Pérola formada na Inglaterra, o grupo Sunshine teve curto período de atividade. O sexteto, composto por quatro homens e duas mulheres, chegou a lançar um LP e abrir um show para Geno Washington, ambos em 1972, mas não conseguiu sucesso e logo no ano seguinte se desfez. Vários membros integraram outras importantes bandas inglesas na época, como Renaissance, T. Rex, The New Seekers, The Pretty Things e outras. O álbum de mesmo nome foi lançado uma única vez em 72, pela Warner. É composto por 9 faixas influenciadas por funk, rock e R&B, com várias baladas e momentos comerciais. Os vocais aparecem bem, revezando masculinos e femininos e o instrumental é tranquilo, na maioria do tempo acústico com violão, piano e percussão. Destaque para "Advert", "When Will I See The Light" e "Relics". Nada de especial, mas ainda interessante para fãs de funk/ pop rock e R&B.
Terry Slade (bateria, percussão) Gordon Edwards (guitarra, teclados, vocal) Ethel Coley (vocal, percussão) Joanne White (vocal) Jack Green (guitarra) Peter Oliver (violão, vocal)
01 Sing Your Song 5:50 02 Long Haired Lady 4:15 03 Landscape And Return 3:08 04 Advert 3:08 05 If You'll Be My Lady 4:05 06 When Will I See The Light 5:00 07 It's Over 5:08 08 Relics 4:09 09 Leeds - Ever So Lightly - If You'll Be My Lady 6:15
Pérola obscura vinda da Irlanda, formada em meados dos anos 70. O grupo The Irish Bahá'ís surgiu em uma comunidade Bahá'í na cidade de Galway, seus membros são desconhecidos e realizaram apenas esse raro álbum em 1978 pela pequena Hyacinth Records. Peace Will Shine é composto por 12 curtas faixas que tem como tema os princípios da fé Bahá'í, como Deus, paz, amor e espiritualidade. Aos vocais (todos masculinos) são acompanhados um folk bastante tranquilo, acústico e bonito, com leves influências de country e rock psicodélico (nas músicas "Right On Brother" e "Tara". A parte instrumental conta com violões, bandolim, flauta, bateria e baixo.
01 Alláh’u’ Ábha 02 Right On Brother 03 Healing Prayer 04 Waves Of One Sea 05 The Báb 06 Blessed Is The Spot 07 Hidden Word 08 Lonely Faces 09 Tara 10 Work Together 11 A Question Of Life 12 Peace Will Shine
Pérola vinda da Bélgica, da capital Bruxelas. Esse é único compacto do grupo Kleptomania com o nome Klepto, já na fase final da banda (que na época ainda não tinha lançado seu único LP), em 1975. No ano seguinte alguns membros continuaram e formaram o Grant, que também não conseguiu sucesso. As duas músicas aqui presentes ainda saíram como bônus na nova versão do disco Elephant Lost, em 2006.
Ambas as faixas são curtas e cantadas em inglês. "Rock'n Roll" traz um som animado com influências de boogie e hard típico dos anos 70, já "Don't Tell Lies" é uma balada mais calma, contando com ótimo trabalho de guitarra e passagens de violão e piano.
Banda do Texas, EUA. Formada em 1970 só por jovens universitários, a banda teve vida curta, lançando um único álbum no ano seguinte e se desfazendo pouco tempo depois, sem deixar rastro. Creation a Child traz uma mistura envenenada de rock psicodélico com blues, guiada pelo excelente trabalho nas guitarras e vocal de William Grate. Um excelente álbum que na minha opinião não tem nenhum música ruim, altamente recomendado. MUSICA&SOM
William Grate (guitarra, vocal) James Castillo (baixo) Frudy Lianes (bateria) Richard Deleon (guitarra, vocal)
01 Cruising - 3:48 02 Joy - 6:22 03 Marriage - 3:35 04 Creation A Child - 6:53 05 Just A Man - 3:15 06 We Can Make It, Luv - 2:30 07 Not Mine - 3:29 08 Where Is She - 3:36 09 Mythical Dream - 4:54
Banda Americana que se formou em 1963 no estado de Illinois, que gravou as faixas dessa álbum nos anos de 68/69, mas que só foi lançado em 1972. O álbum Everlasting Tributes é uma mistura de Hard rock com blues que contem faixas de alta qualidade. Destaque para o cover I´m Not Like Everybody Else e It All Ends. Banda recomendada!!
Segundo o site deles, os caras voltaram agora em 2010 no Champaign Music Festival cantando as músicas do final da década de 60
George Faber (vocals, harmonica) Garret Oostdyk (guitar) Tabe (bass) J. Michael Powers (drums, percussion)
01 - Who´s Been Talkin´ - 4:31 02 - Swelling Waters - 3:59 03 - Outcast - 2:41 04 - I´m Not Like Everybody Else - 4:49 05 - Hooked - 4:16 06 - Once I Was A Boy - 4:36 07 - It All Ends - 4:04 08 - Restrictions - 3:35
A banda Pink Floyd é um dos mais importantes e influentes nomes da história do rock. Com mais de 250 milhões de discos vendidos, a banda inglesa notabilizou-se pelos álbuns com capas enigmáticas, shows com cenários gigantescos, produções muito bem elaboradas e pelo experimentalismo musical. No entanto, a história da banda não foi marcada apenas pelo sucesso e pelo cuidado com a produção artística dos discos e dos concertos. É marcada também por conflitos de egos, batalhas judiciais e expulsões de membros da banda. Todas essas particularidades envolvendo o relacionamento dos membros do Pink Floyd acabaram se refletindo nos álbuns que a banda gravou ao longo de sua carreira. Confira 10 discos essenciais do Pink Floyd, e que de alguma forma, ajudam a compreender a história e o que representa a banda para o rock.
The Piper At The Gates Of Dawn (EMI/Columbia, 1967).O álbum de estreia do Pink Floyd teve a sua concepção gestada na mente conturbada de Syd Barret (1946-2006), guitarrista, vocalista e autor da maioria das faixas do álbum. Todo o conceito estético e musical, e as letras cheias de fantasia e referências literárias foram fruto da imaginação Barret, alimentada pelo uso de LSD. O consumo excessivo do alucinógeno o deixou dependente e atrapalhando seus compromissos profissionais, o que acabou forçando a sua saída da banda. Destaque para a psicodelia espacial de “Astronomy Domine” e para a viagem cósmica de “Interstellar Overdrive”.
Atom Heart Mother (Harvest, 1970). Atom Heart Mother ainda guarda alguma relação do Pink Floyd com o rock psicodélico, mas marca um processo de transição da banda inglesa para o rock progressivo. A faixa título e seus 23 minutos é uma miscelânea de referências trazendo ruído de motor de motocicleta, coro, orquestra, lembrando o que algumas bandas psicodélicas faziam no auge da psicodelia no final dos anos 1960. Outros destaques do álbum são “If” e “Summer’68”. Com uma curiosa imagem de uma vaca, a capa do álbum não traz título e nem o nome da banda, uma estratégia que seria adotada por outras bandas de rock nos anos 1970 como o Led Zeppelin em seu Led Zeppelin IV, em 1971.
Meddle (Harvest, 1967). Conhecido como o “disco da orelha debaixo d’água”, Meddle marca a conversão definitiva do Pink Floyd ao rock progressivo, pavimentando o caminho do grupo inglês rumo à galeria dos gigantes do rock. Abrindo o álbum, “One Of These Days”, uma das mais fantásticas músicas instrumentais do repertório do Pink Floyd. “A Pillow Of Winds” é uma bela balada acústica e que traz um relaxante slide guitar executado por David Gilmour. “Fearless” é um folk rock calmo e tranquilo. Mas a grande faixa do álbum, tanto em tamanho quanto em importância é “Echoes”, que com os seus 23 minutos de duração, ocupa todo o lado B do disco. Contudo, seu tamanho “quilométrico” não impediu que estivesse entre as mais executadas nos concertos do Pink Floyd e caísse no gosto dos fãs.
Obscured By Clouds (Harvest, 1972). Um dos trabalhos mais subestimados do Pink Floyd. Trilha sonora do filme francês La Vallè, deBarbet Schroeder, Obscured By Clouds foi produzido durante os intervalos de gravação do álbum Dark Side Of The Moon. Foi gravado num curto espaço de tempo, mas isso não comprometeu no resultado final, muito pelo contrário. Obscured By Clouds tem grandes momentos como as “viajantes” “Childhood's End”, “Where You’re In” e a faixa-título, o hard rock “The Gold It's In The...” e as baladas “Wot’s… Uh The Deal” e “Stay”.
Dark Side Of The Moon (Harvest/EMI, 1973). Dark Side Of The Moon começou a ser pensado logo após o lançamento do álbum Meddle (1971), e a princípio se chamaria Eclipse. A banda compôs as faixas e as executava nos shows antes mesmo de gravar o álbum para testar a receptividade do público. Dark Side Of The Moon foi produzido ao longo de sete meses nos estúdios Abbey Road, em Londres, com o que havia de melhor em termos de tecnologia de gravação na época. Os temas abordados pela banda no álbum como loucura (“Brain Damage”), ganância (“Money”), brevidade da vida (“Time”), medo da morte (“The Great Gig In The Sky”), diferenças entre as pessoas (“Us And Them”) são atemporais, e mostram que Dark Side Of The Moon continua atual. O álbum fez um enorme sucesso e foi a consagração do Pink Floyd. Com mais de 50 milhões de cópias vendidas ao longo do tempo, é o 3º álbum mais vendido da história da indústria fonográfica.
Wish You Where Here (Harvest/Columbia, 1975). Wish You Where Here teve a árdua tarefa de suceder o mitológico Dark Side Of The Moon. A ganância, a manipulação e o lucro desenfreado das grandes corporações da indústria fonográfica são abordados em faixas como “Welcome To The Machine” e “Have A Cigar”. “Shine On You Crazy Diamond” e a faixa-título, são dedicadas a Syd Barret, ex-membro e fundador do Pink Floyd, que estava mergulhado numa profunda loucura. A faixa-título foi o grande hit do álbum.
Animals (Harvest/Columbia, 1977). A partir de Animals, Roger Waters começa o seu processo de domínio sobre o Pink Floyd, e que resultaria no fim da banda seis anos mais tarde. Todas as faixas foram compostas por Waters, exceto “Dogs”, uma parceria dele e David Gilmour. Animals teve como inspiração o livro A Revolução dos Bichos, de Geroge Orwell, lançado em 1945, e discute a desigualdade social e o capitalismo selvagem. A capa do álbum mostra a Usina Termelétrica de Batthersea, de Londres, e um porco inflável sobrevoando entre as chaminés da usina. A turnê de Animals foi proporcional ao gigantismo a que o Pink Floyd havia chegado, e cercada de muitos tumultos. A idolatria descontrolada dos fãs durante a turnê de Animals chocou Roger Waters e o motivou a discutir esse tema no álbum seguinte do Pink Floyd, The Wall .
The Wall (Harvest/Columbia, 1979), Pink Floyd.A turnê do álbum Animals (1977), deixou o baixista Roger Waters horrorizado com a idolatria desenfreada dos fãs do Pink Floyd, com os shows e as estruturas gigantescas em estádios lotados e com o estrelato a que a banda havia chegado. Tal situação de pavor inspirou Waters a criar o conceito do próximo álbum do Pink Floyd, The Wall, contando a história de Pink, um rock star que rebela-se contra o seu próprio público fanático e com a vida de astro do rock, culpando a superproteção da mãe, a ausência do pai (morto numa guerra) e as drogas pelas suas frustrações; isola-se de tudo e de todos atrás de um muro imaginário, daí o título do álbum. Para desenvolver a história do personagem fictício nas canções do álbum, Waters inspirou-se na sua própria vida (seu pai morreu na 2ª Guerra Mundial, deixando a esposa grávida dele) e um pouco na de Syd Barret (onde entra aí a vida conflituosa de Pink como astro do rock). O álbum inspirou o filme Pink Floyd – The Wall, de Alan Parker, lançado em 1982. “Another Brick In The Wall, Part 2”, “Comfortably Numb”, “Run Like Hell” e “Hey You” foram os hits deste álbum duplo.
The Final Cut (Harvest/Columbia, 1983). Último álbum do Pink Floyd com Roger Waters como membro da banda, The Final Cut divide opiniões: há quem goste, há quem deteste. O álbum já é polêmico por não trazer o tecladista Richard Wright que foi praticamente expulso da banda durante as gravações de The Wall, em 1979. A relação entre Waters e David Gilmour estava bastante tensa durante a produção de The Final Cut. Devido ao total controle de Roger Waters na condução do álbum, alguns apontam que The Final Cut estaria mais para um trabalho solo do baixista do que para um álbum do Pink Floyd. O disco faz referência à 2ª Guerra Mundial - da qual o pai de Waters participou – o que o aproxima de The Wall, ou mesmo seria uma continuação deste. Faz referência também à Guerra das Malvinas, conflito que envolveu Inglaterra e Argentina, em 1982.
The Division Bell (EMI/Columbia, 1994). Considerado o melhor álbum do Pink Floyd pós-Roger Waters, The Division Bell divide opiniões assim como The Final Cut. Enquanto algumas opiniões acreditam que The Division Bell é relevante, outras acham o álbum chato e datado. O título do trabalho faz referência à campanhia usada no Parlamento Britâncio quando há votações e que requer debates. Baseado nisso, The Division Bell trata do diálogo, da troca de comunicação, ou da falta dela. Diferente de A Momentary Lapse Of Reason, disco que marcou a volta do Pink Floyd em 1987 sem Roger Waters, em The Division Bell, o tecladista Richard Wright participou de todo o processo criativo do álbum, coisa que não aconteceu no disco anterior devido aos entraves judiciais que o impediram de participar como membro oficial do Pink Floyd durante concepção de A Momentary Lapse Of Reason, provavelmente consequências da sua expulsão da banda em 1979 movida por Roger Waters. Merecem destaque em The Division Bell as faixas “Take It Back”, “High Hopes” e “Lost For Words”.
Marina Lima começou a carreira artística em meados dos anos 1970 como compositora. Em 1977, teve uma de suas canções, “Meu Doce Amor”, gravada por Gal Costa para seu álbum Caras & Bocas. Naquele mesmo ano, Marina assinou contrato com a gravadora Warner, que estava se instalando no Brasil. Porém, só veio lançar o seu primeiro álbum, Simples Como Fogo, em 1979, e no qual já firmara parceria com o seu irmão, o poeta Antônio Cícero, nas composições, parceria essa que se tornaria frequente em toda a sua carreira.
No momento em que lançava o seu disco de estreia, Marina estava integrando uma nova geração de cantoras que despontava naquele ano de 1979 na música brasileira, e da qual se destacaram também Ângela Ro Ro, Zizi Possi, Joanna, dentre outras. Marina ainda usava apenas o seu nome de batismo. Só viria a fazer uso do seu sobrenome, Lima, somente a partir do começo dos anos 1990.
Em 1980, trocou de gravadora, deixou a Warner e foi para Ariola, através da qual lançou naquele ano o seu segundo disco, Olho Felizes, que trouxe o primeiro grande sucesso da carreira de Marina, “Nosso Estranho Amor”, canção em que ela faz dueto com Caetano Veloso. Seguem-se mais dois álbuns pela Ariola, Certos Acordes (1981) e ...Desta Vida, Desta Arte...(1982), ambos, assim como os dois primeiros álbuns, com modesta repercussão perante o público e a crítica.
Marina Lima no final dos anos 1970: início de carreira como cantora.
A grande virada na carreira de Marina acontece quando ela deixa a Ariola em 1983 e assina com a gravadora Polygram. Pela nova companhia, Marina lança em 1984 o seu quinto álbum, Fullgás, trabalho que se tornou um divisor de águas na carreira da cantora e que moldaria o seu estilo musical, influenciado os seus discos posteriores.
Se nos quatro primeiros discos, o trabalho musical de Marina era muito amparado na MPB, com algumas “pinceladas” de música pop, em Fullgás a cantora assume completamente a sua vocação para música pop e o rock. Fullgás é um álbum pop por excelência, e mostra a música de Marina mais contemporânea, dançante e elegante, características que se tornariam uma marca do trabalho dela a partir de então. Essa orientação pop de Fullgás contou com o apoio de figuras importantes como Lulu Santos e Lobão, além do músico e produtor Liminha, dos tecladistas Ricardo Cirstaldi e Niko Rezende. A produção ficou a cargo de João Augusto.
Lobão em 1984, quando integrava a banda Lobão & Os Ronaldos: amizade e parceria com Marina Lima.
O que diferenciou Fullgás dos álbuns anteriores foi o emprego dos sintetizadores e baterias digitais programadas, que deram ao álbumum caráter pop contemporâneo, fazendo Marina flertar com o synthpop e a new wave.
A faixa que dá nome ao álbum é quem abre o disco, e é identificado pelos críticos musicais brasileiros como o que se poderia chamar de um exemplo de pop perfeito. “Fullgás”, a música, tem no seu título - e que também nomeia o álbum - um trocadilho de palavra em português “fugaz” (algo breve, rápido, efêmero) com a expressão em inglês “full gas” (“a todo vapor”). A música é um pop moderno e dançante, traz na sua base rítmica o emprego de uma bateria digital programada, a Oberheim DMX, a cargo de Liminha, músico e produtor.
“Pé na Tábua”, a faixa seguinte, é uma versão em português feita por Antônio Cícero para “Ordinary Pain”, canção de Stevie Wonder e gravada originalmente por ele no seu álbum Songs In The Key Of Life, de 1976. Pop romântico, “Pé na Tábua” conta com Lobão, velho amigo de Marina, nos vocais de fundo. Lobão havia sido baterista da banda de Marina por volta de 1981, quando também exercia essa mesma função na banda Blitz.
"Ordinary Pain", canção de Stevie Wonder, ganhou uma versão em português gravada por Marina para o álbum Fullgás.
As idas e vindas de um amor são o tema de “Pra Sempre E Mais Um Dia”. “Ensaios de Amor” traz uma linha de baixo robusta, marcante e discreta, fazendo dupla com uma bateria digital programada.
“Mesmo Que Seja Eu” fecha o lado A do álbum, uma música de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, gravada originalmente por Erasmo em 1983. A versão de Marina ganhou uma conotação totalmente inesperada ao virar um hino libertário lésbico. A versão de Marina para “Mesmo Que Seja Eu” é um pop rock que se diferencia da maioria das faixas de Fullgás por fazer pouco uso de sintetizadores, ficando a faixa amparada no baixo, guitarra e bateria.
O lado B de Fullgás começa com outra regravação, “Me Chama”. Composta por Lobão, “Me Chama” foi gravada pela banda Lobão & Os Ronaldos como uma balada romântica, e foi uma das músicas mais tocadas nas rádios brasileiras em 1984. Na versão de Marina, “Me Chama” virou um pop rock dançante, e contou com o próprio Lobão na bateria, além de Liminha no baixo.
Detalhe da capa do compacto (single) de "Me Chama", sucesso de Lobão & Os Ronaldos regravado por Marina Lima.
“Mesmo Se O Vento Levou” trata sobre o amor que acabou, mas aborda o assunto de maneira leve, sem dramas e lamentações (“Mas nós dois / Eu vou lembrar / Vou sim / Mesmo se o vento levou / Isso vai ficar em mim”). O ritmo na audição do álbum é quebrado por “Cícero e Marina”, um poema recitado por Antônio Cícero e Marina, sem acompanhamento musical, apenas as vozes dos dois irmãos.
“Veneno”, versão em português feita por Nelson Motta a partir de uma canção italiana, “Veleno”, é uma das mais belas canções gravadas por Marina. A canção carrega nos arranjos e na letra, uma bem equilibrada dose de romantismo, sensualidade e erotismo: “Veneno / Cor-de-rosa suave e moreno / Nestes seios tem todo o veneno / Que você chama amor”.
“Mais Uma Vez”, uma parceria de Lulu Santos e Nelson Motta, é uma das faixas mais interessantes do álbum. A bateria digital programada cria uma batida funk eletrônica e que aproxima a música ao que se produzia do som hip hop na época que emergia no cenário pop mundial naquele momento. Participações especiais de Lulu Santos na guitarra e de Léo Gandelman no saxofone. “Mais Uma Vez” traz um dado curioso: a música possui um pequeno trecho sem áudio entre o verso “Um amor...” e “Ou razão, ou motivo”. Mas o que parece ser uma falha de gravação, na verdade foi um ato de censura à palavra tesão, mesmo após a canção ter sido gravada. As cópias do disco foram vendidas com essa “falha”. Em 1984, o Brasil vivia ainda sob um regime de governo ditatorial, onde tudo tinha o crivo da censura. O mais intrigante, no entanto, é que mesmo após o fim da ditadura, esse pequeno trecho sem áudio persistiu nos relançamentos de Fullgás, até mesmo nas versões do álbum para streaming. O verso com a inclusão da palavra censurada é “Um amor, um tesão / Ou razão, ou motivo”.
Irmãos na vida e na arte: o poeta Antônio Cícero durante a cerimônia de posse na Academia Brasileira de Letras, acompanhada de sua irmã, a cantora Marina Lima, em março de 2018.
Encerrando o álbum, “Nosso Estilo”, uma parceria de Lobão, Marina e Antônio Cícero. Com influência da new wave, “Nosso Estilo” é dançante, possui sintetizadores e bateria programada fazendo a base sonora. Lobão faz nesta faixa mais uma participação especial nos vocais de fundo.
Fullgás foi um grande sucesso comercial, vendendo pouco mais de 250 mil cópias. Praticamente metade do álbum ganhou as rádios e programas de TV. Do álbum, a faixa que mais foi executada em rádio foi a faixa-título. Contudo, “Mesmo Que Seja Eu”, “Me Chama”, “Veneno” e “Pé Na Tábua”, fizeram também sucesso perante o público. O bom êxito comercial do álbum fez Marina circular todo o Brasil numa grande turnê, indo nos lugares mais distantes do país, coisa que não havia acontecido nos álbuns anteriores. O álbum deu à cantora grande visibilidade, e mostrou a ela o caminho orientado para o pop que ela trilharia nos álbuns seguintes e que a transformariam numa das mais importantes cantoras da história da música pop brasileira.
Faixas
Lado A
"Fullgás" (Marina Lima - Antônio Cícero)
"Pé Na Tabua (Ordinary Pain)" (Antônio Cícero - Sergio de Souza - Stevie Wonder)
"Pra Sempre e Mais Um Dia" (Marina Lima - Antônio Cícero)
"Ensaios De Amor" (Marina Lima - Ana Terra)
"Mesmo Que Seja Eu" (Roberto Carlos - Erasmo Carlos)
Lado B
"Me chama"(Lobão)
"Mesmo Se O Vento Levou" (Marina Lima - Antônio Cícero)
"Cícero E Marina" (Antônio Cícero)
"Veneno (Veleno)" (Nelson Motta)
"Mais Uma Vez"(Nelson Motta - Lulu Santos)
"Nosso Estilo" (Lobão - Marina Lima - Antônio Cícero)