Nesse ponto, Smith estava movendo o grupo em uma direção muito diferente da anterior, e uma fase inteiramente nova de Normil Hawaiians começou. O grupo abandonou a maioria das influências punk de seus trabalhos anteriores em favor de um estilo experimental mais imprevisível, com sintetizadores atmosféricos, violões e uma maior ênfase na improvisação. Em junho de 1982, Smith, Simon Marchant, Mark Tyler e o baterista Noel Blanden se reuniram no Foel Studio no País de Gales (dirigido pelo engenheiro Dave Anderson, ex-baixista do Amon Düül e Hawkwind) para gravar o primeiro álbum completo do Normil Hawaiians, More Riqueza do que dinheiro. A Illuminated Records lançou o LP duplo, mas problemas com a gravadora fizeram com que o álbum fosse distribuído apenas na Europa, e não no Reino Unido. e o novo baixista Alun "Wilf" Williams) gravaram What's Going On?, o trabalho mais político do grupo até então, no verão de 1983, novamente no Foel Studio. O álbum foi lançado pela Illuminated Records no início de 1984, e o grupo levou seu show cada vez mais teatral para locais e festivais na Europa, com Lusted brevemente voltando ao grupo durante uma turnê pela Suíça. Durante o inverno de 1985-1986, grande parte da formação do álbum anterior voltou ao Foel Studio para gravar o terceiro álbum do Normil Hawaiians. Outro esforço experimental e pesado de improvisação com letras diretamente políticas, o álbum acabou sendo intitulado Return of the Ranters, mas as gravações foram arquivadas e os membros do grupo seguiram caminhos separados, iniciando famílias e outros empreendimentos musicais. No início de 2013, Return of the Ranters recebeu brevemente um lançamento digital e, em outubro de 2015, Upset the Rhythm finalmente lançou o álbum em CD e vinil. Uma programação de apresentações foi montada para o primeiro show do Normil Hawaiians em 30 anos. A gravadora relançou More Wealth Than Money no final de 2017 (a edição do CD incluía um segundo disco de demos inéditas) e What's Going On? recebeu da mesma forma o tratamento de reedição em 2019.
quarta-feira, 2 de agosto de 2023
Normil Hawaiians - More Wealth Than Money (1982)
Friction (1980)
Banda britânica Arrival em 2 álbuns, 1970 e 1972
Sentido: Uma banda de pop-rock de harmonia fechada com sede em Londres, com cantores originalmente de Liverpool. Após sua aparição no especial de televisão de Maynard Ferguson em 1970 no Reino Unido e dois sucessos nas paradas, "Friends" e "I Will Survive", a banda foi contratada para aparecer no Isle of Wight Festival 1970.
Membros: Dyan Birch, Frank Collins, Lloyd Courtenay, Paddie McHugh, Tony O'Malley
Como sempre, nessas situações, é difícil encontrar as informações no banco de dados para créditos de composição, etc. Também acho um pouco irritante, embora esteja tudo bem no geral, que ambos os álbuns sejam ST.
No geral, a música é toda vocal com vocais de harmonia maravilhosos mencionados em acordes de quatro partes, bem feitos, com as faixas algumas das quais são versões cover ( Light my Fire ?? Really?) mas as originais são realmente lindas e cresceram em mim ao longo nas últimas semanas. Eles soam um pouco como uma mistura de Carly Simon e Laura Nyro em termos de influências gospel e piano.
Desde o início de 1970, Sit down and Float começa com um riff de blues em lá menor e uma melodia semelhante a It's Too Late de Carole King , mas move-se surpreendentemente para o refrão em um maior com vocais de harmonia bem desenvolvidos complementados por padrões de oboé no fundo, uma transição que me chamou a atenção pela estranheza mas bastante agradável de ouvir:
Às vezes, este segundo álbum soa muito como aquela outra obra-prima ssw lindamente suave, The Street and The Sea , que depois de tantos anos parece nunca mais ser relançada ... ou talvez meu velho favorito perene, Melisma .
John Stubblefield em um monte de LPs
Saxofonista de jazz americano, flautista e oboísta.
Nascimento: 4 de fevereiro de 1945 em Little Rock, Arkansas, EUA.
Faleceu: 4 de julho de 2005 no Bronx, Nova York, Nova York, EUA (60 anos) .:
Depois de se mudar para Nova York, Stubblefield tocou com a Mingus Big Band por 13 anos. Durante sua carreira, Stubblefield tocou com o World Saxophone Quartet (1986–1988), Reggie Workman (1989–1993), McCoy Tyner (1984), Freddie Hubbard (1985) e George Russell (1985). Stubblefield também atuou por um tempo como diretor de conjunto de jazz na Mason Gross School of the Arts, após a saída de Paul Jeffrey em 1983 .
Para nós, os principais LPs a serem discutidos são Prelude (1977), Midnight Over Memphis (1979) e Midnight Sun (1980). A música é um jazz contemporâneo modal básico sem muita expressão fusionista.
Desde o primeiro álbum, seu Pequeno Príncipe não é tão atraente quanto o imensamente popular e constantemente requisitado David Rose em Distance Between Dreams , mas ainda é lindamente assombroso, como de fato deveria ser:
Faixa-título do Midnight Sun de 1980:
De volta ao incomparável Igor Nazaruk com Approval / Statement 1978
Como de costume (nessas situações russas), várias capas.
Já falei sobre Igor antes . Coloquei um link lá para sua obra-prima, o Despertar da Floresta. O compositor moscovita Chugunov sugerido por nosso amigo russo é semelhante e provavelmente superior em termos de amplitude de sua obra. Eu gostaria que pudéssemos colocar as mãos em tudo o que ele já compôs.
Nazaruk foi incrível na forma como dominou o jazz e o fusion americano e o incorporou à educação e tradição clássica, . Quase caí da cadeira quando vi que meu amigo havia encontrado outro LP de Nazaruk que eu não tinha visto antes porque é claro que essas listas compiladas não estão atualizadas em discogs, assim como você poderia esperar de um país estrangeiro com claro 'música perdida.' Também me pergunto quanto da música de Babayev se perdeu por lá, aquele outro compositor incrível.
Você pode ter uma noção das habilidades de jazz de Nazaruk a partir de uma versão para piano solo do Alfie padrão de Bacharach que ele toca no lado 2. improvisações. Algumas versões cover incluem Feliciano e Wes Montgomery, mas também há composições originais. Em particular, um de Nazaruk, chamado N. e A. é :Approval / Statement
Discografias Comentadas: Traffic [Parte 1]
![Discografias Comentadas: Traffic [Parte 1]](https://arquivos.consultoriadorock.com/content/2014/07/traffic-Keystone-Hulton-Arc.jpg)
Esta matéria foi originalmente elaborada para a comunidade do orkut chamada Rock & Cultura, na qual era moderador. O texto foi criado consultando diversas revistas, livros, blogs roqueiros, entre outros. O Traffic é uma banda que eu acho muito interessante e infelizmente não é muito comentada por aí. Espero que gostem.
Formado na Inglaterra no ano de 1967, o Traffic era constituído por Steve Winwood (teclados, guitarra, voz), Dave Mason (guitarra,voz), Chris Wood (instrumentos de sopro), e Jim Capaldi (bateria, voz). O som da banda consistia na mistura da voz soul de Steve Winwood e uma ênfase nos teclados e saxofones, com melodias e ritmos jazzy, rock, folk e pop. Os dois primeiros álbuns foram lançados num período que teve tanto de turbulento como criativo, graças às desavenças entre o talentoso Dave Mason e o resto do grupo. Mason abandonou por duas vezes a banda, logo após a gravação de cada álbum (a segunda foi definitivamente).
Este fato marcou o fim do grupo, pelo menos momentaneamente, algo que levou Steve Winwood a aceitar o convite de Eric Clapton e Ginger Baker para formar o Blind Faith. Após o fim desse curto projeto, Winwood reformou novamente o Traffic, desta vez no formato de trio (sem David Mason) que era por vezes aumentado em número, ora em estúdio, ora ao vivo, mantendo sempre uma orientação musical baseada em jazz, folk e rock. Contando sempre com os arranjos impecáveis do trio Winwood-Capaldi-Wood, a alta qualidade musical foi garantida até à extinção do grupo, em 1974. Vinte anos após, a banda retornaria, mas isso veremos depois.
Ao longo de sua carreira a banda lançou oito álbuns de estúdio, três álbuns ao vivo e nove singles no Reino Unido. Além disso, várias coletâneas também foram lançadas em diversos países.
Tendo em conta o talento e competência de Steve Winwood e Dave Mason em compor e interpretar canções pop, ninguém esperaria um primeiro disco tão experimental e psicodélico. A verdade é que apesar de Winwood, desde os 15 anos, ser um conceituado vocalista, agora com 19 anos, o músico sentia que a sua inclinação musical começava a fugir ao R&B e soul que o havia tornado famoso na sua banda anterior, o Spencer Davis Group. Mason por sua vez, um aparente desconhecido, revelava uma enorme maturidade musical e ambição ao nível de qualquer músico de topo. No disco de estreia Mason contribui com as composições mais experimentais, as psicodélicas “House For Everyone”, “Utterly Simple” (dominada por cítara), e “Hope I Never Find Me There”. Todas possuíam interessantes letras, um imaginário incrivelmente detalhado e uma cuidada e exótica instrumentação. O estilo psicodélico está também presente em temas como “Heaven Is In Your Mind” (com floreados de piano, guitarra e seção rítmica em bom plano) e a divertida “Berkshire Poppies”. Ao contrário de Mason, que escrevia letras e música sozinho, Winwood aproveitava o talento de Jim Capaldi nas letras e colaborava com ele também na parte musical. O disco apresentava também o multi-instrumentista de sopros, Chris Wood, possuidor de um estilo musical refinado, equilibrado e flexível. Além do psicodelismo, o disco mostra rock com tendências jazz em “Dear Mr Fantasy” e “Giving To You”. A elegante balada acústica (acompanhada por órgão) “No Face, No Name, No Number“, mostra Winwood em direta exposição de sentimentos. Jim Capaldi faz a sua estreia vocal no tema (da sua autoria) “Dealer”, que conta com elaborada percussão e belos violões de influência latina. Lançado numa época em que o estilo psicodélico era bastante popular, o disco conseguiu chegar aos topos das paradas de diferentes países. Mas esta boa recepção não foi suficiente para disfarçar os atritos desenvolvidos entre Mason e os restantes membros do Traffic. Estas diferenças resultaram na saída de Mason e um ponto de interrogação em relação ao futuro da banda.
Em 1968 Dave Mason voltava ao Traffic. Apesar da natureza individualista do músico lhe ter custado o lugar no ano anterior, nesta nova oportunidade pouco parecia ter mudado e Mason trazia consigo o seu espírito mandão. Além da colaboração com Jim Capaldi que escreve a letra de “Vagabond Virgin“, Mason encarrega-se de escrever música e letra das suas canções. E é uma das suas composições que abre o ecléctico e auto-intitulado Traffic. “You Can All Join In” mostra uma veia folk-rock-pop direta, divertida, e ritmada, algo que Mason executava com uma naturalidade espantosa. Na orientação mais progressiva e influenciada por soul e jazz, estava Steve Winwood cujos espaços musicais se desenvolviam de forma mais sutil. O tema blues-rock-psicodélico “Pearly Queen” (da autoria de Winwood) tornar-se-ia um número favorito em apresentações ao vivo. “Who Knows What Tomorrow May Bring“, é outro exemplo do estilo soul-blues irresistível que assentava na perfeição sobre o timbre de Steve Winwood.
Sem nunca receber o devido reconhecimento, o Traffic extinguia-se após a turnê de apoio ao segundo disco. A evidente incompatibilidade entre Dave Mason e o resto do grupo fez com que o Traffic fosse na maior parte das vezes um trio em vez de um quarteto. A pouca confiança que o grupo tinha em continuar como um trio, aliada à proposta irrecusável que Winwood recebeu de Clapton para formar uma nova banda, ditou assim o fim deste inventivo grupo inglês. Last Exit juntou dois temas ao vivo a canções que haviam ficado de fora dos discos anteriores, bem como faixas lançadas apenas em singles. A composição de David Mason, “Just For You”, mostra tudo o que ele sabe fazer de melhor, pop contagioso e ritmado. Temas como “Shanghai Noodle Factory” e “Withering Tree” apresentam a outra faceta do Traffic, os mini-épicos soul-pop com toques de misticismo. “Medicated Goo” fecha com boa disposição a parte de estúdio do disco. A segunda parte é composta por dezessete minutos gravado ao vivo (sem Mason) no Fillmore West, estendidos por duas covers soul-blues, “Feeling Good” e “Blind Man“.Last Exit nunca consegue atingir nada de muito concreto dada a sua curta duração e a mistura pouco harmoniosa dos temas ao vivo com as restantes canções do disco. No entanto consegue mostrar bem algumas virtudes que o grupo possuía tanto ao vivo, como em estúdio. Pensava-se na época que Last Exit seria o fim da banda, mas a imprevisibilidade do destino voltaria a unir Steve Winwood, Jim Capaldi e Chris Wood um ano depois.
Traffic – John Barleycorn Must Die [1970]
Dave Mason havia abandonado o Traffic pela segunda vez. Estes acontecimentos e outros levaram o grupo a decidir pôr fim a sua carreira (se bem que por pouco tempo) em 1969. No mesmo ano, Steve Winwood formou o Blind Faith juntamente com Eric Clapton. Apesar da boa recepção do disco, o Blind Faith encerrou suas atividades alguns meses depois. Em 1970, Winwood, um artista que já tocara com bandas de sucesso desde garoto, hesitante, começou a gravar um álbum solo. Pouco tempo depois de ter iniciado o processo, percebeu que não conseguia continuar sem outros dois membros dos Traffic, Chris Wood e Jim Capaldi. As sessões de gravação correram muito bem, e desde cedo o trio demonstrou uma nova energia e um espírito renovado. Neste álbum, a veia jazz do grupo está em grande evidência e poucos são os traços do passado. Abrindo com a dupla “Glad/Freedom Rider“, o disco imprime um contagioso ritmo jazz-rock com excelentes passagens de piano de Steve Winwood e coloridos floreados de Chris Wood no saxofone e flauta. Wood mostra o seu valor como um dos melhores instrumentistas de sopro no rock dos anos 70. No tema que dá título ao disco, “John Barleycorn Must Die“, o grupo aborda uma música tradicional do folk inglês, transformando-a num dueto vocal composto por Winwood e Jim Capaldi e introduzindo gentis e elegantes arranjos de violão e flauta. Mas não há como esconder a alma soul de Steve Winwood, evidente nas interpretações de “Empty Pages” e “Every Mother’s Son“. Fluído, com grande personalidade, John Barleycorn Must Die mostrava um grupo empenhado em traçar um rumo diferente, mais calmo e misterioso. O disco resultou no maior sucesso que o grupo alguma vez tinha alcançado. Contra as probabilidades o Traffic continuava…
Traffic – Welcome To The Canteen [1971]
Após o lançamento de John Barleycorn Must Die, o Traffic pretendia entrar em turnê. Mas se em estúdio Steve Winwood podia tocar piano, baixo e guitarra, ao vivo as coisas não eram tão fáceis de conjugar. Para isso o grupo contratou um baixista (Rick Grech, ex-companheiro de Winwood no Blind Faith, um percussionista (Reebop Kwaku Baah) e mais um baterista (Jim Gordon). Nesta altura a banda devia um disco à companhia discográfica que os representava nos Estados Unidos. Para cumprir essa obrigação contratual decidiram gravar um disco ao vivo. Mas a verdadeira surpresa foi o convite a Dave Mason. Mason estava de volta, no entanto, as razões por detrás desta reunião (temporária) pareciam definitivamente estranhas. Abrindo com “Medicated Goo”, o grupo elevava a nostalgia dos que assistiam ao concerto. Mason assume o controle da guitarra e o faz com bastante personalidade, mostrando que a sua carreira solo o ajudou no desenvolvimento da sua técnica. “Sad And Deep As You” e “Shouldn’t Have Took More Than You Gave”, dois temas do seu primeiro disco solo, são aqui interpretados com o cunho próprio do Traffic. A presença de Jim Gordon na bateria e de Jim Capaldi e Rebop na percussão, dão ao disco uma camada rítmica exótica, algo muito evidente em “40,000 Headmen“. A parte final do álbum é composta por duas longas jams, “Dear Mr. Fantasy” e “Gimme Some Lovin’“, clássico da carreira inicial de Winwood com o Spencer Davis Group. O disco é uma espécie de regresso ao passado, não sendo sonoramente próximo de John Barleycorn, nem indicador da direção musical futura do grupo. Por esta altura Mason manifestou publicamente a sua vontade de se juntar definitivamente ao grupo, esbarrando na vontade de Winwood que, prevendo um futuro turbulento, prontamente negou essa possibilidade. Welcome to The Canteen conseguiu um sucesso considerável, mas o Traffic não perdeu muito tempo, entrando em estúdio logo a seguir para preparar o próximo álbum, que viria a lançado dois meses depois.
Discografias Comentadas: Traffic [Parte 2]
![Discografias Comentadas: Traffic [Parte 2]](https://arquivos.consultoriadorock.com/content/2015/09/1024px-Traffic_19731-600x400.jpg)
Apresento agora a segunda parte da Discografia Comentada do Traffic, cobrindo o período de 1971 a 1974, quando o grupo flertou com o rock progressivo, bem como o retorno na década de 90.
Traffic – The Low Spark Of The High Heeled Boys [1971]
Com o misterioso e carismático The Low Spark Of The High Heeled Boys, o Traffic prosseguia a viagem para envolventes espaços musicais e líricos. O disco foi gravado usando o trio base constituído por Steve Winwood, Jim Capaldi e Chris Wood e com uma seção rítmica que passou a contar com a presença de Reebop Kwaku Baah na percussão, e de Jim Gordon na bateria. A presença de Gordon na bateria devia-se à crescente queda de confiança de Jim Capaldi nas suas capacidades como baterista. Capaldi sentia que as suas contribuições para o Traffic deviam se basear na composição das letras, canções e no uso da sua voz. De fato, desde “Dealer”, faixa do primeiro disco da banda, que Capaldi não tinha a sua voz em primeiro plano. Neste álbum o músico aparece convincente e em grande estilo quer na contagiante “Light Up And Leave Me Alone“, quer no groove de “Rock & Roll Stew”. Num disco cheio de sutilezas, a elegante e mágica faixa de abertura, “Hidden Treasure”, capta todo o talento e magia de Chris Wood na flauta. Da fragilidade de “Hidden Treasure” o disco evoluí para o tema central, a ambígua “The Low Spark Of High Heeled Boys“, que retratava toda a desilusão, jogo de interesses e drogas presentes na indústria musical. A canção, em formato de épico, possuí todo o carisma vocal, arranjos jazz e a percussão estilizada que caracterizava o Traffic nos anos setenta. A inconfundível voz de Winwood é o veículo perfeito para transmitir de forma convicta as emoções e juntamente com os seus solos de piano, órgão e guitarra, compunha grande parte do som do Traffic. Em “Many A Mile To Freedom” e “Rainmaker” o grupo aborda ambientes reflexivos e delicados, pontuados exemplarmente pela seção rítmica. “Rainmaker” em particular, que conta novamente com os distintos sopros de Chris Wood, conclui o disco com mais uma refinada demonstração da deliciosa musicalidade do grupo. Sempre com arranjos sutis e com uma postura relaxada, música e mensagem fluem elegantemente ao longo do álbum.
À época de seu lançamento, o disco era totalmente ignorado na Inglaterra, ao mesmo tempo que atingia o número 7 das paradas dos Estados Unidos. Este fato fez com que os Estados Unidos passassem a ser o principal destino das turnês do grupo. Mesmo sem o devido reconhecimento, o Traffic continuava a fazer verdadeiras afirmações de caráter e personalidade.
Traffic – Shoot Out At The Fantasy Factory [1973]
A seguir à turnê de apoio a The Low Spark Of High Heeled Boys o Traffic não contava mais com os serviços do baterista Jim Gordon e do baixista Rick Grech. Jim Capaldi, que recentemente havia gravado o primeiro disco solo, resolveu trazer para o grupo músicos que usara no seu disco. Entraram Roger Hawkins (bateria) e David Hood (baixo) formando equipe com o percussionista Reebop Kwaku Baah. “Shoot Out At The Fantasy Factory” abre o álbum pondo em evidência os talentos desses músicos, demonstrando também a versatilidade instrumental de Winwood que aparece em primeiro plano na guitarra. Mas a verdade é que o grupo acabara há pouco tempo uma turnê pela América do Norte e o cansaço parecia começar a afetar as forças criativas. Invadidas pela melancolia, tanto as melodias de Steve Winwood como as letras de Jim Capaldi pareciam indicar estagnação emocional. No entanto, mesmo sem arriscar muito, o grupo vai interpretando bonitas canções ao longo do álbum, na forma de “Evening Blue” e “(Sometimes I Feel So) Uninspired“, que conclui o álbum transmitindo o frágil estado de alma do grupo.. Seguindo a tradição que o grupo adotara na década de setenta, o Traffic incluía algumas jams como “Roll Right Stones” ou “Tragic Magic”. “Roll Right Stones” exibia, ao longo de treze minutos, uma estilizada mistura de jazz, folk e rock. “Tragic Magic, um tema instrumental que incorporava funk, blues e jazz, era a primeira composição de Chris Wood para a banda, evidenciando de alguma forma a sua discreta presença no disco.
Shoot Out At The Fantasy Factoryencontrava um grupo indeciso, uma banda a lutar pela identidade. O público americano voltou acolhê-los e a garantir-lhes um lugar no top dez, enquanto que o público inglês voltava a ignorá-los. A excursão mundial para promover o álbum resultaria num disco ao vivo, On The Road, pouco mais de um mês depois. Constituídos por Steve Winwood, Jim Capaldi, Chris Wood, Reebop Kwaku Baah, David Hood (baixo), Roger Hawkins (bateria) e Barry Beckett (teclados), a música que geravam era tão longa quanto o número de músicos. Em seis temas que somam um total de setenta e seis minutos de duração, o grupo demonstra toda a sua musicalidade. Contando com três rapazes (Capaldi, Reebop e Hawkins) a bater em tudo o que é objeto de percussão, a riqueza rítmica do disco é muito evidente. Para a seleção de temas o Traffic esolheu os três últimos álbuns (John Barleycorn Must Die, The Low Spark Of High Heeled Boys e Shoot Out At The Fantasy Factory)e expandiram cada tema através da criação de várias seções onde os músicos iam improvisando. Com músicos deste calibre, o grupo criou alguns momentos de puro charme e talento. Winwood é incrível no modo como se desdobra brilhantemente na guitarra e piano ao mesmo nível, demonstrando conhecer ambas as linguagens. A conhecida elegância e versatilidade de Chris Wood nos instrumentos de sopro está também bem presente neste disco ao vivo. Com uma distância curtíssima (pouco mais de um mês) entre o lançamento de álbuns, On The Road viu-se a competir comShoot Out At The Fantasy Factory nas paradas de discos, conseguindo mesmo assim atingir o top 30. A essa altura estava a banda numa longa turnê mundial que terminaria com mais mudanças estruturais no grupo.
Traffic – When The Eagle Flies [1974]
No início de 1974 o Traffic voltara a sofrer alterações na sua formação. Saíram Reebop Kwaku Baah, David Hood e Roger Hawkins, deixando o grupo novamente reduzido a um trio. A banda teve de repensar o futuro, tendo recrutado Rosko Gee para o baixo e motivando nesse processo o regresso de Jim Capaldi à bateria, posição que este tinha abandonado em 1972. Esse novo grupo gravou When The Eagle Flies. Em ambiente marcadamente experimental, a banda embarca em terrenos sonoros que evocam o estilo “jazz-fusion” com ênfase na improvisação. Num tom frio, discreto e com poucos otimismo, o disco assume sem disfarce toda a sua profunda melancolia. Por entre movimentada instrumentação, “Something New” conta uma história de uma desilusão de amor. “Dream Gerrard” desenvolve-se lentamente num groove jazz que conta com os floreados de Chris Wood no saxofone e com os habilidosos toques de Winwood no mellotron. “Graveyard People” é outro tema obscuro e misterioso, perturbado esporadicamente pelas cadências de sintetizador. A sólida linha de baixo em “Walking In The Wind” e o elegante piano que a acompanha parecem suavizar um bocado a tensão, mas não muito. É em “Memories Of A Rock ‘N’ Rolla” que o grupo revela o verdadeiro estado de espírito, num tema que retrata uma certa saturação com a vida na estrada e também um vincado sentimento de nostalgia. A beleza escondida de “Love” é um dos bons exemplos da liberdade musical que o grupo exibe no disco, resultando numa comovente afirmação da banda. A canção que dá o título ao disco, termina em terreno sonhador, alimentado pelas elegantes passagens de piano e pela versátil prestação vocal de Steve Winwood. O álbum conseguiu mais uma vez chegar ao top 10 das paradas de disco nos Estados Unidos, mas o Traffic faria a sua última turnê nesse ano. Em 1975 o grupo decidia por dar fim à carreira cujo reconhecimento apenas se verificava de um dos lados do Atlântico. Deixando para trás valiosas contribuições para o mundo da música, o Traffic retirava-se de consciência tranquila e com a sensação de dever cumprido.
Após o término do grupo, Steve Winwood e Jim Capaldi seguiram carreira solo. Chris Wood participou como convidado em discos de vários artistas. Estava trabalhando num álbum solo quando veio a falecer, vítima de pneumonia, em 12 de julho de 1983. Wood tinha vários problemas com álcool e drogas, o que era inicialmente atribuído ao seu medo de viajar de avião. Também ficou abalado quando da morte de sua ex-esposa, em 1980. Rosko Gee e Rebop Kwaku Baah integraram a banda alemã Can entre 1977 e 1979, participando de três álbuns: Saw Delight, Out of Reach e Can. Reebop Kwaku Baah também atuou em discos de diversos artistas, vindo a falecer, também, em 12 de janeiro de 1983, vitimado por uma hemorragia cerebral durante um concerto na Suécia. O baixista Rick Grech também já faleceu, em virtude de problemas com alcoolismo, em 1990 após se aposentar da música, ainda nos anos 70. Dave Mason está vivo, tem uma carreira solo, lançando discos esporadicamente. Também chegou a participar por um breve período no Fleetwood Mac, nos anos 90.

Traffic – Far From Home [1994]
Para a surpresa geral, em 1994, Steve e Jim, revivem o Traffic lançando o álbumFar From Home, 20 anos após seu último álbum de estúdio. Mas, na opinião de muitos, apesar da presença de Jim Capaldi voltando à bateria e escrevendo as letras de várias canções, o álbum mais se parece com um disco solo de Steve Winwoood, pois o mesmo se encarrega de todo o resto do instrumental: guitarras, baixo, teclados, programação, flauta, saxofone e percussão, e com exceção de Mick Dolan que toca guitarra em uma faixa e Davy Spillane que acrescenta Uilleann Pipes (gaita de fole irlandesa) em outra. Temos aqui um belo disco, nada excepcional, mas curtível e agradável. Mas a única coisa que é evidente é que a magia entre Winwood e Capaldi ainda funciona depois de todos esses anos. A bateria de Capaldi melhorou muito ao longo dos anos e seu trabalho aqui é bastante impressionante, enquanto Winwood prova mais uma vez que é o gênio musical que todos nós conhecemos. Sua capacidade musical e criatividade é absolutamente incrível. Os destaques são para “This Train Won’t Stop” (letras de Capaldi, com uma interpretação poderosa Winwood), “Here Comes The Man”, a longa faixa-título, a pungente “Holy Ground” e “Nowhere Is Their Freedom“. Com apenas um par de faixas mais fracas, por incrível que pareça, o disco chegou ao n° 29 nas paradas inglesas, sua melhor posição desde John Barleycorn Must Die, em 1970! Embora não sendo uma obra-prima, o álbum consegue honrar o nome e a história da banda. E é o melhor trabalho de Steve e Jim nos anos 90.
Após o lançamento de Far From Home a banda fez uma turnê para promover o disco. Além de Steve Winwood e Jim Capaldi, a banda contava com a presença de Rosko Gee (baixo), Randall Bramblett (flauta, sax), Michael McEvoy (teclados, guitarra, viola, harmônica) e Walfredo Reyes Jr. (bateria e percussão). Um desses concertos foi lançado em DVD em 2005 com o título de The Last Great Traffic Jam e tem a participação do Jerry Garcia, do Greateful Dead, na música “Dear Mr Fantasy”.
Após essa turnê, Steve e Capaldi voltaram às suas atividades individuais. Porém em 28 de janeiro de 2005, Jim Capaldi faleceu em decorrência de câncer no estômago, aos 60 anos de idade. Em janeiro de 2007, um concerto em sua homenagem é organizado por sua viúva, a brasileira Aninha Capaldi, no Roundhouse em Camden Town, Londres, com a participação de vários artistas. Posteriormente esse concerto foi lançado em dvd, com o título de Dear Mr. Fantasy – A Celebration For Jim Capaldi. Já li que Jim Capaldi morou em Salvador de 1977 até o início dos anos 80. Diziam que até tinha um apartamento no Rio. Ele e sua mulher participavam de uma instituição de caridade, ajudando crianças de rua brasileiras. E outro que também não está entre nós é o tecladista Barry Beckett, falecido de causas naturais em 2009.
Uma curiosidade: todos os músicos coadjuvantes que participaram da banda, com a exceção de Rick Greech, não são britânicos.
Destaque
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