Mais um ótimo álbum da Banda Black Rio, banda emblemática do movimento "Black Power" ou "Soul Power" no Rio de Janeiro dos anos 70, desta vez em seu segundo álbum (ou terceiro, tenho algumas dúvidas dependendo de onde eu olhe), talvez melhor que o anterior, embora eu ache menos conhecido, um álbum muito, muito funk (muito mais que o primeiro, me pareceu) e com aqueles toques brasileiros inconfundíveis... Ao contrário de outros grupos de soul-funk, como Kool & the Gang e Earth, Wind and Fire, a Banda Black Rio desenvolveu um estilo particular de soul music instrumental que funde elementos de vários gêneros. Seu estilo era completamente instrumental, uma banda de funk que não se limitava a esse gênero, intercalando jazz, rock, soul e funk com ritmos brasileiros, ou seja, pura experimentação brasileira.
Artista: Banda Black Rio Álbum: Saci Perere Ano: 1980 Gênero: Latin Jazz / Funk / Soul Duração: 33:07 Nacionalidade: Brasil
Olha, eu não curto muito funk, soul ou o que quer que esses caras morenos estejam fazendo aqui, mas reconheço que, dentro do que eles fizeram, fizeram muito bem, e também com aquele charme de misturar a própria música com essa música "importada" da aldeia global, o que sempre confere originalidade e um toque especial ao resultado. Por todos esses motivos, decidi publicá-los neste espaço.
Banda Black Rio foi uma banda brasileira de jazz funk e jazz fusion formada em 1976 e dissolvida em 1980. Em 1999, outra banda de mesmo nome foi formada, liderada por William Magalhães, filho de Oberdan Magalhães, fundador da banda original. (...) Frequentemente comparada a grandes bandas americanas de soul-funk como Kool & The Gang, Earth Wind & Fire ou The Headhunters, a música da Banda Black Rio é uma fusão de gêneros que integra elementos de rhythm & blues junto com as variantes mais dançantes de gafieira, samba e jazz. Um dos nomes mais importantes da história musical de seu país, a banda foi pioneira na fusão do samba com a soul music, enquanto liderava o Movimento Black Rio ao lado de Tim Maia e Toni Tornado, com quem revolucionou a cena musical em seu país, com particular incidência no Rio de Janeiro. Na Europa, a banda obteve grande sucesso nas pistas de dança inglesas no final da década.
Bem, o álbum soa assim, caso você esteja interessado:
Se você quiser que eu repita a história completa da banda, copiarei o que postei no primeiro post:
A Banda Black Rio foi criada na segunda metade da década de 1970. Na época, havia um movimento que buscava fundir soul e samba. Mas a verdade é que esse movimento não era estritamente musical e tinha uma grande variedade de nomes. Black Power, Soul Power ou o mais famoso de todos, Black Rio. Os nomes eram em inglês porque a ideia básica era fundir línguas, quebrar o individualismo, abrir espaços e, acima de tudo, inquietar um pouco os puristas, algo que por si só parece uma causa nobre. Os eventos narrados ocorreram principalmente na zona norte do Rio, habitat natural de favelas, morros e escolas de samba. O movimento Black Rio se estabeleceu nos bailes de fim de semana muito frequentados que aconteciam ao redor das escolas. O público, composto por milhares de pessoas, era predominantemente negro e influenciado principalmente por ativistas dos direitos civis dos EUA. Os seguidores do Black Rio absorveram as ideias e as transformaram em uma nova abordagem adaptada à realidade brasileira da época. Nesse contexto, a gravadora Warner, recém-criada no Brasil, queria formar uma banda que se tornasse pioneira do movimento. Para isso, contataram Oberdan Magalhães, renomado saxofonista, que aceitou o desafio de formar a Banda Black Rio. Nascido e criado em Madureira, Oberdan era primo de Silas de Oliveira, grande compositor de samba-enredo e um dos fundadores da Escola de Samba Império Serrano, além de afilhado de Mano Délio Da Viola, outro grande sambista. Tão influenciado por Pixinguinha quanto por Coleman Hawkins, grande admirador de Cartola e Stevie Wonder, Oberdan perseguiu seus planos de fusão musical tendo em mente as casas noturnas cariocas, onde começara a tocar com apenas 15 anos. Nessa idade, integrou o grupo Impacto 8, onde começou a delinear o que viria a ser a Banda Black Rio. No Impacto 8, Oberdan conseguiu reunir músicos como Raul De Souza e Robertinho Silva, com quem tocou uma curiosa mistura de jazz, soul e samba. Em seguida, juntou-se ao pianista Dom Salvador e ao grupo Abolição, onde conheceu alguns dos músicos que fariam parte da formação original da Banda Black Rio, como o trompetista Barrosinho, o trombonista Lúcio e o baterista Luis Carlos. Entre shows e gravações, conheceu também o guitarrista Cláudio Stevenson, o baixista Jamil Jones e o pianista Cristóvão Bastos, formando a banda Rio 40ª. Quando recebeu a proposta da Warner, Oberdan contatou a todos e produziu um trabalho repleto de grooves de samba e funk, mas com a musicalidade característica do jazz. Com essa formação, gravaram três discos: "Maria Fumaça" (1976), "Gafieira Universal" (1978) e "Saci Pererê" (1980), além de receber convites para participar de gravações de nomes como Luiz Melodia e Caetano Veloso. Com este último, gravaram "Bicho Baile Show", um LP ao vivo. A banda continuou se apresentando até o início da década de 1980, quando Oberdan se envolveu em um acidente de carro fatal que o levaria à morte em 1984. O trágico acontecimento levou a Banda Black Rio a suspender todas as atividades. Quinze anos depois, quando poucos se lembravam deles, o filho de Oberdan, William Magalhães, pianista, tecladista e arranjador de artistas tão importantes quanto Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Ed Motta, Marina Lima e Milton Nascimento, decidiu dar continuidade ao projeto iniciado pelo pai. William Magalhães tinha uma longa trajetória profissional na época. Iniciou sua carreira musical com apenas 7 anos de idade e cresceu em um ambiente extremamente musical, frequentando os ensaios e concertos do pai, além de outras atividades musicais que aconteciam ao seu redor, nas quais sua família estava quase sempre envolvida. Na adolescência, estudou jazz, com a pianista Sonia Vieira. Ao atingir a idade adulta, foi contratado pela banda de Gilberto Gil, com a qual excursionou inúmeras vezes. Em 1996, recebeu o prêmio APCA de melhor arranjador por seu trabalho no álbum "Registros à Meia–Voz", de Marina Lima. Nos anos 90, William começou a pesquisar o trabalho que a Banda Black Rio havia produzido anos antes e estudou esboços e partituras que haviam ficado inacabados após a morte prematura de seu pai. Munido de todas as informações e experiências necessárias, gravou o que seria o último trabalho da banda até então, Movimento, renomeado na Inglaterra como Rebirth. O álbum ganhou vários prêmios, mas as vendas não foram suficientes para a gravadora, e a Banda Black Rio continuou a fazer shows, mas não gravaria mais. Atrás deles, estavam quatro álbuns que deixaram um testamento sonoro para uma era e uma banda que hoje é praticamente desconhecida fora do Brasil. Maria Fumaça é a Banda Black Rio em sua forma mais pura. Grooves poderosos cheios de funk, mas também samba e bossa nova, em um LP bem elaborado, projetado especificamente para curtir a música e a vida. Ouça a primeira faixa; temos certeza de que você sentirá vontade de mover cada músculo do seu corpo. Esperamos que goste.
Talvez você também não goste completamente do estilo, então deixe para lá e não me incomode, por favor... Abaixo você tem o álbum completo para ouvir... Abraços...
Lista de Tópicos: 01. Saci Pererê 02. Miss Cheryl 03. Melissa 04. De onde vem 05. Subindo o Morro 06. Amor natural 07. Profissionalismo é isso aí 08. Broto Sexy 09. Tem que ser agora
Formação: - Oberdan Magalhães / sax soprano, sax alto e sax tenor - Lúcio Silva / trombone - José Carlos Barroso / trompete - Jamil Joanes / baixo - Cláudio Stevenson / guitarra - Cristóvão Bastos / teclados - Luiz Carlos Batera / bateria, percussão
Não se enganem, a foto da capa não é de Tristán Suárez, La Carcova ou do bairro de Numancia, em Guernica. É a capa do mais recente trabalho desta banda, da qual já apresentamos uma tonelada de álbuns, e este não poderia ficar de fora. "O som mais sofisticado e emocionante que o The Pineapple Thief já produziu", dizem eles em uma resenha deste álbum, o mais recente da banda formada por seu líder, principal compositor, vocalista e guitarrista Bruce Soord e Gavin Harrison, um baterista que teve a sorte de tocar em bandas como Porcupine Tree e King Crimson (não sei se vocês o conhecem). Mais uma vez, os caras mergulham em seu estilo suave, discreto, ambiente, fresco, porém sombrio, e ele fervilha lentamente ao longo do álbum, aumentando de intensidade a cada passo e a cada música, criando paisagens sonoras ricas e agradáveis, mesmo com uma corrente de escuridão e inquietação. A banda em si parece uma unidade ainda mais coesa do que nos álbuns anteriores, criando uma experiência auditiva muito interessante que convido você a conferir.
Artista: The Pineapple Thief Álbum:It Leads To This Ano: 2024 Gênero:Crossover prog Duração: 40:45 Referência: Link para Discogs, Bandcamp, YouTube, Wikipédia, Progarchives ou qualquer outro. Nacionalidade: Inglaterra
Este é um daqueles álbuns que você pode aproveitar desde a primeira audição, embora suas sutilezas e complexidades sejam reveladas com audições repetidas, e é realmente muito gratificante.
É verdade que eles não se afastam muito do som que tiveram ao longo da carreira; este é semelhante em estilo e substância a qualquer um de seus álbuns anteriores, embora também devamos reconhecer que ainda é muito bem feito e acaba sendo mais uma joia de álbum. Mas vamos dar uma olhada nos comentários de pessoas que sabem mais sobre composição, ou pelo menos querem saber.
Embaixadores do rock progressivo, é assim que o The Pineapple Thief se apresenta com este novo álbum, It Leads to This (2024). Na tentativa de nos aprofundarmos nesse conceito amplo e etéreo, vamos nos aprofundar nesta nova oferta da banda, a décima sexta em sua discografia, que este ano comemora 25 anos, o que é um eufemismo. Tentar analisar um álbum focado em emoções e introspecção, vocês me perdoarão, mas é mais um ato de subjetividade do que uma análise típica, porque acredito que a única coisa verdadeiramente importante em álbuns como este não é tanto sua perfeição técnica — mais do que garantida —, mas tudo o que eles são capazes de fazer você sentir. A música que It Leads To This apresenta visa experimentar e te levar a lugares profundos que você nem imaginaria. A pergunta a se fazer é: eles ressoam com você? Vamos descobrir... Se você precisa se entregar desde o início à introspecção, nada melhor do que a faixa de abertura do álbum, "Put It Right". É delicada, requintada, elegante, ideal para mergulhar em um estado melancólico e tocar um acorde. Os sons iniciais profundos de piano que acompanham a voz intimista de Bruce Soord são logo complementados por um baixo e uma bateria que assumem o protagonismo, deixando a guitarra em um fundo mais ambiente, que só emerge levemente com uma pequena contribuição em forma de solo. O momento durante a ponte é lindo, quando, gradualmente, faixas vocais são adicionadas às de Soord, logo retornando ao caminho mais relaxado do início. É claro que começar o álbum em um tom intimista é uma declaração de intenções e indica para onde as coisas estão indo. Quer sentir mais? Continue ouvindo... "Rubicon" é inquietante, sombria, com aquele ritmo sincopado em seus versos que te deixa desorientado, mas contrasta lindamente com um refrão muito mais frenético e acessível. Brincar com contrastes é algo que essa banda realmente gosta, e um bom exemplo é essa canção guerreira (excelentemente transmitida pelo trabalho de percussão) inspirada na Roma Antiga, que nos conta como a ambição humana pode destruir num piscar de olhos o que demorou tanto para ser construído. A faixa homônima, "It Leads to This", é sensual graças ao efeito crescendo que produz. A adição de instrumentos e o aumento do ritmo conferem-lhe um dinamismo cativante. Gostaria de destacar algo recorrente na música do The Pineapple Thief, que considero um sucesso total, que é o silêncio. Pode parecer contraditório, mas acho que desempenha um papel essencial. O fato de as peças não serem saturadas de virtuosismo instrumental em todos os lugares permite que nossa atenção se concentre verdadeiramente no que é importante, ao contrário do que acontece na música progressiva mais convencional, que frequentemente peca pelo excesso. Não nos esqueçamos de que aqui o essencial é a transmissão de emoções e não a técnica (que também existe e é primorosa), então o foco está mais na criação de atmosfera. A seção final desta faixa é a cereja do bolo: um solo de teclado de Steve Kitch, bem na veia psicodélica do Pink Floyd, que nos deixa de cabelo em pé. "The Frost" é o primeiro single de It Leads to This, e que beleza eles tiraram da manga. É perfeitamente compreensível a escolha, pois é de longe o mais acessível do álbum. Tem vigor, mas também suavidade, abusando intencionalmente daquele dual playing que eles tanto amam e que imediatamente captura a atenção. Se você quer se concentrar nos detalhes requintados da bateria, esta é a sua faixa. Tudo o que Gavin Harrison faz aqui é impressionante, totalmente apaixonado por este músico. Os arranjos jazzísticos do teclado, juntamente com o tratamento primoroso dos vocais, duplicados para destacar certas seções, completam uma música que tem muita substância e é, sem dúvida, a melhor do álbum. "All That's Left" é uma música bastante ambiente e linear que passa despercebida nas primeiras audições, mas que você acaba apreciando assim que a internaliza. Novamente, são esses pequenos contrastes instrumentais muito mais poderosos (dos quais eu destacaria as melodias selvagens dos teclados de Steve Kitch) que conseguem levar a música a outro nível. "Now It's Yours" mantém o tom relaxado da faixa anterior na mesma medida, se não mais, embora desta vez as melodias vocais sejam mais facilmente assimiladas. O que mencionamos antes sobre os silêncios, há muitos deles aqui, deixando Bruce quase nu em boa parte dos versos. Esta é a primeira e última vez que vou "reclamar" da duração de uma faixa deste álbum, que é geralmente muito bem pensada e alinhada com o que eles querem transmitir, mas aqui ela se arrasta demais, na minha opinião. Depois de refletir um pouco, acho que, no final, o problema não é tanto o fato de eles terem colocado duas faixas consecutivas na mesma sintonia. Agora passamos para a segunda prévia do álbum, "Every Trace of Us". Esta faixa recupera o ritmo (muito necessário) em comparação com suas duas antecessoras, algo pelo qual somos gratos neste momento. A seção rítmica é fantástica, mais uma vez com Gavin Harrison se destacando em todos os momentos, e o excelente trabalho de baixo de Jon Sykes, que nos mostra o quão essenciais os slaps podem ser. Destaco também a qualidade da ponte nesta faixa, um momento muito intenso em que todos os instrumentos se soltam, gerando muita energia. Fechamos a obra com "To Forget", uma sensação acústica melancólica e belas linhas vocais para nos despedirmos desta jornada introspectiva da qual adoraríamos nunca acordar. Chegamos ao final de It Leads to This, e a sensação de ter subido a bordo de um carrossel de emoções nos invade, confirmando que o The Pineapple Thief é único em alcançar tal feito. Outra questão é se nos conectamos ou não com as atmosferas em que eles nos imergem. Minha escolha é clara, e a sua?
E esse é um daqueles álbuns em que muitas pessoas começam a escrever suas resenhas, então estamos trazendo algumas delas para o blog com antecedência, para que elas não me façam trabalhar tentando explicá-las.
O som mais sofisticado e emocionante já produzido pelo The Pineapple Thief. O The Pineapple Thief tem sido um dos líderes do rock progressivo e do art rock nos últimos anos. E em 2024, eles mais uma vez validam esse status com seu mais recente trabalho de estúdio, chamado "It Leads To This", que estará disponível em todas as plataformas de streaming a partir de 9 de fevereiro. A banda inglesa nasceu em 1999, da mão e da mente de Bruce Soord, e com o primeiro álbum da banda, "Abducting the Unicorn", eles começaram a atrair a atenção do público e das gravadoras, que estavam realmente interessados em trabalhar com Soord e companhia. Em 2024, a banda celebrará 25 anos de atividade e possui 19 trabalhos de estúdio (contando "It Leads To This"). De 1999 a 2007, a banda trabalhou com o selo Cyclops, que é independente, mas em 2008 o grupo mudaria de gravadora para Kscope. Alguns dos marcos da banda foram em 2009, quando participaram como banda de abertura para a banda Riverside. Então, em 2010, durante a turnê do álbum "Someone Here Is Missing" no Bush Hall em 19 de maio, em Londres, Steven Wilson, do Porcupine Tree (uma de suas muitas bandas), e Daniel Cavanagh, do Anathema, compareceram ao show como parte da plateia. Finalmente, um dos bateristas mais virtuosos se juntaria à banda em 2017, estou me referindo a Gavin Harrison, que já foi baterista do King Crimson e do Porcupine Tree, então a composição da banda seria Bruce Soord, Jon Sykes (baixo), Steve Kitch (teclados) e Gavin Harrison . Voltando a este novo álbum, Bruce Soord comenta que este novo álbum levou cerca de três anos para ser feito, um período bastante intenso, ele explica. O líder da banda considera este álbum um dos maiores desafios que ele teve como músico. Nas palavras de Soord: "Conceitualmente, 'It Leads To This' dá continuidade ao meu desejo de observar e (tentar) dar sentido ao mundo ao meu redor. Está tudo nas letras." Os conceitos das músicas para este álbum surgiram rapidamente, mas o desafio estava nas letras e nos elementos musicais finais para que se encaixassem e funcionassem. No final, todos os quatro membros ficaram satisfeitos com o trabalho. Aqui, Soord também nos conta um pouco sobre como é atingir esse ponto de satisfação: "Depois de tanto tempo no ramo, estar 'satisfeito' é ser constantemente desafiado, constantemente redefinido. É disso que se trata; continuamos nos esforçando. " "It Leads To This" contém oito músicas com duração média de cinco minutos. Podemos apreciar como o rock progressivo continua sendo a principal característica do álbum, mas ele também mistura atmosferas delicadas, teclados reflexivos e melodias cativantes. O álbum faz alusão a contadores de histórias como Thom Yorke, Jonas Renkse, do Katatonia, e Nick Drive. Vamos para a análise do álbum “It Leads To This”. Put It Right (05:30). A primeira música do álbum é introduzida com bateria e baixo tocando, enquanto Soord começa a cantar. Uma música que mantém a marca registrada da banda de ter sons minimalistas, mas misturada com sons atmosféricos que nos levam a uma imersão de tranquilidade. A música nasceu de uma experiência que Soord teve ao sair do estúdio e encontrar um céu azul claro, sem nada para sujá-lo, assim começa o nascimento de Put It Right. Rubicon (04:37). A guitarra pesada está presente no início, mas depois tons mais brilhantes começam a emergir, especialmente quando a voz de Soord aparece, então os riffs, teclados e voz entregam uma passagem bem rock. A guitarra e os teclados começam a entregar atmosferas brilhantes, que harmonizam muito com o riff principal. Esta música foi iniciada no estúdio caseiro de Gavin Harrison e é inspirada na tirania e paranoia de Júlio César e como essa imagem é capaz de se repetir em líderes mundiais contemporâneos. It Leads To This (04:43). O riff elegante nos apresenta à terceira música deste álbum. Bateria minimalista, acompanhada por cordas e atmosfera. Um ritmo mais lento que as duas primeiras músicas, nos leva a um rio cheio de rock. A música progride para o solo onde a atmosfera cativa com o drama do teclado de Steve Kitch. The Frost (05:40). Este é um dos pontos mais criativos do álbum, segundo a banda. As guitarras vibrantes, com a bateria perfeitamente executada por Harrison e as harmonias do teclado fazem dele um dos pontos fortes do álbum. Uma narrativa que nos leva pelo tema do amor, mas de uma forma mais sombria. Nunca se desapegando de sua alma gêmea, mas até as profundezas do oceano, é uma maneira sinistra de retratar a paz deste casal. All That's Left (04:26). Esta quinta música começa com um ritmo lento. Uma bateria distante, uma voz rouca e cansada, o teclado que proporciona imersão. A melancolia está no ar, mas é um álbum que contrasta sensações, e se encontramos melancolia, também encontramos força, guitarras pesadas, e retornamos a ritmos lentos e vocais claros. Now It's Yours (05:59). As vibrações serenas e sombrias dos instrumentos começam a soar. A voz de Bruce Soord é ouvida mais lentamente do que nas outras faixas. A guitarra acompanha com acordes de fundo e arpejos de cordas que adicionam corpo. A bateria de Harrison acompanha a partir dos pratos e caixas. A parte anterior ao solo muda de tom. Tudo fica mais sombrio, mais pesado. Every Trace of Us (04:30) Com mais movimento que as outras músicas, Every Trace of Us nos convida a compartilhar a dor do narrador. Com um tom mais sofrido, a história de como nossas pegadas podem nos levar à nossa própria queda. Musicalmente, podemos notar um baixo muito mais presente do que em outras músicas, onde podemos ouvir seu movimento através do braço. O brilho dos sons, as guitarras distorcidas e balançantes, e o prato de bateria ressonante ainda são mantidos. Na ponte, notamos novamente essa atmosfera sombria que a banda explora em diferentes partes do álbum. To Forget (05:20). Os arpejos do violão acústico ressoam delicadamente. To Forget é uma música especial para nós que somos do Chile ou da Argentina, pois é baseada nas histórias de famílias que viveram sob as ditaduras desses países. Da mesma forma, a linha instrumental define a música como uma ode a essas famílias. Soord faz um ótimo trabalho, incorporando elementos narrativos de Thom Yorke, Nick Drake e Jonas Renkse, como mencionado anteriormente. Enquanto isso, as guitarras demonstram o drama e a força de viver naquele período, mantendo o minimalismo e a emotividade que a banda trouxe para este álbum. "It Leads to This" é um álbum de duas faces. É força e fragilidade. Caos e precisão. Este é um trabalho altamente emocional e sofisticado, com um som que mantém a essência de The Pineapple Thief, mas com uma maturidade musical muito maior. Cada membro dá o seu melhor e eles trabalham de forma coesa. Um som brilhante para este novo trabalho, que leva a banda a um novo patamar dentro do gênero. Nesse sentido, "It Leads to This" continua a provar que a banda não está presa a um único gênero; na verdade, eles constantemente ultrapassam os limites que estabeleceram anteriormente e continuam a evoluir com suas texturas, sons, melodias e arranjos instigantes.
E no vídeo a seguir você pode continuar ouvindo algo do álbum em questão.
Texto de entrada expandido
No auge de seu décimo quinto trabalho de estúdio, a banda de Bruce Soord é o que há de mais próximo musicalmente de letras do tesouro para o pequeno investidor: uma aposta certeira. No ano em que o quarteto celebra suas bodas de prata (seu álbum inaugural, Abducting the Unicorn, data de 1999, acredite ou não), It Leads to This se destaca como uma magnífica atualização dos ideais da banda de Somerset: um som vigoroso, mas com espaço para um lirismo às vezes arrebatador; letras sombrias e céticas em relação ao futuro do mundo moderno; e desenvolvimentos instrumentais soltos e dinâmicos, mas sem recorrer a meros floreios. Especializando-se em um tipo de excelência progressiva, às vezes também conectada ao art rock, Soord criou uma obra sóbria, precisa e imaculada em sua emoção contida, irrefutável até mesmo no arranjo espacial de oito músicas, todas com cerca de cinco minutos de duração, moldando, em última análise, uma obra canônica de 40 minutos com quatro faixas de cada lado do vinil. As faixas optam pela introspecção e pela tranquilidade como parâmetros predominantes, mas todas respiram com a sábia facilidade de quem não comete o erro de se precipitar. Não há vertigem nem grandes sobressaltos, mas há uma sensação de imprevisibilidade e amplitude dinâmica: ouvindo All That's Left, há respiração, idas e vindas, pausas e intervalos. A música sobe até que as explosões de guitarra do líder produzem uma sensação de pinçamento e cócegas. Para manter a compostura após uma carreira tão extensa, a adição definitiva do baterista Gavin Harrison (Porcupine Tree, King Crimson) é essencial para solidificar o itinerário. Harrison é um músico de imaginação irreprimível; ele não apenas ancora o edifício, mas suas digressões nos pratos são encantadoras. É impossível não notar seu trabalho em Rubicon ou Every Trace of Us, onde cada compasso complementa e contradiz o anterior. Esse suporte permite que Soord evolua em seu discurso, ainda que as alusões ao universo de, especificamente, Porcupine Tree (sobretudo) continuem sendo as mais recorrentes. Também a Marillion, nessa forma de abraçar a melancolia mais lírica e o senso crítico em torno de um mundo que muitas vezes parece impossível de resolver. Não há desejo de deslumbrar em It Leads to This, um álbum de solidez pétrea, mas com muito pouco apego a fogos de artifício. O TPT sempre esteve entre as bandas que conquistam a cada audição, mas essa característica se tornou mais central nesta fase da carreira. É por isso que The Frost não se destaca particularmente como single, e o encerramento semiacústico, To Forget, que abre com uma humildade muito comedida, acaba levando ao encantamento.
Fernando Neira
O que você acha se eu copiar o último comentário de que há muita música hoje em dia?
The Pineapple Thief é uma banda britânica de rock progressivo que atua na música há mais de 20 anos. A banda começou a ganhar bastante reconhecimento ao redor do mundo por ter personalidade em sua música, sempre utilizando recursos de diversos estilos para um mundo e música em geral altamente exigentes. Dito isso, começarei com a resenha do álbum do qual saí da banda em 2020, "Versions of the Truth", um álbum equilibrado e com muitos elementos pessoais. Assim, depois de quatro anos desse álbum, tenho nos ouvidos o novo álbum desses artistas britânicos, chamado "It Leads To This". O que teremos nesse novo álbum? Bem, vamos ver. Vamos começar com as comparações e eu sei que para alguns elas são odiosas, mas se tomarmos este álbum como uma nova proposta do The Pineapple Thief, este "It Leads To This" tem muitos pontos a seu favor, porque o álbum tem mais texturas, há partes que são um pouco mais experientes nas mudanças e seu aspecto passivo está sempre dentro da música, mas desta vez eles se afastam completamente do que fizeram há 4 anos, e retornam muito recarregados com ideias e com novas texturas que farão você esquecer a banda durante a pandemia. Porque aqueles anos foram mais calmos, e agora esta banda usa detalhes de pós, indie e rock and roll em muitas de suas ideias, mas colocados com sabedoria e sem ter uma abolição de sua ideia lenta, mas sendo um pouco mais aberta ao seu desenvolvimento, e desta vez a capa tem essa ideia de ser um álbum turístico em sua música e até mesmo em sua discografia, porque eles adicionam detalhes que abrem as portas para outras ideias de rock e até com breves cheiros de metal. O que ajuda muito a ter uma evolução desses quatro anos que valeu a pena em todos os sentidos, e que é apreciada pelo ouvinte. De tudo, começando com "Put It Right" e terminando com "To Forget", temos um novo lado britânico em geral, com muito mais texturas, nuances, um pouco mais acelerado e progressivo começando a ser muito mais exigente em muitas músicas, guitarras com muitas influências musicais que variam com muitos estilos musicais, baixo perceptível e com aquele sabor da era de ouro do rock progressivo. Bateria com muitas complexidades, mas eles não abusam delas, apenas as colocam onde a banda quer, e isso tem um fenômeno interessante em geral, porque eles criam uma boa mistura de ritmos, compassos e texturas gerais que dão vida ao álbum. E, como mencionado, ter se afastado desse lado suspenso de suas produções anteriores ajuda a criar respirações e partes com as quais a banda se envolve em todos os sentidos. Partes arpejadas, partes com muitas batidas progressivas, e essa ideia energética é uma das melhores coisas que a banda mostra em seus 40 minutos. Um álbum que ultrapassa seu interior em todos os sentidos e mostra a nova determinação da banda em abrir com novas ideias de rock e progressivo.
Lista de faixas: 1. Put It Right (5:30) 2. Rubicon (4:37) 3. It Leads to This (4:43) 4. The Frost (5:40) 5. All That's Left (4:26) 6. Now It's Yours (5:59) 7. Every Trace of Us (4:30) 8. To Forget (5:20)
Formação: 1. All Thats Left 2. All Because of Me 3. Put It Right 4. Rubicon 5. To Forget 6. Every Trace of Us 7. The Frost
O álbum do pássaro frio. A capa já transmite algo despojado, melancólico, com belos sons atmosféricos. É um post-rock nostálgico com um toque pesado, e neste álbum, também arranjos sinfônicos, uma mistura de The Pineapple Thief, Pink Floyd e Gazpacho. Este é realmente bom, talvez não atingindo o nível do primeiro álbum, mas com todos os seus ingredientes e algumas facetas a mais, com toques sinfônicos, partes intensas de sons quase metálicos, atmosferas tempestuosas, seções muito rock, algumas incursões de órgãos de igreja, pianos, trompetes e até mesmo um doedoek (um antigo instrumento de sopro de palheta dupla) exibindo harmonias exóticas e aquelas melodias etéreas, atmosféricas, tristes e oníricas que os caracterizam, desta vez com um toque mais majestoso, solene e com um certo ar quase oriental. Recomendo que você os ouça, principalmente se gostou dos álbuns anteriores que apresentamos; nesse caso, mergulhe de cabeça, você não vai se arrepender.
Já dissemos que a música que esses caras fazem não é exatamente a mais alegre, mas sua música é tão refinada e bonita que é realmente um prazer ouvi-los em qualquer um dos seus três álbuns, e com este completamos sua discografia.
A primeira faixa, a instrumental "Lamentation", oferece uma introdução atmosférica e evocativa desde o início; sua estrutura simples na primeira metade assume uma abordagem sinfônica no final, mas o caráter mais vibrante da banda logo se revela, proporcionando profundidade e uma emoção quase palpável . As partes melódicas e harmônicas permanecem fixas em um estilo que lembra Pink Floyd , e é essa atmosfera de retorno ao passado que permite que a música da banda seja ainda mais eficaz. Guitarras de rock surgem nessa jornada musical, transportando rapidamente o ouvinte para uma fase hipnótica, quase psicodélica, tudo conduzido por aquela voz cavernosa e sensual.
Não podemos deixar de mencionar a qualidade épica da faixa mais longa (14 minutos), a suave e melodiosa "Uncertainty", que se beneficia de uma performance que gradualmente se torna poderosa e progressiva. Tudo está subordinado à letra, que é parte fundamental do som geral. Sua excelente articulação, sem dúvida, contribui para isso. Também não faltam riffs densos de guitarra e algumas belas interpretações de piano em músicas que geralmente são bastante longas, o que pode levar um pouco mais de tempo para serem absorvidas. Mas, apesar de sua duração, não é uma audição longa.
Em suma, temos um álbum que se presta perfeitamente a uma noite relaxante ouvindo música, talvez com uma bela taça de vinho tinto na mão, ou o que for necessário para completar um álbum belo e envolvente. No entanto, um aviso se impõe, mesmo que você já a conheça: esta música é bastante deprimente, ou até mesmo muito deprimente, dependendo do seu ponto de vista, então nem pense em trocar sua taça de vinho por um trago, porque você estará em apuros. De qualquer forma, pode não ser música para todos os momentos, mas é imbatível para uma ocasião adequada, porque toda a tristeza contida em suas notas se transforma em beleza.
Mas é melhor eu ficar quieto e vocês escutarem, porque é isso que vou deixar para vocês no vídeo a seguir...
No fim das contas, este álbum segue a abordagem da banda, sem medo de explorar novos elementos. A performance e as melodias são realmente lindas, compensando a tristeza evocada pelas músicas. Isso também se aplica às letras, que podem não te levar ao seu lugar feliz, nem têm essa intenção.
Ao longo do álbum, todos os elementos mencionados se combinam para te envolver completamente na música, e não se trata da velocidade com que esses músicos tocam, mas sim de como eles podem impactar você emocionalmente. Porque, em última análise, a música progressiva não se trata apenas de técnica; é também uma experiência emocional poderosa, como neste caso. Então, espero que você goste!
Lista de faixas: 1. Lamentation (4:04) 2. Mother (7:15) 3. Loneliest of Creatures (7:53) 4. Prison Walls (8:10) 5. Home (8:01) 6. Uncertainty (14:00) 7. Departures (8:48) 8. Familiar Face (6:13) 9. To Have and to Hold (4:23)
Formação: - Gerrit Koekebakker / vozes, guitarras - Remco den Hollander / teclados - Michel Varkevisser / guitarras, vozes de apoio - Manuel Renaud / bateria - Fernandez Burton / baixo - Joanne Platts / vozes - Inge den Hollander / vozes de apoio (7) - Steen Gees Christensen / duduk (7)
Com sua voz inconfundível e um talento nato para criar baladas e grooves irresistíveis, Hyldon firmou seu lugar como um dos mestres do soul brasileiro. Lançado originalmente em 1981, Sabor de Amor é o quarto disco da carreira do artista e um dos registros mais sofisticados da era pós-Black Rio.
Gravado com direção artística de Pena Schmidt, Sabor de Amor contou com músicos do Azymuth e vocais de apoio do Trio Ternura, além da lendária participação de Tim Maia em um show que antecedeu a gravação. No repertório, faixas que misturam samba, soul, disco e MPB como "Vadiagem", "Vem Dançar o Samba" e "Cubana", além de clássicos românticos como "Leva-la-ei", "A Última Balada" e a faixa-título.
Uma viagem sonora deliciosa que celebra a alma dançante e melódica de Hyldon em sua fase mais inspirada. Recheado de charme e ritmo, Sabor de Amor é um álbum essencial para qualquer coleção dedicada à música brasileira com suingue e sentimento.
O álbum "Brasil, Violão e Sambalanço!", do violonista e compositor, Paulinho Nogueira, lançado originalmente em 1960, apresenta releituras instrumentais de clássicos da música brasileira, com destaque para temas, tais como: "Brigas Nunca Mais; Samba de Uma Nota Só (Tom Jobim); Fita Amarela (Noel Rosa); Chora Tua Tristeza (Oscar Castro Neves)", entre outros.
"Sempre Amigos" é um álbum colaborativo dos músicos brasileiros Toquinho e Paulinho Nogueira. Lançado em 1980, o álbum apresenta uma mistura de canções instrumentais e cantadas, com destaque para a interação entre os dois violonistas e compositores.
Álbum lançado em 1967, é uma compilação de sucessos do artista, que explorava ritmos nordestinos como o forró e o samba. Jackson do Pandeiro é uma figura icônica da música brasileira, famoso por sua voz marcante e habilidade com o pandeiro.