“Private Dancer” (Capitol, 1984), Tina Turner

 


Poucas cantoras negras norte-americanas transitaram tão bem entre o soul, o blues e o rock como Tina Turner. A maioria delas, como acontece até hoje, concentram o seu trabalho no campo da soul music e R&B. Tina foi além, e é uma das pouquíssimas cantoras negras a cantar rock, chegando até mesmo a ser uma influência para uma contemporânea sua, Janis Joplin (1943-1970).

Tina despontou para o sucesso nos anos 1960, ao lado do cantor, compositor, músico, e também marido, Ike Turner (1931-2007). Contudo, as brigas, as bebedeiras e o abuso de drogas de Ike, culminaram para a decadência da dupla. Tina sofreu muito nas mãos de Ike, que a espancava bastante. Por volta de 1975, divorcia-se de Ike e recomeça a sua carreira praticamente do zero. Naquele ano, participou do filme Tommy, baseado na ópera rock do The Who, onde encarnou o papel de Acid Queen

Entre 1978 e 1981, Tina lançou os álbuns solos Rough (1978) e Love Expression (1979), ambos verdadeiros fracassos em vendas. A situação estava tão difícil para a cantora que ela chegou a trabalhar fazendo faxina para poder pagar o aluguel.

A partir do começo dos anos 1980, sua carreira foi recomeçando aos poucos. Em 1981, foi convidada por Rod Stewart para abrir sua turnê. Depois recebeu um convite para abrir três shows dos Rolling Stones. Seguiu-se depois uma temporada na casa noturna The Ritz, em Nova York, e turnês na Europa. Tina retomava progressivamente a sua carreira.

Ike e Tina Turner: apesar da fama, o relacionamento do casal era o pior possível,
marcado por brigas e ataques de fúria de Ike contra Tina.

Com o apoio de David Bowie e o empenho do produtor musical John Carter, em 1983, Tina Turner conseguiu assinar um contrato com a gravadora Capitol Records para a gravação de singles, ainda que a contratação dela tivesse sofrido oposição de algumas pessoas de dentro da gravadora.  Em novembro daquele ano, era lançado o single de “Let’s Stay Together”, uma regravação de um grande sucesso de Al Green, de 1971. A versão de Tina fez um enorme sucesso, alcançado o 26º lugar da Billboard Hot 100, nos Estados Unidos. Foi ainda 1º lugar na parada Hot Dance Club Songs, da Billboard, nos Estados Unidos, e 6º lugar na parada de singles do Reino Unido.

O sucesso inesperado do single fez a Capitol fazer uma aposta maior em Tina, oferecendo-lhe um contrato para três álbuns. Contando com o apoio de vários produtores, dentre os quais John Carter, o produtor que levou Tina para a Capitol, o álbum foi gravado em Londres em alguns dos melhores estúdios da capital inglesa. 

Intitulado Private Dancer, o quinto álbum da carreira de Tina Turner foi lançado em 29 de maio de 1984. O álbum apresenta um Tina Turner musicalmente mais contemporânea, diferente dos tempos em que atuava com o seu ex-marido Ike Turner. A recepção da crítica foi bastante positiva. A revista Rolling Stone afirmou na época que o álbum era um retorno poderoso de Tina Turner.

Propaganda do single de "Let's Stay Together" numa revista, em novembro de 1983,
que marcou o renascimento da carreira artística de Tina Turner.

O repertório de Private Dancer é baseado em no pop, rock, soul, e percebe-se uma grande ênfase nos sintetizadores, o que fez aproximar a cantora da sonoridade do synthpop, mas sem que com isso, diminuísse a presença das guitarras do rock no disco. Além de faixas inéditas até então, o álbum trouxe regravações de sucessos de outros artistas, como uma releitura surpreendente de “Help!”, dos Beatles.

A primeira faixa de Private Dancer é “I Might Have Been Queen”, um rock polido e dançante  que a julgar pela letra, parece fazer uma referência, mesmo metaforicamente, à vida de Tina Turner. Trata da necessidade nos renovarmos, de nos reinventarmos, como se a cada momento de renovação fosse uma nova vida.

“What’s Love Got To Do With It” é uma das faixas mais famosas do álbum. Curiosamente, essa música por muito tempo foi oferecida a várias aristas, mas todos a recusaram como Cliff Richards e Donna Summer. A canção romântica e versos simples, caiu nas mãos de Tina e se tornou um enorme sucesso mundial. Seu single foi 1º lugar na Billboard Hot 100 nos Estados Unidos por três semanas.

“Show Some Respect” é um pop rock cuja letra diz muito sobre o empodeiramento feminino. A letra trata de uma mulher que quer o seu espaço, trabalha com seu companheiro de maneira igual e respeito mútuo, o que leva a crer que a “Show Some Respect” é mais uma faixa que faz alusão à vida de Tina Turner e o seu relacionamento difícil e sofrido que ela teve com Ike Turner.

A chuva na janela que traz recordações de um antigo amor é o tema central da faixa seguinte, “I Can’t Stand The Rain”, uma regravação de um antigo sucesso de Ann Peebles, de 1973. Diferente da versão original que era mais voltada para o soul, a versão de Tina tendeu mais para o pop e dando muita ênfase aos sintetizadores e programações eletrônicas bem ao estilo do synthpop dos anos 1980. 

“Private Dancer”, faixa que dá nome ao álbum, foi composta por Mark Knopfler, vocalista e guitarrista do Dire Straits. A música a princípio seria gravada pelo Dire Straits para o seu álbum Love Over Gold, de 1982. Mas como a letra é narrada do ponto de vista de uma mulher, Knopfler acreditava que a canção soaria melhor na voz de uma cantora, acabou engavetada, e pouco tempo depois, foi oferecida para Tina Turner gravar. A letra trata de uma mulher que ganha a vida dançando todas as noites com vários homens, mas sem ter nenhum tipo de envolvimento. “Private Dancer” foi uma das faixas mais tocadas do álbum no rádio. Seu single foi 7º lugar na parada da Billboard Hot 100, nos Estados Unidos. Uma curiosidade nessa música é que quem acompanhou Tina Turner na gravação foi a banda Dire Straits, exceto o guitarrista Mark Knopfler que estava na época gravando o álbum Boys and Girls, de Bryan Ferry. Em seu lugar, Jeff Beck fez os solos de guitarra.

"Private Dancer", de Mark Knopfler, quase foi gravada pelo Dire Straits em 1982 no álbum Love Over Gold.
Mas foi banda de apoio para a versão de Tina Tuner no álbum Ptivate Dancer.

Sucesso na voz de Al Green, em 1971, “Let’s Stay Together” foi regravada por Tina Turner como 1º single do seu ressurgimento como artista no final de 1983, quando tinha um contrato com a Capitol que previa apenas o lançamento de singles. A versão de Tina tem um arranjo pop em que os sintetizadores e a percussão se destacam, com inserções de solos de saxofone. 1º lugar na Billboard Hot 100, nos Estados Unidos, e 6º lugar na parada de singles no Reino Unido, a versão de Tina para “Let’s Stay Together” fez a música voltar às paradas de sucesso mundiais.

“Better Be Good To Me” foi gravada originalmente em 1981 pela Spider, banda norte-americana de pop rock. A versão de Tina segue o mesmo estilo da versão da Spider, porém ganhou um pouco mais de peso e vibração. Teve um bom desempenho comercial: foi 5º lugar na Billboard Hot 100, nos Estados Unidos e 6º lugar na parada de singles no Canadá.

“Steel Claw” é um pop rock que possui um ritmo veloz e frenético. Tina canta acompanhada outra vez do Dire Strais, e Jeff Beck ocupando o lugar de Mark Knopfler. Tina mostra que além do soul, domina a postura de cantora de rock. Beck faz um solo de guitarra agressivo na medida certa para um pop rock. 

A próxima faixa é uma versão regravação de “Help!”, grande sucesso dos Beatles, que na versão de Tina Turner ganhou um arranjo completamente diferente da original. Se com os Beatles “Help!” era um rock juvenil e vibrante, com Tina, a música ganhou um embalagem gospel arrepiante. Tina canta de maneira dramática, com a alma, acompanhada um belo grupo vocal de apoio.

O álbum se encerra com mais uma regravação, “1984”, sucesso de David Bowie de 1974. Com uma base instrumental essencialmente eletrônica, a versão de Tina para o sucesso do “Camaleão do Rock” conta com imponentes vocais de apoio.

Bem avaliado pela crítica, Private Dancer conquistou o público e teve um desempenho comercial fabuloso, que talvez nem mesmo a gravadora Capitol esperava. O álbum vendeu mais de 10 milhões de cópias na época, e ao longo do tempo, alcançou a marca de 20 milhões de cópias. É de longe o álbum mais vendido da carreira de Tina Turner.

O sucesso comercial de Private Dancer motivou Tina Turner a promover uma imensa turnê mundial, a Private Dancer Tour, que começou em fevereiro e encerrou-se em dezembro de 1985, que contou com 177 shows e passou pela Europa, Canadá, Estados Unidos, Austrália e Japão.

Tina Turner recebe David Bowie como convidado num show em Birmingham, Inglaterra,
durante a Private Dancer Tour, em 1985.

Se o ano de 1984 foi bom, representou o renascimento de Tina Turner, o ano de 1985 foi o ano de reconhecimento. Private Dancer concorreu ao prêmio Grammy, correndo em seis categorias, e vencendo em quatro: “Melhor Performance Vocal de Rock Feminino” (por “Better Be Good To Me”), “Melhor Performance Vocal Pop Feminino” (por “What’s Love Got To Do With It”), “Gravação do Ano”(por “What’s Love Got To Do With It”) e “Canção do Ano” (por “What’s Love Got To Do With It”).

Além do sucesso na música, Tina teve tempo naquele ano para brilhar nas telas de cinema no filme Mad Max – Beyond Thunderdone (no Brasil Mad Max – Além da Cúpula do Trovão), de George Miller e George Ogilve, e estrelado por Mel Gibson. Tina comparece na trilha sonora com duas músicas, “We Don't Need Another Hero (Thunderdome)” e “One Of The Living”. “We Don't Need Another Hero (Thunderdome)” tornou-se um grande sucesso nas rádios de todo o mundo, e foi indicada a “Melhor Canção Original” no Golden Globe, e “Melhor Performance Vocal Pop Feminina”, ambas indicações em 1986. 

Depois do bem sucedido Private Dancer, Tina Turner lançou ainda em 1986 seu sexto álbum solo Break Every Rule, que deu prosseguimento ao sucesso do álbum anterior, vendendo mais de 12 milhões de cópias mundialmente, amparado nas faixas “Typical Male”, “Two People” e “Paradise Is Here” que tiveram grande veiculação radiofônica.

Faixas
  1. "I Might Have Been Queen" (Rupert Hine - Jeanette Obstoj - Jamie West-Oram)
  2. "What's Love Got to Do With It" (Terry Britten - Graham Lyle)
  3. "Show Some Respect" (Britten - Sue Shifrin)
  4. "I Can't Stand The Rain" (Don Bryant - Bernard Miller - Ann Peebles)
  5. "Private Dancer" (Mark Knopfler)
  6. "Let's Stay Together" (Al Green - Al Jackson Jr. - Willie Mitchell)
  7. "Better Be Good To Me" (Mike Chapman - Nicky Chinn - Holly Knight)
  8. "Steel Claw" (Paul Brady)
  9. "Help!" (John Lennon - Paul McCartney)
  10. "1984" (David Bowie)

"I Might Have Been Queen" 


"What's Love Got to Do with It" (videoclipe oficial)


"Show Some Respect" 


"I Can't Stand The Rain" 


"Private Dancer" (videoclipe original)


"Let's Stay Together" (vídeo gravado ao vivo)


"Better Be Good To Me" (videoclipe original)


"Steel Claw"




"1984"


Resenha Naked Soul Álbum de T3nors 2023

 

Resenha

Naked Soul

Álbum de T3nors

2023

CD/LP

T3nors me chamou bastante a atenção quando seu anúncio foi dado. Como fã de Pride Of Lions, Blanc Faces e Find Me, fiquei extremamente empolgado para conferir como soariam juntos os talentosíssimos vocalistas Toby Hitchock e Robbie LaBlanc . A adição de Kent Hilli, dos grupos Perfect Plan e, mais recentemente, Giant, foi a cereja do bolo. Talvez a Frontiers tenha levado o conceito adiante para aproveitar a onda depois de tanto comentar-se sobre um possível projeto de 3 tenores com Geoff Tate, Bruce Dickinson e Rob Halford que, cá entre nós, seria imperdível.

O disco é bem legal, mas soa demasiadamente como um produto Frontiers. Está claro que pegaram um pacote de canções feitas pelo incansável Alessandro Del Vecchio e sua trupe e distribuíram aos vocalistas buscando uma projeção equilibrada dos três. O resultado é bom e a produção muito agradável, mas, é nítido que muitas (ou todas) das faixas foram compostas genericamente, sem pensar em quem seria o vocalista principal. Aí está o principal ponto negativo do disco, mas, para fãs de AOR, dá pra curtir tranquilamente.

É importante destacar que os três vocalistas estão impecáveis aqui. São três grandes talentos.

Faixas de destaque: "April Rain", "Naked Soul", "Nights", "Mother Love", "Set Fire To The Rain" e "Strenght To Carry On".
A versão que adquiri traz também três faixas bônus que são as canções "April Rain", "I Could" e "Strenght To Carry On" interpretadas por Robbie, Toby e Kent, respectivamente.

Um bom álbum, mas não espetacular. Considerando o potencial do projeto, confesso que esperava um pouco mais.

Faixas:

1. April Rain
2. Naked Soul
3. Nights
4. Time Is Coming
5. Silent Cries
6. Torn
7. I Could
8. Mother Love
9. Set Fire To The Rain
10. Stand For Love
11. Strength To Carry On

LINEUP:

Robbie LaBlanc - vocals
Toby Hitchcock - vocals
Kent Hilli - vocals

Alessandro Del Vecchio - bass, additional keyboards, guitars, and backing vocals
Francesco Savino - guitars
Jacopo Martignoni - drums

Produced by Alessandro Del Vecchio
Executive Producer/A&R: Serafino Perugino

Resenha Heaven Or Las Vegas Álbum de Cocteau Twins 1990

 

Resenha

Heaven Or Las Vegas

Álbum de Cocteau Twins

1990

CD/LP

Este álbum do trio escocês foi lançado em setembro de 1990, com imediato sucesso para a 4AD. Também foi o último álbum com a icônica gravadora;  depois dele, a banda gravaria com a Fontana, subsidiária da PolyGram, atingindo mercados mais extensos. Este disco é geralmernte considerado pela crítica como o melhor do Cocteau Twins. Saiu exatamente um ano depois de nascer Lucy Belle, filha única da cantora Liz Fraser e do multiinstrumentista Robin Guthrie, o qual atravessava uma fase infernal de dependência de drogas. Nessa mesma época, Simon Raymonde casou-se.

Ou seja, tudo estava acontecendo ao mesmo tempo, tanto de bom como de ruim. E a partir do triunfo artístico representado por esse disco, o caminho do genial grupo de pop etéreo seria inevitavelmente descendente. Simon teve uma participação maior na gravação, devido à parcial alienação de Robin, que com o tempo acabaria separando o casal e depois causando o fim da banda. Mas a música neste LP é luminosa e positiva, não transmitindo tensão ou conflito. Liz inspirou-se na experiência da maternidade para cantar a bela "Pitch the Baby". Essa nova musicalidade, leve e amorosa, continuaria nos dois LPs subsequentes. Canções como "Fifty-Fifty Clown", "Road, River and Rail" e "Frou-Frou Foxes in Midsummer Fires" possuem uma expressividade firme e ao mesmo tempo delicada, com combinações de instrumentos e vocais sofisticadas e nenhum ruído além do que as composições pedem, o que não se podia dizer sempre sobre trabalhos anteriores da banda. Embora haja algum sentido nas letras, a dicção obscura impede sua compreensão, como é de costume com a banda, e o ouvinte precisa se entregar à apreciação emocional dos sons puros.

Em resumo, é um milagre divino que os três tenham produzido uma obra de tanto refinamento durante uma fase tão tumultuada de suas vidas. Pode ter uma ou outra faixa de que gosto menos, mas cada uma delas merece absoluto respeito; o CT não criava músicas só para cumprir contrato.

Resenha Dust To Dust Álbum de Heavenly 2004

 

Resenha

Dust To Dust

Álbum de Heavenly

2004

CD/LP

Um dos grandes álbuns da época de ouro do power metal melódico

A banda francesa Heavenly, liderada pelo vocalista Ben Sotto, teve rápida ascensão, conseguindo o status de clássico já em seu terceiro disco. "Dust To Dust" é simplesmente um pacote de canções imperdíveis para qualquer fã do estilo.

Se "Sign Of The Winner" mostrou ascensão em termos musicais, mas pecou um pouco por abusar dos clichês, aqui a banda tentou seguir seu próprio caminho com êxito. Claro que falar sobre vampiros e suas crises existenciais também é algo clichê, mas ao menos o disco funciona bem como um trabalho conceitual, embora seja no tracklist o maior diferencial. Aqui a banda mantém o peso, velocidade, refrãos recheados de corais e muita energia, mas sem dar ao ouvinte aquela sensação do tipo: "isso é Helloween" ou "já ouvi no Angra". E são canções fenomenais, bem trabalhadas, bem compostas e com excelente produção.

O disco é longo, mas não cansa o ouvinte devido à sua qualidade. Mesmo não sendo algo comum em discos de power metal melódico, aqui a audição completa é ainda mais efetiva, sendo que fica até difícil enumerar os destaques. Para mim, é impossível não se impressionar com "Evil", a pegajosa "Lust For Life", "Illusion Part II", a fantástica regravação de "Miracle", seguramente o melhor momento do disco, e a maravilhosa balada "Dust To Dust". Sotto também está cantando bem, com seu timbre bem particular, algo que me remete ao King Diamond versão happy happy halloween. Ou seja, um pacote que seguramente agradará os fãs.

"Dust To Dust" surgiu no momento certo, na alta do power metal melódico e garantiu certa longevidade ao grupo Heavenly. Além disso, o disco é referência para muitas bandas do estilo. Para mim, é simplesmente um clássico imperdível do estilo, feito quando ainda não estava saturado. É só botar para rolar, aumentar o volume e sair cantando já na primeira audição.

Faixas: Chapter One: Ashes To Ashes... 1:54 Evil 6:13 Lust For Life 6:13 Victory (Creature Of The Night) 6:51 Chapter Two: Illusion Part I 2:08 Illusion Part II (The Call Of The Wild) 5:02 The Ritual 0:57 Keepers Of The Earth 6:15 Miracle (2003 Version) 9:08 Chapter Three: Fight For Deliverance 6:57 Hands Of Darkness 5:33 Kingdom Come 8:11 ...Dust To Dust 4:51 Banda: Ben Sotto: Vocals, Keyboards Charley Corbiaux: Guitars Pierre-Emmanuel: Pélisson Bass Maxence Pilo: Drums Frédéric Leclercq: Guitars

Resenha Space Fantasy Álbum de Isao Tomita 2015

 

Resenha

Space Fantasy

Álbum de Isao Tomita

2015

CD/LP

Nos seus últimos anos, Tomita digitalizou a sua orquestra de sintetizadores, que incluía famosos instrumentos analógicos dos anos 1970, e voltou a arranjar música clássica, resgatando os timbres bizarros que lhe trouxeram fama como o homem do "som espacial". Este álbum é uma remontagem de "Kosmos", que saiu em 1977, só que acrescido de, entre outras coisas, "O Aprendiz de Feiticeiro" de Dukas, três movimentos de "O Quebra-Nozes" de Tchaikovsky e um da "Sinfonia nº 6 Pastoral" de Beethoven. 

Quem conhece bem Walt Disney vai sacar imediatamente que essa seleção se espelha em  "Fantasia", o filme musical de 1940. Convenientemente, Tomita já tinha gravado em 1977 uma versão de "Noite no Monte Calvo" de Mussorgsky, que também está presente no filme da Disney. 

Mas se o conceito deste álbum era recriar o repertório de "Fantasia" com uma abordagem retro-futurista, é lamentável que tenha deixado de fora o trecho de "A Sagração da Primavera" de Stravinsky por Tomita, cujo único registro disponível é do concerto ao vivo de Linz em 1984. Dava para terem aberto espaço tirando uma das faixas mais fracas de "Kosmos", como "Aranjuez" ou a lamentável cover pop do tema de "Star Wars".

Tiradas essas questões, este LP funciona como um substituto modernizado de "Kosmos", apesar de não apresentar a peça de Bach em sua totalidade, e também de parte de "The Bermuda Triangle", que contribui com duas peças de Prokofiev. Serve para apresentar uma nova geração de ouvintes à alucinada pompa wagneriana que Tomita punha em todas suas interpretações sinfônicas com sintetizadores. Embora as peças recentes sejam sonicamente coerentes com as antigas, elas não empolgam tanto, pois a opção nelas foi de não se desviar demais das originais. 

Destaque

Genocide Association

Genocide Association  ! Banda? Não! Projeto? Não! Piada? Sim! Resumindo, tudo aconteceu em 1983 em Nottingham. Digby "Dig" Pearson...