quinta-feira, 16 de março de 2023

“Mais Podres Do Que Nunca” (Rocket, 1985), Garotos Podres

 


A banda Garotos Podres surgiu no final de 1982, em Mauá, cidade do ABC Paulista, grupo de municípios com grande vocação industrial e que faz parte da região Metropolitana de São Paulo. Naquela época, o movimento punk na capital paulista estava em plena ebulição, e isso acabou se irradiando por toda a cidade e nos municípios vizinhos dentre eles, a cidade natal dos Garotos Podres. A região era um ambiente propício para o movimento punk brotar em São Paulo, em meio a greves de operários que buscavam os seus direitos, melhores condições de trabalho e sobrevivência, numa época em que o Brasil ainda estava sob uma ditadura militar.

Liderada pelo vocalista Mao, a banda fez a sua primeira apresentação pública na cidade de Santo André, vizinha a Mauá, num evento promovido pelos metalúrgicos para o fundo de greve daquela categoria, e que reuniu diversas bandas.  

Após várias apresentações no circuito punk paulista, os Garotos Podres entraram em um estúdio de oito canais em São Paulo em 1985 para gravar uma fita demo, sob a produção de Redson Pozzi (1962-2011), então vocalista e guitarrista da banda Cólera, um dos principais nomes do punk rock brasileiro. Como o resultado da fita ficou acima do que esperavam, decidiram lançar aquele material como um álbum. Das 14 músicas gravadas para a fita, 11 foram selecionadas o álbum de estreia.

A banda Garotos Podres no começo de carreira.

Naquele mesmo ano, o selo independente lançou Mais Podres do Que Nunca, fruto daquele material que a princípio, seria para a gravação de uma fita demo. Em 1986, foi lançada um segunda edição do álbum, só que através de um outro selo, o Lup Som.

Como todo disco punk, Mais Podres do Que Nunca foi gravado com limitações técnicas. As canções são simples e diretas nas suas mensagens, sem rodeios, e o som é cru e se sem firulas. Percebe-se uma banda que apesar das pouca técnica, musical, demonstra raiva, muita vontade dizer aquilo que acreditava. Para compensar a falta de destreza em solos de guitarra, a banda compensa com solos toscos de gaita. No caso dos Garotos Podres, havia uma qualidade há mais: a irreverência.

Boa parte das músicas do repertório que compõem o álbum, eram bastante conhecidas do público punk antes da gravação do álbum. No entanto, algumas delas sofreram censura, foram proibidas de serem tocadas no rádio como “Johnny” e “Vou Fazer Cocô”. Outras, a banda tomou a iniciativa de mudar a letra justamente para driblar a censura como “Papai Noel Velho Batuta” e “Maldita Preguiça”.

O álbum começa com “Não Devemos Temer”, letra que guarda uma certa ingenuidade, mas que é direta, e tem como alvo aqueles que têm o poder econômico. “Johnny”, a faixa seguinte, conta a história de um punk que aterrorizava Londres, mas que quando foi capturado, preferiu a morte a ser extraditado para o Brasil. “Insatisfação” trata sobre violência, protestos, guerras e da insatisfação humana: “Greves no ABC / Guerra no Oriente Médio / Os dias estão passando / E não descobrem o remédio”.

“Maldita Preguiça” originalmente se chamava “Maldita Polícia”, foi uma das músicas que tiveram a sua letra alterada propositalmente pela banda para driblar a censura. Percebe-se no entanto, que a letra talvez não tenha sido alterada tanto assim e que talvez apenas o título tenha sido mudado. Se mantivessem o antigo título que está presente nos versos da música, seria uma crítica direta à polícia e a sua postura supostamente servil de instrumento de repressão e de terror do poder político. “Eles são dos donos da política / dividem e alienam o povo / Porém, a única arma / É o medo”.

Em “Vou Fazer Cocô”, a banda critica de maneira irreverente e escatológica, os políticos que fazem mil promessas nas campanhas eleitorais durante os horários políticos na TV: “Enquanto você promete / vou fazer cocô”. Os Garotos Podres destacam em “Anarkia Oi!” que o indivíduo consciente e politizado “representa o perigo ao poder”. Alienação e consumismo são temas tratados em “Eu Não Sei o Que Quero”.

“Papai Noel Velho Batuta” foi outra faixa que teve o seu título alterado. Trocaram “filho da puta” por “velho batuta”. A música é uma crítica ao capitalismo, ao consumismo e às diferenças de classes sociais. A banda propõe a morte do “bom velhinho”: “Papai Noel velho batuta / Rejeita os miseráveis / Eu quero matá-lo! / Aquele porco capitalista”. A exploração da mão-de-obra operária é o tema de “Miseráveis Ovelhas”, enquanto que a liberdade de expressão é abordada em “Liberdade (Onde Está?)”.

Fechando o álbum, “Führer”, a música mais polêmica e controversa da carreira dos Garotos Podres. Por causa dela, a banda paulista foi acusada de antissemitismo. Contudo, o vocalista Mao por diversas vezes rebateu essas acusação afirmando que quando compôs “Führer”, quis criticar o exército israelense no que ficou conhecido como “Massacre de Sabra e Chatila”, em setembro de 1982, no Líbano. Um grupo de milicianos cristãos apoiados pelo exército de Israel, provocou um massacre de refugiados palestinos nos campos de Sabra e Chatila, localizados no subúrbio de Beirute, capital libanesa. Estima-se que entre 800 a 2.000 civis palestinos morreram. Segundo Mao, a ideia da música era mostrar que o ato genocida em que o exército israelense foi cúmplice, não se diferenciava aos massacres promovidos pelos nazistas contra os judeus na Segunda Guerra Mundial (1938-1945).

A chacina ocorrida em Beirute, no Líbano, em setembro de 1982, e que ficou conhecida como
“Massacre de Sabra e Chatila”, serviu de inspiração para os Garotos Podres escreverem
a polêmica e controversa música "Führer"

Comercialmente, Mais Podres do Que Nunca surpreendeu a todos, inclusive à própria banda. O álbum vendeu 50 mil cópias, um índice alto em se tratando um disco punk lançado por uma banda brasileira e através de um selo independente. O disco não só popularizou a banda na cena punk nacional como também chegou a ter algumas de suas faixas executadas em rádios comerciais. “Papai Noel Velho Batuta” caiu no gosto popular, ficando conhecida até pelo público que não era punk, tornando o maior hit da carreira dos Garotos Podres.

O bom êxito comercial do álbum de estreia dos Garotos Podres chamou a atenção da gravadora Continental que contratou o grupo paulista. Com uma estrutura melhor uma produção um pouco mais apurada, os Garotos Podres lançaram em 1988, o segundo álbum, Pior Que Antes. A versão em CD de Mais Podres do Que Nunca lançada em 1995, trouxe uma faixa-bônus, "Meu Bem".

Em 2012, já com trinta anos de carreira, alguns mudanças de formação, e então com cinco álbuns de estúdio no currículo, os Garotos Podres passaram pela sua maior crise e que causou um racha no grupo por motivos ideológicos. O baixista Sukata e o baterista da época, Leandro Caverna, haviam tomado um posicionamento mais voltado para a direita e mais conservador, o que de uma certa forma, era uma contradição com o própria história dos Garotos Podres.

Com o rompimento, Mao tratou rapidamente de registrar o nome da banda, já que foi o membro fundador do grupo. Sukata só havia entrado em 1984, dois anos após a banda ser formada. Iniciou-se uma batalha judicial, tendo Mao e o guitarrista Cacá Saffiott de um lado, e Sukata e Caverna do outro, que contavam com o apoio do antigo empresário dos Garotos Podres.

Detalhe da contracapa: fazendo um contraponto com a imagem do bebê branco e saudável, o fundo da
capa do álbum uma criança negra e famélica da Etiópia. 

A demora do processo de análise do registro permitiu que Sukata e Caverna formassem outra banda e se apresentassem usando o nome Garotos Podres. E o mais esquisito: se apresentavam defendendo uma ideologia de direita com posicionamentos conservadores que nada lembravam a postura transgressora e rebelde dos Garotos Podres originais.

Enquanto o processo se desenrolava na Justiça, Mao e Cacá continuaram a atuar com outros músicos tocando o repertório dos Garotos Podres, porém com outro nome, O Satânico Dr. Mao e os Espiões Secretos, evitando o risco de haver duas bandas com o nome Garotos Podres fazendo shows. Sukata insistiu em prosseguir com a versão “pirata” dos Garotos Podres, mas sem grande êxito: atuou sob esse nome até 2014, provavelmente porque não conseguiu atrair público já que não tinha o vocalista Mao à frente da banda.

No final de 2017, Sukata postou na sua página do Facebook que estaria encerrado as atividades dos Garotos Podres. Mao conseguiu finalmente recuperar judicialmente o direito de fazer uso da marca Garotos Podres. A banda O Satânico Dr. Mao e os Espiões Secretos assumiu o nome Garotos Podres, e sob o comando de Mao, pode tranquilamente se apresentar com esse denominação recuperada e amparado pela Justiça. Segundo Mao, O Satânico Dr. Mao e os Espiões Secretos eram os “Garotos Podres disfarçados”.  Além da carreira musical, Mao é também professor de História e possui dourado pela USP (Universidade de São Paulo).

Faixas

Lado A
  1. "Não Devemos Temer"
  2. "Johnny"
  3. "Insatisfação"
  4. "Maldita Preguiça"
  5. "Vou Fazer Cocô"
  6. "Anarkia Oi!"

Lado B
  1. "Eu Não Sei o que Quero"
  2. "Papai Noel Velho Batuta"
  3. "Miseráveis Ovelhas"
  4. "Liberdade (Onde Está?)"
  5. "Führer"


Todas as faixas foram compostas por Mauro, Mao e Sukata.

Garotos Podres: Mao (vocal), Mauro (guitarra e vocal), Sukata (baixo e vocal) e Português (bateria).


Ouça o álbum Mais Podres Do Que Nunca
na íntegra

Clã – Rosa Carne (2004)

Ao quarto disco de estúdio, os Clã resolveram reinventar-se. Ainda bem que assim foi. O resultado deu pelo nome de  Rosa Carne, o disco inesperadamente lírico que nem toda a gente soube ouvir e entender.

Sabemos bem que Rosa Carne foi um disco em contramão. Em 2004, o que se esperava era que a banda da cidade invicta desse ainda mais corda ao sucesso dos discos anteriores e repetisse, eventualmente, a receita desse triunfo recente. Assim não foi. Trocaram as voltas às expectativas e fizeram um álbum que deixou de boca aberta muitos dos seus seguidores. Não tanto de espanto e de agrado, talvez mais de estupefação e incredulidade. O que lhes aconteceu, afinal? O que foi feito da fúria que os levou a dançar, com sucesso, na corda bamba? A certas perguntas, uma única resposta, tantas vezes óbvia: quiseram seguir outro caminho. E assim foi com Rosa Carne.

O quarto longa duração da banda de Manuela Azevedo e companhia resolveu seguir outros caminhos, experimentar outras sonoridades, desenvolvendo um lado estético mais soturno, mas também mais requintado e estilizado. O disco desenrola-se como se de um novelo de fino material se tratasse, bem pensado, sem nós nem pontas soltas ou quebradiças. É um trabalho meticuloso. Apesar de ser longo (são catorze, os temas que o compõem), a ideia que fica é que nada nele existe em excesso, nada se desperdiça ou tende a sobrar, tudo se interliga de maneira segura e cómoda. Nunca, como nesse trabalho, os Clã pareceram tão adultos. Atingir a idade suprema do amadurecimento sem produzir um som chato, insípido e sobranceiro, não é para todos. Esse talvez seja o maior elogio que se pode fazer ao disco ainda hoje, passados mais de dúzia e meia de anos.

Rosa Carne é um disco com um universo lírico muito tenso, mas ao mesmo tempo bastante feminino. Transporta, a bem da verdade, uma sensualidade esquiva, intensa, esquisita, por vezes violenta. Para que assim fosse, uma autêntica constelação de estrelas disse sim à chamada, e as letras de Carlos Tê (obviamente), do ex-titã Arnaldo Antunes, de Sérgio Godinho (as afinidades e as amizades não costumam falhar), de John Ulhoa (dos ótimos Pato Fu , banda do país irmão do outro lado do Atlântico), de Adolfo Luxúria Canibal e ainda de Regina Guimarães (Três Tristes Tigres) foram excelentes contributos de qualidade a somar às composições de Hélder Gonçalves.

Não é tarefa simples ou fácil escolher as canções que mais se destacam em Rosa Carne. A coesão do disco, tanto melódica como rítmica (com uma ou outra exceção), é o principal travão a essa por vezes tão natural seleção. Se formos instados, mesmo assim, a designar algumas, talvez surjam “Competência Para Amar”, “Madalena em Contrição”, “Carrossel dos Esquisitos”, “Gordo Segredo”,  “Pas de Deux” e “Aqui na Terra” na dianteira. Talvez…

Rosa Carne continua a ser, de alguma maneira, um estranho objeto sonoro na já crescida discografia dos Clã. Fica-lhe bem essa singularidade, esse esgar desusado e áspero. Diz-se que o álbum se fez assim por via da banda sonora que os Clã fizeram para Nosferatu, o mítico filme de Murnau dos anos 20 do século passado. Talvez seja exagerada, essa influência. Enfim, isso também pouco ou nada importará. O certo é que o disco foi bastante bem recebido pela crítica (e ainda assim acontece, como se vê), embora algum do público granjeado através dos álbuns Kazoo e Lustro acabasse por lhe torcer o nariz. Talvez hoje, em retrospetiva, saibam dar o braço a torcer, reconhecendo-lhe os óbvios predicados. Nunca é fácil substituir a crueza do pop-rock pela delicadeza da orquestração. No entanto, por vezes até compensa.


Clã – Cintura (2007)


 

O quinto disco dos Clã, Cintura, tem sido criminosamente subestimado. A sua pop leve e colorida, risonha e dançante, é um dos momentos mais criativos da banda.

Os Clã não gostam de se repetir, cada disco novo é uma oposição ao anterior. Onde Rosa Carne era sombrio, difícil e denso, Cintura é soalheiro e descomplicado, desavergonhadamente pop. A secção rítmica é rainha e senhora, destacada na mistura, convidando-nos para dançar (uma celebração pagã do corpo e da vida). A própria guitarra de Hélder Gonçalves (ou baixo picollo, seja lá o que isso for) é usada muitas vezes de uma forma percussiva, com salpicos funk. As teclas são de feira, música de parque de diversões a inebriar-nos os sentidos, um aroma forte a farturas no ar. Tudo por aqui tem essa leveza de algodão doce, esse travo a mágica infância, essa vontade de girar e girar. Os arranjos são elegantes e inteligentes, ou seja, são os Clã.

Não houvera grandes canções, a colorida roupagem de nada lhes serviria. Acontece que as melodias são bonitas e trauteáveis (ideais para assobiar no chuveiro) e as palavras têm o selo de qualidade do costume (Carlos Tê, Arnaldo Antunes, Regina Guimarães e Adolfo Luxúria Canibal não sabem escrever maus versos).

A cintura do nome é fina, havendo aí continuidade com o também feminino Rosa Carne. A mulher retratada é, porém, diferente nas duas rodelas: Eva lasciva e assombrada em Rosa Carne, manchada pelo pecado original; mulher afirmativa em Cintura, mergulhando de cabeça na aventura da vida, sem culpas ou segredos que a atormentem.

Cintura tem outra particularidade: os seus singles não se destacam sobre os demais temas. Isto não é uma fraqueza: é apenas sinal de uma louvável consistência. Se o falso disco sound de “Tira a Teima” (primeiro single) é, de facto, primoroso (inesquecível quando Legendary Tigerman pega no megafone e faz de louco pregador), o não single “Pra Continuar” não lhe fica nada atrás, circular como um carrossel, rodopiando como uma criança feliz (que bonito é o seu coro de fundo dissonante à Philip Glass).

“Sexto Andar” – uma canção sobre as canções, elogiando o seu poder salvífico -, consegue traduzir em música a sensação de maravilhamento (até faz cócegas na espinha!). O Led-Zeppelin-III-esco “Amuo”, com a sua guitarra acústica tribal, tem um delicioso momento spoken word: a doçura de Fernanda Takai repetindo em eco a rouquidão de Manuela Azevedo.

Cintura é também um disco criminosamente subestimado. Quando se pergunta a um fã qual o seu “Clã” favorito, as respostas oscilam invariavelmente entre KazooLustro e Rosa Carne. O desgraçado do Cintura fica sempre esquecido, quando não lhes fica em nada atrás. Se este texto não servir para mais nada, além de um convite para ouvir de novo Cintura, já valeu a pena escrevê-lo. O seu encanto virá ao de cima.


Clã – Disco Voador (2011)


 

Os Clã dedicaram o seu sexto disco às crianças. A crítica é dedicada ao Xerife, o meu super-herói favorito, o maior de “asas nos pés”.

Discos infantis são terreno pantanoso, campo de retorno normalmente reduzido, mas fértil em perigos. Uma aventura em que é fácil cair no ridículo, em que o esquecimento é o desfecho mais frequente, uma aventura de que raramente ficam grandes recordações entre os que pagam discos, serviços de streaming ou bilhetes de concertos. Entre os mais novos? Ainda mais complicado. Esses prendem-se nos ritmos, nos refrões orelhudos, preferencialmente, acompanhados por desenhos coloridos. Vale tudo, podem ser cães feitos polícias ou aviões capazes de cumprir missões, mais ou menos arriscadas, de transformar asas em braços e trem de aterragem em pernas.

E eu, que nunca fui freguês de discos infantis (vou resistir à ideia de fazer piadas com os Vampire Weekend) e que nem descendência assegurei, como sei isto? É Xerife de seu nome, bailarino por vocação, prenda da minha irmã e do meu cunhado para o Mundo e, prevejo, com tendência para o hip hop – os Clã que me desculpem, mas nada o faz dançar como Os Tais, do Carlão. Ainda assim, suspeito, que gostará quando lhe apresentar o Disco Voador dos Clã. E a experiência antevê-se tão divertida quanto pedagógica.

Os primeiros segundos de “Amigo do Peito” asseguram que começa a habituar os ouvidos ao rock mais dançante. Logo depois, recebe o primeiro dos ensinamentos para os primeiros anos de liberdade, aquele momento em que a minha irmã, por mais que lhe custe, vai começar a soltar a corda e, no sentido inverso, os pensos rápidos começarem a ser companhia mais frequente – em “Paf Puf” sucedem-se percalços, dos bons, dos que se resolvem com imaginação, afinal “sangue é ketchup” e “chão? Que se lixe”. Segue-se outro aviso (“Embeiçados”), daquelas dores de crescimento, tão inevitáveis, como boas de superar – mal sabe o Xerife que o amor é cego ao ponto de nos podermos apaixonar até por gente “intriguista e moralista”, de “boca torta” e “nariz grande”. Mais à frente, logo os Clã lhe ensinam como se podem amar pessoas de todos géneros, indumentárias, cores e feitios. Da minha parte, agradeço e prometo afastar os papões que tornam o escuro assustador. Mas desses trato eu.

Em Disco Voador há canções, provavelmente, pensadas nos pais e na delicada hora de tentar adormecer as feras, as de embalar. Com o Xerife? Duvido que funcionem e, além disso, é sabido que os Clã sempre foram melhores a fazer-nos dançar do que a desligar. “Impaciente” e “Chocolatando” não duvido que dance sozinho, numa fusão entre a dança contemporânea e as moshadas a almofadas e sofás da sala, sempre a esbracejar ao jeito do Jet (ide ao Google, super-herói em forma de avião vermelho).

É assim o Xerife. Ao mínimo sinal de música, “salta sem parar”, como se tivesse “molas nos pés”, e tudo sem nunca ter ouvido “Asa Delta”, a música de Disco Voador a que nem adultos, nem cachopos resistem, a que assegura que o disco nunca cairá no esquecimento. Os Clã que lhe acertem o passo, eu tentarei acompanhar e dançaremos os dois, quanto mais não seja porque gostava de lhe roubar uns toques para quando reabrirem as pistas de dança para maiores de 18.

Há músicas sobre heróis e papões no escuro, sobre as maravilhas do chocolate e as dores dos desamores, em Disco Voador está uma infância como mandam as regras, as que nos salvam a vida, mas também as que nos garantem esfoladelas nos joelhos. “Nestas coisas de curtir, sou impaciente”, canta a grande Manuela Azevedo, sem conhecer a genica ou as birras do Xerife quando o “chamam à razão”. Afinal, sabe ele, “a vida está aí” para agarrar. Se esfolar? Cá estaremos para dar colo e, logo depois, voltar e a empurrar a bicicleta ou, no caso do Xerife, voltar a por música alto.


O Melhor do Rock em 1991 Playlist

 

Neste post, continuo a série de playlists abordando o rock em anos separadamente e aqui chegamos, na minha opinião, a um dos melhores anos do gênero, o ano de 1991. Nele, foram lançados muitos álbuns clássicos que serviram até como divisor de águas, como é o caso do "Nevermind" do Nirvana que levou o rock ao topo das paradas novamente, ajudando uma série de bandas a ficarem conhecidas como Pearl Jam, Soundgarden, Alice In Chains, entre outras. Pearl Jam que também teve seu debut lançado neste ano, sendo pra mim, seu maior trabalho até hoje. Falando de Metal, também podemos mencionar o clássico álbum auto entitulado do Metallica, também conhecido como "Black Album", que fez a banda ficar muito mais conhecida do que já era, tendo alguns de seus maiores sucessos nele. O Red Hot Chili Peppers também têm um de seus maiores álbuns lançados nesse ano que foi o "Bloodsugarsexmagik", fazendo a banda muito conhecida muito graças também ao single "Give it Away". O Guns N Roses também fez história ao lançar não um, mais dois álbuns ao mesmo tempo, os famosos "Use Your Illusion I e II", e conseguiram entrar simultaneamente nas paradas de sucesso emplacando várias músicas da banda. Mais abaixo você poderá ver músicas destes que citei e mais muitos outros álbuns em uma playlist especial. 



Músicas contidas na playlist:

Nirvana - Smells Like A Teen Spirit
Nirvana - Come As You Are
Pearl Jam - Alive
Pearl Jam - Even Flow
Soundgarden - Outshined
Soundgarden - Rusty Cage
Temple of the Dog - Hunger Strike
Metallica - Enter Sandman
Metallica - Wherever I May Roam
Guns N Roses - You Could Be Mine
Guns N Roses - Estranged
Skid Row - Wasted Time
Skid Row - Monkey Business
Lenny Kravitz - Always On The Run
Lenny Kravitz - It Ain't Over Till It's Over
Red Hot Chili Peppers - Give It Away
Red Hot Chili Peppers - Under The Bridge
R.E.M - Losing My Religion
R.E.M - Shiny Happy People
Ozzy Osbourne - No More Tears
Ozzy Osbourne - Mama I'm Coming Home
Van Halen - Right Now
Van Halen - Poundcake
U2 - One
U2 - Mysterious Ways
Queen - The Show Must Go On
Queen - These Are The Days Of Our Lives
Roxette - Fading Like A Flower (Every Time You Leave)
Roxette - Spending My Time
Bryan Adams - Everything I Do (I Do It For You)
Mr. Big - To Be With You
Spin Doctors - Two Princes
EMF - Unbelievable
Rush - Roll the Bones
Rush - Dreamline
Alice Cooper - Hey Stoopid
Alice Cooper - Feed My Frankenstein
Smashing Pumpkins - Rhinoceros
Smashing Pumpkins - I Am One
Hole - Teenage Whore
Infectious Grooves - Therapy
Pixies - Head On
Jesus Jones - Right Here, Right Now
Tom Petty & The Heartbreakers - Into The Great Wide Open
Tom Petty & The Heartbreakers - Learning To Fly
Blur - There's No Other Way
Genesis - I Can't Dance
My Bloody Valentine - Only Shallow
Primal Scream - Loaded
Primus - Jerry Was A Race Car Driver
Stevie Ray Vaughan and Double Trouble - The Sky Is Crying
Nirvana - In Bloom
Nirvana - Lithium
Nirvana - Drain You
Pearl Jam - Jeremy
Pearl Jam - Black
Pearl Jam - Porch
Soundgarden - Jesus Christ Pose
Metallica - Sad But True
Metallica - The Unforgiven
Metallica - Nothing Else Matters
Guns N Roses - November Rain
Guns N Roses - Don't Cry
Guns N Roses - Dust N Bones
Guns N Roses - Coma
Guns N Roses - Civil War
Guns N Roses - 14 Years
Guns N Roses - Yesterdays
Red Hot Chili Peppers - Suck My Kiss
Red Hot Chili Peppers - The Power of Equality
Red Hot Chili Peppers - Breaking The Girl
Lenny Kravitz - Fields of Joy
R.E.M - Radio Song
Skid Row - In A Darkened Room
Skid Row - Psycho Love
Ozzy Osbourne - Mr. Tinkertrain
Ozzy Osbourne - I Don't Want To Change The World
U2 - Even Better Than the Real Thing
Queen - Innuendo
Rush - Bravado
Roxette - Joyride
Van Halen - Runaround
Sepultura - Arise
Sepultura - Dead Embryonic Cells
Legião Urbana - Metal Contra As Nuvens
Legião Urbana - Montanha Mágica
Legião Urbana - Vento no Litoral
Legião Urbana - Teatro dos Vampiros
Titãs - Clitóris
Titãs - Saia de Mim
Capital Inicial - O Passageiro (The Passenger)
Capital Inicial - Kamikaze
Capital Inicial - Todas As Noites
Capital Inicial - Cai A Noite
Engenheiros do Hawaii - Piano Bar
Biquini Cavadão - Zé Ninguém
Biquini Cavadão - Vento, Ventania
Kid Abelha - Grand' Hotel
Kid Abelha - No Seu Lugar
Sarcófago - Midnight Queen


Álbuns de destaque:

Nirvana - Nevermind
Pearl Jam - Ten
Metallica - Metallica (Black Album)
Guns N Roses - Use Your Illusion I
Guns N Roses - Use Your Illusion II
Red Hot Chili Peppers - Bloodsugarsexmagik
Soundgarden - Badmotorfinger
Lenny Kravitz - Mama Said
Temple of the Dog - Temple of the Dog
R.E.M - Out of Time
Skid Row - Slave To The Grind
Ozzy Osbourne - No More Tears
U2 - Achtung Baby
Queen - Innuendo
Smashing Pumpkins - Gish
Alice Cooper - Hey Stoopid
Rush - Roll The Bones
My Bloody Valentine - Loveless
Primal Scream - Screamadelica
Pixies - Trompe Le Monde
Talk Talk - Laughing Stock
Slint - Spiderland
Van Halen - For Unlawful Carnal Knowledge
Death - Human
Tom Petty & The Heartbreakers - Into The Great Wide Open
Neil Young & Crazy Horse - Weld
Roxette - Joyride
Blur - Leisure
Dire Straits - On Every Street
Primus - Sailing The Seas of Cheese
The Jesus Lizard - Goat
Mudhoney - Every Good Boy Deserves Fudge
Dinosaur Jr. - Green Mind
Hole - Pretty On The Inside
Crowded House - Woodface
Genesis - We Can't Dance
Type O Negative - Slow, Deep & Hard
Tesla - Psychotic Supper
Morrissey - Kill Uncle
Jesus Jones - Doubt
Pennywise - Pennywise
Mr. Big - Lean Into It
Bryan Adams - Waking Up The Neighbours
Spin Doctors - Pocket Full of Kryptonite
Badlands - Voodoo Highway
Screaming Trees - Uncle Anesthesia
Teenage Fanclub - Bandwagonesque
Atheist - Unquestionable Presence
Overkill - Horrorscope
Iced Earth - Night of the Stormrider
Infectious Grooves - The Plague That Makes Your Booty Move...It's the Infectious Grooves
Stevie Ray Vaughan and Double Trouble - The Sky Is Crying
Ramones - Loco Live
Slayer - Decade of Agression: Live
EMF - Schubert Dip
Savatage - Street: A Rock Opera

Rock Brasileiro: 

Sepultura - Arise
Legião Urbana - V
Titãs - Tudo Ao Mesmo Tempo Agora
Capital Inicial - Eletricidade
Sarcófago - The Laws of Scourge
Engenheiros do Hawaii - Várias Variáveis
Biquini Cavadão - Descivilização
Kid Abelha - Tudo É Permitido
Sérgio Dias - Mind Over Matter
Made In Brazil - In Blues

Destaque

Genocide Association

Genocide Association  ! Banda? Não! Projeto? Não! Piada? Sim! Resumindo, tudo aconteceu em 1983 em Nottingham. Digby "Dig" Pearson...