sábado, 6 de maio de 2023

“Construção” (Philips, 1971), Chico Buarque



Quando a ditadura militar, instaurada no Brasil em 1964, impôs no final de dezembro de 1968 o AI-5 (Ato Institucional Nº 5), a situação político-social que já era ruim no país, se tornou ainda pior. O ato dava plenos poderes ao governo militar, dando-lhes o direito de censurar, prender e torturar qualquer um que se voltasse contra o regime ditatorial. Artistas, intelectuais e políticos vistos como inimigos do regime autoritário como os cantores Caetano Veloso e Gilberto Gil, os diretores teatrais Augusto Boal (1931-2009) e José Celso Martinez Corrêa, os cineastas Cacá Diegues Glauber Rocha (1939-1981), os artistas plásticos Antonio Dias (1944-2018), Hélio Oiticica (1937-1980), Lygia Clark (1920-1988) entre outros, foram obrigados a deixar o Brasil e buscar refúgio no exterior. Nessa leva de pessoas que deixaram o Brasil e partiram para o exílio no exterior estava o cantor e compositor carioca Chico Buarque de Hollanda.

Chico havia despontado no cenário musical brasileiro ainda muito jovem, em 1966, quando aos 22 anos de idade, viu a sua canção, “A Banda”, cantada por Nara Leão (1942-1989), dividir o 1° lugar com “Disparada”, de Geraldo Vandré, e cantada por Jair Rodrigues, no II Festival de Música Popular Brasileira, organizado pela TV Record, em São Paulo. Dali em diante, Chico foi construindo a sua carreira, gravando discos e participando de festivais. Talvez pela sua aparente timidez, Chico Buarque era “vendido” para o público como uma versão moderna de Noel Rosa (1910-1937), como um cantor doce e romântico.

No entanto, para alguns, Chico era considerado um artista que não tinha um posicionamento mais explícito contra a ditadura. Talvez cobrassem dele uma atitude mais radical como a de Geraldo Vandré. Mas isso era um pensamento equivocado e injusto. Chico já havia usado o seu talento em obras com apelo político-social como a canção “Pedro Pedreiro”, em 1965, e até mesmo no teatro, quando escreveu a peça Roda Viva, em 1968, que sofreu perseguição do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), que invadiu o Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, e agrediu artistas e destruiu o cenário da peça.

Primeira página do "Jornal do Brasil", de 14 de dezembro de 1968, noticiando o decreto 
do AI-5, o mais implacável ato institucional imposto pela ditadura militar. 


Em janeiro de 1969, Chico Buarque e a sua então esposa, a atriz Marieta Severo, que estava grávida, deixaram o Brasil e partiram para o exterior, onde o cantor já tinha compromissos profissionais agendados. O primeiro compromisso de Chico na Europa foi em Cannes, na França, onde participou do MIDEM, importante feira da indústria fonográfica. Depois seguiram para Roma, na Itália. Lá, Chico tinha um disco em italiano para gravar. Porém, as notícias que Chico recebia do Brasil não eram nada animadoras. Com o clima político tenso no Brasil e o estado adiantado da gravidez da esposa Marieta, Chico Buarque achou melhor e mais seguro permanecer algum tempo na Itália. A filha do casal, Sílvia, nasceu em Roma, em março de 1969.

Para sustentar esposa e a filha recém-nascida numa estadia na Itália estendida, Chico convidou o amigo Toquinho, cantor e compositor, para acompanha-lo numa temporada de shows em cidades italianas, abrindo as apresentações da cantora norte-americana naturalizada francesa, Josephine Baker (1906-1975).

Durante o exílio na Itália, além dos shows com Toquinho, Chico gravou e lançou o álbum italiano que já estava previsto, Per Um Pugno di Samba, que traz arranjos criados pelo maestro e arranjador Ennio Morricone (1928-2020). O título do disco foi inspirado no título de um filme de grande sucesso do cinema italiano, Per Un Pugno Di Dollari (No Brasil Por Um Punhado de Dólares), de 1964. Contudo, o disco foi um fracasso em vendas.

A estadia de Chico e sua família em solo italiano também foi garantida pelo adiantamento que a gravadora Philips fez ao cantor em troca de um disco no Brasil. O disco era Chico Buarque de Hollanda – N° 4, gravado uma parte na Itália (voz e violão de Chico em Roma) e a outra parte no Brasil (base instrumental, no Rio de Janeiro). Lançado em 1970, Chico Buarque de Hollanda – N° 4 foi o primeiro álbum de Chico Buarque lançado pela gravadora Philips, após quatro anos na RGE.

Em março de 1970, Chico Buarque, sua esposa e filha, retornaram ao Brasil depois de quase um ano e meio no exílio na Itália. O retorno de Chico já foi cercado de polêmica com o lançamento do compacto (single) da música “Apesar de Você”, um samba alegre e cheio de mensagens de esperanças. O lado B do compacto trazia a canção “Desalento”. O sucesso de “Apesar de Você” fez o compacto vender mais de 100 mil na primeira semana de lançamento. Porém, após uma nota de um jornal carioca insinuar que o “você” da canção era verdade o então presidente do Brasil, Emílio Garrastazu Médici (1905-1985), o mais implacável dos presidentes da ditadura militar. A música foi censurada e a polícia recolheu todas as cópias que ainda estavam à venda nas lojas. Nem a desculpa dada por Chico Buarque de que se tratava de uma mulher mandona, convenceu as autoridades. “Apesar de Você” foi liberada em 1978, e foi incluída no álbum Chico Buarque, lançado naquele ano.

Após um ano no exílio na Itália, Chico Buarque, Marieta Severo e a filha Sílvia
desembarcam no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, em março de 1970. 

Mas foi no ano seguinte, em 1971, que Chico Buarque lançou aquele que é considerado o seu melhor álbum, Construção. O álbum mostrava um Chico Buarque mais maduro e com um senso crítico sobre a realidade político-social brasileira bem mais afiado. Evidente que o disco tinha espaço também para canções com temas mais amenos como as canções de amor. O repertório do disco foi formado por canções compostas durante o exílio e o retorno do artista ao Brasil.

Construção teve como produtor Roberto Menescal, direção artística de Antônio José Waghabi Filho (1943-2012), mais conhecido como “Magro”, um dos vocalistas do grupo MPB-4, e arranjos de Rogério Duprat (1932-2006) em algumas faixas. O álbum foi o primeiro de Chico Buarque a ser lançado após o seu retorno ao Brasil. A intenção da gravadora é fazer do álbum não apenas um sucesso de crítica, mas também comercial. Até então, os álbuns de Chico tinham vendas bastante modestas, vendendo em média entre 30 a 40 mil cópias.

Um fato inusitado quase fez o álbum Construção não existir. Durante o processo de mixagem do álbum, um técnico de estúdio, sem querer, apertou um botão que apagou a gravação da orquestra conduzida por Rogério Duprat. Houve uma tentativa para recuperar a gravação, mas foi inútil. A saída foi gravar com a orquestra novamente. Porém, não havia mais verba para contratar a orquestra. Como além de produtor, Menescal era também diretor artístico da gravadora Philips, ele encontrou um jeito de solucionar o problema. Menescal uma lista de álbuns que estavam em processo de gravação (Elis Regina, Gal Costa e outros artistas que estavam gravando discos), e retirou um pouco da verba e cada um deles. A orquestra foi recontratada, as gravações foram refeitas tranquilamente. Nem o presidente da gravadora, André Midani (1932-2019), e nem mesmo Chico Buarque, não souberam na época dessa estratégia.

Convidados ilustres participaram das gravações do álbum Construção, dentre eles o grupo MPB-4, Tom Jobim, Toquinho e Trio Mocotó.

Toquinho, MPB-4 e Tom Jobim, alguns dos convidados de
Chico Buarque no álbum Construção.

O álbum começa com a fantástica “Deus lhe Pague”, uma canção com uma linha melódica repetitiva e tensa, que serve de pano de fundo para uma letra que é quase uma oração travestida de ironia. Numa época de censura e tortura imposta pela ditadura militar no Brasil, Chico se mostra ironicamente agradecido ao regime ditatorial pelas coisas básicas do cotidiano: “Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir / A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir / Por me deixar respirar, por me deixar existir / Deus lhe pague”. Nesta canção, Chico é acompanhando pelo grupo MPB-4 nos vocais de apoio.

“Cotidiano”, a faixa seguinte, trata sobre a vida entediante de um casal. Assim como na faixa anterior, em “Cotidiano”, a linha melódica da canção é repetitiva, monótona, praticamente uma sequência giratória que condiz com a ideia da rotina de vida dos personagens da letra da canção.

Lançada antes como lado B do single de “Apesar de Você”, em 1970, “Desalento reaparece no álbum Construção. A canção de teor romântico conta a história de um homem arrependido por não ter perdoado a mulher que amava. Depois que ela partiu, esse homem se desespera e pede ajuda a alguém para que a convença a voltar.

A faixa-título é que encerra o lado A da versão LP do álbum. “Construção”, a canção, é considerada a obra-prima de Chico Buarque dentre tudo que ele já compôs na sua carreira. A letra de “Construção” conta de maneira poeticamente dramática e numa descrição cinematográfica, os últimos momento da vida de um operário na construção e um edifício, que no final, morre de maneira trágica, mas sendo apenas mais uma vida “descartável” que se vai. Chico Buarque emprega aqui toda a sua genialidade na maneira como construiu a letra da canção, com versos muito bem elaborados e milimetricamente bem pensados. Os versos são dodecassílabos e terminam com palavras trissílabas proparoxítonas. E para dar uma “embalagem” luxuosa aos versos carregados de lirismo poético de Chico, o maestro Rogério Duprat preparou um arranjo de orquestra que dá um tom de tensão por trás da levada arrastada de samba. A música termina trazendo de volta um trecho de “Deus lhe Pague”.

A canção "Construção" foi a consagração de Chico Buarque como compositor.

O lado 2 de Construção abre com “Cordão”, um samba leve e singelo, aparentemente inofensivo, mas que guarda em seus versos mensagens sutis de resistência à ditadura: “Ninguém / Ninguém vai me segurar / Ninguém há de me fechar / As portas do coração”.

A melancólica “Olha, Maria”, traz Tom Jobim ao piano e um naipe de cordas que embalam o canto triste de Chico Buarque sobre um homem sofrido que se despede de Maria, mulher por quem ele é apaixonado. Apesar do amor e do desejo que sente por Maria, ele prefere que ela se vá, pois, a única coisa que tem para oferecê-la é a sua agonia.

O clima fica mais animado com “Samba de Orly”, escrita durante o exílio de Chico Buarque na Itália. Toquinho estava deixando a Itália para retornar ao Brasil e deixou com Chico uma música para pôr letra. Inspirado no retorno de Toquinho ao Brasil, Chico escreveu a letra como um pedido ao amigo para que ele mandasse notícias do Brasil. A letra, que também teve contribuição do poeta Vinícius de Moraes (1913-1980), passou por algumas alterações por causa da censura: saiu o verso “pede perdão pela omissão um tanto forçada” substituído por “pede perdão pela duração dessa temporada”. O título da canção poderia ter sido “Samba de Fiumicino”, uma alusão ao aeroporto de Fumicino, em Roma, cidade onde Chico Buarque estava exilado com sua família. Por ser um aeroporto pouco conhecido, preferiram colocar o nome do aeroporto de Orly, em Paris, que era mais famoso e de uma cidade onde haviam muitos brasileiros exilados por conta da ditadura militar no Brasil. A música foi então batizada “Samba de Orly”, e que conta com a participação animada do Trio Mocotó na percussão, e do grupo MPB-4 nos vocais de apoio.

Como diz o próprio título, “Valsinha” tem um andamento discreto de valsa. A letra desta canção descreve o renascer da paixão de um casal que não se contém de tanta felicidade e desejo, que começa a bailar em praça pública. O título, a princípio, seria “Valsa Hippie”, sugerido por Vinícius de Moraes, mas Chico preferiu “Valsinha”.

“Minha História” é uma versão em português da canção italiana “Gesù Bambino”, de Lucio Dalla e Paola Pallotino. A versão original trata sobre a história de uma mulher que teve um filho com um soldado aliado durante a Segunda Guerra Mundial. O soldado foi embora, e a mulher deu à luz a uma criança a quem chamou de Gesubambino (Menino Jesus, em português). Já a versão em português de Chico Buarque versa sobre uma história semelhante, em que uma prostituta engravidou de um homem que sumiu sem assumir a paternidade da criança. A mulher nomeou o seu bebê de Menino Jesus e, para ninar a criança, costumava cantar canções do cabaré onde trabalhava, pois não lembrava mais das canções de acalanto.

E falando em canções de acalanto, o álbum Construção termina com “Acalanto”, uma canção de ninar que Chico escreveu dedicada à sua filha Sílvia. Embora seja uma canção delicada e singela, “Acalanto” contém versos que fazem referência, de maneira muito sutil, ao momento sombrio que o Brasil vivia sob o comando da ditadura militar: “Dorm'inha pequena / Não vale a pena despertar / Eu vou sair / Por aí afora / Atrás da aurora / Mais serena”. Quando Chico diz à filha que vai sair atrás da “aurora mais serena”, é na verdade uma busca pelo fim do regime autoritário em que o Brasil estava submetido.

O casal Marieta Severo e Chico Buarque com a filha Sílvia em 1970:
a canção "Acalanto" foi dedicada à criança .

Construção conseguiu alcançar o objetivo que a gravadora esperava. Foi um sucesso de crítica, como já era de se esperar, mas também sucesso em vendas. Só na primeira semana de vendas, o quinto álbum de Chico vendeu mais de 100 mil cópias. O desempenho comercial foi tão bem sucedido que o disco de Chico Buarque disputava nas paradas de álbuns com o álbum de Roberto Carlos lançado naquele ano. Segundo o próprio produtor Roberto Menescal, o álbum Construção teria vendido por volta de 300 mil a 400 mil cópias.

Além de bem sucedido na época de seu lançamento, Construção nortearia Chico Buarque durante a década de 1970 para um tipo de música mais combativa, engajada, o que levaria o artista a ser perseguido pela censura, embora tivesse conseguido desenvolver a capacidade de esquivar-se dela através de artifícios que iam desde versos com mensagens indiretas (o que ele já vinha fazendo) até mesmo a assinar suas canções por meio de pseudônimos como Julinho de Adelaide.  

O álbum, assim como a faixa-título, construiu ao longo de décadas, uma reputação irretocável, conseguindo firma-se como um dos mais importantes discos da música brasileira em todo os tempos. A edição de outubro de 2007 da edição brasileira da revista Rolling Stone, publicou a lista dos 100 maiores discos da Música Brasileira, onde Construção figurou em 3° lugar.

Faixas

Lado 1

  1. "Deus lhe Pague" (Chico Buarque)   
  2. "Cotidiano" (Chico Buarque)
  3. "Desalento" (C. Buarque - Vinicius de Moraes)       
  4. "Construção" (Chico Buarque)           

Lado 2

  1. "Cordão" (Chico Buarque)    
  2. "Olha Maria (Amparo)" (C. Buarque - V. de Moraes - Tom Jobim) 
  3. "Samba de Orly" (C. Buarque – Toquinho - V. de Moraes) 
  4. "Valsinha" (C. Buarque – V. de Moraes)      
  5. "Minha História" (Lucio Dalla - Paola Pallotino; versão de C. Buarque)     
  6. "Acalanto" (Chico Buarque)

 

"Deus lhe Pague"

"Cotidiano"

"Desalento"

"Construção"

"Cordão"

"Olha Maria (Amparo)"

"Samba de Orly"

"Valsinha"

"Minha História"

"Acalanto"

  

Panda Bear – Person Pitch (2007)


 

Ouvindo Person Pitch, a sensação é a de rodopiarmos num carrossel, como se tivéssemos outra vez quatro anos: cor, leveza, deslumbramento, medo.

Noah Lennox é Panda Bear, baterista dos Animal Collective e o seu bicho mais criativo. Em 2004, apaixona-se por uma portuguesa (quem nunca?), decidindo, sem mais delongas, mudar-se para Lisboa. Não fora a alfândega confiscar a guitarra de Noah, nunca teria acontecido a magia de Person Pitch: Lennox começa a experimentar com samples, acabando por basear o grosso do novo disco num intrincado jogo de corte e cola. A criatividade não é geometria descritiva: deve sempre qualquer coisa ao mistério e ao acaso.

A arte do sampling convida à repetição; Person Pitch é feito de loops. A sensação é a de rodopiarmos num carrossel, como se tivéssemos outra vez quatro anos (cor, leveza, deslumbramento, medo). Muitos dos “sons encontrados” são também circulares (carros de fórmula Um correndo na pista, máquinas de lavar roupa girando melancólicas). Cada volta é diferente: o loop como um organismo vivo em permanente mutação.

Por cima deste jogo de espelhos, surge a voz de Noah, límpida e pura como um Brian Wilson pós-internet. Voz, não, vozes, pois Lennox desdobra-se em muitos, harmonizando consigo próprio (um só rapaz contendo todos os Beach Boys). O nome Panda Bear nada tem de irónico: há, de facto, uma inocência de peluche na sua voz. Houvera uma escala de perversidade rock’n’roll, Lemmy seria o grau máximo, Panda o zero absoluto.

O seu canto, ensopado em reverb, traz o eco das igrejas de Lisboa. Os místicos encontrarão cânticos panteístas pelo milagre do mundo (bah!, morte à new age!). Nós, menos arrebatados, sabemos que tudo são truques engendrados pelo cérebro mas nem por isso conseguimos resistir à letargia peganhenta das vozes de Noah. Um convite irrecusável ao sonho e à fantasia…

Se nos discos anteriores (quer em nome próprio, quer como Animal Collective), Lennox escondera muito bem os seus dotes melódicos, em Person Pitch a sua sensibilidade pop sai finalmente do armário (mas sempre de mãos dadas com uma deliciosa estranheza vanguardista).

Noah chega a ser quase dogmático neste princípio de oposição permanente: para compensar o açúcar mascavado de “Comfy in Nautica” (quase um cântico Hare Krishna, por amor de Deus!), Lennox sente a necessidade de adicionar um epílogo sinistro. Agora, sim, há luz e escuridão, o universo regressando ao equilíbrio primordial.

Quando no início do novo milénio apareceram bandas como os White Stripes e os Interpol, regozijámos com a nova vitalidade do indie mas receámos que as suas inclinações retro nos empurrassem para um beco sem saída. Ora Person Pitch não cai nesta armadilha, fazendo a linguagem do rock avançar e influenciando bandas como os Grizzly Bear e os Fleet Foxes. Como? Da maneira que a música sempre avança: tornando-se impura, chafurdando sem pudor em outras tradições (neste caso, roubando o corte e cola ao hip-hop e a repetição à electrónica).

Os próprios Animal Collective seguiriam as pistas lançadas por Person Pitch, com discos mais electrónicos e melódicos (Strawberry JamMerriweather Post Pavilion), doçura e dissonância em partes iguais. É sempre nestes territórios fronteiriços, onde a ordem e o caos confluem, que as coisas começam a ficar interessantes.


Ernest Hood – Neighborhoods (1975)

 

As canções que compõem Neighborhoods são muito mais do que meras canções: são, como o próprio Ernest indicou, na capa original do álbum, “imagens musicais”. E são mesmo. Facilmente percebemos porquê.

O passado, o presente e o futuro formam as coordenadas da vida de qualquer um de nós. É impossível fugir destas construções temporais; lidamos todos os dias com estas estruturas. O tempo exerce pressão em todas as vidas, e é por isso que somos todos iguais; as diferenças que nos separam nascem apenas na intensidade com que o tempo molda as nossas vidas e experiências. Cada pessoa tem o seu próprio passado, presente e futuro. Cada pessoa tem as suas próprias memórias e fontes de lembranças, no entanto, os sentimentos abstratos de saudade, nostalgia e felicidade são comuns a todos.

Ernest Hood lançou Neighborhoods em 1975. 44 anos depois, em 2019, o único álbum da vida do compositor norte-americano foi alvo de uma remasterização, e, através dessa, ganhou popularidade um pouco por todo o planeta musical – compensando a pouca fama que o trabalho teve na década de 70’, fruto do reduzido número de cópias produzidas e comercializadas. (Hood também não se interessou muito por “vender” este trabalho: a maior parte das gravações foram oferecidas a amigos.)

As canções que compõem Neighborhoods são muito mais do que meras canções: são, como o próprio Ernest indicou, na capa original do álbum, “imagens musicais”. E são mesmo. Facilmente percebemos porquê.

Na faixa inicial, “Saturday Morning Doze” a música entra na casa do nosso coração (sem autorização!), revista todas as gavetas da nossa memória, e pega nos episódios mais bonitos da nossa vida. De repente, voltamos a ser crianças. De repente, voltamos a uma época onde tudo é mais simples, calmo, bonito e laranja (a cor da bandeira da nostalgia). De repente, é verão, e estamos em casa dos nossos avós. O chilrear dos pássaros, a música leve que o vento produz ao mover-se, o som cheio de esperança de crianças que riem e brincam, transportam-nos, no espaço e no tempo, para os dias mais puros da nossa infância.

Neighborhoods é um pedaço de música verdadeiramente especial. Vale a pena atentar na vida e na experiência pessoal de Ernest Hood para compreendermos a essência deste trabalho feito de sorrisos, paz e partes do céu.

Este é o único álbum de Hood. Durante parte da sua vida, tocou com o seu irmão, Bill, na banda do saxofonista Charlie Banet. Mas tudo mudou, na década de 50, quando Ernest adoeceu, contraindo pólio. De um dia para o outro, foi forçado a viver sentado numa cadeira de rodas, e não tinha como segurar devidamente a sua guitarra de jazz. Nesse contexto, viu numa cítara a sua melhor amiga e nova companheira de todos os tempos. E desengane-se quem ache que Hood parou de produzir música; de facto, foi neste período que o compositor norte-americano aperfeiçoou as suas técnicas de produtor, tendo até auxiliado em alguns trabalhos de George Duke, por exemplo. Também por esta altura, começou a gravar os sons que o rodeavam e que serviam de banda sonora para os seus dias passados em Portland. Assim viria a nascer Neighborhoods.

Este é um álbum feito de nostalgia e brincadeiras de criança – é literalmente feito de brincadeiras de criança, e de conversas também. Em “At The Shop”, depois de uma bonita composição inventada pelo sintetizador de Hood, ouvimos duas crianças a conversar: estão ao balcão de uma loja, a comprar peanuts e sodas, a rir, enquanto falam com a vendedora. Neighborhoods é bonito por estes apontamentos. Hood, através das técnicas que implementou nesta produção, faz-nos viajar no tempo de duas formas diferentes. Primeiro, leva-nos até aos seus dias passados em Portland, na companhia dos seus vizinhos e de todas as outras pessoas que formaram os seus dias. Segundo, e de uma maneira mais sentida e profunda, leva-nos a recordar as nossas próprias infâncias, brincadeiras e memórias.

Neighborhoods não corresponde propriamente a um estilo musical predefinido (é um autêntico field recording), no entanto, em muitos momentos, tem ligações subtis ao jazz (em “After School” haverá um curto suspiro de saxofone).

Em “August Haze”, o lusco-fusco chegou, e os grilos começam a ganhar terreno, enquanto mães começam a preparar os jantares, tentando afastar os filhos dos terraços e jardins das casas, palcos autênticos de aventuras.

A melodia em “Secret Place” é preciosa e vem carregada de sentimento. O título da faixa faz metade do trabalho, ao criar, na nossa cabeça, uma sensação de refúgio seguro, onde nada nos pode magoar. E, de repente, sempre de repente, perto do fim desta faixa, começa a chover e a trovejar.

“After School” é a faixa mais longa do álbum. Por isso, é aquela que conta a história mais detalhada; são vários os intervenientes: há vários homens, carros a cruzar as estradas, cães (muitos cães), bolas de basquete a bater constantemente no chão, e crianças a desejarem “POOOOPSICLES!!!!”.

Em “Gloaming”, há um piano, que se esconde atrás de um diálogo entre um senhor mais velho, um miar de gato e a voz de um pequeno rapaz. De facto, em Neighborhoods, a música é deixada delicadamente para segundo plano – sempre. O ambiente, formado por gravações reais e autênticas, chega até aos nossos sentidos com mais força.

“From The Bluff” e “Night Games” terminam o álbum, que, depois de nos ter dado um forte e carinhoso abraço de boas-vindas, na iniciática “Saturday Morning Doze”, despede-se de nós com outro abraço, e agora com uma lágrima no fim da superfície do olho.

Estas são as palavras que Ernest Hood dedicou à sua própria produção – não as irei traduzir, pois quero que as mesmas se mantenham fiéis a Ernest: «My purpose in creating this album is to pay a debt to some beautiful and loving people. To older folks everywhere, but especially the ones who put up with my childhood pesters, those who played such an important role in the formation of comfortable memories. I hope this brings back something warm and joyful to your hearts. (…) It hardly matters in which neighborhood you sprouted. The games we played, the mocks, the terminology, and the feelings we experienced as youngsters are tantalizingly familiar. If I didn’t exactly capture your territorial terms forgive me and just let the mood suffice.».

Da mesma forma que todos nós temos o nosso próprio passado, presente e futuro, também temos os nossos álbuns preferidos e canções (que chegam mesmo a comunicar connosco a um nível mais intenso do que pessoas de carne e osso). Para mim, Neighborhoods corresponde a um desses álbuns feitos de magia e sentimentos. Dificilmente, não reproduzo toda a minha vida enquanto escuto as preciosas composições de Hood. Lembro-me de tudo, de todas as brincadeiras, de todos os sorrisos, e de todos os gelados devorados em tardes de verão. Lembro-me de todas as pessoas que construíram a minha infância, e continuam a construir, cuidadosa e ternamente, a minha vida.

Obrigado por um disco tão verdadeiro, Ernest.



sexta-feira, 5 de maio de 2023

Capicua – Madrepérola (2020)

 

Desde 2008 Capicua tem brindado o mundo do hip-hop, aliás de toda a música portuguesa, com lições de como fazer boas letras e canções. Em 2020 chega Madrepérola, a mais recente jóia da discografia.

Este terceiro disco em nome próprio pode enganar quem acha que a artista tem andado parada. De remisturas a discos em parceria, Capicua acumula concertos e colaborações como cantora ou letrista. No ano de 2019, participou em Bairro da Ponte de Stereossauro, e neste novo trabalho recupera um tema diferente desse disco. Em resumo, Madrepérola é um disco com mais altos que baixos e mantém a qualidade a que Capicua já nos habituou.

Madrepérola tem a sua declaração de intenções com “A Ostra”, texto original de Rubem Alves onde, explica, a ostra tem de criar a pérola para deixar de sofrer com o grão de areia. Logo depois vem “Passiflora”, canção baseada em Flor de Maracujá de Stereossauro com Camané, onde Capicua explora a sua própria vida e carreira em relação aos críticos “Eles preferem os discos que ainda não saíram/ Eles preferem promessas daqueles que desistiram“, esperamos contudo que não deixe de ler o Altamont.

As referências poéticas e musicais estão sempre ao lado do bom gosto. Logo em “A Minha Ilha”, com a participação de Catarina Salinas dos Best Youth, ouvimos versos de Sophia e referências a ChicoGil ou Elis. “Circunvalação” é um hino ao Porto, cidade que ama e critica e onde o refrão puxa semelhança a Grandmaster Flash. “Parto Sem Dor” vai à canção homónima de Godinho e através de mais referências a pérolas, fala sobre a maternidade. Mais à frente, no tema título, com participação de Karol Conká, o name dropping irrepreensível serve como chamada à acção, feminista, cheio de força e diversão. Dá vontade de deixar aqui toda a letra, pela dificuldade que é escolher uma parte melhor, mas fica esta, mesmo a terminar a canção, “Vim dar lições a putos e a homens das cavernas/ Sobre a vida com V grande e V no meio das pernas“, que acaba por ser uma afirmação da carreira de Capicua.

Como sempre, Capicua domina a língua e as rimas, saltando com aparente fluidez entre temas sérios ou mais a brincar, conseguindo sumarizar vidas e sentimentos com os quais nos podemos relacionar com facilidade, ainda que desprovidos da acuidade verbal da artista. “E se este mundo é surreal bora fazer um Dalí” parece uma frase fácil, e é isso que faz dela uma bala certeira aos sentimentos. Outra delas é “Planetário”com participação de Mallú Magalhães. Neste tema Capicua mostra o seu talento para contar histórias de amor, com um videoclip igualmente fofo onde um casal conta os sinais na pele. “Último Mergulho”, com Lena D’Água é outro dos pontos altos de Madrepérola e talvez a canção mais aberta a interpretações. Precede “Mátria”, onde colabora com EmicidaRael e Rincon Sapiência e cada um deles versa a sua própria criação e identidade.

Capicua apresenta-se como artista completa. Em relação a Sereia Louca de 2014, o seu último disco “a solo”, parece mais confortável, depois do hype, assumindo-se completa, no domínio da sua arte. Não somos nós que vamos perguntar pelo próximo disco e vamos aproveitá-lo “porque pode ser o úlitmo!



“Fragile”(Atlantic Records, 1971), Yes

 


Início da década de 1970. O rock progressivo era naquele momento uma das vertentes mais promissoras do rock, em meio a outras novas vertentes roqueiras que também ganhavam projeção como o heavy metal e o glam rock. A banda inglesa Yes era uma das grandes promessas do rock progressivo na época, graças ao sucesso do seu terceiro álbum de estúdio, The Yes Album, lançado em fevereiro de 1971. O álbum praticamente salvou o Yes de ser dispensado pela gravadora Atlantic Records, após o fracasso comercial dos seus dois primeiros álbuns, Yes (1969) e Time And A Word (1970).

Logo após a turnê de The Yes Album, o Yes começou por volta de julho de 1971 os ensaios para as gravações do seu próximo álbum de estúdio, o sensacional Fragile. Havia um consenso entre os integrantes do Yes de que a banda deveria adotar o sintetizador, instrumento moderno que várias bandas de rock e de música pop começavam a usar. Até aquele momento, os instrumentos de teclados que o Yes usava eram apenas órgão Hammond e piano. Enquanto isso, outras bandas de rock progressivo como Emerson, Lake & Palmer, King Crimson e Pink Floyd, por exemplo, já faziam uso de sintetizador nos discos e shows. Dentro do Yes, a ideia do uso de sintetizador encontrava resistência apenas no tecladista Tony Kaye, que tinha preferência pelo órgão Hammond.

Por causa dessa resistência ao sintetizador, Kaye foi dispensado do Yes. Em seu lugar entrou Rick Wakeman, ex-tecladista da banda Strawbs, um músico com habilidade para tocar piano, órgão Hammond, Mellontron e sintetizador. Embora muito jovem, Wakeman era um músico experiente. Além de já ter tocado em banda, trabalhou como músico de estúdio em gravações discos de astros da música como Cat Stevens, Elton John, Lou Reed e David Bowie (1947-2016). Aliás, Wakeman havia recebido um convite de Bowie para integrar a sua banda de apoio, a Spiders From Mars. Porém, ele optou pelo Yes por acreditar que teria maior liberdade criativa e mais oportunidades para a sua carreira.

Troca de tecladistas: Por divergir ao uso de sintetizadores no Yes, 
Tony Kaye (à esquerda) deixou a banda e foi substituído pelo
virtuoso Rick wakeman (á direita),ex-Strawbs.

Para auxiliá-lo nas gravações de seu quarto álbum, o Yes convocou Eddy Offord, produtor que já havia trabalhado nos discos anteriores da banda. Offord trabalhou como engenheiro de som em Time And A Word, e como produtor em The Yes album. As gravações de Fragile ocorreram entre agosto e setembro de 1971, no Advision Studios, em Londres, Inglaterra.

Fragile é um álbum composto de nove faixas, quatro delas são apresentações coletivas, intercaladas por outras cinco músicas, que são composições individuais, onde cada membro tem a oportunidade de mostrar as suas habilidades. O álbum comprova que a chegada de Rick Wakeman para ocupar o lugar de Tony Kaye foi uma medida bastante acertada pela banda, ampliando o arco de possibilidades musicais do Yes, pondo o grupo em pé de igualdade com outras bandas de rock progressivo.

Além da chegada de Wakeman, outra novidade trazida por Fragile é a arte da capa, ilustrada pelo artista gráfico Roger Dean. Foi a primeira de tantas capas de discos que o artista faria para o Yes. O estilo de Dean se tornaria uma marca visual que ficaria bastante associada ao grupo inglês.

Fragile marcou o início da parceria do Yes com o ilustrador inglês Roger Dean (foto).
Ele se tornou desde então responsável pela maioria das capas dos discos da banda.

Fragile começa com um dedilhado de violão clássico executado por Steve Howe, sucedido pelos outros instrumentos dando início a “Roundabout”, a principal faixa do disco, e um dos maiores sucessos da carreira do Yes. Jon Anderson, vocalista da banda e autor da letra de “Roundabout”, escreveu os versos inspirado numa viagem que fez à Escócia. A faixa é uma odisseia musical que apesar da longa duração e das variações de andamentos, possui uma perfeita combinação de experimentalismo com apelo radiofônico. No meio da música, a banda emprega um ritmo com forte base percussiva que remete à música caribenha.   

“Cans And Brahms” é uma faixa instrumental com um arranjo adaptado para órgão e sintetizador a partir de um movimento da “4ª Sinfonia em mi menor”, do compositor erudito alemão Johannes Brahms (1833-1897). Aqui, Wakeman mostra todo o seu virtuosismo como tecladista, proporcionando ao ouvinte uma interessante conexão entre a música erudita e o rock. Após a performance de Wakeman, é a vez de Jon Anderson mostrar toda o seu talento como cantor em “We Have Heaven”, canção recheada por camadas de vocalizações do cantor.  

Recém chegados: à esquerda, o guitarrista Steve Howe (entrou no lugar de Peter Banks
em 1970) e o tecladista Rick Wakeman, (substituto de Tony Kaye),
ambos no estúdio durante as sessões de gravação de Fragile.

O sopro de um vento abre “South Side Of The Sky”, uma faixa longa, cerca de 8 minutos de duração, que trata nos seus versos sobre uma expedição num lugar frio e gelado. Na metade da faixa, há belas harmonizações vocais de Anderson, Howe e Squire, acompanhadas pelo piano delicado de Wakeman, mais a bateria e o baixo.

“Five Per Cent For Nothing” é uma faixa instrumental de curtíssima duração (cerca de 35 segundos), onde o protagonismo é do baterista Bill Bruford. Na prática, é uma faixa de transição, que leva o ouvinte para a faixa seguinte, “Long Distance Runaround”, talvez a faixa mais pop de Fragile, que traz uma interessante alternância rítmica entre uma levada lenta e um ritmo mais contagiante jazzístico, cujo final, emenda com a próxima música “The Fish (Schindleria Praemeturus)”. Composta pelo baixista Chris Squire, “The Fish (Schindleria Praemeturus)” embora tenha participação dos outros músicos no acompanhamento, é a faixa onde a performance de destaque é do próprio Squire, mostrando as suas habilidades no baixo. A música traz os vocais de Anderson repetindo até o final as palavras “Schindleria Praemeturus”.

Em “Mood For A Day”, mais uma faixa instrumental presente no álbum, é a vez do guitarrista Steve Howe mostrar toda a sua habilidade e técnica como músico, ao fazer solos de música flamenca no seu violão.

Yes em 1971, da esquerda para direita: Steve Howe, Jon Anderson,
Rick Wakeman, Bill Bruford e Chris Squire.

Fragile chega ao fim em grande estilo com “Heart Of The Sunrise”, a faixa mais longa do disco que começa num ritmo frenético empregado por baixo, guitarra e bateria até ser sucedido por um ritmo mais desacelerado e calmo, tendo os teclados de Rick Wakeman fazendo uma camada sonora de fundo. Durante algum tempo, há uma alternância de ritmo, ora lento, ora veloz, até a música ser tomada por uma calmaria que permite a entrada da voz leve e serena de Jon Anderson. A partir daí, “Heart Of The Sunrise” passa por outras variações rítmicas que mostram ao ouvinte toda a capacidade técnica dos membros da banda e todo um entrosamento muito bem articulado entre eles. A música termina com vocalizações repetitivas de Jon Anderson.

Lançado em 26 de novembro de 1971, Fragile teve uma recepção positiva por parte da crítica. Fragile alcançou o 4° lugar na parada da Billboard 200, nos Estados Unidos, enquanto que no Reino Unido, chegou ao 7° lugar na parada de álbuns. A Atlantic Records editou uma versão curta de “Roundabout”, e que foi lançada como single no mercado americano em janeiro de 1972, onde chegou ao 13° lugar.

O bom desempenho de Fragile nos Estados Unidos, alavancou a popularidade do Yes naquele país, e consequentemente no mundo, elevando a banda inglesa ao mesmo patamar dos grandes grupos de rock progressivo. No entanto, à medida em que a fama do Yes crescia, os exageros e a megalomania cresciam na mesma proporção, o que acabaria comprometendo a reputação da banda.

Faixas

Lado 1

  1. "Roundabout" (Jon Anderson - Steve Howe)
  2. "Cans and Brahms" (instrumental) (Johannes Brahms – arranjos por Rick Wakeman)
  3. "We Have Heaven" (Anderson)
  4. "South Side of the Sky" (Anderson - Chris Squire) 

Lado 2

  1. "Five Per Cent for Nothing" (instrumental) (Bill Bruford)
  2. "Long Distance Runaround" (Anderson)
  3. "The Fish (Schindleria Praematurus)" (Squire)
  4. "Mood for a Day" (instrumental) (Howe)
  5. "Heart of the Sunrise" (Anderson – Squire – Bruford)

 

Yes: Jon Anderson ( vocais principais, vocais de apoio, violão em “We Have Heaven”), Steve Howe (guitarras elétricas, violões e vocais de apoio), Chris Squire (baixo, vocais de apoio, guitarra elétrica adicional em “Roundabout”), Rick Wakeman ( órgão Hammond, piano de cauda , piano elétrico, Mellotron e sintetizador Minimoog) e Bill Bruford (bateria e percussão).     


Ouça na íntegra o álbum Fragile


"Roundabout", Yes ao vivo no
Rainbow Theatre, em Londres,
Reino Unido, em dezembro de 1972
durante turnê Close To The Edge

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