quinta-feira, 7 de agosto de 2025

BELPHEGOR lançam «Sanctus Diaboli Confidimus», um hino ao Diabo e à autodeterminação

 

Com nova editora e força criativa renovada, os austríacos BELPHEGOR regressam ao altar do black/death com uma força diabólica.

Os infames BELPHEGOR voltaram com novo fogo para atear sobre o altar do metal extremo. «Sanctus Diaboli Confidimus» é o mais recente single da banda austríaca, um tema que se ergue como um novo cântico blasfemo na sua já vasta liturgia de escuridão e violência sonora. Lançado sob a chancela da Reigning Phoenix Music (RPM), com quem os BELPHEGOR acabam de assinar contrato, o tema assinala não só uma nova fase criativa, mas também uma aliança estratégica com uma das editoras emergentes mais ambiciosas do panorama extremo.

A composição é, segundo o mentor Helmuth Lehner“uma simbiose de black/death metal diabólico. Uma glorificação do Diabo. Um hino hipnótico de paixão, fogo e disciplina de ferro. É representação da liberdade absoluta de seguir o teu próprio caminho, de reinar no teu próprio reino.” A afirmação é bastante clara: os BELPHEGOR continuam a trilhar uma via sem concessões, onde a estética satânica, o domínio técnico e o rigor conceptual se fundem numa entidade musical inconfundível.

A escolha da RPM como nova casa editorial também tem raízes profundas. Segundo Helmuth“é óptimo voltar a trabalhar com o Gerardo Martinez. Foi ele quem acreditou nos BELPHEGOR desde cedo e nos levou pela primeira vez à América do Norte em 2006. Estou ansioso por um novo e poderoso capítulo com apoio da RPM.” O entusiasmo é partilhado pelo próprio Gerardo Martinez, cofundador da Reigning Phoenix Music“O Helmuth, os BELPHEGOR e eu temos uma ligação bem forte desde 2006, e estou extremamente entusiasmado por continuar a trabalhar com um dos maiores expoentes da arte black/death metal. Bem-vindos à RPM! Venham muitos mais anos de grande música!”.

A escolha de «Sanctus Diaboli Confidimus» como uma primeira oferenda nesta nova era é significativa. O tema aprofunda a estética ritualista da banda, explorando a fusão entre brutalidade e solenidade que tem marcado os seus últimos discos. A produção exibe uma clareza feroz, onde os riffs cortantes, os blastbeats esmagadores e as linhas vocais cavernosas de Helmuth se fundem numa marcha infernal.

Fundados em 1993, os BELPHEGOR são uma das entidades mais respeitadas e radicais da cena black e death metal europeia. Oriundos de Salzburgo, na Áustria, sempre desafiaram normas e tabus com uma discografia marcada pela profanação sonora e visual. Desde os seus primeiros ataques como «The Last Supper» (1995), «Blutsabbath» (1997) ou «Necrodaemon Terrorsathan» (2000), até às invocações mais recentes como «Bondage Goat Zombie», «Pestapokalypse VI» ou o aclamado «Totenritual» (2017), a banda construiu um universo onde a violência sonora serve propósitos quase litúrgicos.

O seu mais recente álbum de estúdio, «The Devils», de 2022, representa um dos pontos altos da sua carreira. Gravado nos Fascination Street Studios sob a orientação do produtor Jens Bogren, o disco apresentou composições de complexidade ímpar, combinando agressão visceral com majestade ritual. Faixas como «Glorifizierung Des Teufels» e «Virtus Asinaria – Prayer» incorporam passagens corais e estruturas quase cerimoniais, enquanto «Damnation – Höllensturz» revela uma dinâmica narrativa intensa e sinistra.

O impacto de «The Devils» foi tal que os BELPHEGOR foram distinguidos com um muitíssimo cobiçado Amadeus Austrian Music Award em 2023 na categoria “Hard And Heavy” — rara consagração nacional para uma banda que sempre se posicionou longe do mainstream. Este reconhecimento funcionou como uma validação do seu legado artístico e da importância do seu percurso dentro e fora da Áustria. Agora, com «Sanctus Diaboli Confidimus», os BELPHEGOR reafirmam o seu lugar como sacerdotes negros do metal extremo, prontos a conduzir os fiéis — e os heréticos — por novos caminhos de transgressão e domínio sonoro.

BLACKBRAID: Novo álbum, «Blackbraid III», para ouvir na íntegra — e em antecipação [streaming]

 

Para quem quiser mergulhar desde já no novo ritual de som e espírito de BLACKBRAID, o novo LP já pode ser escutado do início ao fim — e o futuro do black metal norte-americano, mais do que nunca, passa por aqui.

Apoucas horas do lançamento oficial, o novo álbum de BLACKBRAID, intitulado «Blackbraid III», já pode ser ouvido em baixo, cortesia do próprio criador do projecto, Sgah’gahsowáh, também conhecido como Jon Krieger. Com lançamento agendado para amanhã, sexta-feira, 8 de Agosto, e composto por um total de dez temas — incluindo uma versão de «Fleshbound», dos suecos LORD BELIAL —, o disco reforça de forma inequívoca a evolução contínua de um dos projectos mais singulares da actual cena extrema norte-americana.

Fiel ao seu universo sonoro e espiritual, BLACKBRAID surge ainda mais feroz, ainda mais lírico e, acima de tudo, ainda mais ambicioso. Desde que a estreia «Blackbraid I», explodiu inesperadamente em 2022 com a devastadora «Barefoot Ghost Dance on Blood Soaked Soil», que Sgah’gahsowáh se afirmou como um criativo radicalmente distinto dentro da cena black metal. Quebrando convenções geográficas e sonoras, o artista oriundo da região dos Adirondacks, com raízes na cultura indígena Mohawk, criou um universo onde o peso do metal se entrelaça com a espiritualidade ancestral e a contemplação da natureza.

O segundo disco, «Blackbraid II», consolidou essa abordagem, expandindo o leque instrumental e dando um mergulho ainda mais fundo na herança nativa, com o uso de flautas, percussões tribais e ambiências meditativas. Em «Blackbraid III», tudo isso atinge um novo clímax. O tema de abertura, «Wardrums At Dawn On The Day Of My Death», surge a partir de guitarras acústicas delicadas antes de explodir numa avalanche de blastbeats e guitarras cortantes.

Remetendo para o lado mais atmosférico e singular de bandas como os WAYFARER e WOLVES IN THE THRONE ROOM ou WAYFARER, mas mantendo-se firmemente enraizado no universo Krieger, o tema apresenta versos que tocam a transcendência: “As my final visions become me / The eagles shall rise to carry me home…”. É uma expressão de beleza brutal, entre o crepúsculo e a redenção. Mais à frente, «The Dying Breath Of A Sacred Stag» arrasta-nos para um remoinho de intensidade, onde as melodias negras se fundem com ataques rítmicos viscerais.

A seguir, «The Earth Is Weeping» oferece uma pausa melódica que poderia muito bem ilustrar uma cena de western espiritualizado, preparando o caminho para a colossal «God Of Black Blood», que conjuga o peso de BATHORY com a ferocidade dos SATYRICON, enquanto a flauta indígena flutua sobre o caos, firmando o disco como uma obra tanto física quanto espiritual. «Traversing The Forest Of Eternal Dusk» prolonga esse transe com um solo de guitarra inesperadamente lírico, conduzido por flauta, antes de desembocar na tempestade épica de «Tears Of The Dawn» — um colosso de dez minutos onde a luz e a sombra se entrelaçam com uma grandiosidade emocional rara.

O final com «And He Became The Burning Stars» é igualmente cinematográfico, talvez o momento mais poderoso de todo o álbum, carregado de pathos cósmico e simbologia ancestral. Para terminar, a versão de «Fleshbound», original dos LORD BELIAL, encerra o LP com um piscar de olho às raízes escandinavas do género, mas parece quase um epílogo tímido após a força avassaladora do material original. Mesmo assim, serve como um ponto de ligação quase perfeito entre o legado europeu do black metal e a nova fronteira espiritual traçada por BLACKBRAID.

Feitas as contas, este «Blackbraid III» representa o amadurecimento de um artista que se recusa a fazer concessões à norma. Não há vestígios de acessibilidade calculada ou de aberturas ao mainstream: este é um disco de visão, de resistência estética, e de profunda comunhão com forças arcaicas. Como sempre, BLACKBRAID move-se como uma entidade solitária e determinada, onde cada instrumento é extensão da mesma alma — e essa alma arde mais intensamente do que nunca. 

As 10 melhores músicas de From Ashes To New

 

das cinzas ao novo

From Ashes to New é uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos e deixou uma marca duradoura na minha vida de uma forma pela qual serei eternamente grato. Lembro-me de quando um velho amigo me apresentou a eles e os descreveu como uma mistura de Hollywood Undead e Linkin Park; isso foi lá atrás, quando o EP From Ashes to New foi lançado (talvez alguns anos depois), e eles evoluíram  muito  em termos de som e significado de suas músicas. Então, quais são as minhas 10 melhores músicas de From Ashes to New de todos os tempos? Bem, essa é uma pergunta bem difícil de responder, porque tudo varia de acordo com o motivo pelo qual estou ouvindo, mas vamos em frente e tentar descobrir quais músicas eu mais gosto no geral!

10. Broken

 

Broken é uma daquelas músicas cuja letra você realmente ouve e te impulsiona a seguir em frente, deixando para trás qualquer lixo com o qual esteja lidando com ainda mais força. Para mim, é tudo sobre tentar seguir em frente, mas quando as pessoas tentam te impedir, você tem que ignorá-las e entender que elas estão apenas tentando te machucar mais, especificamente com o verso: "It could've been easy to part ways, but now you feed me this parfait of bulls**t with your lies mixed in, you can keep your games in the fliperama." Definitivamente um clássico instantâneo e um hino para quem precisa.

9. Through It All

 

"Through It All" também é outra música feita especialmente para aqueles que já passaram por tudo. Ela vem direto do álbum "Day One", de 2016, e eu me lembro de ouvi-la no ônibus a caminho da escola quase todas as manhãs. Para mim, essa música é sobre ser traído por aquele em quem você mais confiava, aquele a quem você entregava tudo e confiava que sempre estaria lá para você, e como essa pessoa te transformou em outra pessoa e desapareceu. É muita coisa para realmente absorver, mas é realmente poderosa quando você se senta e realmente entende.

8. The Future


Se você já precisou de uma música para representar a próxima geração que inspirará mudanças no mundo, "The Future" é a música ideal. Esta música fala sobre empoderar a mudança em todos os aspectos da vida e como esta nova geração está pronta para fazer mudanças em todo o sistema, porque essas mudanças já deveriam ter acontecido há muito tempo. O passado se foi e o que resta é "The Future".

7. Land of Make Believe

Ok, não tenho muita certeza sobre essa teoria, mas  acredito  que essa música tenha algo a ver com ansiedade. Acho que é sobre como a ansiedade pode ser assombrosa e como ela essencialmente te força a arrastá-la consigo, numa terra de faz de conta, porque te faz perceber coisas que são irracionais e falsas. Para mim, essa música é sobre se esforçar muito para superar essa ansiedade e até mesmo a depressão, e como esses sentimentos também revidam. Novamente, não tenho muita certeza se isso é verdade, mas é assim que eu percebo.

6. Who’s Laughing Now

Lembro-me exatamente quando Who's Laughing Now foi lançado e como fiquei impressionado com o quão diferente ele era de muito do material anterior de From Ashes to New que eu tinha ouvido no passado, e ele se tornou um dos meus favoritos de todos os tempos.

5. Stay This Way

O videoclipe de Stay This Way aborda algumas coisas bem intensas, mas, por outro lado, From Ashes to New também. Stay This Way é sobre tomar a sua vida em suas próprias mãos e não deixar ninguém lhe dizer quem ser, o que fazer ou como viver a sua vida, e há tantas pessoas por aí que precisam ouvir o que essa música tem a dizer.

4. Destruction of Myself

Destruction of Myself é sobre como você pode facilmente se tornar seu pior inimigo e como é fácil se sentir sem esperança e perdido – como se ninguém pudesse te salvar da sua própria autodestruição. Essa música também tem, definitivamente, um dos meus breakdowns favoritos de toda a discografia do From Ashes to New.

3. My Fight

Houve um bom tempo em que My Fight era minha música favorita de todos os tempos do From Ashes to New, mas isso foi lá no ensino médio e eles já lançaram tantas músicas e cresceram tanto como banda e em termos de letras que, embora eu ainda ame o som, há algumas que eu gosto ainda mais.

2. My Name


My Name ocupou a primeira posição em algum momento por um bom tempo; lembro-me de ouvi-la repetidamente por dias a fio enquanto tentava descobrir para onde ir na vida e como percebi que minha vida está em minhas próprias mãos, então cabe a mim assumir o controle dela e fazer algo de mim mesmo. Eu tinha que fazer o mundo saber meu nome, e é exatamente disso que essa música fala. Não importa o que os outros pensam, não importa o que eles dizem, e especialmente não importa se eles dizem que você não pode ou não deve fazer o que quer fazer, o que importa é que você assuma o controle e faça.

1. Panic


Agora, é aqui que a coisa fica interessante. Quando digo que Panic é minha primeira escolha, não me refiro apenas à música – me refiro ao álbum . É impossível escolher uma única dessas músicas como minha favorita, porque amo tudo nelas. Panic mostra que a banda ainda está atenta ao que seu público aprecia (eu, pessoalmente, adoro as coisas superpesadas), mas que eles não têm medo de explorar diferentes sonoridades, e eu realmente aprecio isso. Panic é uma evolução tão grande de som, significado e sentimento geral que demonstra a amplitude que essa banda fantástica é capaz de produzir.

Então, não, eu não tenho uma música favorita do From Ashes to New, porque todas são dignas do primeiro lugar. Simplesmente não é possível escolher uma, porque cada música conta uma história e cada música se conecta com outra pessoa por vários motivos, e é por isso que eu amo o From Ashes to New. Como eu disse acima, eles me ajudaram em muitas  coisas  , e serei eternamente grato a cada um dos membros e à música que eles produzem. Mal posso esperar para ver o que o From Ashes to New nos reserva com seu próximo álbum, e espero poder comparecer a outro show.

ROCK ART


 

The Black Keys – No Rain, No Flowers (2025)

 

O drama perseguiu o The Black Keys implacavelmente em 2024 e, se você acompanhasse, teria uma ideia do que eles buscavam com o título deste, seu 13º álbum de estúdio.
Se houve um lado positivo no annus horribilis do ano passado, é que eles conseguiram gravar mais um disco, mantendo uma sequência prolífica que os levou a lançar cinco LPs nos últimos sete anos.
Talvez o cancelamento de uma turnê excessivamente ambiciosa pelos Estados Unidos no ano passado – bem como suas consequências legais subsequentes – tenha relaxado um pouco a dupla. Sua transição gradual de um grupo de blues de Ohio para autênticos vendedores de hinos do indie rock foi bem documentada, mas sua produção mais recente sugeria um anseio...

MUSICA&SOM

...voltando ao básico de Akron: 'Delta Kream', de 2021, era um disco cover de blues de Hill Country, mas 'Let's Rock' e 'Dropout Boogie' também promoviam riffs mais improvisados.

Assim como "Ohio Players" do ano passado, "No, Rain, No Flowers" é formalmente lúdica, incorporando um groove que balança os quadris ("Babygirl"), acenos jazzísticos e suaves ao álbum de sucesso "Brothers" ("Down to Nothing") e rock leve e envolvente ("Kiss It"; "Man on a Mission"). Além disso, há espaço para eles abraçarem a liberdade de sempre, especialmente na extasiante "A Little Too High". O rápido retorno que a banda vem alcançando nos últimos anos às vezes resulta em um controle de qualidade pouco rigoroso, mas pelo menos, segundo essa evidência, eles estão se divertindo.

Ethel Cain – Willoughby Tucker, I’ll Always Love You (2025)

 

Já sabemos como termina a história de Ethel Cain. Em contraste, não temos ideia de para onde Hayden Anhedönia, a sensação indie por trás de Ethel Cain, está indo. Há alguns anos, ela se tornou queridinha instantânea da crítica e uma figura pop fora de lugar após o lançamento de seu álbum conceitual de Southern GothicPreacher's Daughter, que atingiu as paradas da Billboard, o TikTok e o universo nerd da música simultaneamente. Desde o lançamento desse álbum – escrito sobre uma personagem que sofre abuso familiar na América rural e religiosa, foge e cai nos braços de homens que a ferem e eventualmente a matam – ela atraiu polêmica da Fox News (por seus comentários sobre matar CEOs), do público em geral (por causa de uma conta ofensiva no Twitter redescoberta) e de seus próprios fãs (que não...

MUSICA&SOM

...espera-se que ela comece 2025 lançando um EP drone de noventa minutos, Perverts . Anhedönia descobriu a fama na velocidade da luz desde que apresentou a personagem Ethel Cain. Mas, pelo seu segundo álbum, Willoughby Tucker, I'll Always Love You , você não conseguiria dizer. Afinal, ela não toca na história de Ethel Cain desde 2022, e esta é apenas uma continuação.

Ou, mais precisamente, é uma prequela: a maior parte é dedicada ao caso de amor de Ethel no ensino médio com o titular Willoughby Tucker. Willoughby era uma entidade conhecida em seu álbum de estreia, caracterizada nos momentos mais sentimentais do álbum como aquela que escapou, o ex-namorado por quem Ethel passa o resto da vida ansiando. Embora este álbum se encaixe perfeitamente no enredo de seu antecessor, ele não emula sua estrutura quase linear. Em vez disso, é mais um zoom-in. Enquanto Preacher's Daughter se move de história em história, personagem em personagem, cenário em cenário, muitas das músicas deste álbum giram em torno de pensamentos, respostas a traumas ou medos. Cerca de um terço do álbum é instrumental, permitindo que o álbum se ancore na atmosfera, e o resto é limitado pela guitarra, lento, reflexivo e exposto.

Ainda está longe de uma ruptura estilística clara. Um bom e velho slowcore e americana, estilo Preacher's Daughter, persistem, assim como algumas faixas acústicas, até mesmo com viés lo-fi; essas músicas mais diretas e tradicionais, que servem para estabelecer uma narrativa para o resto do álbum, são amplamente agrupadas no início. Assim como a estreia, por exemplo, o álbum se apresenta com um hino synthpop verso-refrão-verso: "Fuck Me Eyes". Esta é uma vinheta da jovem Ethel como vítima de pedofilia, mergulhada no medo e no abuso, acreditando que não há mais nada para ela ser; é escrita no estilo de uma música pop catártica e energética como sua anterior "American Teenager", mas esse verniz rapidamente se desfaz em favor do terror subjacente. O golpe duplo dessa música e "Janie", a abertura acústica do álbum tingida com partes iguais de desespero e esperança desesperada, reintroduzem Ethel Cain como uma jovem profundamente traumatizada em busca de qualquer forma de fuga - amizade e amor codependentes, drogas, mais abuso, dor.

A maior qualidade de Anhedönia como artista é sua destreza em contar histórias – uma habilidade pela qual ela ganhou reconhecimento massivo em Preacher's Daughter, que tem história suficiente para uma trilogia cinematográfica e a grandiosidade instrumental à altura – mas ela leva essa proeza em uma direção diferente em grande parte deste álbum após seus momentos iniciais, optando por construir um arco narrativo não por meio de narrativas arrebatadoras e autoconscientes, mas por meio de monólogos interiores meditativos e instrumentais abstratos. Ethel Cain viaja pelos Estados Unidos ao longo de anos na estreia, mas aqui o foco se move em ritmo de caminhada e nunca sai da distância. “Nettles”, por exemplo, soa como se descrevesse um único momento na cabeça de alguém, a menor fração de segundo em que romance, descrença, ódio de si mesmo e terror se fundem no mesmo sentimento, à medida que você começa a conhecer a primeira pessoa em quem acreditou. À medida que “Tempest” continua, você é engolido pelo mundo de Anhedönia, não como se estivesse lendo uma boa obra de ficção, mas como se estivesse segurando seu amigo enquanto ele se desmancha em seus braços e, de repente, você visceralmente sabe tudo o que ele já sentiu. Anhedönia falou sobre escrever livros e dirigir filmes sobre Ethel Cain, e A Filha do Pregador soa como se pudesse ter sido um manuscrito primeiro, mas é imediatamente óbvio que não há melhor meio para a história de Willoughby Tucker do que uma hora de música. A estreia de Ethel Cain foi um feito artístico. Este é um feito musical.

Claro, Anhedönia ainda conta algumas histórias à boa e velha maneira, mesmo que seu lirismo seja mais velado do que estamos acostumados. "Dust Bowl", já uma favorita dos fãs como uma demo slowcore, ganha uma segunda metade cheia de shoegazing, tornando as descrições de Ethel sobre a intimidade do amor de cachorrinho tão intensas quanto merecem, sem cortar os tons sombrios que sustentam todo o esforço. Depois desse ponto do álbum, as coisas começam a vacilar: "A Knock at the Door" é uma manifestação de pura ansiedade pós-traumática, em que Ethel tenta imaginar Willoughby como seu grande defensor contra qualquer "batida na porta", um papel que ele claramente não está pronto para assumir; um instrumental estéril então leva a "Tempest", o melhor momento do álbum, um colapso autodestrutivo de guitarras drone-metal e gritos de "para sempre", a destruição engolindo ela e Willoughby por inteiro.

Saber como terminam a história de A Filha do Pregador e Ethel Cain – Willoughby Tucker desaparecido em combate, o corpo de terra de Ethel canibalizado por seu último namorado e fotos de seu rosto em caixas de leite – torna essa tentativa fracassada de cura ainda mais devastadora. Ao longo de A Filha do Pregador, até o fim de sua vida e além, ela continua a sentir saudades de Willoughby Tucker, o garoto que não a curou, mas pelo menos lhe deu esperança na possibilidade de cura.

É notável, então, que os momentos mais puros de clareza e até mesmo beleza do álbum estejam em sua conclusão, a comovente "Waco, Texas", de 15 minutos, que lembra um diário, em que Ethel, trêmula, aceita sua perda enquanto seu relacionamento desmorona em suas mãos. "Quando isso acabar", ela canta sobre uma bateria lenta e guitarras reverberantes, "talvez então possamos dormir um pouco". Ela luta consigo mesma, tentando desesperadamente se segurar enquanto se deixa levar, tentando se perdoar enquanto se autoflagela, tentando ser a parceira perfeita enquanto percebe que a perfeição nunca será alcançada. Depois que ela para de cantar, onze minutos depois, porém, as guitarras ressoam e ela harmoniza perfeitamente com elas, e eventualmente tudo se acomoda em sintetizadores de pad que lembram igrejas e um piano solo. Há tantas complexidades subsumidas no amor, no ato de amar, há sacrifício, codependência, falta de cura, cura e sofrimento, e no fundo ainda é amor, é apenas amor, não há mais nada. Não importa como termine, sempre haverá amor.

Em “Sun Bleached Flies”, a penúltima faixa de Preacher's Daughter, Ethel fala do céu, onde está livre de toda forma de dor, exceto da saudade: “Ainda estou rezando por aquela casa em Nebraska / Na beira da estrada, nos limites da cidade / Dançando com as janelas abertas, não consigo me soltar quando algo está quebrado / É tudo o que eu conheço e é tudo o que eu quero agora”. A vida após a morte ainda não é tão bela para ela quanto Willoughby, quanto os momentos de esperança que ela agarrou quando todo o resto havia desmoronado. E então, de braços abertos, ela o espera

Osees – ABOMINATION REVEALED AT LAST (2025)

 

OCSThe Oh Sees ou Osees . Seja qual for o nome hoje em dia, a banda de John Dwyer está de volta com frustração e desprezo por tudo o que está acontecendo ao redor do mundo. IA, mídia social, vício, genocídio, bilionários da tecnologia e fascismo: você escolhe, e as chances são altas de que Dwyer não se esquive disso em ABOMINATION REVEALED AT LAST .
Os Osees da Califórnia são conhecidos por suas explosões sonoras, seja dentro ou fora do estúdio. Famosos por suas apresentações ao vivo, John Dwyer levou a banda do freak-folk ao garage rock e até mesmo ao krautrock. O que não mudou é o desejo da banda por frenesi musical e paisagens sonoras abrasivas.
Não é difícil notar os paralelos entre ABOMINATION e 2015...

MUSICA&SOM

… Mutilator finalmente derrotado . Tetsunori Tawaraya está de volta para a arte da capa, desta vez apostando em imagens psicodélicas que parecem saídas de uma viagem de ácido, capturando perfeitamente a paranoia e a volatilidade refletidas no álbum. Sonoramente, Osees se afasta do egg-punk carregado de sintetizadores do SORCS 80, de 2024 , e retorna ao heavy-psych/garage punk mais cru de sua produção dos anos 2010.

Já se foram as jams psicodélicas e prolixas dos lançamentos anteriores. Em vez disso, Dwyer busca microexplosões explosivas de punk em ritmo acelerado, e algumas dessas faixas nem chegam a um minuto. Embora essa mudança de ritmo seja revigorante, ela nos faz pensar se o vigésimo nono LP é apenas uma parada de transição antes do que poderia ser um monumental trigésimo lançamento de estúdio.

No entanto, não há como negar que Dwyer é um compositor fenomenal. Ele canta (ou grita, aliás) "Sou insuportável, inacreditavelmente satisfeito / Cabe a mim dizer o que está errado" no single principal FIGHT SIMULATOR, zombando da ilusão de sempre estar moralmente certo demonstrada por todas as partes. A composição faz com que a brevidade dessas faixas pareça intencional, como se Dwyer estivesse correndo contra o tempo para comentar tudo o que ele tem a dizer sobre o ABOMINATION brilhar quando a banda deixa as músicas respirarem. Veja GLUE, por exemplo, uma música implacável de cinco minutos que parece a mais "completa" do álbum, mesmo sem uma abundância de letras. Da mesma forma, INFECTED CHROME e GLITTER SHOT também são destaques, carregados com aquele som clássico e desequilibrado dos Osees.

Embora ABOMINATION REVEALED AT LAST possa não ser seu lançamento mais inovador, os Osees continuam tão loucos quanto anos atrás: vocais, raivosos e imbuídos do caos que alimenta sua música. Do jeito que está, o álbum não é uma entrada definitiva na vasta discografia dos Osees, mas um lembrete feroz de seu talento.

Wombo – Danger in Fives (2025)

 

Não é tão surpreendente quando bandas que começam no universo punk ultrapassam suas limitações, nem que tenham apetite por algo não ortodoxo. Após as estruturas punk comparativamente convencionais de seu álbum anterior, Fairy Rust , o trio Wombo , de Louisville, Kentucky, deu passos em direção ao território abstrato. Seu terceiro álbum, Danger in Fives , abandona as estruturas musicais padrão em favor de jornadas lineares, livres de temas ou compassos.
A vocalista Sydney Chadwick se afastou de seu estilo de cantar rock para uma abordagem vocal leve e arejada. Esse novo estilo se presta bem ao seu fraseado único, dissecando e alongando palavras em sílabas inconsistentes para que sirvam melhor a ritmos do que a narrativas. Seu método...

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...também a ajuda a unir de forma coesa as frequentes combinações estranhas e os vocais sem palavras das letras.

Essa mudança no canto de Chadwick também coloca sua voz como um contraponto à guitarra um tanto frenética de Cameron Lowe. Usando um ritmo de palpitação cardíaca como base, a personalidade das músicas transparece em variações como o trinado em "Danger in Fives" e "Cloud 36", contra a qual Chadwick estica as palavras ao longo de uma respiração distendida, de modo que elas não soem como palavras.

Danger in Fives é, em grande parte, uma coletânea de músicas curtas e entrecortadas, definidas por guitarras irregulares com um timbre particularmente agudo e áspero. Como os vocais de Chadwick não seguem, em sua maioria, uma estrutura pop ou rock, a guitarra tende a ser o foco das músicas. Em "Reveal Dusty", uma guitarra bastante elástica, acompanhada por uma percussão metálica e aguda, substitui o refrão. Em "Neon Bog", um solo de guitarra distorcido, arrastado por um ritmo de clique-claque, cria uma ponte convincente.

Mas Wombo, em seu momento mais convencional, torna possível apreciá-los em seus momentos mais sinuosos. "Common Things" é um indie rock atípico, com harmonias vocais suaves e um final crocante que os conecta aos seus trabalhos anteriores, mas soa como uma entidade separada em " Danger in Fives" . Essa anomalia ressalta a intencionalidade de seus estilos musicais abstratos.

Eles encontram um ponto ideal com o som constante de "A Dog Says". A música tem mais espaço para respirar do que a maioria, permitindo que seus efeitos variados na guitarra – em diferentes momentos, uma distorção que soa estranhamente como uma seção de metais e um swiping distorcido – pareçam progressões lógicas. E, ao contrário de muitas faixas de Danger in Fives , a voz de Chadwick fornece a estrutura de um começo e um fim. Mas, dentro dessa estrutura, a música mantém a experimentação fluida do álbum, uma energia que flui com tanta facilidade quanto entusiasmo.


Spirit of John Morgan - Age Machine

 




A segunda dose de blues psicodélico desses devotos roqueiros de blues surgiu em 1970 com uma arrogância confiante, sustentada pelo relativo sucesso de seu LP de estreia homônimo de 1969. A editora Carnaby de Mervyn Conn estava confiante o suficiente para lançar o segundo volume de blues melancólico da banda para um mercado que estava sendo inundado por megaestrelas e pompa progressiva. A afinidade do Spirit Of John Morgan com Graham Bond é claramente evidente nas composições e performances que demonstram a abordagem inovadora e a proeza musical da banda. Remasterizado digitalmente com encartes analíticos e fotos raras detalhando o sucesso e o eventual fim da banda, o Spirit Of John Morgan se mantém bem vivo com esta reedição comemorativa de um clássico perdido significativo e autêntico. Inclui uma faixa bônus.
@forcedexposure

A Máquina Rosa e o Fantasma do Culto Perdido:
Crônica de uma Descoberta Oculta

Você vê aquela capa e todos os seus sentidos são acionados. É brutal, poderoso, como um grito psicodélico entre os dentes. "Isso vai ser uma loucura", pensei. Eu esperava uma enxurrada de riffs arrogantes, blues suado, rock lamacento, ou pelo menos algo que me chutasse no peito com a fúria que só certas bandas sabem invocar quando estão com fome. Mas não. O que encontrei foi outra coisa. Desde a primeira faixa, eu sabia que "Age Machine" não seguiria o caminho que eu imaginava depois da estreia — aquele álbum que me pareceu um "hit cult", uma descoberta que gritava do underground. Em vez disso, este álbum soa mais sério, mais contido... mais maduro, sim, mas também mais morno. Há uma mudança de pele, e embora seja possível perceber uma evolução no conceito, também se sente que parte da chama se perdeu. Às vezes, era uma luta. Eu me peguei pensando: "Para onde foi aquela faísca? Para onde foi a energia liberada do primeiro álbum?" Músicas como "Friend of Jesus" e "Golden Rollin' Belly" eram insuportáveis para mim, como se estivessem tentando ser alguma coisa e estivessem presas no meio do caminho entre a paródia e o bocejo. Mas, apesar de tudo, continuei ouvindo. E foi aí que notei algo curioso: o álbum tem duas almas, duas personalidades que se revezam para falar. Como um disco com duas faces.

O "Lado A" — faixas 1, 2, 6, 7, 9 e 10 — é onde reside a essência nova, mais refinada e experimental. Ali, você sente a intenção de crescer, de buscar algo diferente sem perder completamente o espírito original. É onde o álbum realmente respira. Em contraste, o "Lado B" — faixas 3, 4, 5 e 8 — assume uma pegada mais alegre, quase pop, às vezes, com toques de folk, country e R&B. Algumas músicas funcionam, mas outras são enjoativas ou simplesmente irritantes.

Foi então que percebi que "Age Machine" é um dois-em-um disfarçado: se você o ouvir com paciência e astúcia, ele se revela como dois miniálbuns entrelaçados. Um mais ousado, o outro mais indulgente. Um rosado e luminoso, o outro com sombras e ambição. Demorei um pouco para chegar a esse ponto. Eu esperava um salto em direção ao prog inicial, ou mesmo um álbum de gênero bem executado, com um espírito psicodélico e experimental mais evidente. Mas não. O álbum seguiu por um caminho mais leve. Isso não o torna ruim, mas o torna desconcertante. É preciso cavar mais fundo para descobrir as verdadeiras intenções da banda.

Minha recomendação: comece com o "Álbum A". Se você se identifica com essa abordagem mais madura e sutil, opte pelo "Álbum B" como bônus. Não espere um sucesso direto; espere um álbum que se revele com o tempo, se você souber como procurar.

É um álbum ruim? Não. É decepcionante? Um pouco. Tem valor? Sim, desde que você esteja disposto a escavar com lupa e paciência. Para o bem ou para o mal, "Age Machine" conseguiu algo que poucos álbuns conseguem: desconcertar e depois recompensar. E talvez seja por isso que, mesmo com suas falhas, merece seu lugar na estante cult. Até mais.

01. Age Machine
02. No Opportunity, No Experience NeededA
03. Friend Of Jesus
04. Golden Rollin' Belly
05. Never Let Go
06. Lost Nirvana
07. Seventh Dawn
08. Won't You Come Home
09. Mumbo Jumbo
10. Putney Breakdown

CÓDIGO: G.1-25

MUSICA&SOM ☝





Destaque

Various Artists - MusiCares Tribute to James Taylor, Los Angeles Convention Center, Los Angeles, CA, 2-6-2006

  Aqui está mais um concerto em homenagem a James Taylor, em apoio ao MusiCares. Só tenho mais alguns depois deste, e quero publicá-los nos ...