sexta-feira, 17 de março de 2023

Discografias Comentadas: Hellfueled

 

O álbum No More Tears, lançado em 1991 por Ozzy Osbourne, é considerado um dos melhores trabalhos da carreira solo do lendário cantor inglês, além de ter consolidado a reputação de Zakk Wylde como um dos grandes guitarristas dos anos 1990, e servir de influência para muitos aspirantes a músicos em todo o mundo.

Quatro destes rapazes com certeza são os garotos suecos que formaram, em 1998, o Below, que depois mudaria de nome para Firebug. Com a formação estabilizada em Andy Alkman (vocal), Jocke Lundgren (guitarra), Henke Lönn (baixo) e Kent Svensson (bateria), o grupo gravou algumas demos e mudou novamente de alcunha (para Hellfueled, com o qual ficariam conhecidos daí por diante) antes de assinar com a gravadora Black Lodge e lançar seu primeiro disco em 2004. Chamando a atenção dos fãs de metal por causa da incrível semelhança da voz de Andy com a do Madman, e pelo estilo de Lundgren ser muito influenciado por Wylde, o grupo alcançou grande repercussão em sua estreia, e construiu uma carreira bastante interessante depois dela. Confira agora uma análise dos quatro lançamentos dos garotos originários da cidade de Huskvarna!


Volume One [2004]

Se este fosse um álbum da carreira solo de Ozzy Osbourne, com certeza seria um de seus melhores trabalhos. A abertura (com a veloz “Let Me Out“) já deixa isso claro, com a guitarra soando ao melhor estilo Zakk Wylde (cheia dos bends e vibratos característicos do americano) e os vocais muito semelhantes aos de Ozzy (além de um pouco de órgão Hammond na melodia para deixar tudo ainda melhor – instrumento que ficou a cargo do renomado Fredrik Nordstrom, que ficou responsável pela produção do trabalho e ainda executa um solo de guitarra em “Eternal”). Faixas como “Someone Lives Inside”, a citada “Eternal” (com um trecho mais “viajante” lá pelo meio), “Rock´N´Roll” (um pouco mais cadenciada), “Hunt Me Down” (e seu fantástico riff) ou “Mindbreaker” poderiam estar em qualquer disco do Madman pós-No More Tears, e certamente seriam apontadas como destaques de tais álbuns. “Live My Life” (cujo riff inicial lembra “Rat Salad”), “Midnight Lady” (que ganhou um interessante vídeo clipe) e boa parte de “Break Free”, apesar de rápidas, soam mais ao estilo dos primeiros discos do Black Sabbath, sendo que a segunda ainda gerou um EP que contém duas faixas inéditas e exclusivas (intituladas “Endless Work” e “Big Fat Eight”). Não fosse pela voz, a pesada (apesar de mais calma) “Sunrise” seria a que menos lembraria as composições da carreira solo do famoso comedor de morcegos, e o track list se completa com “Second Deal”, que possui um riff repetitivo e muito atraente. Muitos não dão tanta atenção a este disco, acusando-o de ser uma mera cópia dos trabalhos do Madman pós-Sabbath, mas eu afirmo que este é justamente o maior atrativo deste play. Ouça e confira você mesmo!


Born II Rock [2005] 

Após tocar em grandes festivais europeus e abrirem para o Europe na turnê de reunião deste ícone do rock sueco, era hora de lançar o segundo disco da carreira do Hellfueled. Como em time que está ganhando não se mexe, Born II Rock repete o produtor Fredrik Nordstrom, e vem na mesma pegada da estreia do quarteto, como fica claro em um de seus maiores destaques, a faixa de abertura “Can’t Get Enough” (que tem a bateria a cargo do engenheiro e co-produtor Patrik J Sten, que já havia executado percussão e backing vocals no registro anterior, além das mesmas funções técnicas), ou em canções como “Look Out” (que parece saída dos discos gravados pelo Madman na década de 1980, além de ter recebido um clipe promocional), “Friend” (que possui um trecho acústico em seu arranjo, com um violão flamenco a cargo do músico convidado Emil Pernblad, e nova participação de Nordstrom no órgão Hammond) ou a veloz “Old” (que possui um trecho mais cadenciado lá pelo meio). O peso e o timbre das guitarras em “Regain Your Cromn” e “Make It Home” chegam a lembrar algumas coisas do Black Label Society, assim como o riff inicial da faixa título e partes de “Girls Girls” e “Angel”. “On The Run” é uma das faixas mais velozes da carreira dos suecos, e o track list é completado pela também veloz “I Don’t Care”, onde a guitarra de Lundgren (assim como em quase todo o álbum) é o destaque, apesar de soar como se executada por Zakk Wylde. Born II Rock é a sequência natural de Volume One, e as acusações de que o Hellfueled era pouco mais que uma mera cópia da carreira solo de Ozzy Osbourne não diminuíram nem um pouco por causa deste registro, sendo que, a meu ver, isso não constitui nenhum problema!

Hellfueled: Jocke Lundgren, Henke Lönn, Andy Alkman e Kent Svensson


Memories In Black [2007]

Parece que as constantes acusações (nem um pouco infundadas) citadas na última linha do texto acima começaram a incomodar os membros do Hellfueled após o segundo disco. Ao menos, é esta a impressão que se tem após ouvir seu terceiro registro, onde o conjunto se afasta um pouco do estilo “Madman” de compor, pisa um pouco no freio e injeta muitas doses de melodias nas doze faixas do play (que novamente contou com Fredrik Nordström na produção). A abertura com “Rewinding Time” chega a ser até um pouco chocante, pois mesmo a característica voz de Andy soa diferente (um pouco mais grave), não parecendo mais uma simples imitação do estilo do ex-cantor do Black Sabbath. As linhas de guitarra também não parecem mais tão derivadas de Zakk Wylde (embora o peso ainda seja digno de um Black Label Society), e o órgão Hammond (desta vez a cargo do músico convidado Mattias Bladh, que também executa o instrumento em outras músicas do disco) tem uma presença marcante. A viajante e psicodélica “Again” (que novamente apresenta o engenheiro/co-produtor Patrik J Sten nos backing vocals), apesar de alguns trechos mais pesados no refrão, nem parece ter sido gravada pela mesma banda dos discos anteriores, assim como a pesada “Queen Of Fire” (bastante “arrastada” para os padrões dos suecos) ou a oitentista “Down” (e seu marcante refrão). Lembrando muito a primeira fase do Sabbath com Ozzy (apesar do vocal não apresentar tanta semelhança quanto antes), “Sky Walker” se encaixa muito bem sob o rótulo de stoner metal, estilo que também dá as caras em “Face Your Demon” (outra composição com destaque para o Hammond) e na excelente “Master Of Night”, onde os vocais de Andy apresentam alguns efeitos bastante interessantes. É claro que alguns resquícios do passado ainda dão as caras no álbum, principalmente nos riffs de “Warzone”, “Slow Down” ou da agitada “Search Goes On” (que poderiam facilmente estar em um disco do Black Label Society), assim como em partes da veloz “Right Now”, que contém na letra a frase que dá título ao play, ou ainda em trechos de “Monster” (cuja condução é bem “marcada”), música que conta com o consagrado Snowy Shaw (Mercyful Fate, Dream Evil, Therion) nos backing vocals. Algumas edições, como a versão nacional (distribuída no país pela Hellion Records, assim como os registros anteriores), apresentam ainda duas faixas bônus, a agitada “Song For You” (que também tem uma pegada Stoner em seu arranjo) e “5 am”, talvez a que mais se pareça com a carreira solo de Ozzy no disco (até a voz de Andy soa diferente das demais canções, aqui ficando mais próxima do registro do Madman). Um disco diferente dos anteriores, mas não menos interessante.


Emission Of Sins  [2009] 

Apesar da troca de produtor (quem assume os botões agora é Rikard Löfgren), este disco continua do mesmo ponto onde o anterior parou.Se o vocal volta a apresentar muitas semelhanças com o do nosso amado comedor de morcegos (como na “quase” faixa título “A Remission Of My Sins”, outra que parece saída da carreira solo do Madman, ou na marcante “Where Angels Die“, que abre os trabalhos e se configura em um dos destaques do track list), Lundgren continua, em boa parte o tempo, se afastando da pecha de “cópia” de Zakk Wylde, acrescendo ainda mais melodia a suas linhas de guitarra, sem, no entanto, se esquecer do peso. São assim “Am I Blind”, “Save Me” (que possui um belo refrão), “For My Family And Satan” (com uma linha vocal bem “viajante”), “Stone By Stone” (com um riff bem marcante) e “End Of The Road”, talvez a mais melódica de todas, e que possui um dos melhores solos de guitarra deste registro. “In Anger” (que ganhou um vídeo clipe) tem um inegável apelo radiofônico, onde a voz de Andy apresenta uma mistura do estilo dos primeiros discos com o do registro anterior, dependendo do trecho da canção, enquanto “I Am The Crucifix” (outra que mereceu um clipe) possui um breve trecho de canto gregoriano em sua introdução e muito peso nos riffs (que voltam a remeter ao Black Label Society, assim como o começo de “Lost Forever”, que depois ganha um tom mais melódico em seu arranjo), com o track list sendo encerrado pela instrumental “Moving On“, onde o destaque vai todo para a guitarra de Jocke Lundgren. É interessante notar que algumas músicas possuem um vocal “narrado” e meio sombrio em certos trechos, mas, como este álbum não teve lançamento nacional e não consegui encontrar maiores informações a este respeito, não posso confirmar quem é o autor dos mesmos. Um disco no mínimo do nível do anterior, e que merecia mais reconhecimento por parte dos fãs do grupo.

Kent Svensson, Henke Lönn, Jocke Lundgren e Andy Alkman

Não encontrei nenhum registro que afirme que a banda tenha encerrado suas atividades, mas o certo é que o site do conjunto se encontra fora do ar, e a própria página oficial do Hellfueled no facebook teve sua última atualização somente em 2011. Desde então, surgiu o grupo Firegod Mountain, o qual Andy Alkman e Jocke Lundgren integravam e chegaram a preparar o primeiro registro. Apesar de algumas faixas ficarem dsponíveis para audição no youtube, o mesmo não chegou a ver a luz do lançamento. Resta saber se ainda teremos chances de ver o Hellfueled no palco e nos estúdios em um momento futuro. Isso, só eles mesmos podem responder!


Cinco Músicas Para Conhecer: O Lado Acústico dos Black Sabbath

 

Completou-se 52 anos do primeiro lançamento de uma das maiores e mais influentes bandas do rock pesado, o álbum Black Sabbath. Porém, vez por outra o grupo homônimo do guitarrista britânico Tony Iommi resolvia brincar com violões. Cinco das principais brincadeiras estão listadas abaixo.


“Orchid” – Master of Reality [1971]

Essa pequena vinheta de um minuto e trinta segundos é um belo dedilhado de Iommi que serve muito bem para aprendizes e iniciantes na arte de tocar violão. Explorando acordes simples (C, D, E, …), Iommi faz uma série de ligeiros dedilhados, que acabam criando uma melodia muito delicada e bela. Registrada no terceiro álbum da banda, e não saiu em compacto.


“Laguna Sunrise” – Vol. 4 [1972]

Construída sobre a mudança de dois acordes, “Laguna Sunrise” é uma canção mais completa que sua antecessora. A presença de teclados também é marcante aqui, mas o que realmente chama a atenção é o belo solo criado por Iommi ao longo da canção. A ponte no trecho central é digna de deixar qualquer músico de cabelo em pé pela complicada sequência de notas. Por outro lado, se você ouvisse essa faixa sem saber que é Black Sabbath, talvez chutasse (totalmente errado) que a canção pertenceria a Yes ou até mesmo King Crimson fase Islands. Foi lado B do raro compacto de “Tomorrow’s Dream”, e é uma das baladas mais famosas do grupo, ao lado de “Changes”, que também foi registrada em Vol. 4.


“Fluff” – Sabbath Bloody Sabbath [1973]

Quer agradar a namorada, ou surpreender a vovó, ou ainda se achar Tony Iommi ao violão, “Fluff” é A CANÇÃO. Afinal, qualquer menininha se derrete pela linda melodia criada por Iommi, qualquer vovó vai dizer “MENTIRA!!!!” quando você disser que é Black Sabbath quem roda na vitrola, e qualquer iniciante consegue fazer o simples dedilhado em D e A, mas que emociona bastante. A canção é complementada por leves passagens de steel guitar, e um pianinho elétrico saltitante (a cargo também de Iommi) que dá mais dramaticidade para uma canção já carregada de emoção. Está em Sabbath Bloody Sabbath, e em um raro compacto brasileiro que une canções desse disco com o de Paranoid, o qual ilustra essa matéria.


“Don’t Start (Too Late)” – Sabotage [1975]

Em cinquenta segundos, Iommi coloca toda a simplicidade acústica das canções anteriores por água abaixo. Certamente, “Don’t Star (Too Late)” é uma das peças mais complicadas de se tocar de toda a carreira do Black Sabbath. Músicos experientes correm o risco de dar nó nos dedos com a velocidade que a sequência de notas exige, mostrando que Iommi além de um exímio criador de riffs, é também um violonista de mão cheia. Para melhorar, ela leva a pesadíssima “Sympton of the Universe”, que também traz seus momentos acústicos no seu trecho final. Registrada somente em Sabotage, foi a última faixa totalmente acústica do Sabbath por mais de dez anos.


“Scarlet Pimpernel” – The Eternal Idol [1987]

Essa não é uma faixa totalmente acústica. Afinal, Iommi aqui utilizou também da guitarra para trazer o clima medieval que o nome sugere. O início somente com os violões nos lembra uma dança feita por casais dentro de castelos britânicos enormes. A entrada da guitarra e sintetizadores modifica essa sensação, lembrando bastante “Laguna Sunrise”. O que vale é que os pouco mais de dois minutos da canção vão lhe hipnotizando rapidamente a partir da simples mas envolvente melodia do dedilhado dos violões e das notas da guitarra. A sequência de repetições (três ao todo) vai adicionando mais e mais elementos, encerrando de forma enigmática, repentinamente, deixando aquela sensação de “quero mais!”. Gravada apenas no The Eternal Idol

Cinco Músicas Para Conhecer: Baseada em Fatos Reais

 

Tragédias, guerras, relacionamentos, ídolos, vários são os artistas que decidiram, através de suas musicas, trazer aos fãs um fato que aconteceu na vida real. No Cinco Músicas Para Conhecer de hoje, pinçamos cinco clássicos do popular mundial que foram baseados em fatos reais.


“American Pie” – American Pie [1971] (Don McLean)

Épico de quase 9 minutos, “American Pie”, colocou Don McLean nas paradas internacionais graças a belíssima letra que conta sobre o “Dia Que A Música Morreu”. Esse dia é 3 de fevereiro de 1959, quando na noite fria em Clear Lake, Estados Unidos, Buddy Holly, Ritchie Valens e Jiles “The Big Bopper ” Richardson morreram em um trágico acidente de avião (imagem que ilustra a matéria). Don era um entregador de jornais que sonhava em ser músico, e quando recebeu os jornais que tinha que entregar no dia 4 de fevereiro, ficou consternado com o que lia em cada jornal entregue nas portas dos nova iorquinos. Desde a tristeza da noiva de Holly, grávida no dia do acidente, passando pelos fatos marcantes na vida de McLean por conta das canções dos três, a canção passa através de inúmeras metáforas alucinógenas que o cantor jamais prestou-se em explicar, mas que deixa claro como a morte dos três causou a perda na inocência do rock dos anos 50, e levou a inspirar toda uma nova geração de roqueiros na década de 60 (Dylan, Stones, Elvis, Beatles, Byrds, …). A tocante voz de McLean vai nos envolvendo em um rock ‘n’ roll sensacional, na base do piano, violão, guitarra, baixo e bateria, com um ritmo avassalador e um refrão atemporal, que fizeram da canção um grande clássico. Certamente o maior sucesso na carreira de McLean. Regravado por Madonna e tantos outros, e lançado no segundo álbum do americano e em diversos singles, a maioria com a faixa dividida nos dois lados da bolachinha, como a que ilustra a matéria.


“Smoke On The Water” – Machine Head [1972] (Deep Purple)

O dia 4 de dezembro de 1971 entrou para a história por conta de um incidente que acabou gerando um dos maiores clássicos da música em todos os tempos. Naquele dia, Frank Zappa e os Mothers of Invention apresentavam-se no teatro do Cassino Montreux, quando um fã dentro do teatro resolveu disparar um sinalizador, que atingiu o teto do local, e prontamente, incendiou tudo. O fogo acabou com o equipamento de Zappa e cia., bem como destruiu com o local. Os caras do Deep Purple estavam em Montreux para gravar Machine Head nos estúdios pertencentes ao complexo do qual o Cassino fazia parte, e tinham alugado o famoso Rolling Stones Mobile Studio. No fim da tarde do dia 4, eles descansavam em um hotel de frente ao lago Genebra, de onde puderam ver a fumaça do incêndio sobre as águas do lago. No dia seguinte, Roger Glover (baixo) acordou com o pensamento “Smoke on the Water”, e rapidamente, a música e a letra contando sobre o acontecido criaram forma. A história é narrada de forma direta, com os Mothers se apresentando e o estúpido atirando o sinalizador para colocar fogo em tudo. Claude Nobs, proprietário do cassino, aparece enoluquecido tentando salvar as pessoas (ele deu uma grande mão para o Purple terminar o álbum, tanto que é o único a ser agradecido pela banda na capa interna do disco). Graças a Nobs, a banda aluga o Grand Hotel de Montreux, e com o Rolling truck Stones, os ingleses puderam fazer suas músicas. Simples, direto, clássico, uma aula de como contar uma história em pouco mais de quatro minutos. Algumas imagens do incêndio aparecem na capa interna de Machine Head, onde “Smoke on the Water” foi lançada originalmente, assim como em diversos singles, coletâneas e álbuns ao vivo.


“Hurricane” – Desire [1976] (Bob Dylan)

Uma das mais célebres (e inúmeras) canções baseadas em fatos reais do bardo americano, “Hurricane” destaca-se principalmente pela impecável participação do violino de Scarlet Rivera, que serpenteia com maestria os quase 10 minutos de uma audição inesquecível. Dylan revisita seu passado como trovador elétrico, e narra de forma envolvente e marcante a polêmica prisão do boxeador Rubin “Hurricane” Carter, em 1966. Para quem não conhece a história, em 17 de junho de 1966 “Hurricane” foi preso injustamente, acusado por matar duas pessoas em um bar de Paterson, Nova Jersey. Dylan narra ferozmente todo o incidente, com detalhes de como se estivesse presenciando o mesmo. Assim, ele conta que o pretendente número um à coroa dos pesos-médios fica envolto em um circo de porcos. Rubin acaba julgado por um júri somente de brancos, e com provas falsas, foi condenado a prisão perpétua, ficando preso por mais de dezenove anos. A canção deu pano para manga, com Dylan fazendo shows para arrecadar fundos pró-liberação de Rubin, e inclusive gerando um filme (The Hurricane, 1999, tendo Denzel Washington no papel do boxeador). O bardo americano foi processado por Patty Valentine (uma das testemunhas do caso) por usar indevidamente seu nome, mas não desistiu de fazer justiça ao campeão até sua libertação, em novembro de 1985. Certamente, é para no mínimo refletir sobre o descaso racial que (ainda) impera nos Estados Unidos e no mundo. Registrada no fantástico Desire, em 1976, e em diversos singles que, assim como “American Pie”, contém a faixa dividida em ambos os lados da bolacha.


“Sunday Bloody Sunday” – War [1983] (U2)

Clássico da carreira dos irlandeses, “Sunday Bloody Sunday” narra o horror sentido por um leitor ao ver as notícias do chamado Bloody Sunday (Domingo Sangrento), na cidade de Derry durante o Conflito na Irlanda do Norte (em inglês, The Troubles). Esse conflito entre protestantes (maioria), em favor de preservar os laços com o Reino Unido, e os católicos (minoria), em favor da independência ou integração junto a República da Irlanda, acabou sendo feito a base de armas, e durou mais de 30 anos, a partir do final da década de 60 e encerrando-se em 10 de abril de 1998, com a assinatura do Acordo de Belfast. No dia 30 de janeiro de 1972, domingo, cerca de 10 mil manifestantes caminhavam em protesto pacificamente pelas ruas de Derry, quando soldados ingleses passaram a atirar contra o grupo. 13 pessoas (6 menores de idade) morreram durante o incidente, e um dos 26 feridos acabou falecendo semanas depois. Os detalhes daquele dia não são contados na letra da canção, apenas a visão pensativa do personagem central sobre o quanto a violência torna-se mais valorizada que a vida por motivos fúteis. O ritmo marcial da bateria de Larry Mullen Jr., o riff (sempre) inigualável de The Edge, o baixo estourando as caixas de som, a interpretação emocionada de Bono, e o violino de Steve Wickham tornam a faixa extremamente grudenta, e o refrão é preparado para fazer arenas tremerem. Paul McCartney (“Give Ireland Back To The Irish”, 1972) e John Lennon & Yoko Ono (“Sunday Bloody Sunday”, 1972), também narram os fatos acontecidos naquele dia, mas nenhum dos ex-Beatles conseguiu impactar tanto o mercado da música e os fãs para o lamentável evento como o U2. Está em War (1983), em diversos álbuns ao vivo e coletâneas, saiu como single (tendo vários lados B) e é uma das faixas essenciais nas apresentações do quarteto até hoje.


“Empire of Clouds” – The Book Of Souls [2016] (Iron Maiden)

A história de tragédia do Titanic não é exclusiva. O maior dirigível do mundo na época, o R101 Airship, sofreu um acidente no seu primeiro voo, em 5 de outubro de 1930, quando saiu de Cardington (Inglaterra) em direção a Karachi (Índia). Próximo a cidade de Beauvaise, França, o dirigível sofreu grandes turbulências durante uma forte tempestade, caiu aproximadamente 300 metros e explodiu logo após atingir o solo, matando 48 dos 54 tripulantes da aeronave. Uma das maiores tragédias na história da aviação, até por que assim como o navio Titanic, o “Titanic dos ares” era considerado inderrubável. A longa introdução surge como um “Overture” para o desenvolvimento, onde piano e orquestra fazem o papel central. Ao longo dos 18 minutos, somos levados pela história do dia do acidente, com os ricaços embarcando pomposos para a viagem até os fatídicos minutos da queda do R101, passando por detalhes da formação da tempestade, as probabilidades da aeronave cair (um milhão para um) e as 48 almas que foram morrer na França. Na parte instrumental, o Iron traz desde a sensação de levantar voo ao som de acordes triunfais até os minutos de tensão, com o S. O. S. do telégrafo no dirigível pedindo socorro e informações sobre a rota da tempestade. Uma canção com um aparato de construção progressiva muito além do que o Iron já havia apresentado, um pouco quanto repetitiva em alguns momentos, mas que não há uma definição específica para o estilo, já que é exclusiva em toda a vasta obra dos ingleses. Lançada em The Book of Souls e também em um belo EP Picture Disc, com uma entrevista de Dickinson (“Maiden Voyage”) no lado B contando detalhes da gravação, da história do dirigível, além de imagens do acidente que saíram no jornal Daily Mirror no dia seguinte ao acidente.

Imagens do acidente do R101

Classificação dos 20 melhores álbuns de Neil Diamond de todos os tempos

 Neil Diamond

O cantor, compositor e músico Neil Diamond nasceu em Nova York em 24 de janeiro de 1941. Ele começou sua carreira na indústria da música em 1962. Diamond é um dos artistas mais vendidos de todos os tempos, com mais de 100 milhões de cópias vendidas. recordes em todo o mundo, incluindo 49,5 milhões de álbuns nos Estados Unidos. O cantor teve 38 músicas entre as dez primeiras da parada Billboard Adult Contemporary e dez singles no topo da Billboard Hot 100. Desde o início de sua carreira, Neil Diamond lançou 32 álbuns de estúdio, 35 compilações, oito álbuns ao vivo, duas trilhas sonoras álbuns e 94 singles. Aqui estão os 20 melhores álbuns de estúdio de Neil Diamond.

20. Touching You, Touching Me (1969)


'Touching You, Touching Me' foi o quinto álbum de estúdio de Neil Diamond e o último da década de 1960. Sua posição mais alta na parada de álbuns foi a nona posição na Austrália, e alcançou a posição 21 no Canadá e a posição 30 nos Estados Unidos. O título do álbum vem da letra do hit de Diamond, 'Sweet Caroline', embora a música não tenha sido incluída na versão americana do álbum e apresentada apenas na versão britânica. Os dois sucessos deste álbum foram 'Holly Holy' e 'Until It's Time for You to Go'.

19. Headed for the Future (1986)

 

'Headed for the Future' foi o quarto álbum de estúdio de Diamond na década de 1980 e seu décimo sétimo álbum de estúdio no geral. Nos Estados Unidos, este álbum alcançou a posição 20 na Billboard 200. Neil Diamond co-escreveu sete das dez faixas do álbum. A faixa-título alcançou o top dez na parada Billboard Adult Contemporary, e o single "The Story of My Life" alcançou a posição 11.

18. On the Way to the Sky (1981)

 

'On the Way to the Sky' foi o décimo quarto álbum de estúdio de Neil Diamond e o primeiro da década de 1980. Nos Estados Unidos, o álbum alcançou a posição 17 na Billboard 200. No entanto, se saiu melhor em outras partes do mundo, alcançando a 12ª posição na Austrália e a 11ª na Nova Zelândia. A faixa-título do álbum foi um dos três singles lançados do álbum, e os outros foram 'Yesterday's Songs' e 'Be Mine Tonight'.

17. Tennessee Moon (1996)


'Tennessee Moon' teve mais sucesso na Austrália, onde alcançou o segundo lugar nas paradas de álbuns. Ele alcançou a posição 14 nos Estados Unidos, número 12 no Reino Unido e número 13 na Nova Zelândia. O álbum foi o vigésimo terceiro álbum de estúdio de Diamond, e Diamond escreveu em colaboração com vários compositores de música country. Portanto, muitas das canções do álbum têm um toque country. Para acompanhar o lançamento do álbum, houve um especial de televisão chamado 'Under a Tennessee Moon'.

16. The Christmas Album (1992)


Como muitos artistas de sucesso, Neil Diamond lançou singles e álbuns de Natal ao longo de sua carreira. Seu melhor álbum de Natal foi o álbum de 1992 'The Christmas Album', que alcançou a oitava posição na Billboard 200. Foi o primeiro álbum de Diamond a apresentar músicas de Natal e seu vigésimo álbum de estúdio no geral. O álbum é o vigésimo quinto álbum de Natal mais vendido de todos os tempos. Dois anos depois, Diamond lançou o álbum seguinte 'The Christmas Album, Volume II', embora não tenha feito tanto sucesso quanto o original.

15. Heartlight (1982)



O décimo quinto álbum de estúdio de Neil Diamond foi 'Heartlight', que foi certificado como Platina nos Estados Unidos. Foi um dos dez maiores sucessos nos Estados Unidos e na Austrália, e atingiu o pico de 13 no Canadá. A faixa-título do álbum alcançou o número cinco na Billboard Hot 100, e os outros singles lançados deste álbum foram 'I'm Alive' e 'Front Page Story'. Muitas das faixas deste álbum foram co-escritas por Diamond, Burt Bacharach e Carole Bayer Sager.

14. September Morn (1979)

 

O décimo terceiro álbum de estúdio de Diamond foi 'September Morn', que foi o último álbum que ele lançou na década de 1970. Nos Estados Unidos, o álbum alcançou a décima posição na Billboard 200 e foi certificado como Platina. A faixa-título do álbum alcançou o número dois na parada Adult Contemporary e o número 14 na Billboard Hot 100. Ele também apresentava um remake de 'I'm a Believer' e uma versão cover de 'Dancing in the Street'.

13. I’m Glad You’re Here with Me Tonight (1977)


Embora 'I'm Glad You're Here with Me Tonight' tenha alcançado apenas a sexta posição nos Estados Unidos, liderou as paradas de álbuns na Nova Zelândia. Ele contém uma versão solo da música 'You Don't Leave Me Flowers', que mais tarde ele lançou em dueto com Barbara Streisand. Diamond liderou as paradas de álbuns na Nova Zelândia pela segunda vez com o lançamento deste álbum, e alcançou a sexta posição nos Estados Unidos.

12. Melody Road (2014)

 

'Melody Road' foi o trigésimo segundo álbum de estúdio de Neil Diamond. Alcançou o número três na Billboard 200 e foi um dos dez maiores sucessos na Austrália, Nova Zelândia, Irlanda e Reino Unido. No Reino Unido e na Austrália, o álbum foi certificado como Ouro. Quando Diamond lançou este álbum, foi o primeiro a conter música original em seis anos. Na época, Diamond gravava com a Colômbia há 40 anos, mas assinou com a Capitol Records, e 'Melody Road' foi seu primeiro álbum com sua nova gravadora. A maioria das canções do álbum são baladas mid-tempo, e uma das canções de maior sucesso comercial do álbum foi 'Something Blue'. O álbum contém 12 músicas, com duas faixas bônus na edição de luxo.

11. 12 Songs (2005)

 

O título provisório de '12 Songs' era 'Neil Diamond', e o nome reflete o conteúdo do álbum. No entanto, a edição especial do álbum tem quatorze faixas, e uma das duas faixas bônus traz Brian Wilson. Diamond começou a trabalhar neste álbum logo após completar sua turnê Three Chord Opera em 2002. A maior parte de suas composições para o álbum ocorreu enquanto ele estava preso na neve em sua cabana no Colorado. Diamond então conheceu Rick Rueben, que expressou interesse em trabalharem juntos para produzir o álbum. O álbum resultante foi um dos lançamentos de maior sucesso de Diamond em anos, e alcançou a quarta posição na Billboard 200.

10. Just for You (1967)

 

O segundo álbum de estúdio de Neil Diamond foi 'Just for You', que ele lançou em 1967. Ele só foi lançado como um LP e nunca foi modernizado para um CD. No entanto, todas as faixas, exceto duas, foram incluídas nas compilações 'Classics: The Early Years' e 'The Bang Years 1966-1968'. Todas as faixas também foram lançadas como single ou como lado B de um single. Alguns dos maiores sucessos do álbum foram 'Cherry Cherry', 'You Got Me', 'Red Red Wine', 'Shilo', 'Girl You'll Be a Woman Soon' e 'Thank the Lord for the Night Time'.

9. Up on the Roof: Songs from the Brill Building (1993)


Best Ever Albums lista 'Up on the Roof: Songs from the Brill Building' como um dos melhores álbuns de Neil Diamond. Foi seu vigésimo primeiro álbum de estúdio e alcançou a posição 28 nas paradas do Reino Unido e dos Estados Unidos. Uma das melhores canções do álbum é 'You've Lost That Lovin' Feelin', que ele cantou em dueto com Dolly Parton. Não é o único dueto do álbum, já que Diamond também canta "Do Wah Diddy Diddy" com Mary Danish.

8. Home Before Dark (2008)

 

Apesar de ter 67 anos quando gravou este álbum, Diamond provou que ainda tinha o que é preciso para atrair ouvintes de várias gerações. Ele também se tornou o artista mais velho a ter um recorde número um. 'Home Before Dark' foi o sétimo álbum de estúdio de Neil Diamond e liderou as paradas de álbuns nos Estados Unidos, Nova Zelândia e Reino Unido. O álbum também foi um dos dez maiores sucessos na Austrália, Bélgica, Irlanda e Holanda.

7. Brother Love’s Traveling Salvation Show (1969)



No total, 26 versões deste álbum foram lançadas. O original tinha apenas 12 faixas, mas as versões posteriores tiveram a música 'Sweet Caroline' adicionada à lista de reprodução. Foi o quarto álbum de estúdio de Diamond, e todas as faixas do álbum foram escritas por Diamond. Embora tenha sido montado mais rápido do que qualquer outro álbum de Neil Diamond, foi recebido positivamente pela crítica.

6. You Don’t Bring Me Flowers (1978)


Neil Diamond gravou a faixa-título deste álbum para seu álbum anterior como um solo. Ele então gravou outra versão em dueto com Barbara Streisand para este álbum, e o single chegou ao topo da Billboard Hot 100. O outro single lançado do álbum foi 'Forever in Blue Jeans'. 'You Don't Bring Me Flowers' foi o décimo segundo álbum de Diamond e alcançou o número quatro na Billboard 200.

5. Serenade (1974)


O nono álbum de estúdio de Diamond foi 'Serenade', que ele lançou em 1974. Foi mais bem-sucedido na Austrália e na Alemanha, onde liderou as paradas de álbuns em ambos os países. O álbum alcançou o número dois no Canadá e o número três nos Estados Unidos, Holanda e Nova Zelândia. Nos Estados Unidos, este álbum foi certificado como Platina, tornando-se o terceiro álbum consecutivo de Diamond a obter esta certificação. O álbum gerou os singles 'Longfellow, Serenade', 'I've Been This Way Before' e 'The Last Picasso'.

4. Tap Root Manuscript (1970)

 

' Tap Root Manuscript' foi um afastamento de seu estilo de trabalho anterior, e o conteúdo era completamente original. É um dos trabalhos mais criativos de Diamond, o que o torna um dos seus melhores. O álbum foi o primeiro de Diamond na década de 1970 e alcançou a posição 13 nas paradas de álbuns nos Estados Unidos e no Canadá. Foi lançado em LP com um tema para cada lado. O primeiro lado continha cinco canções pop. Do outro lado, havia uma trilogia de canções de temática africana. Diamond lançou os singles 'Cracklin' Rosie' e 'He Ain't Heavy, He's My Brother' deste álbum.

3. Beautiful Noise (1976)



Há uma combinação de canções emocionantes, roqueiros otimistas e faixas com influência gospel neste álbum. O álbum anterior, 'Serenade', recebeu algumas críticas por conter músicas muito parecidas com seus trabalhos anteriores. No entanto, os críticos acreditam que o conteúdo foi significativamente melhor em 'Beautiful Noise'. Ele liderou as paradas de álbuns na Austrália, Áustria, Alemanha, Holanda e Nova Zelândia, mas só alcançou o número quatro nos Estados Unidos, onde foi certificado como Platina.

2. Moods (1972)


Duas das canções de sucesso deste álbum foram 'Song Blue' e 'Play Me', ambas as quais estão na lista de reprodução de Diamond para turnês ao vivo desde então. O conteúdo varia de lúdico e cativante a inteligente e sentimental. Foi o oitavo álbum de estúdio de Neil Diamond e foi um dos dez maiores sucessos nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá, Alemanha, Holanda e Noruega. Uma das faixas do álbum foi 'Song Sung Blue', que foi o segundo single número um de Diamond. O segundo single lançado do álbum foi 'Play Me'.

1. Stones (1971)

 

De acordo com o Return of Rock , o melhor álbum de Neil Diamond foi 'Stones'. Diamond uma vez descreveu sua música como pop teatral, e esta é uma descrição perfeita para o tipo de música apresentada no álbum. Foi certificado com ouro nos Estados Unidos, onde alcançou a posição 11 na Billboard 200. Deste álbum, Diamond lançou o single 'Crunchy Granola Suite', que Diamond escreveu.


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