segunda-feira, 4 de março de 2024

Discografia Comentada: Janis Joplin

 

Uma das maiores vozes que o mundo já ouviu, teve sua morte completando quarenta e dois anos no último dia 04 de outubro. Estamos falando de Janis Lyn Joplin, mundialmente conhecida como Janis Joplin. A americana de Port Arthur, Texas, teve uma meteórica carreira musical entre 1964, quando perambulava por bares da Califórnia em busca de dinheiro, sexo, drogas e emoções baratas, até a fatal noite de 04 de outubro, quando morreu por overdose de heroína com álcool, no auge de sua carreira solo e prestes a lançar seu segundo álbum.

Nesse período, Janis lançou dois álbuns como membro do grupo Big Brother & The Holding Company (que teve sua discografia comentada aqui no blog) e um álbum solo apenas, mas deixando um carisma reconhecido até os dias de hoje.

Sua Discografia aumentou após sua morte, com diversos álbuns ao vivo e coletâneas. Aqui, vamos tratar do único álbum lançado por Janis em carreira solo quando viva e de três álbuns póstumos, os quais apresentam canções inéditas.  


 I Got Dem ‘Ol Kosmic Blues, Again Mama! [1969]

Após sair da Big Brother, Janis e a gravadora Columbia montaram uma super banda, e partiram aos estúdios para registrar um dos melhores discos da história da música. Misturando soul, funk, blues e rock’n’roll, I Got Dem ‘Ol Kosmic Blues, Again Mama! é uma aula de emoção e inspiração, a começar pela maravilhosa capa, flagrando Janis em cima do palco em um agito que somente ela conseguia exalar de seu corpo.

Janis livra-se do som característico de San Francisco, experimentando novas direções e comprovando aquilo que todos haviam visto (e ouvido) quando ela era apenas uma cantora no Big Brother: na verdade, ELA era verdadeira estrela. Abrindo com o suingue de “Try (Just a Little Bit Harder)”, Janis e a Kosmic Blues Band desfilam por pérolas mágicas da música, com lindas baladas (“Maybe”, “Little Girl Blue” e a arrepiante versão para “To Love Somebody“, original do Bee Gees), uma estonteante sessão instrumental na introdução da dançante “As Good As You’ve Been to This World“, com um espetáculo a parte do naipe de metais, e blues alucinantes (“One Good Man” e “Work Me Lord”).

Janis supera-se em “Kosmic Blues“, uma das mais emocionantes gravações da carreira da cantora, se não a maior, com uma estupenda reta final que arranca o fôlego de qualquer ouvinte. Musicalmente, o melhor disco da carreira da cantora. Em termos de interpretação, a vocalista estava preparando-se para chegar no ápice da carreira. Uma pena que a Kosmic Blues acabou pouco depois, mas deixou um legado venerado por todos os admiradores do estilo. Não a toa, ganhou disco de ouro dois meses depois de lançamento, e rapidamente ganhou platina, com mais de um milhão de cópias vendidas. O relançamento em CD apresentou a inédita “Dear Landlord” e mais versões em Woodstock para “Summertime” e “Piece of My Heart”.


Pearl [1970]

Lançado três meses depois da morte da cantora, Pearl é a despedida perfeita que um artista poderia deixar para os seus fãs. Não que alguém se conforme com a morte de Janis, mas o que ela faz nesse álbum é simplesmente de cair o queixo.

Nele estão os maiores clássicos da carreira de Janis, no caso “Me & Bobby McGee” e “Mercedes Benz”, mas honestamente, Pearl é muito mais que isso. Acompanhada de uma nova banda, a Full Tilt Boogie Band, Janis transborda emoção, destacando o fantástico miado inicial de “Cry Baby“, e é isso mesmo, uma gata no cio, sendo penetrada ferozmente por seu parceiro, em um uivo alucinante.

Mas não para por aí. “Get It While You Can”, “My Baby” e “Trust Me” mantém a linha de baladas suaves, mas dessa vez sem peregrinar por diversos estilos, parecendo basicamente uma única canção quando ouvidas em sequência. “A Woman Left Lonely” é uma competente rival para “Kosmic Blues”, sendo impossível não se emocionar com o soberano crescimento da canção até o seu final. Mas não pense que somente de baladas vive o LP.  

“Half Moon” e “Buried Alive in the Blues” (essa última uma faixa instrumental) destacam a competência instrumental da Full Tilt Boogie Band, outra grande banda a acompanhar a divindade de Janis, e “Move Over” é uma pancada hard para metaleiro nenhum botar defeito. Sem comparações, assim como seu antecessor é essencial na prateleira, e com certeza, o auge das interpretações emocionantes de Janis. Quatro platinas em menos de dois meses, acabou sendo (e é até hoje) o álbum mais vendido da cantora, que infelizmente, não pode aproveitar desse sucesso.


Janis [1975]

Com a missão de manter o nome de Janis ainda aceso (e arrecadar um pouco mais de dinheiro para a gravadora CBS), em 1975 foi lançada a coletânea dupla Janis. No primeiro LP, canções dos dois álbuns solos da cantora, algumas gravadas ao vivo na Alemanha e no Canadá, tendo a Kosmic Blues Band como banda de acompanhamento, além de “Piece of My Heart” retirada de Cheap Thrills (do Big Brother & The Holding Company) e duas pequenas entrevistas com Janis, complementando o que ficou catalogado como Trilha Sonora do filme Janis, lançado no mesmo ano.

No segundo LP, uma jóia raríssima. Janis aparece no início de carreira, entre 1963 e 1965, quando ela cantava pelos bares de Austin, no Texas, ora sozinha, ora acompanhada pela Dick Oxtot Jazz Band. São dezessete canções, a maioria delas covers, que revelam uma Janis Joplin com a voz ainda sendo moldada, tímida, mas já arrancando aplausos dos privilegiados de verem ela em ação tão nova.

Destacar alguma canção entre todas é complicado, mas vale a pena citar as primeiras composições de Janis em seu início de carreira, no caso “What Good Can Drinkin’ Do” (primeira canção que ela gravou em um estúdio, nunca lançada oficialmente), “No Reason for Livin'”, “Mary Jane” e “Daddy, Daddy, Daddy”.

São todas jazz e blues inspíradíssimos, e prefiro apenas deixar ao ouvinte a curiosidade de encontrar Janis e seu violão (ou o pequeno quarteto de jazz) fazendo uma música simples, humilde e, como toda a carreira dela, carregada de emoção. “Trouble in Mind” chegou a sair em uma coletânea lançada no Brasil anos depois, e talvez seja a mais conhecida  dos fãs em geral. Disco de Ouro nos Estados Unidos, e uma bela recordação aos fãs!


Farewell Song [1983]

De novo a Columbia decidiu ganhar mais um dinheiro em cima do nome de Janis (lembrando que ela era a gravadora da Big Brother & The Holding Company), e assim, lançou mais uma coletânea de inéditas em 1983. Mas não pense que essa coletânea é um simples caça-níqueis. Pelo contrário, é outra grande obra com a voz da americana.

Com canções tendo a participação de cada uma das bandas que acompanharam Janis, Farewell Song apresenta um interessante material de canções até então desconhecidas para os fãs de Janis, a maioria delas, cinco das nove, canções que ficaram de fora de Cheap Thrills (pensado originalmente para ser lançado no formato duplo).

Entre as seis canções, temos a psicodélica “Harry”, a dupla gospel “Amazing Grace / Hi-Hell Snakers”, a totalmente flower-power “Magic of Love” e as agitadas “Catch Me Daddy” (conhecida dos fãs da Big Brother & The Holding Company pelo nome de “Comin’ Home”) e “Farewell Song”. Complementam o álbum as pancadas “Raise Your Hand” (com a Kosmic Blues Band arrasando ao vivo), a linda “One Night Stand”, ao lado da Paul Butterfield Blues Band, “Tell Mama” (uma obra prima com a Full Tilt Boogie Band), e o blues choroso de “Misery’ N”, gema da carreira da Big Brother que os fãs só conheceram nesse ótimo LP, que se não está no nível dos discos solos, faz jus a carreira dessa que foi (e ainda é) a maior cantora que o mundo já ouviu.

Janis Joplin faleceu, mas deixou um legado belíssimo para a história da música. Existem diversas coletâneas a disposição no mercado, muitas delas explorando o período com a Big Brother & The Holding Company. Dentro da Discografia Solo, temos ainda o essencial In Concert (1972), que destaca o famoso show da Full Tilt Boogie Band na turnê Canadian Festival Express em 1970, que atravessou o Canadá dentro de um trem, ao lado da Grateful Dead e da The Band. 

Donna Summer “Love To Love You Baby” (1975)

 Foi editado em 1975 e representou o momento em que Donna Summer e a equipa de produção (com Moroder) começaram a abordar os terrenos do ‘disco’. 

Nascida em Boston em 1948 começou a cantar na escola e passou por primeiras bandas antes de rumar a Nova Iorque com o sonho de trabalhar no palco de musicais. Acabou integrada no elenco de Hair que, em finais dos anos 60, rumou a Munique (Alemanha). E aí fixou residência e casou com o austríaco Helmuth Sommer. Gravou um primeiro primeiro single, ainda em 1968, com Aquarius, um dos hinos nascidos da banda sonora de Hair… Apresentava-se então como Donna Gaines (o seu nome real era, de facto LaDonna Adrian Gaines). Lançou mais alguns 45 rotações igualmente sem impacte maior. E a sorte mudou quando, numa altura em que trabalhava como modelo e era voz muitas vezes chamada a estúdio, conheceu os produtores Giorgio Moroder e Peter Bellotte. De um trabalho conjunto nasceu a ideia de um disco. E foi por um erro na gráfica que então emergiu o seu nome artístico. O “o” de Sommer deu lugar a um “u”. O disco foi assim assinado por Donna Summer. Pelo menos é assim que a mitologia evoca a história do seu nome.

O álbum de estreia de Donna Summer foi editado em 1974. Tem por título Lady Of The Night e revela ainda uma noção pouco nítida do que poderia ser um rumo para a sua carreira. Havia ali um cockatil de ideias, que iam do tom teatral de Lady Of The Night à folk de Domino e, na verdade faziam do álbum uma experiência mais próxima dos terrenos da canção ligeira (até mesmo eurovisiva) do que dos caminhos que, pouco depois, os seus discos acabariam por mostrar.

Os primeiros sinais de mudança emergiram no álbum seguinte. Editado em 1975 o álbum Love To Love You Baby revelou uma realidade com duas faces. O lado A apresentava, através do tema título, uma proposta desafiante com apenas uma canção de quase 17 minutos que preenchia toda essa face do disco. Animada por sinais captados entre o emergente disco e definindo um ambiente funk mais mellow do que intenso, a canção encontrava, todavia, o seu fulgor e poder de atração num espaço teatralizado pelas sugestões eróticas lançadas pela voz sussurrada de Donna Summer. O lado B traduzia, por sua vez, uma dispersão maior de ideias, desde canções sem um cunho demarcado (na linha do álbum de estreia, portanto), até um Need a Man Blues que aliava os sabores disco a primeiras relações com eletrónicas.

Lançado em 1976, o seguinte A Love Trilogy refletiria já a tomada de consciência de que o disco devia ser um caminho prioritário para afirmação da identidade (e visibilidade) de Donna Summer. E a extensão invulgarmente longa de Love To Love You Baby (que prenunciava um pragmatismo ao serviço da pista de dança que brevemente ganharia forma nos máxi-singles) teve logo ali por sequela Try Me, I Know We Can Make It que, com praticamente 18 minutos de duração, ocupava uma vez mais toda uma das faces do LP. Seguiu-se, ainda em 76, Four Seasons of Love uma uma proposta concetual que traduzia uma história de amor ao longo das quatro estações do ano onde, uma vez mais, o disco marcava presença. E em 1977 caberia ao absolutamente marcante single I Feel Love o completar do ciclo de revelação e revolução que aqui se desenhava. Um ciclo que teve como primeiro alicerce este álbum de 1975.




Mariza Koch “Panagia Mou, Panagia Mou” (1976)

  Foi editado em 1976 e surgiu na sequência da segunda presença grega na Eurovisão. Apoiada na voz de Mariza Koch, a folk local procurava aqui diálogos com a contemporaneidade. 

A chegada da Grécia ao Festival Eurovisão da Canção fez-se sobretudo através de janelas apontadas a diálogos com as suas tradições folk. E logo em 1974 a estreia fez-se com Krasi, Thalassa Ke T’ Agori Mou, por Marinella, numa atuação que levou inclusivamente a palco um muito tradicional bouzouki. Depois desse primeiro episódio a geopolítica definiu o passo seguinte e, em 1975, a Grécia optara por ficar de fora como forma de protesto contra a então recente intervenção militar turca em Chipre. Essa ausência, que se devia à estreia da Turquia na edição de 1975, teve depois um efeito em espelho em 1976 quando foi a Turquia a optar por ficar de fora. A Grécia apresentou-se então a concurso com uma das suas grandes cantoras, Mariza Koch, que se apresentou com uma canção que, mesmo não sendo ostensivamente política na sua letra, podia ler-se como uma voz de protesto. Tema intenso e de travo folk, Panagia Mou, Panagia Mou estava em contraciclo face a uma nova norma eminentemente festiva que dominava o grosso das representações, todavia em sintonia com a estreia grega em 74. Era uma canção agreste, assombrada numa letra que traçava uma visão pessimista sobre o futuro da humanidade e depois defendida pela segura abordagem vocal da cantora. A canção, que terminou em 13º lugar, não foi, contudo, transmitida pela televisão turca que, naquele instante, apresentou em seu lugar uma canção nacionalista.

         A canção, que assim juntou um daqueles episódios da memória eurovisiva que traduzem o rumo dos acontecimentos da história europeia, deu logo depois título a um álbum que a Panagia Mou, Panagia Mou um alinhamento que reforçou a relação da voz de Mariza Koch com uma música que procurava novos caminhos para uma folk contemporânea, porém firme na identidade dos seus alicerces.

         Nascida em Atenas em 1946, Mariza Koch tinha já uma carreira com alguns discos editados quando surgiu nos pequenos ecrãs em representação do seu país. E logo em 1971, depois de um disco em parceria com Nikos Houliaras, o seu álbum de estreia Arabas representara um exemplo de abertura de diálogos entre uma busca de modernidade tendo como ponto de partida uma relação segura com heranças das muito férteis tradições folk locais. Em 1973 o álbum seguinte teve uma prensagem norte-americana, o mesmo sucedendo com o que editou em 1974. Coube, contudo, a Panagia Mou, Panagia Mou o papel de levar a sua voz a mais paragens, destacando a capa, além do título e do nome da cantora, a referência “Eurovision 76” que vinca a relação que se começava então a construir entre o público grego e o concurso. O single (e não o álbum) teve contudo maior expressão internacional.  O álbum inclui uma versão em inglês da canção-título, opção então frequente junto de algumas participações na Eurovisão mas que, como quase sempre, em nada chega aos calcanhares (emotivos) da original.




La Düsseldorf “La Düsseldorf” (1976)

 Foi editado em 1976 fez a estreia dos La Düsseldorf e lançou possibilidades de futuro para o relacionamento das eletrónicas com a canção popular. 

Depois de uma primeira geração feita de nomes, acontecimentos e discos que fizeram da Alemanha de inícios dos 70 o epicentro de uma revolução na música eletrónica, levando-a dos laboratórios (leia-se estúdios) dos ensaístas e exploradores das décadas de 50 e 60 para os espaços habitualmente habitados pela música popular, uma segunda “fornada” de nomes, gravações e visões acentuou, na segunda metade da década, uma maior aproximação de caminhos que, a breve trecho, colocariam em cena uma noção de pop eletrónica. E entre os projetos que ajudaram a desenhar esses novos trilhos – ganhando até de David Bowie, na época, um elogio, tendo ele afirmado que ali estaria a banda sonora dos “futuros” anos 80 – contam-se os La Düsseldorf. Eram de… Dusseldorf, a cidade que colocara no mapa nomes como os Kraftwerk ou Neu!. De resto, os La Düsseldorf não eram mais do que a banda que Klaus Dinger, em tempos baterista nos Kraftwerk e, acima de tudo, uma das metades dos Neu!, criou depois da separação da dupla que tinha mantido com Michael Rother.

Foi ainda entre os Neu! que emergiram as ideias que ganhariam corpo em La Düsseldorf, o primeiro dos três álbuns que fariam uma discografia que se estenderia até 1980 e que teria em Viva (de 1978) o seu episódio de maior sucesso. Dinger, que havia já defendido pela sua bateria o ritmo pulsante que entretanto tinha ganho a designação ‘motorik’, levara ao álbum Neu 75 uma série de novos colaboradores com os quais vincou abordagens que acentuaram a cisão entre a sua visão e a de Michael Rother. Quando, após a separação dos Neu!, Klaus Dinger junta uma primeira formação dos La Düsseldorf, leva consigo estes parceiros, entre os quais estavam o seu irmão Thomas e o seu amigo (e teclista) Hans Lempe. Este trio definiria o corpo central da nova banda.

O disco nasceu entre o estúdio dos próprios La Düsseldorf (na cidade à qual pediam emprestado o nome) e o de Conny Plank, que assim assinava mais uma contribuição marcante na história da evolução da presença das electrónicas nas emergentes novas formas da canção popular. Apesar de nascido depois de uma rutura (sobretudo em confronto com as visões mais ambientais que Rother acabaria por prosseguir a solo), La Düsseldorf é na verdade um álbum de compromisso entre a vertigem da descoberta de um novo fulgor para a canção (como a que dá título ao álbum) e um gosto pela criação de peças de maior fôlego e mais vastidão cénica (como escutamos em Silver Cloud). No posterior Viva o grupo acentuaria a presença de uma geometria mais acentuada nos ritmos e timbres. Mas é neste La Düsseldorf que, apesar dos estímulos lançados pelos Kraftwerk, Bowie encontra as pistas que o levarão à sua mítica trilogia Berlinense. Do mesmo modo podemos encontrar aqui um antepassado comum a muitas experiências pop que ganhariam forma entre finais dos 70 e inícios dos 80. Dos Ultravox aos Duran Duran, ideias que hoje associamos à identidade pop da alvorada dos oitentas, já se começavam a desenhar por aqui.




Dennis Wilson “Pacific Ocean Blue” (1977)

 O único elemento dos Beach Boys que praticava surf acabaria, já nos anos 70, por ser autor de um dos discos mais pessoais e assombrados entre os muitos que surgiram no universo do grupo californiano. “Pacific Ocean Blue” é obra a (re)descobrir. 

Dennis Wilson era, de todos os elementos dos Beach Boys, aquele que fazia das imagens das primeiras canções do grupo o seu dia a dia. Na verdade era o único do grupo que praticava surf e que parecia protagonizar de facto o ideal californiano que aquelas canções celebravam. Baterista, só começou a ver a sua contribuição autoral para os discos do grupo a partir de 1968. Chegou a projetar um primeiro álbum a solo em inícios dos anos 70, mas algumas das canções que então terminou acabariam por surgir em discos dos Beach Boys. Mesmo assim, em meados dos anos 70, tinha já em mãos um corpo de canções que apresentou à Caribou Records, acabando por assinar um acordo para gravar dois álbuns (na verdade apenas um seria concluído). E foi assim que, aos poucos, gravadas em sessões espalhadas entre 1974 e 1977, todas elas gravadas nos Brother Studios (dos próprios Beach Boys) foi nascendo o alinhamento que daria então origem a Pacific Ocean Blue

O jovem surfista dos anos 60 tinha-se entretanto num homem que vivia uma série de conflitos pessoais. Mudanças no estilo de vida e tensões com os companheiros no grupo (isto sem esquecer um relacionamento com o clã de Charles Manson que deu que falar) acabar por ter impacte não apenas no rumo temático e emocional das canções, mas na própria voz que, outrora límpida, exibia por aqueles dias o tom rouco que vincaria, na verdade, a carga interpretativa com que o músico abordou cada canção.

O arco de tempo durante o qual o disco foi sendo criado e gravado manifesta-se na diversidade de climas e abordagens fixadas em canções nas quais a voz é o elo maior que tudo une, cabendo depois a um elaborado trabalho de estúdio a moldagem final de peças que, apesar dessa largura de horizontes, acabam afinal por ganhar o sentido de coesão que um álbum com identidade bem marcada exige. Assim acontece, notando-se por um lado afinidades com rumos pop/rock que os discos dos Beach Boys vinham a experimentar depois de Sunflower (1979), contando de resto com contribuições pontuais de vários outros elementos da banda numa e outra canção, mas no fim acentuando sobretudo as marcas de identidade de um espírito claramente mais assombrado do que aquele que marcara os hinos de sol e mar de outrora, procurando mesmo espaços de reflexão e até de mergulho interior. O mar está ainda por perto, mas o modo como surge aqui revela outros sentidos e cenografias. Pacific Ocean Blue é um álbum de tranquila intensidade, de uma beleza enorme e um dos melhores nascidos entre músicos dos Beach Boys na década de 70.




Automat “Automat” (1978)

 Editado em 1978, nascido da única parceria assumida entre os italianos Romano Musumarra e Claudio Gizzi, “Automat” é peça de referência do space disco de primeira geração. 

Em finais dos anos 70, do flirt então vivido entre as possibilidades instrumentais levantadas pelos novos sintetizadores, o boom do disco sound e sonhos temáticos futuristas, num tempo em que o sucesso de Star Wars e Encontros Imediatos de Terceiro Grau abria uma nova etapa na história pop(usar) do cinema de ficção científica, nascia uma música de dança com sabor sci-fi.

Com as suas primeiras expressões há cerca de 45 anos, o space disco na verdade não foi um caso arrumado na história da música de dança. E basta ver os exemplos, já no século XXI, da obra de um Lindstrom, o renovado interesse maior pelo legado de Patrick Cowley, o surgimento de novas antologias e opções na banda sonora de vários filmes (entre eles Uma Nova Amiga, de François Ozon), para reparar como este universo continua a cativar atenções. 

Um dos mais significativos projetos em álbum no universo do space disco de primeira geração, Automat é na verdade uma aventura a duas vozes, juntando o trabalho dos italianos Romano Musumarra e Claudio Gizzi. Ideia do primeiro, o disco foi produzido em 1977 ainda sob o impacte das primeiras visões sci-fi que Star Wars lançou na música e teve da Harvest (etiqueta da EMI) uma opinião favorável, quando tudo parecia indicar que a edição de um álbum instrumental do género seria muito arriscada. Curiosamente um dos primeiros a escutar o álbum, ainda antes de editado, foi Jean Michel Jarre.

O álbum, todo ele instrumental, nasceu das possibilidades lançadas pelo protótipo de um novo sintetizador analógico monofónico, o MCS70. O disco está dividido em duas partes, literalmente correspondendo queda qual a uma das suas faces. No lado A, assinado por Musumarra, a ‘suite’ que dá título ao álbum evolui, em três partes, ao longo de quase 17 minutos. O lado B junta mais três faixas, estas assinadas por Gizzi. A juntar ambas as faces uma narrativa centrada na ideia de que “no princípio havia a máquina”, o ponto de partida para um cenário sci-fi que a própria capa depois ajudava a materializar. A música ajudava depois a transportar as geometria mais metrológicas de algum krautrock para dimensões onde um melodiomo pop e a pulsação dos ritmos desenharam momentos que de certa forma ajudariam a lançar bases para linguagens que depois se tornaram dominantes entre finais dos anos 70 e a alvorada dos 80.

Gravado em apenas quatro semanas, Automat acabaria por ser a única parceria registada pelos dois músicos. O disco gerou algum impacte no momento do lançamento, mas com o tempo a sua memória acabou arrumada nas prateleiras do quase esquecimento. Houve apenas uma primeira reedição em CD já depois da viragem do milénio e uma segunda, mais recente, em 2019, a coincidir aí com uma nova prensagem em vinil na Itália. Droid, o tema que abre o lado B, foi editado como single, conquistando então alguma visibilidade que, contudo, acabaria destinada àquele espaço em tempos usado como separador de televisão ou trilha… Mecadance, que fecha o lado B, nota afinidades com minimalistas americanos (em particular Philip Glass). Já a suite que dá título ao álbum é um dos grandes monumentos da eletrónica (pop) dos anos 70.  À distância de todo este tempo, vale a pena reencontrar este disco como um dos mais sólidos do space disco de primeira geração.

“Automat”, da dupla Automat, teve edição original em 1977, pela EMI.



Em Março de 1971: Grand Funk Railroad grava o álbum Survival

Em Março de 1971: Grand Funk Railroad grava o álbum Survival
Survival é o quarto álbum de estúdio da banda americana de hard rock Grand Funk Railroad. Foi lançado em abril de 1971 pela gravadora Capitol Records. Produzido por Terry Knight.
O baterista Don Brewer nunca ficou feliz com o som da bateria no álbum, devido à insistência de Terry Knight em que Brewer cobrisse suas cabeças de bateria com toalhas de chá, depois de ver o baterista Ringo Starr usando essa técnica no filme dos Beatles Let It Be (1970).
Lista de faixas:
Todas as músicas de Mark Farner.
Lado um:
1. "Country Road" – 4:22
2. "All You've Got Is Money" – 5:16
3. "Comfort Me" – 6:48
4. "Feelin' Alright" – 4:27
Lado dois:
5. "I Want Freedom" – 6:19
6. "I Can Feel Him in the Morning" – 7:15
7. "Gimme Shelter" – 6:29.
Faixas Bônus – Lançamento do CD
8. "I Can't Get Along with Society
(Remix)" – 5:41
9. "Jam (Footstompin' Music)" – 4:40
10. "Country Road" (Original Version) – 7:37
11. "All You've Got is Money"
(Original Version) – 8:18
12. "Feelin' Alright" (Original Version) – 5:57.
Músicos:
Mark Farner – vocais, guitarra, gaita, teclados
Mel Schacher – baixo
Don Brewer – vocais, bateria.

 


Em 04/03/1964: Otis Redding lança o álbum Pain in My Heart.

Em 04/03/1964: Otis Redding lança o álbum Pain in My Heart.
Pain in My Heart é o primeiro álbum de estúdio do cantor americano de soul Otis Redding. Lançado em 1964, gravou para Volt Records, uma subsidiária da Stax Records, com sede em Memphis, Tennessee. Os LPs do Volt foram inicialmente lançados pelo selo Atco, que
lançou este álbum (os singles foram lançados pelo selo Volt). O álbum inclui quatro singles de sucesso, lançados em 1962 e 1963: "These Arms of Mine", "That's What My Heart Needs",
"Security" e a faixa-título. Como a Billboard não publicou uma parada de singles de R&B do final de 1963 ao início de 1965, os picos das paradas de R&B dos dois últimos singles são
desconhecidos.
Lista de faixas:
Lado um:
1. "Pain in My Heart" : 2:22
2. "The Dog" : 2:30
3. "Stand by Me" : 2:45
4. "Hey Hey Baby" : 2:15
5. "You Send Me" : 3:10
6. "I Need Your Lovin'" : 2:45
Lado dois:
7. "These Arms of Mine" : 2:30
8. "Louie Louie" : 2:05
9. "Something is Worrying Me" : 2:25
10. "Security" : 2:30
11. "That's What My Heart Needs" : 2:35
12. "Lucille" : 2:25.
Pessoal:
Otis Redding - vocais
Booker T. Jones - órgão, piano
Steve Cropper - guitarra, piano
Johnny Jenkins - guitarra
Donald Dunn , Lewis Steinberg - baixo
Al Jackson Jr. - bateria
Wayne Jackson - trompete
Packy Axton - saxofone tenor
Floyd Newman - saxofone barítono.

 


Em 04/03/1966: The Who lança no Reino Unido a canção "Substitute

Em 04/03/1966: The Who lança no Reino Unido a canção "Substitute".
Substitute é uma canção da banda de rock inglesa The Who, escrita por Pete Townshend. Lançado em março de 1966, o single alcançou a quinta posição no Reino Unido e mais tarde foi incluído na compilação Meaty Beaty Big and Bouncy em 1971.
Em 2006, Pitchfork classificou "Substitute" em 91º lugar no "200 Greatest Songs of década
de 1960 ". Em 2012, Paste classificou a música em 13º lugar em sua lista das 20 melhores músicas do The Who, e em 2022, a Rolling Stone classificou a música em 11º lugar em sua lista das 50 melhores músicas do The Who.
Pessoal:
Roger Daltrey – vocais principais e de apoio
Pete Townshend – violão, guitarra elétrica, backing vocals
John Entwistle – baixo, backing vocals
Keith Moon – bateria, percussão.

 


Em 04/03/1983: Thin Lizzy lança o álbum Thunder and Lightning


Em 04/03/1983: Thin Lizzy lança o álbum Thunder and Lightning.
Thunder and Lightning é o décimo segundo álbum de estúdio e último álbum da banda de hard rock Thin Lizzy, lançado em março de 1983. O guitarrista John Sykes foi contratado para substituir Snowy White depois de 1981 de Renegade, e Sykes ajudou a fornecer um som
e guitarra mais pesada tom de Thin Lizzy tinha usado em álbuns anteriores. No entanto, a maior parte da composição (exceto "Cold Sweat") foi concluída antes de ele se juntar à banda. O tecladista Darren Wharton também ofereceu uma influência musical mais forte para o último álbum de estúdio de Thin Lizzy, co-escrevendo muitas das faixas, incluindo "Some Day She Is Going to Hit Back" e o single final " The Sun Goes DownUma turnê de despedida se seguiu ao lançamento do álbum, seguido pelo álbum ao vivo Life. O co-fundador do grupo, frontman e baixista Phil Lynott morreu em 1986.
Listas de músicas:
Lado um:
1. "Thunder and Lightning" : 4:56
2. "This Is the One" : 4:04
3. "The Sun Goes Down" : 6:20
4. "The Holy War" : 5:12
Lado dois :
5. "Cold Sweat" : 3:06
6. "Someday She Is Going to Hit Back" : 4:05
7. "Baby Please Don’t Go" : 5:10
8. "Bad Habits" : 4:04 , 9. "Heart Attack" : 3:39
A edição limitada em LP duplo e a versão em cassete do álbum adiciona quatro faixas, gravadas ao vivo na Grã-Bretanha enquanto Snowy White ainda era um.
Pessoal Thin Lizzy:
Phil Lynott - baixo , voz ,
Scott Gorham - guitarra , vocais de apoio ,
John Sykes - guitarra, vocais de apoio ,
Darren Wharton - teclados , backing vocals
Brian Downey - bateria , percussão.



Destaque

Malefic Oath – The Land Where Evil Dwells (Demo 1992)

  Country: Netherlands   Tracklist   1. Intro 01:04 2. Prediction Of The Unborn Son 04:34 3. The Endless Way To The Unknown 03:11 4. Garde...