quarta-feira, 12 de junho de 2024

Ópera Nova “Sonhos” (1983)

Data de 1983 “Sonhos”, o single de estreia dos Ópera Nova, banda que contribuiu, nesse ano, para conferir uma mais sólida visibilidade a uma emergente cena pop eletrónica que então ganhava forma no panorama da música popular em Portugal. 

Apesar das utilizações de sintetizadores em criações anteriores, é em 1983 que se afirma uma ideia mais sólida de uma pop eletrónica made in Portugal, sob evidentes ecos do que então acontecia por outras paragens, de Espanha (Mecano) ou França (Indochine ou Lio) à Bélgica (onde tinham já obra feita uns Telex) ou Suíça (Yello), isto sem falar na multidão que habitava já o panorama pop britânico (Human League, Depeche Mode, Yazoo, Gary Numan, Soft Cell, entre muitos mais) ou a Alemanha (onde tinham emergido algumas das referências estruturais da utilização de electrónicas em formas da música popular). Datam desse ano, por exemplo, o álbum de estreia dos Da Vinci (“Caminhando”), o single “Paixão” dos Heróis do Mar ou “Sonhos”, o single (disponível nos formatos de sete e doze polegadas) que então apresentou os Ópera Nova. 

Inspirados por este novo panorama que então animava a música pop, os Ópera Nova surgiram de uma ideia partilhada por Pedro Veiga (teclista que tinha recentemente tocado com os Street Kids) e o vocalista Luís Beethoven, aos quais se juntaria pouco depois Manuel Andrade Rodrigues (também nas teclas). Apresentada uma maquete a António Pinho (então na PolyGram) surgiu um acordo editorial, que os levou a estúdio, cabendo a Carlos Maria Trindade o papel de produtor nesse single de estreia.

Das sessões de gravação nos Angel Studios, em Lisboa, surgiriam os temas “Sonhos”, “Palavras” e “Luar”, este último apenas disponível no máxi-single. Manuel Andrade Rodrigues abandona contudo o grupo antes de filmado o teledisco no qual surge em seu lugar Braunyno Fonseca, este último tendo permanecido a bordo, juntamente com Pedro Veiga, para depois gravar “México”, segundo e derradeiro single dos Ópera Nova, editado em 1984 também pela PolyGram. Ambos os singles estão hoje disponíveis nas plataformas de streaming.




ByeAlex “Kedvesem” (2013)

 Conhecido pelo seu nome artístico ByeAlex, o músico húngaro alcançou o décimo lugar na final de 2013 com a canção “Kedvesem” que depois teve edição em single apenas em formato digital, apresenrtando-se então na forma de uma remistura. 

Chama-se Alex Márta mas tornou-se sobretudo conhecido pelo seu nome artístico ByeAlex e chamou atenções quando, em 2013, representou a Hungria na Eurovisão. Nasceu em 1984 numa região próxima da fronteira com a Ucrânia e a Eslováquia e estava terminar o seu mestrado em filosofia, na Universidade de Miskolc, quando a música o fez chegar mais longe. 

Depois de um primeiro single em 2012 venceu no ano seguinte o A Dal (assim se chama o concurso que seleciona a canção para representar a Hungria na Eurovisão) e assim ganhou um passaporte para cantar em Malmo, na Suécia, que acolheu a edição desse ano. 

À Eurovisão levou a canção “Kedvesem”, proposta pop com travo indie que o mostrou em palco acompanhado pelo guitarrista, DJ e produtor Dániel Kővágó e a corista Helga Wéber. Depois da semana eurovisiva, que terminou com a participação de ByeAlex em 10º lugar na final, canção ganhou vida em disco no álbum “Szörpoholista”, editado ainda em 2013. O disco integrava como extra”Kedvesem (Zoohacker Remix)” e “Kedvesem (Lotfi Begi’s Deep In The Forest Mix)”, esta última lançada depois num single, mas apenas disponível em formato digital. 




Domenico Modugno “Nel Blu Dipinto Di Blu” (1958)

“Nel Blu Dipinto Di Blu”, depois universalmente conhecida como “Volare”, não levou o italiano Domenico Modugno além do terceiro lugar na Eurovisão em 1958. A desforra chegou depois com vendas colossais e até mesmo dois triunfos nos Grammys. 

Era o terceiro ano em que se realizava o Festival da Eurovisão, então ainda designado como Grand Prix Eurovision de la Chanson Européenne. E, sem a presença do Reino Unido (que se estreara no concurso um ano antes), este foi, juntamente com a edição inaugural, em 1956, um dos dois festivais em que não se escutou qualquer canção cantada em língua inglesa. A vitória sorriu ao francês André Claveau, com “Dors Mon Amour”. Mas a canção que fez carreira global depois do concurso foi a representante da Itália.

Cantada por Domenico Modugno (e vencedora em San Remo), “Nel Blu Dipinto Di Blu”, depois universalmente conhecida como “Volare”, tornou-se de resto no primeiro êxito maior com berço eurovisivo. Ainda nesse ano, entre agosto e setembro, a canção passou cinco semanas no posto mais alto da tabela da “Billboard” (nos EUA) e foi ali o single mais vendido do ano arrebatando depois Grammys para Disco do Ano e Canção do Ano. As vendas globais ascenderam a 18 milhões.

A canção ganhou outras vidas depois da versão original, sendo gravada por inúmeras outras vozes. David Bowie assinou em 1986 uma das versões para a banda sonora do filme “Absolute Beginers”, de Julian Temple. 



Frankie Goes To Hollywood “Welcome To The Pleasuredome” (1985)

 Na festa de abertura do Festival da Eurovisão, a cidade de Liverpool apresentou um programa de atuações que teve como ponto maior a reunião, ao fim de 36 anos, dos Frankie Goes To Hollywood, que apresentaram o tema-título do seu disco de estreia.

Nascidos na Liverpool de inícios de 80, foram (juntamente com os Art Of Noise) um nome central no lançamento da ZTT Records, a editora que deu voz (e som) a uma visão pop concebida por Trevor Horn (uma das metades dos Buggles). Em 1983 “Relax”, single de estreia, revelava o grupo, juntando uma dinâmica hi-nrg a uma moldura pop grandiosa, gerando ao mesmo tempo um “caso” mediático, após a censura da BBC, que virou o feitiço contra o feiticeiro, chamando ainda mais atenções para a canção. Seguiram-se “Two Tribes”, uma sinfonia pop em tempo de medo nuclear. E, meses depois, “The Power Of Love”, uma balada eloquente com acompanhamento orquestral… E com três poderosos cartões de visita, o álbum “Welcome To The Pleasuredome” revelava, então, em finais de 1984 a confirmação das expectativas entretanto lançadas. 

Hedonismo e sarcasmo ao serviço de um encontro entre a vitalidade de heranças rock’n’roll, o apelo melodista da pop, a dinâmica da música de dança e, last but not least, a meticulosa produção com assinatura Trevor Horn (mais o complemento agit prop assinado por Paul Morley cujos textos e slogans são ainda parte marcante nesta aventura) são condimentos que atravessam todo o disco que tinha, logo no tema título – que abria o alinhamento – uma síntese do que aqueles dois LP tinham depois para dar a escutar. Não foi por isso surpresa o facto de, na hora de escolherem um quarto single, tivessem apontado o dedo, precisamente, a “Welcome To The Pleasuredome”, apresentado naturalmente um edit bem mais curto do que a faixa que ocupava todo o lado A do álbum. A “Welcome To The Pleasuredome (Altered Real)” o alinhamento do single juntava ainda “Happy Hi” e uma versão de “Get It On” dos T-Rex.

Tendo apenas escalado até ao número dois no Reino Unido (ao invés dos três singles anteriores, o single fechou talvez cedo demais a vida do álbum, do qual mais uma ou duas canções poderiam ter conhecido edição em single. Mesmo assim, 36 anos depois do adeus, o regresso a um palco dos Frankie Goes To Hollywood fez-se precisamente ao som desta canção que encerra um olhar geral sobre o seu álbum de estreia e não as mais “óbvias” escolhas de qualquer um dos três singles anteriores. E assim foi, com “Welcome To The Pleasuredome” apresentado, ao vivo, no palco instalado em frente ao St Georges Hall, na festa de abertura da edição deste ano do Festival da Eurovisão. Resta saber se este foi episóido único ou se uma reunião de facto terá pernas para andar… Do que ali se viu, era de facto de considerar algo mais que apenas uma noite com uma só canção…




Manfred Schoof - Meditation (1987)

 


Um curioso verbete na discografia de Manfred Schoof. Grooves arejados, pesados ​​​​de sintetizadores e de andamento médio e trompete reverberante e flutuante, às vezes recuando para um ambiente totalmente new age. A meditação definitivamente se aproxima muito do jazz suave, especialmente no travesseiro "Timecode". Em outro lugar, a faixa-título soa como algo que estaria escondido na segunda metade de Moby 's  Play , e "Robot" lança uma trilha sonora para uma versão PG-13 de The  Terminator . Estranho que tenha sido lançado como um álbum solo de Manfred Schoof, pois é claramente um esforço colaborativo com o tecladista Jasper van 't Hof, o único outro músico creditado.

Track listing:
1. Meditation
2. Clouds
3. Timecode
4. Robot
5. Silence
6. Zen





Bruno Spoerri - Voice of Taurus (1978)

Bem, finalmente me formei. Ainda há muito trabalho no horizonte próximo, mas, por enquanto, estou aproveitando o brilho com esse estranho sintetizador astrológico idiota. Uma montanha de sintetizadores com um único nerd suíço de óculos no topo. Além disso, um pouco de bateria e saxofone ao vivo. Falando nisso, “Saxelite” é um destaque inegável aqui, então fique por aqui.


Track listing:
1. Hymn of Taurus (Taurus Is Calling You!)
2. Galactic Acid
3. Saucers Over Montreux
4. Hallo World
5. Meditation
6. Space Cantata
7. Cosmotoxology
8. Saxelite
9. Quiet High




Reggie and the Full Effect - Greatest Hits '84-'87 (1999)

 


Para começar, gostaria de compartilhar o caminho tortuoso que percorri ontem à noite para ouvir Greatest Hits '84-'87  pela primeira vez em vários anos: uma concorrente chamada Suzanne Goldlust , para quem estou arbitrariamente encaminhando , vence o Jeopardy!  (Estou alguns episódios atrasado) → Comece a cantar  “Susanne” do Weezer  → Vá para a cozinha fazer brownies, ouça “Susanne” →  “Acabei de jogar fora o amor dos meus sonhos” →  Devolução dos aluguéis → “ Feriado" de Get Up Kids → Greatest Hits '84-'87 .

Eu tinha 17 anos, estava no terceiro ano do ensino médio e estava namorando uma garota há mais de um ano - o que no ensino médio o tempo de relacionamento é praticamente uma vida inteira - quando ela me traiu e depois me largou antes da escola, na chuva, no aniversário dela. Depois de algumas semanas chorando, escrevendo poesias horríveis e deprimida, minha mãe me levou ao Record and Tape Traders e me disse que me compraria um CD de minha escolha, na esperança de me animar. Eu tinha ouvido alguns dos  Greatest Hits '84-'87 e, embora minha reação inicial tenha sido de odiá-lo, quando o vi na prateleira, isso me chamou a atenção.

Amigos, esse disco me mudou completamente. Não falou apenas ao meu coração partido, às minhas inseguranças e aos meus profundos anseios adolescentes: traduziu-os nos maiores, mais brilhantes e cativantes refrões que já ouvi. (Mais ou menos como aquela frase sobre cocaína em Walk Hard : "Isso transforma todos os seus sentimentos ruins em sentimentos bons!" ) A linguagem, que era claramente simplista por design - todas "meninas", "meninos" e "vocês" e "heart"s e "never"s e "run away"s - tornaram-no ainda mais potente, assim como os sintetizadores ricos e cintilantes, que soavam tirados diretamente de "Friends of P" . Além disso, havia um monte de esboços idiotas e divertidos. Fiquei obcecado e tocava repetidamente em casa e nos carros dos meus amigos, enquanto todos nós memorizamos e cantamos cada palavra. Assim começaram nossas fases emo.

Algumas informações menos pessoais para quem ainda não sabe: Reggie and the Full Effect é o projeto solo pop emo-power de James Dewees, que tocou no Coalesce  (é ele na bateria), no Get Up Kids e em um monte de outras bandas.  Greatest Hits '84-'87  é, obviamente, um nome de piada, já que foi gravado em 1998 com outros dois Get Up Kids e lançado no ano seguinte. É o primeiro álbum do projeto. Dewees é punk, mais legal e mais legal que você. Esse disco geralmente soa enjoativo/irritante para novos ouvintes, e eu entendo. Ainda é meu coração.

Track listing:
1. Drunk Guy at the Get Up Kids Show
2. Girl, Why'd You Run Away?
3. Fiona Apple Can Kiss My Black Ass
4. What's Wrong?
5. Props to the Queen of Pop A.K.A. Keep on Climbin' That Velvet Rope Baby
6. Your Girlfriends Hate Me
7. Megan Is My Friend to the Max
8. My Dad - Happy Chickens (Kirksta Party-to-Go Mix)
9. Another Runaway Song
10. Drunk Guy Talks Chemicals to Us at the Get Up Kids Show
11. Your Boyfriend Hates Me
12. Pick Up the Phone Master P
13. Where's Your Heart?
14. Get to the Choppa
15. Better for You
16. Everything's Okay
17. Just a Reminder
18. Brandi's Birthday Song




TANTRA / Manuel Cardoso


(TANTRA / Manuel Cardoso)
Portugal nunca foi um país inundado de prog-rock, provavelmente, porque o país estivera sob a Ditadura desde 1933. Contudo, antes dos Tantra, uma das grandes estrelas pop nacionais, José Cid, fez do melhor prog-rock em meados do final da década de 1970, com os últimos esforços da sua antiga banda Quarteto 1111 e a sua obra prima a solo, “10.000 anos depois entre Vénus e Marte”.
No entanto, os Tantra foram uma das poucas bandas que conseguiu produzir música progressiva em Portugal nos anos 70. Se até 1974 a música em geral foi altamente restringida pelo regime fascista, após isso os trabalhos rock ou de vanguarda foram considerados como expressões revivalistas do ostracismo. É impossível dizer exatamente o impacto que este disco teve no cenário musical da época (demasiado jovem para isso), mas o nome “Tantra” sobreviveu como referência no rock português, mesmo durante o longo período de inatividade de 20 anos entre o terceiro e o quarto álbum.
Apesar de não serem muito conhecidos, os Tantra são altamente prestigiados por alcançarem um grau alto de musicalidade para uma banda de rock em Portugal, algo que é incomum.
O álbum de estreia da banda, “Mistérios e Maravilhas”, retrata perfeitamente as influências do rock Sinfónico no início dos anos 70, mas ao mesmo tempo encontra-se uma certa qualidade experimental.
Na superfície, os Tantra soam como um cruzamento bizarro entre Gentle Giant, Yes e Genesis, mas a banda combina fácil e eficazmente o prog Sinfónico, com um som agressivo, energético e alto como um vulcão. Ao longo do álbum, a instrumentação está cheia de sabores analógicos de teclados e piano, Sinfónicas paisagens sonhadoras, guitarras acústicas e elétricas que dão cor a todo o quadro.
A interacção do baixo com a bateria é muito inteligente, com algumas faixas de apoio adoráveis, e até um holofote sobre um fantástico interlúdio de percussão e bateria.O disco é quase todo instrumental, apenas duas faixas têm letra: À Beira do Fim e Partir Sempre, curiosamente a primeira e a última faixa, respectivamente. Todas as seis faixas são excelentes, com destaque para À Beira do Fim, com teclados que conferem ao grupo uma aura espiritual, e a peculiar voz de Manuel Cardoso (também conhecido como Frodo). Tudo para dar contornos de um jazz psicadélico ao álbum. Infelizmente, a qualidade da produção é um pouco áspera e isso pode prejudicar o imenso potencial de grandeza aqui presente.
Em suma, “Mistérios e Maravilhas” mostra definitivamente que Portugal teve um prog-rock de primeira linha. O álbum está cheio de longas passagens instrumentais, carregadas de sentimento e elegância, belas melodias e uma forte carga emocional, com solos rasgados de teclados e guitarra eléctrica, e uma percussão com dinâmica multi-rítmica.
Realmente não havia (e ainda não existe) outra banda em Portugal, que se compare com os Tantra, sendo que o grupo sempre se destacou não apenas pelo investimento feito nos seus instrumentos, mas também mostrou uma certa ambição em competir com o melhor internacionalmente, tanto ao nível da encenação dos concertos, como ao nível dos arranjos complexos que o próprio género exige.

Este álbum viria a ganhar reconhecimento em todo o país e, posteriormente, em todo o mundo, sendo considerado um dos melhores trabalhos musicais feitos em Portugal.


 

PERSPECTIVA - "Lá Fora" a Cidade" (1976) single // PT


 PERSPECTIVA - "Lá Fora" a Cidade" (1976) single // PT

Pérola vindos do Barreiro, no começo dos anos 70, os Perspectiva lançaram apenas dois singles, em 1976 e 1977. Considerados pioneiros do rock progressivo no país. Posto aqui o primeiro, intitulado "La Fora" a Cidade, com esta música no lado A e ainda "Os Homens da Minha Terra" no lado B, ambas focadas no Prog. Tradicional e em momentos Sinfônico, com letras em português, retratando o momento social e político de Portugal à época.
Ótimos solos de flauta, guitarra e teclados merecem destaque.
Uma pérola recomendada para fãs de rock progressivo.



ARTE & OFICIO // PT


 ARTE & OFICIO // PT

Os Arte & Ofício marcaram o Rock pesado luso não só pela originalidade das suas composições, mas também pelas qualidades técnicas e musicais demonstradas, fundindo o Hard Rock com Jazz Rock, Progressivo e Funk, numa sonoridade inovadora e ousada.
"Os temas, originais, eram vocalizados em inglês”



Destaque

Paul Kantner: importante guitarrista/vocalista fundador do Jefferson Airplane/Starship e tantos outros projetos

  Paul Lorin Kantner foi cofundador, guitarra-base e vocal de apoio no grande  Jefferson Airplane , uma das bandas mais importantes do  Rock...