Integra os Ban em 1987 como segunda voz, ao lado de João Loureiro. Por esta altura trabalha e colabora com a poetisa Regina Guimarães na autoria de canções para teatro e vídeo, nascendo desta colaboração o primeiro álbum dos Três Tristes Tigres, em 1993.[1]
Em 2003, participa no álbum Acordar, dos Rádio Macau no tema "Nós Também".[2]
Em 2005, colabora no álbum Amália Revisited, com João Pedro Coimbra, em "Medo (Susto)"[3], e em 2007 com os Dead Combo, no te,a "Trova do Vento Que Passa", parte do álbum Adriano Aqui e Agora - O Tributo.[4].
Atualmente, em colaboração Alexandre Soares, dá corpo ao projeto Osso Vaidoso.
Pérola vinda da Áustria, formada na cidade de Graz no final dos anos 60. A banda Hide & Seek teve curto período de atividade, mas que rendeu ao sexteto popularidade local na época, resultando em quatro compactos, mas nenhum álbum. Após a saída do baixista e líder Alex Rehak para formar o Turning Point, em 1971, o grupo se desfez. Recentemente algumas músicas tem aparecido em compilações e o valor dos raros singles aumentaram entre colecionadores. Posto aqui as músicas "Crying Child" e "I Can Fly", lançadas em 1970, trazendo um som típico de bandas psicodélicas da época (como Cream ou Blue Cheer). Ambas curtas e ácidas, com forte pegada "garageiras", guitarra fuzz, órgão feroz e letras (em inglês) voltadas a temas lisérgicos. Recomendado para fãs de rock psicodélico sessentista.
Pérola vinda da Áustria, uma das mais importantes bandas do underground local. O Novak's Kapelle foi formado em 1967 na capital Viena e teve duas fases distintas, no final dos anos 60 lançaram dois compactos altamente influenciados pelo rock psicodélico da época. Após a saída de membros no começo da década seguinte a banda deu uma pausa, mas voltou novamente em 1977, na onda punk, lançando um LP e outros dois EPs (sendo o primeiro ao vivo). Sem conseguir sucesso, o grupo se desfez em 1980. Posto aqui o primeiro single do quarteto, lançado em 1968, com as músicas "Hypodermic Needle", um heavy psych nervoso, com guitarra fuzz e bateria "quebrando tudo", como falei acima, fortemente influenciado pela psicodelia norte-americana em nomes como Hendrix e Blue Cheer. O lado B "Doing that Rhythm Thing" traz um garage punk, barulhento e novamente na linha de hard sessentista. Ambas são curtas e com letras em inglês. Pérola recomendada para fãs de hard rock psicodélico.
Na ativa desde 2011, o grupo sueco Twilight Force vem se consolidando a cada lançamento como uma força do power metal sinfônico, se distanciando e muito de ser considerado apenas uma cópia do Rhapsody Of Fire como muitos dizem. Liderado por Philip Lindh (Lynd) e Daniel Beckman (Blackwald), a banda segue forte dentro de sua proposta, entregando contos belíssimos e grandes aventuras do mundo fictício de nome The Twilight Kingdoms.
São oito faixas com duração em torno de 45 minutos. Ou seja, um disco bem direto, o que considero um grande acerto. São histórias e lendas do reino do crepúsculo criadas pelo tecladista Blackwald, que o faz brilhantemente. Aliás, esse cidadão é talentosíssimo, sendo responsável também pela produção, mixagem e tudo mais. A mistura de faixas diretas e pegajosas com duas épicas com pouco mais de dez minutos cada também funcionou muito bem. É tudo muito bem estruturado e equilibrado entre momentos velozes, bombásticos e melódicos, além das passagens mais singelas e carregadas de emoção. Além dos membros fundadores, é necessário destacar o belíssimo trabalho de Alessandro Conti (Allyon). Impressionante como o encaixe é perfeito. Esse cara tem muito talento e soa muito melhor cantando aqui do que em sua parceria com Timo Tolkki.
O disco flui que é uma maravilha. A única faixa que exige um pouco mais do ouvinte é a épica final "The Last Crystal Bearer" que, por conta de sua temática, traz uma estrutura mais complexa, com narrativas, passagens orquestradas, etc. Nela há também a competente participação da vocalista Kristin Starkey. Minhas favoritas do álbum são "Twilight Force", "At The Heart Of Wintervale" e "Sunlight Knight". Adoro também a vinheta instrumental "A Familiar Memory", bem tranquila em um som mais folk/celta.
Hoje o power metal sinfônico é para quem é fã, já que seu auge ficou para trás. Mas, é importante destacar que existem bandas muito boas honrando o estilo hoje em dia, e o Twilight Force é certamente uma delas. Se no início foi muito comparada com o Rhapsody Of Fire, hoje é seguro dizer que está muito adiante. E para encerrar, ouça "At The Heart Of Wintervale", pois é bom demais. Quer saber onde encontrar? A versão em CD está disponível na loja da Shinigami Records e o acabamento está de primeira. Confira!
Faixas:
Twilight Force
At The Heart Of Wintervale
Dragonborn
Highlands Of The Elder Dragon
Skyknights Of Aldaria
A Familiar Memory
Sunlight Knight
The Last Crystal Bearer
Banda:
Allyon » Vocal
Lynd » Guitarra
Born » Baixo
Blackwald » Teclados & Narração
De'Azsh » Bateria
Aerendir » Guitarra
Interessante como as bandas atuais estão buscando renovar o som de artistas consagrados em décadas passadas. É o que vem acontecendo com estilos como synthpop, aor, hard rock, etc.. E em muitos dos casos, estes três estilos são misturados entre si, gerando um combinado bem atraente.
The Runaway Wild é um projeto do músico de Long Island, Jon Siejka, já conhecido pelos fãs de AOR em sua atividade principal, a banda Magic Dance. Aqui, o músico faz uso de seu talento como compositor e produtor para trazer uma abordagem voltada para o synthpop, mas com abordagem rock e AOR. Temos bons riffs de guitarra e muitos elementos eletrônicos, tudo com uma abordagem mais densa e obscura em termos de melodia, apesar de contar também com alguns momentos mais pegajosos, principalmente nos refrãos.
São dez faixas, sendo que a primeira é uma rápida abertura e a de encerramento é bem densa e instrumental. "Wake Up" e "God Rest The Youth" são ótimos destaques para cartão de visitas. Dá pra sentir de cara o talento de Siejka. Adoro a melodia de "Into The Mirror (We'll Now Unite)", uma das mais acessíveis, sendo que "Nothing Left" mantém a mesma energia. Por fim, deixo também "The Cretins" como sugestão.
Fãs de grupos como o Beast In Black certamente irão facilmente se adaptar ao som do The Runaway Wild. E que belo disco de estreia! Espero que venham mais lançamentos adiante. Para quem quer conhecer mais sobre este e o Magic Dance, Jon Siejka está no Bandcamp.
Faixas:
1 The Night I Died
2 Wake Up
3 God Rest The Youth
4 Into The Mirror (We'll Now Unite)
5 Nothing Left
6 The Harbinger Of Death
7 Forever Eighteen
8 It's Dinner Time
9 The Cretins
10 Dreams Of An Empty World
Official Bootleg Volume II Live In Budapest, Hungary 2010
Álbum de Uriah Heep
2010
CD/LP ao Vivo
Apresentar uma banda como o URIAH HEEP não é das tarefas mais difíceis já que ela possui uma história tão longa e rica no hard rock, que seu nome fala por si, portanto, vamos pular a parte das formalidades das apresentações e ir direto ao disco.
O que temos é um ao vivo duplo, mas não como tantos outros por conta de um singular detalhe: os veteranos ingleses resolveram no passado lançar seus próprios bootlegs, aqueles discos gravados pelos fãs/pessoal da produção, só que de forma oficial.
"Official Bootleg Volume II: Live In Budapest, Hungary 2010" foi gravado dia 4 de outubro de 2010 no Petofi Hall, em Budapeste, capital da Hungria, mas só lançado no Brasil em 2022. Ele faz parte da série “Official Bootleg”, composta por mais cinco gravações na Suécia, Japão, Austrália, Grécia e Alemanha, entre 2008 e 2010, sendo os registros da Hungria, Japão e Austrália, discos duplos.
Mantendo o espírito de ser algo natural, segundo informações do disco que acredito serem comum a série toda, a gravação não foi mixada, não teve overdubs e afins, é totalmente intocável para registrar o que foi o show para que o ouvinte tenha a sensação de se sentir ali, no meio da plateia. Atitude válida, mas criticada por alguns fãs mais ardorosos (ou justamente por eles?), já que o propósito de algo mais cru, onde há palmas mais altas, gritos aleatórios, assobios, etc., eventos que geralmente são tratados ou até mesmo eliminados em alguns lançamentos desse tipo, ficaram mais evidentes.
E isso é necessariamente ruim? Não, a meu ver houve críticas exageradas com relação a qualidade sonora do disco, afinal, a série já deixava claro se tratar de um bootleg, um material mais rústico mesmo - sim, existem alguns horríveis por aí, fato - mas não é o caso de "Official Bootleg Volume II: Live In Budapest, Hungary 2010". Sejamos racionais: que banda com tanta experiência jogaria seu nome no lixo por causa de gravações de discos ao vivo ruins?
Somados, os dois discos entregam mais de uma hora e meia do que o URIAH HEEP sabe fazer tão bem: hard rock cheio de melodias tocado por músicos experientes e talentosos. Inclusive, a banda lançou em janeiro agora seu vigésimo quinto disco de estúdio, o bem recebido “Chaos & Colour” (2023), mas essa é outra história, outra resenha...
Mesmo com músicas bem conhecidas, “Wake The Sleeper” ainda é um ótimo tema para se abrir um show; “Only Human” e “Corridors Of Madness”, até então conhecidas apenas através da coletânea "Celebration - 40 Years Of Rock" (2009), ficaram ótimas ao vivo; “Love In Silence” e “The Wizard” são duas belas canções, capaz de fazer marmanjos se emocionarem; “Sunrise” traz um show particular do habilidoso Bernie Shaw; “July Morning”, com seus mais de dez minutos, é palco para o único membro original, Mick Box, mostrar seu talento no até no wah-wah e “Lady In Black” é para fechar com o público cantando junto, até hoje.
Uma bonita embalagem em digipack duplo acomoda os dois discos. Por dentro, apenas algumas informações sobre a gravação e da equipe de suporte da banda. Um encarte, mesmo que com apenas fotos do evento, cairia bem e valorizaria ainda mais o produto.
Agora em versão nacional, "Official Bootleg Volume II: Live In Budapest, Hungary 2010" pode ser adquirido graças a parceria Shinigami Records com Ear Music/Sound City Records.
Formação:
Trevor Boldier: guitarra, vocais
Bernie Shaw: vocais
Phil Lanzon: teclados, vocais
Mick Box: guitarra, vocais
Russel Gilbrook: bateria
CD 1
01 Wake The Sleeper
02 Return To Fantasy
03 Only Human
04 Book Of Lies
05 Bird Of Prey
06 Corridors Of Madness
07 Love In Silence
08 Rain
09 The Wizard
10 Free Me
CD 2
01 Sunrise
02 Free ’N’ Easy
03 Gypsy
04 Angels Walk With You
05 July Morning
06 Easy Livin’ (bis)
07 Lady In Black (bis)
TOOL sempre foi uma banda que não conseguíamos (ainda hoje, isso acontece) o seu gênero pertencente. É um rock alternativo com bastante influencia de progressivo, o hardcore, principalmente o californiano e até mesmo a fase do rock no final dos anos 1980 e inicio dos anos 1990, o grunge. TOOL começou realmente em 1993 com lançamento do enigmático "Undertow" e logo em seguida tivemos "Ænima" de 1996. A banda deu uma parada pois o vocalista do quarteto de Los Angeles, Maynard James Keenan formou em 1996 a banda A Perfect Circle, que conta até hoje com James Iha, guitarrista do Smashing Pumpkins, que fez um grande sucesso com seu primeiro álbum, lançado em 2000. Maynard em boa fase, decidiu fazer um novo álbum com TOOL, que seria o maior e melhor álbum do quarteto. O famoso "passo maior que a perna". E que seria um álbum que você não conseguiria pular de uma musica A para a musica B. Seria um álbum no estilo do "Sgts Peppers Lonely Hearts Club Bnad" (futuramente ganhará uma resenha). Será que "Lateralus" é a comprovação de que o TOOL é uma das maiores bandas de rock alternativo de todos os tempos? Venha ler e descobrir na minha perspectiva.
O disco abre com "The Grudge". Um baixo que meus amigos... Simplesmente poderosíssimo. Uma bateria também poderosa e técnica e ao mesmo tempo, selvagem e agressiva. Uma guitarra bem rasgada e até mesmo, levemente distorcida, assim como o seu solo. O vocal é rasgado. Uma faixa bem impactante. "Eon Blue Apocalyse" é apenas um riff bem esquisito de guitarra de pouco mais de 1 minuto. Faixa esquisita. "The Patient" começa com um riff de guitarra bem "jazzificada" com elementos de eletrônica, mas depois só fica um riff de guitarra que logo em seguida, vem uma bateria mais contida e um baixo bem contido. Mas o andamento fica mais acelerado e a guitarra fica mais agressiva, assim como a bateria e o baixo. O vocal é mais melódico que a primeira faixa, sendo bem menos rasgado. Depois a bateria fica bem mais solista, se ousando a fazer "mini viradas". O solo de guitarra é distorcido e o baixo, mais técnico. Uma faixa surpreendente.
"Mantra" é simplesmente sons e efeitos de escuridão. Provavelmente um clima antes da próxima faixa. "Schism" é a faixa de maior sucesso do TOOL. Começa com um senhor riff de baixo federalmente distorcido. Uma bateria "mais calma", mas técnica". A guitarra começa apagada, mas ganha seu espaço sendo mais uniforme e atingindo agudos que o baixo que não consegue atingir. O vocal é mais calmo. No meio da faixa, temos um sintetizador acompanhando a guitarra, que faz um trabalho extremamente fiel ao que Tom Morello faria na sua carreira solo, no Rage Against The Machine ou no Audioslave.
"Parabol" com um acorde de guitarra bem experimental e lento ao mesmo, enquanto o vocal é lento e baixo e calmo. A bateria só aparece com pratos e o baixo... O baixo... Ele não aparece, mas é substituído por algum efeito sonoro que não identifiquei. Faixa estranha. Diferentemente de sua musica gêmea, "Parabola" tem um andamento mais energética e temos um solo de guitarra estridente e poderoso logo no inicio da faixa. Uma bateria fazendo uma virada sensacional. Baixo levemente destacado e que ajuda no poder do final da musica. O vocal é que nem no inicio, mas um pouco mais forte. Faixa estranhamente boa.
"Ticks & Leeches" começa com uma virada de bateria simplesmente sensacional. A guitarra e com distorção quase imperceptível. Baixo bem groovado e o vocal rápido e mais rasgado. Uma faixa surpreendente, no bom sentido. "Lateralus" é a faixa que dá nome ao álbum. Começa com um riff lento e calmo de guitarra, mas chega o baixo que segue a risca o que a guitarra faz. Mas sabemos que haverá uma explosão de bateria e a musica fica pesada e impactante. Bateria bem técnica e precisa. Baixo bem groovado. Vocal calmo e explosivo na medida certa. Uma excelente faixa. Seguimos para "Disposition" que começa com um excepcional riff de baixo lento e ao mesmo tempo, bem marcante, com efeitos de sintetizador no fundo. A guitarra chega para ser acompanhante do baixo, tendo papel de coadjuvante. A bateria é substituída por um tambor africano e o vocal, bem imperceptível, mas que só aparece no meio para o final da faixa.
"Reflection" é a faixa com mais duração do álbum, tendo um pouco mais de11 minutos. e é uma continuação da faixa anterior. Mas sendo mais agressiva e emocionante. A bateria é bastante agressiva e técnica. O baixo é deveras ousado em tentar ser agressivo e melódico e que funcionou bem a musica. A guitarra é novamente agressiva e distorcida para um caramba, especialmente no seu solo. "Triad" é como qualquer musica "normal" do quarteto californiano. Bateria técnica, calculada estranhamente precisa. Guitarra eletri8zante e um baixo bem groovado. Uma musica com a cara do TOOL. Faixa esplendida. Por fim, temos "Faaip De Odiad" que começa com efeitos de TV desentronizada do ar, grilos e bastante reverberação. Mas a faixa começa realmente ao fundo de um grandioso solo de bateria e o som fica mais alto e aparentemente, militares falam sobre algum incidente que ocorreu na Área 51. E acaba a faixa e um álbum fenomenal
"Latreralus" é um álbum que faz com clareza o que o TOOL fez. Um metal alternativo com bastante influencia de rock e metal progressivo com bastante técnica e letras incrivelmente filosóficas e reflexivas. "Lateralus" pode ser resumido como a definição o que é o TOOL.
Apesar de no meu ciclo de amizades pessoais, existirem pouquíssimas pessoas que o gosto musical bate na mesma frequência do meu, com essas poucas pessoas eu já conheci algumas músicas que me impressionarem e me fizeram perguntar, “como que eu não conhecia isso antes”. A música produzida por Arnaud Quevedo fez com que eu me fizesse exatamente essa pergunta. Aquela combinação exemplar de jazz fusion com rock progressivo realmente havia me pegado de jeito. As camadas vocais também são muito boas – ainda que, confesso que nem sempre funcione tão bem quanto os arranjos e as performances musicais.
“Electric Overture”, a bateria inicia o disco, logo depois, entra a banda em um arranjo maravilhoso que vai apresentar muitos sons de rock progressivo e jazz fusion. Após esse momento mais enérgico, a peça se direciona para uma linha mais suave e devagar. Possui cerca de apenas um minuto e meio, seguindo diretamente para a próxima música. “The Dark Jester”, bem mais enérgica, mais uma vez é possível perceber muito jazz fusion e rock progressivo em sua mistura. Durante a peça, existe várias voltas e reviravoltas. Há uma pausa instrumental que tem muito fusion. Um nome que pode facilmente ser imaginado é o da Weather Report. Então que a seção vai acelerando e ficando mais intensa, chegando em um campo de insanidade que mistura algo entre Frank Zappa e outras coisas mais alucinantes. Conforme a peça vai levando o ouvinte novamente para o campo dos vocais, tudo chega a soar quase como uma música de vanguarda. Vale destacar também, o quão único é os arranjos dos vocais.
“Electric Princess Part 1” começa por meio de um arpejo despojado que vai gradualmente se tornando um arranjo mais completo com a introdução dos demais instrumentos. Particularmente, possui alguns sons que soam mais poderosos dentro do álbum. Com pouco mais de 9 minutos, possui algumas reviravoltas muito boas. Alguns dos trabalhos de guitarras entregues nessa peça são excelentes, a seção rítmica é fina e os sintetizadores bem construídos, enquanto o saxofone dá alguns ataques impiedosos antes da peça silenciar. As teclas assumem o controle e assim a peça permaneça até o seu fim. “Electric Princess Part 2”, as teclas que finalizaram a parte 1, são utilizadas para iniciar a parte 2. Algumas linhas de baixo também aparecem ajudando a desenvolver a música. Aos poucos, algumas cordas sinfônicas e melódicas também sobem à superfície junto de uma bateria comedida, a flauta surge e segue ajudando a fazer a música ir crescendo e evoluindo aos poucos. Há um solo de guitarra sensacional, mostrando o quão talentoso é Arnaud. Embora eu adore as duas partes, ainda acho essa parte melhor que a primeira.
“Entering... (Impro)” tem como baixo, um dos seus principais instrumentos, criando um clima muito dramático. Bastante suave, a guitarra mais a frente também ganha um destaque. Acho esse duo maravilhoso. “Mushi's Forest” é uma música muito melódica e que novamente faz uma excelente mistura entre o progressivo e o fusin. Os arranjos vocais estão muito bons. Tudo funciona muito bem e com algumas mudanças envolventes de ritmo. A bateria pela primeira vez ganha a chance e ser um dos destaques. No disco, há algumas passagens maravilhosas de flauta, sendo uma dessas, justamente nessa faixa. Uma peça matadora. “Flower Fields (Impro)” é uma música bastante sedutora baseada em um trabalho solo belíssimo de flauta.
“The Hypothetical Knight” começa com um baixo funky assumindo a liderança. O groove dessa música é muito bom. Com a entrada dos vocais, há uma mudança de som que direciona o faixa para algumas tendências progressivas, mas o baixo funky permanece, e com isso, o lado fusion da peça também se mantém bastante ativo. A jam de encerramento com certeza é o grande destaque. “Hope” começa com um pouco da energia do fim da faixa anterior, mas logo suaviza. Conforme ela vai avançando, vai entregando um fusion cheio de vigor, primeiramente liderado por um exímio trabalho de saxofone e mais à frente um solo de guitarra incendiário. Uma peça cheia de passagens muito enérgicas. “Electric Dreamer” é a música que encerra o disco. Se fosse para escolher a peça mais mainstream do álbum, certamente seria essa. Confesso que o arranjo vocal não me agrada, mas instrumentalmente é tão boa como qualquer outra, tendo um solo de guitarra de muita qualidade. Um final adequado para o disco.
Mas no geral, qual gênero sobressai no disco? Eu diria que Electric Tales é um álbum de jazz fusion, mas de forte ligação com o rock progressivo. Uma boa banda que pode ser dada de exemplo é a The Tangent, apesar de o seu som fazer o caminho inverso, ou seja, toca um rock progressivo, mas com forte ligação no jazz fusion.
Arena é uma banda de discografia bastante sólida, logo, Immortal? não foge à regra da banda, que entrega um disco de saldo positivo, inclusive, considero este, facilmente um dos melhores álbuns da banda. Os elementos progressivos encontrados aqui, entre outros, não principalmente de bandas como Marillion e Pink Floyd. Mas algo que considero muito legal no Arena é que apesar de suas influências, eles conseguem soar sem parecer necessariamente com nenhuma outra banda, indo mais longe, servindo como base para muitos outros grupos surgidos dentro do movimento neo-progressivo.
Immortal? teve uma tarefa que não era das mais fáceis, a de suceder, The Visitor, com certeza um dos álbuns mais aclamados do grupo, além de fazer isso, por meio da troca de dois membros, com John Jowitt – que também tocava com o IQ e Jadis naquela época -, dando o lugar no baixo para Ian Salmon, e os vocais, antes ocupados por Paul Wrightson, agora liderados por Rob Sowden. O equilíbrio entre as linhas de guitarra e teclado é excelente, fornecendo um exercício musical muitas vezes podendo ser definido como uma espécie de metal neo-progressivo.
“Chosen”, começa por meio de algumas sonoridades atmosféricas, seguida de uma bateria e vocais modernos parecendo até que estamos diante de alguma banda de metal alternativo. Então que, conforme os demais instrumentos entram na peça, tudo vai se tornando mais sinfônico. A alternância, então permanece por um tempo entre essa linha sinfônica e uma mais metálica. Mais à frente, é a vez do modo mais progressivo e dramático permear a faixa. Em seu núcleo, vale destacar o solo de guitarra. Admito que os primeiros segundos da música não são animadores, mas ela vai crescendo e se tornando em uma bela faixa de abertura. “Waiting for the Flood”, se a banda decidiu começar o disco por meio de uma peça bastante forte e intensa, logo em seguida, optou por uma faixa que serve como um bom respiro. Uma balada acústica, evocativa e que extrai bastante energia dos vocais. O solo de teclado é muito bom.
"The Butterfly Man" traz inicialmente algumas teclas em tons misteriosos e assustadores. Os vocais dramáticos, acontecem por cima desse clima. A calmaria com que a música vai se desenvolvendo, apesar de muito bonita, também é perturbadora. Bastante forte e intensa, quando fica mais agitada e sinfônica, se torna ainda mais vigorosa. Poderosa, termina com uma caída de volta para a sua sonoridade da abertura, talvez, para poder terminar da mesma maneira assustadora que começou. “Ghost in the Firewall”, o começo aqui é bastante floydiano, conforme as teclas vão se posicionando, os elementos à lá Floyd permanecem com mais força. Novamente, os vocais são bastante poderosos, mostrando que, apesar de não possuir os mesmos alcances de Paul, Rob foi uma excelente escolha para o posto. O refrão também tem uma textura bastante influenciada pelo Pink Floyd. No final, a peça silencia em umas teclas meio estranhas, mas ainda assim, adequadas.
"Climbing the Net", se na peça anterior, o território foi floydiano, aqui, o começo por meio de um teclado radiante é possível perceber um aceno ao Marillion, caindo logo em seguida para uma linha instrumental mais vital – mas sem perder o “q” de Marillion. Mais à frente há uma pausa instrumental um pouco genesiana, ficando em seguida mais atmosférica e de textura onírica, mas logo regressando para o clima radiante novamente, mais uma vez com acenos ao Marillion, permanecendo assim até finalizar em fade-out.
"Moviedrome", com quase 20 minutos é o grande épico do disco. Começa por meio de tons bastante serenos, como se fosse a trilha de algum filme de ficção científica. Algumas vozes dramáticas se juntam, então que toda a banda entra na peça. Após um tempo permanecendo em uma sonoridade pesada, mas de ritmo comedido, a faixa entra em um modo de calmaria e atmosférica, soando até mesmo um pouco sombria. O peso então retorna junto de alguns vocais bastante fortes. Após uma breve aparição de um som eletrônico, percussivo e obscuro, a música agora entrega uma seção progressiva sensacional. A mudança seguinte ocorre em um movimento de balada ao piano que é belíssimo, além de muito evocativo e poderoso. A banda então retorna, com destaque para a guitarra que explode em um solo excelente, direcionando a peça para dentro de uma combinação de suavidade e dramaticidade incrível. Mais à frente, depois de uma passagem vocal com apenas um coral ao fundo, Nolan parece ter se espelhado um pouco na escola de Rick Wakeman para compor o teclado que faz a introdução do retorno de toda a banda. A música agora está em sua parte mais pesada e intensa, os últimos vocais são poderosos, antes do tema lá do início aparecer rapidamente, apenas para encerrar a música. “Friday's Dream", eu poderia dizer que se trata apenas de uma música bonita e basicamente acústica e que encerra o disco, mas acho que merece mais. A melodia é linda, todos os instrumentos estão brilhantes e os vocais de Rob estão cheio de sentimentos e sensibilidade. Uma balada maravilhosa.
Sem dúvida, Immortal? é um dos melhores discos da banda, onde são mostrados sinais definitivos de maturidade e que eventualmente iria trazer uma performance ainda mais forte em seu álbum posterior, para mim, a grande obra-prima do grupo, Contagion. Aqui, temos um disco de faixas fortes e bem trabalhadas, construídas com desenvolvimentos altamente melódicos e bem acentuados.