sábado, 8 de abril de 2023

SAIBA TUDO SOBRE Tozé Brito

António José Correia de Brito, conhecido por Tozé Brito (Porto, 25 de Agosto de 1951) é um cantorletristacompositor, produtor, editor, adminstrador e mentor de projetos musicais português. Foi executivo das editoras Universal Music Portugal (sucessora da PolyGram) e BMG. Presentemente é director e administrador da Sociedade Portuguesa de Autores.

Biografia

Nasceu em Ermesinde mas cresceu no Porto. Em 1959 inicia os estudos de piano que abandona três anos depois.

Forma o seu primeiro grupo aos quatorze anos. [Começou como guitarrista dos Grupo 4]. Com os Duques subiu a um palco pela primeira vez. Com 15 anos é um dos membros fundadores do grupo Pop Five Music Incorporated como viola baixo e vocalista. O primeiro EP do grupo inclui um original da sua autoria ("You'll See").

Aos 18 anos vai viver para Lisboa para tocar, como músico profissional, no Quarteto 1111. Em 1971 actua com José Cid no conhecido Festival Yamaha - World Popular Song Festival, em Tóquio.

A solo lança, em 1972, o EP "Liberdade" (1972). Participa no Festival RTP da Canção de 1972 com "Se Quiseres Ouvir Cantar".

Quarteto 1111 na homenagem a Tozé Brito, em Cascais, no mês de Agosto de 2011.

Os Green Windows, grupo paralelo ao Quarteto 1111, começaram em 1972 no Festival dos Dois Mundos. O grupo era composto por José Cid, Tozé Brito, Moniz Pereira, Mike Sergeant e as mulheres de alguns deles. Cantam em inglês porque há uma tentativa de internacionalização que não chega a ser bem sucedida.

Ainda em 1972 é chamado para fazer a recruta à espera de ingressar no "Alerta Estar" onde eram colocados os artistas. Como o Quarteto 1111 tinha discos proibidos pela censura não consegue entrar nesse serviço e decide partir para Inglaterra. Aí trabalha como tradutor e faz dois anos de Psicologia no Birbeck College da Universidade de Londres. Casa-se e aí nasce a sua primeira filha.

Grava um disco com a cantora Daphne (ex-Música Novarum) no projecto Som Dois que chega a lançar um single com os temas "A um Amigo" e "Irmão na Cor da Alma".

Regressa a Portugal após o 25 de Abril de 1974. É obrigado a fazer a tropa, onde passa todo o ano de 1975. Intensifica o seu trabalho como compositor e autor.

Os Green Windows duraram até 1976 quando decide formar os Gemini com Mike Sergeant e Teresa Miguel. "Pensando Em Ti", a primeira canção do grupo, foi editada em Dezembro de 1976. O álbum atingiu o galardão de disco de ouro, o mais alto da altura. Foi considerado, tendo em conta as vendas, o compositor português do ano para a revista Billboard.

Em 1977 lança a solo, pela Phonogram, os singles "2010 DC" e "Eu, Tu e o Tempo". Cândido Mota colabora num dos discos.

Os Gemini são os vencedores do Festival RTP da canção, em 1978. O grupo acabará por terminar no ano seguinte.

Participa no Festival RTP da Canção de 1979 com Novo Canto Português. É editado um single em conjunto com um tema das Cocktail. Lança, com Paulo de Carvalho, o álbum "Cantar de Amigos". "Olá, então como vais?" foi um dos maiores sucessos deste disco. Entra para A & R da editora discográfica Polygram.

No ano seguinte, "Cantar de Amigos" é transformado num programa de televisão. "(Mi amor por) Ana", em co-autoria com Paulo de Carvalho e o seu irmão Pedro Correia Brito, é apresentado no Festival de Viña del Mar, no Chile, em 1980.

"Bem Bom" das Doce vence o Festival RTP da Canção em 1982. Edita o disco "Adeus Até Ao Meu Regresso (Apenas oito Canções de Amor)" no ano seguinte. Colabora como autor em vários programas de Herman José.

"Penso em ti, eu sei" de Adelaide Ferreira vence o Festival em 1985. O disco "As noites íntimas de um hotel com estrelas", álbum que assinala os 20 anos de carreira, foi editado em Outubro de 1986. Das onze faixas incluídas só quatro são cantadas. O disco foi feito a lembrar um filme com direito a argumento, realização e diálogos (estes em colaboração de António Tavares Teles). Nas vozes aparecem Adelaide e .

Em 1990 sai da Polygram para dirigir a filial portuguesa da editora BMG Ariola. Foi administrador até Setembro de 1998. Saiu porque os seus patrões estrangeiros lhe exigiram a liderança do mercado nacional a curto prazo, o que julgou irrealista. Em 1999 fundou a Mar, uma estrutura de A&R e produção criada em parceria com a EMI. Lança, numa lista muito desigual, nomes como Lúcia MonizAyamonteFrancisco Mendes e Darrasar.

É convidado para Presidente do Conselho de Administração da Universal Portuguesa (ex-Polygram).

Comemora 35 Anos de Canções com a compilação "... Mas o Mais Importante É o Amor" com nomes como Lúcia MonizMarta PlantierAdelaide FerreiraPaulo de CarvalhoJosé CidQuarteto 1111Carlos do CarmoSimone de OliveiraVictor EspadinhaDoceGemini e Green Windows.

Em 2007, celebra 40 anos de carreira e lança o CD "Vida, canções e amigos" que reúne um conjunto de 40 canções, com música ou letra assinadas por ele ou das quais é co-autor. No final de 2007 deixa a Universal Music Portugal após uma fusão entre a Universal espanhola e a portuguesa, e a passagem da administração para [Madrid].

Desde 2008, Tozé Brito é Administrador da (Sociedade Portuguesa de Autores) e sócio fundador da "MUV"-Movimento de Ideias Criativas, Lda.

Em 2010 foi editado, pela Assírio & Alvim, o songbook "40 Canções - Partituras, letras, Cifras".

Em Maio de 2011 recebeu da Câmara Municipal de Coimbra, enquanto elemento do Quarteto 1111, a medalha de mérito cultural, tendo sido agraciado com nova medalha de mérito cultural a título individual em Junho, pela Câmara Municipal de Cascais. Foi posteriormente homenageado, num espectáculo durante as Festas do Mar, perante 40.000 pessoas, por muitos dos intérpretes que durante mais de 40 anos gravaram e cantam canções de sua autoria.

A comemorar 45 anos de carreira é lançada em 2013 uma compilação da Universal que inclui o inédito "Apenas Mais Um Caso" e canções de outros intérpretes que gravaram canções da sua autoria.

Em 2021 é homenageado no álbum tributo “Tozé Brito (de) Novo”, editado pela Sony, no qual participaram Benjamim, B Fachada, Ana Bacalhau, Mitó, Tiago BettencourtMiguel GuedesRita Redshoes, Selma Uamusse, Catarina Salinas, CamanéSamuel ÚriaJoana EspadinhaAntónio Zambujo e Tomás Wallenstein, pelos seus 55 de carreira e 70 de vida.

Discografia

Álbuns

  • Cantar de Amigos (LP, Polygram, 1979) (com Paulo de Carvalho)
  • Adeus Até Ao Meu Regresso (LP, Polygram, 1983)
  • As Noites Íntimas de um hotel com estrelas (LP, Polygram, 1986)
  • Outrora (CD, Polygram, 1995)
  • A Memória do Amor (CD, 2018)
  • Tozé Brito (de) Novo (CD 2021)

Singles e EPs

  • Liberdade (EP, Decca,1971)
  • Se Quiseres Ouvir Cantar (Single, Decca, 1972)
  • Palhaços/Já Se Faz Tarde (Single, Mel, 1975)
  • Palhadacos/Anacronismos (Single, Mel)
  • 2010 DC/Palavras Cruzadas (Single, Polydor, 1977) 2063020
  • Eu, Tu e o Tempo/Duas cartas, Um Sentir (Single, Polydor, 1977) 2063026
  • Novo Canto Português (Single, Polygram, 1979)

Compilações

  • 20 Canções de Tozé Brito (2LP, Polygram, 1982)
  • Mas o mais importante é o amor...(CD, Universal Music,2002)
  • A Arte e a Música de Tozé Brito (CD, Universal Music, 2004)
  • Vida, canções e amigos (CD, Farol, 2007)
  • Canções de Tozé Brito (CD, Universal Music, 2012)

Grupos musicais

Ao longo da sua carreira de cantor, fez parte dos seguintes grupos:

Compositor

Tózé Brito iniciou a sua carreira de compositor aos 17 anos, destacando-se a parceria com o poeta Ary dos Santos, que na sua opinião constituiu uma das experiências mais gratificantes.

"Muito mais, embora tenha gravado, como intérprete, três álbuns a solo e vários singles. O que quer dizer que, das 400 canções que eu tenho inscritas na SPA, se calhar umas 100 cantei-as eu e as outras 300 cantaram-nas os tais meus amigos. Aquilo que eu escrevi para outros foi o que teve mais sucesso e há uma meia dúzia de canções minhas que toda a gente neste país conhece e canta". (in SPAautores)

As suas canções foram cantadas por intérpretes como Carlos do Carmo, Ana Moura, Luís Represas, Doce, Anjos, Cândida Branca FlorSimone de OliveiraPaulo de CarvalhoTonichaFrancisco JoséTony de MatosJosé CidMarco PauloAntónio Pinto BastoHerman JoséAdelaide FerreiraDulce Pontes e Lúcia Moniz, entre muitos outros. Escreveu em parceria com autores como José Carlos Ary dos SantosJoaquim PessoaCésar de Oliveira, António Tavares Teles, António Avelar PinhoMike Sergeant, entre outros. Escreveu música para teatro de revista, comédias musicais, cinema e televisão. É autor de vários textos para programas de humor de Herman José.



Parecido com





Fotos





Faixas principais

Disco Imortal: Pantera – Cowboys from Hell (1990)

 Disco Inmortal: Pantera – Cowboys from Hell (1990)

ATCO Records, 1990

Foi a grande estreia que nunca foi uma estreia. Embora o Pantera tenha aceitado ser chamado de 'estréia' (apesar de ter quatro álbuns gravados antes), já que foi o primeiro álbum com uma mudança de atitude deslumbrante. Uma ideia genial de um twist por parte da banda que há pouco tempo tinha Phil Anselmo nas suas fileiras e passou de uma banda totalmente ligada à estética e música glam dos anos oitenta a uma das bandas mais brutais da história de música.metal.

Esse foi o chute para que esse disco fosse considerado a grande estreia. Os texanos dos irmãos Costello, que cresceram com o som do Kiss e o glam dos anos 80, já se encantavam com a fúria do thrash e das raízes punk que despontavam também naquela década. “Todas essas roupas glam e penteados malucos não combinam com a música que queremos tocar, então decidimos despir a imagem e focar na música que vai arrasar o máximo possível!” , disse o baterista Vinnie Paul naqueles anos.

E assim não foi mais. Esse disco é um verdadeiro tipo de atitude e riffs arrasadores, mas aqui não teve só influências thrash do Slayer (que foi uma das bandas que deixou o guitarrista Dimebag Darrell louco para mudar a estrutura de riffs naqueles anos), teve influências aqui. crossover, punk, hardcore e clássicos. Black Flag, Agnostic Front, ZZ Top, Faith No More e Mercyful Fate, só para citar alguns, que os próprios Pantera citaram como geradores da monstruosidade do rock com a qual este grande álbum foi construído.

A escada de riffs 'Cowboys from Hell' criada pelo eterno Dimebag foi mostrada em uma festa para Phil que não demorou a proclamar “Isto deveria ser um hino”. E assim, o apelido de 'cowboys do inferno' cairia bem neles. A verdade é que foi incrível que essa dupla de irmãos do campo fizesse algo tão bestial. Uma das melhores canções de metal de todos os tempos, mas foi apenas o ponto de partida para um álbum com uma vitalidade única.

Vale dizer que foi feito numa época em que a banda, além de se separar com essa nova atitude e ares para o metal, era a época da bebedeira constante, quando se você fazia parte do time do Pantera e não bebia, você foram demitidos. E, no entanto, eles eram uma máquina e por muito mais tempo. O conceito “dirigir melhor embriagado” em toda a sua magnitude de expressão.

Enquanto 'Primal Concrete Sledge' te deixa em transe metal ao final de um riff constante e cativante, 'Psycho Holiday' é uma metralhadora musical, com muita influência clássica e com letras bem ad-hoc do conceito da banda, com a história de um cara bêbado em férias de drogado e festejando ao ponto de psicótico. 'Heresy' e novamente as escalas do Deus da guitarra Darrell somadas à potência de seu irmão Vinnie na bateria, fazem dela uma das canções mais explosivas do álbum. A verdade é que este grande guitarrista, que ganhou a sua primeira guitarra aos 12 anos e maquilhou-se como Ace Frehley, foi a parte fundamental do som desta gigantesca banda americana.

Em 'Domination', por exemplo, as influências punk e sua atitude foram uma ótima base para tudo isso. Impossível não se deixar levar quando o riff desacelera, o headbanger se solta nessa nova sonoridade absolutamente implacável. Pessoas que cercavam o 'círculo Pantera' da época, como Scott Ian do Anthrax ou Jerry Cantrell do Alice in Chains confirmaram: “foi a banda que conseguiu levantar a bandeira do metal nos anos 90”, numa época em que o grunge absorveu praticamente tudo.

Outra belezinha que conseguiu mostrar o outro lado do grupo e a versatilidade vocal do Anselmo, aliás, foi 'Cemetery Gates', com letra dark e bem profunda, quase falando do amor como religião, da saudade que você morre a ponto de pensar no suicídio como entidade para o reencontro. Novamente os riffs ficariam marcados como os melhores que já foram escritos nessa matéria pelo grande Dime.

Não sobrou nenhuma faixa a considerar, pois na última parte aparecem verdadeiras joias de power groove e euforia metal que esse grande disco causou: 'Medicine Man' e 'Message in Blood', ainda resgatando a pesada influência glam na voz de Anselmo, o maravilhoso 'The Sleep', dando uma aula sobre o assunto e o que estava sendo inventado: esse riff cortante, groove, que tanto foi imitado nas gerações futuras, e o ponto final e mais que solvente com 'The Art of Schredding' , com Rex Brown e seu baixo dando o tom para o toque final deste tremendo álbum. É engraçado, mas o Pantera, que cresceu tocando glam ironicamente com este álbum, acabou enterrando-o para sempre.

O Pantera não estava apenas lançando um grande álbum em 1990, estava criando todo um movimento e não pararia por aí: "Vulgar Display of Power" de 1992 foi outra maravilha e "Far Beyond Driven" também seguiria o caminho do infernal cowboys, que infelizmente, e como todos sabemos, já tiveram seu fim anunciado no início dos anos 2000 e ainda mais com a enorme perda do guitarrista Dimebag Darrell, que foi assassinado no palco em 2004, o que nos machucou muito. Mas havia seu legado, seus discos, imortais. Uma verdadeira joia de metal que não para de ressoar e se replicar em nossas cabeças.

Disco Imortal: Pulp – Different Class (1995)


Disco Inmortal: Pulp – Different Class (1995)

Island Records, 1995

 “Não é que não queiramos problemas, tudo o que queremos é ter o direito de ser diferente. Isso é tudo", pode ler-se à primeira vista na contracapa do álbum Different Class dos Pulp e que simboliza na perfeição o que queriam expressar em letras e música: uma classe à parte que nasceria em 1995 com o lançamento do quinto disco de estudo britânico.

Durante os anos 90 e especialmente em meados da mesma década, na Inglaterra havia uma verdadeira euforia com bandas indie e britânicas. Justamente quando todas essas circunstâncias ocorreram, dois grupos foram lançados em uma briga justa e injusta pela mídia musical para mostrar que apenas um seria o que governaria a terra da Rainha Elizabeth: Oasis ou Blur. No entanto, os Pulp, um grupo formado por colegas de escola e que faziam música desde finais dos anos 70, mostraram que também existiam e que não precisavam de encher as capas do NME (New Musical Express) para serem notados num exigente e que levou em conta apenas as gangues Gallagher e Albarn/Coxon.

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A Grã-Bretanha legal era uma realidade. Tony Blair era a suposta mudança que a Inglaterra precisava e até Noel Gallagher acreditava no mesmo ao tornar público seu reconhecimento para que em 1997 ele fosse o primeiro-ministro britânico por dez longos anos. Naquele ambiente de pré-campanha do Partido Trabalhista e cheio de reformas, Cocker junto com sua equipe havia amadurecido no conteúdo das letras e claro na música.

O senso e o conhecimento sobre diversos temas que afetavam as classes sociais de seu país foram a base para Jarvis criar um excelente compêndio de personagens para criar uma espécie de partido revolucionário para os trabalhadores através de uma placa que deixaria para trás o excelente His 'n' Ela de 1994.

«Quero viver como gente comum / Quero fazer o que quer que gente comum faça» (“Quero viver como gente comum / Quero fazer o que gente comum faz”), são as palavras exatas de uma música que virou hino dos nativos de Sheffield para declarar uma ironia sobre um episódio que Jarvis Cocker teve com uma colega de origem grega que queria ser como “ pessoas comuns” , mas que seu pai seria o grande obstáculo porque a impediria de alcançá-lo . O compositor, claro, embelezou o evento e acrescentou alguns temas sexuais para dar maior ênfase à peça: "Quero dormir com gente comum como você"Essa “canção comum” alcançou o segundo lugar nas paradas do Reino Unido, deixando claro que histórias pessoais com conotações satíricas podem ser obras do mais alto nível.

Com “Disco 2000” temos uma música que, assim como “Common People”, é um legítimo hino da banda; No entanto, o pop dançante aqui é um dos elementos mais exigidos pelo Pulp para dar vida a uma mulher chamada Deborah que é muito apaixonada pelo narrador desta obra. Quando a letra é ouvida ao som dos riffs inspirados em "Gloria" de Laura Branigan -uma peça originalmente composta em italiano em 1979 por Umberto Tozzi-, transporta o espectador para aqueles anos de infância, envolvendo-os em um ambiente escolar onde desejos licenciosos são o pão de cada dia.

“ Você foi a primeira garota na escola a ter seios / Martyn disse que você era o melhor / Todos os meninos te amavam, mas eu era uma bagunça» melhor / Todos os meninos adoravam você, mas eu era uma bagunça»).

Com “Underwear” você se encontra em uma situação de culminação intransponível, que terminaria de uma forma ou de outra em um dos festivais mais importantes do mundo como Glastonbury ao ritmo de “Sorted For E's And Wizz” e uma multidão enlouquecida por letras libertadoras. de Jarvis acompanhada de seu violão para mais de 20 mil pessoas.

Através de «FEELINGCALLEDLOVE» expressam-se os aspetos que envolvem os fascínios do amor e as situações avassaladoras que se podem conceber, e que podem ser apreciadas nas palavras do próprio Jarvis, que declarou que “Fico obcecado por mulheres muito facilmente Felizmente, dura apenas alguns dias . ” Com Different Class, Cocker junto com seus companheiros de banda Nick Banks, Steve Mackey, Russell Senior, Candida Doyle e Mark Webber anunciaram um dos discos mais revolucionários da música britânica.

Ser de classe social própria foi a bandeira que o frontman da banda entendeu com material primoroso no som e que as pessoas deveriam acolhê-lo através de letras inteligentes e que além disso seria de nível superior, se encaixando perfeitamente no máximo do Britpop, ganhando sem tanto parafernália aos dois grandes emblemas da Inglaterra daqueles anos como Blur e Oasis através de uma classe... Diferente.

Disco Imortal: Nirvana – In Utero (1993)

 

Disco Inmortal: Nirvana – In Utero (1993)

DGC Records, 1993

"Queríamos prestar uma homenagem", disse Kurt Cobain em uma entrevista em 1992 para endossar a natureza do terceiro álbum do Nirvana. In Utero foi o título latino usado pelos nativos de Aberdeen para nomear este trabalho que se tornou o número 1 da Billboard em 1993.

Cheio de complexidades e com expectativas um tanto imprudentes por parte dos fãs e da crítica, o último disco do Nirvana veio brilhar com luz própria, deixando para trás a pedra angular do grunge, o excelente Nevermind de 1991. Os problemas com drogas de Cobain eram constantes, além da inclusão mais ferrenha na vida pessoal da vocalista por Courtney Love, prenunciou por vários momentos que o último rebento do grupo não nasceria e paradoxalmente ficaria sozinho no ventre do estúdio de gravação.

Os problemas não foram mínimos para a concretização de um disco que até hoje sobrevive de forma inata e em que muitas expectativas nunca foram descabidas. Mas para que fosse assim, os de Washington tiveram que contratar o produtor de uma das bandas favoritas de Cobain, o REM, que contava com Scott Litt. Porém, não foi o único que colaborou na produção já que Steve Albini também fez parte para que não soasse como Nevermind , mas o primeiro fez um trabalho minucioso quanto aos vocais do álbum.

nirvana-1993

Cobain escreveu letras muito profundas e sensíveis para elaborar o material final que estaria no disco. Abrindo as fogueiras deste trabalho, encontramos “Serve the Servants”, que é justamente uma música muito profunda feita pelo vocalista para tecer uma série de acontecimentos que o marcaram e que ele também protagonizou. Os problemas com o pai, o divórcio dos pais e o tratamento que o médium teve com Love fizeram com que ele obtivesse essa premissa. No entanto, o vocalista também sentimentalizou o que havia conquistado com Nevermind , escrevendo: "A angústia adolescente valeu a pena / Agora estou entediado e velho". ).

"Heart Shaped Box" é a música que poderia muito bem definir este álbum em termos do que a banda queria entregar ao seu público e foi o primeiro banner da placa a ser lançado como single para divulgar o álbum. A caixa em forma de coração custou muito para a banda, porque eles não conseguiram encontrar a tonalidade que Cobain queria. “Durante a prática, eu estava tentando esperar que Krist e Dave fizessem algo com isso, mas acabou virando um barulho o tempo todo”, disse o guitarrista e vocalista em entrevista sobre a composição da música. A elaboração do vídeo ficou a cargo do diretor e fotógrafo, Anton Corbijn, que já teve trabalhos com o Depeche Mode e o clássico “Personal Jesus” e com o U2 para fazer o clipe do hino “One”. O vídeo foi um sucesso e recebeu boas críticas,

O Punk foi a característica deste trabalho e em “Dumb” com “Pennyroyal Tea” é exibido com aqueles toques inquietos e explosivos, para além daquela voz áspera, para que não se perdessem as características que levaram os americanos à glória. "Frances Farmer Will Have Her Revenge on Seattle", é uma música que foi escrita em uma espécie de biografia do próprio Cobain mas com nuances do que aconteceu com a atriz Frances Farmer, que teve muitas polêmicas em sua vida, devido a esquizofrenia, alcoolismo e as múltiplas cunhas que ele entregou para defender seu ateísmo. Por isso Kurt fez uma revanche para mostrar ao mundo o que sentia. A filha de Cobain e Love se chama Frances, mas não é uma homenagem à controversa atriz, mas Frances McKee, do The Vaselines.

"Um homem estupra uma mulher, é enviado para a prisão e acaba sendo estuprado lá", argumentou Cobain para feministas que rotularam "Rape Me" como uma performance inconsistente de um artista em relação às mulheres. O vocalista mais de uma vez teve que quebrar esse voto de silêncio e teve que sair e explicar o significado que queria demonstrar com este trabalho. Até a música foi alvo constante de polêmica, o que levou uma rede de supermercados a mudar o nome para "Waif Me". As polêmicas continuaram e a MTV os proibiu de tocá-lo em 1992 no Video Music Awards; no entanto, a banda grunge tocou os primeiros acordes antes de mudar radicalmente para "Lithium". Mais de um produtor e magnata da rede de televisão teve o coração paralisado por aquela piada, o que levou à retirada dessa parte da música nas repetições subsequentes do momento. Dave Grohl também deixou sua marca nesta transmissão de televisão e enviou uma saudação bastante irônica a Axl Rose.

“All Apologies” fecha o álbum americano (o europeu contém «Gallons of Rubbing Alcohol Flow Through the Strip») de uma forma incrível. Foi o segundo single do álbum, mas não teve videoclipe oficial, sendo rodado pela MTV com a versão que tiveram graças ao Unplugged. De tom sombrio e sombrio, o significado da música é incerto por tudo que ela comunica, deixando várias mensagens que foram direto para sua família. A faixa tem certas semelhanças com obras dos Beatles, mas os riffs executados tornam isso desconhecido, de modo que foi uma obra do Nirvana. A distorção que acompanha os últimos versos são excelentes pontos que são expostos com a frase "Tudo em tudo é tudo o que somos" ("Afinal, é tudo o que somos").

In Utero devolveu o Nirvana às suas bases punk e melódicas e insinuaram que seriam as formas que começariam a implementar nos seus próximos discos. No entanto, todos nós sabemos o desfecho da história do líder da banda, deixando este último trabalho como um excelente álbum que se destacou como único e não pode ser comparado levianamente a Nevermind . O terceiro álbum do grupo tinha grandes expectativas e cara valeu a pena, já que o número 1 da Billboard não foi apenas um sucesso, mas também um trabalho a mais, tanto em termos de composição quanto de produção. A arte da capa que esteve a cargo de Kurt Cobain juntamente com Robert Fisher revela o nascimento e a morte daquela que seria a última obra em estudo pelo Nirvana.

Disco Imortal: Metallica – Ride the Lightning (1984)

 

Disco Inmortal: Metallica – Ride the Lightning (1984)

Megaforce, 1984

Era o glorioso 1984 para a cena da Bay Area em São Francisco, onde muita coisa acontecia e uma banda chamada Metallica assumia a liderança dentro de determinados nomes como Exodus, Death Angel ou Testament, criando todo um som influenciado pela NWOBHM e pelo punk .

Já tinham dado um acerto certeiro e direto com o seu debut oficial «Kill 'Em All», mas para esta oportunidade esperavam um certo álbum mais sofisticado, mais cuidadoso nas estruturas e arranjos, mas nem por isso menos letal e contundente.

É um álbum de oito canções incríveis, nenhuma delas é filler, embora tenham saído verdadeiras obras-primas que tendem a ofuscar outras. O fio condutor da morte e da perda, por diversos tipos de circunstâncias, marcou aquele que é seguramente um dos discos mais sombrios da banda, mas onde também marcaram um posicionamento político quanto ao motivo disso: críticas à pena de morte, a frieza da guerra , o holocausto nuclear, entre outras coisas.

Flemming «Razz» Rasmussen, o produtor dinamarquês foi quem levou a banda da sua terra natal, a Dinamarca (e de Lars Ulrich) para o Sweet Silence Studios para produzir este grande segundo álbum. A partir daí, os bons amigos desse cara passariam a considerá-lo o homem por trás das obras-primas da banda (Master of Puppets e And Justice for All também foram de sua safra).

Deve ser uma das entradas mais vorazes num disco de metal: «Fight Fire with Fire» é uma violência sem alma, uma fúria intensa naquela que é uma espécie de banda sonora do que seria Armageddon, doomsday ou como quer que se chame. fim do mundo. Sua introdução acústica é brilhantemente bem colocada, a calma antes do desastre. O final com a explosão não lhe faz nada mal, algo que nos diz que este disco nos vai deixar completamente boquiabertos.

O Metallica sempre foi muito crítico com o sistema judiciário americano e o título dessa grande obra foi um dardo certeiro para esse lado, em tempos onde a pena capital já era imposta, o Metallica cantava coisas como ("Quem Deus te fez para tirar a vida dele ? Para um homem?) . Suas críticas foram bastante polêmicas já que durante aqueles anos vários condenados à cadeira elétrica haviam cometido muitas atrocidades, mas a ideia do Metallica era defender o direito à vida acima de tudo, independentemente do fato ou do que foram julgados

São canções tão incríveis que ouvi-las não é chato, os sinos de «For Whom the Bell Tolls» ditaram que batessem bem quando misturados com guitarras chicoteadas e tambores estrondosos; AC/DC e Iron Maiden também agraciaram suas obras-primas com esses sons. Desta vez o Metallica foi além, incluindo referências literárias ao livro homônimo de Ernest Hemingway, sobre a sangrenta Guerra Civil Espanhola, vivida em primeira mão por seu autor. Isso foi bastante interessante, e bandas como o Iron Maiden fizeram isso: incluíram ricos conceitos literários e filosóficos em suas letras, mostrando que o metal não era apenas violência e imagens satânicas como era julgado naqueles conservadores anos 80, com os regimes de Thatcher na Inglaterra e Reagan em os EUA

'Escape' e 'Trapped Under Ice' são duas ótimas canções. O que acontece é que diante de tantas obras primas elas não brilhavam tanto, mas os riffs assassinos, a marca do baixo de Burton e sobretudo a linha melódica de Hetfield marcariam a tendência. Hetfield cantava agressivo, mas também doce, e outro exemplo claro desse álbum foi a ótima 'Fade to Black', uma música de arrepiar os cabelos: eletrizante, com trechos variados e uma parte acústica enorme (com alguns aceno para 'Goodbye Cruel World' do Pink Floyd). Uma música que por coincidência tem sido especial para a banda, a começar pelo fato de ter sido a última música tocada ao vivo por Cliff Burton antes de sua triste morte.

Além disso- qual Maidens-, o Metallica queria entrar na história das civilizações e seções bíblicas, e o tremendo hino para isso é o enorme "Creeping Death", que tocou o tema das dez pragas e Moisés, um tema simplesmente devastador e especial para shows ao vivo. Aquele 'Morra, Pela Minha mão!' com o refrão “'Morra, morra, morra!!» para trás é apenas uma das muitas razões que o tornaram tão imortal.

O que se conseguiu com este disco foi quase irrepetível. Como se não bastasse, o toque final vem com a instrumental 'The Call of Ktulu', inspirada no conto do grande HP Lovecraft e desse demoníaco monstro subaquático. É aqui que a genialidade de Burton no baixo amplificado e aqueles efeitos múltiplos são valorizados, mas também as guitarras de Hetfield e Hammett são enormes e funcionam incrivelmente juntas. Quase nove minutos de uma maravilhosa fantasia metálica que encerra o álbum majestosamente bem.

Obras-primas são reconhecidas assim, quando anos e anos podem se passar desde seu lançamento, mas suas músicas permanecem totalmente frescas e inovadoras. Várias homenagens e covers foram feitos de cada uma dessas canções, mas quase nenhuma conseguiu superar os originais. Mais um grande trabalho daquela que foi, sem dúvidas, a melhor época do Metallica.


Destaque

Grandes canções: Trapeze - Seafull (1970)

  Aproveitando mais uma vez a carona do brother nessa coluna de infinitas possibilidades, vamos a mais um doblete. Dessa vez, retratando uma...