domingo, 3 de agosto de 2025

Intronaut - The Direction of Last Things (2015)

 



Algumas bandas usam o heavy metal como uma plataforma de experimentação. Uma base sólida da qual jamais perdem contato, mesmo em seus vôos mais altos. É o caso do quarteto norte-americano Intronaut. Natural de Los Angeles, o grupo chega ao seu quinto álbum alcançando o ápice de sua trajetória até o momento.

Sucessor de Habitual Levitations (Instilling Words with Tones), de 2013, The Direction of Last Things saiu na sexta, 13 de novembro, pela Century Media. O disco traz sete faixas excelentes, que mostram a banda sempre arriscando e buscando novos caminhos. Como a excelente abertura com “Fast Worms”, onde o metal técnico e agressivo da primeira parte da canção se transforma em um trecho instrumental que é puro jazz, entregando generosas doses de deleite auditivo.

Mixado por Devin Townsend, o disco é sólido, consistente e mais resolvido que o trabalho de 2013. As ideias são processadas e traduzidas em soluções amistosas e que sempre caem bem aos ouvidos. O que quero dizer com isso é que não há aqui aquelas experimentações densas e que afastam os ouvidos não habituados com uma sonoridade específica. O Intronaut já cometeu esse deslize no passado, e hoje sabe como caminhar para frente, como evoluir, sem abrir mão de sua ambição artística e sem assustar os fãs.

Dá pra dizer, e em muitos aspectos apenas como elemento para situar o leitor, que a sonoridade atual do Intronaut traz traços de Cynic, Gojira e Between the Buried and Me, e, mais de leve, alguns toques que remetem ao Meshuggah e ao Tool. Mas isso são apenas devaneios meus. Os timbres dos instrumentos, por exemplo, trazem à mente o que o Anciients alcançou em Heart of Oak (2013), enquanto os backing vocals remetem ao Mastodon mais experimental e aventureiro dos tempos de Crack the Skye (2009).

Com performances exemplares de todos os instrumentistas, The Direction of Last Things traz o Intronaut alcançando o seu auge, o topo como banda. É o refinamento de tudo que a banda gravou em seus quatro  álbuns anteriores, aqui condensando e traduzido em uma música cativante, inovadora, rica e que alia o requinte técnico com doses enormes de sentimento.

Se o Intronaut ainda não chegou aos seus ouvidos, esse é o álbum para conhecer e se apaixonar por esta banda norte-americana.

Ouça. Não há como se arrepender.




Adele - 25 (2015)

 



Adele Laurie Blue Adkins é um fenômeno. Um fenômeno pop que tem como principal qualidade a sua voz. O timbre, a rouquidão sutil, a força do vocal de Adele, quando embalada em canções inspiradas, é capaz de arrebatar multidões em todos os cantos do planeta. 

Foi o que aconteceu com 21, seu segundo disco, lançado no início de 2011. Puxado pelo single “Rolling in the Deep”, o trabalho se tornou o álbum mais vendido do século XXI, superando Back to Black, de sua conterrânea Amy Winehouse. Com estimados 40 milhões de discos e 50 milhões de singles vendidos em toda a sua carreira, o sucesso de Adele foi tamanho que, praticamente sozinha, a cantora injetou doses generosas de combustível na moribunda indústria fonográfica. E tudo isso em uma época onde a grande maioria do público não compra mais discos.

São quatro anos de diferença entre 21 e 25, o novo disco da inglesa. Quatro longos anos, diga-se de passagem. No período, Adele virou mãe com o nascimento do seu primeiro filho, fez um cirurgia nas cordas vocais e se afastou dos holofotes, aparecendo apenas com a gravação da música tema de 007: Operação Skyfall.

Por isso, a expectativa, tanto de fãs quanto da indústria, é gigantesca em torno de 25. Um disco aguardado com ansiedade, e do qual se espera uma performance tão forte quanto 21. Tanto que, na data do seu lançamento mundial (hoje, 20/11), 25 não está disponível em nenhum serviço de streaming - nada de Spotify, nada de Deezer, nada de Apple Music. Tem que comprar o item físico mesmo pra poder ouvir o álbum, em uma estratégia agressiva para uma época onde o streaming substituiu quase totalmente a mídia física, seja ela um LP ou um CD.

Há alguns problemas nas onze faixas de 25. Talvez o principal deles seja o que podemos chamar de uma espécie de “desprezo pelo fator Rolling in the Deep”. O que isso quer dizer? O seguinte: 21 também era um álbum repleto de baladas, assim como 25. No entanto, o seu primeiro e principal single era uma canção agitada, com um irresistível acento soul e com um refrão feito na medida para ser cantado por multidões. Junto com ela, havia faixas como a releitura para “Lovesong”, do The Cure, que inseriam variedade no repertório, fazendo com que 21 fosse capaz de transmitir emoções variadas no decorrer de sua audição: alegria, tristeza, esperança, bem estar.

Mora aí o calcanhar de Aquiles de 25. O novo álbum de Adele é homogêneo em demasia. E isso se dá pelo fato de suas faixas serem muito semelhantes entre si. O que temos são onze baladas densas, invariavelmente levadas ao piano e com a inglesa soltando a voz nos refrãos. Funciona com “Hello”, funciona com “When We Were Young”, e começa a parar de funcionar conforme o disco vai caminhando por suas faixas. Essa impressão se intensifica também pelo fato de não haver em 25 refrãos com a força de “Set Fire to the Rain” e “Someone Like You”, canções que também foram marcantes em 21.

É claro que tudo é muito bem feito, a produção é sublime, só tem fera na jogada, em todos os aspectos. Os vocais são tecnicamente perfeitos, não há falhas nesse quesito. A música, no entanto, não se resume à técnica, não é pura matemática. Falta em 25 o fator que foi fundamental na equação que transformou 21 em um sucesso mundial: a emoção. Foi a emoção transmitida por Adele nas canções daquele disco que causaram a identificação de milhões de pessoas, que sentiram essa emoção bater forte em seus corações. E isso não acontece em 25. Não quer dizer que as canções sejam ruins, mas elas, sem dúvida, não são tão acolhedoras e arrebatadoras quanto no trabalho anterior. E essa diferença, para uma artista que construiu a sua música e carreira muito pela capacidade de tocar o coração dos fãs, faz uma diferença danada no resultado final.

Todos esses fatores fazem com que a audição de 25 acabe se tornando muito cansativa. As canções apresentam praticamente os mesmos elementos, sempre com versos que conduzem a um refrão onde Adele solta a voz. É tudo muito preso à fórmula das “baladas emocionantes”, mas com um problema fundamental: essas baladas não emocionam, apenas cansam. As coisas até funcionam de maneira isolada, como é o caso de “Hello” e da deliciosa “Million Years Ago”, mas quando ouvidas em conjunto torna-se um parto chegar até o final do trabalho.

Isso acaba fazendo com que a voz de Adele, que é belíssima, soe cansativa. Os versos calmos que levam a refrãos onde a inglesa solta a voz são executados de tal maneira que lá pela faixa 6 ou 7 você não aguenta mais ouvir a menina cantar, o que é uma pena.

25 vai vender muito. Tá saindo no final de novembro, vai pegar todo o mercado de Natal. Muita gente talvez até reative o saudável costume de dar discos de presente motivada por esse título. Isso é bom. Mas o álbum poderia ser muito melhor se tivesse uma pluralidade maior, se arriscasse mais e não ficasse sempre dando voltas ao redor da mesma ideia.




Billy Gibbons and The BFG’s - Perfectamundo (2015)

 



Existem várias formas de criar um disco. Ele pode ser concebido como uma manifestação artística que busca estabelecer novos parâmetros para o estilo em que está inserido. Pode ser um objeto de experimentação, mostrando o artista explorando novos caminhos. Ou pode ser, simplesmente, um trabalho despretencioso, reunindo amigos em uma grande diversão.

É justamente nessa última opção que se deve colocar Perfectamundo, o primeiro álbum solo de Billy Gibbons, vocalista e guitarrista do ZZ Top. Longe de Dusty Hill e Frank Beard, seus parceiros no trio texano, Gibbons reuniu um time de feras batizado como The BFG’s - o vocalista e baixista Alex Garza, o vocalista cubano Chino Pons, o tecladista argentino Martin Guigi e o baterista Greg Morrow - e veio com um trabalho leve, alto astral e apresentando um rock com tempero afro e cubano. Há muito balanço em todas as faixas, percussão comendo solta, grooves contagiantes. Tudo embalado com uma saudável sensação positiva.

O barbudão já faz parte da história do rock e sabe disso. Billy já deixou a sua marca no hard, no southern e no pop, e em Perfectamundo passa bem longe de tentar algo maior do que a pura diversão. Há até rap entre as faixas, mostrando o quanto Gibbons utilizou a oportunidade de gravar um disco solo para experimentar novas sensações sonoras.

Brincalhão, solto e com um ar de reunião de amigos, Perfectamundo é um álbum logicamente menor na trajetória de Billy Gibbons e não tem como ser comparado a nada que o ZZ Top gravou. No entanto, assim como existem várias formas de criar um álbum, há também diversas maneiras de analisar um disco. E, nesse sentido, o trabalho funciona de maneira agradável, revelando a criatividade, a inquietação e um pouco mais do lado pessoal de Gibbons.




David Bowie - Blackstar (2015)

 



Analisar um disco de David Bowie é, por si só, uma tarefa complexa. O artista inglês, extremamente inovador e com um gosto eterno pela experimentação, sempre buscou caminhos originais e cheios de desafios em todos os  álbuns que gravou. No entanto, resenhar Blackstar, novo trabalho de Bowie, após a morte do cantor, torna tudo ainda mais difícil.

Sucessor do ótimo The Next Day (2013), Blackstar é o vigésimo-sexto e derradeiro disco da carreira de David Bowie. Produzindo pelo próprio e por Tony Visconti, o álbum contém sete faixas que trazem David acompanhado por uma banda formada inteiramente por músicos de jazz - Donny McCaslin (flauta, saxofone e demais instrumentos de sopro), Ben Monder (guitarra), Jason Lindner (piano, órgão e teclado), Tim Lefebvre (baixo) e Mark Guiliana (bateria). O álbum foi lançado no dia 8 de janeiro, dois dias antes da morte de Bowie, e veio precedido pelos vídeos da faixa-título e de “Lazarus”.

O background jazzístico da banda e a personalidade inquieta de Bowie geraram um trabalho naturalmente experimental. É o rock bebendo na sofisticação e na liberdade do jazz, pegando no gênero um passaporte para trilhar caminhos e estruturas que fogem do convencional. Tudo isso, devidamente costurado pela imensa capacidade de David Bowie de tornar a mais estranha das composições naturalmente audível e atraente. Assim, mesmo que naturalmente denso e sombrio (principalmente nas letras), Blackstar acaba se revelando um álbum que desce naturalmente aos ouvidos familiarizados com as harmonias e soluções rítmicas plurais do jazz, distantes do onipresente quatro por quatro do rock and roll.

A música que batiza o disco abre o álbum em uma suíte dividida em duas partes distintas. A primeira, com quase cinco minutos de duração, conta com um arranjo desarmônico e serve de base para a poesia de Bowie. Já a segunda traz a canção para um ponto mais habitual e confortável, e nela David expõe a sua carta de intenções: “I'm not a rockstar, I’m a not a filmstar, I’m not a pornstar, I’m a blackstar”. 

“Lazarus”, o segundo single do trabalho, funciona também como uma canção de despedida de David Bowie endereçada aos seus milhões de fãs em todo o mundo, e traz a frase “olhe para cima, estou no céu”, cantada pelo inglês como que confortando seus admiradores, amigos e familiares. Este mesmo sentimento de despedida pode ser aplicado na interpretação de “Girl Loves Me”, com Bowie dando adeus para sua esposa Iman, companheira de 23 anos. E, como que repassando sua vida, Bowie encerra o disco declarando que não pode dar tudo em “I Can’t Give Everything Away”, frase que nós, seus fãs, respondemos em uníssono: você nos deu muito mais do que poderíamos sonhar, David.

Blackstar é um álbum diferente de The Next Day, assim como todos os trabalhos de David Bowie possuem sua própria personalidade e são distintos entre si. A comoção gerada pela sua morte, naturalmente, influenciará a recepção que o disco receberá do público e da crítica, mas o fato é que Blackstar é uma despedida muito forte, um grande trabalho que fecha com maestria uma das mais consistentes, inovadoras e influentes trajetórias da história do rock.

Obrigado por tudo, David. Vá em paz, Bowie. O que você deixou neste mundo nos acompanhará durante toda a vida.



Mutant - Pleiades (2016)

 



Groove metal que soa como norte-americano, mas que vem, de maneira surpreendente, da Espanha. Pleiades é o segundo álbum do Mutant, trio natural da Galícia, e foi lançado no início de 2016. O disco sucede Titanomakhia, de 2013.

Formado por Pla (vocal e guitarra), Xalo (baixo e vocal) e Caki (bateria), o Mutant vem com uma sonoridade elaborada, que transita por elementos do prog e thrash, excelentes vocais (tanto os principais quanto os backings e coros) e uma performance instrumental pra lá de competente. Dá pra tentar exemplificar a sonoridade da banda como a união do DevilDriver com o Machine Head, com um certo tempero de thrash metal clássico e passagens instrumentais que flertam com o progressivo e trazem à memória o também trio (neste caso norueguês) Communic.

Pleiades tem oito canções e uma produção de alto nível, com clareza e timbres pesados, o que torna a pancada do Mutant bem eficiente. Ainda que alguns trechos tragam um inegável aroma de déjà vu, o resultado final tem um saldo positivo, mostrando uma banda com um nível excelente, muita musicalidade e um poder de fogo até certo ponto surpreendente para um line-up tão enxuto.

Não vai mudar o mundo e nem o rumo das coisas, mas garante diversão por vários dias.



MILT JACKSON / JOE PASS / RAY BROWN (USA) : The Bıg 3 : 1976


 

Artist       : MILT JACKSON / JOE PASS / RAY BROWN (USA)

Album     : The Bıg 3

Year         : 1976

Genre      : Bop / Post Bop

Tracklist  :

A1.The Pink Panther 5:52

A2.Nuages 7:26

A3.Blue Bossa 5:03

A4.Come Sunday 3:00

B1.Wave 6:50

B2.Moonglow 4:52

B3.You Stepped Out Of A Dream 3:58

B4.Blues For Sammy 6:25

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CARLOS CARRANZA (Argentina): Blue Jean Blues: 2018


 

Artist       : CARLOS CARRANZA (Argentina)

Album     : Blue Jean Blues

Year         : 2018

Genre      : Blues Rock

Tracklist  :

01. My Babe 

02. Everybody Oughta Make A Change

03. Santa Claus Is Back In Town

04. Blue Jean Blues

05. No Mater How She Done It 

06. King Bee 

07. The Sky Is Crying 

08. Cant Hold Out 

09. Boogie All Night

10. Im Gonna Buy Me A Pistol 

11. Cheating With The Devil 

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MAMMATUS (USA): Expanding Majesty : 2023


 

Artist       : MAMMATUS (USA)

Album     : Expanding Majesty

Year         : 2023

Genre      : Stoner Rock

Tracklist  :

01 – Expanding Majesty

02 – By The Sky

03 – Foreveriff

04 – Beams Of Light

MUSICA&SOM ☝


SONNY CLARK (USA) : Sonny's Crıb: 1958


 

Artist       : SONNY CLARK (USA)

Album     : Sonny's Crıb

Year         : 1958

Genre      : Bop / Hard Bop

Tracklist  :

A1.With A Song In My Heart 7:54

A2.Speak Low 6:50

A3.Come Rain Or Come Shine 7:29

B1.Sonny's Crib 13:31

B2.News For Lulu 8:34

MUSICA&SOM ☝



Memories Yet To Come 2021

 







1. Abscession – Rot Of Ages (Full-length 2021)
 
  
 
2. Adam Janota Bzowski – Saint Maud (Original Motion Picture Soundtrack 2021)
 
  
 
3. African Imperial Wizard – Isandhlwana (Full-length 2021)
 
 
4. Agnes Vein – Deathcall (Full-length 2021)
 
  
 
5. Ascend Towards The Moon – Ilmestys (Full-length 2021)
 
 
6. Autokrator – Persecution
 (Full-length 2021)
  
 
7. Cultum Interitum – Veneration Of The New Dawn (Full-length 2021)
 
 
8. Furze – Black Psych Tormentor (EP 2021)
 
 
 9. Grinning Death's Head – Cataclysm (EP 2021)
 
  
 
 10. Jernved – Stormvarsel (Demo 2021)
  
 
11. Koldovstvo – Ни царя, ни бога (Full-length 2021)

 
12. Korgonthurus – XX (EP 2021)
 
 
 
13. Krolok – Funeral Winds & Crimson Sky (Full-length 2021) 

  
14. Labyrinthine Haze – Descending Into The Deep (Full-length 2021)
 
 
15. Light Of The Morning Star – Charnel Noir (Full-length 2021)
 
 
16. Matija Malatestinic – Speed Limit (Original Game Soundtrack 2021)
 
 
  17. Monte Penumbra – As Blades In The Firmament (Full-length 2021)
 
 
18. Moorgeist – Helcaraxë (Full-length 2021)
 
 
19. Nächtlich – Satanas Solum Initium (Full-length 2021) 
 
 
20. Necromantical Invocation – Dogme Et Rituel De La Haute Magie (Demo 2021)
 
 
21. Nyctophoros – Empyreal Darkness (EP 2021)
 

22. Palus Somni – Monarch Of Dark Matter (Full-length 2021)
 
 
23. Proscriptor McGovern's Apsû – Proscriptor McGovern's Apsû (Full-length 2021)
 
 
24. Pyreficativm – Ærchaiontic Incantations (Full-length 2021)
 

  25. Spectral Wound – A Diabolic Thirst (Full-length 2021)
 
 
26. Sphere – π (Full-length 2021)
 
 
27. Tobias Lilja – Little Nightmares II (Original Game Soundtrack 2021)
 
 
28. Valac – Burning Dawn Of Vengeance (Full-length 2021)
 

29. Vampyric Tyrant – Das Schwert Der Sterne (EP 2021)
 
 
30. Vulture Lord – Desecration Rite (Full-length 2021)
 
 
  


Destaque

Johnny Bristol ‎- 1976 – Bristol’s Creme

  A estreia de Johnny pela Atlantic em 1976 apresenta o sucesso "  Do It to My Mind  ", que chegou ao Top 5, além de uma série de ...